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O transporte público e o alto preço das passagens

Praticamente todos os grandes municípios vivem sérios problemas de transporte público. A cidade de São Paulo, em especial, tem vivenciado sérios problemas. No ano de 2011 a passagem dos ônibus atingiu o valor de R$ 3, tornando-se a mais cara do país. Estudantes, principalmente, tem se mobilizado em passeatas e manifestações contra o alto preço cobrado. Apesar das claras disparidades entre o valor cobrado, o número de usuários e a qualidade do serviço, as manifestações não apontam uma solução para o problema.

É certo que ao analisar o problema do transporte público pode-se perceber que a culpa é da gestão pública dos transportes. Entretanto, os governantes não erram apenas por tabelar o alto preço, em conluio com as empresas de transporte. Há diversas outras falhas no sistema de transportes públicos. Para evidenciá-las usarei o que conheço, enquanto morador, da cidade de São Paulo.

Primeiramente, a rede de ônibus é gerida pela SPTrans. De acordo com o site institucional do governo municipal, "as atividades operacionais são terceirizadas e executadas por empresas que foram contratadas por licitações públicas"[1]. Deste modo, os ônibus pertencem a empresas privadas que concorrem entre si por intermédio de licitações. O problema das licitações está, além das possíveis fraudes para colaborar com empresas amigas, nas consequências de tal modelo. Empresas concorrem para ter um monopólio legitimado pelo governo municipal. Se não há concorrência enquanto se presta o serviço, é óbvio que a empresa vencedora não terá estímulos para a melhoria de sua frota. Porém, devido ao fato de dividirem a cidade em diversas regiões, e em cada uma dela haver mais de um empresa atuando, a prefeitura não considera que exista um monopólio. Mas, ao analisarmos de perto, podemos perceber que não há concorrência entre empresas pois a origem e o destino é sempre diferenciado, mesmo que percorram uma mesma parte do percurso.

A partir da crítica às licitações, dissemos que não há incentivo para a melhoria de um serviço se não há concorrência deste serviço. Pensando nisto, a prefeitura arrumou uma forma de tapar o sol com uma peneira. A SPTrans, pensando na qualidade do serviço, tem como atividade "o planejamento, a programação e a fiscalização, além do incentivo ao desenvolvimento tecnológico"[2]. Ora, se há tranquilidade para os "empresários" do transporte, então é necessário que algo incentive a melhoria do serviço. Atualmente, isto é feito com com subsídios da prefeitura, uma medida que vai justamente contra a ideia de incentivo.

A retórica da prefeitura é estranha, pois de acordo com ela a cifra que chegou a R$ 600 milhões é por causa dos estudantes, idosos e deficientes, que possuem desconto ou gratuidade na passagem[3]. É estranho que transportando 5 milhões e meio de passageiros por dia, as empresas ainda precisem de auxílios para suas frotas. Com a passagem a R$ 3, as empresas faturam juntas algo em torno de R$ 370 milhões por mês (apenas contando os dias úteis). É claro que apresentando estas cifras pode-se pensar que as manifestações estão certas em protestar contra um preço exorbitante.

Existe, entretanto, a defesa de algo diferente. Clamar pela "catraca livre", isto é, pelo subsídio total no transporte público não é a solução. Nossos estudantes se esquecem de que, com tudo subsidiado, o transporte público ficará mais sucatado do que já está. O que faz com que um bom serviço seja prestado é a concorrência. Atrair clientes faz com que existam novidades e aumento de qualidade. Portanto, o que precisamos para o transporte coletivo é torná-lo realmente coletivo, ou seja, é necessário que os indivíduos que formam a coletividade tomem para si a responsabilidade pelo transporte. Isto pode se dar da seguinte forma:

1 – Fim do monopólio: Com a ausência de licitações, toda empresa desejosa em prestar um serviço de transporte poderá planejar e decidir as suas rotas. A livre entrada no mercado de transportes aumentará a concorrência no setor, trazendo mais opções para os passageiros.

2 – Desregulamentação: É preciso que o governo não interfira no setor de transportes. Significa que cada empresa pode fixar o valor que desejar em suas tarifas. A liberdade na prestação do serviço trará novos modelos de veículos. Haverá maior variedade de preços e serviços.

3 – Carona: Há pouco tempo uma política propôs a "carona solidária", porém não há maior incentivo para a carona do que a liberdade de qualquer um que possuir um veículo poder cobrar para transportar pessoas a determinados destinos. É a consequência da desregulamentação do setor de transportes.

Com uma sociedade na qual não há regulamentação de tarifas, itinerários e veículos, os únicos que iriam perder algo seriam os péssimos empreendedores e os políticos que trocam favores. Péssimas escolhas levariam empresas ruins à falência. Sobreviveria apenas quem pudesse prestar um bom serviço. Os estudantes que tanto reclamam do valor cobrado teriam um transporte de qualidade e com um preço menor. As possibilidades que surgiriam com a ausência de regras são várias, entre elas: sistema de cobrança de passagem debitada em conta corrente, valor da viagem de acordo com a distância percorrida ou até mesmo sorteio de transporte gratuito em promoções. A retirada do governo do setor de transporte público é o maior benefício público que se pode ter.

Antes de terminar, é preciso antecipar uma pergunta sobre o tema:

1 – Tais soluções não iriam piorar o trânsito?

R: Não necessariamente. Talvez houvesse aumento no início da desregulamentação. Entretanto, com empresas concorrendo, os preços tendem a baixar. Preços mais baixos e veículos com maior qualidade e conforto tendem a incentivar o uso de tais transportes.



[1]  Disponível em: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/transportes/institucional/sptrans/index.php?p=3513

[2] Idem.

[3] Número de acordo com o publicado no Jornal da Tarde em 29 de novembro de 2010. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br/jt-cidades/kassab-da-mais-de-60-mi-em-subsidios/


2 votos

autor

Filipe Celeti
é bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela mesma instituição.

  • Bruno Teixeira  07/06/2013 20:10
    Os estudantes protestando por mais subsídios e regulamentação sintetizam de forma muito sucinta a filosofia de esquerda: achar que ações imediatas e, de certa forma, ingênuas irão resolver o problema.

  • Mohamed Attcka Todomundo  09/06/2013 23:07
    acho q eh muito pior q isto. com a palavra rothbard, q bem explica o mecanismo de q os tais estudantes sao engrenagens
  • guilherme  07/06/2013 20:57
    Nesse caso, não poderia ter o risco de cartéis? Da mesma maneira que ocorrem em postos de gasolina.
    Sou de Curitiba e aqui temos os famosos bi-articulados, que são grandes onibus que possuem uma rua somente para eles, como se fosse um metrô. O governo, nesse caso, não ajudaria nas construções de soluções mais amplas, que precisassem de uma grande modificação no ambiente da cidade, como aumentar ruas, desapropriações, etc etc?
  • Leandro  07/06/2013 21:04
    Postos de gasolina fazem cartel justamente porque pertencem a um setor extremamente regulado pelo governo, no qual dificilmente alguém entra para concorrer.

    O setor energético é certamente um dos mais regulados da economia brasileira. Começa pelo fato de a Petrobras deter um monopólio prático da extração de petróleo. Após mais de 40 anos de monopólio jurídico (quebrado apenas em 1997), a Petrobras já se apossou das melhores jazidas do país. Nem tem como alguém concorrer. É como você chegar atrasado ao cinema: os melhores assentos já foram tomados, e você terá de se contentar com os piores. Além da Petrobras e da ANP, que regula tudo que diz respeito ao setor, há toda uma cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos -- ou a pessoas que possuem contatos junto ao governo. Livre concorrência nesta área nunca existiu. Daí os cartéis serem a regra.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1200
  • Mohamed Attcka Todomundo  09/06/2013 23:23
    como o Leandro explicou, carteis - e tb monopolios - sao favorecidos por regulaçoes: carteis e monopolio, num ambiente regulado, sao funçao da regulaçao. num livre mercado sao funçao da competiçao. num livre mercado ñ tem impedimento p/ entrar num ramo, portanto, se tem só um ofertante, eh pq ele foi eficiente em atender todos os demandantes, e os d+ fornecedores sumiram. e carteis, no livre mercado, sao consequencia de empresas perceberem uma oportunidade de conjugarem suas operaçoes p/ aproveitarem economias de escala, reduções de custos operacionais, etc.. carteis, num livre mercado, provavelmente seriam uma previa de uma fusao entre empresas.
  • Um Filósofo  07/06/2013 21:44
    O transporte público deve ser re-estatizado em prol do bem comum, assim como devem ser formados bastiões públicos em outros setores estratégicos para a população como acesso à informática, comunicação, alimentação, literatura e cultura. Deve-se adotar um sistema sólido que seja baseado em uma alocação de recursos e fundos puramente racional e livre da busca pelo lucro, sendo o serviço público o único capaz de tal feito.

    Se há um inimigo para o sucesso do transporte público é o cidadão de classe média, que ao invés de utilizá-lo junto aos trabalhadores, toma seu egoísmo como motivação principal e retira seu veículo(Símbolo da alienação) para fora da garagem e rouba as ruas para si, engarrafando-as e aumentando os custos de combustível acima do tolerável para um setor governamental.

    Economistas austríacos intervirão com esquemas elaborados de sistema de unidade e sistema, explicando que o motivo de tal fenômeno não é o interesse classista, mas sim a existência de um bem escasso ofertado a preço zero(Ruas). Entretanto, tal afirmação é simplista e ignora os estudos psicológicos do povo brasileiro há décadas elaborados pelo departamento de psicologia da USP através da orientação dos ensinos de Fromm, que deixam claro que a culpa para a imperfeição de qualquer sistema público é puramente a ganância e o egoísmo das classes dominantes.

    Transporte público, já!
  • Lucas S  07/06/2013 21:56
    O estado é tão perverso que impõe um erro de semântica. É transporte COLETIVO e não público! Devido ao precário estado mental dos brasileiros(alimentado diariamente por novelas e programas de auditório), tal truque semântico passa despercebido.
  • Anti filósofo  17/06/2013 02:37
    Só no Brasil para termos um troll que vomita materialismo dialético (também conhecido como estuprador contumaz da linguagem). A coisa mais engraçada é que ele precisou, provavelmente, de um diploma universitário - decerto em alguma latrina pública, vulgarmente conhecidas por universidades públicas - para conseguir articular tamanha imbecilidade!

    Não te preocupes, pois sois daqueles idiotas úteis; sempre terás um lugarzinho na fossa acadêmica brasileira.
  • Daniel Calou  17/06/2013 15:42
    Esse cara provavelmente defende a re estatização do setor de telefonia pra que os mais pobres tenham acesso à telefones, oh wait!
    Não foi no tempo da telefonia estatal que as pessoas tinham que entrar em filas pra conseguir uma linha e que tinham que declará-la no imposto de renda pois custava Us$ 4.000,00?
    Não foi depois da privatização que o telefone se popularizou de tal forma que hoje em dia a quantidade de linhas de celular é maior que a população?
    Maldita elite egoísta que só pensa em si própria e esquece dos mais pobres!!
    A propósito, sou classe trabalhadora, nunca fiz uma universidade e dispenso a elite caviar feito você defendendo meus interesses.
  • ezekyel reis  27/12/2013 15:23
    Esse filósofo deve ser um petista que adora mamar nas tetas do governo. Um transporte público estatizado com certeza vai gerar péssimos serviços, sucateamento dos transportes, além da ineficiência dos serviços. Nesse caso, andaria de ônibus aqueles que tivessem "amizades" com o Estado ou seriam obrigados a pagar propina para ter acesso ao serviço, como ocorre em todos os setores estatais. Certamente você deve reclamar da alta carga tributária do Brasil, mas banca o idiota ao defender mais gastos públicos.
  • uma anarquista  09/06/2015 12:42
    até que enfim alguem falou dos trabalhadores.
  • Joel Pinheiro  07/06/2013 22:06
    Ótimo texto, Celeti!

    Quanto à piora no trânsito oriunda da desregulamentação, ela é realmente uma possibilidade.

    Todas essas questões esbarram no mesmo problema: propriedade pública das vias. A oferta (e o gerenciamento) de vias não obedece à demanda, e é gratuita no consumo. Sendo assim, é natural que a demanda exceda a oferta: congestionamento.
  • Caio  07/06/2013 23:28
    existe ou já existiu em algum lugar domundo um exemplo prático de um setor de transportes desregulamentado?
  • pensador barato  09/06/2013 00:56
    Caio não conheço experiências de desregulamentação mundo afora,mas aqui no norte de Minas tem funcionado os táxis clandestinos há mais de quinze anos com um sucesso estrondoso e a concessão intermunicipal da Gontijo chegou a ficar desativada nos últimos 7 anos se não estou enganado,e agora está voltando a circular com uma tarifa mais baixa mas com um quadro de horário ridículo,conclusão os taxistas não perderam usuários mas o mercado se rearranjou,cada um usando o transporte mais viável para si ou seja mais opção para nós consumidores,portanto viva o mercado-livre mesmo sendo informalmente.
  • Flávio  08/06/2013 00:00
    Filipe,

    há um erro neste raciocínio. Na época da finada CMTC, os intinerários eram maiores e não com as divisões que existem hoje de forma em que há hubs nas periferias para posterior encaminhamento dos ônibus para o cinturão do centro da cidade.

    Mesmo com a desregulamentação que você propõe, o risco seria mais mais trajetos quebrados (que demandam mais tempo, e mais viagens, e mais subsídios como o bilhete único).

    A solução parra obrigatóriamente por um estudo de engenharia do fluxo desses transportes, e então a posterior desregulamentação.

    Abs!
  • Joao  08/06/2013 03:15
    Minha humilde contribuição:

    Discussão sobre a privatização do transporte coletivo


    O fato é que o empreendedor PRIVADO tem todos os incentivos para atender ao desejo do público consumidor: chegar até onde ele está, e levá-lo até onde ele quer, da forma que ele deseja. Basta liberar a concorrência, que surgirão serviços de transporte personalizados atendendo aos mais diversos anseios de transporte: básico, de luxo, médio, rápido, interurbano, interbairro, etc.

    Não precisa legislar. Basta liberar a concorrência. Por isso que cada vez mais pululam aqui no Brasil o "mercado negro" das vans "piratas". Elas só existem para atender um desejo do consumidor: transporte eficiente.

    Os ônibus públicos são lotados porque são subsidiados (e não há alternativas de transporte, já que aqui carros ainda são muito caros para se adquirir e principalmente manter - diferente dos EUA, onde se refere o vídeo que eu passei), e têm péssima qualidade de serviço porque não têm incentivos para melhorá-la, já que não há concorrência.

    Mais um tijolo pra lápide da "concessão".

    Agora eu queria saber como funciona o transporte INTERURBANO no Brasil. É necessária uma concessão? Ou qualquer empresa pode entrar? Digo isso pois entre minha cidade e a cidade da minha faculdade há apenas uma empresa de transporte, cujo serviço é ruim, mesmo sabendo que esse trecho é o mais movimentado daqueles cobertos pela empresa.
  • Luiz Goulart  12/06/2013 19:46
    o transporte Interurbano funciona do mesmo modo do urbano só que a concessão do monopólio é feita pelo governo estadual (duas cidades no memo estado) ou federal (cidades em estados diferentes). Que define previamente as rotas e os valores e depois os licita.
  • Sérgio  08/06/2013 05:21
    A questão é que por mais injusto que nosso sistema de transporte coletivo seja, nada justifica a violência e a baderna cometida por aqueles vagabundos. O que eles querem é um transporte subsidiado ou um controle de preços.
  • Marcio Vinhaes  13/06/2013 00:36
    Na verdade é plenamente justificável a baderna contra o estado e seu aparelho, afinal esse pratica violência contra nós todos os dias agredindo nossa propriedade privada. Atacar o estado com a força é como defender sua casa de um bandido que pula seu muro para roubar seus pertences. Agredir policiais, destruir ônibus e metrô, pichar prédios "públicos" são atitudes que fazem o estado temer a população, o que é bom para o ponto de vista da liberdade. Errado é quando os manifestantes atacam à propriedade de lojistas, jornaleiros, civis e outros que estão perto da manifestação, porém é inevitável que isso aconteça já que são doutrinados pelo próprio estado com propaganda socialista e nem sequer ouviram falar sobre o direito natural à propriedade privada. É nossa responsabilidade esclarecer essas pessoas e mostrar o verdadeiro caminho para a liberdade; senso assim, ao invés de chamar os manifestantes de vagabundos tente mostrar as doutrinas econômicas da Escola Austríaca.

    E sim, o movimento passe livre é pelo subsídio aos transportes, porém na manifestação existem vários tipos de movimentos diferentes e que não necessariamente seguem essa cartilha. Inclusive tem vários anarquistas e mutualistas dentro da manifestação.
  • Marcus Benites  13/06/2013 12:25
    Eles já são bem grandinhos e sabem o que fazem... O que exigem, majoritariamente, é mais estado, mais subsídios, mais benefício com a conta caindo nas costas dos outros... Têm um desrespeito total pela propriedade privada e a principal bandeira do grupo que encabeça o movimento é "acabar com o capitalismo". Na verdade são estatistas até a medula, mas querem um estado subordinado a seus "movimentos sociais", instituindo um quarto poder, até mais forte que os outros... Se o tal Passe Livre encabeça o movimento, ele é seguido por PCdoB, PSOL, PSTU... Parece-me bastante claro o que querem. A PM é ruim por ser um monopólio, não por estar protegendo a propriedade privada (e a pública também é das pessoas, afinal foram elas que pagaram) da ação desses estatistas radicais.
  • Marcio Vinhaes  13/06/2013 17:49
    Sim, essas pessoas são bem grandinhas porém são ignorantes quanto à economia, é meio idiota e infantil essa reação que alguns libertários têm em simplesmente xingar essas pessoas ao invés de debater com elas e mostrar nossas idéias - eu mesmo era socialista antes de conhecer a escola austríaca -, dessa forma nunca conseguiremos eliminar o estado. Eles estão certos quando dizem que o transporte público é caro é ineficiente? Sim. Estão certos quanto a solução que eles apresentam para o transporte? Não. Estão certos quando atacam o estado repressor e suas estruturas? Sim. Estão certos quando atacam a propriedade privada das pessoas? Não. Cabe a nós mostrar onde eles estão errados e trazerem eles para o nosso lado, para que no futuro a manifestação não seja pelo subsídio e sim pela privatização total do transporte coletivo.

    O conceito de patrimônio público é pura propaganda política, não existe patrimônio público, esses prédios e estruturas pertencem ao estado e são protegidos pelo seu exército policial. Eu fico imaginando vocês que reclamam do vandalismo ao "patrimônio público" em 1773, falando para o Boston Tea Party "aí galera, sem vandalizar os navios!". Outra coisa, essa manifestação está sendo organizada pelo MPL, porém é completamente horizontal e eles só programam as datas. Na passeata em sim tem mais de 10 mil pessoas e a grande maioria inclusive são jovens de classe média que votam no PSDB/PT, existe uma pequena minoria de pessoas do PSTU e do PSOL e o Black Bloc de anarco-socialistas que geralmente estão sempre presentes nessas manifestações.
  • Sérgio  14/06/2013 20:11
    Debater o que com quem usa coquetel molotov? Esta gente é um bando de desocupado. São uns bando de playboyzinhos que querem que o estado baque tudo pra eles. Tanto é que muitos deles são ligados a partidos como o PSOL, PSTU...
  • Marcio Vinhaes  16/06/2013 16:11
    Qual o problema de usar coquetel molotov contra a polícia? Você acha que vamos abolir o estado como? Com flores? Mesmo se você for minarquista tem de lembrar que George Washington conseguiu a independência norte-americana com balas e canhões, e com isso fundou a república mais livre até aquele ponto da história.
  • anônimo  16/06/2013 18:27
    Essa é uma idéia genial, acabar com o estado na marra. Vai lá, vamos ver o que é que você consegue.
  • Marcus Benites  16/06/2013 18:28
    Você, fosse russo no início do século XX, apoiaria a "Revolução Russa" contra o "Estado do Tsar", tentando explicar pros revoltosos como era ruim o marxismo... Isso não faz o menor sentido. Um Estado é ruim? Sim. Surge uma revolta contra o Estado. Ok. O que prega essa revolta? Mais Estado, um Estado poderosão que garanta privilégios aos revoltosos e tire os privilégios dos inimigos dos revoltosos... No caso atual, nenhum deles sequer admitiria abrir mão da força policial que obriga os demais a pagar impostos, mas eles exigem que a força policial não atue sobre seus atos de vandalismo... Se o que propõem os revoltosos é pior do que aquilo que se tem, qual o sentido em apoiar a revolta? Você participaria da "Revolução Russa". Eu não. Era melhor ter ficado com o Tsar.
  • Sérgio  16/06/2013 19:46
    Mas eles não tavam atirando coquetel molotov só na polícia. Não sei como estao as coisas aí em SP, mas aqui em Porto Alegre eles fizeram todo o tipo de vandalismo: demoliram carros, picharam e depredaram bancos e lojas. Nem a Igreja do Rosário escapou do vandalismo.

    Ademais, aqueles vagabundos não querem abolir o estado. Eles querem mais estado. O que eles querem é que você pague pra eles andar de transporte de graça. São mesmos que querem "direito" à meia-entrada. Não passam de playboyzinho mimados que querem tudo do estado.
  • Deilton  16/06/2013 22:37
    Infelizmente o pensamento dominante entre os estudantes hoje é o de esquerda. Aqui em Salvador teve manifestação em favor do movimento paulista, tiveram em torno de 2.000 participantes. Seria uma ótima notícia, se não tivesse sido organizado por um vereador do PSOL.
    Eu sou a favor das manifestações que mostram descontentamento com o serviço de transporte coletivo, isso é uma forma da população mostrar que não está satisfeita com o modelo adotado.
    O problema é que as soluções propostas pelos manifestantes são piores que o problema atual. Movimento passe livre é um absurdo e é irracional. Ao invés de protestarem contra a meia passagem, a gratuidade para diversos grupos e a favor da livre concorrência no setor, estão protestando por que querem forçar outras pessoas a pagar por um serviço que eles usam.
    Se entro num ônibus e não pago passagem, mas esse ônibus possui custos, alguém estará pagando por mim. Essa gente que defende passe livre ou não pensa ou são mesmos vagabundos que querem ser sustentados pelos outros.
  • Marcus Benites  17/06/2013 00:15
    O fato é que se somarmos o número de pessoas de cada uma dessas manifestações (em São Paulo a média foi de 5 mil cada uma), de todo o Brasil, não dá as 72 mil pessoas que foram, hoje, ver Itália e México no Maracanã... A Globo e o Uol estão vendendo as manifestações como "populares" e criticando a ação da PM, desde quinta-feira, pra poder atacar o governo tucano e usar os idiotas úteis dos movimentos a favor do PT, principalmente em SP (sobre o Rio, de governo alinhado com os petistas, a Globo se cala). O PT agora foca em "criticar a truculência da PM tucana" e "sentará com os manifestantes pra negociar". O partido que criou toda a bagunça sairá por cima da história, e o PSDB como vilão. E os idiotas úteis que apoiam o movimento não farão outra coisa daqui pra frente (embora não saibam, são idiotas), que ajudar o PT contra o PSDB nas próximas eleições estaduais, manipulados que estão pela mídia (que deu uma "virada" conveniente depois de quinta-feira). Não sei quais eram as reais intenções quando a coisa começou (como saber que tipo de esterco há nessas cabeças esquerdistas), mas o que se assistirá daqui pra frente é puro teatro, bem definido, com um partido específico lucrando.
  • Gabriel  16/06/2013 23:24
    Eu apoio o movimento quanto à estatização do transporte público. Claro, a privatização completa também traria grandes benefícios, mas na minha opinião são maiores se ele for 100% público. Agora, como você ANARQUISTA deseja acabar com o Estado se está apoiando um movimento que tem como bandeira a estatização do transporte público? Caso não saiba, com a estatização o Estado terá ainda mais poder sobre você.
  • Marcio Vinhaes  17/06/2013 03:24
    O que estou dizendo é que contra policiais e as estruturas do estado é perfeitamente legítimo o uso da violência como modo de defesa, inclusive no primeiro comentário eu rejeitei os atos de vandalismo contra a propriedade privada e disse que isso é consequência de uma educação estatista. Os molotovs são obviamente usados contra a polícia, aliás, isso é tão comum em manifestações mundo afora que eu fico surpreso quando vejo brasileiros reclamando disso. Molotovs são úteis para desestabilizar as falanges dos policias.

    Só queria lembrar que o MPL é a favor do passe livre, mas essa manifestação não é para isso e sim pela revogação do aumento da tariga. A MPL apenas organiza o evento e pessoas das mais variadas ideologias aparecem na manifestação. Chamar todos ali de vagabundos é uma simplificação absurda.
  • Sérgio  17/06/2013 21:11
    A entidade que financia o MPL recebe dinheiro do governo (dos pagadores de impostos), e ainda tem isenção de impostos:


    11/06/2013 às 19:00
    Entidade que é dona de domínio do "Movimento Passe Livre" recebe dinheiro da Petrobras e do Ministério da Cultura e tem incentivo da Lei Rouanet

    Ai, ai…

    O Movimento Passe Livre tem um site, cujo endereço é "www.mpl.org.br" — e, claro, há um site específico para São Paulo: "saopaulo.mpl.org.br". Muito bem. Uma das curiosidades lícitas que a gente pode ter é esta: em nome de quem está registrado esse domínio? O leitor pode, então, recorrer ao site registro.br/ e descobrir. Basta escrever no campo de busca o endereço "mpl.org.br". E encontrará isto.

    Alquimídia?
    Como? Associação Alquimídia? Mas que diabo é isso? Bem, leitor, aí você pode, ainda movido pela curiosidade que a imprensa até agora não teve, visitar a página da dita associação. E vai se deparar com isto aqui:

    É isto mesmo. A tal "Alquimídia" é uma dessas ONGs que se dizem interessadas na "democratização da mídia" financiadas com dinheiro público: Ministério da Cultura e Petrobras, podendo captar recursos da Lei Rouanet. Jamais duvidem: é muito difícil não haver petismo na raiz de boa parte do que não presta no país.

    O nome do chefão da Alquimídia, que é dona do domínio da entidade que está a promover, com meia dúzia de gatos-pingados, o caos em várias capitais brasileiras é Thiago Skárnio, como se vê acima. Não sei se é sobrenome real ou artístico, mas é muito significativo.

    A base de operações do rapaz é Florianópolis, cidade, diga-se, onde o protesto contra o reajuste de tarifas de ônibus tem um histórico de violência e radicalização. Se o leitor decidir navegar pelo site "Alquimídia", descobrirá que essa entidade "ponto org" funciona como uma produtora privada de conteúdo qualquer. A diferença é que é alimentada com dinheiro público e diz trabalhar apenas para "coletivos" e "entidades do terceiro setor", embora possa, sim, ter a parceria de "empresas privadas". Ah, bom…

    Skárnio, a única cara visível da Alquimídia, se define assim na rede (em vermelho):
    Iniciei minhas atividades como desenhista. Depois de produzir charges e ilustrações para publicações independentes e sindicais, passei a trabalhar também com fotografia, texto, produção gráfica e audiovisual.
    Além da produção alternativa de vídeos e a edição do site SARCASTiCOcomBR, apoio causas como a cultura digital, liberdade de expressão, estado laico, democracia líquida e as políticas públicas para a cultura, e participo de organizações e movimentos como o FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Pontos de Cultura, CNC – Conselho Nacional de Cineclubes, Cinemateca Catarinense (ABD-SC), TV Comunitária de Florianópolis e Movimento Mega-Não.
    Atualmente coordeno o Pontão Ganesha de Cultura Digital, projeto mantido pelo Ministério da Cultura e a Alquimídia.org (organização que ajudei a fundar) e fui eleito para a cadeira de Cultura Digital do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis.


    O que é "democracia líquida"? É uma tese neofascista (pesquisem a respeito) que, sob o pretexto de instituir a democracia direta, prega, na prática, o fim do Poder Legislativo. Cada questão importante da sociedade seria decidida por indivíduos eleitos exclusivamente para aquele fim. O linchamento, por exemplo, não deixa de ser uma forma de "democracia líquida"…

    Eis aí: eu tinha a convicção — e agora tenho a certeza — de que, na raiz dessa história, estavam as tetas do estado.

    "Ah, o Alquimídia só registrou o nome; não tem nada a ver com isso." Claro que não…


    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/entidade-que-e-dona-de-dominio-do-movimento-passe-livre-recebe-dinheiro-da-petrobras-e-do-ministerio-da-cultura-e-tem-incentivo-da-lei-rouanet/
  • Sérgio  17/06/2013 21:12
    A entidade que financia o MPL recebe dinheiro do governo (dos pagadores de impostos), e ainda tem isenção de impostos:


    11/06/2013 às 19:00
    Entidade que é dona de domínio do "Movimento Passe Livre" recebe dinheiro da Petrobras e do Ministério da Cultura e tem incentivo da Lei Rouanet

    Ai, ai…

    O Movimento Passe Livre tem um site, cujo endereço é "www.mpl.org.br" — e, claro, há um site específico para São Paulo: "saopaulo.mpl.org.br". Muito bem. Uma das curiosidades lícitas que a gente pode ter é esta: em nome de quem está registrado esse domínio? O leitor pode, então, recorrer ao site registro.br/ e descobrir. Basta escrever no campo de busca o endereço "mpl.org.br". E encontrará isto.

    Alquimídia?
    Como? Associação Alquimídia? Mas que diabo é isso? Bem, leitor, aí você pode, ainda movido pela curiosidade que a imprensa até agora não teve, visitar a página da dita associação. E vai se deparar com isto aqui:

    É isto mesmo. A tal "Alquimídia" é uma dessas ONGs que se dizem interessadas na "democratização da mídia" financiadas com dinheiro público: Ministério da Cultura e Petrobras, podendo captar recursos da Lei Rouanet. Jamais duvidem: é muito difícil não haver petismo na raiz de boa parte do que não presta no país.

    O nome do chefão da Alquimídia, que é dona do domínio da entidade que está a promover, com meia dúzia de gatos-pingados, o caos em várias capitais brasileiras é Thiago Skárnio, como se vê acima. Não sei se é sobrenome real ou artístico, mas é muito significativo.

    A base de operações do rapaz é Florianópolis, cidade, diga-se, onde o protesto contra o reajuste de tarifas de ônibus tem um histórico de violência e radicalização. Se o leitor decidir navegar pelo site "Alquimídia", descobrirá que essa entidade "ponto org" funciona como uma produtora privada de conteúdo qualquer. A diferença é que é alimentada com dinheiro público e diz trabalhar apenas para "coletivos" e "entidades do terceiro setor", embora possa, sim, ter a parceria de "empresas privadas". Ah, bom…

    Skárnio, a única cara visível da Alquimídia, se define assim na rede (em vermelho):
    Iniciei minhas atividades como desenhista. Depois de produzir charges e ilustrações para publicações independentes e sindicais, passei a trabalhar também com fotografia, texto, produção gráfica e audiovisual.
    Além da produção alternativa de vídeos e a edição do site SARCASTiCOcomBR, apoio causas como a cultura digital, liberdade de expressão, estado laico, democracia líquida e as políticas públicas para a cultura, e participo de organizações e movimentos como o FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, ABRAÇO – Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Pontos de Cultura, CNC – Conselho Nacional de Cineclubes, Cinemateca Catarinense (ABD-SC), TV Comunitária de Florianópolis e Movimento Mega-Não.
    Atualmente coordeno o Pontão Ganesha de Cultura Digital, projeto mantido pelo Ministério da Cultura e a Alquimídia.org (organização que ajudei a fundar) e fui eleito para a cadeira de Cultura Digital do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis.


    O que é "democracia líquida"? É uma tese neofascista (pesquisem a respeito) que, sob o pretexto de instituir a democracia direta, prega, na prática, o fim do Poder Legislativo. Cada questão importante da sociedade seria decidida por indivíduos eleitos exclusivamente para aquele fim. O linchamento, por exemplo, não deixa de ser uma forma de "democracia líquida"…

    Eis aí: eu tinha a convicção — e agora tenho a certeza — de que, na raiz dessa história, estavam as tetas do estado.

    "Ah, o Alquimídia só registrou o nome; não tem nada a ver com isso." Claro que não…


    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/entidade-que-e-dona-de-dominio-do-movimento-passe-livre-recebe-dinheiro-da-petrobras-e-do-ministerio-da-cultura-e-tem-incentivo-da-lei-rouanet/
  • Marcelo Werlang de Assis  08/06/2013 20:47
    Eu novamente reproduzo aqui no site do IMB um ótimo texto de Roberto Rachewsky (autor do escrito "Sensação de Segurança") que disserta a respeito do tema (a bela bagunça que é o transporte coletivo). O nome do artigo é "Nada mais pode ser injusto". Ele foi publicado de forma parcial no jornal Zero Hora do dia 02.04.2013. Abraços!

    A prefeitura de Porto Alegre foi alvo da ação de grupos político-partidários que recrutam baderneiros travestidos de estudantes para pressionar o governo se utilizando de todas as formas ilegítimas de manifestação, como ameaçar a integridade física das pessoas, impedir o fluxo livre de veículos e transeuntes e depredar o patrimônio que é de todos.

    Poder público e foras da lei reúnem-se em programas de rádio e televisão, para fazerem acusações mútuas, todos com ou sem razão, dependendo do enfoque, tentando justificar o injustificável.

    Facilmente podemos ver que os baderneiros, que deveriam ser responsabilizados criminal e pecuniariamente pelos danos que causaram, não têm razão nas suas demandas, pois querem transgredir a ordem estabelecida, seja no campo jurídico, seja no campo econômico, ao reclamarem que o preço das passagens de ônibus subiram, desconhecendo os aumentos nos custos dos insumos decorrentes do processo inflacionário promovido pelo governo e evadindo-se do fato de que mais de um terço dessas passagens são fornecidas gratuitamente, onerando, assim, o custo total do serviço pago pelos dois terços de pobres coitados.

    Do outro lado, o poder público se defende com justificativas legais e econômicas para explicar por que a prefeitura é pródiga em tirar arbitrariamente do bolso de uns para, demagogicamente, dar a outros sob as mais variadas motivações, que podem ser baseadas na elevada idade do passageiro, na sua ocupação ou na sua condição física. Para um político, sempre haverá alguém a ser satisfeito em troca de votos.
    O que nem um nem outro grupo faz é discutir efetivamente sobre as causas de termos um serviço de transporte coletivo público tão ineficiente, caro e, como vemos, também polêmico ao ponto de parar uma cidade pelo evento de uma batalha campal entre forças bárbaras e as forças do status quo.

    Caso quisessem realmente questionar o modelo presente que define os serviços de transporte coletivo na cidade, encaminhando o debate para soluções verdadeiras, deveriam discutir sobre princípios morais e econômicos fundamentais, e não sobre paliativos que pouco amenizam os sintomas do problema e muito contribuem para agravá-lo.

    Sempre que o Estado, através do governo, intervém na economia ou em qualquer atividade econômica, tira das pessoas o poder de agir voluntária, espontânea e livremente.

    Ao restringir o acesso ao mercado de potenciais ofertantes, privilegia alguns com injustificada reserva de mercado, que, ao mitigar a concorrência, gera a incompetência, a elevação dos preços, a queda da qualidade dos serviços e muda o enfoque do empresário, que deveria ser o consumidor, para o burocrata que lhe outorga os benefícios. Sempre que no lugar de um consumidor estiver um burocrata a escolher o fornecedor, não teremos serviços ou produtos baratos e de melhor qualidade.

    Sempre que alguém estiver protegido por leis que estabelecem monopólios ou oligopólios impedindo que outros participem num determinado mercado, estes estarão mais sujeitos à corrupção do que à insatisfação de seus usuários.

    Não é à toa que permissões para a exploração dos serviços de ônibus, táxis-lotação e táxis em geral valem como valiam capitanias hereditárias concedidas pelo poder real.
    Ao estabelecer regramentos baseados nos conceitos burocráticos do poder público e não na vontade dos consumidores, que somente num livre-mercado poderia ser percebida e satisfeita com justeza, o governo desagrada a quase todos, pois não é onisciente nem onipotente ao ponto de saber sobre todos os desejos e vontades da população, nem sobre as capacidades e vontades dos fornecedores daquele serviço controlado.

    Assim, linhas a serem percorridas, cores dos veículos, tamanho dos carros, valor das tarifas, regras de contratação trabalhista, tipo de combustível, etc., hoje definidas em gabinete, desprezam os interesses particulares dos indivíduos que se utilizam desses serviços ou os proveem. E o fazem argumentando que acima do interesse individual está o interesse coletivo, desprezando o fato de que não há um ser coletivo, mas um coletivo de seres individuais, com vontades, gostos, preferências e capacidades muito peculiares.

    A intervenção do Estado que perverte a lei, colocando-a a serviço de demagogos e populistas, permite que se crie uma sociedade de usurpadores dos direitos individuais, onde tirar à força de uns para dar a outros, onde tirar a liberdade de iniciativa de uns para privilegiar outros, onde uns definem impositivamente o que outros, que inclusive pagam por isso, deverão usufruir, é nada mais nada menos do que o Estado totalitário aplicado às leis da economia e à vida dos indivíduos no exercício de suas vontades e necessidades no dia-a-dia.

    Quando o governo resolve agradar a todos de forma centralizada, ganha mais quem grita mais alto. É o que baderneiros sabem fazer mais do que o cidadão comum, que não tem tempo de gritar, pois lhe é exigido trabalhar para seu sustento e também para sustentar os que legislam e os que são beneficiados, como parasitas, pelas leis que são estabelecidas.

    Tarifas caras e serviços ruins só tem um antídoto viável, o livre acesso ao mercado.
    A satisfação dos consumidores só pode ser alcançada através do direito de escolha e do mútuo entendimento com seu fornecedor, sem intermediários.

    A justiça somente será encontrada quando deixarmos de botar a mão no bolso alheio e quando o alheio deixar de botar a mão no nosso. Será o fim da hipocrisia e o início do fim da barbárie.
  • Marcelo Werlang de Assis  13/06/2013 18:22
    Retificação: O título é "Nada pode ser mais injusto", não "Nada mais poder ser injusto". Amplexos!
  • Marcelo Werlang de Assis  17/06/2013 00:13
    Incrível... O artigo do Roberto Rachewsky (acima transcrito) foi escrito no início do mês de abril deste ano. Estamos agora no mês de junho. E parece que o mês de publicação do artigo foi o de agora, não o de abril!
  • Robinson  08/06/2013 21:25
    Com a liberalização do transpote coletivo, acho até que o trânsito melhoraria, visto que as classes mais altas, por exemplo, poderiam passar a optar por transportes coletivos de melhor qualidade, mais caros. Por exemplo: Microônibus com assentos acolchoados, ar-condicionado, tv e internet, etc.

    Quem tem condições de ir e voltar de carro de luxo para o trabalho e não goste de dirigir, poderia muito bem optar por transporte coletivo de luxo, que sairia a preços mais baratos que táxis.

    E como, quem tem dinheiro, no atual sistema de transporte sem opções, vai cada um num carro, o número de carros nas ruas poderia cair bastante, principalmente nos percursos para o trabalho.

    Penso até que muita gente revisse se realmente precisaria de um carro.

    O trânsito tenderia a melhorar... ninguém estaria obrigado a pegar esses ônibus esculhambados que os estudantes pseudo-revolucionários querem...

    Engraçado como na sociedade atual as "causas" contra o livre-mercado estão se esvaindo... a "causa" arranjada pelos estudantes em todo o Brasil, desta vez, foi protestar contra a passagem do busão... e gozado como em todo o Brasil apareceram estudantes universitários pseudo-revolucionários protestando, feito massa de manobra, sendo feitos de besta protestando contra passagem de ônibus... imagine se tivessem levado um esculacho da polícia (estariam chorando para os pais pagarem consultas e exames médicos com planos de saúde caríssimos... até porque pobre não vai para as ruas fazer este tipo de protesto besta, pois tem que trabalhar...)... Serão os mesmos, estes estudantes, que daqui a poucos anos ou meses estarão pedindo emprego nas maiores firmas do país e deixando de lado o revolucionarismo, caindo na realidade da vida: ter que trabalhar para viver, meu caro amigo...
  • Robinson  09/06/2013 14:19
    Adendo: o império da liberdade, neste país, está perdendo espaço para o império da esculhambação, do estado paternalista e populista... Á população só sabe pedir mais e mais favores do estado - passagem grátis, bolsa família, bolsa educação, bolsa leite, bolsa isso, bolsa aquilo, meia-entrada, toda-entrada, casa grátis, tudo grátis... como se as coisas não tivessem preço, não tivessem custo... como se as pessoas não quisessem ganhar para trabalhar... se alguém está obtendo algum benefício, quem está trabalhando de graça para elas?

    No momento em que grande parte dos estudantes universitários de universidades públicas, de todo o Brasil, se alinham com um pensamento completamente defasado, que, posto em prática, praticamente afundou economicamente quase toda a Ásia alinhada com a antiga URSS, estão, não somente fazendo proselitismo de um sistema fadado ao fracasso e a pobreza, econômica e de ideias, como também demonstrando desconhecer quase que por completo a História do Mundo moderno e contemporâneo, iludidos por um pensamento que mais se aproxima de uma religião cega do que de alguma faísca de ciência, e, por fim, bobocamente, favorecendo inúmeras empresas que procuram se aproximar de governos para proteger seu mercado com reserva de mercado, através de aprovação de leis absurdas e processos licitatórios fraudulentos, apaniguados com políticos que fazem da política um grande comércio ilícito.

    Alguns iludidos estão tentando consertar todo este sistema fracassado com mais intervencionismo, com mais fiscalização estatal, com mais repressão policial (MPs, TCUs, RF, Polícias, BOPEs, etc.), também certamente fadados ao fracasso, posto que o sistema é corrupto por si mesmo e não se está vendo nenhuma evolução em termos de educação e civilidade na população brasileira desde a redemocratização... o país passa por um de seus piores momentos em termos de segurança para a população civil e organização social, provavelmente provocados pelo desemprego, inflação, trânsito intenso, concentração de recursos em determinados pontos do território, redistribuição errônea de recursos (já, que, obviamente, não há como o estado acertar) etc.

    Enquanto a vanguarda não passar a ser pró-liberdade, anti-estatizante, defendendo o estado mínimo (essa, acredito, a única opção política viável a curto e médio prazos), a pequena empresa, a liberação dos mercados, a diminuição dos impostos (tributos em geral), a diminuição dos gastos públicos, etc., este país terá que aguentar a pobreza, a ignorância, a falta de educação, as soluções que nada solucionam, deixando este país, uma das maiores nações do mundo, continuar a ser a velha república das bananas...
  • Eduardo Bellani  09/06/2013 15:50
    E os ciclos se repetem. Há um ano atrás escrevi esse artigo sobre uma situação similar aqui em Florianópolis.
  • Marcos  12/06/2013 16:13
    Essas pessoas que protestam são ligadas a ONGs financiadas por agentes da própria esquerda e do governo federal. Isso está longe de ser um protesto espontâneo. Só que dessa vez eles deram um tiro no próprio pé, pois "atacaram" um prefeito amigo, do próprio PT. Esse tipo de coisa acontece de vez em quando na esquerda, nem sempre há um controle 100% eficaz.

    Por incrível que pareça, ainda considero o modelo paulista um dos melhores. Em outras cidades brasileira a situação é muito pior.

    No entanto, certamente falta liberdade e isso afeta gravemente o sistema.
  • leo frisoni  12/06/2013 19:38
    Texto muito bom, se não me engano do Rodrigo Constantino e mais duas pessoas:

    Um exercício de imaginação: como seria se a alimentação fora de casa, feito o transporte público, fosse gerida pelo governo? Má qualidade, filas e corrupção...

    "A semana foi de muito transtorno para quem precisa se alimentar fora de casa. Greves de garçons e cozinheiros paralisaram os serviços de mais de 30 mil restaurantes, padarias e lanchonetes que formam o sistema de alimentação pública municipal. Os trabalhadores pedem aumento real e reajuste dos abonos salariais. Não houve acordo entre o governo e o sindicato até o fim da noite de ontem.

    Na capital, 6 milhões de pessoas utilizam diariamente o serviço de alimentação coletiva.

    Todos os estabelecimentos que vendem comida pronta são operados sob concessão por apenas 16 consórcios e cooperativas. A prefeitura e o governo estadual supervisionam a distribuição dos prato feitos e comerciais, planejam o sistema e realizam os repasses para as concessionárias.

    Sem ter a quem recorrer diante da paralisação dos serviços, usuários chegaram a depredar bares e restaurantes. Outros se arriscaram em lanchonetes clandestinas, aquelas que não foram escolhidas nas licitações do governo e por isso atuam à margem do sistema de abastecimento da cidade.

    A prefeitura alerta que esses serviços, além de ilegais, trazem diversos riscos para os usuários.

    O sistema oficial, porém, é mal avaliado pelos cidadãos. Pesquisa recente mostra que o número total de queixas à prefeitura contra as comedorias saltou de 119.755, em 2010, para 143.901, em 2011.

    A demora no atendimento ficou em primeiro lugar entre as dez principais reclamações. Outras queixas comuns são o desrespeito dos garçons, a pouca variação do cardápio e a falta de limpeza nas instalações.

    O prefeito prometeu ontem mais investimentos na área. 'Até 2013, esperamos reduzir para 40 minutos o tempo de espera para o almoço', disse. Ele negou que o aumento dos salários dos garçons e cozinheiros resulte em aumento da tarifa do prato feito, hoje em R$ 30.

    O Ministério Público investiga supostos repasses ilegais da prefeitura a concessionárias, que fizeram expressivas doações de campanha na última eleição. Os promotores acreditam que esses repasses seriam o principal motivo para a comida custar tão caro mesmo sendo subsidiada pelo governo.

    Analistas afirmam que seria melhor que o governo deixasse para a iniciativa privada toda a venda de comida pronta. A concorrência entre padarias, botecos e restaurantes, argumentam eles, levaria diversidade e qualidade ao setor, atrairia a classe média e ainda baixaria o custo do serviço popular, como acontece em centenas de outros ramos da economia.

    Para os analistas, a livre iniciativa e a concorrência poderiam até fazer a cidade ser mundialmente conhecida por seus restaurantes.

    O sindicato dos garçons, a prefeitura, a associação das concessionárias, o Ministério Público e o governo estadual reagiram veementemente a essa proposta, que qualificaram de 'irresponsável e neoliberal'.

    Para as entidades, a ausência do Estado na alimentação poderia resultar na falta de lanchonetes em áreas distantes, além do desabastecimento de comida na cidade. 'Se algum dia entregarmos o setor de restaurantes a empresários comprometidos apenas com o lucro, criaremos um completo caos', disse o prefeito."
  • Antônimo  12/06/2013 20:20
    Muito cuidado ao divulgar um texto deste...

    Vai que alguém acha que é uma sugestão e tenta implantar mesmo esse fornecimento gratuito de refeições...
  • Joel Pinheiro  13/06/2013 11:38
    Hahaha, esse texto é ótimo mesmo!

    Só escorrega nos "analistas" que defendem liberalizar o setor. Quem dera houvesse tais analistas!

    Nossa realidade é... surreal!
  • Andre Cavalcante  13/06/2013 15:03
    O mais incrível é que, se você trocar o setor de "comida fora de casa" com qualquer serviço público (e adequar os números, obviamente) o texto está perfeito para qualquer jornal impresso, falado ou televisionado, sobre o "serviço público" em questão!

  • John  14/06/2013 18:06
    Não chega a surpreender, mas para quem não viu:

    veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-nota-petrobras-diz-que-contrato-com-ong-que-e-dona-do-dominio-passe-livre-ja-foi-encerrado-entidade-tira-logos-oficiais-de-sua-pagina/

    O governo (nós) financia (mos) a organização dos vândalos.

    Essa lei rouanet, conteúdo nacional na TV a cabo, e outras para "incentivar" a produção cultural nacional foram uma sacada de gênio dos esquedistas.

    Financiamento ilimitado para suas causas.
  • Vicente  14/06/2013 18:18
    Infelizmente, o setor de transporte urbano tem imperfeições de mercado que não podem ser sanadas pela concorrência. Uma pessoa que fica no ponto de ônibus não optaria por uma ou outra empresa, em decorrência de um preço menor ou de mais conforto. O usuário toma o primeiro ônibus que passa. Daí que o incentivo à "diferenciação do serviço" é ínfimo.
  • joao  14/06/2013 18:42
    Vicente, isso se consideramos pontos de ônibus públicos.

    Ademais, não podemos concluir que só porque NÓS não vemos uma solução para um problema, ele é insolúvel. A 100 anos atrás as pessoas achavam que era impossível 2 pessoas em locais distantes se comunicarem sem fios. Quando as pessoas podem usar suas habilidades de maneira livre, de forma a satisfazerem seus interesses, as soluções aparecem. Não há como planejar a criatividade.

    Veja este artigo: Transporte coletivo e privado e um vídeo que postei nos comentários do presente artigo.



  • Andre Cavalcante  14/06/2013 18:58
    "o setor de transporte urbano tem imperfeições de mercado"

    Imperfeições de mercado? Que é isso?

    "Uma pessoa que fica no ponto de ônibus não optaria por uma ou outra empresa, em decorrência de um preço menor ou de mais conforto. O usuário toma o primeiro ônibus que passa"

    Que falta de imaginação!

    Pra começar uma empresa poderia fazer um mapa de horários em passagem por certas paradas/paragens/pontos/terminais (depende do lugar do país que você esteja ;-)) de tal forma que os usuários simplesmente não precisariam ficar esperando... Melhor ainda, esse mapa poderia ser "em tempo real", dando o tempo que o próximo veículo vai passar por ali. Então os usuário veriam quando iria passar o próximo ônibus e decidiriam se "esperariam o primeiro que aparecesse" ou se resolveriam mais algum problema pelas redondezas antes de pegar a condução. Na verdade, a empresa que fizesse isso provavelmente ganharia quase todo o público, porque simplesmente as pessoas já se acostumariam a ir no horário e esperar apenas um pouco, como no metrô.

    Outra forma é colocar nas ruas veículos que possam "se bi- ou tri-articular" conforme a demanda. Funciona assim: a medida que mais pessoas vão pegando o veículo, automaticamente outro na frota pode ser direcionado para aquele trecho que está demandando mais passageiros. O limite para isso é colocar um, dois ou mesmo três veículos mono-articulados, um atrás do outro, como se fosse um bi ou tri articulado. De fato há veículos sobre trilhos que fazem até o acoplamento entre os carros de maneira automática.

    "Daí que o incentivo à "diferenciação do serviço" é ínfimo."

    Como você pode ter certeza do que "a concorrência pode fazer"? Se a diferenciação no serviço for tempo, haverá soluções para diminuir o tempo. Se for conforto, será no conforto, se for preço, idem.

    Se você acha que isso é um sonho difícil de acontecer, saiba que na Europa, boa parte dessas "ideias malucas" simplesmente já funcionam (e olha que lá boa parte do transporte coletivo é concessionado).
  • Eduardo Bellani  14/06/2013 19:25
    Isso porque você está vendo o problema de forma muito isolada. O sistema de transporte coletivo é composto de vários carteis (formados pelo estado) e tragédias dos comuns. Entre eles:

    * Taxis (barreiras altíssimas de entrata, preço controlado, etc)

    * Metros (domínio iminente para arrancar as terras dos antigos usuários, sistema estatal)

    * Ruas (estatais)

    * Pontos de ônibus. (estatais)

    * Carros (formato, motor e tudo mais completamente controlado pelo estado)

    * Leis de trânsito (estatais)

    Quando você olha pro problema de forma mais ampla fica mais fácil ver que as tais 'falhas de mercado' são meramente efeitos da falta de direitos de propriedade privada.

    Abraços.
  • Celso  14/06/2013 20:30
    Tudo bem, como governante, eu concederia o benefício da dúvida a liberalização do comércio dos transportes coletivos. Todas as tentativas de efetuar concessões de transporte tem se mostrado falhas. E todos os benefícios dados só serve para gerar mais pedidos de mais benefícios (chegando ao ponto de os manifestantes quererem transporte gratuito para todos, algo, evidentemente, fora da realidade econômica... quem iria bancar isto?)

    Mas, não entendi bem uma coisa. Existe um modo de ruas não serem públicas?

    E leis de trânsito? Sei que existem inúmeros exageros por parte dos órgãos públicos na aplicação de multas. Contudo, como a população seria educada para agir civilizadamente se não houvessem leis para regular a conduta no trânsito? Em geral, muitos têm condutas incompatíveis com a civilização de seus volantes...

    Quanto aos carros, sei que existem impostos em demasia, contudo, o formato dos carros também é regulado? O motor? Eu pensava que hoje existissem carros de tudo quanto é jeito a venda...
  • anônimo  14/06/2013 20:41
    Têm sim, Celso, e não só as ruas:

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=4
  • Andre Cavalcante  14/06/2013 21:18
    Celso,

    Você talvez seja novo por aqui. Faça uma pesquisa sobre rua privadas e verás muitos artigos sobre o tema. Vou tecer aqui apenas leves comentários apenas para iniciá-lo, mas não deixe de ler os artigos todos.


    "Mas, não entendi bem uma coisa. Existe um modo de ruas não serem públicas?"

    Sim, como em um condomínio, as ruas não são públicas, mas privadas (do condomínio) de uso apenas dos condôminos e que pagam para utilizá-las e conservá-las.


    "E leis de trânsito?"

    Bem, elas já existem e são internacionais. Não vejo como seria diferente as leis de trânsito em uma cidade de ruas privadas...

    "Sei que existem inúmeros exageros por parte dos órgãos públicos na aplicação de multas."

    Multas tem duas funções: uma teórica de ensinar pela dor (no bolso) o indivíduo se comportar no trânsito, e outra prática, que é alimentar a máquina de tirar dinheiro do povo que é o governo. Em uma cidade com ruas privadas, muito provavelmente haveria sanções (e, porque não multas) para aqueles que infligissem certas regras universais, como não dirigir na contra-mão, ou em zig-zag porque o motorista está embriagado. Nenhuma administradora de rua vai querer tomar prejuízo por causa desse tipo de pessoa.


    "Contudo, como a população seria educada para agir civilizadamente se não houvessem leis para regular a conduta no trânsito? Em geral, muitos têm condutas incompatíveis com a civilização de seus volantes..."

    Ué, como as pessoas são educadas para andar dentro dos shoppings? Façam as regras de conformidade com a moral das pessoas e as pessoas de bem vão segui-las naturalmente. Faça regras absurdas, como as muitas que existem hoje em dia, e você vai ver chacota do tipo "esse tipo de lei não pega no Brasil".

    "Quanto aos carros, sei que existem impostos em demasia, contudo, o formato dos carros também é regulado? O motor? Eu pensava que hoje existissem carros de tudo quanto é jeito a venda..."

    Sim, o formato dos carros é otimizado para atender à regulações oficiais. Bem como o motor e o combustível utilizado. E é esse o motivo de os carros estarem cada vez mais parecidos. Já viu a diferença entre um Novo Pálio, um HB20 e um Nissan? Meros efeitos cosméticos. Até o tamanho, a potência do motor e os "opcionais" são muito semelhantes... (E olha que peguei exemplos de empresas que estão no extremo do mundo)

    Aliás, sobre motores, vale a pena mencionar que um motor elétrico real pode ter até 90% de eficiência energética, enquanto um motor a combustão pode ter, em teoria, não mais que 50% de eficiência energética. Acrescente a isso o fato de que um carro elétrico dá infinitamente menos manutenção (afora o motor, a direção elétrica e o sistema de refrigeração elétricos, nada mais é móvel no carro, e não usa óleos lubrificantes) e o combustível é beeeem mais barato (o kw elétrico é mais barato que o mesmo kw produzido por combustão). Se o mercado fosse livre e não houvesse subsídios à gasolina e impostos absurdos sobre os importados, acredito que ninguém mais compraria carros a combustão em uma cidade grande.

  • Eduardo Bellani  14/06/2013 22:38
    Olá Celso.

    Acho que o André fez uma réplica satisfatória (para mim pelo menos) a
    maioria das suas questões, e por isso só vou adicionar uma pequena
    clarificação sobre o que eu quis dizer com a observação sobre leis
    estatais.

    Numa situação de estradas privadas os donos destas é que decidiriam as
    normas de utilização de seus produtos (limite de velocidade,
    bafômetro, estacionamento, etc). Claro, haveriam acordos entre
    proprietários de estradas diferentes para manter a satisfação dos
    clientes e o lucro dos proprietários, além é claro de arbitragem sobre
    potenciais conflitos. Disso emergiriam conjuntos de normas que se
    adaptariam aos interesses dos consumidores de tais produtos. E isso
    seria a legislação de trânsito numa sociedade mais livre que a atual.

    Abraços.
  • joao  14/06/2013 22:46
    Existe uma infinidade de artigos aqui.

    Mas minha pergunta é: tem como ao menos melhorar o caos do trânsito, com as ruas continuando estatais? Porque parece que em quase toda metrópole do mundo o problema do congestionamento é persistente.

  • Andre Cavalcante  16/06/2013 15:41
    "tem como ao menos melhorar o caos do trânsito, com as ruas continuando estatais? Porque parece que em quase toda metrópole do mundo o problema do congestionamento é persistente"

    Sim. Deixando que empreendedores privados possam operar sobre elas (por meio de concessões, por exemplo), investindo-se em tecnologia e infra-estrutura etc. Tentando, ao máximo, ofertar essa infra-estrutura de conformidade com o crescimento da demanda. Mas, veja bem, é uma solução apenas paliativa. Em pouco tempo os problemas persistem, porque os gastos do governo, por serem muito menos eficientes que os privados, raramente acompanham a evolução da demanda.
  • Marcus Benites  14/06/2013 20:02
    Nesse caso, ele escolheu seu produto: aquele que o faria chegar mais cedo ao destino. Há demanda demais pra pouca oferta, basta equilibrar a balança que as coisas se resolvem. Se duas empresas tiverem o mercado todo pra elas, não vai mudar nada. É como as operadoras de celular, que fazem o que querem porque há, ainda, mais demanda que oferta. Se houver realmente concorrência, esse usuário do ônibus será realmente disputado. Se só algumas empresas puderem concorrer, no entanto, graças à regulamentação estatal, e houver público pras todas elas, nada muda. É mais simples do que parece.
  • Glauber  15/06/2013 01:39
    Não sei se já foi dito ai nos comentários, mas isso incentivaria até a diminuição da frota de carros, visto que possivelmente surgiriam transportes que hoje julgam "piratas". Esses transportes até aumentariam a ideia de "carona coletiva", porém com o incentivo de cobrar a passagem. Seriam mais pessoas dentro dos carros, diminuindo a frota de carros no trânsito. E os transportes também poderia até investir em trocar seus carros por veículos maiores. Seria um novo tipo de ramo de trabalho. Além disso, aumentaria as especialidades nessa área, fazendo com que empresas que queiram realmente serem bem-sucedidas, invistam em novas e inovadoras ideias, tirando os leigos do controle dos transportes.
  • Johnybegood  15/06/2013 08:55
    FINALMENTE, UMA ANÁLISE COM NÚMEROS, DIAGNÓSTICO E PROPOSTAS! Eu não sou tão liberal, assim. Acrescentaria à proposta a necessidade de licenciamento com respeito à segurança do veículo, habilitação do motorista e conforto do passageiro. Uma vez cumpridos os requisitos, o poder público não poderia negar licença a ninguém. Ou seja, não haveria limitação quantitativa de licenças, como ocorre hoje com os taxis.

  • oneide teixeira  15/06/2013 21:16
    A direita especialmente a libertária esta perdendo a chance de estar ao lado de uma causa justa, a redução da passagens,ou pelo menos a discussão sobre o transporte coletivo de uma forma mais profunda.
    Tem que OCUPAR ESPAÇOS e quando o cavalo encilhado passa na tua frente tem que pular.
    Uma que as manifestações caem no colo da esquerda e dos estatistas.
    Outra pq tira o esteriótipo da direita ser elitista.
    O que não podemos é aceitar calados tudo que os governos fazem.
    Vão deixar a esquerda ser sempre o protagonista da história?
  • Rhyan  15/06/2013 21:33
    Libertarianismo não é de direita.

    E os libertários estão agindo, sim, com uma proposta racional:

    https://www.facebook.com/events/585090734869051/
  • oneide teixeira  18/06/2013 16:52
    RYAN se não é de direita e de esquerda.

    Direita e esquerda definem escolhas.

    Quem não se posiciona esta em cima do muro ou tem "medo" de se declarar pq foi bitolado desde criança que ser de direita é feio, e malvadinho.
  • anônimo  18/06/2013 17:19
    Oneide, leia, por favor:

    Nem esquerda, nem direita:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1466
  • Rafael  18/06/2013 17:36
  • Marcus Benites  16/06/2013 15:31
    Propor um movimento e válido, mas ele deve ser completamente desvinculado da pauta esquerdista... Esses manifestantes de agora criticam o estado porque querem mais estado. Não podemos, nunca, estar juntos levantando bandeira em uma mesma manifestação. Aliás, seguindo a lógica que costuma pautar os comentadores do site, o de escolher o "menos pior", entre o que propõe a turba e entre o que faz o governo, ao menos nesse caso específico, é mais "libertário" ficar do lado do governo, que se propõe, ainda, menor do que querem os manifestantes.
  • anonimo  20/06/2013 17:25
    Boa tarde.

    Quero dizer que li a reportagem da Carta Capital, fiquei surpreso que eles publicaram e sem modificar a situação.

    Quero dizer também que (sei que é surpreendente o que escreverei a seguir...), acho que há espaço para ideias libertárias ali. Pelo menos dois leitores de Carta Capital, disseram que vão ler Mises e Basquiat. Postei duas respostas para dois leitores, estou aguardando moderação e espero que sejam publicadas e que façam alguém vir para cá.

    Talvez uma parte dos leitores esteja procurando soluções, mas ainda não sabe onde.

    Obrigado.
  • Pedro Nolasco  16/06/2013 02:26
    Amigos, gostaria de fazer duas perguntas. 1) Em um sistema de transporte público desestatizado funcionando em livre concorrência como seria estabelecido a questão das paradas dos veículos? Hoje os motoristas dos ônibus são instruídos a parar somente nos ponto determinados pela prefeitura. No modelo proposto no artigo cada um poderia parar onde bem entendesse? 2) Há algum lugar que privatizou o transporte coletivo? Há algum caso real de sucesso? É assim nos países com maior liberdade econômica?
  • Andre Cavalcante  16/06/2013 16:08

    Pedro,

    Volta e meia aparecem questões como essas. Vamos lá:

    1) As paradas dos veículos seriam definidas pelas pessoas e pelas empresas. Por exemplo, é mais prático para empresas terem paradas específicas e lá colocar informações sobre rotas, veículos e horários. E as pessoas, provavelmente, também acharão bom esse arranjo. Entretanto não podemos descartar que as pessoas, e empresas, possam simplesmente achar mais cômodo fazer o sinal e o ônibus parar, tal qual os táxis hoje em dia. Só uma experiência efetivamente implantada nos diria qual dos modelos prevaleceriam.

    2) Bom, o modelo de hoje é o da concessão. De fato as empresas que operam no setor são privadas, mas esse modelo é bem diferente do que é defendido aqui no IMB. Que eu saiba não há ninguém no mundo, hoje, que tenha um setor de transporte efetivamente desestatizado. Mas já houve, na história, situações de transporte privado: os trens nos EUA, primeiros metrôs (p.ex., em 1874, a companhia britânica "The Metropolitan Railway of Constantinople to the Galata Pera" abriu um metrô em Istambul) etc. Vamos lembrar que os táxis, apesar de atualmente muito regulados, sempre foram uma forma interessante de transporte urbano.

  • Pedro Nolasco  18/06/2013 04:13
    mas ai os veículos parando onde as empresas e as pessoas bem entendam não vai transformar o trânsito numa bagunça? se cada um para onde quiser o trânsito não anda. por mais que sejamos avessos a isso, penso que a única saída é regulação estatal nesse sentido de determinar os pontos onde é permitida a parada?
  • Arthur M M  18/06/2013 15:31
    Acredito que assim como aquele que é o dono da rua define a velocidade, pontos de travessia de pedestres, faixas azuis, faixas para estacionar, pontos de táxi e etc este também definiria os locais de parada para ônibus.
  • Marcelo Reator  16/06/2013 13:07
    Quero propor uma questão. Vocês acham que esse momento no Brasil, em que a esquerda esta com a sua legitimidade corroída, seria um momento oportuno para a divulgação e penetração das ideias da escola austríaca na politica e na sociedade? A social-democracia e a esquerda deixaram de ser opções, então a escola austríaca seria aquela que ofereceria uma opção, uma solução para os problemas no Brasil. Os jovens no Brasil estão preparados para as ideias da escola austríaca?
  • anônimo  16/06/2013 18:44
    O Liber está empenhando nesta estratégia. Outros preferem lutar seguindo o caminho do voto com os pés, ou seja, se internacionalizando para fugir das garras dos governos, e eventualmente mudar de país. Me enquadro no segundo grupo. E discordo quanto aos jovens do Brasil. Penso que está sendo criada uma geração de estatistas que serão dependentes do estado-babá para tudo. Quando estes chegarem ao poder, inevitavelmente vão querer implantar suas idéias. Espero estar bem longe deste país quando isto começar a acontecer.
  • Mauricio  17/06/2013 13:53
    Pessoal citando o Rodrigo Constantino nos comentarios,ele e' totalmente contra o anarco-capitalismo.E' patetico esse raciocinio dele nesse video:
    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=j8NZW2N3xc4
    So uma parte transcrita do video:
    "Muitos desses anarco-capitalistas usam o nome de Ludwig von Mises de forma absolutamente injusta"
    O pior do video e' afirmar a falacia do anarco-capitalismo e misturar anarquistas socialistas com o anarco-capitalismo
  • Marcelo Werlang de Assis  17/06/2013 16:01
    Rodrigo Constantino, muito apropriadamente, foi chamado por uma internauta de Concretino.

    Eu respeito esse cara. Eu aprendi muito com os escritos dele. Mas esse chilique dele contra o anarcocapitalismo mostra-se sem base, sem fundamento.

    Espero que um dia ele repense o seu posicionamento e o modifique.

    Amplexos!
  • Mauricio  17/06/2013 19:26
    Marcelo,eu tambem respeitava o Rodrigo,nao da mais.Ha um tempo atras aqui surgiu uma discussao,assunto batido,sobre o Olavo de Carvalho e citaram o Rodrigo dizendo que ele tinha voltado atras em relacao ao Olavo,que tinha reconhecido a importancia dele.Eu afirmei que o Constantino nao tinha mudado de opiniao que ele achava o "filosofo" representante de uma direita retrograda.Pois bem escrevi ao Rodrigo e ele me respondeu dizendo que nao concorda com muitas opinioes do Olavo ,que nao sei mais o que,bla,bla,bla...e disse nesse momento de perigo todos de direita tem de se unir contra o risco(de socializacao do Brasil,acho )e que nao poderia assumir uma posicao contra o Olavo.
    E' demais para mim.O Olavo e' um defensor contumaz do estado e ate em alguns ecritos dele quando eu o lia lembra uma ansia por uma teocracia.
  • Marcelo Werlang de Assis  17/06/2013 21:42
    Maurício,

    Ao escrever que eu respeito o Constantino, quis me referir ao fato de que ele foi muito importante para a minha formação intelectual libertária. A partir do ano de 2007, eu passei a tomar contato com as ideias liberais/libertárias, e os textos dele (ao lado de um livro chamado "É por isso que o Brasil não vai", escrito por Francisco Sávio Rypl, e de um e-book chamado "The Quotable Mises", organizado por Mark Thornton) foram essenciais nessa etapa da minha formação.

    Atualmente, após ter lido centenas de artigos (principalmente do IMB) e vários livros, considero-me irrevogavelmente um anarcocapitalista, um libertário livre-mercadista.

    Nos dias hodiernos, de fato, o Rodrigo Constantino não é mais a minha fonte de aperfeiçoamento intelectual, principalmente por coisas tais como as que você escreveu agora mesmo, Maurício. Abaixo, um depoimento de um internauta (Júlio Heitor) que apareceu na seção de comentários do IMB:

    Fernando,

    Já troquei e-mails com o Rodrigo Constantino. De fato ele acredita em um estado mínimo com imposto obrigatório.
    Quando eu perguntei por que o imposto deveria ser obrigatório ele respondeu dizendo que haveria pessoas "espertas" que pegariam carona nos serviços públicos sem pagar o devido imposto.
    Respondi que existem diversas formas de se controlar isso, por exemplo, com uma carteirinha devidamente criada para evitar fraudes (assim como nas cédulas de dinheiro), a qual poderia atestar que a pessoa paga o imposto e que, logo, poderia usar o serviço público.
    Depois desta minha argumentação ele simplesmente não me respondeu mais.
    Ele ignora as diversas formas mais eficientes de se resolver o problema do estado e insiste em um estado mínimo com imposto obrigatório.


    Ademais, podemos até mesmo encontrar boas ideias em autores dos quais não gostamos ou a cujas concepções não mais aderimos. Por exemplo, acerca de Marx, mises.org.br/Article.aspx?id=1608, mises.org.br/Article.aspx?id=979 e mises.org.br/Article.aspx?id=982.

    Quanto ao Olavão, eu o considero um lunático perturbado; portanto, nem sequer falo acerca dele; é como se esse cara não existisse mais para mim.

    Um grande abraço!
  • Mauricio  17/06/2013 22:52
    Marcelo,
    Obrigado pela transcricao desse comentario e concordo inteiramente com voce sobre encontrar boas ideias em autores dos quais nao gostamos.

    Um grande abraco.
  • joao  17/06/2013 23:16
    Calma calma calma.

    Como disseram, é preciso extrair o que for útil de cada autor. Adam Smith é genial, mesmo tendo dado o pontapé inicial na teoria do "valor-trabalho", que inspirou nosso amigo Marx. Vamos jogar todo o trabalho dele no lixo por essa infelicidade?

    A mesma coisa o Constantino. Ele é um liberal (ou se diz um), defensor do Estado mínimo. É realmente muito estranho que ele "não tome o passo a frente" nas suas ideias, porque é natural que alguém comece liberalista, mas não que permaneça assim (vi essa frase em algum artigo daqui do IMB). Os princípios liberais acabam levando, invariavelmente, ao anarcocapitalismo.

    Bom, porque ele não prosseguiu na lógica eu não sei. Pode ser puro pragmatismo: defender aquilo que é mais possível de acontecer, mais próximo da realidade.

    De qualquer forma, os escritos dele (em especial os resumos sobre vários pensadores liberais) não deixam de ser muito úteis nos estágios iniciais do conhecimento sobre o liberalismo e, posteriormente, da EA e do libertarianismo.

    Como disse Og Leme: "todo liberal é um anarquista frustrado."

    Então, não percam tempo com divisões internas. Nessa hora é melhor somar contra o perigo de argentinização que estamos vivendo.
  • Marcelo Werlang de Assis  18/06/2013 04:39
    João,

    Eu compreendo o "pragmatismo" de R. Constantino. Ele não quer parecer um lunático.

    Mas lembremos que o saudoso LUDWIG VON MISES jamais foi adepto do "pragmatismo": mises.org.br/Article.aspx?id=1476.

    Concordo com você: Devemos nos unir contra a marcha estatizante que está em curso no país em que vivemos.

    Forte abraço!
  • anônimo  18/06/2013 10:11
    'é natural que alguém comece liberalista, mas não que permaneça assim'

    Não, não é.Isso é só mais uma besteira de muitas que os ancaps tiram do lindo mundo da imaginação onde eles vivem.
  • joao  18/06/2013 13:21
  • anônimo  18/06/2013 10:15
    '1 – Tais soluções não iriam piorar o trânsito?

    R: Não necessariamente. Talvez houvesse aumento no início da desregulamentação. Entretanto, com empresas concorrendo, os preços tendem a baixar. Preços mais baixos e veículos com maior qualidade e conforto tendem a incentivar o uso de tais transportes.'


    Pode até ser, só que isso não tem nada a ver com não piorar o trânsito.Que depende da quantidade de veículos, não do preço.
  • Marcelo Werlang de Assis  18/06/2013 15:36
    João,

    Esse artigo do Jeffrey Tucker é realmente primoroso.

    Anônimo,

    Recomendo-lhe a leitura dos artigos desta seção: mises.org.br/Subject.aspx?id=4, principalmente o texto de MURRAY NEWTON ROTHBARD intitulado "O setor público: Desestatizando a segurança, as ruas e as estradas".

    Abraços!!!
  • Marcelo Werlang de Assis  18/06/2013 23:29
    Escrevi faz um tempo um pequeno artigo a respeito da questão das vias. Eu o resgatei hoje do computador. Fiz algumas melhorias. Acho que vocês gostarão de lê-lo. Talvez eu consiga publicá-lo na mídia impressa. Aceito, logicamente, sugestões de aperfeiçoamento. Abraços!

    Desestatizando as ruas e as estradas

    Um serviço pode ser ofertado através (1) do mercado ou (2) do Estado. No primeiro caso, ofertantes privados concorrem entre si, buscando a preferência do consumidor por meio da boa qualidade daquilo que ofertam; se não atraírem o cliente, sofrerão prejuízos; há estrita correlação entre o que fazem e o que recebem — a estrutura de incentivos, portanto, traz como resultados (a) o progressivo aprimoramento do serviço e (b) a constante queda do preço cobrado. No outro caso, adquirem-se recursos via tributação (coerção); não há causalidade entre ofertar e receber — ainda que a prestação do serviço seja péssima, o dinheiro continuará entrando nos cofres públicos, inexistindo incentivo para melhorias e, também, para gastos racionais, pois não se objetiva o lucro.

    Há enorme insegurança (crimes e acidentes) nas ruas das cidades e nas estradas que as conectam; e verificam-se nelas inúmeros desgastes, inclusive nas estradas pedagiadas — a concessão apenas transfere um monopólio para mãos privadas, pois o estado continua atuante, proibindo o surgimento ou a existência de concorrência. A solução aqui proposta é a total retirada do estado (esferas municipal, estadual e federal) do setor, estabelecendo-se a propriedade privada absoluta.

    Empresas especializadas — bem como associações de condomínios e de lojas — seriam as donas, havendo incentivos para conservar as vias (ruas e estradas) e mantê-las seguras. Os moradores e os lojistas o fariam para evitar danos a si mesmos e aos consumidores. As empresas somente aufeririam lucros se veículos usassem as suas vias, as quais, assim, teriam de ser bem conservadas e seguras. Nas ruas, o pedágio seria eletrônico, contando-se quantas vezes um determinado carro passou por ali e mandando-se a conta ao seu proprietário no fim do mês.

    Regras uniformes de trânsito seriam formadas por meio de convenções locais, regionais e/ou nacionais (autorregulação privada, como há em diversas áreas), pois caso contrário o tráfego se inviabilizaria; não seriam necessárias normas estatais regulando — e atrapalhando — o setor. Motoristas irresponsáveis e vândalos seriam fiscalizados e combatidos com eficácia por causa da genuína preocupação com a integridade das vias e dos seus acessórios e com a segurança delas. Fraudes não ocorreriam, pois não haveria conluio entre agentes estatais (políticos e burocratas) e empresas (realização de licitações fraudulentas, outorga de privilégios, etc.). Os tributos diminuiriam. Ninguém dependeria de permissão para ser taxista, bastando apenas querer sê-lo. O transporte coletivo (cada empresa construiria as suas próprias paradas) — assim como a coleta de lixo — sofreria ilimitada concorrência. E engarrafamentos dificilmente existiriam: regular-se-ia o preço do pedágio conforme os horários, equilibrando-se o fluxo.
  • Anarcofóbico  17/06/2013 23:24
    Para vocês que dizem ser impossível o transporte público gratuito:

    Capital europeia passa a ter transporte público gratuito

    Somente com a estatização do transporte e com mais regulações iremos coibir as injustiças do liberalismo que tanto afundaram os EUA e os países neoliberais!
  • Marcos  17/06/2013 23:52
    Nada é gratúito. Pode ter certeza de que eles pagam e muito bem pago. Além disso, alguém tem dúvidas do que se tornaria o transporte se os políticos daqui o administrassem diretamente?
  • Julio Heitor  18/06/2013 01:34
    O site que voce postou diz que a passagem custa 1,10 euros a mais barata das passagens. Aonde está a gratuidade?
  • Leitor  18/06/2013 03:59
    Ocorreu nesta noite de segunda-feira a "entrevista" dos "cabeças" do movimento "Passe Livre" em São Paulo (...não era um movimento espontâneo?...) na Roda Viva da TV Cultura (como descobriram quem eram os cabeças?). Não se preocupem. É o mesmo papo ultra-estatista de sempre. Vai ver que, mais a frente, vão querer concorrer a algum cargo "público" (seria a velha imprensa autopromovendo seus "líderes"?).

    Na entrevista, sequer disseram claramente que existia um conchavo entre as empresas de ônibus de São Paulo e a Prefeitura, para cartelizar o mercado (algo, como sabem os leitores deste IMB, corriqueiro em todos os órgão públicos que licitam concessões) - só disto, dá para concluir que ou tiveram receio de dizer o que acham (improvável, já que andam baixando o verbo em vários políticos), ou não foram exatamente sinceros (hum... a quem andaram poupando?). Disseram que agora, que a população está ficando menos pobre (hum...), de dez anos para cá (hum... interessante este interstício temporal... a simpatia política nem ficou evidente...), a "população" (havia realmente alguém que não fosse universitário?) está se mobilizando.

    Além da poupança de alguns políticos (mostraram-se até animados e sorridentes em terem encontrado um deles), de dizerem que aceitavam alguns partidos no movimento (que quisessem mudar radicalmente o "status quo" - será? mudança rumo a quê?) e que não aceitariam especificamente pelo menos um (vou poupar a todos e não vou citar nomes de conglomerados políticos, por respeito ao próximo), de, em resposta a um comandante da polícia, dizerem que do investimento público no passe livre e do não investimento em cadeias públicas decorreria uma dimunuição dos números da violência alarmante neste país (donde se pode concluir que de "Passe Livre" o movimento deveria passar-se a chamar "Passe de Mágica"), sequer os cabeças tiveram a coragem de responder, claramente, a que, exatamente, pensamento político pertenciam (já que a este tipo de pensamento você pertence, ao invés de possuir).

    Disseram que não tinham responsabilidade sobre o que os membros do movimento andaram quebrando pelas ruas (nem se fosse propriedade particular de alguém? Acho que não querem gastar com indenizações de bens alheios depredados...). Que depredem só os públicos, por favor, já que não são de ninguém mesmo, não é? (Pelos bens particulares, alguém os comprou e investiu dinheiro suado nisto... se quiserem depredar bens particulares, comecem pelos de vocês próprios...)

    Quer dizer, o pensamento estatista doentio continua a todo vapor. Além do movimento ser "Passe Livre" (pelo subsídio total do Estado... imagine-se a guerra das empresas, com subsídio total... seria certamente uma blitzkrieg para ver quem tomaria o maior quinhão primeiro...), apoiado por alguns partidos xiitas (braços disfarçados do próprio partido do governo federal), ainda toma como exemplo a ser seguido os 70% de subsídio que supostamente, segundo os mesmos, a França dá ao seu transporte público.

    Depois de se ver tamanhas regurgitações, há que se alertar os incautos que ainda acham que foi um movimento espontâneo, surgido nos meios virtuais, para mobilizar a população contra a praga dos cartéis estatais: pelo entrevista, não deve ter sido. Estão apenas mobilizando a população para poderem gastar mais dinheiro "público" com transporte coletivo - isto é, alguém vai sair ganhando bem no final desta historieta e o "contribuinte" tendo que arcar com a farra. Desconfiem de tudo o que dizem ser "espontâneo". Há sempre dinheiro alheio a ser repartido entre os bons...

    De todo modo, a única coisa que se pode dizer de boa neste movimento é que alerta a população que algo vai mal (ufa!) - apesar de popularizar as razões erradas e soluções dividosas (não se pode querer tanto...).

    Como o texto acima mostra, nada melhor que uma boa liberalização do transporte coletivo para acabar de vez com os cartéis estatais, baixando o preço e melhorando a qualidade. "Estranhamente", esta, a única solução jamais adotada desde a adoção irrevogável do Estado-Forte (vou chamar assim, em homenagem a "vivacidade" estatal, tão comum e estudada nos estados soviéticos e nacional-socialistas...) e solução esta jamais defendida por nenhum movimento "social", seja provocado ou espontâneo.

    Quem sabe a juventude, de fato, realmente não acorda, passa a estudar e ler mais o IMB, a fim de não ficar dizendo besteiras pelas ruas (besteiras estas, sempre em prol do Estado-Forte) e, quem sabe, um dia, deixar este país avançar, junto com seu povo. Quem sabe, um dia, num movimente, articulado que seja, em prol da liberdade, da livre iniciativa e contra a cartelização do estado em favor de alguns poucos apaniguados.
  • Ali Baba  18/06/2013 12:00
    @Leitor,

    Realmente querer demais. Racionalizar o movimento que temos visto nas ruas com um "os jovens estão insatisfeitos pena que não sabem com o que" não é mais do que isso: uma racionalização.

    O fato é que, de alguma forma doentia, todas as manifestações anti-estado levam ao aumento do próprio estado. Eu gostaria de ficar satisfeito com movimentos como o que temos visto, colocar a cabeça no travesseiro a noite com a sensação de "começou! o povo acordou!", mas eu estaria mentindo para mim mesmo... e eu já fiz isso muito na vida.

    O trágico é que esses jovens se acham revolucionários... não estão mais do que colocando outro prego no próprio caixão (e no caixão de todos nós, por conseguinte).

    Pelo menos a "presidenta" (uma pessoa que inventa uma nova palavra para si mesma) foi vaiada. Obviamente não foi vaiada pelo povão, para quem ela paga bolsa-esmola (afinal de contas, uma calça de adolescente custa 300 reais, não é mesmo?). Foi vaiada pela classe-média, que compra ingressos àqueles preços. Essa "presidenta" já deve estar se arrependendo de não ter inventado o bolsa-ingresso-da-copa.
  • Marcos  18/06/2013 13:23
    Essa manifestação é um grande caos. Existe certos líderes sim, mas estes tem poder limitado e não tem conseguido emplacar suas bandeiras junto a grande massa. A impressão mais nítida é que há insatisfação, mas as pessoas simplesmente não sabem o que fazer para resolver isso. As pessoas agem por agir, sem um rumo definido.

    Percebam que isso é perigosíssimo. É um grupo enorme, revoltado e que não sabe direito o que quer. E a esquerda já tenta aliciá-los por todos os meios. No entanto, é também uma chance para quem queira transformar isso em um protesto anti-estado. A oportunidade se apresenta.

    Entretanto, se a coisa continuar como está, nada vai mudar. Protestar sem ter idéias claras sobre o que fazer não leva a lugar algum.
  • Pedro  18/06/2013 15:55
    No meu modo de entender a SPTrans nada mais é do que um cartel das empresas de ônibus em São Paulo. Ou não?

    Agradeço ao Filipe por ter escrito a matéria, é sempre bom ver que tem pessoas que ainda estão dispostas a pensar e discutir.
  • Manifestante  18/06/2013 16:10
    Vamos nos unir aos manifestantes!

    Os manifestantes estavam escorraçando os partidos políticos que começaram a atuar lá dentro. Esses liderecos que a mídia está inventando é para desarticular o movimento.

    Fora os partidos e seus asseclas!
    Pela diminuição pela metade dos impostos!
    Pelo fim dos subsídios às grandes empresas!
    Pelo fim dos tributos às pequenas empresas!
    Pelo fim da burocracia!

    Pelo fim dos cartéis!
    Pela liberdade de realizar transporte coletivo!

    O movimento é democrático e partido ou ideologia nenhuma pode impedir isto. A sociedade não aguenta mais. Falta um norte. Este pode ser o norte.

    Esta pode ser a oportunidade de mudar o rumo desta nação!
  • anônimo  18/06/2013 17:11
    (...)Vamos nos unir aos manifestantes!(...)

    Não. Apesar de concordar com seus pontos, não é isto que estas pessoas estão pedindo. E democracia é ilusão. Revoltas, como estas, sempre facilitam que extremistas cheguem ao poder. Ainda mais num movimento como este, que não tem voz, cada um pede uma coisa diferente, mas o sentimento é que algo precisa ser feito para melhorar. Este sentimento colocou Hitler no poder, manteve Chavez no poder, colocou os bolsheviques no poder. Este sentimento da população dá carta branca aos políticos para fazerem as mudanças que a população quer. Isto é o caminho da servidão, diretamente do livro de Hayek para a nossa realidade. Prefiro ficar em casa a carregar este peso na minha consciência depois.

    Ps. Se for pra participar de uma manifestação, que seja a organizada pelo Liber, com objetivos claros e definidos. Isto que estamos vendo é uma massa que não pensa, só geme.
  • Julio Heitor  18/06/2013 18:38
    Excelente descrição da realidade anônimo.

    Só não concordo com a frase final a favor da manifestação do Liber. Este partido tem características Fabianas, acreditando que a melhor forma de se acabar com um governo é se infiltrando dentro dele e sorrateiramente desestabilizar seus alicerces.

    O problema desta abordagem é que, com o tempo, estes partidários acabam se aliando ao governo, sendo embriagados pelas benesses que o mesmo oferece, dado que tudo dentro do governo se consegue na base dos favores e apadrinhamento. Assim, todos os partidários do Liber acabariam abandonando seus objetivos originais.
  • Anonimo de cima  18/06/2013 18:59
    Júlio, concordo com você, quanto as possibilidades de se destruir o governo por dentro. Mas acho esta manifestação do Liber tão válida quanto as candidaturas de Ron Paul: a propagação das idéias da Escola Austríaca e do anarcocapitalismo.
  • Filipe Celeti  21/06/2013 17:49
    De onde você tirou essa ideia, Heitor?

    O LIBER não quer se infiltrar. O liber que trazer o debate político para um ponto mais próximo da liberdade e mais distante do estatismo.
  • Julio Heitor  24/06/2013 00:43
    Filipe,

    nao discordo que o Liber tenha esse objetivo. Trazer o debate politico para o lado "menos estado" é o objetivo do Liber.

    Só discordo sobre a eficácia desta abordagem. Criar um partido com a bandeira da liberdade se aproxima muito da abordagem Fabiana.

    Existe um artigo aqui no IMB que fala exatamente sobre isso. Quem tiver o link por favor envie para o Filipe.

    Abraços!
  • Antonio Galdiano  05/07/2013 14:41
    Esse grupo de comentários só reafirma o que eu já vinha formulando pro conta própria.
    Democracia é ditadura. É a ditaduta da maioria, dos grupos de interesse (de sindicatos trabalhistas aos lobistas de grandes corporações), dos que são a favor do "debate" quando o assunto é decidir o quanto os proprietários tem direito a sua própria propriedade, dos mobilizados contra a imensa maioria desmobilizada.
    Eu gostaria de ouvir o ponto de vista de algum democrata contestando esse ponto de vista.
  • Anonimo de cima  18/06/2013 21:05
    Esse aqui é pra todos que pensam em apoiar os manifestantes:

    g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/06/movimento-quer-diminuicao-de-lucro-de-empresas-para-reduzir-tarifa-em-sp.html

    Faço novamente a ressalva, embora a maioria não esteja protestanto o preço da tarifa, mas sim a condição geral do país, os oportunistas, ligados ideologicamente ao governo, vão se aproveitar da situação. Manifestante, voce é massa de manobra, parabéns.
  • Marcos  18/06/2013 22:08
    Não é só isso. Mesmo quem não é ligado a esses grupelhos sofreu a mesma formação imbecilizante que nos ensina a adorar o estado. Então eles pedem mais estado porque é a única coisa que entendem. Eles sequer imaginam que possa haver outra saída.
  • Mauricio  18/06/2013 23:09
    Pessoal,
    Eu defendo as ideias do anarco-capitalismo mas voces estao querendo o que?Que essa multidao no Rio, em Sao Paulo e aqui em Minas e no resto do Brasil saia as ruas defendendo o fim do estado?
    E por que os outros que sao a maioria,que nao estao ligados a esses grupelhos de extrema esquerda,sao massa de manobra?
    Estao insatisfeitos como eu estou e como o Marcos disse eles pedem mais estado porque é a única coisa que entendem o que podemos fazer e' tentar levar as ideias libertarias ao maior numero de pessoas da nossa esfera de convivencia.
  • Sérgio  20/06/2013 17:05
    O Padre Paulo Ricardo fala sobre estas manifestações no video de hoje:

  • Anderson Sanches  21/06/2013 16:45
    Filipe

    Hoje em dia uma linha de ônibus opera em intervalos regulares, o que é uma garantia de transporte pela cidade. Com uma completa desregulamentação, não correríamos o risco das empresas operarem somente nos horários lucrativos, perdendo então essa garantia?

    Essa ideia pode ser expandida para o Metrô? Como uma empresa privada poderia arcar agora com os enormes custos para a construção de um Metrô subterrâneo, se cada proprietário de imóvel quisesse cobrar pela passagem da linha sob seu terreno?

    Teria o mercado condições de se articular sozinho para a realização de grandes obras?
  • Andre Cavalcante  21/06/2013 21:28
    Olá Filipe,


    "Hoje em dia uma linha de ônibus opera em intervalos regulares, o que é uma garantia de transporte pela cidade. Com uma completa desregulamentação, não correríamos o risco das empresas operarem somente nos horários lucrativos, perdendo então essa garantia?"

    Você ainda não tá pensando em como o mercado faz as pessoas operarem: o lucro está nas oportunidades. Imagine que uma grande empresa de ônibus resolva somente operar nas horas mais lucrativas. Logo, deixa de operar nas outras horas. Mas uma empresa menor, com micro-ônibus que consomem menos combustível podem ser usados nestes horários, que a grande não está atuando e, neste caso, todo mundo que precisar vai usar esse serviço do pequeno o que gera os lucros suficientes para manter o negócio. Se a empresa maior perceber que é um bom negócio começa a operar também, revogando, então a sua decisão anterior. Se tem mercado, tem oportunidade. Se não tem mercado, é porque não tem ninguém mesmo precisando de ônibus naquele horário específico e não vale mesmo apena colocar carros trafegando e gastando combustível, como faz o governo hoje.

    "Essa ideia pode ser expandida para o Metrô?"

    Sim, perfeitamente.


    "Como uma empresa privada poderia arcar agora com os enormes custos para a construção de um Metrô subterrâneo, se cada proprietário de imóvel quisesse cobrar pela passagem da linha sob seu terreno?"

    Que eu saiba o governo não paga pra ninguém na hora de escavar um buraco debaixo da cidade. E, mesmo quando o faz, o valor não é o valor de mercado do terreno. De qualquer forma, você ainda não tá pensando em termos de propriedade. De quem é o subsolo? É a esse dono, ou donos, que uma empresa interessada em fazer um metro deve entrar em acordo.


    "Teria o mercado condições de se articular sozinho para a realização de grandes obras?"

    Sim. E por que não?

    Continuas pensando em termos de custo, mas não de oportunidade: os primeiros metrôs no mundo foram construídos como linhas férreas eletrificadas subterrâneas, por ferrovias privadas. Só depois, no século XX é que foram estatizadas.

  • Pedro Neto  21/06/2013 17:54
    Esse foi o texto mais sensato que já li sobre estes protestos, especificamente o transporte.
  • joao  21/06/2013 18:31
    Não cara. Você não vê os moto-taxis? A carona paga poderia ser uma alternativa. Fora que um empreendedor vendo que existe uma demanda não-satisfeita na madrugada (exemplo de horário pouco movimentado), ele poderia satisfazer essa demanda de forma lucrativa, seja com um veículo mais econômico (moto, van) e/ou cobrando mais caro.

    Metrô não compensa. Como eu assisti num vídeo sobre a privatização do transporte coletivo, a maioria das soluções de transporte coletivo são deficitárias justamente porque são antiquadas. Trem de alta velocidade, bonde, metrô...se liberalizar o acesso ao mercado, o empreendedor vai entrar onde ele pode lucrar. Como você mesmo mostrou, se o metrô não compensa, ele não vai entrar.
  • Joaob  23/06/2013 01:02
    Sobre desregulamentacao do transporte....

    Quando estudanre da USP na decada de 60 particpei de "carona paga" ..um colega nosso tinnha uma Kombi e pagavamos uma " tarifa" ....e claro que era tuod informal..sem nenhum estado se intrometendo...deu certo..ficamos amigos memso depois de formados....

  • Júlia  25/06/2013 02:25
    Ao ler o artigo acima e os artigos com a mesma temática a preocupação que me ocorre é como ficam aqueles serviços de que a população precisa e que não produzem o lucro almejado pelos empresários. Na questão dos transportes, não vejo como possa uma empresa privada ter interesse em prestar o serviço em uma favela ou alguns bairros periféricos, por exemplo. Com certeza ainda preciso estudar mais para obter uma melhor compreensão a respeito, mas, ao menos por enquanto, pululam interrogações que me levam a crer que a proposta liberal é tão utópica quanto aquilo que pretende combater.
  • anônimo  25/06/2013 12:52
    Pode até ser utópico mesmo no sentido de que muita gente que vive escorada no governo não viveria tão bem sem o mesmo.
    Só que o problema aí é moral: não é justo tirar de quem trabalha pra dar pra quem quer ficar na vida boa, de parasita do governo, achando que tudo tem que cair do céu.
    Nada cai do céu.Se você acha que tem direito a X o que você defende é a escravidão, já que alguém tem que ser obrigado a trabalhar pra criar aquele X pra você.
  • Tory  25/06/2013 13:27
    Também acho. E digo mais, que supermercado irá querer atender esses favelados? Melhor entregar logo o abastecimento ao estado e garantir que todos possam comprar seu tomate, feijão e papel higiênico sem o intermédio desses porcos gananciosos. Telefonia celular? TV por assinatura? Internet? Absurdo, nenhuma empresa capitalista irá instalar suas antenas nas favelas. Vamos logo reestatizar isso tudo e criar a Celularbras, a Tevebras e a Internetbras para prestar serviços de qualidade, como a Petrobras, que nos fornece combustível a preços baixos e quase sem incidência de impostos.
  • Ali Baba  25/06/2013 11:29
    @Júlia,

    Essa é uma falácia recorrente para justificar a presença do estado. Veja que o preço de produtos e serviços é determinado pela relação entre oferta e procura. Os coletivistas e estadistas adoram pensar que o preço é determinado por algum mecanismo mágico ou divino, ou pelo canetaço de algum burocrata. E esse pensamento tortuoso é responsável por grande parte do "duplipensar" que é possível identificar em comentários como o seu (sem nenhuma intenção de desrespeitá-la, veja bem).

    Se houver demanda, sempre haverá uma maneira de alguém engenhoso supri-la. É bem provável que uma empresa privada, uma vez livre do peso dos impostos e das amarras da lei trabalhista, conseguisse arranjos vantajosos para todos no transporte de pessoas da periferia. O que é preciso, na realidade? Pense bem! É preciso apenas uma van, algum dinheiro investido em gasolina e motoristas que aceitem um salário justo.

    Se você descontar todos os impostos da aquisição de veículos, pode facilmente comprar uma van ou mini-onibus por 20 mil reais. A gasolina não vai sair mais do que 500 reais por mês (mais uma vez, sem impostos), dependendo do trajeto, um bom motorista pode trabalhar por 700 reais (novamente, sem impostos). Temos 34 mil reais de investimento para recuperar em um ano. Isso dá ~ 2900 reais por mês de faturamento para empatar. A 1 real a passagem (novamente sem imposto), são 2900 viagens. Supondo ida e volta de todos, são 1450 viagens duplas por mês, ou aproximadamente 5 idas e vindas com a van lotada (considerando 15 pessoas e 20 dias úteis por mês).

    Isso é bem simples. É uma operação pequena e demora um ano para dar frutos (depois de empatado o investimento, passamos a ter uma receita de 20 mil por ano). É fácil de ver uma pequena empresa operando um serviço de vans populares para bairros periféricos, satisfazendo a população e seus funcionários e auferindo algum lucro.

    Observe que considerei uma passagem de 1 real. Essa operação seria lucrativa em metade do tempo se fosse 1,5. E 1,5 é a metade do que tem cobrado hoje em grandes cidades.

    Se o empreendedor não tiver capital, basta procurar um capitalista investidor ou um banco para começar a operação. Em um Livre Mercado, pessoas que identificam e têm capacidade de fazer funcionar operações lucrativas sempre terão investidores.

    Agora, vamos supor que esse negócio tenha decolado com uma tarifa de 2 reais (maltido porco capitalista, quer lucrar com a necessidade alheia). Sem demora um dos insatisfeitos motoristas do empreendedor acima resolve concorrer com ele. Não existe licenciamento algum para proteger o mercado e ele tem uma kombi mais velha, mas que ainda dá pro gasto, logo não precisa fazer o investimento inicial. Ele pode fazer a viagem ao preço de 1 real... mas uma kombi carrega menos gente e ele tem de fazer mais viagens. Também não é tão confortável quanto uma van, mas ainda assim tem pessoas dispostas a economizar 50% do preço da passagem e tomar a kombi ao invés da van.

    Ambos empreendedores prosperam. Talvez o primeiro tenha de baixar seus lucros para enfrentar a concorrência da kombi e fazer viagens a 1,5. Ainda assim, com um bom lucro. A existência do transporte por kombi, além de beneficiar obviamente os que não podem bancar mais do que 1 real por viagem, também beneficia os usuários da van, que podem pagar 1,5 ao invés de 2 reais.

    Desculpe ter de passar por tudo isso para chegar ao meu ponto... mas era necessário fazer ver que os pensamentos empacotados como o seu ("não vejo como possa uma empresa privada ter interesse em prestar o serviço em uma favela ou alguns bairros periféricos") necessitam ser desmembrados para provar que estão errados. São apenas uma ladainha repetida aos quatro ventos e um milhão de vezes para que se torne verdade. No final só servem para a manutenção do status quo.

    Meu ponto é, em uma sociedade de Livre Mercado, sempre que houver demanda os empreendedores e capitalistas darão um jeito de supri-la. Alguns vão até mais longe e inauguram nichos inteiros de mercado, para os quais nem se sabia que existia alguma demanda (veja o caso dos tablets, por exemplo). A concorrência se encarrega de manter os diversos empreendimentos operando de forma eficiente e com um lucro justo. Sempre que esse lucro for muito alto, um concorrente vai se encarregar de entrar no mercado forçando uma redução. Sem um governo para proteger os empreendedores já estabelecidos, a concorrência se encarrega de manter os preços o mais baixo possível. Todos se beneficiam.

    Por fim, veja que esse é o objetivo e o fim do Livre Mercado: todos se beneficiam das relações estabelecidas voluntariamente através do sistema de preços. As pessoas podem, a um preço acessível, não ter de caminhar até o trabalho. Podem inclusive chegar mais cedo e ganhar mais (sim, por que em um sistema em que as leis trabalhistas não estão tão amarradas, é bem provável que empreendedores premiem funcionários que chegam mais cedo... no sistema atual, isso não tem espaço para ocorrer, mas isso é outra história). Os empreendedores auferem algum lucro ao prestarem um serviço necessário para o qual seus clientes podem pagar. Os empregados do novo empreendedor ganham um salário condizente e, se não estiverem satisfeitos, sempre podem assumir os riscos para si e empreenderem por conta própria.
  • Francisco  25/06/2013 14:48
    Tenho a impressão que todo brasileiro sofre do mesmo mau que eu já sofri: O de acreditar que empreendedores e empresários tem que ser necessariamente ricos para montar um negócio. Nada mais falso.

    A impressão que tenho hoje é de que a maioria das pessoas que "juntam" uma grana trabalhando, ou que tem uma ideia para um negócio, acabam não montando o negócio efetivamente, não por não acreditar nele, mas pelo excesso de burocracia e por intuírem que na maioria dos casos só sobrevive o "amigo do rei".

    Assim sendo, de certa forma pessoas que juntaram dinheiro trabalhando, abriram mão do que poderiam ter comprado com esse dinheiro durante determinada etapa da vida em detrimento do que poderiam fazer com esse dinheiro no futuro. De certa forma essas pessoas (que normalmente são chamadas de "pão-duras", "mão-de-vaca", etc...) acabam adquirindo por "insight" oque é o "custo de capital" mesmo nunca tendo estudado finanças corporativas. Surge daí uma temeridade em colocar seu dinheiro a risco, que agora não se baseia só no empreendimento em si, mas em todo complexo sistema burocrático no qual ela se encontra. Decorre assim, que o dinheiro fica efetivamente parado (entesourado), quando esse dinheiro poderia estar criando novas empresas e negócios.

    Não sei se me fiz entender, e também não sei se estou correto, mas essa é minha impressão.
  • Arthur M M  25/06/2013 14:54
    Francisco, mais claro do que isso impossível !
    Ainda são poucos os que compreendem que para se ter um galinheiro hoje é necessário abdicar-se do tempo à toa e das galinhas não comidas, na esperança de que no futuro poder-se-á curtir o tempo livre despreocupadamente.
  • Julia  25/06/2013 14:52
    Prezados,
    obrigada pelos esclarecimentos. Com relação ao Estado, vejo claramente os males que ele causa. Não precisamos debater este ponto e não estou defendendo a manutenção do mesmo. Aliás, litigo contra ele diariamente. No entanto, não consigo ver no liberalismo a panaceia para todos os males. O que me incomoda na proposta liberal é um certo aspecto dinheirista. Se você tem capital ou pode pagar por algo então você é interessante para a sociedade. Se você não tem, morra e pare de encher o saco porque não é justo outra pessoa trabalhar e ser explorado para pagar por serviços que você precisa. Vocês pregam o respeito absoluto à propriedade, mas para isso é necessário ter alguma. E como nós bem sabemos, infinitas atividades e serviços são necessários sem que tenham potencial para gerar lucro. Exemplo: fornecimento de cuidados médicos a órfãos com câncer. Vejam, eles não tem propriedade nem ninguém que tenha algum capital para pagar pelo tratamento para eles. O que fazer? Aí a única resposta que obtenho é que pessoas iluminadas irão fazer uma caridade e sozinhas ou em grupos vão se mobilizar para resolver esse tipo de problema. Sinceramente, tenho medo que haja a continuidade da dominação dos fracos (desvalidos) pelos fortes (detentores do capital), o que já há, dominação esta instrumentalizada pelo Estado. Para encurtar, acredito mesmo que não importa a forma de viver ou a ideologia dominante em uma sociedade, mas sim a inserção de valores morais. Uma sociedade em que haja respeito mútuo e a perfeita assimilação do conteúdo do princípio da igualdade é o mais próximo do ideal que consigo hipoteticamente alcançar. Sei que isso causa arrepios aos liberais, mas quanto mais eu estudo, mais retorno a este ponto. Assim, agradeço o debate sempre produtivo, pois precisamos uns dos outros para poder enxergar as coisas com maior clareza.
    Abraços!
  • Marcelo Werlang de Assis  25/06/2013 15:22
    Giulia,

    Você se esqueceu da possibilidade de que as pessoas "detentoras do capital" podem praticar caridade! Caridade significa doar uma parte do suado dinheiro aos necessitados ou criar estabelecimentos (asilos, hospitais, escolas, etc.) com finalidade caritativa, de modo que eles, "os desvalidos", sejam ajudados nos seus problemas!

    Se houver uma sociedade liberal/libertária, haverá crescente e contínua criação de riqueza. Uma parcela de tal riqueza será direcionada à caridade, pois muitas pessoas, sim, têm compaixão e empatia.

    As organizações religiosas, através das doações que arrecadavam, cumpriam muito bem esse papel no passado. Agora, com a competição do estado, cujos "órgãos públicos" tomam praticamente todos os recursos escassos direcionados para fins caritativos, isso ficou bastante difícil.

    A "caridade estatal" (compulsória, coerciva), além de ser uma contradição em termos (caridade é, por definição, voluntária), somente serve à burocracia ineficiente e parasitária que a administra, bem como ao partido que está no poder, o qual, assim, pode proclamar-se "defensor dos fracos, dos oprimidos, dos desvalidos" e obter votos com isso, perpetuando-se no poder.

    Por gentileza, não desista de se aprofundar no libertarianismo!

    Um abraço!
  • Juliano  25/06/2013 16:04
    Julia,

    Sobre alguns pontos...

    Se você tem capital ou pode pagar por algo então você é interessante para a sociedade. Se você não tem, morra e pare de encher o saco porque não é justo outra pessoa trabalhar e ser explorado para pagar por serviços que você precisa.

    O que fazer? Aí a única resposta que obtenho é que pessoas iluminadas irão fazer uma caridade e sozinhas ou em grupos vão se mobilizar para resolver esse tipo de problema.

    A questão é que a alternativa é pior. A pobreza existe, sempre existirão pessoas que precisam da ajuda dos outros. A alternativa à ajuda voluntária é a obrigação de "ajudar". Um grupo de pessoas ganha autoridade pra tirar dinheiro à força dos demais. Isso é moralmente defensável? Por que esse grupo não abusaria desse poder? Pessoas se mobilizam até pra ajudar cachorros desabrigados, por que não fariam isso por pessoas?

    Pense que o síndico de um prédio tivesse um ataque de compaixão e quisesse adicionar ao condomínio uma tarifa "social", que seria um repasse de dinheiro para os condôminos em necessidades. Isso é razoável?

    Pra piorar, existe uma diferença brutal entre receber caridade de pessoas físicas e do Estado. No primeiro caso, se possível, fica claro que a ajuda é temporária e a pessoa precisa fazer algo para mudar. No caso do governo, a caridade se converte em um "direito". Pessoas deixam de aceitar ofertas de emprego se o balanço financeiro não for favorável. Preferem receber "por fora", pra não perder o benefício.

    Esse tipo de atitude faz com que a pessoa recuse, justamente, o tipo de oportunidades que lhe daria experiência para buscar ocupações mais lucrativas no futuro. O resultado é um prolongamento da dependência, não o contrário. Não é à toa que Estados com sistemas de bem estar social mais desenvolvidos e mais antigos mantém famílias que são mantidas há gerações somente pelas esmolas estatais.

    Como cereja do bolo, esses programas assistencialistas são o paraíso dos políticos, que podem comprar votos com o dinheiro dos outros.

    A grande questão para liberais é que o Estado é só a legitimação da violência. Sua intervenção até pode ser justificável em alguns pontos, como no caso da prisão de um assassino, mas não pode passar dos limites da defesa dos indivíduos. Qualquer coisa além disso seria abuso de poder, pois significa a utilização da força contra indivíduos pacíficos.

    Qualquer outro problema ou planos que as pessoas tenham devem ser resolvidos de forma pacífica, sem a utilização da violência. É simples assim.


  • anônimo  25/06/2013 16:11
    Para encurtar, acredito mesmo que não importa a forma de viver ou a ideologia dominante em uma sociedade, mas sim a inserção de valores morais. Uma sociedade em que haja respeito mútuo e a perfeita assimilação do conteúdo do princípio da igualdade é o mais próximo do ideal que consigo hipoteticamente alcançar. Sei que isso causa arrepios aos liberais
    Porque você acha que causaria? Os liberais sabem que é justamente pelo afrouxamento dos valores morais que o governo cresce. Ou você acha que os EUA dos fouding fathers compartilharia dos valores morais de hoje?
  • Marcelo Werlang de Assis  25/06/2013 16:36
    Exatamente! Por "valores morais" entendo o que o jurista Ulpiano escreveu faz milênios: "Iuris praecepta sunt haec: honeste vivere, alterum non laedere, suum cuique tribuere." ("Os preceitos do Direito são estes: viver honestamente; não lesar outrem; dar a cada um aquilo que é seu.")

    Trata-se de enorme imoralidade querer que o estado (o aparato de coerção, de compulsão, de agressão, de violência; o aparato que possui o monopólio institucional da iniciação da força física) retire à força a riqueza alheia (criada e adquirida honestamente) para, depois, entregar-lhe o butim na forma de "serviços públicos gratuitos". Trata-se de afrontosa imoralidade as pessoas quererem ficar com aquilo que não é delas.

    O Juliano, o Ali Babá e o Anônimo melhoraram e complementaram — com perfeição — a minha resposta.

    Amplexos!


  • Marcelo Werlang de Assis  25/06/2013 18:14
    Analisando bem, creio que o ponto fundamental da discussão é a questão dos "direitos sociais". Tais direitos, conhecidos também como "direitos materiais", significam a prestação de alguma coisa pelo estado, como saúde, educação, moradia, etc. Trata-se das "prestações positivas".

    Ora, o estado somente pode retirar de alguns para dar para outros. Então, o pensamento que começa a ficar arraigado nas pessoas é o de que os demais devem se responsabilizar por elas; é o de que trata-se de um direito apossar-se da riqueza alheia; é o de que tudo ter de lhes ser dado, não conquistado por esforço próprio. Isso é uma mentalidade perversa. Destrói-se qualquer noção de responsabilidade individual, de independência pessoal, de iniciativa própria.

    Abaixo, reproduzo um belo poema:

    Não criarás a prosperidade se desestimulares a poupança.
    Não fortalecerás os fracos se enfraqueceres os fortes.
    Não ajudarás o assalariado se arruinares aquele que o paga.
    Não estimularás a fraternidade humana se alimentares o ódio entre as classes.
    Não ajudarás os pobres se arruinares os ricos.
    Não poderás criar estabilidade permanente baseada em dinheiro emprestado.
    Não evitarás dificuldades se gastares mais do que ganhas.
    Não fortalecerás a dignidade e o ânimo se subtraíres ao homem a iniciativa e a liberdade.
    Não poderás ajudar aos homens de maneira permanente se fizeres por eles aquilo que eles podem e devem fazer por si mesmos.


    Se um indivíduo imaginar-se numa ilha deserta, perceberá logo que a natureza não lhe dá "direitos". Ele verá que tem de se virar do jeito que for possível para obter alimento, água, vestuário, abrigo, etc. Ele terá de produzir. Caso contrário, morrerá.

    In nature there is nothing that could be called freedom. Nature is inexorable necessity. (LUDWIG VON MISES, "Economic Policy: Thoughts for Today and Tomorrow") Na natureza, inexiste algo que possa ser chamado de liberdade. A natureza é necessidade inexorável. (Tradução minha.)

    Um grande abraço!!!
  • Marcelo Werlang de Assis  25/06/2013 19:11
    Eu errei ali na bibliografia. Essa citação de LUDWIG VON MISES está contida em "Planning for Freedom".

    Em "Economic Policy: Thoughts for Today and Tomorrow", VON MISES diz:

    In nature, there is nothing that can be termed freedom; there is only the regularity of the laws of nature, which man must obey if he wants to attain something. Na natureza, inexiste algo que possa ser chamado de liberdade; há apenas a regularidade das leis naturais, às quais o homem deve obedecer caso queira realizar alguma coisa. (Tradução minha.)

    Abraços!!!
  • Marcelo Werlang de Assis  10/07/2013 00:11
    Giullia,

    Este brilhante artigo de JOEL PINHEIRO DA FONSECA responderá as dúvidas que você expôs:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1414 (Lei do mercado vs. lei da selva).

    Amplexos!
  • Ali Baba  25/06/2013 15:47
    @Julia,

    Exemplo: fornecimento de cuidados médicos a órfãos com câncer. Vejam, eles não tem propriedade nem ninguém que tenha algum capital para pagar pelo tratamento para eles. O que fazer?

    O que é feito hoje? Essas crianças são jogadas em depósitos humanos e tem cuidados dados por pretensos médicos contratados do serviço público que na realidade só passam lá uma ou duas vezes por mês para ajustar a dose de morfina ou para assinar o atestado de óbito. (Eu sei disso em primeira mão... fico bem tranquilo para discutir contigo em privado, se quiseres).

    Esse pensamento é outra falácia estadista. Precisamos do estado por que, do contrário, quem vai cuidar dos desvalidos. Ora, se forem de fato desvalidos, sempre haverá uma alma caridosa para cuidar dele... o que acontece é que a caridade mandatória é um abuso estatal e só alimenta o Leviatã. Nunca chega a sua finalidade real.

    Na realidade, os de fato desvalidos são uma parcela ridiculamente pequena da sociedade e cada vez menor (em países ocidentais), facilmente cuidados por pessoas de bom coração (desde que elas não precisem pagar impostos por isso). Em outro fórum respondi a uma pergunta parecida: "se você estivesse diante da opção de roubar um pão ou passar fome, o que você escolheria?". Esse é uma falácia parecida: precisamos do Estado para não ser atacados pelos desvalidos.

    Ora, essa situação existe? Quem está com fome não pode oferecer a própria força de trabalho em troca do pão de que necessita? Sempre tem um pátio para carpir, um lixo para transportar ou uma roupa para lavar... quem propõe uma situação dessas "ou rouba ou morre de fome" não vive no mundo real. Vive em um mundo onde a fantasia impera.

    Por fim, quero repassar a lição de vida que eu mais prezo. Foi há uns 30 anos, quando, ainda imbuido do espírito Marxista, estava justificando em voz alta o roubo do toca-fitas do meu carro (sim, já existiu outra coisa além do CD e do Bluetooth, chamava-se toca-fitas). Dizia para mim mesmo "isso deve ser algum pai-de-família, precisando alimentar seus filhos... que faça bom uso".

    Ouvindo o que eu dizia para mim mesmo, o "seu Antônio", o porteiro do prédio, olhou para mim e disse assim: "Não dotô. Isso é vagabundo! Pai de família não róba para dar comida aos filhos. Quando eu estive passando necessidade - eu passava fome mesmo dotô - sai com meus 3 filhos na rua para catar ferro-velho e garrafa pra comprar a comida pra por na mesa deles. Num precisei di robá não!".

    Então, o "seu Antônio" me deu uma lição de vida que me valeu mais do que quase tudo que meus pais intelectuais marxistas de esquerda me ensinaram em toda a minha vida.

    Julia, abra seus olhos. Questione se esse seu sentimento condiz com a realidade ou se é algo implantado por um estado cujo único objetivo é se perpetuar no poder.
  • Ruan Mesquita  27/06/2013 20:39
    Ótimo artigo !
  • Luciano Mesquita  04/07/2013 14:55
    Por favor, poderiam fazer algumas considerações acerca deste vídeo? Gostaria de ter argumentos para refutá-lo, mas não tenho recursos intelectuais suficientes, mas percebo que há algo falacioso na proposta:

    www.youtube.com/watch?v=k14kp145gB8

    Agradeço a atenção
    Luciano
  • Marcos Amaro  04/07/2013 18:57
    "A Comlurb é a empresa mais eficiente do mundo!"

    Que o carioca seja bairrista e se ache o umbigo do mundo, vá lá. Agora, divulgar ignorância pela internet já é demais. Quer dizer então que a Comlurb (que não é puramente estatal, mas sim uma empresa mista) é melhor que todos os sistemas de coleta de lixo de todas as cidades dos EUA, do Canadá, da Europa e da Ásia?! Puxa...

    Taí uma provinciana que nunca saiu do Méier e que jura que o mundo todo é pior e mais atrasado do que aquilo.

    Outra coisa: o vídeo diz que o certo é a prefeitura controlar as tarifas. Ora, isso é exatamente o que ocorre hoje. As tarifas são determinadas no momento da licitação, e todo e qualquer reajuste só ocorre se for autorizado pela prefeitura.

    De resto, sobre a tarifa zero não ter custo nenhum, pois o dinheiro se "reverte em impostos", a coisa não faz nenhum sentido econômico. É papo pra enganar trouxa.

    Também não entendi a proposta de a prefeitura licitar o quilômetro rodado, mas controlar a passagem. Segundo o vídeo, a empresa seria remunerada estritamete de acordo com o custo. Ou seja, o empresário trabalharia de graça, sem ter um centavo de lucro. Transporte viraria obra de caridade.

    Essa gente, além de espalhar mentiras, não tem a mais ínfima noção de como é que funciona o mundo real. São um bando de remelentos e mafaldinhas criados a leite com pêra que não sabem como funciona a vida real. São tão revolucionários que tomam Toddynho sem agitar.
  • Thiago S. Carvalho  08/07/2013 11:09
    Excelente artigo, precisamos disso, que abra as um leque de soluções. Não sou de direita, mas esse site ou blog, está ou de parabéns. Continuem o ótimo trabalho, sou anarquista e acredito na liberdade, e o melhor caminho para isso é ser livre... Minha unica duvida é, se os próprios empresários não criariam um tipo de cartel, para dominar o mercado,meu medo dessa busca do lucro, é que os próprios empresários se tornem "coletivistas marxisistas" kkkkkkkkk???
  • Andre Cavalcante  08/07/2013 14:27
    "Minha unica duvida é, se os próprios empresários não criariam um tipo de cartel, para dominar o mercado,meu medo dessa busca do lucro, é que os próprios empresários se tornem "coletivistas marxisistas" kkkkkkkkk???"

    Porque dúvida? Eu tenho certerza. Hoje, mesmo sem perceber, é exatamente o que os empresários são e fazem. O teu medo, entretanto, só é possível porque existe uma entidade, o estado, que mantém o monopólio das ruas e dos serviços a ela associados, principalmente transporte. Ou seja, tire o governo da jogada e os empresários vão ter que se virar.

  • Rafael  22/07/2013 18:26
    Essa proposta é um verdadeiro fiasco na verdade. O primeiro motivo é simples: qualquer transporte de massa em uma cidade que exista demanda se torna inviável sem a presença do Estado, porque o gasto comprando propriedades é muito alto, além da burocracia e do tempo gasto que aumenta os custos. O estudo de solo seria um outro grande desafio. São problemas que existem indiferente do nível de liberdade econômica. Transporte de massa seria uma obra faraônica impossível. Somente é possível o modelo público-privado para o transporte de massa (diga-se metro, monotrilho, trem) como forma de "desestatizar".

    Imagino que vocês aplicariam a explicação sobre o perigo do socialismo e comunismo nas concessões público-privadas, como a ideia de que os prejuízos fique na responsabilidade do Estado. É uma infeliz verdade que o prejuízo é subtraído pelo Estado, mas essa ideia está incompleta, porque qualquer empresa tem a pretensão de aumentar a margem de lucro. Isso é invariavelmente verdade nos casos desses modelos de transporte de massa, porque o menor erro de qualquer natureza impacta na confiabilidade do serviço e põem em risco a credibilidade da empresa. Por esse serviço se tratar de um sistema especializado que as pessoas não conhecem o seu funcionamento, é grande o rigor em relação aos padrões de qualidade. Nesse caso o desleixo e o prejuízo não é uma alternativa.

    A única solução possível para a desestatização do serviço de transporte de massa e com isso a diminuição dos impostos, é o modelo público-privado na atualidade.

    A Linha Quatro Amarela do Metro é um dos modelos de sucesso reconhecido no país e fora dele, porque explora o espaço interno com propaganda, publicidade, aluguel dos seus espaços para comércio, convênios com outros meios de transporte etc, além de empregar um reduzido número de funcionários. Isso poderia ser aplicado pelo Metrô de São Paulo ou de qualquer outra cidade do país, mas falta criatividade devido a estabilidade e existe o empecilho ideológico que se põe contra essas medidas que tornam o serviço mais rentável. E isso é o suficiente para aumentar o lucro sem a necessidade do aumento da tarifa, mas o risco de interferência política é sempre perigo, por isso a necessidade de tirar das garras do Estado como sempre.

    O único lugar em que a iniciativa privada deu 90% da execução do projeto foi Hong Kong, mas nesse caso foi necessária ainda sim a intervenção do Estado (ele cedeu terras à iniciativa privada). Assim como ocorre aqui em São Paulo na Linha 4 em que exploram o entorno da linha para projetos imobiliários, está sendo feito pela linha privada de Hong Kong para manter a tarifa baixa. infelizmente é um serviço restrito ao oligopólio/monopólio.

    A respeito dos transporte de média e pequena capacidade que são os modais viários, é possível sim privatizar completamente, mas o problema é que impacta na integração e mobilidade urbana. Não digo dos transportes intermunicipais, mas digo do transporte municipal. Uma solução inteligente seria estabelecer o teto de 3 reais a passagem com reajuste conforme a inflação e o aumento de renda real da população. O trajeto, lucro e o prejuízo seria da total responsabilidade de quem se prestasse a oferecer esse serviço de transporte. Qualquer um poderia prestar o serviço e as regras seriam mínimas: modelos de carro autorizados, identificação visual, cadastro do trajeto que seria feito, tempo mínimo de prestação de serviço, aviso prévio caso pretenda parar de oferecer o serviço e uso do sistema bilhete único. Eles teriam toda a liberdade para escolher o trajeto, o horário, se permitiriam a venda nesses espaços etc. Além de tudo o mais importante que a integração e mobilidade urbana não seriam atingidas.
  • Occam's Razor  26/07/2013 17:35
    Esse texto me fez lembrar a questão do pedágio urbano, que visa amenizar a tragédia dos comuns existente nas ruas públicas. Já li em um livro de microeconomia (o do Gregory Mankiw) que Singapura adotou a taxação e passou a ter um trânsito muito mais organizado. Seria uma solução intermediária, caso a população não aceite de forma alguma a ideia das ruas privadas. Alguma sugestão de como adotar algo do tipo sem fornecer mais superpoderes ao governo? Talvez através de créditos de mobilidade que seriam comercializados entre a própria população. Se eu não pretendo dirigir muito num certo mês eu vendo o excedente para outra pessoa, criando um sistema de preços.

    Acho um tema bem importante de se discutir, pois é uma das causas do caos na nossa mobilidade urbana e é uma ideia que assusta a maior parte da população, que prefere o uso das ruas seja "gratuito".
  • Juliano  31/07/2013 14:10
    "The protest, scheduled for 9 a.m., targets smartphone apps that allow users to summon a car with the touch of a screen. Taxi companies and city officials say the app companies have not obtained the proper permits and are operating illegally."

    articles.latimes.com/2013/jun/25/local/la-me-ln-taxi-rideshare-apps-protest-20130624
  • Bob brasileiro  07/08/2013 12:56
    Estou atrasado no cronograma do texto, mas como a questão de mobilidade urbana é sempre atual, então estou em dias com o assunto.

    Eu faria praticamente tudo ao contrario do que disse o Rafael logo acima, com raras exceções. Falo isso porque vivo numa região metropolitana de um estado do centro oeste em que teve uma historia ressente - na virada da década de 1999/2001 - de conflito no transporte convencional concedido pelo poder publico municipal e os chamados alternativos (vans e micro-ônibus) de iniciativa exclusivamente privada. O poder publico neste caso foi o protagonista central e decisivo para a derrota do modelo alternativo totalmente privado de transporte coletivo.

    Hoje é triste ver nesta região urbana a falta até mesmo de táxis, pois esses para existir precisa da concessão e permissão do poder publico municipal, que leva décadas sem fazer uma concessão do tipo. A conclusão que a gente chega é de que o estado é a maior pedra de tropeço na frente do cidadão comum em tudo por tudo, inclusive na questão da mobilidade urbana. Os problemas só existem porque o próprio estado os cria e mantem ao logo do tempo, essa é a minha opinião, e baseada nos fatos da minha região onde moro - isso é uma realidade triste, mas real.
  • Rafael  07/08/2013 18:16
    A ideia é que quem quisesse prestar o serviço, simplesmente prestasse, porém deveria ter um registro na Internet. É uma questão de segurança pública e mobilidade urbana.
  • Bob brasileiro  08/08/2013 19:22
    Para destravar a questão da mobilidade urbana na atualidade, inclusive a péssima qualidade do transporte coletivo, além de caro, se tivesse que existir algum tipo de regulação ou marco regulatório do tipo, a entrada e saída no ramo de negocio de prestação de serviços de transporte urbano (coletivo) por qualquer tipo de veiculo, deveria de no máximo seguir a regras de transito - como estado de conservação do veiculo, velocidade no transito, etc - por uma questão de segurança, apenas isso, o resto como frequência de horários, linhas servidas, etc, ficaria a cargo dos prestadores de serviços, pois seria de interesse desses manter uma regularidade para bem servir o usuário do sistema, inclusive táxis.

    Como está hoje, simplesmente o poder publico é responsável por tudo que está ai, toda essa miserabilidade do transporte publico. Até parece que toda essa precariedade é de interesse de alguns setores políticos, como é o caso, por exemplo, dos bolsões de miséria como uma forma de curral eleitoral.
  • Bob brasileiro  08/08/2013 22:36
    Em tempo:
    A questão central é a livre concorrência, onde os prestadores de serviços de transportes urbanos estão livres para entrar e sair do negocio, tendo que apenas cumprir com poucas exigências essenciais em termos de segurança no transito e com os tributos afins da área.
  • Imagina nas eleições de 2014  08/08/2013 13:26
    Precisamos compreender totalmente o significado desses movimentos de massa e dessas denuncias. Como isso irá afetar o desempenhos desses políticos nas eleições de 2014. O estudo das eleições passadas pode nos dar algumas pistas sobre o perfil do candidato e de seus eleitores e como ele se encaixa nesse novo cenário. Que mudanças o candidato tem que fazer na sua postura e programas para atender a este novo eleitor.
  • Carlos  12/11/2014 02:46
    Como funcionaria uma cidade abaolutamente miserável, com uma população com pouco poder aquisitivo? Que incentivo as empresas, tanto de transporte como outras (supermercado, escolas, saúde privada etc) teriam para se instalar lá? Não seria necessário primeiro criar um mercado consumidor, precisando de interferências governamentais pra isso?
  • Juliano  12/11/2014 11:55
    Carlos,

    Se a cidade é absolutamente miserável, o primeiro ponto a entender é a causa da miséria. Não dá pra simplesmente assumir que pessoas vivendo em outras regiões são obrigadas a bancar os custos de quem mora em um lugar que, por vários motivos, não consegue se manter.

    Se eu quiser morar no meio do deserto, longe de tudo, muito provavelmente vou ser muito pobre. O que tem que fazer nesse caso? Os outros têm que ser obrigados a me fornecer infra-estrutura? Não seria melhor que eu simplesmente me mudasse para uma região onde já houvessem outras pessoas, facilitando o meu acesso a esses serviços?

    Se o desenvolvimento de uma região pode ser estimulado com alguns investimentos, com certeza existirão empreendedores tentando explorar essa situação. Uma fábrica que abra em uma cidade pequena pode sair em vantagem por poder pagar salários menores, por gastar menos com espaços, por exemplo. Por outro lado, vai ter de se virar com a falta de fornecedores, com problemas de infra-estrutura. Se as vantagens justificarem os custos, o empreendedor será bem sucedido e será copiado. É por isso que empresas fecham nos EUA e abrem no outro lado do planeta, em regiões bem mais pobres, justamente buscando esse "bônus".

    O que o governo pode fazer para auxiliar esse processo é parar de criar problemas. Licenças, processos trabalhistas, insegurança jurídica... isso tudo cria uma camada de resistência a investimentos, torna o processo inviável. Esse é, sem dúvida, o grande desafio que o Brasil sempre enfrentou. O governo torna o investimento tão complexo e arriscado que ele simplesmente não acontece.

    Juliano
  • Leonardo Paes  08/01/2015 19:36
    Olá, a dúvida que me surgiu foi exatamente a possibilidade do surgimento de cartéis entre as empresas. Vi que já houve essa pergunta aqui e que o Leandro Roque, como sempre, respondeu. No entanto, não me convenci da resposta para a questão dos transportes. Concordo com a análise de que os cartéis, entre outras falhas de mercado, são geradas, em geral, exatamente por algum nível de intervenção governamental. Mas eu quero saber para esse caso, o do sistema de transportes. Por que essa solução apresentada no texto, sem nenhuma intervenção do Estado, está livre do risco de apresentar cartéis? Me parece claro que seria extremamente conveniente aos empresários do setor o conluio, já que a população mais pobre em muitas áreas não tem alternativa a não ser o ônibus.
    Obrigado e parabéns pelo rico conteúdo do site.
  • Guilherme  08/01/2015 20:22
    Você se lembra da época dos perueiros? Foi uma febre no início da década de 2000. Houve um ponto em que eles realmente chegaram a absorver uma fatia respeitável dos usuários de ônibus, que perderam muitos passageiros.

    Resultado: o governo desceu o porrete neles e devolveu o monopólio para as empresas de ônibus.

    Mas isso era antes. Hoje, com os aplicativos via celular colocando caroneiros em contato direto com motoristas, e com o preço livremente determinado, a concorrência seria ainda maior. Obviamente, o governo também quer proibir o Uber.

    Solução tem pra tudo; só que o governo não permite nenhuma. Aí realmente fica difícil.
  • Juliano  08/01/2015 21:21
    "Me parece claro que seria extremamente conveniente aos empresários do setor o conluio"

    Sim, os empresários sempre vão querer maximizar os lucros e um cartel parece interessante. O problema é qualquer um que burlar o cartel ganha dinheiro, pois rouba clientes dos demais. Isso vale mesmo para qualquer outra pessoa que pense em entrar na área, não apenas para os empresários já estabelecidos.

    Assim, apesar de funcionar por algum tempo, o cartel é sempre instável. Ele precisa do Estado para se manter, precisa que alguma lei regule a entrada e as condições de participação. Sem o Estado, qualquer um que queira burlá-lo ganha dinheiro.
  • Andre Cavalcante  12/01/2015 14:27
    Vamos supor que o estado não interfira e um cartel de empresas de ônibus se estabeleça. Ora, porque um conjunto de taxistas não podem se juntar, fazer algumas rotas boas e, com preço competitivo, fatalmente iria derrubar o cartel. Note, no caso de transportes, além do problema da instabilidade inerente ao cartel, em um ambiente verdadeiramente livre, as empresas também teriam a concorrência de outros modais de transporte.

    Há um tempo atrás vi uma reportagem sobre o preço do estacionamento no centro do Rio de Janeiro - não sei se a situação permanece. Os motoristas de carro estavam extremamente chateados com isso e estavam exigindo da prefeitura que "tomasse alguma providência" a respeito. Ora, não seria mais sábio quebrar o monopólio dos táxis e fazer com que cada um que tivesse um veículo e se predispusesse a fazer um preço bom para uma viagem ao centro fosse livre para fazê-lo, permitindo-se então que fosse mais barato ir de "táxi" do que usar o seu próprio automóvel?

    As pessoas são movidas a incentivos muito mais que por leis proibitivas...
  • Guilherme   20/12/2015 10:50
    É possível, para algum município brasileiro, efetuar essa desregulamentação do transporte coletivo? Digo, não haveria nenhum questão jurídica que pudesse impedir isso?
  • Ramon  19/03/2016 01:03
    Muito legal a ideia de livre concorrência no transporte público. Se não fosse uma pequena coisa chamada trânsito. Se todo mundo que quiser entrar, entrar, ninguém mais anda. O fim do monopólio é, sem dúvida, muito necessário. Mas deixar todo mundo que quiser competir, competir, não é uma boa. Licitações existem por isso. O espaço é limitado, a concorrência só pode vir até aqui. Caso contrário, vai haver tanto ônibus na rua que todo serviço vai ser ruim por questão de trânsito. Tá vendo como neoliberalismo não pensa em nada além do próprio lucro. Desconsidera até uma coisa simples como espaço limitado e trânsito.
    Dizer que a culpa é por má administração pública é clichê. Na França é estatal e não vejo esse tipo de crítica. Governo é reflexo de seus governantes. O problema da Vale foi de administração privada. Isso não invalida as privatizações quando se fazem necessárias, como no setor de telefonia.
    Em Maricá, o transporte já consegue ser completamente subsidiado e a prefeitura não renovou as concessões da viações. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo não dá pra fazer, mas deixar na mão do privado não é uma ideia inteligente. A prestação de serviço público objetiva grandes lucros e as passagens ficam mais caras e não atendem os requisitos básicos. É só olhar o Eduardo Paes aqui no Rio, os aumentos exorbitantes há 3 anos e nem 50% da frota com ar condicionado. É uma relação patológica. O erro está em achar que o problema é a administração governamental. Isso é uma desculpa imbecil pra quem não quer fazer sua parte política no desenvolvimento do país. Países com boa administração governamental são reflexo de um povo politicamente ativo.
    O necessário é lapidar a esfera governamental até ela se tornar adequada, com representantes corretos. SP há 20 anos se deixa governar pelo PSDB e há 20 anos reclamam de trânsito ruim, mau desenvolvimento econômico, crescente de violência e, ultimamente uma polícia que bate em crianças que querem estudar. Mas não associam isso com seus governantes, mas com o governo como uma entidade abstrata.
    Serviços básicos não podem ser entregues para a iniciativa privada (transportes, prisão, economia). A esfera privada contempla demanda e oferta, mas não contempla relações mais amplas dentro dessa teia. Ela para naqueles que lhe dão lucro. E existe além.
    O BRT por exemplo, é mais desenvolvido que os ônibus que andam por aí sem ar condicionado e custa o mesmo preço. O metrô tá quase a mesma coisa. Não há desculpa. O governo precisa é ser bem moldado pelos seus eleitores, ao invés de macacos que falam em política de 4 em 4 anos. O que é prestação de serviço público e básico deve se manter no público. Aquilo que é produto e consumo deve ir para o privado. Isso assegura o acesso realmente popular do que é serviço básico. Uma passagem à R$3,80 numa economia com salário mínimo de R$880,00 não é acessível, não é popular. E não vai ser uma indústria que objetiva lucro que vai resolver essa questão. Que dirá tentar acabar com o monopólio simplesmente lotando estradas.
  • Marco Oliveira  24/02/2017 15:37
    Gostaria de saber como ficaria a situação da galera que mora em lugares mais "prejudicados" com uma total abertura e concorrência, desregulamento. Que empresário gostaria de participar ou investir em uma "frota" desta ?


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