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Os libertários e o estado

Em uma economia fortemente estatizada (como a brasileira), libertários sempre se vêem confrontados por todos os tipos de questões morais e práticas à medida que mais e mais empregos vão sendo criados no setor governamental — sejam eles no Congresso ou em agências reguladoras, ou simplesmente como professores e intelectuais de universidades públicas. É certo ou errado aceitar tais empregos? E independente de qual partido esteja no poder, muitos economistas pró-livre mercado enfrentam o contínuo dilema de trabalhar em instituições financiadas pelo estado. Da mesma forma, cidadãos que prezam a liberdade também se vêem às voltas com a questão da legitimidade de se trabalhar no setor público e, se sim, em qual âmbito.

Portanto, como é que nós, devotos da liberdade e da moralidade, podemos agir — e agir moralmente — em um mundo controlado e dominado pelo estado?

Parece-me que a atitude mais importante é evitar as armadilhas gêmeas e igualmente destrutivas: o sectarismo ultra-puritano — no qual nem iríamos nos permitir andar nas ruas das cidades, pois todas são geridas pelo estado —, e o oportunismo conveniente — no qual nos tornamos supervisores de campos de concentração ao mesmo tempo em que nos declaramos "libertários".

Oportunistas são pessoas que separam completamente a teoria da prática; pessoas cujos ideais ficam muito bem escondidos em algum armário e não têm qualquer peso em suas vidas diárias. Sectários, por outro lado, sofrem daquilo que os católicos chamam de erro da "escrupulosidade", e sempre perigam virar eremitas e/ou verdadeiros mártires, de tanto se isolarem do mundo real. Para evitar ambas essas armadilhas, precisamos de alguns critérios para nos guiar.

A moralidade como religião

Para alguns "libertários", esse problema é de simples resolução: ao invés de tentar evitar essas armadilhas, o certo é fazer de tudo para abraçá-las. Para eles, a atitude certa é descartar todos os princípios morais — o que significa jogar fora a paixão e o comprometimento na defesa da liberdade, e ainda por cima não ter qualquer hostilidade para com os traidores da causa. Para isso, dizem eles, devemos ser cientistas ponderados e desapegados, que defendem a liberdade através de critérios utilitaristas e não-passionais. Assim, não iríamos nos preocupar com traições ou com quaisquer outras ações — não importa o quão odiosas elas sejam — que alguns libertários possam realizar. Portanto, tragam o supervisor do campo de concentração, e conversemos docemente com ele sobre os benefícios pragmáticos do sistema de preços livres e da divisão do trabalho!

Alguns "libertários" utilizam o velho truque de dizer que seguir rígidos princípios morais é coisa típica de "religiosos", classificando dessa forma qualquer hostilidade a ações imorais com o temível rótulo de "religião". Em primeiro lugar, o fato de pessoas religiosas serem hostis a traidores e apóstatas não faz com que as idéias delas sejam incorretas. Você não precisa ser religioso para detestar a imoralidade ou a hipocrisia, ou ficar furioso e indignado com traições de amigos ou namorados.

Por exemplo, não há nada de errado com o fato de um libertário morar em um apartamento que tenha o preço do aluguel controlado pelo governo — e que, portanto, pague um aluguel abaixo do valor de mercado. Esse libertário não é responsável pela lei de controle de aluguéis; ele simplesmente tem de viver dentro da matriz dessas leis. Portanto, não há nada de errado com um libertário morando em tal apartamento, assim como não há nada de errado nele andar em ruas estatais, utilizar aeroportos estatais, comer pão feito com trigo que tenha o preço controlado, etc. Nada disso é culpa dele. Seria, portanto, insensato e martírico que renunciássemos a tais apartamentos quando disponíveis, que parássemos de comer qualquer alimento cultivado sob regulamentação governamental, que recusássemos a usar os Correios, etc. Nossa responsabilidade é agitar e trabalhar para alterar essa situação estatista; isso é tudo o que podemos racionalmente fazer. Eu moro em um apartamento cujo aluguel é controlado pelo governo, mas eu também já escrevi e debati por vários anos contrariamente ao sistema de controle de aluguéis, e insisti em sua revogação. Isso não é hipocrisia nem traição, mas simplesmente racionalidade e bom senso.

Algo completamente distinto — um erro moral que vai muito além de simplesmente viver em apartamentos de aluguel controlado — seria, por exemplo, utilizar o estado para fazer com que o seu aluguel fosse ainda mais baixo. Há um mundo de diferença entre essas duas ações. Uma coisa é viver sua vida dentro da matriz criada pelo estado, ao mesmo tempo em que você tenta trabalhar contra o sistema; outra coisa é ativamente utilizar o estado para se beneficiar a si próprio e, simultaneamente, sacanear seus concidadãos — o que significa simplesmente praticar e incentivar a agressão e o roubo.

Trabalhando para o governo

O critério de distinção utilizado acima foi fácil. Mas existem outras situações muito mais difíceis. Por exemplo, trabalhar como um empregado do governo. É verdade que, tudo o mais constante, é bem melhor — tanto do ponto de vista libertário quanto do pragmático — trabalhar para um empregador privado do que para o governo. Mas suponhamos que o governo tenha monopolizado, ou praticamente monopolizado, a sua profissão, de forma que não haja outra alternativa que não a de trabalhar para o governo.

Peguemos, por exemplo, a União Soviética, onde o governo de fato nacionalizou todas as ocupações e onde não havia praticamente nenhum empregador privado. Deveríamos condenar todos os russos como "criminosos" pelo fato de serem empregados do governo? Será que a única atitude moral de cada russo seria o suicídio? É claro que não. Isso seria algo totalmente néscio. Certamente não existem sistemas morais que requeiram que as pessoas sejam mártires.

Mas vários outros países em que a economia apenas nominalmente pode ser considerada de mercado, conquanto ainda não tenham ido tão longe quanto a URSS, apresentam várias ocupações praticamente monopolizadas pelo estado. É impossível em vários deles (inclusive Brasil), por exemplo, exercer a medicina sem se tornar parte de uma profissão vastamente regulamentada e cartelizada (ver mais aqui). Se a sua vocação for a de professor universitário, é quase impossível achar uma universidade que não seja gerida — quando não legalmente, economicamente — pelo governo (no Brasil, por exemplo, mesmo os currículos das universidades particulares seguem critérios do MEC; tem também o ProUni, que exemplifica ainda mais diretamente a ingerência do governo sobre as faculdades privadas). Se o critério para a definição de quão estatal é uma universidade for o fato de mais de 50% de sua renda advir do governo, então praticamente não há universidades — somente algumas pequenas faculdades — que podem ser consideradas "particulares". Durante os tumultos ocorridos no final da década de 1960, estudantes da Universidade Columbia, em Nova York, descobriram que bem mais de 50% da renda daquela suposta universidade "particular" vinha do governo. Em tal situação, seria tolice e sectarismo puro condenar os professores pelo fato de estarem trabalhando em uma universidade do governo.

Portanto, não há nada de errado em se aceitar essa matriz na nossa rotina. O que é errado é trabalhar para agravá-la, trabalhar para aumentá-la. Dou um exemplo da minha própria carreira: por muitos anos lecionei em uma universidade "particular" (não obstante não me surpreenderia se descobrisse que mais da metade de sua renda provinha do governo). Durante muito tempo essa universidade vinha cambaleando no limiar da falência, até que então ela tentou corrigir essa situação "estatizando-se" através de uma fusão com a State University of New York, que naquela época fartava-se em dinheiro. Em um dado momento parecia que a fusão iria acontecer, e por isso havia muita pressão para que cada membro do corpo docente fosse à capital do estado, Albany, fazer lobby para essa fusão com o sistema estadual. Isso eu me recusei a fazer, pois sempre acreditei ser imoral fazer agitos para aumentar a matriz do estatismo ao meu redor.

Mas será que isso significa que, desde que não façam lobby para mais estatismo, todos os libertários podem alegremente trabalhar para o governo, abandonando assim a própria consciência? Certamente que não. E nesse ponto é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.

Tomemos um caso concreto e vejamos como nosso critério funciona. Um velho amigo meu, economista austríaco e anarco-libertário, aceitou um importante cargo de economista no Banco Central. Lícito ou ilícito? Moral ou imoral? Bem, quais são as funções do Banco Central? Ele tem o monopólio da falsificação do dinheiro[*]; ele é o criador do dinheiro do estado; ele carteliza, privilegia e salva os bancos que praticam reservas fracionárias (ver mais aqui e aqui); ele regula — ou tenta regular — o dinheiro e o crédito, o nível de preços e, conseqüentemente, toda a economia em si. Ele deveria ser abolido não simplesmente por ser governamental, mas também porque suas funções são imorais per se. Não foi surpresa alguma, é claro, que este colega não tenha visto esse problema moral da mesma maneira.

Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se.

______________________________

[*]Para os austríacos, a idéia de haver um banco central imprimindo dinheiro do nada — sem qualquer lastro e com a conseqüente desvalorização da moeda — é o equivalente exato ao trabalho que faz um falsificador. [N. do T.]

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autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Renê  22/07/2010 16:05
    O trabalho realizado pelo Inmetro, poderia se enquadrar na alternativa (a) "aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado"?\r
  • Fernando Chiocca  22/07/2010 16:16
    Oi Renê

    De maneira alguma.
    O Inmetro seria (b). Ele é um órgão compulsório, não requisitado e criminoso.
    Se ele apenas sugerisse padrões, se enquadraria na (a), mas não é o caso.
  • augusto  20/11/2010 18:21
    Sao coisas diferentes. O Rene perguntou sobre "o trabalho do Inmetro" e o Fernando respondeu sobre o Inmetro.\r
    \r
    Os trabalhos do Inmetro sao dois:\r
    \r
    1) criar padroes;\r
    2) aferir/certificar produtos;\r
    \r
    O Inmetro nao obriga ninguem a seguir seus padroes, em outras palavras, o Inmetro nao tem uma divisao policial. Quem obriga eh a legislacao brasileira, atraves da policia, do procon, etc.\r
    \r
    Tentando responder a pergunta do Rene: nos EUA, existe uma empresa privada que faz exatamente a mesma coisa que o Inmetro, chama-se Underwriters Labs. As empresas sao livres para comprar os padroes estabelecidos pela UL e seguirem as normas. E a UL certifica - mediante uma taxa - as empresas que seguem as normas.\r
    \r
    E o governo dos EUA, nao raro, usa os padroes da UL como padroes nacionais. Por exemplo, em questoes de material de construcao.
  • anônimo  18/10/2011 16:48
    Concordo com o Augusto. Além disso, acredito que padrões métricos são uma necessidade, inclusive para facilitar o comércio internacional. Voltaríamos a usar as medidas de tamanho das partes do corpo dos reis (ou dos presidentes)? \r
    Quando se compra um produto que pode ser contado por unidade (ex: 1 abacaxi) não teríamos grandes problemas, mas e na hora de comprar, por exemplo, "1 leite", quanto isso significa? Nesse caso, acredito ser muito mais fácil comprar 1 litro de leite e esse litro ser a mesma quantidade tanto aqui quanto na China...\r
    O que acham?
  • anônimo  20/11/2010 16:56
    Passei no concurso do Itamaraty e vou me mudar para Brasília semana que vem.

    O que acham de um diplomata ancap? Muita traição e imoralidade?
  • Alexandre M. R. Filho  18/10/2011 18:20
    Não. O governo precisa de libertários, ancaps, austríacos, minarquistas, liberais, enfim.\r
    \r
    Antes vc lá do que um Amorim da vida. Como a vaga vai existr mesmo que vc não tome posse, que seja vc a ocupá-la.\r
    \r
    Bom trabalho!\r
    \r
  • Fernando Chiocca  18/10/2011 18:35
    Alexandre, que "a vaga vai existr mesmo que vc não tome posse" não é argumento.

    A vaga de guarda de campo de concentração também vai ser ocupada se você não tomar posse.. mas isso não quer dizer que um libertário deva tomar pose. Uma pessoa pode contratar um assassino de aluguel para matar um inocente de qualquer jeito, mas isso não é justificativa para você aceitar este tipo de trabalho...

    Não sei se a comparação se encaixa com um trabalho no Itamaraty, nem sei o que esses parasitas fazem por lá, mas se for um trabalho que não implique em agressão direta contra as pessoas, a comparação não se enquadra. Mas foi só pra mostrar que o argumento não é válido.
  • anônimo  18/10/2011 19:01
    Trabalhe duro pra extinguir o exército (isso é possível?).
  • Rene  18/07/2012 10:48
    Vai fundo, assume a vaga e faz um bom trabalho, claro que é melhor alguém com conhecimento do libertarianismo lá.
  • André  16/07/2012 16:49
    Discordo desse artigo.
    Existe uma diferença gritante entre um libertário como guarda num campo de concentração e um nazi-psicopata na mesma função.
    Um nazi-psicopata não se importaria em momento algum de tentar trapacear no seu emprego: ele o faria com total precisão e qualidade. Agora, um libertário poderia muito bem afrouxar o tratamento dado aos prisioneiros, desviar comida e água e quiçá salvar alguém. Aliás, tenho um leve pressentimento que com certeza houveram guardas assim.
    Claro que, nesse caso, ele provavelmente foi obrigado a exercer essa função, mas acho que meu ponto é válido.
    Da mesma forma, um economista no Banco Central poderia pesar nas suas decisões/opiniões a favor de menos impressão de dinheiro, menor controle de preços, etc. Mesmo que de fato isso não ocorresse. Uma voz é melhor do que o silêncio da sanção moral.
    Assim como um diplomata poderia evitar todo tipo de conflito e incentivar o livre comércio, um policial militar poderia fazer corpo mole com comércio de drogas, etc.
  • Fernando Chiocca  18/07/2012 09:53
    Discorda do que André? Que um guarda de campo de concentração que desviar comida e água e quiçá salvar alguém, não é responsável pela morte dos que ele não salvou, ou, quiçá até fuzilou? Que esses atos são totalmente contrários a ética libertária e jamais podem ser desempenhados por alguém que se diga libertário? É sério mesmo que você acha que um homem pode ajudar a colocar judeus num forno, mas se ele der um chocolate pra criança antes, tudo bem?

    Sobre um policial que fechar os olhos para crimes sem vítimas, veja este artigo e também o capítulo do livro do Block linkado nele.
  • Julliano  16/07/2012 17:10
    O "libertário" que não seguir o manual do que pode ou não é declarado apóstata e excomungado?
  • Roberto Chiocca  18/07/2012 09:04
    Não Juliano, o "libertário" que agir assim estará agindo de maneira incompativel com as ideias que diz defender, estará sendo contraproducente para atingir os objetivos que supostamente almeja. Ele pode até se considerar um libertário, e até mesmo ser em alguns aspectos (Thomas Jefferson tinha escravos, mas isso não desqualifica suas ideias), mas enquanto estiver iniciando agressão contra inidviduos pacificos ele estará sendo antilibertário. Eu acredito que exista até um nome cientifico para este desvio.
  • Tássia  22/09/2012 12:35
    Olá, e um libertário que trabalha no Tribunal de Justiça? é hipócrita?
  • Neto  22/09/2012 17:28
    É um vegetariano que come carne
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/12/2013 09:58

    Muito bom o equilíbrio e bom senso demonstrado neste artigo!

    "Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é:

    (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade;

    (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e

    (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se."

    * * *
  • Pobre Paulista  04/05/2014 22:59
    Rothbard erro feio e se traiu nos seus próprios argumentos. Qualquer um que trabalhe para o estado está tornando-o maior, portanto toda argumentação dele cai por terra de acordo com seus próprios parâmetros. Acho que ele tentou fazer uma mea-culpa por já ter tido um vínculo, ainda que fraco, com o governo.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  14/03/2015 15:18
    Rothbard quis dizer que os libertários devem VIVER para lutar e vencer contra a máquina estatal. Mesmo que, provisoriamente, seja necessária viver sob o jugo de leis estatais malditas e imbecis. Um dia, os governos mundiais cairão e a Liberdade Verdadeira triunfará. A Humanidade estará finalmente pronta para usar todo o seu potencial criativo, sem o peso enorme que carrega com os governos.
  • Bruno  17/04/2015 02:06
    E é moral que um libertário seja um diplomata?
  • Joao Bernal  22/04/2015 16:34
    Aí é que está o problema. Concordo parcialmente com o texto.

    Veja: dado que a Receita Federal junto com a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam órgãos de grande repercussão e de grande respeito no cenário público brasileiro, o autor exclui, pelo instituto da moral, uma grande oportunidade de termos liberais em órgãos como tais.

    O que quero dizer é: ao afastar essa possibilidade, perdemos a oportunidade de diminuirmos a máquina estatal de dentro da própria máquina estatal. Se levarmos em consideração que a maioria de quem se encontra nas entidades estatais prega o estatismo, perdemos essa chance, afinal quem iria limitar seu próprio poder quando concorda com ele?

    A promoção do interesse liberal nesses órgãos é de extrema importância, tanto é que conheço um professor (super defensor dos ideais pregados aqui) que exerce sua pressão política e moral como servidor público (da Receita Federal) para desburocratizar o sistema tributário e aliviar a carga em cima dos empresários. E ele já conseguiu vários feitos neste sentido.

    Minha conclusão: quanto mais liberais em órgãos públicos, melhor é, afinal partiremos de dentro para fora no problema.


    Por favor, deem o feedback!
  • Nuno  28/11/2015 21:17
    Resumo da história: Rothbard, Hoppe e cia. se acham no direito de passar a vida inteira na folha de pagamento do Estado, desfrutando dos benefícios do assistencialismo, sem produzir um cadarço de sapato para o mercado; mas, nas horas vagas, escrevem livros maravilhosos condenando o parasitismo, exaltando a produtividade do mercado e imaginando um mundo abstrato onde "as coisas seriam diferentes" e o mercado daria o devido valor aos intelectuais anarquistas e eles não precisariam mais do welfare state para sobreviver; e chamam isso de vocação e bom senso.

    Depois são os esquerdistas que têm o ego grande.

    Paralaxe cognitiva pura.
  • Leal Maia  29/11/2015 02:00
    Do que você está falando, Nuno? Rothbard e Hoppe deram aulas na Universidade de Nevada em Las Vegas por um curto espaço de tempo.

    A maior parte de sua vida Rothbard se sustentou com seus livros, com os estipêndios privados do Volker Fund e com suas aulas na Brooklyn Polytechnic Institute (durante 20 anos).

    Isso é "passar a vida inteira na folha de pagamento do Estado"? Vá caluniar em outro lugar.
    "imaginando um mundo abstrato onde "as coisas seriam diferentes" e o mercado daria o devido valor aos intelectuais anarquistas".

    Quanta merda! Ambos são críticos ferrenhos dos intelectuais.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1149
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1646
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1692
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=402

    Vá fazer algo de útil no seu sábado em vez de ficar desocupadamente inventando mentiras e calúnias.
  • Nuno  29/11/2015 13:19
    Prezado conhecedor do meu sábado,

    Hoppe passou a carreira inteira trabalhando em universidades públicas: https://en.wikipedia.org/wiki/Hans-Hermann_Hoppe#Life_and_work

    Rothbard, no próprio texto, também admite, com todas as letras, que não ficaria surpreso (nem indignado) em saber que a universidade privada onde ele trabalhava recebia do Estado "mais da metade de sua renda"; e que, por esse critério, praticamente não haveria universidades privadas nos EUA, já que, como o próprio Rothbard diz, todas as grandes universidades dependem de subsídios do Estado.

    O Roderick Long também é outro que adora falar em jusnaturalismo, e dá aulas em universidade pública.

    Qual o problema em admitir que anarquistas também gostam de uma teta?

    Marx vivia às custas das empresas de Engels e falava mal do capitalismo; e todos na direita o condenam por isso, sem pudor algum. Por que a crítica só vale para um lado? Os amigos podem tudo e os inimigos não podem nada?

    Acho que seria bastante positivo para a qualidade desses debates que alguém começasse a fazer uma lista -- naquele estilo "Esquerda Caviar", do Constantino -- de todos os anarcocapitalistas que são subsidiados pelo Estado para falar mal dele.
  • Gustavo Pires  24/10/2016 22:59
    Trabalhar como diplomata do governo, que ganha um alto salário e benefícios, é imoral para um libertário?

  • Andre  25/10/2016 00:57
    Qualquer tipo de funcionalismo é participar da pilhagem estatal.

    Mas é complicado explicar isso no atual ambiente de total degradação do poder de compra e do mercado de trabalho, onde os jovens se dividem em desempregados e mal remunerados, a tentação do funcionalismo é óbvia. Tudo somado à aversão ao empreendedorismo incutido durante a graduação.
  • Lucas  25/10/2016 10:07
    Brother, acredito piamente que não. Deixe-me dar meu exemplo. Sou jovem, de 20 anos de idade, e estudante universitário. Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo!
    O fato brother é que o jogo já começou, se você não for um diplomata, outra pessoa vai ser, e nada vai mudar.
    Se formos pensar assim nem deveríamos usar as estradas do governo, as UF's, as UPA's. Apenas ache melhor um liberal na máquina estatal do que um estatal na maquina estatal.

    Espero ter ajudado, abraço!

    P.S. Dinheiro é bom, e essa profissão paga bem demais, corra atrás :D
  • Magno 2.1  25/10/2016 12:29
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "

    É, estamos verdadeiramente perdidos. O sujeito diz achar que "imposto é roubo" e quer ser Auditor da Receita.

    E ainda compara isso com o exemplo de andar nas estradas...

    A mentalidade estatal apodreceu tudo.
  • Breaking Bad  25/10/2016 14:42
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "
    Seguindo essa lógica de "Fernandinho Beira-Mar":
    - Estou me preparando para abrir uma "boca-de-fumo", e acredito que vender drogas é crime.
  • Andre  25/10/2016 14:00
    Lucas, se você estuda mesmo para concurso sabe que independente de ser liberal, estatista, conservador ou marxista, a descrição e objetivo do "trabalho" do "servidor" é bem clara, todo desvio punido e todo prejuízo reparado, qualquer fechada de olhos que você dê para o bem da liberdade de mercado poderá ser enquadrado como prevarização, e será puro darwinismo, você vai arriscar perder seu cargo bem remunerado?

    Se você compartilhar aqui que é universitário, não aprende nada de útil, que é um covarde para sequer vender perfumes, que morre de vergonha de ter um emprego pesado porém digno e que quer ser funça parasita dos pobrespara ganhar lá uns R$4mil porque se conformou com sua medíocre existência, é mais digno, porque falar que vai melhorar o sistema de dentro é piada, é semelhante a participar o ISIS para evangelizá-lo de dentro.
  • Capital Imoral  25/10/2016 15:01
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "

    Contemplem aí liberais, a contradição de seus semelhantes em regurgitar liberdades econômicas e querer viver sobre os braços do generoso pai estado.
  • Rafael  25/10/2016 15:19
    Se quer ajudar minimamente a liberdade, seja BEM ineficiente como auditor.

    Agora, já que vai tentar ser auditor, pense em doar parte do seu dinheiro para causas libertárias e espalhar o ideal libertário, pelo menos seria um efeito mitigante.
  • Breaking Bad  25/10/2016 15:31
    Agora, falando sério mesmo, se vc vai estudar para a RF, eu, particularmente, prefiro vc com ideias libertárias lá a um esquerdopata estatizante. Não vou entrar no mérito dos dramas de consciência e de escolhas, até porque as chances de se ter um emprego privado decente no bananistão ou conseguir empreender do nada, são bem remotas. Há hierarquias morais, vc não está se alistando para carrasco de campo de concentração e, certamente, cada pessoa que cair na "malha fina" e vier sa ser atendida por vc, terá toda a assistência para se safar. De modo semelhante, vc estando na alfândega de um aeroporto, vai fazer o máximo possível para não parar quem quer que seja. Ainda que eu não optasse por fazer parte da estrutura estatal, prefiro ter "cavalos de tróia" liberais/libertários dentro dela. Já os mais puristas, podem continuar com o trabalho de conscientização e informação de pessoas (ao gosto ortodoxo da ação libertária). A Bíblia cita que o maior exemplo de fé presenciado por Jesus... foi de um centurião romano!
  • Pedro  29/03/2017 00:12
    E a saúde pública? É imoral se tornar um médico empregado pelo Estado? Nos interiores dos estados do nordeste, é quase zero hospital.
  • Andre  29/03/2017 02:02
    Não é imoral, o trabalho do médico em hospital estatal e privado é semelhante, não há perda efetiva de sua habilidade profissional, apesar de trabalhar abaixo da máxima eficiência, diferente de engenheiro que trabalha na função em empresa privada e vira funça do INSS ou aspone em geral.
  • sergio salvador  29/03/2017 19:09
    Ola, estou num dilema tambem.

    Começei a ler sobre libertarianismo ha um ano mais ou menos. Meu pai sempre foi comerciante e eu trabalhei com ele. Quando começei a prestar concurso publico e passar nos orgaos vi o quanto de ineficiencia e corporativismo estatal existe. É uma mentalidade egoista de "eu ganho dinheiro aqui e dane-se se prejudico os outros", basicamente. Sempre me senti mal ao trabalhar em orgao publico, até minha demissão do ultimo orgao em 2012, por, entre outros motivos, não cumprir greve. Basicamente fiquei fora da iniciativa privada durante anos e agora estou num mato sem cachorro: pra me contratarem em minha formação na iniciativa privada o salario medio que conseguiria nao seria suficiente para auto-sustento. Portanto, me vejo obrigado a prestar concurso publico novamente pelo salario mais alto, numa concessionaria do estado, no caso a Artesp. Mas, mesmo considerando todos os conflitos morais e filosoficos pessoais que isso possa gerar, é uma escolha racional pelo momento, pois, moro com meus pais ainda (nao consegui me mudar devido tambem aquela demissao), tenho 33 anos, e nao tenho capital para criar um negocio (que seria o que eu gostaria realmente). Portanto, não dá também pra levar a ferro e fogo as coisas. A realidade e a necessidade é muito mais dura do que ideologias. Envolve uma serie de circunstancias.
  • Andre  29/03/2017 19:37
    Com 33 anos de idade seu salário deveria estar por volta de R$6.000,00 dá pra sustentar dignamente uma família de 4 pessoas com este valor.

    Segundo Max Gehringer, se você estudou, manteve-se sempre empregado, aumentando continuamente sua produtividade e administrou adequadamente sua carreira há uma relação entre salário auferido e idade:

    estou-sem.blogspot.com.br/2011/08/existe-formula-que-relacione-salario-e.html

    Se está muito abaixo de R$6.000,00 significa que ou não estudou, ou jogou precioso tempo de qualificação no lixo, ou tem baixa produtividade ou se administrou de forma displicente e agora quer jogar o peso de seus erros em cima dos 13 milhões de desempregados.

  • Pai de familia  29/03/2017 20:55
    Desculpe 6.000 reais para sustentar 4 pessoas? Em que mundo você viver, meu salário gira em torno disso (contando beneficios e plr) e sofro para sustentar uma familia de 3 pessoas. Só de supermecado são em torno de 1.500 por mês, ainda tem aluguel, condominio, escola, conta de luz, da net, gasolina, ipva, iptu, seguro, roupa, salão, cabelo, gasto para sair e etc... Fora os gastos não planejados, mas que sempre acontecem (remédios, presente de aniversário para alguém, mecânico, máquina de lavar quebrada, multa e etc etc etc...)

    Poupar é quase um milagre.
  • Paulo Guina  30/03/2017 00:54
    Tem gente que se vira com bem menos...
  • Pai de familia  30/03/2017 13:05
    As depesas que eu citei são de qualquer pessoa de classe média, o grosso das despesas: Supermercado, aluguel, escola e despesas com carro dificilmente saem por menos de 4.500. Isso por que eu não tenho nenhum financiamento seja de carro ou de casa, porque ai a conta só aumentaria.

    Claro que se você for botar seu filho em escolha pública, não tiver que paga aluguel ou financiamento, não tiver carro, ter mais pessoas dentro da casa para dividir a conta do mercado, ai sua despesa realmente será muito menor.

    Um familia hoje de 3 pessoas para viver confortável tem que ter uma renda de pelo menos 7 mil reais, menos do que isso vai passar sufoco.
  • FL  30/03/2017 14:24
    Caro Pai de Família, esqueci completamente da escola, que é um caso à parte.

    Você provavelmente coloca seus filhos em escolas particulares, pois não confia na qualidade do ensino estatal (que você paga de qualquer forma). Além de também ser um mercado bem protegido (tente conseguir um alvará de funcionamento para abrir uma escola), você simplesmente não escapa do que o governo quer ensinar, mesmo em escolas privadas. Todas têm que seguir o programa de governo aprovado pelo ministério, que define as matérias, carga horária e conteúdo a ser ensinado.
    Se você ousar ensinar seus filhos por conta própria, em casa, corre o risco de ser denunciado por não estar garantindo o "direito básico à educação" dos seus filhos e, por mais inteligentes e instruídos que estes possam se tornar, vão ficar sem aquele papel inútil que não prova nada (diploma), não vão conseguir entrar numa faculdade (que sofre a mesma influência estatal, mesmo sendo privada) e pegar outro papel inútil para trabalhar nos melhores empregos. Todo o esquema é feito para que as pessoas sigam exatamente o que é planejado pelo governo. Para dar um exemplo, se você não tiver um diploma de direito e a carteira da OAB, nunca vai poder se defender de um processo, por mais inteligente e conhecedor das leis que você seja.
  • FL  30/03/2017 12:16
    Caro Pai de Família, sua situação é uma boa ilustração do que um libertário padrão defende. Seu salário de R$6.000 deveria ser muito maior, não fossem o FGTS, INSS, IR, "Contribuição" Sindical e tantos outros encargos que a empresa é obrigada a pagar para o governo, e que poderiam estar indo para a mão do funcionário.

    Além disso, quase tudo que você citou como seus gastos tem um enorme peso de impostos e da ineficiência dos serviços estatais.

    Você provavelmente mora de aluguel pois não conseguiu comprar um imóvel, graças aos programas de incentivo e fácil crédito, que aumentam insanamente o valor dos imóveis.

    Você provavelmente mora num condomínio pois sente que ali sua família está mais segura do que numa "casa de rua", pois sabe que a polícia (estatal, ou seja, paga por você) não lhe garante nem 1% da segurança que a empresa contratada pelo condomínio te dá.

    Sua conta de luz, também fornecida pelos ótimos serviços estatais, é mais cara do que deveria ser. Você paga PIS e Cofins, ICMS, bandeira vermelha e tudo mais que o governo conseguir enfiar ali.

    Sua internet é a que tem a pior relação de custo/benefício do mundo. Existem poucas operadoras que não fazem o mínimo esforço para prestar um bom serviço, pois operam num ambiente totalmente regulado (para o bem da população) pelo governo, que proíbe a entrada de novas empresas, diminuindo a concorrência, o que melhoraria os serviços e derrubaria os preços.

    Sua gasolina (que é 27% álcool para manter a reserva de mercado dos produtores nacionais) tem, na composição do preço, 50% de impostos embutidos.

    Você paga IPTU e IPVA, e mesmo assim as ruas são esburacadas, as calçadas são uma calamidade (se você conhece algum cadeirante, vai entender), a iluminação e limpeza das vias - serviços públicos - são péssimas.

    Seguro, roupas, remédios, mecânicos, multas.... Nada disso escapa de uma mordida do governo, que usa esse dinheiro para, entre outras coisas, pagar salários maiores do que o mercado paga para uma qualificação X (vide o caso do sergio), sempre com "estabilidade de concursado', aumentando a ineficiência de todos os serviços prestados.


    Você ainda tem alguma dúvida de quem está atrapalhando sua vida?
  • 4lex5andro  30/03/2017 14:32
    ______________________________________________________________

    /\
    É só assinar em baixo.
  • Pai de familia  30/03/2017 18:32
    Caro FL,

    Concordo com você, governo é uma barreira na minha vida e um dos responsáveis pelo meu alto custo de vida.

    Mas também não tiro minha responsabilidade disso, sair de casa sem ter uma casa própria e tive um filho sem ter uma condição financeira melhor, mas amo minha familia e jamais voltaria atrás, o esforço maior que tenho hoje é compensado.
  • Enfermeiro  29/03/2017 20:16
    Sou enfermeiro em hospital universitário; desde o inicio da faculdade, os incentivos para se tornar funcionário publico eram fortes; visto que na minha profissão, no setor privado, os salários são baixissimos e com jornada duplicada. Passei anos enfrentando isso até que passei no concurso. Meus colegas também sempre analisaram dessa forma.
    Depois q entrei no meu novo emprego que conheci Mises e o site, nem lembro mais como foi que entrei em contato com as idéias libertárias; porém foi como tirar escamas dos meus olhos...
    Desde então sofro com dilema moral de trabalhar dessa forma. Sou sincero em dizer que meu salaário atual é incomparavelmente maior q de meus colegas em instituições privadas, e com carga horária menor (mais justa inclusive). Para compensar, procuro atender meus pacientes da melhor forma possível (todos do SUS). Percebi desde o começo que os funcionários do hospital, não todos claro, mas alguma maioria, não trabalham para fazer jus ao emprego.
    E ainda há o sindicado exercendo todo tipo de pressão para mais participação do estado, aumento salarial, etc.

    É logico q nao vou largar meu emprego. Mas pelo menos procuro atender dignamente e com muito eficiencia os pctes.
  • Pedro Mendes  29/05/2017 14:11
    Faz muito sentido o texto. Pois, se não houvesse mentes libertárias e liberais no próprio governo, como iríamos diminuí-lo? Mesmo que outros digam genericamente, que um libertário na máquina pública seja hipocrisia, se não for assim, só imagino formas violentas de acabar com o Estado (Guerrilhas, Atentados). Algo que é extremamente condenado pelo pensamento liberal.


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