Os libertários e o estado

Em uma economia fortemente estatizada (como a brasileira), libertários sempre se vêem confrontados por todos os tipos de questões morais e práticas à medida que mais e mais empregos vão sendo criados no setor governamental — sejam eles no Congresso ou em agências reguladoras, ou simplesmente como professores e intelectuais de universidades públicas. É certo ou errado aceitar tais empregos? E independente de qual partido esteja no poder, muitos economistas pró-livre mercado enfrentam o contínuo dilema de trabalhar em instituições financiadas pelo estado. Da mesma forma, cidadãos que prezam a liberdade também se vêem às voltas com a questão da legitimidade de se trabalhar no setor público e, se sim, em qual âmbito.

Portanto, como é que nós, devotos da liberdade e da moralidade, podemos agir — e agir moralmente — em um mundo controlado e dominado pelo estado?

Parece-me que a atitude mais importante é evitar as armadilhas gêmeas e igualmente destrutivas: o sectarismo ultra-puritano — no qual nem iríamos nos permitir andar nas ruas das cidades, pois todas são geridas pelo estado —, e o oportunismo conveniente — no qual nos tornamos supervisores de campos de concentração ao mesmo tempo em que nos declaramos "libertários".

Oportunistas são pessoas que separam completamente a teoria da prática; pessoas cujos ideais ficam muito bem escondidos em algum armário e não têm qualquer peso em suas vidas diárias. Sectários, por outro lado, sofrem daquilo que os católicos chamam de erro da "escrupulosidade", e sempre perigam virar eremitas e/ou verdadeiros mártires, de tanto se isolarem do mundo real. Para evitar ambas essas armadilhas, precisamos de alguns critérios para nos guiar.

A moralidade como religião

Para alguns "libertários", esse problema é de simples resolução: ao invés de tentar evitar essas armadilhas, o certo é fazer de tudo para abraçá-las. Para eles, a atitude certa é descartar todos os princípios morais — o que significa jogar fora a paixão e o comprometimento na defesa da liberdade, e ainda por cima não ter qualquer hostilidade para com os traidores da causa. Para isso, dizem eles, devemos ser cientistas ponderados e desapegados, que defendem a liberdade através de critérios utilitaristas e não-passionais. Assim, não iríamos nos preocupar com traições ou com quaisquer outras ações — não importa o quão odiosas elas sejam — que alguns libertários possam realizar. Portanto, tragam o supervisor do campo de concentração, e conversemos docemente com ele sobre os benefícios pragmáticos do sistema de preços livres e da divisão do trabalho!

Alguns "libertários" utilizam o velho truque de dizer que seguir rígidos princípios morais é coisa típica de "religiosos", classificando dessa forma qualquer hostilidade a ações imorais com o temível rótulo de "religião". Em primeiro lugar, o fato de pessoas religiosas serem hostis a traidores e apóstatas não faz com que as idéias delas sejam incorretas. Você não precisa ser religioso para detestar a imoralidade ou a hipocrisia, ou ficar furioso e indignado com traições de amigos ou namorados.

Por exemplo, não há nada de errado com o fato de um libertário morar em um apartamento que tenha o preço do aluguel controlado pelo governo — e que, portanto, pague um aluguel abaixo do valor de mercado. Esse libertário não é responsável pela lei de controle de aluguéis; ele simplesmente tem de viver dentro da matriz dessas leis. Portanto, não há nada de errado com um libertário morando em tal apartamento, assim como não há nada de errado nele andar em ruas estatais, utilizar aeroportos estatais, comer pão feito com trigo que tenha o preço controlado, etc. Nada disso é culpa dele. Seria, portanto, insensato e martírico que renunciássemos a tais apartamentos quando disponíveis, que parássemos de comer qualquer alimento cultivado sob regulamentação governamental, que recusássemos a usar os Correios, etc. Nossa responsabilidade é agitar e trabalhar para alterar essa situação estatista; isso é tudo o que podemos racionalmente fazer. Eu moro em um apartamento cujo aluguel é controlado pelo governo, mas eu também já escrevi e debati por vários anos contrariamente ao sistema de controle de aluguéis, e insisti em sua revogação. Isso não é hipocrisia nem traição, mas simplesmente racionalidade e bom senso.

Algo completamente distinto — um erro moral que vai muito além de simplesmente viver em apartamentos de aluguel controlado — seria, por exemplo, utilizar o estado para fazer com que o seu aluguel fosse ainda mais baixo. Há um mundo de diferença entre essas duas ações. Uma coisa é viver sua vida dentro da matriz criada pelo estado, ao mesmo tempo em que você tenta trabalhar contra o sistema; outra coisa é ativamente utilizar o estado para se beneficiar a si próprio e, simultaneamente, sacanear seus concidadãos — o que significa simplesmente praticar e incentivar a agressão e o roubo.

Trabalhando para o governo

O critério de distinção utilizado acima foi fácil. Mas existem outras situações muito mais difíceis. Por exemplo, trabalhar como um empregado do governo. É verdade que, tudo o mais constante, é bem melhor — tanto do ponto de vista libertário quanto do pragmático — trabalhar para um empregador privado do que para o governo. Mas suponhamos que o governo tenha monopolizado, ou praticamente monopolizado, a sua profissão, de forma que não haja outra alternativa que não a de trabalhar para o governo.

Peguemos, por exemplo, a União Soviética, onde o governo de fato nacionalizou todas as ocupações e onde não havia praticamente nenhum empregador privado. Deveríamos condenar todos os russos como "criminosos" pelo fato de serem empregados do governo? Será que a única atitude moral de cada russo seria o suicídio? É claro que não. Isso seria algo totalmente néscio. Certamente não existem sistemas morais que requeiram que as pessoas sejam mártires.

Mas vários outros países em que a economia apenas nominalmente pode ser considerada de mercado, conquanto ainda não tenham ido tão longe quanto a URSS, apresentam várias ocupações praticamente monopolizadas pelo estado. É impossível em vários deles (inclusive Brasil), por exemplo, exercer a medicina sem se tornar parte de uma profissão vastamente regulamentada e cartelizada (ver mais aqui). Se a sua vocação for a de professor universitário, é quase impossível achar uma universidade que não seja gerida — quando não legalmente, economicamente — pelo governo (no Brasil, por exemplo, mesmo os currículos das universidades particulares seguem critérios do MEC; tem também o ProUni, que exemplifica ainda mais diretamente a ingerência do governo sobre as faculdades privadas). Se o critério para a definição de quão estatal é uma universidade for o fato de mais de 50% de sua renda advir do governo, então praticamente não há universidades — somente algumas pequenas faculdades — que podem ser consideradas "particulares". Durante os tumultos ocorridos no final da década de 1960, estudantes da Universidade Columbia, em Nova York, descobriram que bem mais de 50% da renda daquela suposta universidade "particular" vinha do governo. Em tal situação, seria tolice e sectarismo puro condenar os professores pelo fato de estarem trabalhando em uma universidade do governo.

Portanto, não há nada de errado em se aceitar essa matriz na nossa rotina. O que é errado é trabalhar para agravá-la, trabalhar para aumentá-la. Dou um exemplo da minha própria carreira: por muitos anos lecionei em uma universidade "particular" (não obstante não me surpreenderia se descobrisse que mais da metade de sua renda provinha do governo). Durante muito tempo essa universidade vinha cambaleando no limiar da falência, até que então ela tentou corrigir essa situação "estatizando-se" através de uma fusão com a State University of New York, que naquela época fartava-se em dinheiro. Em um dado momento parecia que a fusão iria acontecer, e por isso havia muita pressão para que cada membro do corpo docente fosse à capital do estado, Albany, fazer lobby para essa fusão com o sistema estadual. Isso eu me recusei a fazer, pois sempre acreditei ser imoral fazer agitos para aumentar a matriz do estatismo ao meu redor.

Mas será que isso significa que, desde que não façam lobby para mais estatismo, todos os libertários podem alegremente trabalhar para o governo, abandonando assim a própria consciência? Certamente que não. E nesse ponto é vital distinguir entre dois tipos de atividades estatais: (a) aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado; e (b) aquelas atividades que são imorais e criminosas per se, e que seriam ilícitas em uma sociedade libertária. Essa última não pode ser realizada por libertários em hipótese alguma. Assim, um libertário não pode ser: diretor ou guarda de campo de concentração, funcionário da Receita Federal, funcionário do exército encarregado de efetuar o alistamento militar obrigatório, ou um controlador/regulador da sociedade ou da economia, em qualquer instância.

Tomemos um caso concreto e vejamos como nosso critério funciona. Um velho amigo meu, economista austríaco e anarco-libertário, aceitou um importante cargo de economista no Banco Central. Lícito ou ilícito? Moral ou imoral? Bem, quais são as funções do Banco Central? Ele tem o monopólio da falsificação do dinheiro[*]; ele é o criador do dinheiro do estado; ele carteliza, privilegia e salva os bancos que praticam reservas fracionárias (ver mais aqui e aqui); ele regula — ou tenta regular — o dinheiro e o crédito, o nível de preços e, conseqüentemente, toda a economia em si. Ele deveria ser abolido não simplesmente por ser governamental, mas também porque suas funções são imorais per se. Não foi surpresa alguma, é claro, que este colega não tenha visto esse problema moral da mesma maneira.

Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é: (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade; (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se.

______________________________

[*]Para os austríacos, a idéia de haver um banco central imprimindo dinheiro do nada — sem qualquer lastro e com a conseqüente desvalorização da moeda — é o equivalente exato ao trabalho que faz um falsificador. [N. do T.]

0 votos

SOBRE O AUTOR

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.



"No Brasil não é apenas isso, é incentivo aos sub-empregos, exploração da mão de obra se um funcionário produtivo não aceitar tal salário, os patrões os trocaram por um que produza menos e então aceite aquele valor."

Se um funcionário produtivo não aceitar tal salário, então quem perde é o patrão, que ficou sem este funcionário produtivo.

Num país como o Brasil, cuja produtividade de um brasileiro equivale a um quarto da produtividade de um americano, um empregador que abrir mão de um funcionário produtivo por um improdutivo estará sendo inacreditavelmente burro.

É realmente necessário ser um completo ignorante em economia para falar algo assim.

Agora, o que você realmente está querendo dizer, mas não está com coragem de vocalizar abertamente, é que funcionários ruins, encostados e preguiçosos -- mas que ganham bem por causa de alguma imposição sindical -- serão prontamente trocados por funcionários realmente bons, produtivos e trabalhadores.

Aí, sim. É exatamente por isso que a terceirização apavora sindicatos e barnabés. Gente que sempre ganhou bem e que nunca trabalhou direito agora terá de se aprumar. Caso contrário, vai perder o emprego para outro com mais gana.

"É difícil discutir terceirização com impostos trabalhistas, e consumo em níveis tão altos."

Consumo em níveis tão altos?! Essa é nova. De onde você está teclando?

"É claro que é uma vitória liberal, e dos empreendedores, mas num país como é o Br n parece algo tão benéfico, Bom se tivéssemos o mesmo poder de compra de Canadá, Austrália, ai poderíamos comemorar bem mais. Mas como não somos, quem mais sai ganhando com isso são os empreendedores."

Em primeiro lugar, sugiro você a se educar minimamente. Se você não consegue nem se expressar direito -- sua escrita e sua capacidade de comunicação são precárias e toscas --, dificilmente conseguirá algum emprego que pague bem. No máximo, você pode aspirar a fazer recauchutagem de pneus ou coisas do tipo.

Outra coisa: como exatamente seria uma "vitória dos empreendedores" ter empregados ruins (como você próprio disse) e população sem poder de compra (por causa dos altos impostos e dos altos preços)?

Quanto mais a pessoa é incapaz de ligar causa e consequência, mais ela comenta em público.
Copio o que escrevi ainda ontem: se há custos trabalhistas artificialmente altos e estes puderem ser reduzidos, então eles serão reduzidos.

Se uma empresa opera com custos trabalhistas artificialmente altos -- por imposição do governo -- e estes custos podem ser reduzidos -- porque há outros trabalhadores dispostos a fazer mais por menos --, então eles serão reduzidos.

Se a empresa não fizer isso, então ela estará -- por definição -- operando de forma ineficiente. Ele não durará muito. Com efeito, essa empresa só irá durar se operar com uma reserva de mercado garantida pelo governo. Aí sim. Excetuando-se isso, ela estará queimando capital e comprometendo sua capacidade de investimento e expansão no futuro. Será rapidamente abarcada pela concorrência.

No mais, é interessante notar que as pessoas querem livre concorrência para tudo e todos, menos para elas próprias. Todos nós queremos competição entre empresas para que haja produtos melhores e preços menores, mas não queremos competição para o nosso emprego. Quando a concorrência chega até nós, queremos que políticos criem leis que garantam nossa estabilidade. Agora, querem até proibir empresas de contratar outras pessoas que não nós mesmos. Há totalitarismo maior do que esse?

Vale ressaltar o óbvio: essa lei da terceirização nada mais é do que uma permissão para que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?
Ué, mas acabou de ser demonstrado que, para trabalhadores pouco qualificados (que hoje têm o salário zero do desemprego) haverá mais oportunidades de emprego.

Segundo um estudo da FGV sobre o custo do trabalho no Brasil, "o custo do trabalhador, em média, pode chegar a 2,83 vezes — ou 183% — o salário que ele recebe da empresa, no caso de vínculo de 12 meses de duração de um contrato CLT".

Isso quer dizer que, em vínculos empregatícios de 12 meses, se o trabalhador recebe o salário mínimo -- que é de R$ 937 --, seu empregador está desembolsando, na verdade, R$ 2.651 apenas para poder manter esse funcionário.

E isso significa, por definição, que, para compensar sua contratação, o trabalhador precisa de uma produtividade de, no mínimo, R$ 2.651 para poder trabalhar legalmente.

No Brasil, portanto, o valor mínimo que você tem de produzir para valer a pena ser contratado é R$ 2.651 por mês. Este é o valor do salário mínimo mais todos os encargos sociais e trabalhistas.

Quem produz menos que isso não será contratado. Graças à CLT.

Com tantos custos gerados pela CLT, com uma economia há três anos em recessão e com 13 milhões de desempregados, haver empregos abundantes e permanentes para todos é impossível. Pior: para quem está atualmente desempregado, uma recolocação no mercado de trabalho pode ser insuportavelmente demorada. E traumatizante.

Consequentemente, a permissão da terceirização de atividades surge como uma possibilidade para as empresas e os negócios que, ainda receosos, têm medo de contratar alguém sob o regime da CLT, mas suspeitam que já poderiam recolocar novos empregados no mercado. Assim, esses agentes podem contratar uma empresa que terceiriza o trabalho e, caso o negócio não esteja progredindo como esperavam, basta romper o contrato.

E o trabalhador, por sua vez, continuará empregado, pois terá vínculo empregatício com a empresa que terceiriza, e pode, por conseguinte, ser prontamente realocado em uma nova empresa contratante.

Qual o argumento contra isso?


Agora, se um sujeito tinha um emprego e foi substituído por outro trabalhador, então a conclusão óbvia é que este outro trabalhador é mais produtivo que o primeiro. Questão simples, básica e puramente econômica.

Qual o argumento contra isso?

Como lidar? Estudando mais, pois tudo o que você falou não só é errado, como a realidade é exatamente oposta.

"ausência de regulação favorece a formação de cartéis"

Errado. Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair entender isso:

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

Por que o livre mercado é o arranjo mais temido pelos grandes empresários

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados

E você ainda acredita que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

"Existem monopólios e oligopólios naturais, que surgem independentemente das barreiras impostas por estados sobre mercados."

Errado de novo. Não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Renê  22/07/2010 16:05
    O trabalho realizado pelo Inmetro, poderia se enquadrar na alternativa (a) "aquelas atividades que seriam perfeitamente legítimas se executadas por empresas privadas no mercado"?\r
  • Fernando Chiocca  22/07/2010 16:16
    Oi Renê

    De maneira alguma.
    O Inmetro seria (b). Ele é um órgão compulsório, não requisitado e criminoso.
    Se ele apenas sugerisse padrões, se enquadraria na (a), mas não é o caso.
  • augusto  20/11/2010 18:21
    Sao coisas diferentes. O Rene perguntou sobre "o trabalho do Inmetro" e o Fernando respondeu sobre o Inmetro.\r
    \r
    Os trabalhos do Inmetro sao dois:\r
    \r
    1) criar padroes;\r
    2) aferir/certificar produtos;\r
    \r
    O Inmetro nao obriga ninguem a seguir seus padroes, em outras palavras, o Inmetro nao tem uma divisao policial. Quem obriga eh a legislacao brasileira, atraves da policia, do procon, etc.\r
    \r
    Tentando responder a pergunta do Rene: nos EUA, existe uma empresa privada que faz exatamente a mesma coisa que o Inmetro, chama-se Underwriters Labs. As empresas sao livres para comprar os padroes estabelecidos pela UL e seguirem as normas. E a UL certifica - mediante uma taxa - as empresas que seguem as normas.\r
    \r
    E o governo dos EUA, nao raro, usa os padroes da UL como padroes nacionais. Por exemplo, em questoes de material de construcao.
  • anônimo  18/10/2011 16:48
    Concordo com o Augusto. Além disso, acredito que padrões métricos são uma necessidade, inclusive para facilitar o comércio internacional. Voltaríamos a usar as medidas de tamanho das partes do corpo dos reis (ou dos presidentes)? \r
    Quando se compra um produto que pode ser contado por unidade (ex: 1 abacaxi) não teríamos grandes problemas, mas e na hora de comprar, por exemplo, "1 leite", quanto isso significa? Nesse caso, acredito ser muito mais fácil comprar 1 litro de leite e esse litro ser a mesma quantidade tanto aqui quanto na China...\r
    O que acham?
  • anônimo  20/11/2010 16:56
    Passei no concurso do Itamaraty e vou me mudar para Brasília semana que vem.

    O que acham de um diplomata ancap? Muita traição e imoralidade?
  • Alexandre M. R. Filho  18/10/2011 18:20
    Não. O governo precisa de libertários, ancaps, austríacos, minarquistas, liberais, enfim.\r
    \r
    Antes vc lá do que um Amorim da vida. Como a vaga vai existr mesmo que vc não tome posse, que seja vc a ocupá-la.\r
    \r
    Bom trabalho!\r
    \r
  • Fernando Chiocca  18/10/2011 18:35
    Alexandre, que "a vaga vai existr mesmo que vc não tome posse" não é argumento.

    A vaga de guarda de campo de concentração também vai ser ocupada se você não tomar posse.. mas isso não quer dizer que um libertário deva tomar pose. Uma pessoa pode contratar um assassino de aluguel para matar um inocente de qualquer jeito, mas isso não é justificativa para você aceitar este tipo de trabalho...

    Não sei se a comparação se encaixa com um trabalho no Itamaraty, nem sei o que esses parasitas fazem por lá, mas se for um trabalho que não implique em agressão direta contra as pessoas, a comparação não se enquadra. Mas foi só pra mostrar que o argumento não é válido.
  • anônimo  18/10/2011 19:01
    Trabalhe duro pra extinguir o exército (isso é possível?).
  • Rene  18/07/2012 10:48
    Vai fundo, assume a vaga e faz um bom trabalho, claro que é melhor alguém com conhecimento do libertarianismo lá.
  • André  16/07/2012 16:49
    Discordo desse artigo.
    Existe uma diferença gritante entre um libertário como guarda num campo de concentração e um nazi-psicopata na mesma função.
    Um nazi-psicopata não se importaria em momento algum de tentar trapacear no seu emprego: ele o faria com total precisão e qualidade. Agora, um libertário poderia muito bem afrouxar o tratamento dado aos prisioneiros, desviar comida e água e quiçá salvar alguém. Aliás, tenho um leve pressentimento que com certeza houveram guardas assim.
    Claro que, nesse caso, ele provavelmente foi obrigado a exercer essa função, mas acho que meu ponto é válido.
    Da mesma forma, um economista no Banco Central poderia pesar nas suas decisões/opiniões a favor de menos impressão de dinheiro, menor controle de preços, etc. Mesmo que de fato isso não ocorresse. Uma voz é melhor do que o silêncio da sanção moral.
    Assim como um diplomata poderia evitar todo tipo de conflito e incentivar o livre comércio, um policial militar poderia fazer corpo mole com comércio de drogas, etc.
  • Fernando Chiocca  18/07/2012 09:53
    Discorda do que André? Que um guarda de campo de concentração que desviar comida e água e quiçá salvar alguém, não é responsável pela morte dos que ele não salvou, ou, quiçá até fuzilou? Que esses atos são totalmente contrários a ética libertária e jamais podem ser desempenhados por alguém que se diga libertário? É sério mesmo que você acha que um homem pode ajudar a colocar judeus num forno, mas se ele der um chocolate pra criança antes, tudo bem?

    Sobre um policial que fechar os olhos para crimes sem vítimas, veja este artigo e também o capítulo do livro do Block linkado nele.
  • Julliano  16/07/2012 17:10
    O "libertário" que não seguir o manual do que pode ou não é declarado apóstata e excomungado?
  • Roberto Chiocca  18/07/2012 09:04
    Não Juliano, o "libertário" que agir assim estará agindo de maneira incompativel com as ideias que diz defender, estará sendo contraproducente para atingir os objetivos que supostamente almeja. Ele pode até se considerar um libertário, e até mesmo ser em alguns aspectos (Thomas Jefferson tinha escravos, mas isso não desqualifica suas ideias), mas enquanto estiver iniciando agressão contra inidviduos pacificos ele estará sendo antilibertário. Eu acredito que exista até um nome cientifico para este desvio.
  • Tássia  22/09/2012 12:35
    Olá, e um libertário que trabalha no Tribunal de Justiça? é hipócrita?
  • Neto  22/09/2012 17:28
    É um vegetariano que come carne
  • Emerson Luis, um Psicologo  12/12/2013 09:58

    Muito bom o equilíbrio e bom senso demonstrado neste artigo!

    "Parece-me, portanto, que os critérios, os fundamentos que devemos observar para sermos morais e racionais em um mundo gerido pelo estado é:

    (1) trabalhar e agitar o melhor que pudermos pela causa da liberdade;

    (2) se estivermos trabalhando na matriz, devemos recusar qualquer tentativa de acréscimo ao estatismo vigente; e

    (3) recusarmo-nos terminantemente a participar em atividades estatais que sejam imorais e criminosas per se."

    * * *
  • Pobre Paulista  04/05/2014 22:59
    Rothbard erro feio e se traiu nos seus próprios argumentos. Qualquer um que trabalhe para o estado está tornando-o maior, portanto toda argumentação dele cai por terra de acordo com seus próprios parâmetros. Acho que ele tentou fazer uma mea-culpa por já ter tido um vínculo, ainda que fraco, com o governo.
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  14/03/2015 15:18
    Rothbard quis dizer que os libertários devem VIVER para lutar e vencer contra a máquina estatal. Mesmo que, provisoriamente, seja necessária viver sob o jugo de leis estatais malditas e imbecis. Um dia, os governos mundiais cairão e a Liberdade Verdadeira triunfará. A Humanidade estará finalmente pronta para usar todo o seu potencial criativo, sem o peso enorme que carrega com os governos.
  • Bruno  17/04/2015 02:06
    E é moral que um libertário seja um diplomata?
  • Joao Bernal  22/04/2015 16:34
    Aí é que está o problema. Concordo parcialmente com o texto.

    Veja: dado que a Receita Federal junto com a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam órgãos de grande repercussão e de grande respeito no cenário público brasileiro, o autor exclui, pelo instituto da moral, uma grande oportunidade de termos liberais em órgãos como tais.

    O que quero dizer é: ao afastar essa possibilidade, perdemos a oportunidade de diminuirmos a máquina estatal de dentro da própria máquina estatal. Se levarmos em consideração que a maioria de quem se encontra nas entidades estatais prega o estatismo, perdemos essa chance, afinal quem iria limitar seu próprio poder quando concorda com ele?

    A promoção do interesse liberal nesses órgãos é de extrema importância, tanto é que conheço um professor (super defensor dos ideais pregados aqui) que exerce sua pressão política e moral como servidor público (da Receita Federal) para desburocratizar o sistema tributário e aliviar a carga em cima dos empresários. E ele já conseguiu vários feitos neste sentido.

    Minha conclusão: quanto mais liberais em órgãos públicos, melhor é, afinal partiremos de dentro para fora no problema.


    Por favor, deem o feedback!
  • Nuno  28/11/2015 21:17
    Resumo da história: Rothbard, Hoppe e cia. se acham no direito de passar a vida inteira na folha de pagamento do Estado, desfrutando dos benefícios do assistencialismo, sem produzir um cadarço de sapato para o mercado; mas, nas horas vagas, escrevem livros maravilhosos condenando o parasitismo, exaltando a produtividade do mercado e imaginando um mundo abstrato onde "as coisas seriam diferentes" e o mercado daria o devido valor aos intelectuais anarquistas e eles não precisariam mais do welfare state para sobreviver; e chamam isso de vocação e bom senso.

    Depois são os esquerdistas que têm o ego grande.

    Paralaxe cognitiva pura.
  • Leal Maia  29/11/2015 02:00
    Do que você está falando, Nuno? Rothbard e Hoppe deram aulas na Universidade de Nevada em Las Vegas por um curto espaço de tempo.

    A maior parte de sua vida Rothbard se sustentou com seus livros, com os estipêndios privados do Volker Fund e com suas aulas na Brooklyn Polytechnic Institute (durante 20 anos).

    Isso é "passar a vida inteira na folha de pagamento do Estado"? Vá caluniar em outro lugar.
    "imaginando um mundo abstrato onde "as coisas seriam diferentes" e o mercado daria o devido valor aos intelectuais anarquistas".

    Quanta merda! Ambos são críticos ferrenhos dos intelectuais.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1149
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1646
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1692
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=402

    Vá fazer algo de útil no seu sábado em vez de ficar desocupadamente inventando mentiras e calúnias.
  • Nuno  29/11/2015 13:19
    Prezado conhecedor do meu sábado,

    Hoppe passou a carreira inteira trabalhando em universidades públicas: https://en.wikipedia.org/wiki/Hans-Hermann_Hoppe#Life_and_work

    Rothbard, no próprio texto, também admite, com todas as letras, que não ficaria surpreso (nem indignado) em saber que a universidade privada onde ele trabalhava recebia do Estado "mais da metade de sua renda"; e que, por esse critério, praticamente não haveria universidades privadas nos EUA, já que, como o próprio Rothbard diz, todas as grandes universidades dependem de subsídios do Estado.

    O Roderick Long também é outro que adora falar em jusnaturalismo, e dá aulas em universidade pública.

    Qual o problema em admitir que anarquistas também gostam de uma teta?

    Marx vivia às custas das empresas de Engels e falava mal do capitalismo; e todos na direita o condenam por isso, sem pudor algum. Por que a crítica só vale para um lado? Os amigos podem tudo e os inimigos não podem nada?

    Acho que seria bastante positivo para a qualidade desses debates que alguém começasse a fazer uma lista -- naquele estilo "Esquerda Caviar", do Constantino -- de todos os anarcocapitalistas que são subsidiados pelo Estado para falar mal dele.
  • Gustavo Pires  24/10/2016 22:59
    Trabalhar como diplomata do governo, que ganha um alto salário e benefícios, é imoral para um libertário?

  • Andre  25/10/2016 00:57
    Qualquer tipo de funcionalismo é participar da pilhagem estatal.

    Mas é complicado explicar isso no atual ambiente de total degradação do poder de compra e do mercado de trabalho, onde os jovens se dividem em desempregados e mal remunerados, a tentação do funcionalismo é óbvia. Tudo somado à aversão ao empreendedorismo incutido durante a graduação.
  • Lucas  25/10/2016 10:07
    Brother, acredito piamente que não. Deixe-me dar meu exemplo. Sou jovem, de 20 anos de idade, e estudante universitário. Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo!
    O fato brother é que o jogo já começou, se você não for um diplomata, outra pessoa vai ser, e nada vai mudar.
    Se formos pensar assim nem deveríamos usar as estradas do governo, as UF's, as UPA's. Apenas ache melhor um liberal na máquina estatal do que um estatal na maquina estatal.

    Espero ter ajudado, abraço!

    P.S. Dinheiro é bom, e essa profissão paga bem demais, corra atrás :D
  • Magno 2.1  25/10/2016 12:29
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "

    É, estamos verdadeiramente perdidos. O sujeito diz achar que "imposto é roubo" e quer ser Auditor da Receita.

    E ainda compara isso com o exemplo de andar nas estradas...

    A mentalidade estatal apodreceu tudo.
  • Breaking Bad  25/10/2016 14:42
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "
    Seguindo essa lógica de "Fernandinho Beira-Mar":
    - Estou me preparando para abrir uma "boca-de-fumo", e acredito que vender drogas é crime.
  • Andre  25/10/2016 14:00
    Lucas, se você estuda mesmo para concurso sabe que independente de ser liberal, estatista, conservador ou marxista, a descrição e objetivo do "trabalho" do "servidor" é bem clara, todo desvio punido e todo prejuízo reparado, qualquer fechada de olhos que você dê para o bem da liberdade de mercado poderá ser enquadrado como prevarização, e será puro darwinismo, você vai arriscar perder seu cargo bem remunerado?

    Se você compartilhar aqui que é universitário, não aprende nada de útil, que é um covarde para sequer vender perfumes, que morre de vergonha de ter um emprego pesado porém digno e que quer ser funça parasita dos pobrespara ganhar lá uns R$4mil porque se conformou com sua medíocre existência, é mais digno, porque falar que vai melhorar o sistema de dentro é piada, é semelhante a participar o ISIS para evangelizá-lo de dentro.
  • Capital Imoral  25/10/2016 15:01
    "Estou me preparando para der um Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e acredito sem errar que imposto é roubo! "

    Contemplem aí liberais, a contradição de seus semelhantes em regurgitar liberdades econômicas e querer viver sobre os braços do generoso pai estado.
  • Rafael  25/10/2016 15:19
    Se quer ajudar minimamente a liberdade, seja BEM ineficiente como auditor.

    Agora, já que vai tentar ser auditor, pense em doar parte do seu dinheiro para causas libertárias e espalhar o ideal libertário, pelo menos seria um efeito mitigante.
  • Breaking Bad  25/10/2016 15:31
    Agora, falando sério mesmo, se vc vai estudar para a RF, eu, particularmente, prefiro vc com ideias libertárias lá a um esquerdopata estatizante. Não vou entrar no mérito dos dramas de consciência e de escolhas, até porque as chances de se ter um emprego privado decente no bananistão ou conseguir empreender do nada, são bem remotas. Há hierarquias morais, vc não está se alistando para carrasco de campo de concentração e, certamente, cada pessoa que cair na "malha fina" e vier sa ser atendida por vc, terá toda a assistência para se safar. De modo semelhante, vc estando na alfândega de um aeroporto, vai fazer o máximo possível para não parar quem quer que seja. Ainda que eu não optasse por fazer parte da estrutura estatal, prefiro ter "cavalos de tróia" liberais/libertários dentro dela. Já os mais puristas, podem continuar com o trabalho de conscientização e informação de pessoas (ao gosto ortodoxo da ação libertária). A Bíblia cita que o maior exemplo de fé presenciado por Jesus... foi de um centurião romano!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.