Cinquenta tons de governo

Recentemente, durante uma viagem de avião, notei que pelo menos um terço dos passageiros estava lendo um determinado best seller.  Isso me fez pensar.

Toda organização politicamente ativa e poderosa o suficiente para fazer lobby quer algo do governo, e o governo, sempre que possível, se mostrará extremamente satisfeito em aquiescer às demandas.  Durante períodos eleitorais, tal relação se torna ainda mais explícita.  Tudo não passa de uma troca de favores: votos em troca de poder e privilégios.

Uma outra maneira da colocar tudo isso: o governo aloca privilégios na forma de regulamentações específicas, de espoliação de uns em troca de favorecimentos para outros, de proteção aos favoritos e de punições aos não condescendentes.  Todos os grupos de interesse e todos os partidos políticos têm ideias sobre como seu poder sobre nós pode e deve ser usado.

Para os que não são privilegiados e poderosos o bastante para entrar neste arranjo, como você e eu, será que realmente faz alguma diferença quem irá receber os espólios?  Se você será tributado para o governo construir ciclovias ou para dar aumentos salariais ao funcionalismo, o resultado final é o mesmo: você está sendo proibido de utilizar uma parte da sua renda apenas para que políticos e burocratas possam satisfazer seus desejos.  Se as regulamentações dizem que você não pode trabalhar em troca de um valor salarial que esteja abaixo de um valor estipulado arbitrariamente por políticos ou se elas proíbem você de comprar determinados produtos, o efeito final é o mesmo: sua liberdade de fazer contratos voluntários está sendo solapada.

O problema real é que todos se limitam a discutir interminavelmente apenas sobre como o governo pode e deve ser usado.  Ninguém concebe tirar o governo de cena.  O governo deve proibir gays de se unirem civilmente ou deve proibir empresas privadas de discriminar pessoas que optam pela união homossexual?  Ou o estado proíbe alguma coisa ou impõe outra.  Estes são os dois extremos de sua amplitude de atuação.  De um jeito ou de outro, o estado está sendo utilizado para dizer às pessoas o que elas podem e o que elas não podem fazer.  Neste sentido, esquerda e direita têm muito mais em comum do que aceitam admitir: ambas partem do princípio — para elas axiomático — de que o estado pode gerenciar a ordem social melhor do que a liberdade.  Ambas têm planos sobre como o estado pode bem gerir as pessoas.

O governo deve restringir a circulação de automóveis ou deve estimular suas aquisições?  Os bancos devem ser protegidos e estimulados a se fundirem ou devem ser estritamente regulados de modo a não poderem realizar outras atividades senão as bancárias?  As grandes empresas devem ser subsidiadas e protegidas das importações ou devem ser tributadas ao máximo?  Gordura saturada deve ser de consumo obrigatório como parte de uma nova dieta nacional ou deve ser proibida como sendo um risco à saúde?  A gasolina deve ser subsidiada ou ainda mais tributada?  Remédios devem ter seu acesso dificultado ou subsidiado?

Estes são os grandes debates da nossa era.  Mas é óbvio que eles não representam debates.  Fundamentalmente, são meras empulhações com o objetivo único de sacramentar o poder decisório do estado.  Qualquer que seja a escolha dentre as opções acima, o real vencedor sempre será o governo, seus agentes, seus porta-vozes e seus poderes.  Acima de tudo, será a consagração da nossa aceitação do estado controlando nossas vidas, nossas decisões e nossa cultura.  Ou o estado me proíbe ou ele me obriga.  Estas são as únicas opções ofertadas.  E, incrivelmente, tal totalitarismo segue inquestionável pelo rebanho.

A carga tributária deve ser de 40% do PIB ou 37,2%?  Deve incidir majoritariamente sobre a renda ou sobre o consumo?  Qualquer que seja a escolha, a liberdade é a perdedora, e os direitos de propriedade se tornam cada vez menos garantidos.

Religiosos devem poder controlar o que vemos na televisão, o que lemos e o que fumamos, ou os ateus devem poder impor leis que impeçam as pessoas religiosas de se expressarem livremente?  Qualquer que seja a escolha, está-se concedendo ao governo mais controle sobre a sociedade.

Essa é a grande tragédia de se viver sob o leviatã.  O ser humano sempre terá ideias distintas e conflitantes sobre como as questões devem ser conduzidas.  Isso é inevitável.  O problema ocorre quando se delega o monopólio da tomada suprema de decisões para uma entidade amorfa e acima da lei.  Quem deve ser premiado?  Quem deve ser punido?  Quem deve receber privilégios?  Quem deve pagar a conta?  No final, tudo se torna uma guerra entre grupos de interesse, cada um se esforçando ao máximo para ter influência sobre o estado e, com isso, viver à custa de todo o resto da sociedade.

E o que realmente é essa coisa a que chamamos de estado?  O que é o governo?  Trata-se de uma gangue envolta por toda uma estrutura institucional que cria regras arbitrárias, fiscaliza seu cumprimento e impõe punições aos dissidentes.  Ao mesmo tempo, o estado e seus agentes vivem em uma dimensão paralela, completamente alheios e imunes às leis que eles próprios impõem ao resto da população.  Nós não podemos roubar, mas o governo pode.  Nós não podemos matar, mas o governo pode.  Nós não podemos falsificar dinheiro, mas o governo pode.  Nós não podemos sequestrar nem praticar fraude, mas o governo pode.  Esta coisa chamada governo possui, obviamente, um forte interesse em manter seu poder, seu prestígio e seu financiamento.  Que seus agentes queiram manter seus privilégios, embora moralmente condenável, é algo um tanto compreensível.  O que realmente não dá para entender é que pessoas que estão fora do esquema continuem defendendo a existência dele.

A natureza do estado é a mesma, independentemente de qual seja a estrutura do governo.  Oligarquia, monarquia absolutista, monarquia constitucional, república presidencialista, república parlamentarista, democracia — todos têm uma característica em comum: eles criam uma casta privilegiada de cidadãos que vivem à custa de todo o resto do populacho.

Em uma democracia, o arranjo é ainda mais descarado.  O governo consegue recrutar toda a população para defender a sua causa.  O governo magicamente consegue fazer com que as pessoas se limitem a discutir apenas como o governo deve ser utilizado para se alcançar determinados objetivos econômicos e sociais.  Que o governo sequer deve ser utilizado para tais fins é algo que não passa pela cabeça das pessoas.  Enquanto esta alienação persistir, o governo continuará sendo o vencedor, para o regozijo dos grupos de interesse.  Em uma democracia, a função de lobistas e de grupos de interesse é justamente a de recompensar a classe política por seus esforços, transferindo nosso poder e dinheiro para ela.  Exatamente qual é a desculpa utilizada — e ela muda de acordo com o momento; algumas vezes sutilmente, outras, dramaticamente — é algo que não interessa ao governo.

O governo é um camaleão, perfeitamente jubiloso em vestir qualquer manto cultural ou ideológico que o permita se camuflar e se imiscuir com quaisquer que sejam as demandas sociais e culturais da época.  Em uma democracia litigiosa — como todas são —, existem cinquenta tons de governo, cada tom apropriado para uma determinada época e lugar, cada tom adaptado aos propósitos do momento, todos com o interesse único de firmar seu controle sobre todos.

É disso que se trata todo o "espectro político".  O governo nos domina e nós nos submetemos.  Ele nos coloca em servidão e nós obedecemos à sua disciplina.  Tem de haver uma boa desculpa para tudo isso, caso contrário jamais nos submeteríamos a tamanha humilhação voluntária.  Temos de acreditar que o governo, de alguma maneira, em algum nível, está fazendo algo que nos agrade.  Talvez, como dizem, o governo seja nós mesmos...

As pessoas gostam de dizer que, na Idade Média, na "era da fé", diferenças religiosas levavam a guerras.  No entanto, alguns historiadores que se puseram a analisar aquele período mais detalhadamente observaram algo diferente: governos que querem fazer guerras adoram utilizar a religião como desculpa.

E o mesmo raciocínio se aplica à atualidade.  Na atual "era da ciência", somos submetidos a um planejamento científico social no qual especialistas, com as mãos firme nas alavancas de controle, dizem às pessoas como irão utilizá-las.  Se a desculpa apresentada será religiosa ou científica, ambientalista ou pragmática, nacionalista ou globalista, realmente não interessa para o resto de nós.  Os direitos e as liberdades daqueles que terão de pagar a conta estarão para sempre sacrificados em prol da agenda política de terceiros.

Portanto, na próxima eleição, quando você estiver indo como um cordeirinho para as urnas, pense nos nomes dos candidatos e no que estas pessoas prometeram fazer por você e para você caso você sancione o direito delas de mandar em você.  Afinal, sempre que votamos, nos dizem que nós fizemos nossa escolha voluntariamente e agora temos de viver com ela.

Mas é claro que, neste arranjo, não há escolha nenhuma.  Um dia talvez percebamos de que não há nenhum sentido em nos submetermos a esta servidão consentida.  Ainda haverá um dia em que revogaremos nossa dependência e rejeitaremos toda esta relação escravo-senhor, a qual é a base de sustentação de todo o sistema.  Cinquenta Tons de Governo tem sido um best seller há centenas de anos.  Já é hora de os governados escreverem um livro totalmente novo.


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"Não podemos ignorar o fato de que muitos governos protegem e subsidiam o produto nacional para torná-lo artificialmente competitivo."

Correto. "Artificialmente competitivo". Isso significa que algo só consegue ter um mínimo de competência caso chupe dinheiro de impostos de toda a população, a qual não ganha nada com isso, mas é obrigada a encher os bolsos de empresários mercantilistas, incompetentes e avessos à concorrência.

"Vejam o caso da Bombardier no Canada, que disputa mercado com a Embraer, que fez queixas formais à OMC."

E, ainda assim, a Embraer tem mais aviões que a Bombardier no mercado americano.

"A China subsidiou setores que ganharam mercado através da derrocada em outros países."

Quais mercados que foram dominados pelos chineses e que fizeram muita falta para outros países? Colocando de outra forma: esses mercados que os chineses dominaram por acaso são mercados tecnológicos, complexos e que geram riqueza e prosperidade, ou são mercado primitivos, tecnologicamente defasados e que não exigem nenhuma grande especialidade?

Até onde sei, chineses produzem pano, sapato e bugigangas de baixíssimo valor agregado. Isso leva alguém à pujança? Um país que deixou de fazer isso por causa dos chineses agora está irremediavelmente condenado ao atraso?

Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

"Basta lembrar o que aconteceu com o setor textil e calçadista no Brasil."

Exatamente o que acabei de dizer acima. Em vez de nos preocuparmos com nanotecnologia, microprocessadores e outras atividades que realmente produzem riqueza, ainda estamos preocupados com pano e sapato, coisas completamente primitivas, que podem perfeitamente ser produzidas nos rincões mais atrasados do mundo.

Estude um pouco sobre divisão global do trabalho.

Comece por aqui:

Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

"Livre mercado é uma utopia irrealizável."

O que é realmente irrealizável é a inteligência econômica do brasileiro médio.
O artigo do André Lara já foi comentado pelo Leandro em duas ocasiões:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578#ac189563

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585#ac189561

Beira o inacreditável como é que um economista tão conceituado falou tamanha bobagem a respeito da política monetária americana. O André Lara simplesmente ignora como realmente se deu a política monetária americana. Foi impressionante.
Economistas do Banco Central do Brasil estão batendo palmas para este artigo publicado no Valor:
www.valor.com.br/cultura/4872458/andre-cochrane-e-teoria-fiscal-dos-precos

Gostaria de uma análise por parte do pessoal do Mises.

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VALOR ECONÔMICO -SP | EU E FIM DE SEMANA

BANCO CENTRAL | ECONOMIA, FINANÇAS E CONTAB.

André, Cochrane e a teoria fiscal dos preços (Artigo)

André Lara Resende publicou no Valor alguns artigos instigantes que estão gerando muita perplexidade e controvérsia. Para o grande público foi surpreendente e perturbador ler que "a hipótese neofisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo (...) tem sólidas credenciais analíticas". Isto até encorajou o colunista Ancelmo Gois a brincar que o Banco Central vai ter que devolver os juros elevados que foram praticados no Brasil por tanto tempo.

Claro que não se trata disso! Apesar de o artigo se apresentar como uma crítica ao "conservadorismo intelectual", sua conclusão final é absolutamente conservadora: o trabalho de controle da inflação depende, em última instância, da confiança na sustentabilidade fiscal de longo prazo; sem isto, a política monetária estará sempre lutando uma batalha perdida.

A crítica de André ao conservadorismo parece resultar mais de um flerte com a doutrina neofisheriana, que se caracteriza por conclusões heterodoxas sobre a relação entre taxa de juros e inflação e por uma controversa teoria fiscal dos preços. Eduardo Loyo lembra que essas ideias têm apenas sobrevivido de forma marginal no corpo da ciência econômica, com seus resultados em total contraversão à opinião da maioria e ao senso comum.

Os neofisherianos dão muita importância à conclusão óbvia de que um regime monetário baseado em uma taxa de juros nominal fixa não produz uma âncora para a inflação. É possível ancorar a inflação quando se mantém o estoque total de moeda fixo, ou evoluindo a uma velocidade constante, como proposto por Milton Friedman. É possível também ancorar a inflação com uma taxa de câmbio fixa, como ocorria tradicionalmente nos regimes de padrão ouro. Não é possível, porém, ancorar a inflação apenas mantendo fixa a taxa nominal de juros.

Para demonstrar isso, considere a velha equação de Fisher, que na realidade é uma identidade que define a taxa real de juros:

Taxa nominal de juros = (taxa real de juros) mais (taxa de inflação)

Sabemos que a inflação aumenta quando a taxa real de juros cai. Imagine então que a taxa nominal de juros é fixa e ocorre um choque exógeno que aumenta a taxa de inflação. Pela identidade de Fisher, isso reduz a taxa real de juros, já que a taxa nominal permanece fixa. Como consequência, a taxa de inflação aumenta ainda mais, o que por sua vez produz uma redução adicional da taxa real de juros, e assim por diante. Ou seja, um regime monetário baseado numa taxa nominal de juros fixa não consegue ancorar a inflação. Qualquer choque exógeno produz uma trajetória explosiva, que tanto pode ser inflacionária como deflacionária.

É claro, porém, que nenhum banco central vai operar com uma taxa nominal de juros fixa, ainda que esta seja sua variável preferencial de controle. No mundo real, a ancoragem monetária é feita através de uma meta de inflação, com a autoridade monetária aumentando a taxa de juros quando a inflação fica acima da meta e reduzindo quando a inflação fica abaixo da meta, até que ocorra a convergência da inflação para a meta. Como consequência a ancora monetária não é uma taxa de juros nominal fixa, mas sim a própria meta de inflação. Nesse regime monetário, a taxa de inflação tende a ser igual à meta de inflação, que é a ancora efetiva. Quando isso ocorrer, a taxa nominal de juros terá seu valor determinado pela identidade de Fisher. Ou seja, no longo prazo a taxa nominal de juros não determina a taxa de inflação; ela é determinada pela meta de inflação!

O longo recente artigo de John Cochrane, citado por André, parece ser uma tentativa de relançar o neofisherianismo em bases técnicas mais respeitáveis. Cochrane sonha em ser uma espécie de Einstein da ciência econômica, afirmando que a experiência recente das economias avançadas com taxas de juros próximas de zero e taxas de inflação persistentemente abaixo das metas constitui-se numa espécie de experimento natural semelhante ao famoso resultado de Michelson-Morley, que foi o ponto de partida para a teoria da relatividade. Acontece que a teoria keynesiana moderna, que é utilizada por todos os bancos centrais, não encontra maior dificuldade para explicar os fatos.

Cochrane utiliza uma versão simplificada da teoria para demonstrar que, quando a taxa de juros de curto prazo é reduzida até zero, só existem duas possibilidades: ou a taxa de inflação volta a subir em direção à meta ou ocorre um processo ilimitado de deflação. Como nada disso teria ocorrido na experiência americana depois que a taxa de juros foi reduzida a praticamente zero ao fim de 2008, a conclusão é de que precisamos uma reformulação fundamental da teoria, e Cochrane sugere a alternativa da teoria fiscal dos preços.

Acontece que os números de inflação para os EUA estão longe de justificar o radicalismo de Cochrane. Em 2016 a taxa de inflação já convergiu, sim, para a meta do Fed de 2% ano. A taxa de núcleo do índice da Personal Consumption Expenditure, o PCE-core que costuma ser priorizado pelo Fed em suas decisões, também está subindo e chegou a 1,7% em 2016, ou seja, bem próximo da meta. Não é correto, portanto, dizer que a política monetária americana com taxa de juros próxima de zero não atingiu seu objetivo de colocar a inflação na meta.

Pode-se argumentar que parece ter demorado muito para conseguir isso? Na realidade não houve tanta demora. Entre 2011 e 2013, a inflação média do IPC americano ficou em 2,1%, com oscilação entre 1,5 e 3%, já perfeitamente compatível com a meta de 2%. No mesmo período, a média para o PCE-core ficou em 1,5%, com oscilação entre 0,9 e 1,7%, um pouco abaixo do IPC, mas nada muito dramático. Deve-se notar que nesses anos havia uma taxa de desemprego na faixa de 7 a 9%, o mercado imobiliário continuava em crise e as famílias provavelmente ainda estavam reduzindo suas despesas pessoais para ajustar seus endividamentos. Logo existiam forças importantes operando no sentido de impedir a elevação da taxa de inflação.

O quadro realmente mudou em 2014 e 2015, quando a inflação caiu abaixo de 1%. Essa desaceleração ocorreu junto a gradual eliminação do relaxamento quantitativo (QE), portanto em princípio com um aperto na política monetária, mas esta não nos parece ser a melhor explicação. O fator determinante foi uma brusca queda nos preços internacionais de commodities, com a cotação do petróleo Brent, por exemplo, caindo cerca de 70% entre meados de 2014 e fim de 2015. Os economistas da tradição de Chicago acreditam tanto em flexibilidade de preços que costumam não levar em consideração choques exógenos desse tipo. Se olharmos, porém, para as variações fortemente negativas do IPC Energia em 2014 e 2015 (menos 10,6% e menos 12,6%), fica claro que este foi um determinante importante da desaceleração inflacionária no período. Em 2016 alguns preços internacionais de commodities voltaram a subir (como 40% para o petróleo e 20% para os metais), o que certamente contribuiu para a elevação da taxa de inflação.

Ou seja, desde 2009 a política monetária americana foi efetivamente expansionista, ainda que diversos fatores tenham contribuído para um retorno relativamente gradual em direção à meta. Fica claro que estamos longe de um resultado paradoxal, tipo Michelson-Morley, que justifique alguma revolução teórica. Talvez o único conhecimento novo relevante que resultou da experiência americana com relaxamento quantitativo (QE) é que uma redução significativa das taxas longas de juros, que foi sua principal consequência, tem pouco impacto sobre o nível de atividade. Isto sugere que Keynes estava errado quando discordava de Hawtrey sobre a maior relevância das taxas curtas de juros para a política monetária.

Faltou comentar a tese de Cochrane sobre a possibilidade de deflação ilimitada quando a política monetária atinge a restrição do piso zero, o que talvez seja relevante para a economia japonesa. Pode acontecer que um banco central operando uma meta de inflação seja levado a reduzir a taxa nominal de juros até zero sem que consiga levar o nível de atividade a uma posição suficiente para reverter uma tendência generalizada à deflação dos preços. Isto ocorreria devido a uma configuração muito desfavorável da relação entre investimento e poupança. Uma economia com muita poupança e pouco investimento, que talvez seja o caso do Japão atual, pode produzir uma situação de desequilíbrio de longa duração com inflação cadente ou negativa.

Devido ao piso zero, a economia não consegue sair da posição deflacionária apenas através da política monetária e vai depender para isso de um estímulo fiscal. O fato de que uma situação desse tipo, como parece acontecer de forma crônica no Japão (particularmente quando olhamos o índice de preços empresarial), produz apenas uma deflação de intensidade limitada e indica apenas que a relação entre inflação e nível de atividade (representada pela curva de Phillips) não é linear e pode ter inclinação muito próxima de zero na região de taxas de inflação negativas. Isso é compatível com a velha noção keynesiana de que é difícil produzir deflações na prática.

Resta ainda entender o que pretende a teoria fiscal dos preços. A melhor explicação foi apresentada por Harald Uhlig no seminário sobre o assunto realizado em abril no Becker Friedman Institute da Universidade de Chicago. Uhlig, curiosamente, comenta que, entre outras possibilidades, a teoria fiscal dos preços talvez possa ser vista como "um conjunto de previsões que ocasionalmente funcionam em circunstâncias exóticas", e adiciona entre parênteses (Brazil?).

Sua explicação é muito simples. Se usarmos B para indicar o valor nominal da dívida pública e P para indicar o índice de preços de bens e serviços, então B/P indica o valor real da dívida. Os agentes privados que detêm esses títulos públicos esperam que eles possam ser pagos através da geração de superávits primários no futuro. Então para que se sintam confortáveis é necessário que o valor presente desses superávits futuros, que podemos indicar por VPS, seja igual ao valor real da dívida, ou seja, B/P = VPS. Isto pode ser visto como uma espécie de condição de arbitragem e podemos perguntar o que acontece se o governo aumenta sua dívida sem aumentar também o valor presente dos superávits futuros. Neste caso, B/P fica maior que VPS e, num mundo de preços plenamente flexíveis e expectativas racionais, o desequilíbrio será corrigido por um aumento no nível de preços. Ou seja, P aumenta de modo a que novamente B/P = VPS. Podemos concluir então que a taxa de inflação, que é a taxa de variação percentual de P, vai ser determinada pela diferença entre as taxas de variação percentual da dívida B e do valor presente dos superávits futuros VPS. Essa é a teoria fiscal dos preços, que se pretende uma explicação radicalmente nova para a inflação, sem qualquer menção a conceitos tradicionais como curva de Phillips, taxa de desemprego, investimento e poupança ou taxa de juros.

A teoria tem um defeito óbvio: não fica claro qual é o mecanismo de mercado que produz o movimento do índice de preços quando B/P difere de VPS. Não há dúvida de que se todos os carregadores da dívida pública chegarem à conclusão de que o valor presente dos superávits futuros não representa lastro adequado para esses títulos, isto é, B/P maior que VPS, então cada um deles vai tentar reduzir sua posição. Mas como isso afeta o índice de preços de bens e serviços?

Parece mais razoável supor que o impacto será no mercado secundário de títulos da dívida pública, o que sugere que está faltando algo na equação básica da teoria. O que está faltando é a relação entre o valor nominal ao qual a dívida foi emitida pelo governo, que estamos indicando por B, e seu valor no mercado secundário, que podemos indicar por zB, sendo z um fator de desconto. Se escrevemos a teoria fiscal dos preços como zB/P = VPS, então parece mais razoável supor que um desequilíbrio entre zB/P e VPS vai ser ajustado não por movimentos no índice de preços, mas por movimentos no fator de desconto para a dívida pública, indicado por z. Como esse fator está inversamente relacionado à taxa de juros de longo prazo, a conclusão é de que a teoria fiscal de preços não é uma nova teoria para a inflação, mas apenas uma teoria fiscal da taxa longa de juros.

Veja, porém, que realmente existe um caso exótico em que a teoria fiscal dos preços pode funcionar! É o caso em que a totalidade da dívida pública consiste de papéis ligados à taxa de juros overnight, como acontece com as LFTs no Brasil (que, aliás, foram inventadas pelo próprio André!). Neste caso, o fator de desconto para a dívida pública será sempre igual a um, por definição, e voltamos à formulação B/P = VPS, que viabiliza a teoria. Naturalmente, isso não significa que esteja garantida sua relevância prática no mundo real, fora dos modelos de preços totalmente flexíveis e expectativas racionais. Significa apenas que Uhlig tinha razão ao especular que a teoria fiscal dos preços poderia em tese funcionar em circunstâncias exóticas, como no Brasil das LFTs.

Francisco Lafaiete Lopes é PhD por Harvard, sócio da consultoria Macrométrica e ex-presidente do Banco Central (BC)

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Filipe Celeti  22/08/2012 07:19
    Tucker ataca novamente!

    E eu realmente estava pensando neste best-seller e na possibilidade de usá-lo para divulgar o libertarianismo...
  • Tiago Leal - Canguçu/RS  22/08/2012 07:34

    Perfeito texto. Infelizmente os eficazes mecanismos de alienação social não deixam as pessoas lembrarem de questionar as bases do sistema, somente suas superfluidades, e isso quando não estão entretidas no pão e circo (no Brasil entenda-se Bolsa Família e futebol/novelas). Tudo isso sem perceber que é a própria felicidade delas que está em jogo. É se submeter a se especializar num ramo profissional e trabalhar a vida inteira alienado como um cordeirinho em um emprego que não se gosta, anseando por uma suposta aposentadoria alentadora e ainda tendo trabalhado metade da vida pra pagar impostos que certamente não valeram a empreitada. E dizem que isso é o melhor que podemos ter. Foi-se o tempo em que o povo pegava em armas contra os déspotas no ocidente. Não sei quando o jogo irá virar, mas a história certamente nos condenará por essa extrema passividade. Hoje em dia parece que a forma mais eficiente de fugir às garras do governo é se isolando em uma comunidade auto-sustentável escambista e de energia solar na zona rural. Chega a ser ridículo, mas as vezes me pergunto se isso não seria felicidade.
  • Roberto  22/08/2012 09:04
    Concordo plenamente com o texto.
    Porém, qual é a alternativa possivel?
    Imagino como viáve diminuir ao máximo a participação do Estado em nossas vidas, porém não vejo como simplesmente suprimi-lo. Como o próprio texto cita, as pessoas são diferentes e agem de forma diferente e neste caso, quem regularia as relaçoes entre elas?
    Quem seria encarregado de gerir por exemplo a força policial para nos dar segurança?
  • anônimo  22/08/2012 09:15
    Roberto, é leitura que não acaba mais.

    www.mises.org.br/Subject.aspx?id=16
  • Angelo Noel  22/08/2012 09:05
    The
    Ultimate
    Champion on
    Knowledge and
    Expertise of
    Reality.
  • Fabio  22/08/2012 12:57
    Muito Obrigado!
    Um dos melhores textos que eu tive o prazer de ler nos últimos dias...
  • Erik Frederico Alves Cenaqui  22/08/2012 14:33
    Os textos do Jeffrey Tucker são sempre muito bons.

    Neste texto específico ele levanta um tema que não é percebido pela população.

    Esta implicito no debate de idéias na imprensa, escolas, universidades e partidos que o estado deve ser sempre grande, mas onde ele deve ser grande é que é discutido.

    Os temas liberais estão completamente fora de circulação na "grande" imprensa, o que é lamentável.

    Abraços
  • Carlos Eduardo  22/08/2012 15:45
    O texto do Tucker é, como sempre, implacável. Ainda acho incrível o fato de que tanta gente ainda vê como se fosse grande coisa uma disputa eleitoral ou de poder, por exemplo, entre partidos como PSDB e PT, achando que existe um verdadeiro universo entre os dois, quando na verdade os dois defendem dois lados de uma mesma moeda, de uma mesma linha intervencionista, totalitária e fiel cumpridora dos preceitos do estado fascista e corporativista, só que sob máscaras diferentes. Entender a falsidade dessa dicotomia é a chave pra sair dessa Matrix que é a tal "democracia". Abraços!
  • Augusto  22/08/2012 16:56
    "O governo deve restringir a circulação de automóveis ou deve estimular suas aquisições?"\r
    \r
    Geralmente, o governo tenta fazer os dois ao mesmo tempo. Eh desperdicio de dinheiro que nao acaba mais.
  • Marcus Benites  22/08/2012 17:22
    O texto é a síntetese perfeita do que pensamos. Entra naquela seleta lista de "texto que queríamos ter escrito". É a plena expressão do que sinto. Excelente.
  • Artur Fernando  23/08/2012 07:03
    Nós percebemos a tragédia que é o fato de as discussões se situarem dentro do campo hegemônico que é o estatismo... Engraçado que a esquerda radical acredita o contrário, que a discussão ocorre dentro do campo hegemônico da aceitação dos mercados do "sistema capitalista"...
  • Flaco Marques  24/08/2012 05:19
    Gostei bastante do texto. Lúcido e provocante.
  • Renato  24/08/2012 15:03
    Deve-se notar que a Constituição americana foi pensada no sentido de restringir a possibilidade de expansão das atribuições do governo. Ela foi traída, evidentemente.
  • Deilton  24/08/2012 20:20
    Sabe quando a pessoa começa bem, mas termina mal?

    www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/1139800-basta.shtml
    "A Anvisa é uma das agências fascistas que querem controlar nossas vidas nos mínimos detalhes, com sua proposta de exigir receita médica para comprar remédios tarja vermelha. É uma das pragas contemporâneas. "
  • Marcos Campos  26/08/2012 19:27
    Artigo fantástico e me agregou muita poder de argumentação sobre o assunto para essa época de eleições.

    Vocês já viram as notícias desta página do face?
    https://www.facebook.com/saepr?ref=stream
  • anônimo  15/01/2014 23:56
    Eu concordo parcialmente com o artigo. Há um detalhe que não foi analizado (e leia com atenção porque é meio confuso).

    O governo tem a liberdade de dar mais ou menos liberdade ao povo.

    Isso ocorre porque a liberdade não é algo contábil, e sim uma condição que varia de intensidade e presença. Uma redução de um imposto implica em mais liberdade financeira, pois adquiriu-se liberdade da parte reduzida do imposto para ser gasto no que a pessoa quiser. Porém haveria-se maior liberdade se o imposto deixasse de existir. Você até pode dizer que há uma liberdade "total" agora de tal imposto, ao invés de parcial.
    Então mesmo que no caso uma redução de um imposto ainda implique falta de liberdade do povo de aumentá-lo, reduzí-lo ou eliminá-lo, a redução implica em um passo em direção à liberdade.
    Isso aplica também a leis e restrições. Quanto menor for o poder de coersão de um governo, mais liberdade (do governo) o povo experienciará. Em teoria, um governo poderia cometer suicídio, mas isso é algo impossível de qualquer governo querer.
  • Pobre Paulista  16/01/2014 10:42
    Nonsense. Ainda que o governo dê a "liberdade" de cobrar 0% de impostos para as pessoas, que na sua análise significaria liberdade total, ele ainda detém o poder de alterar essa taxa para quanto ele quiser - e quando ele quiser. Isso não é liberdade. O governo não tem a liberdade de dar liberdade ao povo. O governo, apenas pela sua existência, acaba com a liberdade das pessoas, independentemente de suas atitudes.
  • Típico Filósofo  10/08/2014 15:23
    Confesso haver extraído um prazer curioso e indescritível desta leitura, como se fosse uma expressão bruta e simples de uma realidade grandiosa; que apesar dos versos reacionários, colocou-me em estado de êxtase ao elucidar que ambos os vértices do eixo classista pregam a presença da burocracia de maneira existencial. Entre tanta negatividade em um ano de apologia às cripto moedas e ao anti-estatismo, notar um prognóstico otimista da apresentação do estado durante a história me roubou calafrios de ansiedade e até mesmo uma realização sádica de alegria e ansiedade.

    Senti-me orgulhoso, corajoso e feliz; como em meus tempos de juventude a militar pelas ruas em prol dos meus direitos ao cinema subsidiado ou de forçar quaisquer outros reacionários das outras regiões do país a fazer algo pelo bem comum. Gozo de um prazer inenarrável e de um orgulho carnal de mim mesmo e das ideias que defendo: devo ao Tucker, que após tanta frustração, concedeu-me momentos de satisfação quase sádica.
  • Dam Herzog  10/08/2014 16:30
    Excelente artigo do Sr Tucker. Nos temos nesta epóca das eleições 03 candidatos cujos atributos são estatismo um disse que vai restatizará a Petrobrás é anti-privatização, aumentará a carga tributária e não disse nem uma vez a palavra liberdade e nem a defesa da propriedade. outro quer o socialismo que contem em si a ideia de coerção pois cada pessoa gosta de viver de sua maneira, logo sofrerá violência se quizer viver como gosta. Para mim socialismo significa violência, e toda pessoa que se diz socialista me mete medo por se tratar de pessoa violenta. Então já que falamos em eleição são 03 candidatos com uma mesma ideia socialista(violenta) estatista aumento da carga tributária, antiprivatista, corporativista,defendem o estado de compadres, opressoras das minorias, usam o governo para se reelegerem, ou seja mandato de 8 anos, aliciam terroristas chamando os de movimentos sociais.Querem até punir os eficientes e bem sucedidos com impostos sobre as grandes fortunas. Pregam a redistribuição de renda (esforço) coercitivamente (cano do revolver em sua cabeça).E tem aquele candidato pitoresco que nos disse que não sabemos o que é socialismo. Ele deve ser analfabeto pois nunca leu sobre Russia, Stalin, Lenine, Mao Tse Tung, Pol Pot, Fidel Castro, Korea do norte quantos milhões de pessoas foram mortos somente por não concordar em viver de outra maneira. O que tentei dizer acima se aplica a Dilma Russef, Aécio Neves e Eduardo Campos, cada um mais igual que o outro, nem liberdade de escolha de candidatos temos. A revista Veja é ajudada pelo PT que todo semana recebe uma dossier dos escandalos e roubos do governo cujos lideres cumprem pena na prisão da Papuda em Brasilia. E agora dizem que vão pagar a divida da Argentina fez acordo com Cuba secreto que só pode ser conhecido em 2028. Que opções temos? PS:não deixem de ver um video no you tube de Daniel Fraga. link: https://www.facebook.com/DanielFragaBR?fref=ts
  • Emerson Luis, um Psicologo  10/08/2014 18:44

    As pessoas estão tão acostumadas com a intervenção estatal em tudo que, além de sequer pensar na alternativa da autonomia, elas reclamam por ainda mais intervenções: "Devia haver uma lei para isso" ou "Essa instituição é mantida sem a ajuda do governo (que vergonha!)".

    * * *
  • Dom Comerciante  10/08/2014 21:01
    Período eleitoral me deixa nauseado.
  • Daniel costa  11/08/2014 14:28
    Só quero dizer obrigado a Tucker e a esse amigo que sempre nos traduz esses textos maravilhosos. Nosso trabalho é mesmo de formiguinha e parece estar muito longe de acabar.
  • Douglas de Souza Alencar  11/08/2014 17:03
    Olá amigos do Mises. Eu me deparo hoje com este texto do Krugman e quero compartilhar com vocês aqui. No texto ele diz claramente que a economia libertária não é realista, vive na ilusão. Gostaria que vocês refutassem este senhor pois sei com certeza que pra quem sabe mais do que eu(eu sou um leitor assíduo, mas não tenho formação acadêmica) isto não deve ser tarefa difícil. Abraços cordiais!

    www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/2014/08/1498659-fosforo-e-liberdade.shtml
  • Helio Beltrão  12/08/2014 10:35
    Krugman está assustado com o crescimento das ideias liberais, e usa a velha tática de atacar um 'espantalho' do libertarianismo e não o verdadeiro libertarianismo.

    A refutação do artigo é simples. Libertários, ao contrário do que afirma Krugman, adoram regras, adoram regulamentações, adoram supervisão das empresas. Apenas defendem que um monopólio estatal desempenhará estas tarefas muito pior que órgãos não monopolistas, via o mercado.

    Na área industrial e de serviços, a certificação ISO 9000 existe e funciona muito bem, sem o governo. No comércio varejista, usa-se empresas certificadoras de todos os produtos eletroeletrônicos vendidos no varejo (pois eles são também responsáveis perante o cliente), que assegura que os produtos não explodirão, não matarão crianças,etc. Muito melhor que o Inmetro, que cobra e força todos os fabricantes a colocar um selinho que nada assegura. (assegura apenas a arrecadação e corrupção).

    Em um cenário de regulamentação e supervisão via um monopólio como o governo (o atual), garante-se que haverá a 'captura' das agências regulamentadoras pelas próprias empresas que estas devem supervisionar. Pois claro, há enorme incentivo para a corrupção, e também para uma simbiose entre governo e empresas, por exemplo, fechando o mercado para empresas entrantes ou potencialmente competidoras. Vide quando a TIM quis fazer uma oferta de preços baixos, e a Anatel vetou alegando "que a TIM não parecia ser capaz de entregar toda a demanda que teria àqueles preços". Piada.

    Krugman poderia aproveitar o fósforo e passar no seu palito, e torcer para que a luz o ilumine sobre a boa teoria econômica.
  • Douglas de Souza Alencar  12/08/2014 15:11
    Muito obrigado pela sua ótima resposta Hélio! É por isso que digo que um dos melhores acontecimentos da minha vida no campo da abertura da mente foi ter conhecido este site. Espero amadurecer muito a ponto de refutar todos estes mitos estatistas.
  • Thiago2  17/08/2014 18:08
    Olha isso! A burocracia brasileira é um caso perdido. Em julho, o Diário Oficial da União publicou a nomeação de uma servidora do Ministério da Micro e Pequena Empresa para ocupar o cargo de Coordenador da Coordenação da Coordenação-Geral de Serviços de Registro do Departamento de Registro Empresarial e Integração da Secretaria de Racionalização e Simplificação. Não há limites para o ridículo. Por Lauro Jardim
  • Charlton Heslich Hauer  19/08/2014 16:55
    Jeffrey Tucker disse:

    "Uma outra maneira da colocar tudo isso: o governo aloca privilégios na forma de regulamentações específicas, de espoliação de uns em troca de favorecimentos para outros, de proteção aos favoritos e de punições aos não condescendentes. Todos os grupos de interesse e todos os partidos políticos têm ideias sobre como seu poder sobre nós pode e deve ser usado."

    A casta mais privilegida, VERDADEIRAMENTE FALANDO, de todas as eras, de todos os impérios, e hoje isso é ainda mais evidente, é a classe das mulheres. A segurança DELAS, o bem-estar DELAS, a auto-estima DELAS, a vida DELAS... sempre foram colocados a frente dos dos homens. Homens sempre foram doutrinados a poupar as mulheres de qualquer sacrifício e dor, seja quando eram/são doutrinados a trabalhar, enquanto elas ficam na segurança do lar, seja quando são obrigados a trabalhar 5 anos a mais que elas, mesmo eles vivendo 8 anos a menos, seja quando eram/são forçados a ir para as guerras. Em quase todas as esferas que possamos imaginar, temos homens sendo discriminados, sendo expropriados, forçados a trabalhar como burros de carga para sustentar os privilégios ilegítimos femininos. Mas, o pior de tudo isso, é que a autonomia e os direitos naturais dos homens estão sendo violados todos os dias. Tudo em nome dos "direitos da mulher".

    Na verdade, os tais "direitos da mulher" não passam de assalto ao poder.

    Adam Kostakis fala que um dos três maiores objetivos do feminismo é a Punição Coletiva dos Homens. Para isso, elas primeiro tentam doutrinar na sociedade a Culpa Coletiva Masculina:

    "Um sistema legal imparcial, que trata os seres humanos como indivíduos, é uma barreira contra a punição coletiva. Eliminá-la completamente seria permitir a punição de muitos mais homens, com base no pressuposto de que são homens, razão pela qual as feministas têm lutado incansavelmente para derrubar a imparcialidade. Pouco a pouco, os agentes feministas dentro do governo, das instituições acadêmicas e do sistema legal têm substituído a agência moral individual e o Estado de Direito pela microgestão de pessoas. Como diz o mantra, o pessoal é político — isso é, cada vez mais, o negócio do Estado. Mesmo quando não explicitamente formulado assim, o princípio subjacente de toda a inovação feminista é fazer o Estado avançar de forma ameaçadora, cada vez mais de perto, sobre nossas vivências cotidianas, pessoais. Se o pessoal realmente é a mesma coisa que o político, então o politicamente correto deve ser a correção pessoal — um sistema perverso e generalizado de controle que escrutina cada movimento de um indivíduo, a fim de prendê-lo no lugar. Você deve ser pessoalmente correto, em termos de suas crenças, seus desejos, suas buscas, seus gostos — até nas piadas que você está autorizado a rir — de acordo com os padrões delas. São elas as autodeclaradas "vítimas" da sociedade, no entanto, as que são poderosas o suficiente para desfrutar de um almoço com o Presidente e definir os termos em que o Governo está a comandar a sua vida.

    A idéia não é a de que os homens devam superar todos os obstáculos em sua luta para serem politicamente/pessoalmente corretos. Afinal de contas, aqueles que estão exigindo que os homens executem este desafio diário são as mesmas pessoas que se dispõem a espancá-los com pedaços de pau enquanto eles tentam. A idéia é a de que os homens devam, por assim dizer, morrer tentando. A intenção é a de que os homens não consigam. Enquanto os homens medianos conseguirem viver pacificamente, e até mesmo com sucesso, mais e maiores incursões em seu espaço pessoal serão exigidos. É no ponto de falha — quando os homens não conseguirem viver de acordo com as regras cada vez mais constritivas estabelecidas para eles — é que eles podem ser punidos. A prova fica mais difícil a cada dia e a cada aprovação de uma nova legislação."


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