Como as obras públicas subtraem riqueza da população
por , domingo, 21 de julho de 2013

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ponte620.jpgNão existe crença mais persistente e mais influente do que a crença no fato de que gastos governamentais são benéficos para todos.  Em todos os cantos do globo eles são apresentados como a solução para todas as mazelas econômicas.  A indústria está parcialmente estagnada?  Podemos estimulá-la por meio de gastos governamentais.  O desemprego está alto?  Culpa do "insuficiente poder aquisitivo das pessoas".  O remédio, claro, é óbvio: aumentar os gastos do governo.

Todo o necessário para corrigir a situação é o governo despender o suficiente para compensar estas "deficiências".

Uma vasta literatura se baseia nesta falácia, e, como muitas vezes acontece com doutrinas dessa espécie, tornou-se parte de uma complexa rede de falácias que se sustentam mutuamente.  Não podemos, a esta altura, investigar toda essa rede; mas podemos, aqui, examinar a falácia-mãe que deu nascimento a essa progênie.

Tudo o que não é oriundo das dádivas livres da natureza tem, de certo modo, que ser pago.  O mundo, no entanto, está repleto de pseudo-economistas que estão cheios de planos para obter alguma coisa em troca de nada.  Dizem-nos que o governo pode gastar livremente sem ter de tributar; que pode continuar a acumular dívidas sem jamais ter de liquidá-las, pois "nós devemos a nós mesmos".  Ao longo da história, todos os belos sonhos deste tipo foram sempre destruídos pela insolvência nacional ou por uma inflação galopante.  Devemos aqui dizer, simplesmente, que todos os gastos governamentais terão, na prática, de ser pagos pela tributação

Sim, pode-se recorrer à inflação monetária para se financiar estes gastos.  Porém, a própria inflação monetária não passa de uma forma — particularmente anormal — de tributação.  A inflação monetária gerará dois fenômenos: redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos e aumento de preços, fenômeno este que também penalizará com mais severidade os mais pobres.  A inflação é um imposto.

Em prol da argumentação, vamos admitir aqui que cada unidade monetária gasta pelo governo deverá ser arrecadada imediata ou posteriormente por meio de imposto.  Uma vez considerada a questão nesse sentido, os supostos milagres dos gastos governamentais aparecerão sob outro prisma.

O governo continuamente gasta um determinado montante para cumprir suas despesas correntes: pagar seus funcionários, sua burocracia, redistribuir renda e fazer suas corriqueiras obras públicas.  Tais gastos não serão o escopo deste artigo.  Quero aqui tratar daquelas obras públicas consideradas como meios de se "criar empregos" ou de se aumentar a riqueza da sociedade, sem as quais — afirmam alguns economistas — tal enriquecimento não seria possível.

Constrói-se uma ponte.  Se ela é construída para atender a uma demanda pública insistente; se ela soluciona um problema de tráfego ou de transporte, insolúveis sob outra forma; se, em suma, ela é mais necessária aos contribuintes coletivamente do que coisas com as quais eles individualmente gastariam seu dinheiro — se este não lhes houvesse sido tirado por meio dos tributos —, então sua construção pode ser aproveitável (embora seja praticamente impossível determinar que absolutamente todos os pagadores de impostos realmente queiram esta ponte). 

Por outro lado, uma ponte construída com o intuito de "gerar empregos" é um outro tipo de ponte.

Quando "gerar empregos" se torna o objetivo, a real necessidade de algo passa a ser uma consideração secundária.  O que importa é inventar "projetos".  Em vez de pensarem apenas naqueles locais específicos onde há uma suposta demanda popular por uma ponte, os responsáveis pelo dinheiro público começam a se perguntar onde mais podem sair construindo outras pontes.  Mesmo que a construção de pontes não esteja sendo demandada, o empreendimento será feito.  Aqueles que duvidarem desta necessidade serão tachados de obstrucionistas, atrasados, insensíveis e reacionários.

Normalmente, são apresentados dois argumentos para a construção de uma ponte: um, aquele que se ouve principalmente antes de ele ser construída; o outro, aquele que frequentemente se ouve depois de ele estar concluída.  O primeiro argumento é que a construção proporcionará empregos.  Proporcionará, digamos, 500 empregos durante um ano.  A implicação disso é que esses empregos, de outra forma, não existiriam.

Isso é o que se vê de imediato.  Se estamos, porém, treinados na ciência econômica; se sabemos enxergar as consequências secundárias de determinadas medidas econômicas, então somos capazes de ver mais além.  Podemos, neste caso, saber que, além daqueles que são diretamente beneficiados por um projeto governamental, haverá outros que serão indiretamente afetados. 

Neste ponto, o cenário passa a ser diferente.  É verdade que determinado grupo de operários terá agora empregos, o que não ocorreria não fosse a construção da ponte.  A ponte, porém, tem de ser paga com impostos, pois todo dinheiro gasto pelo governo tem de ser tirado dos contribuintes.  Se a ponte custa $10 milhões, os contribuintes perderão $10 milhões.  Os cidadãos deixarão de ter uma quantia que, não fosse a construção da ponte, seria despendida em coisas que voluntariamente considerassem mais necessárias.  Os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir.

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego particular.  Podemos ver os operários empregados na construção da ponte.  Podemos vê-los trabalhando.  Esta imagem real faz com que o argumento do governo — gerar empregos — se torne vívido, tangível e, muito provavelmente, convincente para a maioria das pessoas.

Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem.  São os empregos destruídos pelos $10 milhões tirados dos contribuintes.  Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto.  Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos técnicos de rádio, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.

Chegamos, então, ao segundo argumento.  A ponte existe.  É, suponhamos, uma ponte realmente bonita.  Surgiu graças à magia dos gastos governamentais.  O que teria acontecido se os obstrucionistas e os reacionários tivessem imposto sua vontade?  Não haveria a ponte.  O país estaria mais pobre, afirmam eles.

Nisso, os responsáveis pelo dinheiro público, mais uma vez, levam a melhor ao debaterem com todos aqueles que não têm a capacidade de enxergar além do alcance imediato de seus olhos.  Todos podem ver a ponte.  Mas apenas aqueles mais versados em economia são capazes de perceber as consequências indiretas e não perceptíveis deste arranjo; apenas estes podem, mais uma vez, enxergar todas aquelas riquezas que nunca chegarão a existir.  Podem enxergar casas que não foram construídas, automóveis, rádios, imóveis e roupas não fabricados, e talvez até mesmo alimentos que não foram cultivados e nem vendidos.  Ver esses elementos que não foram criados requer certa imaginação e certo treino econômico, algo que nem todo mundo possui.

Podemos imaginar imediatamente esses objetos, mas não podemos ver sua existência.  Por outro lado, podemos ver a ponte e utilizá-la todos os dias ao irmos para o trabalho.  Simplesmente o que aconteceu foi que uma coisa foi construída em vez de várias outras.

O mesmo raciocínio aplica-se, naturalmente, a quaisquer outros tipos de obras públicas.  Aplica-se também, por exemplo, à construção, com fundos públicos, de habitações para pessoas de baixa renda.  O que acontece é que o dinheiro é arrancado, por meio de impostos, de famílias de renda mais elevada (e, talvez, até de famílias de renda menor) para forçá-las a financiar famílias selecionadas, de renda inferior, capacitando-as a viverem em melhores moradias.

Não é meu intuito aqui discorrer sobre questões morais no que tange à construção de moradias com dinheiro público.  Interessa-me apenas apontar o erro em dois dos argumentos mais frequentemente apresentados a favor desse tipo de construção.  Um, é o de que ela "gera empregos"; o outro, o de que ela cria riquezas que, sem estas obras, não teriam sido produzidas.  Ambos os argumentos são falsos, uma vez que não levam em consideração o que se perde pela tributação.  A tributação para a construção de moradias, com fundos públicos, destrói tantos empregos em outras atividades quanto cria na de construção.  O resultado é a não construção de imóveis, a não fabricação de máquinas de lavar roupa e geladeiras e a falta de inumeráveis outros bens e serviços.

E nada disso é refutado pela contra-argumentação que diz, por exemplo, que a construção de moradias com dinheiro público pode ser financiada por várias parcelas anuais, em vez de por uma quantia a ser paga de uma só vez.  Isso significa simplesmente que o custo passa a ser distribuído por muitos anos, em vez de concentrar-se em um só.  Significa, também, que o que se tira dos contribuintes é distribuído por muitos anos, em vez de concentrar-se num só.  Tais detalhes técnicos são irrelevantes para o ponto principal.

A grande vantagem psicológica a favor da construção de moradias com dinheiro público está no fato de que é possível ver homens trabalhando enquanto estão sendo construídas as casas, e que estas são vistas depois de finalizadas.  Passam a ser habitadas e os moradores, orgulhosamente, mostram as dependências aos amigos.  Não se veem os empregos destruídos pelos impostos destinados às moradias, nem os bens e serviços que deixaram de ser ofertados.  Isso exige um esforço de pensamento.  E, a cada vez que se veem as casas e seus felizes moradores, um novo esforço é necessário para se imaginar toda a riqueza que por causa disso não foi criada. 

É de se surpreender que os defensores da construção de moradias com dinheiro público não tenham considerado esse ponto.  Se alertados sobre isso, tacham-no de pura imaginação, de simples objeção teórica, ao mesmo tempo em que realçam a beleza das moradias públicas existentes.  Isso faz lembrar um personagem de Saint Joan, de Bernard Shaw, que, ao lhe falarem sobre a teoria de Pitágoras, segundo a qual a terra é redonda e gira em torno do sol, respondeu: "Que consumado idiota!  Não podia ver isso com os próprios olhos?"

O mesmo raciocínio deve ser aplicado a todos os grandes projetos empreendidos pelo governo.  Quanto mais faraônica a obra, maior o perigo da ilusão de ótica.  Ali está uma gigantesca represa, um formidável arco de aço e concreto "maior que qualquer outro empreendimento que o capital privado pudesse ter construído", o fetiche dos fotógrafos, o símbolo mais frequentemente utilizado dos milagres da construção e da operação estatal.  Ali estão gigantescos geradores e usinas de força.  Ali está toda uma região, diz-se, elevada para o mais alto nível econômico, atraindo fábricas e indústrias que, de outro modo, não teriam existido.  E tudo é apresentado, nos louvores de seus proponentes, como sendo ganho econômico líquido para o país, sem contrapartidas.

De novo, não vamos aqui entrar novamente no mérito das obras públicas.  Vamos apenas nos concentrar no esforço da imaginação, algo de que poucas pessoas são capazes, para ver o lado devedor da equação.  Se os impostos, arrecadados de pessoas e empresas, são aplicados em determinada região de um país, por que motivo causaria surpresa, por que deveria ser considerado um milagre que esta região se tenha tornado relativamente mais rica?  Outras regiões do país, sempre é válido lembrar, se encontram, em decorrência disso, relativamente mais pobres.

Aquele empreendimento tão grande que "o capital privado não teria podido realizar", foi, na verdade, realizado pelo capital privado — pelo capital expropriado mediante imposto (ou, se o dinheiro foi tomado como empréstimo, acabará sendo expropriado também com impostos, só que mais no futuro).

É necessário, novamente, fazer um esforço de imaginação para vermos os edifícios comerciais e as habitações particulares, os automóveis e os aparelhos de televisão cuja existência não foi permitida, pois o dinheiro que foi extraído do povo, em todo o país, foi empregado na construção de uma fotogênica obra pública.

Escolhi aqui propositadamente os mais favoráveis exemplos de projetos de dispêndios públicos — isto é, aqueles que são mais frequente e ardentemente aconselhados pelos agentes governamentais e mais altamente considerados pelo público.  Não falei das centenas de projetos frívolos que, invariavelmente, surgem sempre que o objetivo principal é "gerar empregos" e "colocar gente para trabalhar".  Isso porque, conforme vimos, a utilidade do próprio projeto torna-se, inevitavelmente, uma consideração secundária.  Além disso, quanto mais extravagante a obra, quanto mais dispendioso o trabalho, quanto maior o custo da mão-de-obra, tanto melhor para o objetivo de gerar mais empregos. 

Sob tais circunstâncias, é altamente improvável que os projetos inventados pelos burocratas proporcionem o mesmo aumento líquido à riqueza e ao bem-estar, por unidade monetária gasta, como teria sido proporcionado pelos próprios pagadores de impostos se, individualmente, o governo lhes tivesse permitido comprar ou fazer o que eles mesmos desejassem em vez de serem forçados a entregar parte de suas poupanças ao estado.

 

Leia também:

A vidraça quebrada 

Gastos governamentais sempre são ruins para a economia 

Por que é impossível o governo fazer a economia crescer

O problema com os gastos do governo 

Por que o governo não é capaz de ofertar serviços eficientemente


Henry Hazlitt 

(1894-1993) foi um dos membros fundadores do Mises Institute. Ele foi um filósofo libertário, economista e jornalista do The Wall Street Journal, The New York Times, Newsweek e The American Mercury, entre outras publicações. Ele é mais conhecido pelo seu livro Economia em uma Única Lição.




68 comentários
Marcos 09/08/2012 05:12:25

Para quem já leu Bastiat o artigo é extremamente claro, o autor só não previu nos números que para se fazer uma ponte de 10 milhões, não precisa-se do referido valor, mas sim de duas, três ou até muitas vezes mais o valor do projeto, o custo da corrupção chega a ser maior que o da obra...

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Breno 09/08/2012 07:00:37

Pela exposição acima, me parece que o Brasil foi aposentado em 1950 e recentemente agora em 2012 - risos! Duas aposentadorias, nesse mundo com menos de 65 anos....

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Arthur 09/08/2012 09:00:14

Se isso já é um mal em obras que, de uma forma ou de outra, ainda beneficiam a população (ou ao menos parte dela), como na ponte citada como exemplo, o que dizer então sobre obras como os estádios para a Copa do Mundo, ou complexos esportivos para as Olimpiadas, visto que estes têm grande risco de serem abandonados após os mencionados eventos?

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Patrick de Lima Lopes 09/08/2012 10:03:32

Os fatos falam por si mesmos.
Aqui uma parte de um artigo que escrevi há alguns meses:

"Apesar da enchente de gastos promovida pelas olimpíadas na China, grande parte desta revelou-se um desperdício de tempo e recursos. Para exemplificar tal afirmação, basta tomar os estádios Ninho de Pássaro e Cubo d'água como exemplo. Juntos, as maravilhas da engenharia custaram ao contribuinte mais de 1 bilhão de dólares e hoje enfrentam uma crise existencial devido à pouca demanda por locais de tal porte. Segundo o jornal Estadão[1], o governo chinês, buscando aproveitar o máximo do que restara de seu investimento, transformou ambas as maravilhas da engenharia em "parques temáticos" em uma tentativa de ao menos compensar a cara manutenção das construções.
Outro excesso promovido pelos jogos olímpicos é o aumento da demanda artificial e a expansão desnecessária da infraestrutura aérea. Um poderoso argumento para apoiar tal afirmação é o caso do Aeroporto Internacional de Pequim, utilizado como principal porta de entrada aos turistas interessados em assistir aos jogos. Estima-se que apenas a construção dos novos terminais de passageiros tenham custado 300 milhões de euros[2]. Tal investimento foi justificado pela necessidade de aumentar a capacidade de visitas anuais do aeroporto em função do evento esportivo. Entretanto, novamente o excesso mostrou-se em vão: Os atuais terminais são capazes de atender a 68 milhões de passageiros por ano, aproximadamente duas vezes mais que a atual quantidade de visitantes do aeroporto segundo a BBC."

As fontes que eu utilizei são pouco confiáveis(mídia de massa), mas os dados fornecidos por elas encaixam-se perfeitamente para representar parte do prejuízo causado por grandes eventos esportivos. Aqui estão algumas das fontes que usei para o artigo COMPLETO:

Sites:

www.1.folha.uol.com.br.
www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1069576-apos-dois-anos-africa-do-sul-ainda-paga-conta-de-estadios.shtml

How Stuff Works - Esporte
esporte.hsw.uol.com.br/jogos-olimpicos10.htm

esportes.terra.
esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5812701-EI19410,00-Sem+orcamento+final+COI+inicia+visita+mais+importante+para+Rio.html
esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5847972-EI19410,00-Historia+indica+alta+na+bolsa+de+Londres+por+Olimpiada.html
esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3050560-EI10378,00-Olimpiada+mais+cara+da+historia+e+pouco+polemica+na+China.html

pt.wikipedia.org.
pt.wikipedia.org/wiki/Aeroporto_Internacional_de_Pequim

bbc.co.uk.
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120613_londres_budget_rc.shtml
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120611_londres_2012_cubanos_fn.shtml
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120605_chat_marcusvinicius_atualiza_cc.shtml
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Outro imenso prejuízo que eu não mencionei ocorre na hotelaria. As empresas, por próprio bom-senso, decidem não adotar uma expansão para sustentar um mercado consumidor que ficará hospedado em seus hotéis por apenas uma semana.
O estado não gosta e decide pressioná-las a adotar tal expansão, através de uma oferta maior de crédito ou subsídios. Sem sucesso, o próprio decide construir ele mesmo os hotéis.

Então surge o velho procedimento de construção com custos (e velocidade) faraônicos onde reina a corrupção. Resultado: Os hotéis oferecem seus serviços aos turistas do evento esportivo e este acaba uma semana depois. Conclusão: Desperdício de recursos escassos, centralização da mão-de-obra baseada em uma demanda artificial, desperdício do dinheiro do pagante de impostos, etc.

Conclusão:
Se as obras públicas são um desastre, os eventos esportivos são o apocalipse. São saqueadas fortunas para a construção daquilo que ninguém precisa, propriedades são "invadidas legalmente" por burocratas, recursos escassos são jogados fora e as contas continuaram sendo mandadas ao pagante de impostos.

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Sérgio 21/08/2012 00:24:57

Acreditar em que numa emissora estatal? Uma das notícias citadas diz que as Olimpíadas de Londres custou menos que o previsto. As notícias abaixo dizem o contrário:

Orçamento dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 poderá bater £11 bilhões, adverte cão de guarda
Os Jogos Olímpicos de Londres estão em perigo de exceder sua construção e orçamentos operacionais, com o custo total para os cofres públicos de £11 bilhões a mais do que os £9,3 bilhões citados pelo governo, de acordo com um comitê parlamentar influente
www.telegraph.co.uk/sport/olympics/9132145/Budget-for-London-2012-Olympics-could-hit-11billion-warns-watchdog.html

Riscos de Londres quebrar orçamento para Jogos Olímpicos 2012
Jogos Olímpicos de Londres 2012 pode passar por cima de seu orçamento de £9.3 bilhões, o Escritório de Auditoria Nacional adverte que o fatura da segurança local quase duplica.
www.telegraph.co.uk/sport/olympics/8939118/London-risks-breaking-2012-Olympic-budget.html

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Rafael 09/08/2012 11:27:53

Excelente texto do Anthony sobre o assunto:


Contra a Copa e as Olimpíadas
renderingfreedom.blogspot.com.br/2012/08/contra-copa-e-as-olimpiadas-against.html

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Carlos Eduardo 09/08/2012 09:55:05

É o tão famoso "Mito do Almoço Grátis"... A idéia de que o governo pode simplesmente tirar dinheiro do nada e gastar esse dinheiro sem custo algum para a economia, seja taxando as pessoas (e tirando delas uma parcela crucial de sua renda, que poderia ter sido utilizada para fins pessoais mais concretos, uma consequência grave e raramente reconhecida, como disse Hazlitt no artigo) ou simplesmente imprimindo papel-moeda. Como se os impostos ou a inflação fossem formas mágicas de se ganhar dinheiro de graça, ou fontes mágicas e milagrosas de dinheiro. Acredito que os economistas austríacos já fizeram um excelente trabalho em demolir essa tese do dinheiro fácil em suas obras, pena que muita gente não conhece essas obras. Mas é pra isso que serve o IMB hehehe. Abraços!

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Itamar Gines Pereira 09/08/2012 12:07:54

Ótimo texto! Isso me fez lembrar dos estádios que serão construídos para a copa do mundo, e em especial, a Arena Amazônia que custará, por baixo, R$ 600.000.000,00 aos cofres públicos, ou melhor, aos nossos bolsos. Depois do evento, o elefante branco vai ficar para quem ? Nem sei se tem time de futebol em Manaus - não que isso justificaria a contruão do estádio -, não tem demanda para tal intento. Coitado dos que não gostam de futebol, não torcem para a seleção, não moram no Amazonas, muito menos em Manaus. Coitado, principalmente, dos trabalhadores que vão perder seus empregos em outras regiões do pais em função do sequestro do nosso dinheiro para a realização desse evento. Abraços!

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Andre Cavalcante 09/08/2012 15:10:22

Eu sou de Manaus e posso te dizer, nossos times "profissionais" são da 3ª divisão. O Estádio está associado a um shopping center, à Vila Olímpica e está encravado em uma região com vários prédios governamentais e é uma arena multi-uso. Temos outra arena multi-uso que será agregada nesta nova. Temos vários eventos grandes em Manaus durante o ano, incluindo o Festival Folclórico, então o desperdício não será tão fenomenal como parece, mas concordo, haverá desperdício, e muito grande!

Abraços

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Juliano 09/08/2012 12:56:15

Acho que o raciocínio nem é tanto o do almoço grátis. Acho que a maioria pensa: "Já que o governo tem X em dinheiro, quero que ele gaste assim (de uma forma que eu acredito ser a correta, normalmente me beneficiando)".\r
\r
É muito mais fácil acreditar que dá pra direcionar os gastos do governo do que tentar imaginar o governo cobrando menos. As denúncias de corrupção e mal uso do dinheiro só aumentam a percepção de que o governo poderia gastar mais se gastasse melhor.

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Dalton C. Rocha 09/08/2012 15:17:14

A ponte Rio-Niteroi foi inaugurada em 1974, pelo então presidente Médici. E só na poupança de combustíveis, ela se paga todos os anos.

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Leandro 09/08/2012 15:29:33

Prezado Dalton, que a ponte Rio-Niterói seja ótima para aquela pequena fatia de cariocas e niteroiense que a utilizam diariamente, isso é indiscutível.

Falta agora você chegar para aquele piauiense aposentado que viu seu antigo INPS sendo desviado para a construção da ponte e convencê-lo de que ter sua aposentadoria espoliada em prol do bem-estar de alguns míseros fluminenses foi um sacrifício patriótico.

Responder
Márcio Alcântara 10/08/2012 20:26:18

De maneira oposta, a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica (exatamente com a mesma extensão da Rio-Niterói: 13km) foi proposta pela construtora Odebrecht, há algumas décadas, em troca da exploração de 40 anos de pedágio. Muito mais justo: pagaria apenas quem a utilizasse. Não foi concedida pelo poder público!
Hoje, o governo petista da Bahia - sob a batuta do carioca Jaques Wagner - divulga sua futura construção financiada com os impostos de TODOS os baianos, os que a utilizariam e os que não.

Responder
Renato 12/08/2012 04:25:53

Note que a ponte Rio-Niteroi foi construída tendo como justificativa a implementação de infra-estrutura. Considerando que não viviamos num regime de anarco-capitalismo (no qual não creio, e jamais existiu), nem de estado mínimo (no qual creio) é natural que tenha sido construída pelo estado.

Mas note que ela não faz parte do escopo deste artigo pois a justificativa principal foi a necessicade de infra-estrutura, e não a "geração de empregos". Pelo que compreendi, o cerne do artigo seriam estes dois pontos:

PrimEiro, obras públicas não geram empregos nem aumento da prosperidade.
Segundo, quanto mais a "geração de empregos" for a justificativa para as obras estatais, pior será a aplicação do dinheiro.

Responder
Eliel 10/08/2012 02:36:02

Construção de Brasília: 50 anos em 5 anos.
Depois: 50 anos em 50 anos.
Finalmente: 5 anos em 50 anos!

Responder
David 12/08/2012 11:40:15

Esse texto é muito teórico, não condiz com a realidade...
.
Se fossemos aplicar isso no Brasil ainda viveríamos na idade da pedra.
.
Vamos imaginar:

- Itaipu
- Dutra
- Porto de Santos
- Angra
- Embraer
- Pro Álcool
- Inúmeros Estádios Municipais
- Petrobras
- Vale
- CNA

... Qual o político em sã consciencia vai recusar em fazer uma obra ?????

Responder
Luis Almeida 12/08/2012 12:07:55

Entendi. Quer dizer então que todas estas obras estatais, a maioria delas monopólios, não apenas foram sensacionais para o povo, como também não existiriam até hoje não fosse o estado? Interessante a sua teoria. Pode substanciá-la?

Responder
Gustavo 12/08/2012 12:45:39

"Almoço grátis" não existe.

Responder
Bruno Vieira 12/08/2012 19:40:59

David, você já ouviu falar em Irineu Evangelista de Sousa ou barão de Mauá?
Se o Brasil saiu da idade da pedra foi muito mais por causa dele do que por causa dos nossos burocratas oniscientes.

Responder
Andre Cavalcante 12/08/2012 20:20:50

David,

Creio que você não entendeu o texto. O problema não são as obras, per si, mas o fato de elas serem feitas pelo governo e com a justificativa de gerar empregos. Governo não gera dinheiro: todo o dinheiro do governo vem da iniciativa privada (do povo). Então todo o dinheiro gasto pelo governo, já existe (poupança atual) ou vai existir (poupança futura) na iniciativa privada, de sorte que, quaisquer dessas obras poderiam ter sido feitas apenas com parceiros privados.

De qualquer forma, a sua lista está esquisita:

Itaipu - foi construída parcialmente com empréstimos externos. Nada tinha a ver com a criação de empregos, mas com a necessidade de energia. Foi mal feita, no sentido técnico, mas alcançou o que se propôs - geração de energia.

Pró-álcool - não é uma obra, mas subsídios às fazendas, moinhos e usineiros do complexo da cana. Não deu certo, só foi gasto de dinheiro absolutamente sem nenhum retorno. Quando o governo parou de investir, apareceram alguns poucos que realmente fizeram inovação com o advento do flex e o álcool ressuscitou no Brasil. Ah! os usineiros também tiveram que inovar por conta própria, queimando a palha da cana e produzindo a própria energia elétrica necessária ao processo, porque, nos tempos do pró-álcool, o governo subsidiava a energia usada. Lembro vagamente de uma taxa absurda que um litro de álcool na bomba, usava 3 litros de diesel (subsidiado).

Embraer - só evoluiu quando saiu das mãos do governo. Só foi criada porque o governo precisava de uma empresa para internalizar as tecnologias de aviação para a manutenção do seu parque de aeronaves militares. Se tivesse ficado na mão do governo provavelmente a gente nem saberia que ela existisse. No entanto ainda depende muito de financiamento do BNDS e outros subsídios diretos e indiretos do governo.

De resto, tua lista é uma confusão entre governo e iniciativa privada dependente do governo. É a prova verdadeira do mercantilismo, corporativismo ou ainda, do fascismo que tomou conta do país.

Achar que não poderia haver uma usina como Itaipu em um mundo privado está absolutamente correto, porque a iniciativa privada só põe dinheiro em algo que tenha, ao menos, uma chance de dar um retorno e, geralmente, emprega melhor o dinheiro. Isso significa que essas grandes obras são de governo. A iniciativa privada vai preferir micro e mini geração, que é mais eficiente e uma rede interligada.

No entanto, é temerário achar que empresas grandes e poderosas, tais como uma Petrobrás ou Vale, não poderiam ter nascido em um Brasil mais livre (sem governo). As grandes companhias americanas de petróleo são todas privadas. Com 180 milhões de consumidores e o pré-sal às portas, cê acha que uma grande companhia não nasceria ou, no mínimo, uma multinacional não se instalaria por aqui?

Estádios municipais é de rir. Cê já parou pra pensar que a nossa atual necessidade de o governo botar vários bilhões de reais na construção ou reforma de estádios no Brasil se deve ao fato de que os nossos estádios (públicos) não são apropriados? E que, se o Brasil não puder receber a Copa, a Europa (em especial Reino Unido) tá prontinha para isso, e com estádios bons, a maioria privados?

Responder
Cristian 19/08/2012 19:03:49

André, fantástico seu exemplo das pequenas usinas. Aqui em Florianópolis concentram-se várias empresas de engenharia e posso falar que você está absolutamente certo. Aqui em Santa Catarina temos muitas PCHs (pequenas usinas). Geralmente são projetos privados. Nestes projetos todos os envolvidos ganham, pois é necessário contratar inúmeras empresas (topologia, engenharia sócio-ambiental, geólogos, etc.) para garantir o sucesso da obra. Ou seja, há uma pequena probabilidade de fazer algo "meia-boca", já que é necessário gerar lucro com estes empreendimentos. Ainda há um fator muito positivo: estas obras são realizadas em propriedades privadas (sabe David, as mesmas que o PT sonha em tornar "públicas") e o dono ganha com a exploração do seu território. O meio-ambiente também ganha, porque ele não vai querer sua propriedade depredada e tampouco os investidores vão querer sua empresa em escândalos ambientais. Imagine este sistema em escala nacional. A energia custaria bem menos, porém, há a maldição das permissões (Fatma e afins), concessões, acordos, impostos, lobby estatal e a própria mídia, que fazem estes empreendimentos não terem a eficácia que poderiam ter. Agora imagine as inúmeras maneiras de gerar energia no setor privado nesse sistema, como eólica. Vamos mais longe, imagine um agricultor, pecuarista, etc, podendo usar sua terra também para estes fins. Ele ganhando duas vezes (agricultura/pecuária + energia), os preços tanto da energia como dos seus produtos baixariam naturalmente. Para nós, eis uma quimera neste país comunista. Parabéns ao IMB.

Responder
Luciano Takaki 21/02/2013 13:57:06

Acho que um dia vou traduzir esse texto para o japonês e enviar ao Primeiro-Ministro do Japão.

Responder
Diones Reis 22/07/2013 14:10:44

Isto me fez lembrar quando estive em Tokyo, no ano passado.
A cidade de Tokyo já está em campanha para sediar os Jogos Olímpicos de 2020.
Bastava um passeio pela cidade, para verificar os banners da candidatura da cidade.

(Desculpem colocar esta foto da net, ao invés de uma foto que tirei em Asakusa, mas ela ilustra o tipo de banner que vi em alguns pontos da cidade)
"ak4.picdn.net/shutterstock/videos/3991807/preview/stock-footage-tokyo-circa-tokyo-olympic-games-candidate-city-flag-japan.jpg"

E agora imaginem a cidade sediando estas Olimpíadas de 2020, e ainda com as políticas econômicas do Shinzo Abe?

Responder
anônimo 20/03/2013 06:05:11

Mas será mesmo que obras púlicas é mesmo ruim? Se os governadores do Nordeste (Governadores dos Estados do Ceará, Sergipe, Piauí, etc.) decidirem investir em obras de irrigação, isso não beneficiaria a população nordestina? O pequeno produtor rural que não tem condições de plantar por causa dos efeitos da seca, e sobrevive com o bolsa família ou cestas básicas, nao teria condições de plantar? Neste caso, as obras públicas não estariam dando condição para a população nordestina trabalhar e produzir e sobreviver sem depender de bolsas do governo?

Responder
Vinicius Costa 21/07/2013 13:42:04

Não, nesse caso as obras públicas estão mantendo as pessoas na miséria a vida toda através de subsídios. Se quisesse mesmo ajudar essas pessoas a produzir e viver em melhores condições, deveria sair do caminho e deixar que elas sejam capazes de trabalhar por conta própria, o que acaba sendo impossível justamente pelo tamanho do governo e dos seus impostos.

Obs: Na minha cidade, na placa de reformas da prefeitura começou a constar a informação "Empregos Gerados". Tava demorando...

Responder
Andre Cavalcante 21/07/2013 13:50:39

"Mas será mesmo que obras púlicas é mesmo ruim? Se os governadores do Nordeste (Governadores dos Estados do Ceará, Sergipe, Piauí, etc.) decidirem investir em obras de irrigação, isso não beneficiaria a população nordestina? O pequeno produtor rural que não tem condições de plantar por causa dos efeitos da seca, e sobrevive com o bolsa família ou cestas básicas, nao teria condições de plantar? Neste caso, as obras públicas não estariam dando condição para a população nordestina trabalhar e produzir e sobreviver sem depender de bolsas do governo?"

Obs.: Sei que faz um tempão, mas é meio recorrente esse tipo de questão no IMB, então decidi responder mesmo com atraso (Não havia visto tal questão aquela altura).

Esse coisa de o nordeste brasileiro precisar de obras governamentais é parcialmente correto. Precisar, precisa, mas vamos ver na prática como isso acontece: atualmente o nordeste é a região mais beneficiada com o dinheiro dos impostos federais, entretanto, mesmo com essa dinheirama toda, porque o nordeste permanece como uma das regiões mais atrasadas do país?

A questão, verdadeiramente é, como deve a aplicação de quaisquer recursos naquela região. Com certeza cada político de lá, ou mesmo os de outras regiões tem várias "sugestões" (que viram imposições), mas aqui quero colocar o outro lado da moeda: por que não se deixa o recurso diretamente à população, isto é, por que não se deixa o dinheiro dos impostos com as próprias pessoas, para elas fazerem o que elas acharem mais necessário?

Ao contrário de outras regiões semi-áridas e áridas do planeta, o nosso nordeste é rico em água subterrânea (falo do interior, porque o litoral é bem úmido). Ora, não seria viável que as pessoas de lá gerassem as suas soluções para os seus problemas? E mais, porque a "interiorização" não acontece a partir do úmido (e rico) litoral?

As soluções estão lá, mas enquanto os recursos escassos estiverem sendo usadas para beneficiar a poucos, a custa de todo o resto, nada vai mudar, aliás, vai piorar...

Responder
Marcio L 22/07/2013 03:08:27

De certa maneira foi o que fizeram com o Bolsa Família (Um embrião do Renda Básica de Cidadania que já foi tratado aqui no IMB).

O Dinheiro na mãos das pessoas estimulou a economia, novos pequenos empreendimentos surgiram com a demanda criada a partir do dinheiro entregue diretamente as pessoas.

Também começa a haver um ciclo de retorno das pessoas que muito labutaram no sudeste sempre com o sonho de voltarem a sua terra natal como empreendedores, eu mesmo conheço um destes que trabalhou por anos na industria metalurgia e hoje é um pequeno empreendedor rural no Piaui.

Todo este processo acaba por romper a estrutura "feudalista" coronelista e patrimonial que é muito forte no nordeste, que está na verdadeira causa dos problemas de lá. Interessante verificar que Rothbard tinha uma grande sensibilidade para esta questão, em um capítulo em A Ética da Liberdade, ele diz que os Conservadores Americanos não conseguiam entender a América Latina, uma vez que a estrutura feudal não prosperou lá, não que não houvessem tentado isso lá no início da colonização.

Responder
Leandro 22/07/2013 03:29:57

Márcio, essa confusão que você fez a respetio do Bolsa-Família é bastante comum, mesmo entre economistas liberais. Mas o fato é que uma simples redistribuição de dinheiro não gera todo esse empreendedorismo. O princípio econômico é outro.

Imagine uma pequena cidade do interior do Piauí com 1.000 habitantes. Tal cidade não produz nada. Como ela não produz nada, ela não tem nada para "exportar" para outras cidades. Sendo assim, a única maneira de haver dinheiro entrando nessa cidade é quando seus aposentados e suas viúvas recebem sua pensão do INSS.

E como esta cidade tem de importar comida, roupas e vários outros bens, a quantidade de dinheiro que sai dela tende a ser maior do que a quantidade que entra. Logo, tal cidade vivencia uma contínua deflação monetária. E como os preços dos bens que ela tem de importar do resto do Brasil estão em constante inflação, a consequência é que o padrão de vida desta cidade será declinante. Haverá cada vez menos dinheiro para comprar bens cada vez mais caros. Daí a pobreza.

Porém, se você começa a jogar dinheiro do Bolsa-Família nesta cidade (há relatos de que há cidades no Maranhão e no Piauí em que mais de 80% da população recebe Bolsa-Família), a deflação monetária local não apenas é revertida, como também pode haver uma inflação monetária. Ato contínuo, a população local agora poderá "importar" mais bens de outras cidades. O padrão de vida se elevará.

A "bonança" que o governo gosta de dizer que está ocorrendo nestas cidades, cujas mercearias agora estão com prateleiras cheias, nada mais é do que consequência do fato de que tais cidades agora têm dinheiro para importar bens de outras cidades. Os defensores de tal política gostam de dizer que tal redistribuição estimula o emprego e a produção local. Nada. Estimula as importações de outras cidades, importações essas que irão para as mercearias locais e serão consumidas pela população local.

Ou seja: tal programa nada mais é do que um subsídio às importações de outras cidades. Prova cabal de que, mesmo em nível mais local possível, o protecionismo não tem como funcionar. Ter jogado dinheiro nestas cidades não estimulou em nada a produção local. Serviu apenas para ajudar a importar bens de outras cidades. Feche a fronteira destas cidades e você vai ver o quão "milagroso" é o Bolsa Família para acabar com a pobreza. Mais ainda: você verá o quão "estimulante" é o protecionismo.

Responder
Marcio L 22/07/2013 03:38:09

Sei que há controvérsias a respeito entre os economistas liberais, mas confesso que mão sou tão pessimista a respeito, mas esta é apenas uma impressão que tenho, seria necessário alguns estudos para saber se estas cidades passaram a produzir localmente. Vou buscar maiores informações. Acho que dados empíricos são essênciais para dirimir possíveis dúvidas a respeito.

Responder
Felipe 21/07/2013 12:33:44

Ótimo artigo, acabei de ver isso sobre Detroit:exame.abril.com.br/mundo/noticias/o-que-detroit-poderia-vender-para-sair-da-falencia#1 "o que Detroit pode vender para pagar a dívida"
mais uma prova que o estado é um péssimo empresário, Detroit pode ter que vender parques, museos, zoológicos e até privatizar o sitema de esgoto. Que maravilha se acontecer. Que venham mais falências de cidades!

Responder
anônimo 22/07/2013 10:42:32

Estive pensando se não seria essa a cidade ideal pro pessoal do Free State Project abraçar. Seria muito legal ver um renascimento de Detroit proporcionado graças a este pessoal.

Responder
Henrique Simões 21/07/2013 13:03:28

Sem querer desviar o foco do brilhante artigo, mas já desviando, surgiu uma duvida enquanto eu o lia. Como um maior déficit público afeta a inflação? Teria somente uma relação indireta com o fato do banco central poder comprar os titulos dos bancos privados, podem estes expandir suas bases monetárias?

Alguém poderia me responder ou indicar um artigo? Muito obrigado e parabéns a todos do Instituto Ludwig Von Mises Brasil.

Responder
Leandro 21/07/2013 22:32:34

Quando o governo incorre em um déficit, ele emite títulos. O sistema bancário compra estes títulos. E ele compra criando dinheiro do nada por meio das reservas fracionárias.

Os bancos compram os títulos do governo porque eles sabem que poderão revendê-los para o Banco Central em troca de novas reservas bancárias.

Conclusão: a existência de um Banco Central garante liquidez ao mercado de títulos do governo, o que estimula os déficits do governo. Os déficits são financiados pelos bancos, que criam dinheiro para comprar os títulos. Isso é inflação.

Responder
Henrique Figueiredo Simoes 22/07/2013 01:33:23

Muito obrigado, Leandro, era o que eu suspeitava. Só queria tirar a dúvida para saber se existia algum motivo adicional.

Aproveito para parabenizá-lo pelo excelente trabalho que você desenvolve no site, seja escrevendo, seja pacientemente nos explicando os conceitos da teoria austríaca nos comentários.

Sou advogado e leitor assíduo do site há meses. Não perco um dia sequer. Parabéns pelo trabalho de vocês!

Um forte abraço!

Responder
Leandro 22/07/2013 02:27:43

Obrigado pelas gentis palavras, Henrique. Grande abraço!

Responder
Cristovam Buarque 21/07/2013 13:03:49

Os gastos estatais estão presentes em um patamar moral acima dos privados. Dado que são legitimados pelo estado democrático de direito e que por tal motivo são feitos em nome do bem maior, não há qualquer motivo(Sejam eles inflação, endividamento governamental ou "excesso" de impostos sobre a população) válido para que sejam reduzidos. São a injeção do bem necessária na economia e o no social.

O texto entra como uma luva no pensamento de classe burguês. A crença de que as contas privadas são mais importantes que aquelas feitas por uma instituição que detém o monopólio do bem coletivo não poderia ser mais fantasiosa.

Sinto muito se vós, senhores da classe média, não poderão comprar mais comprar um iate, um jatinho e empregar seus cativos negros este ano novamente; é que a gente está tentando melhorar o Brasil.

Responder
Equipe IMB 23/07/2013 01:45:28

Ei, Típico Filósofo, dá uma maneirada nas ironias aí. Recebemos a seguinte mensagem de um leitor por meio de uma rede social:

"Ao pessoal do Mises: nos comentários do texto, consta a de Cristovão Buarque e parece-me ser o atual senador. Senti falta de alguém rebatendo."

Viu só a trabalheira que você nos dá? Resolva a situação para nós aí.

Responder
Blah 23/07/2013 11:00:20

Pior é que até parece mesmo algo escrito pelo Cristovam Buarque, um grande banana e um medíocre alçado à categoria de grande pensador da educação. Ele é a prova de que, para se fazer de inteligente nesse país, é só proferir platitudes genéricas, e ignorar solenemente as leis econômicas, dizendo que não se pode ser uma pessoa fria e sem sentimentos (como se isso fizesse as leis econômicas sumirem).

Responder
anonimo 21/07/2013 13:04:33

Me ajudem por favor: Leio varias noticias de que o dinheiro investido na copa, mobilidade etc. tem um retorno, fala-se mais ou menos assim: X dolar investido retorna 3x, 4x... Tudo dito por economistas que tem PhD etc, nao sou economista, mas respeito( por enquanto) o que eles dizem, o que ha de errado? Por que ha esse desencontro tao grande entre diferentes conclusoes para uma disciplina que se considera uma ciencia, se a E.A explica tambem os fenomenos economicos por que ela nao eh adota por nossos "lideres" para uma melhor organizacao da sociedade?
Gostaria muito de ver o debate entre dois economistas de escolas diferentes tratando do mesmo assunto, economistas capitalistas, por exemplo sobre essa assunto de obras publicas!

Responder
Lopes 21/07/2013 16:22:10

Simples: A apologia ao gasto estatal é politicamente conveniente. Ainda mais em meio democrático, dado que a estrutura de expansão nos ciclos econômicos coincide com os períodos eleitoreiros.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=1619

Responder
Pobre Paulista 22/07/2013 00:31:15

1 - se o empreendimento fosse realmente bom, existiriam inúmeras iniciativas privadas concorrendo entre si para realizar tal empreendimento. O governo pode falar que cada X investido voltará o Y que quiser, afinal o objetivo final é criar o empreendimento e não a sua utilidade.
2 - releia o texto e troque "pontes" para "estádios", talvez tudo fique mais claro.
3 - não adianta colocar "economistas de outras escolas" para discutir, primeiro porque outras escolas não possuem economistas e sim economágicos, segundo porquê seguindo uma dada lógica racional e um certo conjunto de premissas, existe apenas uma conclusão possível para análise. Os "economistas de outras escolas" sempre irão distorcer as premissas e corromper a lógica racional para chegar numa conclusão que já era previamente combinada de modo a agradar os governos.

Responder
Marcio L 21/07/2013 19:00:28

Sobre os investimentos públicos que tenham por objetivo o bem comum, benefício para todos, etc etc, gostaria de saber o que pensam sobre a industria farmaceutica.

Há um interessante entrevista com Richard J. Roberts que trabalhou muitos anos para esta industria sobre o desinteresse em fazer medicamentos eficientes que curem definitivamente as doenças, já que isso afetaria a lucratividade das empresas a longo prazo. O argumento tem força, gostaria de obter contra-argumentos.

Segue o link da entrevista: www.esquerda.net/artigo/farmac%C3%AAuticas-bloqueiam-medicamentos-que-curam-porque-n%C3%A3o-s%C3%A3o-rent%C3%A1veis

Responder
Leonardo Couto 21/07/2013 22:40:45


Olá Marcio L, vou tentar lhe responder:

"Sobre os investimentos públicos que tenham por objetivo o bem comum, benefício para todos..."

Não existe o "bem comum", Marcio. Existem diferentes atos que podem ser vistos como o "bem", como o maior eliminador de desconforto em um dado momento; existem diferentes pessoas com diferentes percepções e julgamentos sobre o mais correto ato a ser feito em no momento. A entidade a quem pode ser atribuído uma visão coletiva de bem, a "sociedade", simplesmente não existe; trata-se de um punhado de indivíduos.

O "bem comum", na verdade, será o bem individual daquele encarregado de definir o "bem comum".

"gostaria de saber o que pensam sobre a industria farmaceutica."

Um setor econômico amplamente cartelizado, blindado de novos concorrentes e cujas grandes empresas dependem de favores estatais para auferir seus lucros.

"Há um interessante entrevista com Richard J. Roberts que trabalhou muitos anos para esta industria sobre o desinteresse em fazer medicamentos eficientes que curem definitivamente as doenças, já que isso afetaria a lucratividade das empresas a longo prazo. O argumento tem força, gostaria de obter contra-argumentos."

Bem, existem diversos comportamentos que seriam mais lucrativos para empresas. Salários muito menores, insumos mais baratos, preços mais altos, obsolescência programada.

Todos eles são interessantes ao interesse individual de um empreendedor. Porém, um empreendedor não é o único agente econômico que há. Existem outros agentes, clientes, fornecedores, concorrentes. Cada um indivíduo inserido em determinado grupo tem, assim como o nosso empreendedor inicial, interesses individuais. E é a interação desses interesses individuais que modela o produto da economia. Essas interações levam a transação - interesse de ambas as partes - a um ponto onde nenhuma das partes envolvidas, se dependesse apenas de sua vontade individual, escolheria (o comprador escolheria o zero e o vendedor escolheria o infinito); porém ainda assim, ambas saem ganhando com a transação.

Independente se isso ocorre atualmente ou não, Marcio, esse interesse não seria relevante em um cenário livre. Ele só pode ser imposto em um contexto onde haja proteção contra as forças de mercado, o que, infelizmente, é o que está acontecendo no ramo farmacêutico.

Espero ter lhe ajudado.
Abraço.

Responder
Leonardo Couto 22/07/2013 03:03:35


Só um mais um conselho: Afaste-se da podridão esquerdista.

Responder
Marcio L 22/07/2013 03:32:32

Impossível eu me afastar da "podridão". Sou esquerdista desde criancinha, pelo menos culturalmente falando, sou contra os privilégios, contra o conservadorismo, contra a tentativa de uns quererem regular a vida de outros, etc etc. Economia é outro assunto.

Responder
Blah 22/07/2013 12:46:19

Impossível eu me afastar da "podridão". Sou esquerdista desde criancinha, pelo menos culturalmente falando, sou contra os privilégios, contra o conservadorismo, contra a tentativa de uns quererem regular a vida de outros, etc etc. Economia é outro assunto.

Você faz uma salada de conceitos.
- Ser contra privilégios não é ser "esquerdista". Quase toda corrente político-econômica se diz contra privilégios.
- Você é contra a tentativa de uns quererem regular a vida de outros. Ué, mas você não acha que "o bem comum" deve sobrepor aos "interesses individuais"? Sendo assim, você está automaticamente querendo regular a vida de outros. Lembre-se de que as maiores atrocidades da história da humanidade aconteceram justamente por "grandes líderes" que juravam lutar pelo "bem comum".

Responder
Leonardo Couto 22/07/2013 19:44:52


Nem esquerda, nem direita

O termo que você usou pressupõe a existência de um poder coercivo sobre os indivíduos.

Qualquer proposta de "esquerda", "direita" ou seu meio-termo "centro" vêm do mesmo conceito imoral de filiação forçada, e da mesma visão coletivista de se impingir uma visão individual a outras pessoas.

Você não é esquerdista ou direitista por determinados valores morais que acredite, e sim pela disposição de impor tais valores aos outros.

Responder
Marcio L 22/07/2013 21:34:03

Blah, gostaria que você apontasse nesta thread onde eu escrevi que sou a favor do bem comum ou do benefício de todos.

Realmente há uma salada, muitas vezes eu tomo esquerda vs direita por progressista vs conservador. É possível encontrar pessoas esquerdistas conservadoras e direitistas progressistas. Em uma entrevista publicada recentemente aqui no IMB o Hoppe declara-se um austro-libertário culturalmente conservador. Eu estou um mutualista culturalmente progressista (uso o verbo estar ao invés de ser, por sempre estar aberto a mudanças de opnião).

Responder
Blah 23/07/2013 10:55:36

Bem, você falou sobre os supostos círculos virtuosos do Bolsa-Família. Eu nunca conheci alguém que fale sobre isso e não fale ao mesmo tempo sobre o bem comum.

Responder
Joao 21/07/2013 19:02:48

Excelente artigo. Caiu bem nesse contexto do propinoduto tucano.

Responder
joao 22/07/2013 04:27:19

Excelente texto e livro mais excelente ainda! É perfeito pra indicar a quem é leigo em Economia.

Outro dia conversando com meu velho pai sobre essa falácia dos gastos públicos e como eles são pejudiciais, ele responde:

"Sim filho, vc tem razão. Mas sabendo que o governo daqui já rouba essa montanha de dinheiro de nós, o menor mal que fazem é usá-lo em algo que melhora a vida do povo, caso contrário eles (os politicos) embolsariam todo o dinheiro. É como dizia o Maluf, roubei mas fiz."

Tá certo que é imoral o governo sugar tanto recurso de nós (os produtores). Mas DADO que isso já existe, não seria uma "contenção de danos" ele retornar pelo menos a maior parte possível ao povo?

Responder
Antonio Galdiano 22/07/2013 12:12:27

O texto pode ser melhorado respondendo a seguinte questão:
Mas e se os recursos retirados via imposto da sociedade, digamos de um setor capital-intensivo, e foi aplicado em um setor trabalho-intensivo? Certamente haverá mais empregos no instante da execução da obra política. Essa questão não foi respondida pelo texto é é importante.

Responder
Gutemberg 22/07/2013 12:46:40

Por que importante? Por que a criação de empregos apenas temporários e insustentáveis em empreendimentos para os quais não há uma genuína demanda é importante?

Isso configura apenas desperdício de capital. É como colocar as pessoas para cavar buracos e depois tapá-los em seguida. Cria-se empregos meramente temporários, não se melhora o padrão da economia, e se destrói recursos escassos em empreendimentos inúteis.

Acho que você não pegou justamente a essência do artigo.

Responder
Antonio Galdiano 22/07/2013 14:02:41

Bom, você tem o direito de ter a opinião que quiser do meu comentário.
A sua resposta, correta por sinal, trata a questão no horizonte temporal. Eu reli o texto e não há o elemento que você colocou. Eu inclusive complementaria a sua resposta com o seguinte: esse tipo de intervenção, além de suprir mercados sem demanda real, empregam o pior dos executores possível, o que faz a coisa da pior maneira possível.


Acontece que esses elementos não estão no texto, releia-o e veja você mesmo, como nesse ponto:

"Neste ponto, o cenário passa a ser diferente. É verdade que determinado grupo de operários terá AGORA empregos, o que não ocorreria não fosse a construção da ponte. A ponte, porém, tem de ser paga com impostos, pois todo dinheiro gasto pelo governo tem de ser tirado dos contribuintes. Se a ponte custa $10 milhões, os contribuintes perderão $10 milhões. Os cidadãos deixarão de ter uma quantia que, não fosse a construção da ponte, seria despendida em coisas que voluntariamente considerassem mais necessárias. Os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir. "

De fato, você melhorou o texto pois o que você disse sequer está implícito nele.


Agora: "Acho que você não pegou justamente a essência do artigo."
Você tem o direito de ter a opinião que quiser do meu comentário, inclusive uma opinião errada. Isso só prejudica sua credibilidade.

Responder
Dalton C. Rocha 22/07/2013 16:40:24

Mostrada logo no começo a Ponte Rio-Niterói, se paga e com folga, todos os anos, apenas na economia de combustível que proporciona.
Enquanto isto, mais de 60% do gasto público no Brasil é feito para manter a ciranda financeira.

Responder
Leandro 22/07/2013 16:50:52

Prezado Dalton, que a ponte Rio-Niterói seja ótima para aquela pequena fatia de cariocas e niteroiense que a utilizam diariamente, isso é indiscutível.

Falta agora você chegar para aquele piauiense aposentado que viu seu antigo INPS sendo desviado para a construção da ponte e convencê-lo de que ter sua aposentadoria espoliada em prol do bem-estar de alguns míseros fluminenses foi um sacrifício patriótico.

Responder
anônimo 29/07/2013 09:07:28

Desviaram dinheiro do INPS para construir a Ponte Rio Niterói? E do INPS nordestino? Eu não sabia disso. Me informe mais sobre isso.

Responder
Advogado da União 29/07/2013 09:25:51

Os fundos da previdência foram usado para construir Brasília, Furnas, Ponte Rio-Niterói etc. Uma simples googlada mostra vários artigos sobre isso.

www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11761

www.icb.ufmg.br/labs/lpf/PREVIDENCIA-PARA-TODOS,98.html

www.sudarcyadvocacia.com.br/pdf/DE_ONDE_SAIU_O_DINHEIRO_PARA_CONSTRUIR_BRASILIA_E_A_PONTE_RIO_NITEROI_ETC.pdf

www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=%22ponte%20rio-niteroi%22%2C%20%22previdencia%22&source=web&cd=9&ved=0CGAQFjAI&url=http%3A%2F%2Fwww.camara.gov.br%2Fsileg%2Fintegras%2F155952.doc&ei=lDH2UbaIHZCK9QSg-4EQ&usg=AFQjCNEHaHGI8PJUSFMnP_-GEnpBIMlq1Q

Responder
Nilton 23/07/2013 14:05:56

Queria perguntar ao Leandro quando se trata de grandes obras,mega-engenharia a China é campeã em muitas coisas. veja os exemplos:gigantesdomundo.blogspot.com.br/2013/05/os-10-maiores-aeroportos-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/05/as-10-maiores-pontes-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2012/11/as-10-maiores-redes-de-metro-do-mundo.html gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/10/as-10-maiores-pontes-suspensas-do-mundo.html

gigantesdomundo.blogspot.com.br/2011/12/o-maior-porto-do-mundo.html

Será que com todo estes gastos nestas imensas obras ao invés de ir para frente, a China pode mesmo é estar caminhando para trás ? Pode o pais parar de crescer economicamente por causa dos imensos gastos em mega-obras ?

Leandro ! Todo mundo pensa que a China cresce muito por estar fazendo estas super obras.

Qual sua opinião.

Responder
Leandro 23/07/2013 14:26:19

Seria muita pretensão de minha parte sair dando vaticínios sobre a China, um país cujas estatísticas oficiais -- as únicas disponíveis -- são pra lá de duvidosas. De onde estou, não tenho condições de saber se há uma genuína demanda pra estes empreendimentos ou se tudo não passa de bolha.

No entanto, levando-se em consideração todas as cidades-fantasmas existentes na China, bem como os números da expansão do crédito, há sim fundamentos no argumento de que tudo isso foi uma enorme destruição de capital -- exceto para quem estava no setor da construção civil, é claro. Esses faturaram bastante.

De resto, compare a evolução do PIB per capita da China com o PIB per capita da Coreia do Sul, que era uma favela na década de 1950, e você terá uma ligeira idéia de como os coreanos fizeram mais bem-feito (por terem queimado menos capital, houve mais investimento e sua população pôde consumir bem mais do que os chineses).

Responder
Filipe Celeti 23/07/2013 21:49:19

Não poderia deixar de indicar a palestra do Gabriel Calzada Alvares no Fórum da Liberdade que tem tudo a ver com o texto do Hazlitt. (inicia aos 45 minutos.)

Responder
Leonardo Lopes 29/07/2013 05:57:15

O governo atendendo a demanda de determinado lugar faz um projeto, avalia riscos e orça o quanto vai gastar(tudo isso se o governo der valor ao dinheiro público). Assim, se dá o início da obra, com os operários chamarizes, essa obra vai demandar a compra de materiais, que serão comprados, isso irá garantir o emprego não só dos funcionários da ponte como também das fábricas fornecedoras de materiais. O dinheiro "gasto" nessa ponte vai beneficiar, por exemplo, uma determinada região, claro, em detrimento de outra, no entanto, o usuário dessa ponte, contribuinte também, vai poder se locomover com mais rapidez pela cidade, chegará mais cedo no trabalho, ainda vai estar mais descansado, pois, com o tempo a menos gasto no transito o usuário da ponte, contribuinte e funcionário de uma empresa, vai ter a oportunidade de dormir um pouco mais, tudo isso graças a uma ponte construída com seus impostos, além dele muitos outros usuários vão ter uma melhora na sua qualidade de vida, resultando em maior eficiência no trabalho, isso significa lucro, dinheiro para a empresa pode investir.
O dinheiro gasto pelo governo em determinado lugar, poderia muito bem ser em outro, que também beneficiária muitas outras pessoas e provavelmente muitas outras empresas, essas veriam os impostos pagos sendo revertidos em lucros. Por tanto, uma obra pública tem uma importância que vai além do que vemos, é generalização acreditar que não trás resultados para o longo prazo; não isento o governo de ter compromisso com o dinheiro público e de gastar esse recurso com eficiência e comprometimento(isso não vem ocorrendo no momento), ao em vez de gastar grandes somas em lugares melhor estruturados onde a concentração de pessoas é maior - consequentemente com mais eleitores vendo a execução da obra -, redirecionar também para outros mais pobres de menor concentração populacional, não vai trazer os impostos pagos que poderiam ser revertidos em outras coisas mas pode trazer a sensação que o nosso imposto está sendo usado de forma "correta".

Responder
Leandro 29/07/2013 08:20:50

Prezado Leonardo, que os habitantes da cidade agraciada com obras do governo irão se beneficiar é algo inquestionável. Se o governo tomar dinheiro seu e repassar para mim, ninguém duvida de que eu serei beneficiado.

Da mesma forma, que as empreiteiras escolhidas para fazer as obras públicas são beneficiadas, bem como seus fornecedores e empregados, é outro fato que ninguém em sã consciência nega.

Agora, o que você ignora é como ficam os pagadores de impostos que estão financiando tudo isso e que não se beneficiam de nada, bem como as outras construtoras que agora terão de arcar com materiais e equipamentos de construção mais caros, pois boa parte foi direcionada para suprir a demanda da empreiteira financiada pelo governo.

É fácil falar daquilo que se vê diretamente; o real desafio é entender aquilo que não se vê diretamente. Saber distinguir estas duas coisas é o que diferencia um genuíno economista de um mero panfleteiro a serviço de propagandas político-partidárias.

Grande abraço!

Responder
Danielbg 29/07/2013 10:19:28

Leonardo, se a intenção é aumentar o lucro das empresas e facilitar a vida do cidadão, é melhor o governo ficar bem longe de qualquer ação. Longe de boas pretensões, a intenção do governo é perpetuar seu poder, piorando ainda mais a política de gastos e prejudicando quem estiver em seu caminho.

Responder
joao 29/07/2013 14:19:51

Alguém aqui que defende as obras públicas terminou de ler o Economia numa Única Lição?

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego particular. Podemos ver os operários empregados na construção da ponte. Podemos vê-los trabalhando. Esta imagem real faz com que o argumento do governo — gerar empregos — se torne vívido, tangível e, muito provavelmente, convincente para a maioria das pessoas.

Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem. São os empregos destruídos pelos $10 milhões tirados dos contribuintes. Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto. Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos técnicos de rádio, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.


Não interessam os "benefícios" trazidos pela obra. O governo não produz nada. Ele, em algum momento, precisou retirar de quem produz para ele mesmo "produzir". Como o Hazlitt disse, na melhor hipótese ocorreu uma transferência de empregos.

Vejamos:
O governo atendendo a demanda de determinado lugar faz um projeto, avalia riscos e orça o quanto vai gastar
Se esse lugar tem uma demanda, porque o setor privado não pode atender?

O dinheiro gasto pelo governo em determinado lugar, poderia muito bem ser em outro, que também beneficiária muitas outras pessoas e provavelmente muitas outras empresas, essas veriam os impostos pagos sendo revertidos em lucros. Por tanto, uma obra pública tem uma importância que vai além do que vemos, é generalização acreditar que não trás resultados para o longo prazo;

Lucros? Ou seja, o gasto público pode ser revertido em lucros. Essa teoria é constantemente combatida aqui no IMB e no livro a que me referi acima. O livro em especial diz que a maior falácia da Economia é prestar atenção nos efeitos de uma medida sobre um determinado grupo e no curto prazo. Como todos já disseram, é claro que a região que recebeu a obra (assim como qualquer grupo que recebe dinheiro) é beneficiada, mas temo que avaliar não apenas os efeitos sobre essa região/grupo. Será que esse tipo de gasto beneficiou a todos? Será que ele, no final, aumentou a produção líquida da nação (aumentando a riqueza nacional)?

Voltemos ao autor do artigo:
Interessa-me apenas apontar o erro em dois dos argumentos mais frequentemente apresentados a favor desse tipo de construção. Um, é o de que ela "gera empregos"; o outro, o de que ela cria riquezas que, sem estas obras, não teriam sido produzidas. Ambos os argumentos são falsos, uma vez que não levam em consideração o que se perde pela tributação. A tributação para a construção de moradias, com fundos públicos, destrói tantos empregos em outras atividades quanto cria na de construção.

A obra pública não "criou" NENHUMA riqueza, nenhum emprego. Ela, no máximo, transferiu empregos e riquezas de uma região (ou grupo) para outra(o). Nada foi criado.

Agora você pode se perguntar, assim como eu me perguntei: mas se no final fica tudo no 0x0 e só houve uma transferência, pelo menos a obra pública não empobreceu ninguém, não resultou em mal nenhum. Será?
Se realmente houvesse demanda daquela obra pública, o setor privado a atenderia. Por que ele não faria isso? Ele iria lucrar atendendo àquela demanda. Isso ALÉM de prover a região com a infra-estrutura. A vantagem do setor privado atender a essa demanda é que, em primeiro lugar, ele não precisou tomar (eu prefiro dizer roubar) dinheiro de alguma região/grupo para construir o empreendimento. Em segundo, ele tem todos os INCENTIVOS para ser cuidadoso, eficiente: o mecanismo de lucros e perdas. Ele sabe que se errar em sua estimativa de demanda, será penalizado e pode até quebrar. Agora quais são os incentivos do governo? Mesmo que acreditassemos na difícil possibilidade do Estado querer ser eficiente e atender às demandas, isso não tem como ocorrer na realidade pois não há um sistema de recompensa/punição sobre ele. Não tem como.

Veja o caso das hidrelétricas. Itaipu parece uma obra dos deuses, indispensável. Mas não cansamos de saber que centenas de hidrelétricas menores seriam mais eficientes que construir um dinossauro daqueles. E ainda faria bem ao meio ambiente. O mercado, de maneira "invisível" já havia pensado nisso, mas os governantes, mesmo contando com os melhores cérebros (?) não.

Então, além de no melhor caso ser apenas uma transferência de renda/empregos, na realidade as obras públicas acabam sendo um show de desperdício de recursos escassos, atendendo demandas inexistentes/insuficientes, consumindo recursos que seriam usados de maneira mais produtiva pelo setor privado. Ao impedir o setor privado desses recursos, riquezas deixaram de ser criadas do modo mais eficiente, e "riquezas" foram criadas de maneira ineficiente (se é que isso é possível). No final, no longo prazo, todos acabaram mais pobres porque menos bens foram produzidos, graças aos recursos confiscados para as obras públicas.


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O INDIGNADO 16/09/2014 13:09:32

Não se preoculpem. Nada pode ficar tão ruim que não possa piorar.
www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1497758

Responder
Andre Cavalcante 16/09/2014 15:11:26

Na verdade O INDIGNADO,

eu até gostei da notícia. Veja bem, é uma facada a mais no bolso dos moradores, eu sei, mas vai mostrar, ao menos para Curitiba, que a prefeitura não lá assim tão importante e que mesmo obras que os estatistas consideram como a maior justificativa da existência do governo que é a construção e o gerenciamento das ruas, pode ser feito de forma comunitária pelos moradores da região. Talvez os moradores acabem é fazendo a obra toda, o que vai sair mais barato que essa parceria com a prefeitura. Quem sabe, no futuro fique claro que o dinheiro dos impostos só serve mesmo é para engordar o bolso dos deputados e apaniguados. Veja bem, quanto menos usarmos o governo para qualquer coisa, inclusive a manutenção das ruas, melhor!

Abraços



Responder
Fabio o privatista 16/09/2014 20:42:51

Sim,André Cavalcante, a idéia nao e das piores, mais, o problema e vc pagar 2 x, e tem mais um detalhe, isso nao vale p/ baixa renda, o q vai acabar onerando o pagador de impostos mais ainda. E isso sem contar o ponto a que chegamos, além de sustentar a corja de vagabundos, ainda teremos q pagar a obra q deveria sair dos impostos.

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