Como as obras públicas subtraem riqueza da população
por , quinta-feira, 9 de agosto de 2012

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ponte620.jpgNão existe crença mais persistente e mais influente do que a crença no fato de que gastos governamentais são benéficos para todos.  Em todos os cantos do globo eles são apresentados como a solução para todas as mazelas econômicas.  A indústria está parcialmente estagnada?  Podemos estimulá-la por meio de gastos governamentais.  O desemprego está alto?  Culpa do "insuficiente poder aquisitivo das pessoas".  O remédio, claro, é óbvio: aumentar os gastos do governo.

Todo o necessário para corrigir a situação é o governo despender o suficiente para compensar estas "deficiências".

Uma vasta literatura se baseia nesta falácia, e, como muitas vezes acontece com doutrinas dessa espécie, tornou-se parte de uma complexa rede de falácias que se sustentam mutuamente.  Não podemos, a esta altura, investigar toda essa rede; mas podemos, aqui, examinar a falácia-mãe que deu nascimento a essa progênie.

Tudo o que não é oriundo das dádivas livres da natureza tem, de certo modo, que ser pago.  O mundo, no entanto, está repleto de pseudo-economistas que estão cheios de planos para obter alguma coisa em troca de nada.  Dizem-nos que o governo pode gastar livremente sem ter de tributar; que pode continuar a acumular dívidas sem jamais ter de liquidá-las, pois "nós devemos a nós mesmos".  Ao longo da história, todos os belos sonhos deste tipo foram sempre destruídos pela insolvência nacional ou por uma inflação galopante.  Devemos aqui dizer, simplesmente, que todos os gastos governamentais terão, na prática, de ser pagos pela tributação

Sim, pode-se recorrer à inflação monetária para se financiar estes gastos.  Porém, a própria inflação monetária não passa de uma forma — particularmente anormal — de tributação.  A inflação monetária gerará dois fenômenos: redistribuição de renda dos mais pobres para os mais ricos e aumento de preços, fenômeno este que também penalizará com mais severidade os mais pobres.  A inflação é um imposto.

Em prol da argumentação, vamos admitir aqui que cada unidade monetária gasta pelo governo deverá ser arrecadada imediata ou posteriormente por meio de imposto.  Uma vez considerada a questão nesse sentido, os supostos milagres dos gastos governamentais aparecerão sob outro prisma.

O governo continuamente gasta um determinado montante para cumprir suas despesas correntes: pagar seus funcionários, sua burocracia, redistribuir renda e fazer suas corriqueiras obras públicas.  Tais gastos não serão o escopo deste artigo.  Quero aqui tratar daquelas obras públicas consideradas como meios de se "criar empregos" ou de se aumentar a riqueza da sociedade, sem as quais — afirmam alguns economistas — tal enriquecimento não seria possível.

Constrói-se uma ponte.  Se ela é construída para atender a uma demanda pública insistente; se ela soluciona um problema de tráfego ou de transporte, insolúveis sob outra forma; se, em suma, ela é mais necessária aos contribuintes coletivamente do que coisas com as quais eles individualmente gastariam seu dinheiro — se este não lhes houvesse sido tirado por meio dos tributos —, então sua construção pode ser aproveitável (embora seja praticamente impossível determinar que absolutamente todos os pagadores de impostos realmente queiram esta ponte). 

Por outro lado, uma ponte construída com o intuito de "gerar empregos" é um outro tipo de ponte.

Quando "gerar empregos" se torna o objetivo, a real necessidade de algo passa a ser uma consideração secundária.  O que importa é inventar "projetos".  Em vez de pensarem apenas naqueles locais específicos onde há uma suposta demanda popular por uma ponte, os responsáveis pelo dinheiro público começam a se perguntar onde mais podem sair construindo outras pontes.  Mesmo que a construção de pontes não esteja sendo demandada, o empreendimento será feito.  Aqueles que duvidarem desta necessidade serão tachados de obstrucionistas, atrasados, insensíveis e reacionários.

Normalmente, são apresentados dois argumentos para a construção de uma ponte: um, aquele que se ouve principalmente antes de ele ser construída; o outro, aquele que frequentemente se ouve depois de ele estar concluída.  O primeiro argumento é que a construção proporcionará empregos.  Proporcionará, digamos, 500 empregos durante um ano.  A implicação disso é que esses empregos, de outra forma, não existiriam.

Isso é o que se vê de imediato.  Se estamos, porém, treinados na ciência econômica; se sabemos enxergar as consequências secundárias de determinadas medidas econômicas, então somos capazes de ver mais além.  Podemos, neste caso, saber que, além daqueles que são diretamente beneficiados por um projeto governamental, haverá outros que serão indiretamente afetados. 

Neste ponto, o cenário passa a ser diferente.  É verdade que determinado grupo de operários terá agora empregos, o que não ocorreria não fosse a construção da ponte.  A ponte, porém, tem de ser paga com impostos, pois todo dinheiro gasto pelo governo tem de ser tirado dos contribuintes.  Se a ponte custa $10 milhões, os contribuintes perderão $10 milhões.  Os cidadãos deixarão de ter uma quantia que, não fosse a construção da ponte, seria despendida em coisas que voluntariamente considerassem mais necessárias.  Os empreendimentos que agora não mais receberão este dinheiro — que foi desviado para a construção da ponte — começarão a demitir.

Portanto, para cada emprego público criado pelo projeto da ponte, foi destruído, em algum lugar, um emprego particular.  Podemos ver os operários empregados na construção da ponte.  Podemos vê-los trabalhando.  Esta imagem real faz com que o argumento do governo — gerar empregos — se torne vívido, tangível e, muito provavelmente, convincente para a maioria das pessoas.

Há, no entanto, outras coisas que não vemos porque, infelizmente, não se permitiu que surgissem.  São os empregos destruídos pelos $10 milhões tirados dos contribuintes.  Na melhor das hipóteses, tudo o que aconteceu foi uma transferência de empregos por causa de um projeto.  Mais operários para a construção da ponte; menos operários para a indústria automobilística, menos técnicos de rádio, menos empregados para fábricas de artigos de vestuário e para a agropecuária.

Chegamos, então, ao segundo argumento.  A ponte existe.  É, suponhamos, uma ponte realmente bonita.  Surgiu graças à magia dos gastos governamentais.  O que teria acontecido se os obstrucionistas e os reacionários tivessem imposto sua vontade?  Não haveria a ponte.  O país estaria mais pobre, afirmam eles.

Nisso, os responsáveis pelo dinheiro público, mais uma vez, levam a melhor ao debaterem com todos aqueles que não têm a capacidade de enxergar além do alcance imediato de seus olhos.  Todos podem ver a ponte.  Mas apenas aqueles mais versados em economia são capazes de perceber as consequências indiretas e não perceptíveis deste arranjo; apenas estes podem, mais uma vez, enxergar todas aquelas riquezas que nunca chegarão a existir.  Podem enxergar casas que não foram construídas, automóveis, rádios, imóveis e roupas não fabricados, e talvez até mesmo alimentos que não foram cultivados e nem vendidos.  Ver esses elementos que não foram criados requer certa imaginação e certo treino econômico, algo que nem todo mundo possui.

Podemos imaginar imediatamente esses objetos, mas não podemos ver sua existência.  Por outro lado, podemos ver a ponte e utilizá-la todos os dias ao irmos para o trabalho.  Simplesmente o que aconteceu foi que uma coisa foi construída em vez de várias outras.

O mesmo raciocínio aplica-se, naturalmente, a quaisquer outros tipos de obras públicas.  Aplica-se também, por exemplo, à construção, com fundos públicos, de habitações para pessoas de baixa renda.  O que acontece é que o dinheiro é arrancado, por meio de impostos, de famílias de renda mais elevada (e, talvez, até de famílias de renda menor) para forçá-las a financiar famílias selecionadas, de renda inferior, capacitando-as a viverem em melhores moradias.

Não é meu intuito aqui discorrer sobre questões morais no que tange à construção de moradias com dinheiro público.  Interessa-me apenas apontar o erro em dois dos argumentos mais frequentemente apresentados a favor desse tipo de construção.  Um, é o de que ela "gera empregos"; o outro, o de que ela cria riquezas que, sem estas obras, não teriam sido produzidas.  Ambos os argumentos são falsos, uma vez que não levam em consideração o que se perde pela tributação.  A tributação para a construção de moradias, com fundos públicos, destrói tantos empregos em outras atividades quanto cria na de construção.  O resultado é a não construção de imóveis, a não fabricação de máquinas de lavar roupa e geladeiras e a falta de inumeráveis outros bens e serviços.

E nada disso é refutado pela contra-argumentação que diz, por exemplo, que a construção de moradias com dinheiro público pode ser financiada por várias parcelas anuais, em vez de por uma quantia a ser paga de uma só vez.  Isso significa simplesmente que o custo passa a ser distribuído por muitos anos, em vez de concentrar-se em um só.  Significa, também, que o que se tira dos contribuintes é distribuído por muitos anos, em vez de concentrar-se num só.  Tais detalhes técnicos são irrelevantes para o ponto principal.

A grande vantagem psicológica a favor da construção de moradias com dinheiro público está no fato de que é possível ver homens trabalhando enquanto estão sendo construídas as casas, e que estas são vistas depois de finalizadas.  Passam a ser habitadas e os moradores, orgulhosamente, mostram as dependências aos amigos.  Não se veem os empregos destruídos pelos impostos destinados às moradias, nem os bens e serviços que deixaram de ser ofertados.  Isso exige um esforço de pensamento.  E, a cada vez que se veem as casas e seus felizes moradores, um novo esforço é necessário para se imaginar toda a riqueza que por causa disso não foi criada. 

É de se surpreender que os defensores da construção de moradias com dinheiro público não tenham considerado esse ponto.  Se alertados sobre isso, tacham-no de pura imaginação, de simples objeção teórica, ao mesmo tempo em que realçam a beleza das moradias públicas existentes.  Isso faz lembrar um personagem de Saint Joan, de Bernard Shaw, que, ao lhe falarem sobre a teoria de Pitágoras, segundo a qual a terra é redonda e gira em torno do sol, respondeu: "Que consumado idiota!  Não podia ver isso com os próprios olhos?"

O mesmo raciocínio deve ser aplicado a todos os grandes projetos empreendidos pelo governo.  Quanto mais faraônica a obra, maior o perigo da ilusão de ótica.  Ali está uma gigantesca represa, um formidável arco de aço e concreto "maior que qualquer outro empreendimento que o capital privado pudesse ter construído", o fetiche dos fotógrafos, o símbolo mais frequentemente utilizado dos milagres da construção e da operação estatal.  Ali estão gigantescos geradores e usinas de força.  Ali está toda uma região, diz-se, elevada para o mais alto nível econômico, atraindo fábricas e indústrias que, de outro modo, não teriam existido.  E tudo é apresentado, nos louvores de seus proponentes, como sendo ganho econômico líquido para o país, sem contrapartidas.

De novo, não vamos aqui entrar novamente no mérito das obras públicas.  Vamos apenas nos concentrar no esforço da imaginação, algo de que poucas pessoas são capazes, para ver o lado devedor da equação.  Se os impostos, arrecadados de pessoas e empresas, são aplicados em determinada região de um país, por que motivo causaria surpresa, por que deveria ser considerado um milagre que esta região se tenha tornado relativamente mais rica?  Outras regiões do país, sempre é válido lembrar, se encontram, em decorrência disso, relativamente mais pobres.

Aquele empreendimento tão grande que "o capital privado não teria podido realizar", foi, na verdade, realizado pelo capital privado — pelo capital expropriado mediante imposto (ou, se o dinheiro foi tomado como empréstimo, acabará sendo expropriado também com impostos, só que mais no futuro).

É necessário, novamente, fazer um esforço de imaginação para vermos os edifícios comerciais e as habitações particulares, os automóveis e os aparelhos de televisão cuja existência não foi permitida, pois o dinheiro que foi extraído do povo, em todo o país, foi empregado na construção de uma fotogênica obra pública.

Escolhi aqui propositadamente os mais favoráveis exemplos de projetos de dispêndios públicos — isto é, aqueles que são mais frequente e ardentemente aconselhados pelos agentes governamentais e mais altamente considerados pelo público.  Não falei das centenas de projetos frívolos que, invariavelmente, surgem sempre que o objetivo principal é "gerar empregos" e "colocar gente para trabalhar".  Isso porque, conforme vimos, a utilidade do próprio projeto torna-se, inevitavelmente, uma consideração secundária.  Além disso, quanto mais extravagante a obra, quanto mais dispendioso o trabalho, quanto maior o custo da mão-de-obra, tanto melhor para o objetivo de gerar mais empregos. 

Sob tais circunstâncias, é altamente improvável que os projetos inventados pelos burocratas proporcionem o mesmo aumento líquido à riqueza e ao bem-estar, por unidade monetária gasta, como teria sido proporcionado pelos próprios pagadores de impostos se, individualmente, o governo lhes tivesse permitido comprar ou fazer o que eles mesmos desejassem em vez de serem forçados a entregar parte de suas poupanças ao estado.

 

Leia também:

A vidraça quebrada 

Gastos governamentais sempre são ruins para a economia 

Por que é impossível o governo fazer a economia crescer

O problema com os gastos do governo 

Por que o governo não é capaz de ofertar serviços eficientemente


Henry Hazlitt 

(1894-1993) foi um dos membros fundadores do Mises Institute. Ele foi um filósofo libertário, economista e jornalista do The Wall Street Journal, The New York Times, Newsweek e The American Mercury, entre outras publicações. Ele é mais conhecido pelo seu livro Economia em uma Única Lição.




23 comentários
Marcos 09/08/2012 05:12:25

Para quem já leu Bastiat o artigo é extremamente claro, o autor só não previu nos números que para se fazer uma ponte de 10 milhões, não precisa-se do referido valor, mas sim de duas, três ou até muitas vezes mais o valor do projeto, o custo da corrupção chega a ser maior que o da obra...

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Breno 09/08/2012 07:00:37

Pela exposição acima, me parece que o Brasil foi aposentado em 1950 e recentemente agora em 2012 - risos! Duas aposentadorias, nesse mundo com menos de 65 anos....

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Arthur 09/08/2012 09:00:14

Se isso já é um mal em obras que, de uma forma ou de outra, ainda beneficiam a população (ou ao menos parte dela), como na ponte citada como exemplo, o que dizer então sobre obras como os estádios para a Copa do Mundo, ou complexos esportivos para as Olimpiadas, visto que estes têm grande risco de serem abandonados após os mencionados eventos?

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Patrick de Lima Lopes 09/08/2012 10:03:32

Os fatos falam por si mesmos.
Aqui uma parte de um artigo que escrevi há alguns meses:

"Apesar da enchente de gastos promovida pelas olimpíadas na China, grande parte desta revelou-se um desperdício de tempo e recursos. Para exemplificar tal afirmação, basta tomar os estádios Ninho de Pássaro e Cubo d'água como exemplo. Juntos, as maravilhas da engenharia custaram ao contribuinte mais de 1 bilhão de dólares e hoje enfrentam uma crise existencial devido à pouca demanda por locais de tal porte. Segundo o jornal Estadão[1], o governo chinês, buscando aproveitar o máximo do que restara de seu investimento, transformou ambas as maravilhas da engenharia em "parques temáticos" em uma tentativa de ao menos compensar a cara manutenção das construções.
Outro excesso promovido pelos jogos olímpicos é o aumento da demanda artificial e a expansão desnecessária da infraestrutura aérea. Um poderoso argumento para apoiar tal afirmação é o caso do Aeroporto Internacional de Pequim, utilizado como principal porta de entrada aos turistas interessados em assistir aos jogos. Estima-se que apenas a construção dos novos terminais de passageiros tenham custado 300 milhões de euros[2]. Tal investimento foi justificado pela necessidade de aumentar a capacidade de visitas anuais do aeroporto em função do evento esportivo. Entretanto, novamente o excesso mostrou-se em vão: Os atuais terminais são capazes de atender a 68 milhões de passageiros por ano, aproximadamente duas vezes mais que a atual quantidade de visitantes do aeroporto segundo a BBC."

As fontes que eu utilizei são pouco confiáveis(mídia de massa), mas os dados fornecidos por elas encaixam-se perfeitamente para representar parte do prejuízo causado por grandes eventos esportivos. Aqui estão algumas das fontes que usei para o artigo COMPLETO:

Sites:

www.1.folha.uol.com.br.
www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1069576-apos-dois-anos-africa-do-sul-ainda-paga-conta-de-estadios.shtml

How Stuff Works - Esporte
esporte.hsw.uol.com.br/jogos-olimpicos10.htm

esportes.terra.
esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5812701-EI19410,00-Sem+orcamento+final+COI+inicia+visita+mais+importante+para+Rio.html
esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5847972-EI19410,00-Historia+indica+alta+na+bolsa+de+Londres+por+Olimpiada.html
esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3050560-EI10378,00-Olimpiada+mais+cara+da+historia+e+pouco+polemica+na+China.html

pt.wikipedia.org.
pt.wikipedia.org/wiki/Aeroporto_Internacional_de_Pequim

bbc.co.uk.
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120613_londres_budget_rc.shtml
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120611_londres_2012_cubanos_fn.shtml
www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120605_chat_marcusvinicius_atualiza_cc.shtml
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Outro imenso prejuízo que eu não mencionei ocorre na hotelaria. As empresas, por próprio bom-senso, decidem não adotar uma expansão para sustentar um mercado consumidor que ficará hospedado em seus hotéis por apenas uma semana.
O estado não gosta e decide pressioná-las a adotar tal expansão, através de uma oferta maior de crédito ou subsídios. Sem sucesso, o próprio decide construir ele mesmo os hotéis.

Então surge o velho procedimento de construção com custos (e velocidade) faraônicos onde reina a corrupção. Resultado: Os hotéis oferecem seus serviços aos turistas do evento esportivo e este acaba uma semana depois. Conclusão: Desperdício de recursos escassos, centralização da mão-de-obra baseada em uma demanda artificial, desperdício do dinheiro do pagante de impostos, etc.

Conclusão:
Se as obras públicas são um desastre, os eventos esportivos são o apocalipse. São saqueadas fortunas para a construção daquilo que ninguém precisa, propriedades são "invadidas legalmente" por burocratas, recursos escassos são jogados fora e as contas continuaram sendo mandadas ao pagante de impostos.

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Sérgio 21/08/2012 00:24:57

Acreditar em que numa emissora estatal? Uma das notícias citadas diz que as Olimpíadas de Londres custou menos que o previsto. As notícias abaixo dizem o contrário:

Orçamento dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 poderá bater £11 bilhões, adverte cão de guarda
Os Jogos Olímpicos de Londres estão em perigo de exceder sua construção e orçamentos operacionais, com o custo total para os cofres públicos de £11 bilhões a mais do que os £9,3 bilhões citados pelo governo, de acordo com um comitê parlamentar influente
www.telegraph.co.uk/sport/olympics/9132145/Budget-for-London-2012-Olympics-could-hit-11billion-warns-watchdog.html

Riscos de Londres quebrar orçamento para Jogos Olímpicos 2012
Jogos Olímpicos de Londres 2012 pode passar por cima de seu orçamento de £9.3 bilhões, o Escritório de Auditoria Nacional adverte que o fatura da segurança local quase duplica.
www.telegraph.co.uk/sport/olympics/8939118/London-risks-breaking-2012-Olympic-budget.html

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Rafael 09/08/2012 11:27:53

Excelente texto do Anthony sobre o assunto:


Contra a Copa e as Olimpíadas
renderingfreedom.blogspot.com.br/2012/08/contra-copa-e-as-olimpiadas-against.html

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Carlos Eduardo 09/08/2012 09:55:05

É o tão famoso "Mito do Almoço Grátis"... A idéia de que o governo pode simplesmente tirar dinheiro do nada e gastar esse dinheiro sem custo algum para a economia, seja taxando as pessoas (e tirando delas uma parcela crucial de sua renda, que poderia ter sido utilizada para fins pessoais mais concretos, uma consequência grave e raramente reconhecida, como disse Hazlitt no artigo) ou simplesmente imprimindo papel-moeda. Como se os impostos ou a inflação fossem formas mágicas de se ganhar dinheiro de graça, ou fontes mágicas e milagrosas de dinheiro. Acredito que os economistas austríacos já fizeram um excelente trabalho em demolir essa tese do dinheiro fácil em suas obras, pena que muita gente não conhece essas obras. Mas é pra isso que serve o IMB hehehe. Abraços!

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Itamar Gines Pereira 09/08/2012 12:07:54

Ótimo texto! Isso me fez lembrar dos estádios que serão construídos para a copa do mundo, e em especial, a Arena Amazônia que custará, por baixo, R$ 600.000.000,00 aos cofres públicos, ou melhor, aos nossos bolsos. Depois do evento, o elefante branco vai ficar para quem ? Nem sei se tem time de futebol em Manaus - não que isso justificaria a contruão do estádio -, não tem demanda para tal intento. Coitado dos que não gostam de futebol, não torcem para a seleção, não moram no Amazonas, muito menos em Manaus. Coitado, principalmente, dos trabalhadores que vão perder seus empregos em outras regiões do pais em função do sequestro do nosso dinheiro para a realização desse evento. Abraços!

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Andre Cavalcante 09/08/2012 15:10:22

Eu sou de Manaus e posso te dizer, nossos times "profissionais" são da 3ª divisão. O Estádio está associado a um shopping center, à Vila Olímpica e está encravado em uma região com vários prédios governamentais e é uma arena multi-uso. Temos outra arena multi-uso que será agregada nesta nova. Temos vários eventos grandes em Manaus durante o ano, incluindo o Festival Folclórico, então o desperdício não será tão fenomenal como parece, mas concordo, haverá desperdício, e muito grande!

Abraços

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Juliano 09/08/2012 12:56:15

Acho que o raciocínio nem é tanto o do almoço grátis. Acho que a maioria pensa: "Já que o governo tem X em dinheiro, quero que ele gaste assim (de uma forma que eu acredito ser a correta, normalmente me beneficiando)".\r
\r
É muito mais fácil acreditar que dá pra direcionar os gastos do governo do que tentar imaginar o governo cobrando menos. As denúncias de corrupção e mal uso do dinheiro só aumentam a percepção de que o governo poderia gastar mais se gastasse melhor.

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Dalton C. Rocha 09/08/2012 15:17:14

A ponte Rio-Niteroi foi inaugurada em 1974, pelo então presidente Médici. E só na poupança de combustíveis, ela se paga todos os anos.

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Leandro 09/08/2012 15:29:33

Prezado Dalton, que a ponte Rio-Niterói seja ótima para aquela pequena fatia de cariocas e niteroiense que a utilizam diariamente, isso é indiscutível.

Falta agora você chegar para aquele piauiense aposentado que viu seu antigo INPS sendo desviado para a construção da ponte e convencê-lo de que ter sua aposentadoria espoliada em prol do bem-estar de alguns míseros fluminenses foi um sacrifício patriótico.

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Márcio Alcântara 10/08/2012 20:26:18

De maneira oposta, a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica (exatamente com a mesma extensão da Rio-Niterói: 13km) foi proposta pela construtora Odebrecht, há algumas décadas, em troca da exploração de 40 anos de pedágio. Muito mais justo: pagaria apenas quem a utilizasse. Não foi concedida pelo poder público!
Hoje, o governo petista da Bahia - sob a batuta do carioca Jaques Wagner - divulga sua futura construção financiada com os impostos de TODOS os baianos, os que a utilizariam e os que não.

Responder
Renato 12/08/2012 04:25:53

Note que a ponte Rio-Niteroi foi construída tendo como justificativa a implementação de infra-estrutura. Considerando que não viviamos num regime de anarco-capitalismo (no qual não creio, e jamais existiu), nem de estado mínimo (no qual creio) é natural que tenha sido construída pelo estado.

Mas note que ela não faz parte do escopo deste artigo pois a justificativa principal foi a necessicade de infra-estrutura, e não a "geração de empregos". Pelo que compreendi, o cerne do artigo seriam estes dois pontos:

PrimEiro, obras públicas não geram empregos nem aumento da prosperidade.
Segundo, quanto mais a "geração de empregos" for a justificativa para as obras estatais, pior será a aplicação do dinheiro.

Responder
Eliel 10/08/2012 02:36:02

Construção de Brasília: 50 anos em 5 anos.
Depois: 50 anos em 50 anos.
Finalmente: 5 anos em 50 anos!

Responder
David 12/08/2012 11:40:15

Esse texto é muito teórico, não condiz com a realidade...
.
Se fossemos aplicar isso no Brasil ainda viveríamos na idade da pedra.
.
Vamos imaginar:

- Itaipu
- Dutra
- Porto de Santos
- Angra
- Embraer
- Pro Álcool
- Inúmeros Estádios Municipais
- Petrobras
- Vale
- CNA

... Qual o político em sã consciencia vai recusar em fazer uma obra ?????

Responder
Luis Almeida 12/08/2012 12:07:55

Entendi. Quer dizer então que todas estas obras estatais, a maioria delas monopólios, não apenas foram sensacionais para o povo, como também não existiriam até hoje não fosse o estado? Interessante a sua teoria. Pode substanciá-la?

Responder
Gustavo 12/08/2012 12:45:39

"Almoço grátis" não existe.

Responder
Bruno Vieira 12/08/2012 19:40:59

David, você já ouviu falar em Irineu Evangelista de Sousa ou barão de Mauá?
Se o Brasil saiu da idade da pedra foi muito mais por causa dele do que por causa dos nossos burocratas oniscientes.

Responder
Andre Cavalcante 12/08/2012 20:20:50

David,

Creio que você não entendeu o texto. O problema não são as obras, per si, mas o fato de elas serem feitas pelo governo e com a justificativa de gerar empregos. Governo não gera dinheiro: todo o dinheiro do governo vem da iniciativa privada (do povo). Então todo o dinheiro gasto pelo governo, já existe (poupança atual) ou vai existir (poupança futura) na iniciativa privada, de sorte que, quaisquer dessas obras poderiam ter sido feitas apenas com parceiros privados.

De qualquer forma, a sua lista está esquisita:

Itaipu - foi construída parcialmente com empréstimos externos. Nada tinha a ver com a criação de empregos, mas com a necessidade de energia. Foi mal feita, no sentido técnico, mas alcançou o que se propôs - geração de energia.

Pró-álcool - não é uma obra, mas subsídios às fazendas, moinhos e usineiros do complexo da cana. Não deu certo, só foi gasto de dinheiro absolutamente sem nenhum retorno. Quando o governo parou de investir, apareceram alguns poucos que realmente fizeram inovação com o advento do flex e o álcool ressuscitou no Brasil. Ah! os usineiros também tiveram que inovar por conta própria, queimando a palha da cana e produzindo a própria energia elétrica necessária ao processo, porque, nos tempos do pró-álcool, o governo subsidiava a energia usada. Lembro vagamente de uma taxa absurda que um litro de álcool na bomba, usava 3 litros de diesel (subsidiado).

Embraer - só evoluiu quando saiu das mãos do governo. Só foi criada porque o governo precisava de uma empresa para internalizar as tecnologias de aviação para a manutenção do seu parque de aeronaves militares. Se tivesse ficado na mão do governo provavelmente a gente nem saberia que ela existisse. No entanto ainda depende muito de financiamento do BNDS e outros subsídios diretos e indiretos do governo.

De resto, tua lista é uma confusão entre governo e iniciativa privada dependente do governo. É a prova verdadeira do mercantilismo, corporativismo ou ainda, do fascismo que tomou conta do país.

Achar que não poderia haver uma usina como Itaipu em um mundo privado está absolutamente correto, porque a iniciativa privada só põe dinheiro em algo que tenha, ao menos, uma chance de dar um retorno e, geralmente, emprega melhor o dinheiro. Isso significa que essas grandes obras são de governo. A iniciativa privada vai preferir micro e mini geração, que é mais eficiente e uma rede interligada.

No entanto, é temerário achar que empresas grandes e poderosas, tais como uma Petrobrás ou Vale, não poderiam ter nascido em um Brasil mais livre (sem governo). As grandes companhias americanas de petróleo são todas privadas. Com 180 milhões de consumidores e o pré-sal às portas, cê acha que uma grande companhia não nasceria ou, no mínimo, uma multinacional não se instalaria por aqui?

Estádios municipais é de rir. Cê já parou pra pensar que a nossa atual necessidade de o governo botar vários bilhões de reais na construção ou reforma de estádios no Brasil se deve ao fato de que os nossos estádios (públicos) não são apropriados? E que, se o Brasil não puder receber a Copa, a Europa (em especial Reino Unido) tá prontinha para isso, e com estádios bons, a maioria privados?

Responder
Cristian 19/08/2012 19:03:49

André, fantástico seu exemplo das pequenas usinas. Aqui em Florianópolis concentram-se várias empresas de engenharia e posso falar que você está absolutamente certo. Aqui em Santa Catarina temos muitas PCHs (pequenas usinas). Geralmente são projetos privados. Nestes projetos todos os envolvidos ganham, pois é necessário contratar inúmeras empresas (topologia, engenharia sócio-ambiental, geólogos, etc.) para garantir o sucesso da obra. Ou seja, há uma pequena probabilidade de fazer algo "meia-boca", já que é necessário gerar lucro com estes empreendimentos. Ainda há um fator muito positivo: estas obras são realizadas em propriedades privadas (sabe David, as mesmas que o PT sonha em tornar "públicas") e o dono ganha com a exploração do seu território. O meio-ambiente também ganha, porque ele não vai querer sua propriedade depredada e tampouco os investidores vão querer sua empresa em escândalos ambientais. Imagine este sistema em escala nacional. A energia custaria bem menos, porém, há a maldição das permissões (Fatma e afins), concessões, acordos, impostos, lobby estatal e a própria mídia, que fazem estes empreendimentos não terem a eficácia que poderiam ter. Agora imagine as inúmeras maneiras de gerar energia no setor privado nesse sistema, como eólica. Vamos mais longe, imagine um agricultor, pecuarista, etc, podendo usar sua terra também para estes fins. Ele ganhando duas vezes (agricultura/pecuária + energia), os preços tanto da energia como dos seus produtos baixariam naturalmente. Para nós, eis uma quimera neste país comunista. Parabéns ao IMB.

Responder
Luciano Takaki 21/02/2013 13:57:06

Acho que um dia vou traduzir esse texto para o japonês e enviar ao Primeiro-Ministro do Japão.

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anônimo 20/03/2013 06:05:11

Mas será mesmo que obras púlicas é mesmo ruim? Se os governadores do Nordeste (Governadores dos Estados do Ceará, Sergipe, Piauí, etc.) decidirem investir em obras de irrigação, isso não beneficiaria a população nordestina? O pequeno produtor rural que não tem condições de plantar por causa dos efeitos da seca, e sobrevive com o bolsa família ou cestas básicas, nao teria condições de plantar? Neste caso, as obras públicas não estariam dando condição para a população nordestina trabalhar e produzir e sobreviver sem depender de bolsas do governo?

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