Quando foi que você e eu assinamos o tal 'contrato social'?
por , quarta-feira, 8 de agosto de 2012

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N. do T.: o artigo a seguir foi adaptado de um discurso improvisado feito pelo autor, daí o seu tom mais coloquial.

 

contrato_social1.jpg"Se vocês libertários não gostam da existência de um governo detentor do monopólio da coerção, da segurança e da justiça, não gostam de impostos, não gostam de regulamentações, e não gostam do status quo, então por que simplesmente não fazem as malas e vão embora?  Vocês implicitamente concordaram com as regras vigentes.  Se não gostam delas, então deem o fora!"

Este é o argumento comum oferecido por estatistas sempre que um libertário se põe a falar sobre a imoralidade da coerção estatal, de seus impostos, de suas regulamentações, de seu confisco de renda e de propriedade, e de seu monopólio sobre a justiça, a segurança e a moeda.

Embora tal argumento seja extremamente fraco, vale a pena nos concentrarmos mais detidamente nele, pois ele mostra de maneira bastante acurada o quão profundo o estatismo está enraizado na mentalidade das pessoas.

A primeira e mais fácil resposta a este "desafio" estatista é: "Por que sou eu quem deve dar o fora?  Por que o fardo moral recai sobre mim quando, na verdade, é você quem está me apontando uma arma?  Eu sou apenas uma pessoa pacífica pedindo para não ser espoliada, ao passo que você está me apontando uma arma com o intuito de me expropriar e utilizar a minha propriedade e a minha renda para financiar aqueles programas governamentais que você acha o máximo."

Não creio ser nada controverso dizer que, em termos morais, é o estatista quem tem a obrigação de comprovar ter o direito intrínseco de coagir e ameaçar os outros.  Enquanto isso não for feito, o ameaçado não tem nenhuma obrigação de comprovar seu direito de ser deixado em paz, sem ser molestado.  O ônus cabe ao agressor e não ao agredido.

Esse é o ponto mais básico.  Enquanto o estatista não responder de onde vem seu direito natural de espoliar terceiros para proveito próprio ou para o proveito de outrem, a "negociação" está emperrada e ele não tem nenhum direito de seguir adiante com sua espoliação.  Toda a pendenga poderia terminar aqui.

Porém, em prol do debate, vamos mais adiante.  Falemos agora sobre o argumento de que o seu consentimento está explicitado no simples fato de você permanecer no país.  "Se você está aqui e continua morando aqui, então você está automaticamente consentindo com as regras vigentes!", bradam os estatistas.

Este é outro raciocínio sem nenhuma sustentação e sem nenhuma lógica.  Suponha que você se muda para uma nova vizinhança e, do nada, seu vizinho começa a despejar o lixo dele na porta da sua casa.  Pela lógica estatista, se você não concorda com este comportamento dele, então é você quem tem de se mudar dali.  Se você não se mudar, então você está automaticamente consentindo em ter sua propriedade violada desta forma.

Faz sentido?  Pois é isso que os estatistas estão defendendo, embora não utilizem este cenário.

Confrontados com esta situação, os estatistas recorrem então à regra da "aceitação implícita e tácita".  Mais especificamente, eles dizem que, ao se mudar para esta vizinhança, você estaria implícita e tacitamente aceitando o comportamento dos seus vizinhos, não podendo, portanto, reclamar das regras deles. 

O problema deste raciocínio é que ele ignora o status moral e legal de quem faz as leis.  Por exemplo, suponha que eu convido você para vir à minha casa.  Quando você chega, eu abro a porta e lhe digo: para ficar aqui em casa, você tem de usar este nariz de palhaço.  Isto certamente vai lhe parecer bastante estranho, mas ainda assim eu posso dizer: "Ei, é a minha casa e estas são minhas regras.  Se quiser entrar, tem de ser assim".  Neste caso, sendo eu o proprietário, você não pode simplesmente dizer: "Olha, eu vou entrar na sua casa, sim, e não vou usar o nariz de palhaço."  Se fizesse isso, você estaria invadindo a minha propriedade e desrespeitando as leis vigentes dentro dela, as quais foram estipuladas antes da sua entrada.  Isso, portanto, é algo que você não tem o direito de fazer.

Agora, imaginemos o cenário contrário.  Suponha que eu vá à sua casa e lhe diga: "Você tem de usar um nariz de palhaço".  Além do espanto total, sua outra provável reação será a de perguntar quando foi que você disse que concordava em ser obrigado a utilizar um nariz de palhaço dentro da sua casa.  Ao que irei responder: "Ora, você se mudou para perto de mim.  E eu uso nariz de palhaço na minha casa.  Portanto, o simples fato de você estar morando perto de mim significa que você, de uma maneira um tanto mística e tácita, consente em também utilizar nariz de palhaço dentro da sua casa, mesmo que você não goste da ideia."

Os estatistas simplesmente pegam este cenário que é evidentemente absurdo em nível local e o expandem para um nível nacional: se você está aqui, então você deu seu consentimento tácito com tudo o que se passa nele.

Mas é realmente assim que as coisas devem funcionar?  Como seria a sua vida se todos lhe atribuíssem "consentimentos implícitos e tácitos"?  Como seria o mundo?  Alguém aceitaria este sistema?

Portanto, quando os estatistas dizem que "ao estar aqui, você automaticamente consentiu com as regras", eles estão fugindo da questão principal.  Eles já estão pressupondo a nossa aceitação daquilo que ainda tem de ser provado.  No exemplo do nariz de palhaço, há uma distinção clara entre o sujeito que diz que você tem de usar o nariz na propriedade dele e o sujeito que diz que você tem de usar o nariz na sua própria casa.  O primeiro sujeito tem o direito de lhe impor o uso do nariz (e, se você não aceitar, tem a liberdade de sair da casa dele); já o segundo não tem este direito.  Tudo depende de quem está legitimamente exercendo sua jurisdição.  Na propriedade dele, ele é soberano.  Na sua propriedade, ele não é.

A mesma regra tem de ser aplicada ao estado.  As pessoas que fazem as leis de um país são as genuínas donas do país?  O país é propriedade delas?  Desde quando?  Elas adquiriram esta suposta propriedade do país de maneira justa?  Houve o consentimento de 100% da população (qualquer porcentagem abaixo desta indica que há indivíduos sendo espoliados)?  Estas são perguntas morais que não podem ser ignoradas, mas que são totalmente desconsideradas pelos estatistas.

E há, por último, o argumento de que nós libertários estamos constantemente utilizando algumas infraestruturas estatais, como estradas, ruas, aeroportos, correios.  Sendo assim, o simples fato de utilizarmos estes bens e serviços significa que estamos consentindo com a existência do estado e com a espoliação de nossa renda para a consecução destes serviços.

Outro problema de raciocínio.  Em primeiro lugar, o fato de eu inevitavelmente utilizar sistemas monopolísticos, dos quais eu simplesmente não tenho como escapar, de modo algum indica consentimento.  Dizer que utilizar as ruas de uma cidade indica consentimento com o estado é o mesmo que dizer que um prisioneiro que come a comida fornecida pela penitenciária está consentindo em estar preso. 

Em segundo lugar, sempre é bom lembrar que libertários, como todos os outros cidadãos, também pagam impostos.  Sendo assim, é nosso dinheiro que foi utilizado para a construção destas infraestruturas estatais.  Logo, não há absolutamente nada de contraditório em utilizá-las.  Aliás, você tem todo o direito de fazer uso delas, mesmo desprezando-as profundamente.

Para finalizar, todo este argumento de 'consentimento implícito' e 'consentimento tácito' não passa de uma patética cortina de fumaça criada para se desviar a atenção daquilo que realmente importa: as minhas palavras.  E as minhas reais palavras (aquilo que realmente penso, e não aquilo que estatistas querem imputar a mim) não são de consentimento, mas sim de discordância e dissenso

Que isso fique bem claro.  As minhas verdadeiras palavras são: Eu não dou meu consentimento.  E estas minhas palavras claramente explicitadas e proferidas não podem ser sobrepujadas por um místico 'consentimento implícito' que magicamente passa a existir em decorrência do simples fato de eu estar em um determinado local.

Resta óbvio que tudo isso não passa de um estratagema ridículo criado por pessoas que simplesmente querem ter poder absoluto, mandar na vida dos outros e escolher vencedores e perdedores.  Uma vez perpetrado o esbulho, elas tentam embasá-lo e justificá-lo recorrendo a truques comportamentais, dizendo que determinadas atitudes minhas significam que eu realmente estou pedindo para ser governado, que eu implicitamente estou suplicando para ser controlado e mandado.

Não, eu não pedi implicitamente por nada disso.  E eu explicitamente digo que "Não, eu não consinto em ser espoliado e controlado".




57 comentários
Christiano 08/08/2012 04:28:19

Otimo texto...como sempre bem abalisado e coeso...\r
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Porem fiquei em dúvida sobre o seguinte paragrafo : \r
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"A mesma regra tem de ser aplicada ao estado. As pessoas que fazem as leis de um país são as genuínas donas do país? O país é propriedade delas? Desde quando? Elas adquiriram esta suposta propriedade do país de maneira justa? Houve o consentimento de 100% da população (qualquer porcentagem abaixo desta indica que há indivíduos sendo espoliados)? Estas são perguntas morais que não podem ser ignoradas, mas que são totalmente desconsideradas pelos estatistas."\r
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Essas pessoas que fazem as leis...elas indiretamente não tem o consentimento de 100% da população, por consequencia de serem eleitos por intermedio do voto popular ? E por causa dessa eleição eles não tem o dever de representar toda a população ? \r
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Grato !\r
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Responder
Ze 08/08/2012 05:01:15

Mesmo sendo totalmente leigo no assunto, arrisco uma resposta, correndo o risco de falar besteira. Vamos lá...

Você votou em todos os deputados e senadores que estão legislando? Não. No máximo, votou em um deputado e um senador, se eles ganharam. Os outros não te representam, pois não foram escolhidos por você.

E tem o as pessoas que votaram em candidatos que não ganharam: essas não são representadas por ninguém. Tem também as que estavam impedidas de votar (doentes, viajando, etc.)

Ou seja: os parlamentares podem até ter o consentimento da grande maioria dos eleitores, mas não de todos.

E discordo que um parlamentar tenha "o dever de representar toda a população". Ele está ali para defender as ideias que ele apresentou na campanha, e só. Foi por isso que o escolheram.

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 08/08/2012 05:20:16

Tirando o fato que você não pediu um parlamentar. Você votando ou não, ele estaria se impondo sobre você. Ou seja, pura agressão.

Responder
Cedric 08/08/2012 06:55:28

Ainda que 100% da população escolha um político como representante, a questão é, de onde vem o direito do representante de espoliar os outros? Se a população não tem o direito de espoliar, como poderiam delegar esses direitos aos políticos?
É o que o Jan Helfeld tenta explicar para os asnos políticos:
www.youtube.com/watch?v=5UOqhE8B430

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V 08/08/2012 09:03:09

Cedric.
Considero ridículos os argumentos que sustentam a legitimidade da democracia. Agora, não concordo que esse seu argumento, especificamente, seja uma objeção válida. Dentro do diacurso dos contratualistas, ninguém está delegando ao governo o poder de espoliar o outro. O que ocorre é que cada contratante consente com a possibilidade de o Estado tomar-lhe a propriedade e lhe restringir a liberdade, caso seja essa a decisão da maioria (o que, por definição, não se pode chamar de espoliação, uma vez que o proprietário pode livremente dispor da sua propriedade). A coisa toda faria algum sentido se esse consentimento efetivamente existisse. Todavia, sabemos que não é esse o caso do processo democrático. Agora, se uma dúzia de pessoas, amanhã, resolvesse voluntariamente ingressar em uma relação contratual de estrutura semelhante a do nosso sistema de governo, acredito que ninguém aqui negaria o direito destes indivíduos de celebrar tal acordo.

Responder
Juliano 08/08/2012 06:31:37

Olá Christiano,\r
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Em primeiro lugar o 100% não existe. Com o sistema de coeficiente eleitoral, nem os mais populares são eleitos.\r
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Além dessa questão, eles são eleitos pra que exatamente? Quando vc escolhe, por exemplo, um advogado pra te representar no julgamento de uma ação judicial, o escopo da representação é bem específico. O representante tem poder em tópicos que você delegou e, a qualquer momento, você pode retirá-lo do processo. Não existe isso de representação para tudo por um período de quatro anos. Não faz sentido.\r
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Nossos ditos representantes, que são eleitos em processo ridículo que parece mais um circo, ganham autonomia pra ter controle da tua vida. Eles passam a dizer com quem você pode dormir, o que pode comer, de quem deve comprar, pra quem pode vender, que profissão pode ter, aonde deve morar, quem deve te tratar em caso de doença e quanto do teu trabalho eles vão confiscar.\r
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Democracia é só um sistema de troca dos "donos do país" que se firmou no mundo por dar estabilidade ao Estado. Com a tal representatividade, os grupos de interesse ganham formas não violentas de assumir o poder. Antes disso, era uma guerra atrás de outra. Com a democracia, criou-se um canal para que grupos de interesse troquem de lugar na tarefa de espoliar a população sem a necessidade de conflitos violentos.\r
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A gente tem a idéia de que o Estado foi criado por um monte de gente inteligente no passado que se reuiniu para organizar a sociedade. Nada mais longe da verdade! Os Estados foram criados com violência, guerras, saques e espoliação. A situação foi se estabilizando ao longo dos tempos e as oligarquias ganharam um espaço de legitimidade com a tal democracia. O Sarney passou de um senhor feldal para um "representante do povo".\r
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Abraços,\r
Juliano

Responder
Marcos Campos 08/08/2012 09:12:29

"Democracia é só um sistema de troca dos "donos do país" que se firmou no mundo por dar estabilidade ao Estado. Com a tal representatividade, os grupos de interesse ganham formas não violentas de assumir o poder. Antes disso, era uma guerra atrás de outra. Com a democracia, criou-se um canal para que grupos de interesse troquem de lugar na tarefa de espoliar a população sem a necessidade de conflitos violentos."

No epílogo da inversão deste fato para os dias de hoje, estariamos civilizadamente preparados? Ou voltariamos para as guerras e conflitos?

Responder
Juliano 08/08/2012 09:42:15

A estabilidade aparece quando a maioria das pessoas aceita um conjunto de valores. Esse não é um processo que aparece do dia pra noite e nem é resolvido com o aparecimento de um grupo de pessoas que diz: aqui mando eu.\r
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A existência do Estado por si só já aumenta esses conflitos, pois colocam os grupos de interesse em disputa para controlá-lo. Um examplo mencionado aqui no site é o papél da Suiça na Segunda Guerra. Por não ter um exército, não foi atraente para Hitler invadí-la, apesar de fazer borda com a Alemanha. Não havia um exército a ser batido.\r
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Quando um órgão tem a quantidade de poder que hoje reside no governo, vários grupos vão direcionar todas as suas energias para dominá-lo.

Responder
Anthony Darricarrère 23/08/2012 15:39:12

Concordo,seguindo as clases sociais do aranjo de poder anterior a democracia, melhorou um pouco ja que hoje escolhemos os nobres, so que no lugar de cortar a cabeça deles como antigamente, ecolhemos novamente, O mais triste é que os políticos (nobres) ficam jogando proletários e burgueses uns contra os outros para se manter no poder. Revolução burguesa já !

Responder
Randalf 08/08/2012 07:39:13

É bastante simples. Por exemplo, num país 100% da população vota que não se pode dizer a palavra "não" (por exemplo). Bem, se toda a gente concordar (e mesmo toda a gente), não há falta de liberdade. Agora pense que apenas uma pessoa não concorda com esta proibição. Será que ela não tem a liberdade de dizer a palavra "não" ? Será que as outras pessoas (a maioria) têm o direito de exigir que esta pessoa não tenha plena liberdade de expressão?... Mas agora, se todos concordarem (e por todos, digo mesmo todos), não há qualquer objecção nem qualquer falta de liberdade, já que TODOS concordaram em não dizer a palavra "não". É por isso que (e se pensar um bocadinho vai ver que é verdade), um país pode ser livre mesmo não tendo plena liberdade de expressão (em relação a pessoal exterior, estrangeiro), e pode ter liberdade de expressão e não ser livre. E basicamente é o que as pessoas de hoje em dia pensam: "se tivermos liberdade de expressão somos livres, temos democracia", mas isso não é nem de perto verdade. Espero ter respondido.

Responder
anônimo 08/08/2012 04:33:54

Christiano, qual criador de leis já foi eleito com os votos de 100% da população? Absolutamente todos os individuos votando no sujeito? Desconheço qualquer exemplo assim na história do mundo. E é exatamente desta condição que o texto fala.

Responder
Fabio 08/08/2012 06:08:36

"Essas pessoas que fazem as leis...elas indiretamente não tem o consentimento de 100% da população, por consequencia de serem eleitos por intermedio do voto popular ?"

Não. Apresento um exemplo simples: suponha que um deputado crie uma lei que determine que você deve morrer. E daí se voce não concorda? Se ela for aprovada, conta com o seu prórpio consentimento, logo você deve morrer sem reclamar ok?

Há uma confusão patente aí sobre democracia, ditadura da maioria e direitos individuais. Democracia alguma pode violar o direito da vida, propriedade ou liberdade. Senão será apenas uma ditadura da maioria.

Responder
Anon 08/08/2012 07:18:36

Nasci anarquista, logo, o estado, com toda a sua força coerciva, veio me catalogar, me municipalizar, me estatizar, me etceteralizar. Não me perguntou se eu queria ou não ser registrado, não me deu outra opção e nem outro lugar livre (uma zona franca anarquista) para morar ou viver, ou, até mesmo, desenvolver minhas aptidões ou ideologia. E através de suas leis compulsórias, me obrigou a comprar seus produtos e serviços de quinta categoria a um preço exorbitante, já super inflacionado pela sua própria incompetência. Não posso reclamar, porque o PROCON esta contido nele (o Estado), não posso processá-lo, pois, a ele a justiça pertence. Não posso fugir, já que, o mundo está cercado por Estados. Santo Rothbard, venha me socorrer! Anon, SSXXI

Responder
João Corrêa Bremm 19/09/2013 14:16:24

Pode ir morar na Somália.

Responder
Andre Cavalcante 21/09/2013 00:24:24

Uai, e porque? A Somália também tem um governo e até uma constituição que proíbe qualquer outra religião senão o islão. Afora uma guerra civil para ver quem assume a esculhambação.

Responder
Tiago RC 08/08/2012 07:58:56

O próprio texto já dá um exemplo que pode ser adaptado a essa questão do voto dar consentimento. Dizer que votar dá consentimento é como dizer que o prisioneiro que escolhe qual prato de comida quer comer (ou quem será o cozinheiro) está com isso consentindo em ser preso.

O Molineaux uma vez deu outro exemplo: "É como se duas crianças maiores roubassem o brinquedo de uma menor, mas deixassem o menor escolher quem iria ficar com o brinquedo roubado."

A grosso modo, o fato de poder escolher quem ocupará o cargo de relações públicas do teu mestre não faz com que você seja menos escravo. ;-)

(Isso sem entrar no mérito que você não escolhe nada... votar ou não votar não faz a menor diferença)

Responder
mauricio barbosa 08/08/2012 08:28:18

Thomas woods é brilhante quando fala de assuntos econômicos,já em assuntos religiosos fica devendo pois apesar de não ter lido o livro em que ele elogia a igreja católica,tenho algumas criticas a fazer,pois a(igreja católica)vive de pedir ajuda estatal basta ver as reformas e restaurações de seus templos.
Leandro qual a sua opinião a respeito disso,aliás a maioria das igrejas seja católica ou protestante gosta de receber uma benesse estatal.
OBS:Não sou ateu,sou membro da igreja Batista.

Responder
Leandro 08/08/2012 12:32:35

Maurício, o Vaticano vive exclusivamente de doações e não coage seus fieis com promessas de inferno ou coisa que o valha caso não doem.

Existem, de fato, igrejas em alguns países da Europa que gozam de algumas benesses estatais. E é justamente nestes países que elas estão perdendo fieis. Portanto, a punição já está acontecendo.

No Brasil, igrejas de todas as denominações são utilizadas eleitoralmente, e como os políticos sabem que fingir professar determinadas religiões é algo que ajuda, eles gostosamente se entregam a esta atividade (Uma grande corrente evangélica, cujo líder é dono de emissora de TV, é hoje um dos maiores bastiões do petismo no país).

Mas a culpa não é da religião em si, mas sim do povo que aceita ser manipulado por políticos.

Agora, você dizer que toda a obra teórica do Woods se esfacela em decorrência deste desvio de algumas paróquias atuais é um raciocínio que dispensa comentário. É, na mais benfazeja das hipóteses, uma mera birra evangélica de sua parte. Por esta mesma lógica, sendo você batista, certamente tem muitas explicações a dar sobre o comportamento de protestantes ao longo da história: desde os anabatistas na Europa, que impuseram o comunismo em Munster, até os protestantes dos EUA, que foram quem criaram as escolas públicas para combater a expansão das escolas católicas privadas.

Deixe de preconceito bobo, rapaz.

Abraços!

Responder
mauricio barbosa 08/08/2012 14:01:37

Leandro não é preconceito da minha parte e é sabido que todas as paróquias salvo algumas excessões(eu afirmei que todas as igrejas se utilizam deste expediente)são beneficiadas com verbas municipais e quanto ao Thomas woods, só não vejo porque envolver religião para provar uma tese,pois todas as religiões contribuíram para a evolução da civilização basta lembrar que os algarismos chegou até nós por obra e graça dos muçulmanos,quanto a escola pública ela foi criada na França católica.
Leandro essa discussão é ampla e não vou chamar voçê de bobo só por discordar de você quanto ao bispo Edir macedo não faço parte deste rebanho(universal),portanto não me confunda.

Responder
Breno 08/08/2012 09:07:39

Monopólio eh uma bela região do sul da Itália. E muito difícil conflitar valores de épocas diferentes. Incomodar o seu Machiavel e apelar para esfera superior. As funções do Estado não devem ser contestada, mas sua incapacidade de dar resposta coerente aos seue cidadãos sim: veja os 2 processos do mensalao no STF!

Responder
Andre Cavalcante 08/08/2012 13:44:46

Caro Breno,

De tudo que cê falou só vou aproveitar uma frase:

"As funções do Estado não devem ser contestada,"

E porque não?

"mas sua incapacidade de dar resposta coerente aos seus cidadãos sim"

Como TODOS os governos do mundo são incompetentes, creio que a resposta já foi dada.

Responder
Andre Cavalcante 08/08/2012 13:46:14

Pra quem ainda defende o estado, precisa ouvir essa:

www.youtube.com/watch?v=dSFyDlCcLVM

Responder
Renato 11/08/2012 04:27:29

A inexistência futura do estado é um mito. Não vai acontecer. Nunca aconteceu.

E pior ainda, esse mito pode ser a cenourinha que fará os coelhos correrem para onde o manipulador da cenoura queira.

Historicamente isso já aconteceu. Um grupo de pessoas sedentas por poder GLOBAL absoluto usaram um mito chamado marxismo. Segundo esse mito, haveria no futuro uma sociedade sem estado. Mas ai o mito carrega a cenourinha pelos lados da tirania. Para que se chegue a essa sociedade sem estado, as pessoas devem concordar em estatizar tudo, em dar aos donos do poder o total controle do que se diz, do que se produz, do que se crê, como se vive, sobre a educação das crianças. O indivíduo deve ser esmagado pelo estado, humilhado, enganado, preso, torturado, morto, apenas para satisfazer a qualquer interesse que os donos do estado queiram, e o estado deve crescer para abranger tudo, e assim o estado deixará de existir e os indivíduos serão totalmente livres. Um mito totalmente louco, mas a imensa maioria das "classes falantes" acreditou nele, e difamou e perseguiu quem ousou dizer que isso era uma farsa criminosa. Então note que a cenourinha da extinção do estado já foi usada com maestria no passado, sem a menor dificuldade.

Vejamos como a mesma cenourinha pode ser usada com imenso sucesso hoje. Globalistas fascistas (lembremos que o fascismo é só uma forma menos disfuncional de socialismo) podem facilmente manobrar para usar as pessoas para dissolver os estados EM FAVOR DE PODERES GLOBAIS. Isto já está acontecendo, não enxerga quem não quer, ou quem é mal informado.

Apenas para fins de argumentação, vou admitir como possivel a situação permanente de inexistência do estado. Se isso for verdadeiro (o que não creio), qual seria a atitude mais inteligente por parte daqueles assim creem? Evitar que os donos da cenoura os usem. Primeiro, nunca admitir o aumento do poder de organizações globalistas sobre os estados, porque essas organizações globalistas sõ um meio para futuro aumento brutal da opressão. Segundo, nunca consentir com leis que desafiem as liberdades fundamentais, que são direito à vida, expressão, religão, associação, direito a um julgamento justo, leis justas, liberdade de imprensa, direito à legitima defesa, direito dos pais educarem seus filhos, etc. Alguns estão dizendo que, visto que todo estado é opressivo, não importa defender as liberdades individuiais, pelo contrário, só importa lutar pelo fim do estado. Quem pensa assim, já caiu no truque da cenoura. Lembrem-se que os direitos fundamentais são os direitos negativos, não os positivos. Eu tenho o direito de não ser agredido (de verdade), mas não tenho o direito de "ser aceito". Eu tenho o direito de exercer minha liberdade para me sustentar, mas não tenho direito a um determinado emprego. Eu tenho direito de me educar (ou educar meus filhos) mas não tenho direito de exigir que alguém "me eduque" (o que de resto, é impossível). Terceiro, embora haja opressão em todos os países, é insensato dizer que essa opressão é igual em todo lugar. O senso de proporção é a base da justiça. Coréia do Norte é muito mais opressiva que Cuba, que é muito mais opressiva que a Suécia, que é mais opressiva que a Suiça. Quem não tem esse senso de proporções, mete os pés pelas mãos, e acaba sendo massa de manobra de globalistas, sejam eles marxistas, fascistas ou islâmicos.

Responder
Getulio Malveira 11/08/2012 06:13:18

Renato,

"A inexistência futura do estado é um mito"


Não, é uma ideia. O que é fantasioso é pensar que existe um grupo de conspiradores chamados "globalistas" que se reúne vez por outra para enganar 7 bilhões de pessoas. Essas teses do Olavo de Carvalho é que são um mito, ou melhor, a versão mais atual do mito da conspiração (jesuíta, maçônica, judaica, etc). Quanto a isso, recomendo a leitura do livro "Mitos e Mitologias Políticas" de Raoul Girardet.

"Não vai acontecer"

Sei que o astrólogo Olavo de Carvalho deve ser capaz de prever o futuro, provavelmente é daí que vem tal certeza. O restante dos mortais, creio, não possui tal capacidade.

"Nunca aconteceu"

Falso! A não ser que você use a mesma palavra para descrever coisas muito diferentes. Chamar igualmente de "Estado" a organização política das cidades gregas, da república romana, dos "reinos" bárbaros, dos reinos medievais e dos estados-nações só prova grande ignorância histórica. O "estado" não existiu desde sempre... isso sim é mais um mito!

Quanto a coisa toda da cenourinha, a ideia de que o marxismo foi usado por sei lá quem é uma ideia bastante estúpida, que realmente só faz sentido dentro do mito da conspiração.

Recomendo que você estude mais e não dê ouvido a todo astrólogo que se auto-intitula "filósofo".

abraço

Responder
Rene 11/08/2012 06:47:15

Errado Getúlio, estado é um conjunto de instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que controla e administra uma nação. Isso existe desde a pré-história, goste você ou não. Aliás, qual o problema em admitir isso? Não é porque é antigo que o estado é bom.

Responder
Getulio Malveira 11/08/2012 12:55:38

Rene, se você diz que o estado existia na pré-história cabe a você o ónus da prova: apresente alguma evidência histórica nesse sentido. Ou ao menos apresente uma definição de estado compatível com tal perenidade, pois é muito óbvio que na pré-história não havia funcionalismo público, nem exército (o exército como instituição, aliás, é das coisas mais recentes).

Responder
anônimo 14/08/2012 17:59:58

Getúlio\r
\r
"O que é fantasioso é pensar que existe um grupo de conspiradores chamados "globalistas" que se reúne vez por outra para enganar 7 bilhões de pessoas. Essas teses do Olavo de Carvalho é que são um mito, ou melhor, a versão mais atual do mito da conspiração (jesuíta, maçônica, judaica, etc)."\r
\r
Em primeiro lugar, você não deve pensar "discordo de Olavo de Carvalho, portanto estou certo". Quem diz o que não importa. Importa o que é verdade.\r
\r
Em segundo lugar, eu nunca afirmei que o globalismo se realiza pelo suposto poder de um grupinho oculto. Globalismo não é a ação de meia dúzia, é uma doutrina, uma idéia. Não é uma doutrina oculta, pelo contrário é uma doutrina bastante popular. Não é consenso entre todos, mas é consenso entre muitos. Globalismo é o contrário do princípio da subsidiaridade. Propõe o constante aumento do poder de organismos regionais e internacionais. Sempre que alguém diz "a ONU deveria ter mais poder", está expondo um pensamento globalista.\r
\r
"Sei que o astrólogo Olavo de Carvalho deve ser capaz de prever o futuro, provavelmente é daí que vem tal certeza. O restante dos mortais, creio, não possui tal capacidade."\r
\r
Afirmo isso com base no passado e na lógica, não em previsões.\r
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"Falso! A não ser que você use a mesma palavra para descrever coisas muito diferentes. Chamar igualmente de "Estado" a organização política das cidades gregas, da república romana, dos "reinos" bárbaros, dos reinos medievais e dos estados-nações só prova grande ignorância histórica. O "estado" não existiu desde sempre... isso sim é mais um mito!"\r
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Errado. Tem havido estado desde que a sociedade tem certo nível de organização. É evidente que o "estado moderno" existe há bem pouco tempo (que contra o entendimento dos estudiosos em geral, você considera como o único tipo de estado). Ocorre que o "estado moderno" é em grande parte um fenômeno do mesmo tipo dos estados antigos (eu disse "em grande parte"), embora dotado de um conjunto de poderes novos permitido pela tecnologia e pela organização. Não é por acaso que os historiadores chamam as cidades-estado de cidades-estados.\r
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Ora quando digo que o estado nunca deixará de existir, só pode ser nesse sentido mais genérico da palavra e não no sentido particular que você tirou da cartola. Aquele sentido amplo é o que costuma ser usado por historiadores. Ou você imagina que não seria motivo de riso se dissesse a um grupo de historiadores: "não existia estado no Egito antigo"?\r
\r
Mas qual o cerne da questão? O anarco-capitalismo propõe que não haja nenhum tipo de estado, propõe que não haja governo. Se dissessem "queremos um novo tipo de estado, ou algum tipo que já existiu no passado", eu teria de responder "bom, em princípio isso parece possível, vamos ver o que esses caras querem". Mas ao propor a inexistência de estado, os anarco-capitalistas estão propondo algo que realmente nunca existiu, uma sociedade organizada que se mantém estavel apenas pelas relações particulares.\r
\r
Então vamos supor que isso seja possivel. A primeira pergunta é: Não deveria ter acontecido inúmeras vezes ao longo da história, em muitos lugares? Porque as cidades, à medida que foram se formando, foram se organizando em estados e não pelas simples relações entre particulares? O mais próximo que existia do "não estado" eram os conselhos de anciãos de cidades sem reis, mas mesmo isso era exceção e não regra a vários milhares de anos, e embora não fosse um estado na sua inteireza, era um governo público e não simples relações privadas, e tinha o poder de julgar, segundo a lei costumeira, qualquer pessoa que residisse (ou forasteiros de passagem) na cidade ou nas aldeias dela dependentes (território). Também tinha o poder de decidir sobre fortificação dos muros (defesa). Era portanto governo (antes que você diga, eu estou consciente da diferença de grandeza em relação aos governos atuais).\r
\r
Sei de antemão (talvez eu tenha alguns poderes adivinhatórios?, desculpe a ironia, não resisti...) que você citará o caso da Islândia medieval. Mas é um único caso conhecido na história de uma sociedade um pouquinho complexa que não tinha estado, e não sabemos se seria um sistema estável. Na melhor das hipóteses, caiu por influência estrangeira, mas se essa hipótese for verdadeira, isso prova que esse sistema era sucetível a ser influênciado e destruido por politicos estrangeiros. Não precisou nem de um exercito estrangeiro para que o sistema fosse subvertido. Isso não me parece muito estável. Na pior das hipóteses, caiu sem nenhuma influencia exterior, e nesse caso é ainda mais instável. Considerando que a população total era igual à de uma pequena cidade atual, como poderia ser a aplicação desse sistema atualmente? \r
\r
"Quanto a coisa toda da cenourinha, a ideia de que o marxismo foi usado por sei lá quem é uma ideia bastante estúpida, que realmente só faz sentido dentro do mito da conspiração"\r
\r
Errado outra vez. Pergunte a qualquer marxista suficientemente alfebetizado, ou melhor leia "O Capital", deixe de ser ignorante. o fim da história é uma situação de não existência de estado, de grande prosperidade e felicidade, sem nenhuma opressão. Pensei que qualquer estudante de segundo grau soubesse que era isso que o marxismo prevê. Mas, e sempre tem um mas, Marx disse que ANTES disso, necessariamente se passaria por uma fase de "ditadura do proletariado", que naturalmente, embora Marx não o dissesse, só poderia ser uma ditadura de um grupo se considera representante do proletariado (que conforme previram facilmente muitos críticos, inclusive alguns socialistas, derivou rápidamente para formar uma classe aristocrática opressiva). Ora, que situação ocorreu então? Sob a justificativa de um fim da história sem estado (lembre que o marxismo era a doutrina oficial), justifica-se um estado extremamente opressivo. As elites governantes sabiam disso? Com certeza, se não perceberam antes, certamente perceberam depois que as previsões de Marx não estavam se realizando, que o sistema só produzia pobreza e opressão (e eram eles mesmos que estavam realizando essa opressão). Porque mantiveram então a doutrina oficial? Ora, eles eram o governo, o que mais poderiam querer? Quantos governantes desejariam uma desculpa assim para manter o poder? Isso não é suposição, é história. Vá estudar...\r
\r
Faça sua lição de casa antes de me responder.

Responder
Andre Cavalcante 15/08/2012 06:42:02

anônimo,

Creio que agora você confundiu estado com liderança. Sempre existiu liderança e sempre existirá. E simplesmente porque as pessoas são diferentes e umas, com menos visão, tendem a seguir outras, com mais visão. Ponto!

Porém eu posso ser líder em uma área e seguidor em outra, por exemplo, da mesma forma que participo de várias comunidades (reais ou virtuais) posso me relacionar com vários líderes ou ser seguido por outros.

Já o estado subtende-se uma organização qualquer mantida pela exploração do trabalho alheio. Cidades-estados eram como os estados modernos no sentido que uma classe abastada vivia sobre o ombro dos escravos. Idem para todos os tipos de impérios. Hoje o estado moderno vive da espoliação (impostos) dos habitantes de uma determinada região.

Mas isso é muito diferente da organização de uma tribo, onde o cacique/chefe era escolhido dentre os guerreiros mais bravos e o pajé/sacerdote dentre os homens mais sábios. Num há autoritarismo (em menor ou maior grau) no outro há meritocracia.

Colocar o marxismo como uma utopia é tão válido como qualquer outra forma de organização político-social-econômica, no entanto, Mises mostrou que é impossível se chegar à essa utopia, o que a caracteriza apenas como desejo, nem mesmo podendo ser considerada um ideia completa.

Já o anarquismo prega nenhum estado ou o estado de um, cujas relações se dão indivíduo a indivíduo. Que nestas relações apareçam relações de liderança é fácil de entender, mas tais relações não põem em cheque a individualidade. É diferente de anomia, que significa ausência de leis (ou normas sociais).

Interessante que ouço muitas vezes dizer que é impossível a existência de uma anarquia, esquecendo-se que do ponto de vista dos países, as suas relações são mais ou menos anárquicas: cada país tem seu território, sua soberania e capacidade de decisão própria, e as relações entre eles são reguladas por acordos mútuos. Claro há sempre um imposição econômica-social-cultural de um país em relação a outro.

Neste sentido, o anarco-capitalismo é uma utopia mais possível que o socialismo. Lembrar que vivemos com várias utopias no mundo moderno, por exemplo, o fim dos assassinatos, que é algo desejado, ideal, mas muito difícil de acontecer, e nem por isso deixo de considerar assassinatos algo ruim.

Abraços

Responder
Renato 25/08/2012 04:22:25

André

O anônimo que respondeu ao Getulio sou eu. Estranhei ele não responder, e depois vi que o meu comentário tinha saído como anônimo.

Minha resposta às suas colocações será em duas linhas: 1 - Você está equivocado sobre a natureza dos governos tribais. 2 - De qualquer forma, isso é irrelevante, porque modelos de governos tribais não são aplicáveis diretamente a sociedades complexas.

1 - Governos tribais, embora sejam, muitas vezes, menos intrusivos (mais cada caso é um caso, e ha governos tribais extremamente intrusivos), tem poder real de coerção sobre pessoas que não concordaram especificamente com a escolha dos chefes. Qualquer membro da tribo terá de obedecer aos chefes, pelo menos em algums questões. Será submetido à lei tribal, e a única alternativa será o auto-exílio, que implica necessariamente em ficar longe daqueles que ama. Você afirma que os chefes lideram por meritocracia. Mas como se aufere esse mérito? Não será pela opinião da maioria de que o fulano deve ser chefe? E quem discordar poderá ter seu próprio chefe particular? É claro que não. E provavelmente ficará quieto por uma razão de boa convivência. Não idealize a vida tribal, você está ressucitando o mito do bom selvagem. Mas você dira que o chefe tribal é, em geral, pouco coercitivo, procura exercer seu poder mais pela influência. Sim, se ele for sábio, é o que fará, mas isso não significa que a coerção não existe. Essas questões variam muito de povo para povo.

2 - Ainda que a vida tribal fosse essa maravilha que você imagina, isso não se aplica a nós. Na minha resposta, eu foquei nas sociedades mais complexas que uma simples tribo isolada. E a história mostra que nas sociedades mais complexas, o governo supostamente minarquista ("liderança", você dirá) das tribos evoluiu para governos mais abrangentes. A forma de governo republicano moderno, pensado pelos "pais fundadores" americanos, foi uma tentativa (parcialmente bem sucedida, por um bom tempo) de remediar a propensão dos governos para a tirania. Porque eles simplesmente não propuserem governo nenhum (o que significa auto-governo total de cada um)? Simplesmente eles olharam por toda a história e não encontraram exemplos. Chegaram à conclusão de que a formação de governos é um fato universal, inevitável. Então focaram seus esforços em minorar os seus poderes frente aos cidadãos. A separação de poderes foi pensada como a primeira linha de defesa dos cidadãos contra a expnsão dos poderes do governo. E assim sucessivamente, várias linhas de defesa, sendo a última a liberdade da posse e porte de armas.

Creio que o cerne da questão é: Sendo a criação e evolução de governos um fenômeno tão generalizado, nas mais diversas culturas e povos, é insensato acreditar que é resultado de alguma engenharia social ou particularidas culturais. O único contra-exemplo de uma sociedade um pouquinho mais complexa que não adotou o governo geral, mas governantes particulares foi a Islândia, por algum tempo. Então foram as particularidades daquele povo que permitiram esse arranjo extremamente incomum. Eu especularia que o fato dos vikiings serem navegantes teve influência. Navegantes estão acustumados a se submeter voluntariamente, por um certo período de tempo, a um governante particular (capitão). Por isso, na mente deles, não era incomcebível um país inteiro governado assim.

Responder
Andre Cavalcante 25/08/2012 11:33:56

Renato, creio que você não entendeu o que postei. Sugiro reler meu comentário anterior. Por favor, não tente generalizar demais exemplos simples. Todo e qualquer exemplo é passível de apresentar problemas quando generalizado. Se em uma tribo qualquer, o chefe não seja escolhido por mérito, foge ao exemplo que dei.

Sobre o mérito: ora, mérito é merecimento, isto é, é um reconhecimento pelos outros. Nada que eu possa me vangloriar vai me dar mais mérito do que o real que os outros reconheçam que tenho. Sim, as relações humanas facilmente concebem a existência de líderes e mérito. O professor é um chefe autoritário em uma sala de aula, mas o aluno cdf é reconhecido e muitas vezes colocado como líder por mérito. É fácil ver que lideranças aparecem para várias áreas na sociedade e, como disse, um indivíduo pode ser líder em uma área e em outra não. O mesmo aluno cdf pode ser líder na sala, mas raramente o é também no jogo de futebol e por aí vai.

De qualquer forma a questão principal é se o estado sempre existiu na história. Coloco novamente: sempre existiu a liderança, por mérito ou não (imagine um faraó que conquistou uma cidade e lhe impôs um líder), já o estado, como entendido modernamente, não.

Responder
Renato 26/08/2012 17:28:06

André

Entendo o que você quer dizer. Mas para o nosso debate, é irrelevante se o chefe tribal é escolhido por mérito ou não. A questão é que, uma vez que ele seja chefe, ele aplica a lei sobre toda a tribo, sejam aqueles que o preferiam como chefe, seja sobre aqueles que preferiam outro. A qualquer membro da tribo, resta apenas aceitar a sua liderança ou cair fora, o que significa sair do território da tribo, ou dito de outra forma, o exílio. Certamente a relação que existe ele e todos os outros membros da tribo não é mais uma relação privada, é uma relação pública. É liderança, mas é governo também.

Quando as antigas tribos se fixaram como grupos sedentários, e depois em cidades, não aconteceu necessariamente uma quebra de continuidade no seu sistema de governo. Muitas cidades eram governadas por autocratas, mas outras não, eram governadas por anciãos. Este era, inicialmente, um sistema de governo bastante distribuido. Os homens se reuniam e todos tinham o direito de falar, a começar pelos mais velhos, por uma questão de respeito. As opiniões mais respeitadas (e seguidas, e aqui entra a questão da liderança) eram as das pessoas cujas opiniões se mostraram as mais acertadas no passado. Naturalmente, pessoas muito jovens não tinham um longo histórico de opiniões validadas pela experiência, e também poderiam ser mais falhas na sua argumentação lógica. Então, estariam entre os mais velhos aqueles que eram mais respeitados (mas se uma pessoa velha tivesse um longo histórico de opiniões estapafúrdias, naturalmente suas opinões não seriam acatadas, seria considerado um velho tolo). Enquanto os anciãos mais respeitados estivessem apenas influenciando as pessoas para uma tomada de decisão, isso é apenas liderança, uma relação voluntária de pessoa a pessoa. Ocorre que uma vez tomada a decisão, ela teria de ser acatada por todos. Imaginemos um problema prático, a reforma ou ampliação das muralhas da cidade, ou concordar em pagar um tributo a uma outra cidade mais forte para evitar um ataque, ou ir a guerra contra essa outra cidade. Todos teriam de acatar a decisão, e aí não é mais uma relação voluntária de pessoa a pessoa, é uma decisão de governo. As pessoas residentes na cidade, ou nas pequenas aldeias que dependiam daquela cidade para sua defesa, estariam sujeitas a essa decisão, mesmo que não tivessem concordado com ela. Que restaria aos eventuais discordantes? Acatamento ou exílio. Esso é governo e não relação privada, e assim tem sido considerado por estudiosos das mais diversas áreas.

Então volto a repetir: Se os anarco-capitalistas estivessem dizendo que queriam um tipo de governo diferente (por exemplo, que toda a sociedade se reorganizasse em pequenas tribos, que houvesse um conselho de anciãos, que se elegesse um faraó, ou um imperador) eu aceitaria discutir cada proposta pelo seu mérito. Mas a auséncia de governo não é algo no qual é possa acreditar.

Vou um pouco mais longe. Até mesmo ser obrigado a escolher entre um certo número de tribunais privados ante o qual deve responder por suas ações é uma relação não livre, não é uma relação voluntária. Alguém poderá argumentar que todos os tribunais privados daquela região são injustos (e pode ser que sejam mesmo) e que não quer se submeter a nenhum. A inexistencia de relações involuntarias é, na minha opinião, uma ficção, e isso não é irrelevante. Se for possivel mostrar que é impossivel manter uma sociedade sem relações involuntárias, isso afeta grandemente a definição de objetivos a serem buscados. Se um determinado objetivo for demonstrado impossivel, a busca desse objetivo redundará necessariamente em resultados diferentes dos almejados. Isso é de suma importância.

Responder
Andre Cavalcante 26/08/2012 19:44:32

Olá Renato,

"... A questão é que, uma vez que ele seja chefe, ele aplica a lei sobre toda a tribo"

Por quê? Ou melhor, por que tem que ser assim? Não se pode ter um arranjo diferente? Acho que o ser humano tem imaginação suficiente pra bolar mecanismos diferentes desse arranjo, não?

"Certamente a relação que existe ele e todos os outros membros da tribo não é mais uma relação privada, é uma relação pública."

A relação entre o espaço privado meu e o espaço privado do outro é sempre onde os conflitos vão aparecer. Não gosto do termo relação pública, dá a entender uma relação unilateral, de lá pra cá e eu tenho que aceitar, enquanto na prática é sempre uma relação pessoal minha com outro, ou outros. Se eles me impõe algo contra a minha vontade é coerção. E a coerção deve ser abolida. Quaisquer outros arranjos baseados na não coerção são possíveis, inclusive aqueles que eu aceito, por vontade, ter um líder tribal ou qualquer outro. Se você chamar a isso de governo, tudo bem, mas no meu entender não o será (aí é o problema do que se entende por governo).

Recentemente tive que estudar os chamados fenômenos emergentes. Há-os na natureza em abundância, mas também os há nas sociedades humanas. Bom, esse seria um arranjo possível, isto é, deixar que a sociedade seja formada por emergência.

Romper com as amarras mentais que nos cristalizam desde a infância é bem complicado. Não sei se já conseguir as romper em mim, mas hoje sei que é possível se pensar em arranjos novos, diferentes de tudo aquilo que vemos hoje.

E não vejo outra forma de testar e por em prática tais arranjos se não pelo respeito aos direitos naturais e em uma sociedade baseada nos valores ditos cristãos: família, respeito a propriedade, à liberdade, ao próximo, amor por si e pelos outros, auxílio mútuo e cooperação. Utopias nos guiam, mesmo que sejam inalcançáveis, mas te digo, se parar pra pensar mais profundamente nas nossas relações, praticamente tudo o que precisamos para um arranjo anarco-capitalista já existe e ele é barrado justamente por causa dessas nossas amarras mentais de achar que sempre houve governo (no sentido estreito, como o temos hoje) e sempre haverá.

Responder
Renato 26/08/2012 20:10:42

André

Gostei da sua resposta, avançou a discussão de forma proveitosa.

Pensemos um pouco mais sobre o sistema de governo de uma tribo. Há algum exemplo de tribo onde alguns seguiram um lider e outros seguiram outros? Uma tribo com vários chefes concorrentes? Perceba que a ausencia de lideranças concorrentes concomitantes é um fenomeno generalizado demais para ser atribuido a causas peculiares.

Um ponto importante a ser considerado é que grupos pequenos permitem métodos de liderança mais livres e humanos que grupos grandes. Então, a impossibilidade de um sistema de liderança de aceitação livre numa tribo, é prova da sua impossibilidade numa sociedade mais complexa, mas o contrário não é verdadeiro.

Tenho muitas dúvidas sobre como funcionaria tal sistema de liderança livre numa tribo, mas vou dar de barato, por enquanto, que ele seja possivel.

Agora passemos à situação de uma pequena cidade estado, que é uma sociedade mais complexa que a tribal (mas muito menos complexa que a nossa). A sua principal característica que a diferencia de uma aldeia é o seu sistema de defesa (muralhas), bem mais complexo (além do tamanho um tanto maior). Como você imagina a ação de multiplas lideranças concorrentes funcionando de forma estável? O sistema de defesa afeta a vida de todos os cidadãos, mas é uma unidade irredutivel. Ou o sistema de muralhas funciona como um todo, ou não tem muita serventia.

Responder
Pedro. 21/09/2013 12:34:15

Grande Getúlio!!!

O astrologo é culto e intelingente, porém aluga sua pena para ideologias sem muito se ater a filosofia. Uma das minhas discordâncias com o brilhante ideólogo é que ele advoga o direito positivo, embora não explicite isso francamente. Isso depõe contra ele. Porém, ideologias advogam o arbitrio do direito por autoridades. Algo como se a autoridade detesse não a sabedoria suprema, mas também o direito supremo sobre todos os reles mortais.

Claro que ideologias foram inventadas para seduzir massas angustiadas e frustradas (sejam ricos ou pobres ignorantes ou letrados, massa é aquilo que toma a forma que lhe dão).

Ideologias baseiam-se na promessa de fins redentores, objetivos coletivistas supremos (para "salvar" a humanidade), para assim pretensamente justificarem os meios que afirmam levar ao final glorioso alardeado. Ou seja, em nome de um objetivo supremo e redentor tudo passa a ser moralmente permitido (mética é a filosofia da moral e nada tem com costumes ou anuencia majoritária e muito menos com imposição de auitoridades).

É assim que pululam ideologias: muitas são as ambições subjetivas de como o mundo deve ser. Muitos, a maioria, deseja moldar o mundo segundo a própria subjetividade e para pretensamente justificar seu desejo elabora um MUNDO IDEALIZADO SUBJETIVAMENTE (ideal, mas não para todos, e completamente arbitrário). Pronto! esse FANTASIOSO mundo IDEALIZADO torna-se o FIM SUPREMO que tudo justifica, sendo um FIM REDENTOR. Assim, toda a arbitrariedade e toda canalhice torna-se ideológicamente justificável.

Marx percebeu isso e criou a sua ideologia, igualmente prometendo um final glorioso aos fiéis após um apocalipse proletário. Aliás a ideologia marxista se vale do sincretismo com o cristianismo que atualemnte o astrologo, inteligente e culto, brilhante de fato, defende. Ele já defendeu o marxismo. Ora, não é possivel defender o marxismo de boa fé, posto que um amontoado de asneiras afirmativas, premissas falsas, apelos emocionais, contradições berrantes, profecias sem nexo, afirmações falsas sobre a realidade e, enfim, uma aberração completa em termos intelectuais. Apenas se firma pelo fantasioso fim preconizado. Fim este absurdo posto que malandramente se realizará somente a partir da abundancia absoluta. Enquanto isso o totalitarismo estatal e a exploração das populaçãoes por uma casta "comunista" privilegiada que toma para si tanto quanto desejar dos trabalhadores feitos escravos absolutos.

Ora, como Olavo poderia defender tal absurdo, sendo inteligente como é e cada vez mais culto?
Simplesmente aluga-se a ideologias.
Se não conseguiu o destaque e a remuneração nas ordas marxistas, talvez por ser inteligente foi temido, debandou-se para outra ideologia. Se já vendeu mapas astrais mesmo depois de carola, coisa que sua atual religião condena, bem se vê que não tem tantos escrupulos e sim um grande desejo de sustentar-se com o máximo que conseguir. Compra mapas astrais quem quer, nisso é correto. Mas qdo aluga sua pena para ideologias totalitárias, aí....

A igreja existe ainda exclusivamente por se ter imposto pelo terror. Sem o terror não mais existiria e nem mesmo teria conseguido passar de um emaranhado de seitas.
O patrimônio e as regalias que obtem dos governos dando em troca uma doutrina conveniente e fazendo a pregação ideológica favorável a existência do Estado do jeito exato que é, se manterá enquanto o modelo de Estado senhor da população existir. Se o Estado senhor, dono da população e tudo mais, algum dia vir abaixo, com ele virá a igreja católica e provavelmente as demais.

Abração.

Responder
Renato Souza 30/09/2013 14:13:35

Pedro

Não tenho procuração do OC, nem concordo com tudo o que ele pensa, mas sua acusação a ele, não sendo consubstanciada em evidências, é difamação. E uma difamação sem sentido. Mesmo porque OC fala em leis injustas, e inclusive leis que devem ser desobedecidas, logo ele crê na lei natural.

Quanto à Igreja, existiu durante duzentos anos, não só sem ajuda do estado, mas sendo perseguida pelo estado. Da mesma forma, existe hoje cristianismo em estados que o perseguem.

Responder
Tiago Moraes 09/08/2012 10:50:49

Breno, e se a incapacidade do Estado, em responder coerentemente à sociedade for algo inerente e intrínseco ao próprio? E se essa incapacidade for de fato deliberada e não simplesmente algo esporádico ou não intencionado? A sua tese de tornar o "papel" do Estado como sendo algo inquestionável desmorona, pois observe que as duas perguntas que eu faço são capciosas...

Responder
Itamar Gines Pereira 08/08/2012 09:28:43

Ótimo texto!\r
Perfeito fabio! E só lembrando que se essa lei "de que você deve morrer" for vetada pelo Presidente da República, o congresso pode derrubá-la pela maioria de seus membros e reenviá-la ao Presidente para que este a promulgue. Alguém consente isso!\r
Abraços!\r
Ou

Responder
Julio dos Santos 08/08/2012 11:06:11

Bravo!

Responder
Ivan Eugenio da Cunha 08/08/2012 12:15:53

Um ótimo artigo. Alias, mais um assalto à liberdade: acabaram de regulamentar a profissão de físico (www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/423684-CAMARA-APROVA-REGULAMENTACAO-DA-PROFISSAO-DE-FISICO.html). Como sou formando em física (e sabendo a abrangência de onde um físico pode trabalhar e como profissionais de outras áreas também podem fazer o "trabalho de físico") percebo o quanto essa regulamentação é absurda e prejudica até (alias, principalmente) os próprios físicos.

Responder
Christiano Traba 08/08/2012 17:12:14

Boa noite...

Não pude acompanhar todos os comentario e ou explicações para minha dúvida durante o dia mas acabei de ler todas...


Agradeço a troca de ideia e informação, além dos debates que enriquece mais e mais os textos aqui publicados...

Com os comentários vindo de todos conseguir entende melhor essa relação do qual criei minha dúvida...

Grato !

Grande Abraço a todos...e parabenizar alem dos idealizadores e os autores dos textos, as pessoas que participam comentando, analisando e debatendo, pois é por intermedio desse "extra" que muitas pessoas concluem sua ideia e seu entendimento quanto ao texto..

Responder
Mateus 09/08/2012 03:50:37

É o argumento mais infantil que conheço, falava-mos isso na sexta-série do ensino fundamental.

"Se você não gosta do Brasil por que não vai embora?"

Quando alguem diz isso me lembro sempre do ensino fundamental. E o nível intelectual de quem diz isso é o mesmo de que um aluno de sexta-série.

Responder
Ricardo Chaves 09/08/2012 08:23:00

"quanto ao Thomas woods, só não vejo porque envolver religião para provar uma tese"

Viajou hein campeão? Até eu que sou ateu não entendi necas dessa sua conclusão. Onde é que o Woods faz isso no artigo? Aliás em seus artigos em geral nunca vi o Woods utilizando religião para provar teses. De onde vc tirou Isso? Parece coisa de evangélico preconceituoso.

Responder
mauricio barbosa 09/08/2012 09:49:26

Campeão não sou preconceituoso, fui infeliz ao criticar o titulo do livro de Thomas Woods,mas e dai todo mundo é passível de critica agora o Thomas não é babaovo de nenhum papa pois as bulas papais demagogas ele tem criticado com elegância e critério quanto a ser EVANGÉLICO eu não poupei as igrejas protestantes e as citei também acho eu que vocês é que são preconceituosos pois devolvem as respostas atacando a fé do outro e em nenhum momento ataquei a fé de ninguém só quero uma resposta justa,por exemplo não sou muçulmano e nem nunca serei,mas eles também contribuíram para o avanço das ciências ao introduzir os algarismos indo-arábicos na matemática,quanto ao vaticano como você explica os escandâlos financeiros do banco da santa sé e a morte de joão paulol .

Responder
Gustavo 09/08/2012 20:41:56

Você não é preconceituoso, apenas vê no Thomas Woods um bode expiatório pra sua birra anticatólica.
Por favor, refute o que Woods escreveu.

Responder
anônimo 12/08/2012 17:07:40

Discurso grandioso do Thomas Woods! Tem como alguém imprimir e colar nas paredes dos cursos de humanas da USP, UFRJ e UNB?

Responder
Marcos 15/08/2012 09:49:19

O pior de tudo é que sequer existe para onde "fugir". Em todo lugar o sistema é o mesmo. Talvez só reste alguma ilha deserta no meio do Pacífico...

Responder
Rafael 15/08/2012 17:55:03

Responder
Pierre 20/08/2012 12:53:50

velha questão do contrato social... mas se a escola Austríaca tem esse pensamento, deve concordar na não cooperação com o liberalismo, como proceder?

Responder
Leandro 20/08/2012 12:59:32

Prezado Pierre, não confunda Escola Austríaca com filosofia libertária. Contrato social e afins nada têm a ver com a EA, mas sim com filosofia libertária.

A Escola Austríaca lida exclusivamente com economia, e sempre do ponto de vista positivo, nunca normativo.

Por exemplo, descrever o funcionamento do sistema bancário de reservas fracionárias é uma tarefa positiva (de caráter prático), e não uma normativa. Agora, discutir se tal sistema é desejável já é uma tarefa normativa, e qualitativamente separada da explicação da mecânica desse sistema.

Esta sua pergunta é da área da filosofia libertária, e nada tem a ver com Escola Austríaca de Economia, a qual, repito, é uma ciência econômica positiva. Portanto, a EA nunca teve e nunca terá resposta para esta sua pergunta, que pertence totalmente ao âmbito da filosofia libertária. Perguntar qual é a posição da EA em relação a um assunto eminentemente filosófico faz tanto sentido quanto perguntar qual é a posição da astronomia em relação à dieta da proteína.

Nunca confunda estes conceitos, por gentileza. E sempre tenha isto em mente: qualquer resposta que você porventura obtiver para esta sua pergunta (a qual eu confesso não ter entendido) será totalmente do ponto de vista da filosofia libertária, e nunca da Escola Austríaca de Economia, a qual nada tem a ver com este tipo de assunto.

Abraços!

Responder
André Caniné 21/08/2012 21:20:00

um dos melhores artigos que já li! Tb Gosto muito dos textos do lew rockwell, gary north, george reisman, Peter schiff e frank shostak. Além dos artigos estilo "vermelho e preto" do Leandro.

Responder
Pedro Ivo 27/08/2012 07:04:51

O Thomas Woods, além de mui lúcido, sempre põe o assunto em perspectiva histórica. Mostra a genealogia do monstrinho. Isto é fundamental.

Lembra-me um depoimento do Rockwell de que os anarcocapitalistas nos EUA costumam confundir o movimento de livre mercado e de liberdades individuais com proselitismo ateu, inclusive culpando as religiões pela origem do estado. Já Rothbard mostrou, e isto surpreende alguns ateus estadunidenses, que o estado foi uma ruptura com a religião.

Por isto acho história indissociável de economia

Responder
André Caniné 26/08/2012 21:08:26

Getúlio, já o artigo abaixo do gary North?\r
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1147

Responder
Gustavo Miquelin Fernandes 01/11/2012 11:51:15


Penso que o Rosseau fez um grande esforço para fazer a legitimação da força.

E até um período a tese foi bem aceita. O problema se dá quando da análise da democracia aplicada a este tipo de legitimaçao. Hoje a democracia tem sido entendida nao so como a "tirania das maiorias vencedoras", mas qualitativamente também, com analisede fundo das ideias opostas. Sendo assim, se pequena parte fazer argumentaçao contestatoria dessa força estatal, municiada com um discurso racional, nao se pode falar que a ideia de Estado é totalmente democrática, nem, portanto, legítima.

Responder
Fabio 02/11/2012 04:49:47

Mas esta argumentação é tão escorregadia que pode minar até propriedade privada(pilar do liberalismo econômico) que depende do estado como fiador. Pois esta tb é um contrato social que não é assinado por todos. Só que a proposta de Anarquismo que sobrou depois desta argumentação é como o Faroeste: deixe o sem lei, que própria lei da sobrevivência vai ordena-lo. Mas a proposta mais correta seria melhorar ainda mais a democracia para que o poder seja cada vez mais minimizado/repartido,pois a vida em sociedade nos impõe limites obviamente,mas tb nos dá benefícios.

Responder
Marc... 26/04/2013 22:37:36

Responder
Johnny Jonathan 16/05/2013 00:04:46

Versão em vídeo do texto:

Responder
anônimo 22/07/2013 16:59:15

eu vou só ressaltar uma coisa que eu não concordei com o texto

eu acho que a pessoa não tem que se mudar quando não concorda com alguma coisa e sim tentar mudar ela,imagine a situação,eu moro em um lugar e acontece lá uma coisa que eu não concordo,ai eu pego e me mudo para outro local que acontece a mesma coisa,imagine que essa situação aconteça n vezes e todas essas vezes,eu me mude chegará um momento em que acabara os lugares aonde eu possa morar sem ter algo que me incomode,ai a única coisa que eu vou poder fazer é tentar mudar o que está de errado,por isso que eu digo os incomodados que tentem mudar as coisas que os incomoda

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