Como o CADE está destruindo a suinocultura no Brasil
por , sexta-feira, 13 de julho de 2012

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monopolio_sadia_perdigao.jpgEm 13 de julho de 2011, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) finalmente aprovou, por 04 votos a 01, a fusão  da Sadia com a Perdigão, após um processo de negociações que vinha se arrastando por cerca de dois anos, e que ao fim resultou em uma série de medidas tão gravosas que por apenas um pouco mais inviabilizaram definitivamente a operação.

Da fusão entre as duas bem-sucedidas empresas, nasceu a holding BRF — Brasil Foods, amputada ainda na maternidade, sendo obrigada a alijar uma parte substantiva dos seus ativos, além de ter sido submetida a uma severa dieta de participação no mercado.

Nada menos que 10 fábricas de alimentos, 04 abatedouros, 12 granjas, 02 incubadoras de aves, 08 centros de distribuição e 04 unidades de produção de ração terão de ser vendidos, e para uma única compradora; além disso, o conglomerado também terá de se desfazer de nada menos que 12 marcas consagradas pelo público consumidor: Resende, Wilson, Doriana, Texas Burguer, Confiança, Patitas, Escolha Saudável, Fiesta, Delicata, Light & Elegant, Tekitos e Freski.

Acabou? Mal começou: o conglomerado ficou ainda impedido de entrar em campo por três anos para a produção e comercialização no mercado interno de presunto, linguiça, paio, palheta, pernil, lombo e produtos natalinos, em especial, suínos (grifos meus); 04 anos para o salame, e 05 anos para comidas prontas, tais como almôndegas.

Mais: a marca Batavo ficou proibida de produzir e comercializar produtos de origem em carne animal, tendo sido limitada ao setor dos produtos lácteos.  Por fim, à holding BRF restou resignar-se com a proibição de substituir as marcas alienadas e de estabelecer parcerias com o varejo para vendas com exclusividade ou criar pontos de vendas exclusivos.

Será que me esqueci de algum detalhe? No total, a BRF foi decepada em uma capacidade operacional de 730 mil toneladas por ano, o equivalente a 80% da capacidade produtiva da antiga Perdigão. (Fonte: Veja Economia)

Uma pausa para um suspiro e uma reflexão...

Estamos em 2012, exatamente um ano depois, faceando as seguintes manchetes:

Em MT, criadores de suínos desistem da atividade ou buscam alternativas;

Suinocultura: Crise assombra o Oeste catarinense;

Santa Catarina registra R$ 1 bilhão de prejuízo com a crise da suinocultura;

Governo discute medidas de apoio à suinocultura nesta terça-feira (10);

Crise na Suinocultura: ACCS mobiliza produtores para o Manifesto Público em Brasília nesta quinta-feira (12) e outras...(fonte: Notícias Agrícolas)

Será que alguém conseguiu enxergar no cotejo entre as duas notícias alguma relação de causa e efeito? Pois é...

Com o impedimento da BRF de participar do mercado e, de forma agravante, de ter sido obrigada a vender um substancial conjunto de ativos para os quais ainda não encontrou um comprador único, naturalmente criou-se um enorme vácuo na cadeia econômica, especialmente danoso para o setor da suinocultura, que tem no estado de Santa Catarina o principal produtor nacional.

Sem haver quem compre a produção, que a beneficie e a distribua para todo o país, naturalmente, somente restou ao suinocultor ver os preços de sua produção despencarem na cratera logística aberta pelo governo.  Mas, pasmem, o preço ao consumidor final, no varejo, longe de ter diminuído proporcionalmente, como seria de se esperar segundo um raciocínio mais ligeiro, curiosamente tomou o rumo inverso e encareceu significativamente, tanto mais quanto mais afastado o mercado consumidor das regiões produtoras.  

Isto só pode ser explicado, logicamente, pelo duro golpe na estrutura logística promovido pela pretensiosa mão estatal do "Super CADE".  Moral da história: o consumidor saiu (muito) mais lesado do que se a fusão entre as duas empresas não tivesse sido submetida a nenhum óbice.

Ademais, os produtos de ambas as marcas — digo, Perdigão e Sadia —, vinham sendo oferecidos com um certo equilíbrio entre qualidade e custo, de modo que suas concorrentes, até então, vinham buscando a diferenciação pela priorização de uma ou outra  característica.  Agora, dado o novo cenário, as rivais que primavam pelo preço mais acessível viram-se livres para praticar preços mais altos sem ter necessariamente de melhorar a qualidade de seus produtos, ao passo que as concorrentes, que se diferenciavam pela qualidade, não viram motivo para manchar a reputação perante o público-alvo mais seleto (e endinheirado) para o qual se especializaram.

No frigir dos ovos, o consumidor saiu-se triplamente prejudicado: perdeu o bem da marca favorita e viu-se diante da inglória alternativa de comprar um substituto de pior qualidade por um preço majorado!

Da minha experiência pessoal, há várias marcas para as quais não me contentei com os substitutos e, ao final, fossem por ser de qualidade inferior ou de preço não razoável para os meus padrões de consumo, simplesmente abdiquei completamente de adquirir os respectivos gêneros.  Portanto, creio ser possível acreditar que outras pessoas de classe média tenham repetido, em maior ou menor grau, o meu comportamento, o que revela uma forma não contábil de empobrecimento relativo ou diminuição da qualidade de vida.

Como tem sido anunciado, o governo catarinense tem acenado com medidas paliativas, tais como a de incluir a carne suína na merenda escolar e de promover campanhas midiáticas enaltecendo o valor nutritivo e os benefícios para a saúde promovidos pelo seu consumo.  Da parte do governo federal surgiram propostas de facilitação de créditos, prorrogação de dívidas e diminuição de alguns tributos.

Como sempre, remédios absolutamente ineficazes; pior do que isto, geradores de ainda novas distorções, as quais demandarão novas medidas de contenção dos indesejados efeitos colaterais, gerando assim uma insana e infindável espiral intervencionista de insucessos. 

Vamos lá, detalhadamente: pra começar, no que me aconselha a prudência a não tomar o lugar de um nutricionista, declino da tarefa de especular o efeito alimentar para as crianças da rede escolar que serão submetidas a tal esperável monotonia em seus cardápios.  Porém, do ponto de vista psicológico, ou ainda do mero bom senso, não há quem aguente ingerir carne suína permanentemente, isto sem falar das que não gostam, não consomem por motivos religiosos, e das que não podem consumir por motivo de alergia.

No meu tempo como aluno da Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante, passei por uma situação semelhante, de modo que não me é difícil imaginar o cenário a porvir: naquela época, o governo do então presidente José Sarney se negava a pagar ágio pela carne bovina cujo preço havia sido congelado por meio do plano Cruzado, de modo que só nos era servido peixe, dia após dia (Arre!).  Consequentemente, depois de algum tempo, já recusávamos as piscosas porções antes mesmo de nos serem servidas, as quais possivelmente iam acabar parando no lixo.

À parte do empobrecimento não monetário da qualidade de vida dos alunos da rede pública de ensino catarinense, frise-se que uma preferência pela carne suína na merenda escolar só pode ser efetivada por uma concomitante preterição dos outros produtos de origem animal, com injusto prejuízo para os respectivos produtores, resultando afinal que a ação promete ser absolutamente ineficaz do ponto de vista econômico (conquanto o possa ser do político, ou melhor, do politiqueiro...)

Com relação às campanhas midiáticas, difícil imaginar algo que seja mais nonsense! De partida, é extremamente injusto, senão ilegal ou inconstitucional, que o governo pague por propaganda para beneficiar cidadãos particulares com o dinheiro dos impostos tanto de consumidores quanto de não-consumidores de carne suína; complementarmente, a medida teria o mesmo resultado que disparar um tiro no ar, já que não se trata de um problema relacionado à rejeição da carne suína pelos consumidores, mas sim pela impossibilidade ou dificuldade destes de encontrá-la nas gôndolas e balcões frigoríficos, processada ou não processada.

Já o governo federal aponta com soluções ainda mais caquéticas do que o estado sulista, vez que promete encurralar os produtores em uma espiral de endividamentos sem prover-lhes absolutamente nenhuma saída viável da crise que lhes assola.

Na literatura internacional, destacam-se os trabalhos de Dominick Armentano, Thomas DiLorenzo e Mary Bennett Peterson, autores que se empenharam em demonstrar, tanto teórica quanto empiricamente, que todas as empresas que forma processadas pelas leis antitruste nos EUA, longe de estarem diminuindo a produção, aumentando o preço dos seus produtos e serviços e estagnando tecnologicamente, sempre estiveram centradas em proporcionar ganhos para os seus clientes, o que as fez progredir tecnologicamente em uma escala inaudita e baixar os preços vertiginosamente; que o Shermann Act, a primeira lei antitruste do mundo, nasceu de um lobby de empresários mercadologicamente incompetentes mas politicamente influentes que geraram incomensuráveis prejuízos para a sociedade americana, na forma de cotas de participação, gravames aduaneiros, políticas de preços máximos e de preços mínimos, bem como programas estatais de estocagem de grãos — e, pasmem, até mesmo de programas de subsídios para que fazendeiros NÃO produzissem!  Em uma frase genial, a economista Mary Bennett Peterson sintetizou: "a legislação antitruste não nasceu para proteger a concorrência, mas os concorrentes!".

Nem só de concorrência vive o mercado, mas também de cooperação, parcerias e de coordenação.  Muitas vezes, os concorrentes servem, eles próprios e em conjunto, como fomentadores de um determinado mercado.  Como exemplos, lancemos os olhos à rua 25 de Março, em São Paulo-SP, ou à rua Teresa, em Petrópolis-RJ.  Nestas ruas, compreende-se claramente que o aglomerado de concorrentes favorece o comparecimento da clientela muito mais do que se houvesse um único participante em cada um daqueles lugares.

Nos seus delírios macroeconômicos, os economistas apontam-nos irreais modelos de competição perfeita para defender um cenário de concorrentes atomizados como a solução para o que afirmam ser desejável, isto é, um (jamais alcançável) "equilíbrio do mercado".  Fogo fátuo!  Um único participante de um dado mercado inteiramente livre de intervenções estatais está mais sujeito à concorrência do que uma dúzia de comensais em um sistema de mercado autarquizado, pois a qualquer momento podem candidatar-se novos participantes, seja com produtos semelhantes, seja com soluções totalmente inovadoras, tal como Mary Bennet Peterson muito bem elucidou-nos:

Quem de fato pôs o ferreiro da vila fora do mercado, ou, mais recentemente, o fez com o vendedor de gelo, ou, ainda mais recentemente, com o doceiro da esquina?  Muitos podem estar inclinados a dizer que estes empreendedores de outra era foram economicamente vencidos pelos gigantes de Detroit, pelas grandes empresas de utilidades públicas, Westinghouse e General Eletric, pelas redes de alimentos A&P, Safeway, Grand Union e por outros grandes conglomerados.  Eu argumentaria, ao contrário, que o real algoz do vendedor de gelo foi o consumidor — a pessoa que comprou um refrigerador elétrico ou a gás. (PETERSON, Mary Bennett. The regulated consumer. The Ludwig von Mises Institute, Auburn Alabama, 2007).

Assim tem sido com a Brasil Foods, um empreendimento que só terá condições de competir com gigantes globais se munir-se dos ganhos de escala advindos da fusão, o que promete servir aos consumidores preços mais baratos e produtos de maior qualidade e mais inovadores.

Causa-me um desconsolo ter tido conhecimento de que os setores atingidos, mormente o da produção suína, estejam a pedir de joelhos ao governo por ajuda na forma de benefícios e privilégios particularizados que nada têm a proporcionar-lhes senão mais dependência e prejuízos, quando deveriam raciocinar se não estão sendo vítimas de pretéritas e malogradas ingerências estatais na economia, sendo o caso especificamente, como os fatos levam a crer, resultantes da desastrada atuação do CADE.  Que este singelo artigo alimente o debate e sirva como um botão de parada de emergência para tal vicioso ciclo, eis uma das minhas mais caras esperanças. 

Até lá, vou tristemente recitando "No meio do caminho", de Carlos Drummond de Andrade: "No meio do caminho tinha uma pedra; Tinha uma pedra no meio do caminho;..."

 

Leia também: A nova lei antitruste brasileira: uma agressão à livre concorrência


Klauber Cristofen Pires 

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.



57 comentários
Bernardo 12/07/2012 22:43:46

Que absurdo...não tinha entendido o porque da propaganda na TV da perdigão dizendo que varios produtos estariam fora do mercado por um tempo, é simplesmente um absurdo isso, como algum economista pode defender isso? O CADE é uma aberração, quanto mais eu estudo, mas eu vejo que não temos esperança alguma pro futuro, a tendencia é só piorar.

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Henrique 12/07/2012 23:35:13

Ler as credenciais do autor me lembrou de um questionamento que fiz outro dia de o porque tantos não-economistas estuda EAE. A conclusão que cheguei é que um economista seguir a Escola Austríaca significa advogar contra a própria profissão; se o mundo fosse todo liberal só iam precisar de um economista, e a resposta seria sempre a mesma: não interfiram!

Muito bom artigo, meus parabéns ao Klauber! Ele expõe claramente a piada que é o CADE se dizer defensor da livre concorrência; é o tipo de coisa me embrulha o estômago de repulsa.

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Rodrigo 13/07/2012 07:41:55

Com certeza!!

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Jeferson 13/07/2012 08:28:12

"se o mundo fosse todo liberal só iam precisar de um economista, e a resposta seria sempre a mesma: não interfiram!"

Errado. Haveria economistas trabalhando pra empresas, ajudando-as a entender e atender melhor ao mercado onde elas atuam, e seriam esses mesmos economistas os que diriam ao inexistente ou quase inexistente governo: "Não interfiram!"

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Paulo Sergio 14/07/2012 04:22:36

O cara que faz isso se chama gerente de marketing.E se o empresário for inteligente, até esse é dispensável
'Se eu fosse perguntar pras pessoas o que elas querem, elas teriam respondido: um cavalo mais rápido'. Henry Ford

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Gustavo 13/07/2012 00:10:21

Que este artigo viralize entre os catarinenses!

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Alexandre Melchior 13/07/2012 13:18:02

Eu estou em SC e vejo que isso não vai acontecer.\r
\r
Infelizmente o povo tá muito por fora. Tenho conhecidos, amigos e até parentes que criam porcos e estão passando por essa forca.\r
\r
Tods eles pedem, em uníssono, ajuda do governo.\r
\r
Ninguém parece nem saber da questão da fusão em que o CADE interferiu.\r
\r
Uma pena. Esse cenário é fruto da lavagem cerebral que o povo levou na escola....

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Marc... 13/07/2012 13:43:19

Espalhe esse artigo para seus conhecidos e amigos solicitando que repassem da mesma forma. Também poderia ser enviado a todas empresas do ramo.
Com o tempo podemos livrá-los desse sono estatólatra.

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BrasilRJ 13/07/2012 00:29:43

Artigo Muito Bom! Bem escrito e com argumentação que deixaria os parasitas do CADE mortos de ódio se o lessem.

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Rodrigo Polo Pires 13/07/2012 01:07:05

Ainda há a desvalorização cambial que fez com que o preço do milho e da soja subissem 20%, lembrando que esses produtos são 70% da ração servida aos animais. Com o pretexto de ajudar os exportadores o governo ferrou quase toda a cadeia de produção de carne, com exceção da bovina que ainda pode substituir parte desses dois produtos por outros, como caroço de algodão por ex. Ainda há o agravante de essa empresa pertencer em boa parte à um fundo de pensão de funcionários públicos e aí dá vontade de rir, alguém esperava outro final a não ser os sucessivos prejuizos dessa empresa> E não adianta a gritaria, deu lucro, eu bem sei, mas só enquanto o BNDS enchia as burras da empresa. O Brasil que os burocratas inventaram é esse, e agora, vejam que surpresa, é necessario mais e mais governo para resolver os problemas criados por ele mesmo!

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Alinson 13/07/2012 04:03:43

Mais regulação: www1.folha.uol.com.br/mercado/1119135-ba-mineracao-pode-ser-beneficiada-por-novo-marco-regulatorio.shtml

O engraçado é que o maior beneficiado diz que "o novo marco vai gerar oportunidades para os entrantes no mercado".

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Jose Roberto 13/07/2012 04:50:00

Segunda, estava viajando e a única coisa no rádio era aquela Voz do Brasil. Fui escutando, repetiram algumas vezes sobre a "crise suína", coisa que eu não tinha ouvido falar ainda. Ficaram falando de ajudas do governo federal e coisas do gênero. Mas não explicaram nada, evidentemente, fiquei curioso na hora mas esqueci do assunto. Gostei de entender o que está acontecendo lendo esse artigo.

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Marcos 13/07/2012 05:23:54

Não conhece do assunto de suinucultura e somente falou besteira. O motivo da crise em SC é totalmente diferente. Concordo que o governo não deveria colocar o dedo em nenhuma empresa, principalmente esse CADE, mas o motivo da crise atual se deve ao seguinte:
- Muitos anos atrás (bem antes da fusão mencionada no artigo) todas as empresas do setor adotaram a prática da produção integrada que consiste em dar aos produtores os suínos, as rações e tudo que for necessário para a produção. O produtor fica apenas com a tarefa de criar os suínos. Em troca, o produtor tem a garantia de venda do suíno à indústria por um preço pré-determinado(na verdade, como o suíno não é do produtor, ele estaria recebendo uma espécie de salário, ou comissão, sobre a produção). As empresas então dão total prioridade aos suínos produzidos via integração (nada mais justo).

- O que está acontecendo atualmente é que muitos países que consumiam a produção nacional (boa parte da produção nacional é exportada) adotaram medidas protecionistas e com isso não estão mais absorvendo esses suínos, causando excesso de oferta e por consequência queda do preço. Isso, aliado ao fato do custo os insumos estar cada vez mais caro (devido principalmente à ridícula logística brasileira) faz com que os custos de produção sejam maiores que o preço pago ao produtor. A indústria então absorve toda a produção dos produtores integrados, só que essa produção é mais que suficiente para cobrir a demanda, a indústria então acaba não comprando dos outros produtores, por isso eles não tem para quem vender.

Os produtores integrados estão relativamente tranquilos, já os produtores não integrados estão sofrendo muito, pois a indústria absorve toda a produção integrada e não vê necessidade de comprar dos não integrados, devido a baixa demanda.
Isso faz com que os preços despenquem! É a lei da oferta e demanda.
Quando os produtores optaram por não fazer parte da produção integrada, eles sabiam que isso podia acontecer. Então não adianta chorar agora. Ganharam mais dinheiro quando o mercado estava bom, mas agora vão ter que amargar prejuízo quando o mercado está ruim.

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Ricardo 13/07/2012 06:14:32

Prezado Marcos, foi dar uma sabichão arrogante e falou (meia) bobagem. Sou do interior de MG, e toda a minha família é suinocultora. E a coisa está exatamente como diz o artigo. Ou seja, não é só em SC como você disse, não.

Até o ano passado, a coisa estava boa. Mas, segundo o senhor, a tal integração da produção ocorreu há anos. Por que só fez efeito repentinente agora, assim do nada? Não faz sentido.

Adicionalmente, o preço da matriz (a porca que dá à luz a vários rebentos) despencou do nada. Seria isso também o repentino resultado desta tal integração ocorrida há anos? Não faz sentido. Fico com a explicação do artigo, muito mais economicamente sólida e sensata. Não se esqueça, sou deste mercado e cresci nele.

Mas o senhor está certo quanto ao preço da soja e do milho, que dispararam por causa do câmbio, o que faz com que os produtores os direcionem majoritariamente para a exportação.

Agora combine estes dois fatores e verá o tamanho da encrenca.

Da próxima vez, seja mais humilde. A crítica pode se voltar contra você.

Responder
Marcos 13/07/2012 06:53:45

Acredite, conheço muito bem esse setor.
Já que você não acredita em mim, leia essa matéria por exemplo:

wp.clicrbs.com.br/chapeco/2012/07/03/produtor-ignora-crise-e-investe-alto-na-suinocultura/?topo=77,2,18,,,77

Responder
Marcos 13/07/2012 07:10:40

"E a coisa está exatamente como diz o artigo. Ou seja, não é só em SC como você disse, não."
Conheço somente a situação de SC, que é o estado onde atuo. Não posso afirmar nada a respeito de MG.

"Até o ano passado, a coisa estava boa. Mas, segundo o senhor, a tal integração da produção ocorreu há anos. Por que só fez efeito repentinente agora, assim do nada? Não faz sentido."
Não falei que foi culpa da integração. Falei que existem dois mundos: Os integrados, que estão sofrendo pouco, e os outros que estão sofrendo muito. A culpa é do excessão de oferta de suínos. Sempre ocorreram crises na suinucultura. Não se preocupe, essa não é a primeira e não vai ser a última.

"Adicionalmente, o preço da matriz (a porca que dá à luz a vários rebentos) despencou do nada."
Do nada não. Despencou porque existe excesso de matrizes no mercado. Já ouviu falar da básica lei da oferta e procura?

"Mas o senhor está certo quanto ao preço da soja e do milho, que dispararam por causa do câmbio, o que faz com que os produtores os direcionem majoritariamente para a exportação."
Câmbio?? O câmbio está caindo há vários anos. Você está confundindo preço de commodities com câmbio.

Responder
Ricardo 13/07/2012 07:33:43

Não falei? Não sabe o básico. O excesso de oferta de matrizes não é algo que surge do nada. É um processo. Logo, falta explicar por que o preço despencou 50% em menos de dois meses, período de tempo esse insuficiente para gerar este excesso de oferta. Há outras causas que você se recusa a aceitar.

Por fim, provou não entender a dinâmica do câmbio. Com o câmbio acima de dois reais, a soja e o milho se tornam atraentes para os importadores estrangeiros. Com isso, os produtores nacionais direcionam uma maior fatia da sua produção para o mercado externo, o que escasseia a oferta interna, elevando os preços. Não imaginava ser difícil entender este conceito básico de economia.

Responder
eduardo 13/07/2012 15:40:15

Caros Ricardo e Marcos, acho que ambas as causas são relevantes, tanto a mencionada no artigo como a conjuntura internacional. Porém, tenho certeza de que não há razão para se deixar a cordialidade de lado nesse espaço.

Responder
Mário 14/07/2012 07:49:25

Marcos, desde que me entendo por gente, vejo crises: suinocultura, leiteira, e outras. Na minha modesta opinião, quem não se integrou, dançou. Aliás, é interessante a criação integrada. O trabalho que o produtor tem, é criar os suínos. Não precisa quebrar cabeça com ração e insumos. Pergunta que não quer calar: porque a Sadia se enforcou? Não acredito que a saída para a economia mundial, seja o liberalismo. Há coisas que só o Estado sabe e tem obrigação de fazer. A regulação de setores é uma delas. Livre concorrência é bom, mas é preciso barrar a concentração de empresas. Concordo com o autor, quando diz que o consumidor pagará por um produto de pior qualidade, por um preço majorado. E mais ainda, o desprazer de abrir mão da marca favorita. Última pergunta: liberalismo evita a corrupção?

Responder
Luis Almeida 14/07/2012 08:05:48

Prezado Mário, desculpe-me, mas você vive em uma realidade paralela, imerso em uma nevoa brilhante. "Há coisas que só o Estado sabe e tem obrigação de fazer. A regulação de setores é uma delas. Livre concorrência é bom, mas é preciso barrar a concentração de empresas."

Ora, quem é que impede a concorrência e estimula a concentração de empresas senão o estado? Dê-me um só exemplo de mercado genuinamente concentrado, sem liberdade de entrada, que esteja assim por falta de regulação estatal.

É justamente o estado quem provoca concentrações, pois é o estado, por meio de suas regulamentações e tributos, que define quem entra em um setor, quem fica nele, e quem tem de sair. Vide o setor telefônico, de saneamento básico, aéreo, de TV a cabo, bancário etc.

Abraços!

Responder
Gustavo 14/07/2012 08:51:28

Última pergunta: liberalismo evita a corrupção?

Claro. Como é possível roubar algo que não foi roubado?

Responder
Tiago Moraes 16/07/2012 06:40:09

Marcos, desde que me entendo por gente, vejo crises: suinocultura, leiteira, e outras. Na minha modesta opinião, quem não se integrou, dançou. Aliás, é interessante a criação integrada. O trabalho que o produtor tem, é criar os suínos. Não precisa quebrar cabeça com ração e insumos. Pergunta que não quer calar: porque a Sadia se enforcou? Não acredito que a saída para a economia mundial, seja o liberalismo. Há coisas que só o Estado sabe e tem obrigação de fazer. A regulação de setores é uma delas. Livre concorrência é bom, mas é preciso barrar a concentração de empresas. Concordo com o autor, quando diz que o consumidor pagará por um produto de pior qualidade, por um preço majorado. E mais ainda, o desprazer de abrir mão da marca favorita. Última pergunta: liberalismo evita a corrupção?

Primeiramente, me prove cientificamente que o Estado é uma entidade transparente, imune a corrupção e que a classe política que o dirige (e que formula as ditas regulações) desconsidera seus próprios interesses, em detrimentos das necessidades daqueles que estão envolvidos no objeto de regulação, no momento em que formulam as leis que irão interferir nos mercados. Depois que você puder fazer isso, aí sim teremos um debate inteligível a respeito das suas infundadas alegações...

OBS: Nenhum fato social pode ser "evitado", ele pode ser ou atenuado ou agravado. No que tange a corrupção, o liberalismo o atenua, o Estado o agrava. Isso é empíricamente comprovável ad nauseam pela realidade.

Responder
Marcos 14/07/2012 16:28:08

"Não falei? Não sabe o básico. O excesso de oferta de matrizes não é algo que surge do nada. É um processo. Logo, falta explicar por que o preço despencou 50% em menos de dois meses, período de tempo esse insuficiente para gerar este excesso de oferta. Há outras causas que você se recusa a aceitar."

Com essa crise todo mundo começou a querer vender suas matrizes ao mesmo tempo. É lógico que o preço ia despencar, pois não há comprador. Desde que me lembro, toda a crise é a sempre a mesma história:
1 - Suinucultura começa a dar muito dinheiro.
2 - Todo mundo, vendo isso, incrementa a produção sem planejamento.
3 - Existe um excesso de oferta de suínos no mercado
4 - Em algumas crises, acontece de algum país decidir não importar mais do Brasil
5 - Os preços despencam
6 - Os produtores ficam desiludidos e começam a vender suas matrizes.
7 - Os preços das matrizes despencam rapidamente, pois todos resolvem vender ao mesmo tempo.
8 - Após um tempo, como todo mundo se desfez de seu rebanho, acaba faltando suínos no mercado e o preço dispara.
9 - O ciclo recomeça novamente.

Já vi pessoalmente essa história acontecer N vezes.
Procura no google, e verá que esse ciclo fica se repetindo.

Exemplo, em 2009 estava em crise e em 2010 se recuperou.
www.porkworld.com.br/noticias/post/apos-crise-suinocultura-vive-ciclo-de-recuperacao

Uma das soluções da indústria para evitar esse sobe de desce na produção foi o esquema de integração. Quem adotou, ganha menos dinheiro, mas tem mais garantias.
Quem não adotou continua vivendo esses ciclos, e vai continuar vivendo. Se quiser continuar no mercado precisa se planejar e prever essa volatilidade, ou simplesmente via integrado de uma agroindústria.

"Por fim, provou não entender a dinâmica do câmbio. Com o câmbio acima de dois reais, a soja e o milho se tornam atraentes para os importadores estrangeiros. Com isso, os produtores nacionais direcionam uma maior fatia da sua produção para o mercado externo, o que escasseia a oferta interna, elevando os preços. Não imaginava ser difícil entender este conceito básico de economia."

Porque então você não troca a suinucultura pela produção de milho?
Ahh, mas o preço do milho também é cíclico!
mais.uol.com.br/view/99at89ajv6h1/crise-faz-produtores-desistirem-de-plantar-milho-04023562C0895366?types=A

Se você não consegue entender que o agronegócio é cíclico, e os preços possuem alta volatilidade, é melhor desistir dele.
Sem nada mais a dizer.

Responder
Tiago Moraes 16/07/2012 06:25:27

Marcos, o fato do setor enfrentar ciclos, não serve de provar para alegar que o atual momento que a suinocultura passa, é um problema puramente de mercado. Então a sua argumentação pode muito bem ser um problema de falsa aparência de causalidade. Você precisa embasar mais suas afirmações.

O texto é claro, a fusão entre a Perdigão e a Sadia só foi aceita pelo CADE mediante a extinção de várias marcas e a saída do grupo de determinados segmentos do mercado. Essas restrições, calcula o autor da artigo, sozinhas foram responsáveis pela eliminação de quase 80% de tudo que a Perdigão produzia. Então temos aqui um dado real; o governo restringiu artificialmente a oferta da produção e se temos uma contração forçada na oferta, então logicamente teremos um efeito em cadeia sobre os fornecedores do setor.

Mais um adendo; mudanças de comportamento no mercado não são restritas a variações tácitas, ou seja, apenas quando o problema de fato se revela. Se a ocorrência do mesmo no futuro for suficientemente aceita como prognóstico real na expectativa dos agentes envolvidos no setor, então os mesmos tratarão de antecipar a ocorrência do problema, gerando a contração no setor antes das medidas de fato serem implementadas. Já era sabido entre as diretorias da Sadia e da Perdigão que o processo no CADE culminaria com a restrição na oferta, eles obviamente se anteciparam a isso para evitar impactos no fluxo de caixa do grupo.

Resumindo: A tal crise que você alude, pode muito bem ser nada mais e nada menos que uma antecipação, do mercado, a uma decisão do CADE que só saiu recentemente.

Responder
Marcos 16/07/2012 07:12:58

Ok, daqui a alguns anos quando os preços da suinucultura voltarem a estar altos novamente a gente conversa.

Responder
Pipe 16/07/2012 08:04:17

Ok, daqui a alguns anos quando os preços da suinucultura voltarem a estar altos novamente a gente conversa.

E isso provaria o que? Seu argumento é mais ou menos assim:

1) Há ciclos econômicos.
2) Eu não gosto de ciclos, quero que a economia esteja sempre bombando. Isso não tem nenhuma lógica econômica, porque há sempre períodos em que maus investimentos precisam ser liquidados, mas é o que eu quero e o que eu quero é o que vale.
3) O estado impede que os ciclos ocorram porque, sei lá, porque impede e pronto. Não quero exemplos de ciclos causados pelo estado (praticamente todos os recentes, incluindo bolha das pontocom, bolha imobiliária, etc).
4) Precisamos do estado para evitar que os ciclos ocorram.
5) Tudo o que foi citado no artigo deve ser ignorado, porque eu acho que não tem nada a ver, é uma viagem na maionese, e o autor do artigo é bobo, feio e chato.
6) As mudanças bruscas ocorrem porque todos os cidadãos são bobinhos, e o pessoal do estado é mais inteligente e bem-intencionado.

É engraçado você citar o milho, como se a alta do milho não tivesse absolutamente nada a ver com o fato de o governo dos EUA subsidiar a plantação de milho para a produção de etanol. Deve ser culpa do mercado de novo, e é claro que precisamos dos burocratas do estado para nos salvar do mercado.

Responder
Marcos 11/02/2013 16:26:59

Não falei? Suinocultura é CÍCLICA. Vivam com isso.
O pior é ter que ouvir gente que nunca viu um porco vivo na vida dando opinião sobre suinocultura.

"...O resultado foi uma menor disponibilidade de carne suína no mercado interno, o que
sustentou os preços da carne", avalia. "Isso possibilitou que no Centro-Sul o quilo vivo atingisse o valor recorde de R$ 3,20. Em São Paulo, por sua vez, a arroba suína teve alta de 85% entre junho e a segunda quinzena de dezembro, alcançando valores
entre R$ 71,00 e R$ 72,00 por arroba..."

www.safras.com.br/destaques.asp?idDestaque=1398

www.alonoticias.com.br/todas-noticias/destaques/10563-suinocultura-catarinense-se-recupera-e-preco-aumenta-na-segunda-

Responder
Licurgo 13/07/2012 06:35:43

Excelente artigo, Klauber. Didático, claro e irrespondível.

Os engenheiros do CADE jamais entenderão que as tentativas de planejamento da economia sempre atentarão contra a realidade das coisas, já que a grandeza das empresas, num mercado livre de interferências estatais, é consequência direta das decisões das mentes dos empresários, chanceladas pelo saber supremo dos clientes a quem servem.

Talvez por este contexto, o artigo tenha-me feito revisitar Atlas Shrugged, notadamente a passagem em que Rearden é obrigado a se desfazer da maioria de suas empresas em favor de empresários incompetentes e arcaicos, mas muito bem relacionados.

Mundo maluco este, em que a excelência no servir é premiada com a expropriação forçada.

Parabéns.

Responder
Thyago 13/07/2012 06:56:59

Economistas...

Esquecem daquilo que não se vê...

Responder
André Luiz S. C. Ramos 13/07/2012 08:36:22

Klauber,
Meus parabéns pelo excelente texto!
Foi lendo um texto seu sobre antitruste que conheci o IMB e a obra do Dom Armentano.
Abs.

Responder
Atylla 13/07/2012 08:39:19

Alguém pode me citar um país dito democrático, com mais de DEZ milhões de habitantes que possua um livre mercado no estilo defendido pela escola Austríaca?

Responder
Luis Almeida 13/07/2012 08:58:39

Em teoria, livre mercado é incompatível com a democracia tradicional. Vide Hong Kong, Cingapura e Suíça. De resto, sugiro este artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=729

Responder
Prentice Franco 13/07/2012 08:47:09

Salve Klauber Cristofen Pires

Se a operação de fusão entre as duas empresas foi tão desvantajoso porque elas se fundiram?

Com certeza a operação de fusão foi pertinente para as duas, Sadia falida nos derivativos cambiais com a brusca desvalorização do Real com o advento da crise dos subprime, a Perdigão que sempre foi "vitima" de oferta hostil viu uma oportunidade única em se fundir ao ver que a concorrente estava em má situação financeira, o governo por sua vez observou que o desfecho seria a fusão utilizou de prerrogativas nada convencionais se aproveitando da situação, mas se não houvesse tais percalços a fusão não existiria pela imposição das regras do governo através do CADE.

O governo foi oportunista e se aproveitou do momento para "protege" um mercado que nem existe, pois se existisse não afetaria a suinocultura como está afetando diretamente, a atitude do CADE de proteger um mercado que não existe mostra o amadorismo, falta de conhecimento, reflexo dos cargos comissionado do governo e no fim quem para a conta é a população.

Responder
Luis Almeida 13/07/2012 08:54:47

Prentice, a fusão não era desvantajosa para as empresas, obviamente. O problema foi a intervenção posterior do governo. O fato de o governo ter intervindo e atrapalhado tudo não significa que fusões são ruins. Muito menos que as empresas não queriam se fundir; é óbvio que queriam. O problema foi o que o governo fez depois.

Responder
Steve Ling 13/07/2012 11:26:10

Elas se fundiram porque a Sadia teve um prejuizo fabuloso no mercado financeiro e para empresa do ex-ministro do desenvolvimento não falir foi criada a BRF.

Responder
José Ricardo das Chagas Monteiro 13/07/2012 09:07:15

Saudações, Klauber, senão um equívoco de tua parte, chamar de singelo o artigo.
Grato.

Responder
Itamar Gines Pereira 13/07/2012 09:59:26

É impressionante como essa pedra não para de crescer. O incrível é que, se já não bastasse a panacéia do CADE - com todos os seus entraves -, a medida tomada posteriomente pelos governos em esfera estadual e federal tendem a prejudiar diretamente os produtores de carne bovina. Daí, novamente o governo vai interferir para socorrer os rodutores de carne bovina, e assim sucessivamente.

Responder
jose carlos zanforlin 13/07/2012 11:56:35

Li o artigo a que remete o presente ( A nova lei antitruste brasileira: uma agressão à livre concorrência), interessante também. Confesso que toda minha vida menos os últimos 6 ou 7 meses, desconheci as idéias da Escola Austríaca, mas isso se remedia... O que vale é a consistência de suas teorias, que, como diz Karl Popper, se fortalecem em poder de explicação e convencimento sempre que resistem a testes de refutação. Há duas questões interessantes, digamos testes: (i) por diversas vezes li aqui que empresas menos eficientes, porém politicamente influentes, como que forçam a legislação dita antitruste. Pergunto: como isso é possível, corriqueiramente, se políticos, como cães, buscam o que tem dinheiro como aqueles uma cadela no cio? Normalmente não seriam os donos de empresas vitoriosas os que mais podem influenciar? Depois, (ii) constato (constatamos todos nós) que raras são as menções na imprensa sobre as idéias da Escola Austríaca. Seria o caso de "leis" que propiciassem igualdade editorial (mesmo contra os alicerces da Escola Austríaca)? De outra forma, como conseguir-se maior veiculação desse pensamento?\r
Grato.\r

Responder
Luis Dietz 14/07/2012 00:07:46

José, irei responder apenas a sua primeira pergunta. A segunda não é pertinente a este artigo. Caso eu fale bobagem, alguém me corrija.

por diversas vezes li aqui que empresas menos eficientes, porém politicamente influentes, como que forçam a legislação dita antitruste. Pergunto: como isso é possível, corriqueiramente, se políticos, como cães, buscam o que tem dinheiro como aqueles uma cadela no cio? Normalmente não seriam os donos de empresas vitoriosas os que mais podem influenciar?

Você esta confundindo as coisas. Esta partindo do pressuposto que existem duas empresas, a vencedora e a perdedora. Geralmente não é assim que funciona o mercado. As empresas estão dispostas em vários níveis, competindo entre si. Se o governo não intervir a mais eficiente irá vencer, ou as mais eficientes (dificilmente uma empresa absorve um setor inteiro), ou mesmo ninguém vence, num eterno jogo de novas descobertas mercadológicas e exclusão dos erros.

Porem o governo intervem, e em muitos setores é muito mais barato para as empresas investirem em lobby para receber proteção governamental do que investir na melhora da produtividade. Nestes casos as empresas irão investir em lobby, e geralmente a que possuir melhores contatos no governo será então a "vencedora". A inúmeros exemplos disso na nossa economia: a nossa industria automobilística sobrevive graças a enormes barreiras protecionistas. O mesmo vale para a nossa produção de petróleo e trigo. A industria nacional é beneficiada em detrimento a estrangeira.

Além de barreiras protecionistas ou leis antitrustes, há também a injeção de dinheiro nos setores amigo. Veja o BNDES, uma maquina de distribuir benesses aos amigos políticos.

Isso gera algumas cenas cômicas, como empresas que financiam as campanhas de todos os candidatos a presidência. Nesses setores fica óbvio que não existe mais concorrência alguma.

É o governo escolhendo vencedores e perdedores.

Responder
Daíze 13/07/2012 15:43:44

Olá pessoal do Mises Brasil, estou fazendo um trabalho sobre economia e gostaria de saber qual é o pensamento da Escola Austríaca em relação a construção e manutenção de infraestruturas.

Responder
Anderson Saraiva 13/07/2012 17:10:27

Primeiro: sensacional o artigo. Parabéns Klauber!

Agora ao texto: um tremendo absurdo. Chega a doer na alma essa burrice que domina o país. Lamentável.

Abraços.

Responder
Luis Dietz 13/07/2012 23:26:50

Belo artigo Klauber. Só ficou faltando a cereja do bolo: como o sistema tributário brasileiro estimula as empresas a se fundirem e por consequência a sofrerem a intervenção do Cade. Mas acredito que iria tornar o artigo muito extenso.

Responder
Matheus 14/07/2012 01:47:27

Eu tento, mas ouvir sobre liberdade econômica de um agente da Receita é como ouvir o capeta recitar um verso bíblico. A mensagem pode até fazer sentido, mas tu sabe que tem alguma coisa errada.

Abraço

Responder
Gustavo 14/07/2012 07:38:50

Identifique o erro, por gentileza...

Responder
Marcos 14/07/2012 19:06:55

Esse é o erro:

"Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos."

Responder
Gustavo 15/07/2012 07:38:29

Erro na mensagem.
"A mensagem pode até fazer sentido, mas tu sabe que tem alguma coisa errada".

Responder
Matheus 15/07/2012 09:51:32

Ou faltou um pouco mais de explicação ou de interpretação. Como deixei claro, a mensagem faz sentido. A coisa errada se encontra não na mensagem mas sim na situação. Não conheço o autor do texto pessoalmente, mas defender o libertarianismo, sendo não apenas funcionário público, mas técnico da Receita (órgão que representa o core da "sustentabilidade" do Estado, me parece no mínimo hipócrita. Aliás, acabei de ler que estão abertas as inscrições para 900 vagas na Receita Federal, 700 para analista e 200 para auditor. Boa oportunidade para quem quer começar ou aumentar sua parcela na divisão da pilhagem estatal.

Responder
Gustavo 15/07/2012 10:59:49

Então você acha que o erro está na situação, não na mensagem. Agora, sim, você foi claro quanto a sua opinião.

Responder
Vitor 15/07/2012 22:49:43

Bem, as teorias austríacas em si não fazem juízo de valor, mas o liberalismo/libertarianismo faz e alguém se dizer libertário e trabalhando para o principal pilar da opressão estatal é uma situação bisonha.

É ouvir funcionário de Auschwitz dizendo como o anti-semitismo é algo idiota mas fazendo o serviço mesmo assim.

A não ser que Klauber vise atuar de uma forma que arrecade menos, algo arriscado que chamaria atenção dos seus superiores de forma bastante negativa. Será que Klauber é nosso Schindler?

Responder
Fellipe 16/07/2012 09:06:01

Gustavo, Vitor,

Pelo raciocínio de vcs, Marx (que foi um vagabundo) passar a mensagem de paladino do proletariado também não faz sentido algum, correto?

Responder
Vitor 16/07/2012 10:56:05

Ao menos Marx nunca acumulou capital sendo bem irresponsável com as finanças pessoais. Mas sim, Marx era um poço de contradição, assim como Roseau.

Responder
Fellipe 16/07/2012 13:33:49

Vitor, obrigado por explor sua opinião.

Quanto ao autor, por favor, evite se basear na falácia do argumentum ad hominem e aponte onde o mesmo está errado.

Abs,

Responder
Gustavo 16/07/2012 11:00:16

Boa tarde Senhores,\r
Li o artigo e os comentários. Entendo e não entendo. Entenderia mais se informassem quantidade de carne suína produzida, quantidade de carne consumida internamente, e quantidade de carne exportada. A isto agregar as travas impostas pela Argentina.\r
Obrigado,\r

Responder
JC 21/07/2012 20:29:32

Concordo com as opiniões dos especialistas - altos preços para ração, barreiras protecionistas nos países ricos, ciclicalidade do mercado.

Mas, em que pese isso, o que o CADE fez foi obrigar a empresa mais eficiente e com melhor gestão a vender alguns de seus ativos para empresas piores, que terão um retorno menor sobre estes ativos.

O CADE sacrificou um pouco da eficiência de longo-prazo do setor em troca de uma competição maior e preços mais baixos no curto-prazo. Mas vamos perguntar aos funcionários ou cooperados o que eles estão achando da nova gerência. E como esta nova gerência menos profissional enfrentará a crise do setor.

Responder
Fabiana 27/07/2012 21:37:55

Perfeito artigo. Simples assim.....

Responder
André Luiz S. C. Ramos 12/03/2013 20:48:21

Cade aprova compra da Sadia pela Perdigão, mas
impõe restrições que prejudicam o abastecimento e
tiram mercadorias das gôndolas dos supermercados

www.portalapas.org.br/imagens/pdf_svarejo/144MatCapa.pdf

Responder
Dennis 18/01/2014 21:19:54

Muito bom o artigo... apesar de um pouco complexo para mim que não sou da área de economia... agora apesar de todas as criticas, fico me perguntando qual seria a solução?

1)As empresa (perdigão e sadia) são deles, eles fecham os negócios como sair melhor pra eles... um bom exemplo seria, não vou deixar de construir uma ferrovia, que melhoraria a logística, porque borracheiro vai ficaria sem emprego, por ter menos caminhões na estrada.
2)Elas podem fazer o que querem, mas até certo ponto, pois o mercado carne suína e de frango não pode ficar na mão de uma unica empresa.
3)Quando uma crise fica muito feia acredito que o governo realmente deve dar algum subsidio, pois trabalhamos com animais e não podemos parar a produção do dia pra noite, não tem como deixar de comprar ração e esperar voltar a um preço melhor, pois os animais comem todo dia.
4)Os produtores independentes (que não estão associados a uma integração) sairão do mercado daqui a alguns ano por não ter uma produção viável, porém isso não os obriga a entrar em uma integração, ainda existem as COOPERATIVAS, que funcionam tão bem, se não melhores do que as integrações.

Levando esses pontos em consideração, gostaria de saber o q dever ser feito que não foi? ou o que não deveria ter sido feito?

Responder

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