O precipício fiscal americano
A mídia americana está atualmente fixada com uma característica aparentemente nova da economia dos EUA: um "precipício fiscal" no qual os EUA irão cair em janeiro de 2013.  Ela vê um perigo surgindo da simultânea implementação dos US$2 trilhões em cortes automáticos de gastos (os quais ocorrerão ao longo de 10 anos) — acordados na votação da elevação do teto da dívida do ano passado — e a expiração dos cortes de impostos feitos durante o primeiro governo Bush.  Os economistas que a maioria dos jornalistas entrevista alertam que o impacto conjunto de redução nos gastos do governo e aumento dos impostos irá desacelerar a "recuperação" e talvez jogar a economia americana de volta para a recessão.  Embora de fato haja muito com o que se preocupar na economia americana, este precipício em particular não deve figurar no topo da lista.

Grande parte do medo advém da falsa premissa de que gastos governamentais geram crescimento econômico.  As pessoas tendem a esquecer que o governo só pode adquirir dinheiro por meio da tributação, do endividamento ou da simples impressão da moeda.  Absolutamente nada que o governo gasta vem de graça, de modo a não prejudicar ninguém e beneficiar a todos.  O dinheiro que é tributado ou tomado via empréstimo é retirado do setor privado, onde ele poderia ter sido utilizado mais produtivamente.  Já o dinheiro que é criado do nada pelo Banco Central serve apenas para criar inflação de preços e ciclos econômicos.  Sendo assim, os cortes automáticos de gastos, caso eles realmente sejam implementados (o que é duvidoso), tendem a estimular o crescimento econômico, e não a impedi-lo.  Mesmo vários economistas mais liberais tendem a aceitar o boato de que gastos governamentais podem ajudar a economia em geral.  Cortes de gastos afetam apenas aqueles setores que cresceram acostumados a estes subsídios e que irão corretamente encolher quando a mordomia for cortada.

O único motivo de existir este mecanismo de corte automático de gastos é o fato de o Congresso americano não ter tido a capacidade de identificar e implantar cortes específicos.  Mas tenha a certeza de que o Congresso irá inventar outra saída de emergência tão logo se descubra novamente emparedado.  Acabar com os cortes de gastos antes de eles sequer serem implementados tornará risível qualquer plano subsequente de redução do déficit.  Mas políticos sempre irão preferir a frustração da inação à fúria de seus eleitores, os quais podem ser afetados em decorrência de decisões reais.  De qualquer forma, apenas uma fatia extremamente pequena dos cortes está agendada para 2013.  E se o Congresso americano se mostrar incapaz até mesmo de cumprir sua promessa de corte ínfimo de gastos para apenas um ano, como é que ainda existirá gente capaz de acreditar que o Congresso cortará gastos durante dez anos?

Já o impacto do fim dos cortes de impostos da era Bush é bem mais difícil de estimar.  Os efeitos adversos de um aumento de impostos poderiam ser contrabalançados pelos benefícios da redução dos empréstimos tomados pelo governo (desde que os impostos de fato resultassem em um aumento da receita).  Porém, considerando-se os incentivos negativos criados por um aumento das alíquotas do imposto de renda, particularmente no que concerne ao seu impacto na poupança e no investimento, um aumento de impostos pode na realidade resultar em menos receita, desta forma ampliando o déficit orçamentário.

A realidade é que a economia americana passará por caminhos extremamente tortuosos e perigosos independentemente de qual seja a decisão do Congresso.  O verdadeiro "precipício fiscal" está nos encargos da dívida que os EUA terão enfrentar quando os juros subirem.  E, infelizmente, ninguém está falando sobre isso.

A atual dívida pública dos EUA é de aproximadamente US$16 trilhões (e este valor diz respeito apenas à fatia do orçamento que possui receita específica.  Quando se considera todo o passivo para o qual não há receita específica, como os programas assistencialistas Medicare e Medicaid, o passivo pode chegar a estratosféricos US$144 trilhões já em 2015).  Os EUA ainda estão conseguindo pagar o serviço desta espantosa dívida simplesmente porque as taxas de juros sobre os títulos da dívida do governo estão em níveis historicamente baixos (hoje abaixo dos 2%).  Tal nível de juros faz com que o atual serviço da dívida seja de "apenas" US$300 bilhões por ano, um valor relativamente controlável.

Caso mantenha sua atual trajetória, a dívida pública dos EUA provavelmente chegará a US$20 trilhões em alguns anos.  Se, quando isto ocorrer, as taxas de juros voltarem a apresentar algum semblante de normalidade — por exemplo, uma taxa de 5%, que sempre foi seu valor histórico —, somente o pagamento de juros desta dívida será de US$1 trilhão por ano.  Esta quantia representa quase 40% do total de receitas do governo federal em 2012!

Além de tornar o serviço da dívida totalmente ingovernável, taxas de juros maiores irão deprimir a atividade econômica, consequentemente reduzindo as receitas tributárias do governo.  Ao mesmo tempo, juros maiores levam a maiores gastos do governo, justamente por causa do serviço da dívida.  Isto elevaria ainda mais os déficits do governo, gerando ainda mais pressão de alta nas taxas de juros.

Hipotecas mais caras e desemprego ascendente irão renovar a pressão baixista sobre os preços dos imóveis, talvez levando a mais uma grande onda de execução de hipotecas e arresto de imóveis.  Meu palpite é que apenas as perdas nas hipotecas seguradas pelo governo podem acrescentar várias centenas de bilhões de dólares aos déficits orçamentários anuais. 

Quando todos estes fatores são levados em conta, é possível enxergar déficits orçamentários anuais se aproximando rapidamente dos US$3 trilhões (atualmente o déficit é de US$1 trilhão).  Tudo isso deve estar nas estimativas caso as taxas de juros voltam ao seu patamar historicamente normal de 5%.

Se toda esta volumosa perspectiva de endividamento finalmente começar a preocupar os credores dos EUA, taxas de juros de 5% podem rapidamente subir para 10%.  A este novo valor, o custo anual dos juros sobre a dívida pública pode ser igual a toda a receita do governo.  Se isto ocorrer, o governo americano ou terá de cortar gastos generalizadamente (inclusive cortar benefícios politicamente sensíveis), elevar impostos significativamente sobre os pobres e a classe média (bem como sobre os ricos) e dar o calote em sua dívida, ou irá imprimir dinheiro e com isso subjugar toda a população ao prolongado impacto da alta inflação.  Isso, sim, é um precipício fiscal.

Ao continuar se endividando desvairadamente agora que os juros estão baixos, o governo americano está levando toda a sua economia para este precipício, ao mesmo tempo em que mantém os olhos firmemente fixados no espelho retrovisor (assim como o novo governo francês parece estar fazendo).  Por anos, alertei que uma crise financeira seria desencadeada pelo estouro da bolha imobiliária.  Meus alertas foram rotineiramente ignorados e ridicularizados, pois a mídia se apegava à suposição quase universal de que preços de imóveis jamais caem.  Meus alertas sobre o real precipício fiscal também estão sendo ignorados por causa de uma similarmente falsa premissa de que as taxas de juros jamais podem voltem subir.  No entanto, se a história pode nos servir de guia, deveríamos olhar o atual período de taxas de juros extremamente baixas como sendo a exceção, e não a regra.


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SOBRE O AUTOR

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.




Ué, se a Vale era essa barbada toda, então por que esse cara não está rico? As ações foram vendidas livremente na bolsa, o que significa que ele poderia comprá-las livremente. No mínimo, poderia formar uma sociedade com vários amigos, comprar as ações, e então ficar rico com sua valorização.

Por que não fez isso?

Dizer que a empresa se valorizou após a privatização e daí afirmar que ela foi vendida a preço de banana é impostura intelectual. Quem afirma isso não sabe como funciona mercado e nem conhece a diferença entre gerência estatal e privada. E tem também de explicar por que não enriqueceu, já que sabia perfeitamente que a empresa estava subvalorizada.

Aliás, o grupo liderado pelo Votorantim perdeu o leilão de privatização da Vale. Antônio Ermírio de Moraes perdeu a oportunidade do século de ficar podre de rico. Se era tão óbvio que a mineradora estava desvalorizada, por que cargas d'água o então homem mais rico do país não ofereceu mais pelas bananas?

Detalhes:

1) O governo detinha apenas 42% do capital votante. Ou seja, o que foi a leilão não foi a empresa inteira, mas apenas 42% do capital votante. A empresa inteira estava avaliada em aproximadamente US$ 8 bilhões, sendo que a fatia vendida valia US$3,34 bilhões.

2) O leilão se deu na bolsa de valores, a preço de mercado. Qualquer um poderia ter participado. Logo, o Armando está correto. Quem hoje esperneia que a venda foi barata tem a obrigação de explicar por que não participou da venda. Se a empresa estava "a preço de banana", então o sujeito tinha a certeza de que a empresa iria se valorizar enormemente no futuro. Por que não montaram um consórcio e compraram ações? Era dinheiro certo. Não fizeram isso por quê? Odeiam dinheiro?

3) À época, ninguém imaginava que haveria um súbito e intenso boom no preço global das commodities, o que elevou o preço do minério de ferro para a estratosfera e impulsionou fortemente o valor da Vale.

Portanto, quem diz que a Vale foi vendida a "preço de banana" revela, com toda a sinceridade, profunda ignorância econômica.
Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor),

Se a Petrobrás, a IMBEL, Eletrobrás(Furnas), Copel... são empresas eficientes, por que o governo usa o protecionismo para coibir concorrentes(até mesmo internacionais)? E mais, por que subsidiam essas empresas se elas são tão eficientes?

Em uma economia liberal, nunca vamos saber se aquela empresa é realmente de fato eficiente como você afirma. Para sabermos se ela realmente é eficaz deveríamos defender o mercado livre. Você está se baseando apenas em lucros que a empresa teve ao longo dos anos, mas lucros as custas do povo que paga impostos, porque o BNDES injetou dinheiro ao longo da era petista, e lucro em cima do entrave de novos concorrentes que o nosso governo pratica ao longo desses anos.

"Dê uma passeada pelos nossos corredores e veja se tu não vais te arrepiar. Conceição Tavares, Belluzzo, Aloísio Mercadante, Márcio Pochmann, duvido achar uma outra faculdade que ostente colossos tão imponentes no mundo acadêmico. Isso sem falar dos nossos ''filhos adotados'' como o Bresser, Celso Furtado, João Sayad, entre outros. Ah, aqui foi a casa do Plano Real, só para lembrar."

Sem comentários. Parece uma piada.

"Paliativo é ficar brincando de elevar as taxas de juros ou de sobrevalorizar o câmbio."

Nós nunca brincamos de elevar as taxas de juros, pelo contrário, acreditamos que os juros é redigido pelo mercado, e não em uma canetada como os economistas da UNICAMP(letras garrafais, por favor) defendem.
Sobrevaloriza o câmbio? De novo. Parece uma piada.
Pesquisa sobre Currency Board e depois conversamos.

"No setor agrícola para amenizar a inflação de alimentos, no setor energético(que é o principal culpado por essa inflação tão alta), isso sim são medidas concretas."

Inflação de alimentos é aumento de preço localizado, como foi o caso do feijão e do tomate. A melhor medida para combater a carestia gerada essencialmente pelo governo, é reduzir os impostos e LIBERAR O MERCADO PARA A ENTRADA DE CONCORRENTES. Com a burocracia estatal que é formada para obter uma reserva de mercado, garante que os empresários que estão sob proteção do governo, possa praticar qualquer preço sem qualquer tipo de concorrência que faria com que ele perdesse fatia do mercado por uma outra empresa que com medidas eficientes pudesse reduzir o preço dos alimentos.
Por mais que abaixasse o imposto, ele poderia praticar qualquer tipo de preço sem ser incomodado. E essa redução do imposto, esse mesmo empresário teria lucros maiores que poderia ter sob a reserva de mercado.

Setor energético culpado pela inflação? É isso que estão ensinando na UNICAMP(com letras garrafais, por favor)?

Bem que o Roberto Campos avisou: "O Brasil acaba com os economistas da Unicamp, ou eles acabam com o Brasil.
Bastaram cinco anos de assessoria direta de economistas da Unicamp à Presidente Dilma Rousseff, para a previsão de Roberto Campos se tornar realidade: expansão monetária, corporocracia, expansão das obras públicas, expansão dos cargos e salários públicos, intervenção estatal em toda a economia, corrupção e protecionismo comercial.
Provavelmente nenhuma economista fez tão mal ao Brasil quanto Maria da Conceição Tavares, mas além dela podemos destacar, em tempos recentes, o mais nocivo professor do país: Luiz Gonzaga Belluzzo.
Belluzzo nunca acerta qualquer previsão econômica, e é obcecado por gastos públicos. Como principal conselheiro econômico de Dilma Rousseff, convenceu-a a enterrar a bem sucedida matriz econômica "meta de inflação/câmbio flutuante/responsabilidade fiscal" por uma matriz heterodoxa "juros baixos, câmbio desvalorizado e aumento de gastos públicos". Foi, sem dúvida, um responsável direto pelo caos econômico que vivemos.
Agora, repetindo o que Lula falou há dois meses, Belluzzo tem a desfaçatez de dizer que a crise econômica é culpa de um suposto ajuste fiscal que Joaquim Levy estaria fazendo. Segundo Belluzzo, precisamos gastar mais ainda para sair da crise."
https://www.institutoliberal.org.br/blog/previsao-de-roberto-campos-e-o-ajuste-que-nunca-aconteceu/

"Quer dizer que a empresa desde 1953 é referência nacional, mas por causa de um governo ruim ela vira ''um grande cabide de empregos''? Aliás, esse tipo de problema acontece na esfera privada também."

Cabide de emprego na esfera privada? Você desconhece qualquer atividade empresarial para falar tal bobagem, nunca um empresário faria da sua empresa um cabide de emprego, ele opera com sistema de lucro e prejuízo, ele não pode se dar ao luxo de encher a empresa de empregados ineficientes.
Palavras de um empresário.

"Não, apenas defendo que as nossas empresas não fiquem vulneráveis à imperialistas que jogam sujo contra nós. "

Eles jogam tão sujo, que em países no ranking de abertura comercial, a população paga pelo melhores produtos pelo menor preço. Parece que a UNICAMP(com letras garrafais, por favor), está doutrinando os seus alunos a ter sentimentos nacionalistas que acaba prejudicando justamente quem eles querem proteger: a população.

Obrigado por vir até aqui e comprovar que Roberto Campos sempre esteve certo tanto da UNICAMP(com letras garrafais, por favor) quanto na petrossauro.

Abraço Economista da UNICAMP(com letras garrafais, por favor)
Olá amigos, sou um estudante do ensino fundamental e eu tenho interesse em economia, tenho um irmão mais velho que acompanha o site e sempre me disse que esse era o melhor site para aprender sobre meu interesse. Portanto, gostaria de aprender mais sobre as questões abaixo:
Obs: Gostaria de respostas curtas para maximizar meu aprendizado de forma que eu não acumule muito conteúdo de primeira. Eu tenho um conhecimento prático e limitado sobre a economia, justamente pelos ensinamentos do meu irmão.
Vamos começar.

Questão 1) O que é inflação de demanda?

Questão 2) O que é demanda agregada?

Questão 3) Inflação é sempre decorrente de expansão de crédito?

Questão 4) O que é base monetária?

Questão 5) O que define a taxa de juros em um livre mercado?

Questão 6) Como é definido a taxa de juros atualmente no Brasil?

Questão 7) Aumento na taxa de juros é pelo "risco país"?

Questão 8) Como é determinado o câmbio?

Questão 9) Qual o melhor sistema de câmbio?

Questão 10) Li recentemente em um site que temos 19 montadoras no Brasil, não seria livre mercado(pelo menos no setor automotivo)? (Sei que temos monopólio de fabricante de peças)
Cade acusa Fiat, Ford e VW de monopólio em fabricação de peças

Questão 11) Temos candidatos a presidente que tem como um slogan sob a sua campanha "Abaixar os juros" por um decreto? Isso seria uma decisão ruim ou boa? Não há uma contradição pela questão 7? Dilma dizia que abaixaria os juros e acabou não ocorrendo, pelo contrário, ela aumentou? Por que seria diferente com esse candidato?

Questão 12) Por que abolir o CVM? Qualquer empresa poderia entrar na bolsa sem burocracia estatal, de modo que impulsionaremos nossa economia com as empresas estrangeiras que abririam capital na nossa bolsa? Seria uma medida que o micro-empresário poderia rivalizar com os mega-empresários?

Questão 13) Por que abolir a infraero?

Questão 14) Por que abolir ANVISA?

Questão 15) Qual o potencial do Brasil?

Questão 16) Nióbio ajudaria no nosso desenvolvimento?

Questão 17) Exportação x Importação? Qual o melhor? Por que balança comercial é importante para economistas?
Importação é produtos do estrangeiro que vieram ao Brasil para serem vendidos, mas até onde sei até chegar a loja esses produtos ainda não foram vendidos? Por que os ataques histéricos com essa balança se nem ao menos sabem se o produto foi vendido(até mesmo pelo preço pela taxa de importação)?

Questão 18) Na China existe o trabalho escravo? Encontrei essa matéria de chineses apanhando por mau desempenho no trabalho

Questão 19) Por que a China vai explodir economicamente? Todos dizem que vai ser a maior economia do mundo até 2050, vocês acreditam?

Questão 20) Pelo que obtive do meu irmão, a Índia está fazendo algumas reformas liberais, apesar de tímidas estão ajudando a economia a crescer? Índia não poderia passar a China com essas reformas?

Questão 21) Acumulação de capital x consumismo(explique seus conceitos e qual o mais importante em uma economia)?

Questão 22) O que gera recessão?

Questão 23) O que torna um país rico?

Questão 24) Existe algum limite de crescimento que um país possa se ter? Exemplo do Japão que é do território do MS(Mato Grosso do Sul) pudesse dobrar a sua economia?

Questão 25) Por que a Irlanda cresceu 26% em um ano? Milagre econômico ou livre mercado?

Questão 26) Por que os países de livre mercado são taxados de paraísos fiscais? Hong Kong, Cingapura, Panamá, Ilhas Cayman, Suíça, Luxemburgo e outros? Austrália e Nova Zelândia entrariam nesse conceito?

Questão 27) Por que o Brasil cresceu apenas 4% na média na década passada?

Questão 28) O renminbi poderá passar o dólar como a moeda de troca internacional?

Questão 29) Existe zona de livre comércio em Xangai?

Questão 30) Por que a China tem esse "poderoso" PIB? Como ela conseguiu o tal "milagre"?

Questão 31) Por que o estado mínimo não é necessário?

Questão 32) Forças Armadas estatal x Forças Armadas privada(Qual o melhor e por que)?

Questão 33) Por que a Africa é pobre?

Questão 34) Somália é anarcocapitalista?

Questão 35) Milton Friedman é importante nas matérias econômicas(o que podemos aprender com ele?)?

Questão 36) Mises foi o mais importante economista do século 20?

Questão 37) Keynes x Mises e Keynes x Milton Friedman(maiores diferenças entre eles)?

Questão 38) Keynes é comunista, socialista ou capitalista interventor?

Questão 39) O que causou a Grande Depressão?

Questão 40) Explique o conceito de ciclos econômicos?

Questão 41) Qual a contribuição da Escola Austríaca(EA) nas ciências econômicas?

Questão 42) Qual a posição da EA na colonização de planetas? Ouvi dizer que podemos praticar atividades econômicas nesses planetas com agricultura e mineração(depois da terraformação)?

Questão 43) Meio ambiente x livre mercado(Qual o papel do livre mercado na conservação do meio ambiente)?

Questão 44) Amazônia poderia se internacionalizada por não protegemos nosso patrimônio? Não é agressão internacional para com o nosso país? Estão atrás da preservação ou das riquezas que nós temos no território?

Questão 45) Zona franca de Manaus funciona(qual o papel dela na economia brasileira)?

Questão 46) Empregos se tornam obsoletos enquanto outros surgem, qual a visão dos leitores e dos autores sobre a mineração espacial, internet das coisas e viagem espacial?

Questão 47) Pobreza diminuindo com a expansão do capitalismo, até quando a pobreza absoluta poderá ser erradicada?

Questão 48) De acordo com a revista Veja, se toda a água do planeta fosse representada por 200 litros, 195 litros seria de água salgada. 5 litros seria de água doce, mas a maior parte da água doce está nas geleiras ou em depósitos subterrâneos de difícil acesso, a humanidade tem a sua disposição para consumo apenas o equivalente a 20 mililitros de água. Qual o papel da iniciativa privada nessa questão abordada? Existe o processo de dessalinização em alguns países, mas em mãos do estado. Pelo que eu pude estudar tem inventores que poderiam mudar radicalmente a forma dessa dessalinização tornando a água abundante. Por que o estado não deixa os empresários disponibilizarem essa água para a população?

Questão 49) Os que defendem o controle populacional tem como uma das formas de culparem o capitalismo por tal descontrole. Ma em um país capitalista essa questão é exatamente ao contrário. Por que esses mesmo defensores não defendem o capitalismo, já que se provou um "controle" populacional?

Questão 50) Culpam o capitalismo pela fome do mundo, mas em países capitalistas uma das doenças que mais matam é a obesidade. Não é uma contradição? São hipócritas ou aparentemente sem limites de burrice para denegrir o sistema capitalista?

Questão 51) Já leram o Livro Negro do Capitalismo? É realmente culpa do capitalismo ou ações governamentais que são os verdadeiros culpados? Se é culpa do capitalismo, como um dono de um restaurante em Ohio possa ser culpado pelas mortes no Iraque?

Abraços e em breve farei mais algumas perguntas.
"Concordo que a desigualdade econômica possa ser benéfica socialmente. Porém ainda há pessoas que nem 0,50 centavos tem para sobreviver"

Então a sua preocupação é com a pobreza absoluta e não com a pobreza relativa.

"e mesmo com as políticas assistencialistas do governo não os permitem colocar em condições de consumidores para que possam consumir os serviços ofertados e muitas vezes trabalha não da forma que gosta e sim porque precisa sobreviver."

Essa frase contradiz a primeira. Primeiro você disse que a pessoa não tem nem 1 centavo (0,50 centavo é menos que 1 centavo), e agora diz que ela trabalha naquilo que não gosta.

A pessoa trabalha e não tem nem 1 centavo? Caramba....

Qualquer catador de papel e malabarista de semáforo consegue tranquilamente uns 10 reais por dia.

"Levando em conta que as máquinas tomaram boa parte do trabalho humano"

Desde o século XVIII isso acontece. E novas e mais agradáveis formas de trabalho foram descobertas. E é isso o que continuará acontecendo.

Ou você tem a arrogância da achar que não há mais empregos a serem descobertos e que tudo o que poderia ser inventado já o foi?

"um meio de adaptação seria o "trabalho intelectual""

Não necessariamente. Há hoje vários trabalhos que não podem ser substituídos por máquinas e nem dependem de "trabalho intelectual". Esportes, por exemplo. Professor de ioga. Chef de cozinha. Operador de máquina.

"No entanto contamos com um governo que não oferece ensino público gratuito e outras estratégias para que possam lançar os menos favorecidos ao mercado de trabalho."

Ué, não sei de onde você está teclando, mas, aqui no Brasil, o que não falta é ensino público "gratuito". Do maternal à pós-graduação. E toda a grade curricular é controlada pelo governo. É uma bosta? É. Assim como tudo que o governo faz.

E as pessoas ainda querem mais governo?

"Como então poderia ser resolvida essa questão, preservando a desigualdade econômica mas que possam colocar todos em condições de consumo?"

Explicado no próprio artigo. Quanto maior a oferta de bens e serviços, menores serão os preços deles. Isso está acontecendo desde a década de 1970 nos países ricos. Os preços das coisas só caem. No Brasil isso também poderia acontecer,
mas o nosso governo não deixa.

Se a sua preocupação é com a pobreza absoluta, então você tem de defender medidas que aumentem a quantidade de bens e serviços oferecidos, de modo que os preços deles caiam a ponto de permitir que qualquer um tenha acesso a eles.
"será que o verdadeiro motivo de se combater a acumulação de riqueza (tirando a mera inveja) não seria pelo fato de conhecermos a velha cobiça e ganância que degenera o homem com excesso de poder?"

Deixe-me ver se entendi. Você está dizendo que para combater "a velha cobiça e ganância" temos de dar poderes a políticos e burocratas (que são os seres mais gananciosos e cobiçosos do planeta), os quais irão tomar o dinheiro dos outros e redistribuir este dinheiro entre si? É isso mesmo?

Faz muito sentido.

"O Estado Democrático não mínimo, para fazer frente ao poderio econômico, não seria o mal mínimo preventivo desta desconfiança da "singularidade" da acumulação dos recursos financeiro-econômicos?"

A empiria lhe refuta.

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Artigos para você sair desse auto-engano:

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Romaria de grandes empresários a Brasília - capitalismo de estado explicitado

E você ainda diz que é o estado quem vai impedir a concentração do mercado, aquela concentração que ele próprio cria e protege?

Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Nairon  12/07/2012 08:27
    E a caixa "econômica" federal fazendo comerciais vultosos de alegria com atores alienados sobre taxas baixas ordenadas pelo governo.
  • PESCADOR  12/07/2012 10:26
    Caramba! Se o Schiff estiver certo mais uma vez, o futuro dos EUA será totalmente caótico.
  • Lucio  12/07/2012 11:02
    Esse tipo de artigo é o meu preferido.

    Seria muito bom poder ler mais artigos como esse, mas usando o Brasil como objeto de análise.

    Amplexos.
  • Leandro  12/07/2012 11:11
    Prezado Lúcio, o último e atualizado artigo sobre a economia brasileira é este:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

    Abraço!
  • Filipe Nava  12/07/2012 11:20
    Uma questão importante (que acho que deveria ser abordado em outro artigo) seria calcular os efeitos no resto do mundo. O que será da UE, da China, do Japão, do Brasil, etc. com uma situação de aumento de déficit insustentável pelos EUA, dentre tantas outras consequências?

    Ainda que feita uma análise superficial do mundo daqui alguns anos, o que se poderia prever?
  • Johnny Jonathan  12/07/2012 13:24
    Peter Schiff sempre diz que nos (o resto do mundo) estaremos muito bem sem os EUA pra nos atrasar, que eles são maus pagadores e tal. Só não sei se esse é o caso agora.

    Eu vi um vídeo no youtube em que ele diz que a maior beneficiado vai ser os chineses, que tem uma poupança alta e vão aumentar consumo tendo uma avanço absolutamente incrível na qualidade de vida deles.
    Os EUA consomem quase 50% da gasolina do mundo, sem eles no meio, essa gasolina iria pra nós.

    Mas eu vi isso por alto, não sei qual seria a real situação.

    Tem um carinha lá, o Gerald Celente, que é até mais radical: diz que os States serão o primeiro país do mundo a se subdesenvolver.

    Será? É ver pra crê.
  • Leandro  12/07/2012 13:48
    O argumento do Schiff diz respeito principalmente à China. Segundo ele, as exportações para os EUA são uma perda para os chineses, pois estes estariam em melhor situação se estivessem consumindo eles próprios sua produção. Sua intenção é dizer que tal política do governo chinês de estimular as exportações não faz sentido quando se leva em conta que o país está apenas acumulando títulos americanos e, principalmente, quando se leva em conta o enorme potencial de seu próprio mercado interno.

    Os chineses trabalham muito e praticamente não usufruem os frutos desse esforço, pois seus produtos são exportados em troca de títulos da dívida americana -- algo que, convenhamos, não é muito inteligente. É como se os chineses fossem escravos de seu governo, cuja política de estímulo às exportações não lhes permite se beneficiar dos frutos de seu esforço.

    Ou seja, vou enfatizar - com o risco de soar repetitivo - qual é o ponto de Schiff: Os chineses trabalham, produzem, mas não ficam com sua abundância de produtos, que é o que genuinamente aumenta o bem-estar. Os produtos são criados e são dados aos americanos em troca de títulos da dívida dos EUA que jamais serão quitados.
  • ANDRE LUIS  13/07/2012 18:57
    Olá Leandro

    Não podemos nos esquecer que o regime de governo da China hoje se assemelha a uma DITADURA FASCISTA, com um Estado forte e meia dúzia de empresários dando o suporte financeiro ao regime. Lembro-me de ter levantado a questão do trabalho escravo na China há uns meses atrás. Lá eu argumentava que o conluio entre o Estado e os mega-empresários estaria usando a população como arma de guerra para subjugar uma nação rival. O Partido Chinês e seus amigos empresários não querem o desenvolvimento da população chinesa, por isso a mantêm em rédeas curtas por meio de um regime tirânico, mas sim a HEGEMONIA MUNDIAL.
    A situação econômica americana está a beira de um colapso, e um calote tem até data prevista aproximadamente. O que vc acha que aconteceria num caso destes? Uma guerra seria absolutamente desnecessária, pois já estaria ganha legitimamente pelo credor, e creio mesmo que nem haverá necessidade de se chegar a tanto. A entrega do poderio militar e dos recursos naturais seria voluntária. Seria o fim da sua e da minha liberdade, tão estimada e cantada em prosa e verso neste site.
    Leandro, vc acha que a falta de uma palavra para descrever tal situação, já que escravidão não estaria tecnicamente correta, poderia eximir a responsabilidade de se analisar a aplicação do livre mercado em benefício claro de uma estratégia de guerra?
    Mais simples: Poderia o livre mercado funcionar como coveiro da liberdade?


  • Johnny Jonathan  15/07/2012 01:19
    China é uma ditadura fascista.

    O Brasil é uma ditadura da "maioria" fascista.

    A unica diferença é que lá eles são muito mais autoritários legalmente, e menos economicamente. Aqui como quase tudo é meio-termo tendendo ao autoritarismo.
  • Arion Dias  13/07/2012 21:02
    "É como se os chineses fossem escravos de seu governo"
    Como assim? Se existe governo, existe escravo. É um axioma.
  • BrasilRJ  13/07/2012 00:18
    O primeiro país não teria sido a Argentina?
  • Igor  13/07/2012 22:06
    Esse Gerald Celente é um sensacionalista, ao nível daqueles teóricos do apocalipse do Youtube. As previsões dele não são fundamentadas em nada. Em novembro de 2008 ele disse que em 2012 a crise já teria sérias implicações na política, na economia e na sociedade, tendo o povo americano deixado de ser consumista para se tornar faminto.
  • Igor  13/07/2012 22:10
    www.lawrei.eu/MRA_Alliance/?p=2956
  • Lucio  12/07/2012 11:34
    Olá Leandro,

    Não perco um artigo seu, inclusive já tinha lido este que você indicou.

    Apenas me manifestei para informar sobre demanda por esse tipo de artigo. E à propósito, o gráfico do artigo sobre em que parte do ciclo econômico está o brasil encontra-se desatualizado. =)

    Abraço!
  • mauricio barbosa  12/07/2012 11:35
    Se o schiff estiver correto estaremos no pior dos mundos o desafio é saber quanto tempo essa depressão mundial irá durar, infelizmente estamos caminhando para isso, que DEUS NOS PROTEJA.
  • Eduardo  12/07/2012 12:30
    Olá Leandro. Parabéns por publicar esse artigo!

    Qual/quais seriam o gatilho para isso acontecer? Ânimo dos investidores dos títulos americanos? A velocidade o aumento do déficit dos governos? Qual seria o que teria maiores probabilidades de importância para a crise começar a rolar de vez?
  • Leandro  12/07/2012 12:54
    Eduardo, todas estas opções, bem como a tardia percepção da China de que todos os seus trilhões de dólares acumulados em títulos americanos nunca serão quitados, o que fará com que ela pare de continuar financiando o déficit dos americanos. Aí é que a coisa vai desandar, pois será o momento de os EUA finalmente colocarem a casa em ordem. Sangue, suor, lágrimas e desespero.
  • Julio dos Santos  13/07/2012 09:44
    Sensacional! Incrível como o Schiff consegue chegar a conclusões lógicas e de forma tão simples. Enquanto os keyninhos ficam elaborando teorias super elaboradas com índices tão teóricos que nem eles mesmos sabem o que significa, Schiff chega e simplesmente explica.\r
    Leandro, um sinal de que este gatilho será disparado pode ser o momento que a China parar de recomprar títulos dos EUA quando estes começarem a vencer, correto? Se sim, um bom motivo para eles fazerem isso seria, por qualquer que seja o motivo, um processo de consumo de suas reservas internacionais?
  • Rhyan  12/07/2012 13:07
    Meu irmão diz que os EUA vai voltar bombando... vou recomendar esse artigo pra ele.

    Lembro que uma das apostas do Schiff foi a hiperinflação no curto prazo (?). Perdeu a aposta por causa da crise do euro. Acho que essa aposta da dívida ele não tem como perder.
  • Tiago Moraes  16/07/2012 05:19
    Peter Schiff não fez essa abordagem, Paul Krugman distorceu o argumento dele. O que o Schiff disse é que todos esses dólares criados pelo Federal Reserve, e que foram injetados no sistema financeiro americano, irão provocar uma elevada inflação na economia americana quando essa massa monetária entrar em circulação. Porém, isso ainda não ocorreu, porque o sistema financeiro americano não está aplicando essa massa de liquidez governamental, ou seja, estão com reservas em excesso.
  • Pipe  16/07/2012 06:40
    Na verdade, Peter Schiff argumenta que a hiperinflação monetária está a pleno vapor. Como na economia mainstream o dinheiro é neutro, e não há grande diferença entre dar rios de dinheiro para gente bem conectada no governo e depositar exatamente a mesma quantidade de dinheiro para todas as pessoas no país, para Krugman, não faz sentido falar em consequências desastrosas da inflação monetária. Afinal, a inflação serve para aumentar a demanda agregada, já que a economia para Krugman é só o equivalente àquela bolha assassina do filme "A Bolha": basta alimentá-la para que ela saia por aí rolando contente.
  • andre  12/07/2012 14:27
    Enquanto o dólar for moeda mundial, não há problema para os gringos. Basta imprimir e distribuir para os outros países, e por sinal é o que está havendo no Brasil. E caso os grandes países credores decidam abandonar o dólar, melhor ainda, uma guerra é o melhor cenário para o governo do tio sam.
  • Antônio   12/07/2012 15:49
    Sempre achei muito tola a avaliação de que são os EUA que estão perdendo ao comprar produtos baratos da China. O comércio não é um jogo de soma zero, e tanto o comprador como o vendedor ganha com ele. Inicialmente, a China até pode ter tido vantagens ao acumular altos saldos comerciais com os EUA, pois precisava acumular reservas para decolar. Atualmente, de fato, financia os EUA, haja vista que vende produtos de qualidade muito baratos, incluindo bens de capital.\r
    \r
    Outro fato relacionado ao endividamento excessivo dos Eua não foi mencionado: quando os juros subirem, os títulos do governo vão se desvalorizar, o que fará com que os americanos com títulos do seu governo fiquem mais pobres, provocando uma espiral descendente na economia.
  • Pedro  12/07/2012 21:24
    Europa quebrada, EUA quebrando (com potencial de ser um caso muito pior que o europeu) e a China desacelerando com uma bolha imobiliária gigantesca em formação.

    O futuro é promissor...

    No caso dos EUA eu só consigo ver 3 cenários possiveis:

    1- O governo vai tentar elevar drasticamente os impostos para compensar o déficit, o que será desastroso e poderá não resultar em nada no final, já que um aumento nos impostos (graças a curva de Laffer) nem sempre resulta em um aumento na arrecadação. Historicamente (excluindo século 19) a tributação americana teve seus altos e baixos e a arrecadação no final foi sempre em torno de 18-20% do PIB. Se isso acontecer a segunda hipotése se torna mais provavel.

    2- O FED vai começar a imprimir dinheiro que nem louco para comprar os titulos americanos e financiar sua divida, criando uma inflação galopante, o que será mais desastroso ainda.

    3- O calote que por incrivel que pareça, me parece a saida mais "adequada", pois um calote generalizado irá fazer com que a confiança no governo americano por parte dos credores se anule, o governo não tenha mais como se financiar e seja então, obrigado a viver dentro de seus limites. Como viver dentro de seus limites não é algo que o governo deseja, a opção impostos e inflação, infelizmente, parecem ser as mais provaveis.

    A saida ideal mesmo, que seria fazer o que o Ron Paul propõe, cortar pelo menos 1 trilhão em gastos imediatamente está fora de questão, duvido mesmo que isso venha a ser posto em pratica.
  • Eduardo  13/07/2012 12:10
    Muito boa a sua análise Pedro!
  • Pedro Valadares  16/07/2012 13:23
    Leandro, na sua opinião E.U.A sofrerão o que o Brasil passou nos anos 80,crise da dívida externa e hiper inflação?

    Com a possível desvalorização do dólar, o eixo mudará e os E.U.A voltarão a ser um pólo exportador, atraindo de volta os empregos nas indústrias?

  • Eduardo  16/07/2012 14:09
    Até os EUA voltar a ser polo exportador, se um dia voltar, ainda tem muito chão e lágrimas à rolar, penso eu.
  • Thyago  13/07/2012 06:47
    Esse tipo de artigo é o meu preferido (2).
  • ricardson  09/11/2012 13:37
    Prezado Leandro,



    Recentemente tive uma conversa com um amigo economista sobre a atual crise econômica americana. De imediato, ele reconheceu que houve apenas uma falha do Federal Reserve, mas a "culpa" foi totalmente atribuída ao sistema financeiro americano. Segundo ele, o Federal Reserve somente tem o poder sobre a taxa de juros de curto prazo, e essa crise se deu por causa da diminuição da taxa de juros de longo prazo, a qual é determinada pelo próprio mercado.

    Poderia me esclarecer melhor essa questão?

    certo de sua valiosa consideração, no aguardo,

    ricardson.

  • Leandro  09/11/2012 15:37
    A que taxa de juros de longo prazo que ele se refere? A dos títulos de longo prazo da dívida americana? Os de 10 anos? Os de 30 anos? Esses não tiveram influência nenhuma sobre a bolha imobiliária.

    Ele se refere às hipotecas de 30 anos? Ora, essas são consequências diretas da política monetária do Fed.

    Sim, o Fed controla diretamente apenas os juros de curto prazo, mas estes juros afetam todos os outros juros da economia. Se o Fed injeta dinheiro nas reservas bancárias -- permitindo que os bancos possam agora expandir o crédito em um valor múltiplo dessas reservas --, tanto os juros de curto prazo quanto os juros de todos os empréstimos de prazo mais longo tendem a cair.

    E foi isso que aconteceu. De 2001 a 2006, o Fed, em conjunto com o sistema bancário de reservas fracionárias, injetou 2 trilhões de dólares na economia, os quais foram majoritariamente para o setor imobiliário, inflando a bolha. Quando tal expansão foi freada, os juros das hipotecas subiram, a demanda por imóveis caiu, os preços dos imóveis caíram, pessoas que não mais conseguiam pagar suas hipotecas começaram a dar o calote, os bancos que haviam emprestado para essas pessoas ficaram sem dinheiro e viram o valor de seus ativos despencar, isso levou a uma contração do crédito, e todo o sistema bancário se tornou insolvente. Os bancos ficaram insolventes tanto pelo fato de seus empréstimos terem sido caloteados quanto pelo fato de os imóveis que arrestaram dos clientes inadimplentes terem caído de valor.

    Vale acrescentar que esta farra de empréstimos só pôde ocorrer neste nível porque, além de toda a expansão monetária do Fed, os bancos foram obrigados por uma lei federal (chamada de Community Reinvestment Act) a emprestar para pessoas sem nenhum histórico de crédito e também porque havia duas proto-estatais (Fannie Mae e Freddie Mac) que juravam garantir todos os empréstimos feitos pelos bancos para pessoas que queriam comprar imóveis.

    Em um cenário desses, era impossível não acontecer lambança.


    Artigos sugeridos:

    A bolha imobiliária em 4 etapas

    As raízes da crise imobiliária
  • Rodrigo  09/11/2012 15:24
    E Jim Rogers e Marc Faber estão falando do horror financeiro que pode vir mais à frente. E a reeleição de Obama não satisfez nem a um nem a outro.
  • carraro  09/11/2012 17:22
    O que poderá fazer com que as taxas de juros que os EUA pagam em seus títulos de dívida aumentem?

    Li em outros artigos que o FED se meteu em um beco sem saída, uma vez que adquiriu muitos ativos (títulos americanos, títulos hipotecários podres, etc) contrabalanceando em seu passivo as atuais reservas em excesso dos bancos. Quando os bancos se sentirem seguros e começarem a liberar esse dinheiro na economia, para segurar a inflação, o FED terá que vender esses ativos podres, ou mesmo títulos americanos, aumentando a oferta e consequentemente os juros, desencadeando assim esse precipício fiscal que o Schiff alerta. É isso mesmo? Há alguma outra saída para o atual arranjo?

    Abs.
  • Leandro  12/11/2012 01:29
    Correto. Uma outra saída seria alterar a taxa do compulsório, inclusive para depósitos de poupança e a prazo -- os quais não possuem compulsório nos EUA. Mas isso, além de também afetar os juros, terá muita resistência do setor bancário.
  • Indagador  13/05/2014 00:12
    Por que a taxa de juros do mercado interbancário não é a mesma que o tesouro estipula para os seus títulos? Os títulos são usados como lastro nas operações interbancárias overnight, logo é de se esperar que seja o valor dos juros dos títulos a taxa básica de juros e não o valor definido arbitrariamente pelo banco central. Resumidamente não compreendo como os títulos, ao entrarem no mercado secundário, tem sua rentabilidade definida pelo banco central e não mais pelo tesouro. É infinita a quantidade de títulos que podem ser usados no mercado interbancário, já que os bancos podem comprar a quantidade de títulos do tesouro que quiserem? Por que isso não torna a tarefa do banco central de manipular os juros impossível?

    O FED paga sobre as reservas em excesso a taxa 0,25% a.a. de forma fixa, ou este valor acompanha a taxa básica de juros? Se amanhã a taxa básica de juros for 10% a.a., as reservas em excesso serão remuneradas nessa taxa?

    Porque se o tesouro elevar os valores dos juros que paga a seus títulos a atividade econômica será deprimida? Isso ocorre mesmo se a taxa interbancária permanecer baixa?

    Quando o juros de um título pré fixado (todos os títulos americanos são pré fixados) é elevado, seu valor atual cai. Ou seja, se eu comprei um título cujo valor de face é $1000 por $500, ele pode estar valendo $400 no futuro devido a um aumento do valor do juros. Na ocorrência dessa queda, o tesouro pode gastar esses $100 por não estarem mais lastreando o valor atual do meu título? O governo não tem para si o valor que conseguiu com a venda dos títulos, mas somente o valor das quedas (do valor atual dos títulos) que o aumento dos juros provocou? O tesouro tem, a qualquer momento, o dinheiro correspondente ao valor atual de todos os títulos que emitiu, para no caso de uma "corrida ao tesouro", não dar calote?
















  • Leandro  13/05/2014 11:27
    "Por que a taxa de juros do mercado interbancário não é a mesma que o tesouro estipula para os seus títulos?"

    O Tesouro não estipula juros nenhum. O Tesouro apenas vende títulos (de curto, médio e longo prazo) em um leilão; quem estipula juros é o mercado, o qual, no entanto, é altamente influenciado pela taxa básica de juros (curto prazo) estipulada pelo Banco Central.

    "Os títulos são usados como lastro nas operações interbancárias overnight, logo é de se esperar que seja o valor dos juros dos títulos a taxa básica de juros e não o valor definido arbitrariamente pelo banco central."

    O "valor definido arbitrariamente pelo banco central" é exatamente a taxa overnight.

    "Resumidamente não compreendo como os títulos, ao entrarem no mercado secundário, tem sua rentabilidade definida pelo banco central e não mais pelo tesouro."

    De novo: Tesouro não define juros. E o BC define apenas as taxas de curto prazo, embora consiga de certa maneira influenciar também as de longo prazo. (Leia sobre a "Operação Twist" efetuada pelo Fed).

    "É infinita a quantidade de títulos que podem ser usados no mercado interbancário, já que os bancos podem comprar a quantidade de títulos do tesouro que quiserem?"

    Em tese, sim.

    "Por que isso não torna a tarefa do banco central de manipular os juros impossível?"

    De novo: o BC estipula apenas os juros de curto prazo, embora consiga afetar marginalmente as taxas de médio e longo prazo.

    "O FED paga sobre as reservas em excesso a taxa 0,25% a.a. de forma fixa, ou este valor acompanha a taxa básica de juros? Se amanhã a taxa básica de juros for 10% a.a., as reservas em excesso serão remuneradas nessa taxa?"

    Pagar juros sobra as reservas em excesso foi uma medida excepcional adotada pelo Fed em um momento de pânico. Em situações normais, reservas em excesso não são remuneradas. Logo, "se amanhã a taxa básica de juros for 10% a.a.", não há absolutamente nenhum motivo para o Fed continuar remunerando as reservas em excesso.

    "Porque se o tesouro elevar os valores dos juros que paga a seus títulos a atividade econômica será deprimida? Isso ocorre mesmo se a taxa interbancária permanecer baixa?"

    Pela terceira vez: o Tesouro não estipula os juros. E a taxa interbancária é justamente a taxa básica de juros da economia.

    Juros elevados deprimem a economia (em tese) porque juros maiores reduzem a demanda por crédito. E quanto menos crédito é concedido, menos dinheiro é criado pelos bancos, o que significa menos investimentos e menos consumo. Com menos dinheiro, há também menor pressão sobre os preços.

    "Quando o juros de um título pré fixado (todos os títulos americanos são pré fixados) é elevado, seu valor atual cai. Ou seja, se eu comprei um título cujo valor de face é $1000 por $500, ele pode estar valendo $400 no futuro devido a um aumento do valor do juros. Na ocorrência dessa queda, o tesouro pode gastar esses $100 por não estarem mais lastreando o valor atual do meu título?"

    Não. A quantidade de dinheiro que o Tesouro irá gastar com cada título já foi definida no momento do leilão. Queda de juros irá afetar apenas o dinheiro a ser gasto com os títulos que serão lançados dali em diante.

    "O tesouro tem, a qualquer momento, o dinheiro correspondente ao valor atual de todos os títulos que emitiu, para no caso de uma "corrida ao tesouro", não dar calote?"

    Não. Ele tem de arrecadar esse dinheiro ou por meio de impostos ou por meio de novos endividamentos, o que significa que ele se endivida para quitar dívidas antigas.
  • Indagador  13/05/2014 16:43
    Muito obrigado pelas respostas Leandro! Pelo visto você faz jus ao seu cargo não oficial de economista-intelectual-chefe desse Instituto!

    Por favor, tenha a bondade de amarrar os pontos que estão faltando para eu entender esse artigo:

    "Os EUA ainda estão conseguindo pagar o serviço desta espantosa dívida simplesmente porque as taxas de juros sobre os títulos da dívida do governo estão em níveis historicamente baixos (hoje abaixo dos 2%)."

    Se a quantidade de dinheiro que o Tesouro irá gastar com cada título já foi definida no momento do leilão, como um aumento das taxas de juros sobre os títulos da dívida do governo aumentará o valor do serviço da dívida?

    O serviço da dívida é o quanto o governo precisa desembolsar para que o Tesouro consiga rolar a dívida? Quanto maior forem os juros sobre a dívida menor é o valor atual dos títulos, portanto mais títulos precisarão ser vendidos para rolar a dívida e consequentemente mais dinheiro o governo terá que direcionar ao Tesouro para cobrir o rombo que sempre ocorre nesse processo? É isso?




  • Leandro  13/05/2014 23:02
    "O serviço da dívida é o quanto o governo precisa desembolsar para que o Tesouro consiga rolar a dívida?"

    Quase. Serviço da dívida são todos os gastos do governo relacionado à dívida, como juros e amortização.

    "Quanto maior forem os juros sobre a dívida menor é o valor atual dos títulos, portanto mais títulos precisarão ser vendidos para rolar a dívida e consequentemente mais dinheiro o governo terá que direcionar ao Tesouro para cobrir o rombo que sempre ocorre nesse processo? É isso?"

    Coloquemos da seguinte maneira: aumento dos juros gera uma redução do preço de cada título que já está no mercado. Ponto.

    Títulos que ainda serão leiloados pelo Tesouro pagarão juros maiores. E, dado que os juros subiram, o valor arrecadado por cada título no momento do leilão será -- em relação ao período anterior ao aumento dos juros -- ainda menor que seu valor de face. Consequentemente, o governo terá de leiloar um número maior de títulos apenas para conseguir arrecadar a mesma quantia de antes. Logo, maior será o aumento da dívida.


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