Sua privacidade pertence apenas a você; e nunca ao estado

"Eu vivi.  Eu morri.  Agora, vá cuidar da sua vida".  É isso que quero escrito na minha lápide.

O que tenho a esconder?  Tudo!  Ou seja, cada pedaço de informação pessoal que alguma pessoa ou entidade exija saber é algo que eu não quero contar, pois ninguém tem o direito de exigir acesso à minha vida.

O direito à privacidade baseia-se principalmente na presunção da inocência. E esta pressupõe que — na ausência de provas de transgressão — um indivíduo tem o direito de fechar a sua porta e mandar os outros (incluindo o governo) cuidarem de suas vidas.

Hoje, essa presunção foi retorcida e distorcida ao ponto em que um desejo por privacidade significa que você tem algo a esconder.  Espera-se que você prove sua inocência revelando cada transação financeira, preenchendo páginas de formulários governamentais, autorizando agentes estatais a revistarem sua pessoa e seus pertences cada vez que embarcar em ou desembarcar de um avião ou entrar em um prédio público.  Essas invasões baseiam-se na presunção da culpa.

A privacidade é também o meio mais eficaz de se preservar a liberdade contra um estado invasivo.  O ato de fechar a sua porta expressa a diferença básica entre a esfera privada e a esfera pública.

A esfera privada consiste daquelas áreas da vida sobre as quais você, um ser humano pacífico, exerce autoridade absoluta, e nas quais o governo ou qualquer pessoa que não tenha sido convidada não pode se intrometer. Tradicionalmente, o lar ou a família são vistos como sendo a esfera privada.  Mas isso também inclui o tipo de comida que você consome, sua vida sexual, os livros que você lê, suas opiniões sobre a vida.

A esfera pública consiste nas obrigações cívicas que você deve a outros.  Em uma sociedade livre, estas obrigações incluem pagar suas contas, respeitar os direitos iguais de todos e honrar seus contratos.  Na sociedade atual, um conjunto de obrigações impostas obriga você a pagar tributos escorchantes, a restringir seus próprios direitos, e a obedecer a um emaranhado crescente de legislações.

O economista da escola austríaca Murray N. Rothbard manifestou aquela que ele considerava ser a questão política central a desafiar a humanidade: "Minha visão sobre a história da humanidade é basicamente . . . dar importância central ao grande e eterno conflito entre a liberdade e o poder".

Historicamente, a privacidade tem estado ao lado da liberdade como um baluarte entre o indivíduo e o governo, entre a liberdade e o controle social.

Imagine um mundo em que você não comunica seus rendimentos; não há formulários governamentais ou dados de recenseamento; o registro de tudo, do nascimento ao casamento, é opcional; não é necessário ter permissão para abrir um negócio ou viajar para outro país. Imagine um mundo em que as informações pessoais são genuinamente privadas.

Como a Receita Federal poderia cobrar de você sem saber seus rendimentos ou seu endereço?  Como os militares poderiam sequestrar e recrutar seus filhos para a guerra sem saber onde encontrá-los, seja em casa ou na escola? Como o censor poderia punir seus hábitos de leitura ou de acesso à internet se não há registros de quais livros você comprou ou de quais websites acessou?  A máquina do estado fica paralisada sem informações sobre quem você é.

A informação sempre aumentou o poder do estado. Na sua infame marcha sobre a Geórgia em 1864, o general nortista William Tecumseh Sherman utilizou mapas oficiais contendo informações sobre rebanhos e plantações para pilhar e saquear mais eficientemente.

Após o bombardeio de Pearl Harbor, em 1942, os militares americanos utilizaram dados de recenseamento para localizar descendentes de japoneses vivendo nos Estados Unidos, sequestrá-los e levá-los para campos de detenção.  A Receita Federal rotineiramente compara nomes que estão nas listas de governos estrangeiros com nomes que estão em suas próprias listas com o objetivo de localizar ativos "ocultos".

A diferença hoje é a maior eficiência na coleta de dados, graças à tecnologia.  A maioria dos registros pessoais referentes a emprego, finanças, ficha médica, serviço militar, educação, moradia, estado civil, ligações telefônicas, viagens, uso da internet, propriedade de automóveis e dados familiares está armazenada pelo governo ou facilmente acessível a ele.

Não é coincidência que governos estatistas sejam reconhecidos pelo uso de grampos telefônicos, vigilância, documentos de identificação, informantes, polícia secreta e censura.  O controle da informação em toda a sociedade é análogo ao controle do fluxo sanguíneo através do corpo — vital para o seu funcionamento.

Os governos de hoje têm a intenção de identificar todas as pessoas, do mesmo modo como um avarento faz o inventário de seus bens e propriedades. Sempre tem sido assim. Em 1889, durante um discurso no Congresso Penitenciário Internacional, o diretor do sistema prisional francês, Louis Herbette, defendeu a coleta de impressões digitais com o objetivo de "corrigir a personalidade humana, dar a cada ser humano uma identidade, uma individualidade na qual se pode depender de forma segura, durável, imutável, sempre reconhecível e facilmente exemplificada...".

A diferença hoje é a tecnologia... e a ativa cooperação de empresas como o Facebook e o Google, que bajulam o governo atendendo a todos os seus pedidos de informação.  A tecnologia transforma a coleta de dados em uma forma de arte.

Neste ponto, é bom dar um desconto para reafirmar que a coleta de dados e a emissão de documentos podem ser funções válidas em uma sociedade livre.  Independentemente de facilitar o controle social, a identificação de pessoas pode funcionar como um mecanismo de autenticação dentro do livre mercado.  Reconhecer aqueles que podem ter acesso a contas bancárias, títulos de propriedade ou herança; certificar os que têm habilidades específicas — por exemplo, um cirurgião torácico.  Mas essa autenticação não envolve investigar suas contas bancárias, preferências sexuais, hábitos de leitura, planos de viagem e crenças políticas.

Ao reivindicar seu direito superior sobre qualquer função de identificação exercida pelo livre mercado, o estado não torna a concorrência ilegal; ele simplesmente torna o livre mercado irrelevante nessa função. O estado faz de si próprio uma condição imperativa para o bom funcionamento da vida no dia-a-dia.

O estado e seus meios de documentação se transformaram no único modo de uma pessoa provar sua identidade e, deste modo, ter acesso a direitos básicos e às "amenidades" da vida.  O ser humano sem identificação não pode embarcar em um avião ou trem, nem dirigir um carro.  Ele não pode abrir uma conta bancária, descontar um cheque, aceitar um emprego, frequentar escola, casar-se, alugar um DVD (muito menos um apartamento) ou comprar uma casa.  A pessoa sem identificação é um cidadão de segunda classe a quem o governo proíbe o desfrute completo de sua própria vida e quase toda e qualquer oportunidade de progredir através do trabalho, do estudo e do empreendedorismo.

Entretanto, aqueles que são "identificados" pelo estado estão arriscados a terem suas contas congeladas, seu acesso a serviços de saúde negado, cartões de crédito cancelados, salários confiscados e seus registros requisitados.  Tornar-se conhecido pelo estado é tornar-se vulnerável a uma miríade de violações oriunda do fato de o governo saber exatamente onde e como achar você.

Aqueles que resistem a ser inventariados representam um problema para o estado.  A primeira linha de ataque estatal é acusá-los de serem "suspeitos" — isto é, de terem motivos criminosos ou vergonhosos para se recusarem a responder perguntas.

A observação sempre começa com o indefectível "Se você não tem nada a esconder...", e termina sempre com uma exigência de submissão.  Invocar o direito à privacidade deixou de ser o exercício de um direito para se transformar em um indício de culpa.

Esta é uma prestidigitação por meio da qual a privacidade é redefinida como sendo "dissimulação" ou "mistério"; e claro que não é nenhuma das duas coisas.  É apenas uma solicitação para que o privado permaneça privado. Além de tornar a liberdade possível, a privacidade é parte de uma vida saudável e de autorreflexão.

Considere este exemplo: desde criança, mantenho um diário em que coloco minhas esperanças, minhas dúvidas, minhas decepções e meus desejos.  Quando o leio, ainda posso sentir visceralmente quem eu era aos 10 anos, e isso me ajuda a entender quem eu sou hoje.  Eu não compartilho esses diários com ninguém.  Não por ter vergonha deles, mas porque são pessoais.  Eles são somente para mim, para meus olhos, minhas reflexões — e para ninguém mais.

Todo mundo tem áreas de privacidade total a proteger. Algumas pessoas usam medalhões contendo fotos de familiares falecidos; outras sonham acordadas com um amor proibido; outras ainda trancam a porta enquanto se regalam em um banho quente de espuma; ou, talvez, escrevam uma carta de amor destinada somente a outro par de olhos.  Tais atos são uma linha divisória entre a esfera privada e a pública; eles constituem uma fronteira que nenhum outro ser humano pode legitimamente cruzar sem ter sido convidado.

Se um vizinho tomasse a liberdade de ler as cartas da sua caixa de correspondência ou de anotar detalhes sobre suas movimentações bancárias — em decorrência de ter lido as correspondências que lhe foram enviadas pelo banco —, você se sentiria violado e enfurecido por essa invasão.  Aquilo que é errado para seu vizinho fazer é também errado para o estado fazer.  Um não é superior ao outro.  Não há meio-termo.  Existe somente um padrão de moralidade.  Roubo é roubo, invasão é invasão.  E você tem o direito de bater a porta na cara de qualquer um que diga que "não é bem assim".  Um ser humano pacífico não deve satisfações a ninguém.

Exija do estado os mesmos padrões morais que você exige dos seus vizinhos... porque não há dois pesos e duas medidas para o certo e o errado.  Privacidade é um direito, não uma admissão de culpa.  Sua identidade pertence devidamente apenas a você e nunca ao estado.


Tradução de Rodrigo Makarios



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SOBRE O AUTOR

Wendy McElroy
é escritora, conferencista, articulista freelancer, e membro sênior do Laissez Faire Club.



www.mises.org.br/Article.aspx?id=454

[link www.mises.org.br/Article.aspx?id=306[/link]
Para começar, sua afirmação é falsa. No entanto, ainda que ela fosse verdadeira, isso seria imaterial.

Essa questão da Previdência brasileira é um assunto bastante interessante pelo seguinte motivo: talvez seja a única área da economia que não está aberta a opiniões ideológicas.

Não importa se você é de esquerda ou de direita; liberal, libertário ou intervencionista. Também pouco importa se você acredita que a Previdência atual seja superavitária (como alguns acreditam). O que importa é que o modelo dela é insustentável. E é insustentável por uma questão puramente demográfica.

E contra a realidade demográfica não há nada que a ideologia possa fazer.

Comecemos pelo básico.

Ao contrário do que muitos ainda pensam, o dinheiro que você dá ao INSS não é investido em fundo no qual ele fica rendendo juros. Tal dinheiro é diretamente repassado a uma pessoa que está aposentada. Não se trata, portanto, de um sistema de capitalização, mas sim de um sistema de repartição: o trabalhador de hoje paga a aposentadoria de um aposentado para que, no futuro, quando esse trabalhador se aposentar, outro trabalhador que estiver entrando no mercado de trabalho pague sua aposentadoria.

Ou seja, não há investimento nenhum. Há apenas repasses de uma fatia da população para outra.

Por motivos óbvios, esse tipo de esquema só pode durar enquanto a fatia trabalhadora for muito maior que a fatia aposentada. Tão logo a quantidade de aposentados começar a crescer mais rapidamente que a fatia de trabalhadores, o esquema irá ruir.

Portanto, todo o arranjo depende inteiramente do comportamento demográfico da população. A qualidade da gestão do INSS é o de menos. Mesmo que a Previdência fosse gerida por anjos probos, sagazes e imaculados, ainda assim ela seria insustentável no longo prazo caso a demografia não cooperasse.

E, no Brasil, ela já não está cooperando. Segundo os dados do IBGE, em 2013, havia 5,5 pessoas com idade entra 20 e 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos. Em 2060, a se manter o ritmo projetado de crescimento demográfico, teremos 1,43 pessoa com idade entre 20 a 59 anos para cada pessoa com mais de 60 anos.

Ou seja, a menos que a idade mínima de aposentadoria seja continuamente elevada, não haverá nem sequer duas pessoas trabalhando e pagando INSS para sustentar um aposentado.

Aí fica a pergunta: como é que você soluciona isso? Qual seria uma política factível "de esquerda" ou "de direita" que possa sobrepujar a realidade demográfica e a contabilidade?

Havendo 10 trabalhadores sendo tributados para sustentar 1 aposentado, a situação deste aposentado será tranquila e ele viverá confortavelmente. Porém, havendo apenas 2 trabalhadores para sustentar 1 aposentado, a situação fica desesperadora. Ou esses 2 trabalhadores terão de ser tributados ainda mais pesadamente para sustentar o aposentado, ou o aposentado simplesmente receberá menos (bem menos) do que lhe foi prometido.

Portanto, para quem irá se aposentar daqui a várias décadas e quer receber tudo o que lhe foi prometido hoje pelo INSS, a mão-de-obra jovem do futuro terá de ser ou muito numerosa (uma impossibilidade biológica, por causa das atuais taxas de fecundidade) ou excessivamente tributada (algo que não é duradouro).

Eis o fato irrevogável: contra a demografia e a matemática, ninguém pode fazer nada.

A não ser mudar totalmente o sistema.

Uma proposta para uma reforma definitiva da Previdência
"Faltou incluir o custo administrativo, o lucro e os impostos da empresa terceirizada."

Abordados explicitamente no artigo (o qual, pelo visto, você nem sequer leu).

"Lembremos que os custos sempre são repassados ao consumidor (nesse caso, seria a empresa contratante)."

Errado. Não tem como empresas repassarem integralmente seus custos ao consumidor. Isso é básico de economia.

Se você tem uma padaria, e repentinamente seus custos sobem (por exemplo, sua conta de luz subiu), você não tem como simplesmente repassar esse custo adicional ao consumidor. Se você fizer isso, perderá fatia de mercado para as padarias concorrentes. Se você aumentar seus preços, perderá clientes para as padarias vizinhas.

Outra coisa: se fosse tão simples assim sair aumentando preços para repassar custos, então por que as empresas não fazem isso (aumentam preços) agora mesmo? Afinal, não é necessário esperar que haja um aumento de custo para haver aumento de preços. Basta aumentar o preço agora mesmo. Por que elas não fazem isso?

Pois é, porque não é tão simples assim.

Aumentos de custos são sempre, em última instância, arcados pela própria empresa. Fosse realmente tão simples assim sair repassando aumento de custos para os preços, então nenhuma empresa jamais quebraria na história.

P.S.: o único mercado em que é possível "repassar custos" -- e, mesmo assim, com parcimônia -- é o mercado de postos de gasolina, que é um mercado extremamente regulado, com baixíssima entrada de novos concorrentes (por causa das regulações estatais, é caríssimo abrir um posto de gasolina), e vendendo um produto cuja demanda é inelástica. E, mesmo assim, isso só funciona em cidades pequenas, em que há poucos postos à disposição.

"Com isso o custo de se terceirizar torna-se maior."

Embora você nada tenha explicado de correto para chegar a essa conclusão, o fato é que, se você realmente acredita que o custo irá se tornar maior, então você nada tem a se preocupar. Absolutamente ninguém irá querer terceirizar.

(O engraçado é que a esquerda diz justamente o contrário: todo mundo vai querer terceirizar porque o custo vai cair. Favor entrarem num consenso).

"E mesmo se a terceirizada conseguir ser mais eficiente (pois isso depende da área de atuação), a empresa contratante não vai economizar em nada, somente na dor de cabeça com a justiça do trabalho."

Então, de novo, você absolutamente nada tem com o que se preocupar. Ninguém vai querer terceirizar. Logo, tal lei será completamente inócua. Nem sei por que você está perdendo tempo com ela.

"Fui orçamentista em uma terceirizada da construção civil. Como nossas atividades tinham que acompanhar as demais atividades, tínhamos que manter nossos operários até o final da obra. Com isso os custos eram os mesmos da empresa contratante se ela tivesse contratado diretamente os operários. Na verdade eram até maiores, porque no nosso preço final estavam embutidos o nosso custo administrativo, o lucro e os impostos."

Ou seja, não apenas a empresa que contratou os seus serviços era completamente imbecil (aumentou os próprios custos), como você próprio perdeu uma grande oportunidade de lucro: caso tivesse você próprio feito essa empreitada no lugar dessa empresa, teria ganhado um belo dinheiro.

Por que não fez? Odeia dinheiro?

"Portanto não vejo vantagem na ideia de terceirização para a empresa contratante."

Então, pela terceira vez, você nada tem com o que se preocupar. Ninguém irá terceirizar. A lei será inócua. Agora, seja coerente, vá a campo e acalme toda a esquerda. Eles estão estressados com nada. Certo?
Acabariam por voltar aos mesmos padrões de corrupção, eventualmente.

Veja bem, a idéia do sistema de freios e contrapesos foi criada justamente com esse intento. Que, ao dividir os poderes governamentais em três, impediriam que o estado fosse abusivo. A idéia funciona, em teoria, mas na prática o que acaba acontecendo é que os três poderes eventualmente acabam se aliando e legitimando um monopólio de poder. (Esse raciocinio está presente no livro do Rothbard, A anatomia do estado).

Entidades privadas policiando governos estariam sempre sob ataque dos mesmos, pois é raro um governo permitir ser controlado por uma entidade externa, já que a lógica governamental é que são entidades supremas em seus respectivos territórios e não aceitariam ter seu poder reduzido. O governo:

A) Iria recusar a entidade.
e/ou:
B) Tentaria ativamente corrompe-la ou sabota-la.

No nosso arranjo atual, a solução mais viável (não é a melhor, mas que é possivel implementar) seria que entidades internacionais (em um mercado irrestrito e de livre entrada) efetuassem ratings do governo baseado em dados já existentes (como IDH e indice de liberdade econômica, indice de corrupção). É a mesma ideia das notas de investimento, mas para estilos de governo, mas isso só funcionaria em um mercado de livre entrada que não fosse subsidiado por governos, pois assim, as empresas desonestas seriam desqualificadas pelos consumidores e perderiam seu mercado.

Embora eu pessoalmente não sei dizer quem seria o consumidor desse tipo de arranjo.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Anonimo  09/07/2012 06:33
    Correto!

    Existem famílias, ou melhor, pessoas que estão faz mais de vinte anos sendo vítimas dos meios de comunicação brasileiros.

    Tudo o que tentam fazer, percebem a interferência dos meios de comunicação e nada dá certo.

    O mais impressionante é que todos se calam, como que se fossem criminosos ou merecessem ser vigiados.
  • Juliano  09/07/2012 06:59
    Isso é bem complicado. \r
    \r
    Mesmo em uma sociedade anarco capitalista, estaríamos sujeitos a ceder nossos dados, em alguns casos até mais que antes. O cedente de um empréstimo precisa fornecer dados que comprovem sua capacidade de pagamento, um motorista precisaria concordar em fazer exames que comprovassem que não estaria bêbado no caso de um acidente, o usuário de um plano de saúde concordaria em passar dados de seu estilo de vida, o morador de um condomínio concordaria com vistorias se houvesse a suspeita de que alguma coisa feita dentro de sua casa estaria gerando risco aos vizinhos... a lista é grande. A grande diferença é que você deveria aceitar as condições previamente, de forma voluntária.\r
    \r
    Quando o governo entra na jogada, muitas dessas coisas são alteradas. Não existe mais a possibilidade de não aceitar as condições e o mercado sai de cena. Como foi citado pelo artigo, ninguém vai querer montar uma empresa de identificação de pessoas se o goveno já faz isso. Da mesma forma, se o governo detem o controle das ruas (não vou usar a palavra propriedade), algumas regras deverão ser definidas. Algumas dessas regras necessariamente violam a privacidade das pessoas, mas como o governo é o monopolista, não há como não atender.\r
    \r
    A saída é tirar responsabilidades do governo para que ele tenha menos poder de definir as regras. Se ele tiver o controle sobre as ruas, ele necessariamente vai ter que definir como vão funcionar. O mesmo vale para todos os serviços públicos.\r
    \r
    Acho complicado focar muito na questão do excesso de regras pois as pessoas imaginariam o caos como alternativa, coisa que não é verdade. Muito provavelmente várias regras da iniciativa privada seriam até mais invasivas, mas sempre estariam sujeitas à concorrência. Se você não quer um seguro de carro que instale um aparelho que pegue os teus dados, teria que ir para um concorrente (ou pagar muito mais caro, por exemplo). \r
    \r
    Meu ponto é que o problema principal não é a existência de regras, mas sim o monopólio do controle das áreas "públicas", que necessariamente vai acarretar na criação das regras para sua utilização. É a expansão dessa área de controle que faz com que o governo passe a aumentar a também a abrangência de suas regras.\r
  • Fernando  09/07/2012 08:01
    Acho que você está correto se pensarmos em um ambiente sem a presença forçada do Estado. Sim, de fato para adquirir muitos bens/serviços você poderia ser solicitado a provar certas informações sobre você mesmo. Eu posso ser um pipoqueiro na praça e decidir que vou vender apenas para pessoas que cadastrarem seu "CPF" no meu livro. Desde que isso seja uma decisão minha e não uma imposição do estado.

    Porém imagino que o autor esteja criticando que essas informações nos sejam demandadas na situação em que exista o Estado, na situação atual.
  • Juliano  09/07/2012 08:21
    Sim, ele criticou a demanda pelo Estado. Meu ponto é que isso é inevitável quando o Estado controla bens e serviços.\r
    \r
    Isso ocorre o tempo todo. Se o Estado controla o sistema de saúde ele começa a exigir das pessoas atitudes que diminuam seus custos. Começa a ter a história de "já que o Estado paga os custos da saúde, então ele pode te proibir de fumar". Da mesma forma, se o Estado controla os aeroportos, ele pode ser intrusivo na vistoria das bagagens. Se o Estado controla as ruas, ele pode definir as regras para sua utilização (lei seca, por exemplo).\r
    \r
    Em todos esses casos, a origem da violação da privacidade advem do controle estatal sobre esses serviços. A execução dos serviços exige controle e regras. O problema não está aí. Você sempre acaba na decisão de "usar o serviço e seguir as regras ou não usar o serviço". O problema é a execução desses serviços por uma entidade monopolista que mistura tudo e coloca você no empasse: ou você segue minhas regras ou te coloco na cadeia. O Estado acaba com as alternativas. Pior, ele mistura tudo: regras estabelecidas nos aeroportos, por exemplo, deixam de fazer sentido apenas para quem quer viajar de avião. Também ganham a função de estimular a indústria nacional, ao barrar a entrada de importados. O estabelecimento de regras via Estado acaba virando uma grande salada, saindo totalmente do objetivo da atividade.\r
    \r
    Atacar a invasão de privacidade, no meu ponto de vista, é atacar as consequências e não a causa. Se o Estado possuir coisas e executar serviços ele necessariamente vai ver ser intrusivo. Ao atacar as regras, parece que a gente quer viver em uma sociedade sem regras, que não é o caso.
  • Renato  09/07/2012 09:41
    Bom, ocorre que várias atribuições já eram do estado há muito tempó (defesa, judiciário, legislativo, segurança pública, vias públicas) e mesmo assim há pouquíssimo tempo ele era muito menos invasivo. Um morador qualquer da Inglaterra, há cem anos atrás, gozava de uma liberdade que hoje não podemos nem sonhar. Ele não tinha cédula de identidade, o governo não sabia quanto ele ganhava (era um assunto entre ele e sus clientes ou patrão), nem onde ele morava, nem quais seus pensamentos políticos ou religiosos. Era o ápice dA sociedade liberal clássica.

    Nos EUA, por um bom tempo, não existiam escolas estatais. E por muito tempo a União não se metia em assuntos relativos à educação de crianças nem saúde.

    A situação atual foi planejada por uma elite. Não chegamos naturalmenta até o estado semi-totalitário que governa praticeamente todos os países, e pretende se fundir num estado totalitário mundial.
  • Juliano  09/07/2012 10:15
    Esse é justamente o principal argumento pró anarco-capitalismo e contra a minarquia. Não dá pra limitar o governo - ele sempre tende a ficar maior.\r
    \r
    Se ele tem o aeroporto, vai poder decidir quais são as regras que lá valem. As pessoas vão naturalmente aceitar essas regras por estar utilizando um serviço (o aeroporto). O mesmo vale para ruas, escolas ou qualquer outra coisa que o Estado controle. A justificativa para essas violações seria o seu "direito de propriedade".\r
    \r
    Sempre ouço argumentos como "já que o aeroporto pertence ao governo, ele tem o direito de impor as regras, incluindo as que violam nossa privacidade". Se não quiser, não use. A raíz do problema não é um proprietário impor regras, mas sim o fato de termos o governo como sendo proprietário de alguma coisa.\r
    \r
    Rothbard, em a Ética da Liberdade, vai mais ou menos pela mesma linha ao dizer que não existe o tal direito à privacidade. O que existe é direito à propriedade, tudo deriva a partir daí. A raíz do problema da violação de liberdades nos aeroportos é a de ter alguém construindo eles com dinheiro de impostos e trazendo pra si o monopólio dessa atividade.
  • Tiago RC  09/07/2012 08:08
    A privacidade é importante para se proteger justamente do governo, Juliano, visto que ele pouco se importa com eventuais repercussões de uma má utilização de seus dados particulares.

    Gostei desse texto porque deixa isso bem claro.
    Um outro texto interessante da mesma autora, na mesma linha, que acabei de encontrar: www.american-partisan.com/cols/mcelroy/102399.htm
  • anônimo  09/07/2012 08:52
    Para além das leis, ainda existe na esfera publica os valores morais alheios que tentam pautar nossa conduta. Somos condenados por atitudes ou forma de pensamento que nem mesmo existe uma lei a respeito.

    Esse é o pior efeito, coercitivo da lei. Por ter que obedecer um universo de leis, a sociedade cria leis imaginárias, se torna ao mesmo tempo a policia, o juiz e o carcereiro.
  • bjordan  09/07/2012 10:18
    o fim do imposto de renda e do CPF já seriam objetivos possíveis , o governo não arrecada tanto assim pelo IR, mas temos que descrever oq possuímos , compramos e onde estão nossas coisas, o CPF é usado hj para tudo , até para comprar um ferro de passar a vista me pediram isso , para que temos o RG (que já é errado) digo pq um varejista precisa saber se eu pago imposto de renda? para que isso é importante em uma escola de inglês ?
  • Yann  09/07/2012 11:10
    Programas de incentivo fiscal, proteção ao crédito e etc...
  • KAR  12/07/2012 05:05
    Até onde sei, dos impostos, o IR é o que mais arrecada. E dentro dos tributos, só perde para a COFINS.
  • Felix  10/07/2012 05:09
    Hoje a receita cruza uma série de informações como recebimentos de alugueis, salários recebidos de pj, planos de aposentadoria, aplicações e demais informaçãos bancárias, recebimentos de transferências de valores altos, ações, dividendos, vendas de imóveis, doações, etc...
    Cada ano estão incluindo mais informações como vão fazer agora com as faturas de cartão de crédito
    o big brother está cada vez pior, não tenho esperanças de que melhore
  • Paulo Sergio  11/07/2012 03:42
    ' e a ativa cooperação de empresas como o Facebook e o Google, que bajulam o governo atendendo a todos os seus pedidos de informação.'

    Finalmente alguém com os pés no chão quanto ao livro de caras
  • Marcio Estanqueiro  13/07/2012 06:48
    A intromissão do Estado, cada vez maior, na sociedade brasileira, mostra o quanto estamos longe de um Estado livre. Se na Economia é difícil termos políticas relacionadas ao livre mercado, é porque o Estado cada vez mais é centralizador. Parece que a sociedade já se acostumou, e por isso é muito importante artigos como esses, para elucidar fatos, que infelizmente estão longe de nossa realidade.
  • Candido Leonel Teixeira Rezende  11/08/2012 08:16
    Olha o grande irmão ae gente...

    www.bloomberg.com/news/2012-07-25/cyber-attacks-on-activists-traced-to-finfisher-spyware-of-gamma.html
  • anônimo  20/02/2013 01:11
    eu acho que faltou o texto abordar as câmeras de vigilância que também invadem a privacidade alheia

    com o pretesto de trazer segurança,muitas empresas privadas e até mesmo o governo coloca câmeras de vigilância em vários lugares em que as pessoas querendo ou não tem a sua imagem filmada,como o velho e falho argumento do quem não deve não teme

    quando a sua imagem é captada por uma câmera,você perde a capacidade de controlar a exposição que essa imagem vai ter,a mesma coisa que aconteceria se alguém pegasse a sua senha do banco e divulgasse na internet

    tem coisas que são apenas sua e você tem o direito de querer que ninguém saiba tais informações suas

    nunca houve nenhuma prova que apenas as câmeras de vigilância diminuisse a violência,na verdade o que acontecesse é o contrário,em lugares mais violentos são os lugares aonde tem mais câmeras

    atualmente existem pessoas que colocam grades,isso mesmo grandes em volta das câmeras para que elas não sejam roubadas,como que uma coisa que não da segurança nem para si mesma vai dar para os outros
  • anônimo  20/02/2013 09:05
    Uma empresa privada e indivíduos tem todo o direito de botar a câmera que quiser em sua propriedade.E não tem isso de 'pessoas vão ser filmadas querendo ou não', se você não quer ser filmado não entre na minha propriedade, simples.
  • anônimo  20/02/2013 15:58
    ai depende se for aberta ao público,eu sou contra

    hoje em dia não existe por exemplo,a opção de ir ao um shopping por exemplo que não exista câmeras,ou cinema e coisa do tipo

    o que você falou só seria válido se houvesse lugares privados abertos ao público aonde não houvesse câmeras
  • Tiago RC  20/02/2013 10:08
    Câmeras de segurança têm muita utilidade no combate ao crime sim, isso não dá pra negar.

    Mas de fato, câmeras de segurança operadas pelo estado (e não pelos proprietários de um condomínio por ex.) são perigosas. Dão ainda mais poder a essa entidade de controlar nossas vidas. E, infelizmente, de maneira indireta, as câmeras operadas por agentes privados acabam podendo servir ao estado também. É um pouco como o Google ou Facebook: eu não tenho receio que essas empresas utilizem as informações de seus clientes de maneiras sórdidas, mas o simples fato de toda essa informação existir e estar lá, indexada e de fácil acesso ao governo, é preocupante.
  • anônimo  20/02/2013 16:25
    aponte casos aonde um criminoso desistiu de cometer um crime quando viu que o lugar tinha uma câmera de vigilância?

    atualmente existem casos de pessoas que roubam câmera de vigilância,como que uma coisa que não da segurança nem para si mesmo vai dar para os outros,olhe só o caso abaixo

    www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=25&cid=150114

    seguindo a lógica é bem mais fácil roubar uma câmera de vigilância do que uma pessoa,já que a câmera de vigilância não pode reagir e ainda fica parada no mesmo lugar o tempo todo


    as câmera em condôminios,eu sou contra se ela tiver apontada para a rua,pois a rua não pertence ao condomínio


    as câmera em condôminios também podem servir para controlar a vida das pessoas

    a verdade é que a crise na segurança em que nós vivemos atualmente,a médida mais simplês é colocar uma câmera de vigilância,mesmo isso sendo uma médida paliativa,é a mais fácil

    aqui perto daonde eu moro tem um bar que é super seguro,ele não tem nenhum câmera de vigilância,mas tem sempre um viatura da policia,pena que são poucos os lugares aonde tem esse tipo de segurança

    seria muito mais eficiênte,contratar um vigia armado do que colocar uma câmera,pois o vigia,que atualmente é chamado de segurança,poderia impedir o criminoso e prender ele no exato momento que ele começa a cometer o crime,mas uma câmera mesmo que tenha gente olhando para as imagens delas 24 horas por dia,coisa que é muito dificil de acontecer,até alguém chegar lá o criminoso pode estar a quilometros de distância daquele local

    as câmeras de vigilância é a principal arma usada para as pessoas tomarem conta da vidas das outras,tem também a redes sociais,mas nas redes sociais as pessoas escolhem o que vão postar,mas as pessoas não escolher o que a câmera vai pegar

    exemplo,uma pessoa nunca postaria numa rede social que ela estava andando pela rua comendo alguma coisa e de repente tropeça e cai no chão e cai e derruba a comida nela e ainda se machuca,mas se uma câmera de vigilância estivesse no local,ela captaria essa cena

  • anônimo  07/08/2013 21:32
    'aponte casos aonde um criminoso desistiu de cometer um crime quando viu que o lugar tinha uma câmera de vigilância?'

    Se ele desistiu e não fez nada, como saber que ele é o criminoso?
  • anônimo  03/03/2013 15:29
    todas as reportagens,aonde falam que as câmeras de vigilância dimuiram a violência,nunca é apenas as câmeras,mas o aumento do efetivo policial,o fechamento de algumas ruas,o colocamento de cercas nas casas,até mesmo as pessoas diminuirem o tempo que elas passam na rua ou pararem de andar sozinha na rua,com tantos fatores para ser observado é dificil saber se as câmeras de vigilância por se próprias,tiveram algum papel na dimunição da violência

    outra cosia,tais matérias de jornais que dizem que as câmeras de vigilância diminuem a violência,elas não separam os crimes que as câmeras tiveram alguma participação,dos crimes em que elas não tiveram participação nenhum,ai fica dificil de analisar
  • anônimo  26/02/2013 15:07
    eu fiquei revoltado com uma coisa que eu li,sobre invassão de privacidade,ai um cara falou que quem se procupa com invassão de privacidade,deve ter culpa no cartório,eu fiquei com muita raiva disso,eu queria ver só se coloocassem uma câmera para vigiar esse cidadão 24 horas por dia,que todas as imagens dele fosse públicas,todas as coisas que ele escreve na internet também e todos os documentos dele,também,eu queria ver se ele ia continuar achando isso

    privacidade é algo importantíssimo para o ser humano,mesmo estando tão ameaçado hoje em dia pelas câmeras de vigilância que captam imagens pessoais a força das pessoas,mas é claro que a maioria das pessoas são tão manipuladas pela a grande mídia que acreditam que as câmeras de vigilância dão segurança,pobres pessoas não são nem um pouco céticas
  • anônimo  10/06/2013 08:56
    NSA's Prism surveillance program: how it works and what it can do

    Mais notícias sobre o tema aqui.

    Até onde eu sei, esse é o pior escândalo envolvendo o governo americano até hoje no que concerne violação de privacidade. É muito grave.

    Só para ter uma ideia, esse site (IMB) tem esse plugin do facebook que permite você "curtir" artigos. Independente de tê-los curtido ou não, o governo americano provavelmente já sabe todos os artigos que você acessou aqui, pois o plugin acessa o facebook para dizer quais dos seus amigos já curtiram.

    Conselho a todos: busquem ferramentas e alternativas que ajudam a preservar a privacidade. A coisa está ficando grave. Diversas "teorias de conspiração" antes atribuídas exclusivamente a "tinfoi hats" mostram-se verdadeiras no final das contas.
  • anônimo  13/06/2013 21:18
    existem vários problemas envolvendo a privacidade no facebook,no próprio site eles dizem que vendem as suas informações pessoais para outras empresas

    eu aconselho a todos que desfaçam sua conta no facebook pois não há como ter privacidade naquele site

    sobre o caso que aconteceu nos estado unidos,eu já suspeitava que algo daquele tipo poderia acontecer
  • anônimo  13/06/2013 21:42
    operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/27451/jogo+alemao+que+premia+destruicao+de+cameras+de+vigilancia+ganha+escala+global.shtml

    eu sou contra esse tipo de coisa,eu acho que as câmeras poderiam ser desmontadas e vendidas para comprar algo mais útil no lugar de ser quebradas,mas essa reportagem mostra que as pessoas não estão mais aceitando as mentiras da mídia e a invasão de privacidade proporcionadas por essas câmeras
  • anônimo  07/08/2013 19:58
    www.estadao.com.br/noticias/nacional,justica-eleitoral-repassa-dados-de-141-milhoes-de-brasileiros-para-a-serasa,1061255,0.htm

    mas uma vez,o governo repassando os dados das pessoas sem a permissão dele,para uma empresa privada que vai poder fazer o que quiser com ele
  • anônimo  20/08/2013 21:56
  • Marco  21/03/2017 09:39
    Acho isso um absurdo qualquer lugar hoje tem uma câmera te vigiando, muito pior que época dá ditadura é capaz de ter até em banheiro, quarto de motel e etc.


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