Tendências da economia brasileira - números e gráficos
por , segunda-feira, 2 de julho de 2012

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Nota: todos os gráficos a seguir utilizam dados publicamente disponibilizados pelo Banco Central em seu site, dados estes que, infelizmente, não possuem um link direto.  O leitor tem de ir à página principal e dali clicar em todas as variáveis desejadas, montando a sua própria tabela.

 

economia-brasileira.jpgToda expansão artificial do crédito tem necessariamente de terminar em uma recessão — ou em uma longa estagnação.  Não há como prolongar indefinidamente uma situação insustentável e não há como evitar que o necessário processo de correção chegue.

São dois os principais segredos para que uma recessão criada pela expansão artificial do crédito seja rapidamente superada e a economia volte a crescer de maneira sustentável: as dívidas pendentes têm de ser liquidadas ou reduzidas e os preços têm de poder ser livremente reajustados para baixo. 

A recessão de 2009 no Brasil — que foi realmente uma recessão e não apenas uma estagnação — foi curta justamente porque o governo, incrivelmente, não tentou impor nenhuma política de preços e de proibição de demissões, e acabou permitindo, ainda que involuntariamente, que os preços no atacado — o IGP-M, muito utilizado no meio empresarial para o reajuste de custos — pudessem cair.  E, de fato, o IGP-M ficou negativo durante a maior parte daquele ano.  Como resultado, os preços das matérias-primas agrícolas e industriais no atacado apresentaram variação mensal negativa de dezembro de 2008 até agosto de 2009, de modo que, no acumulado de 2009, o IGP-M fechou com deflação de 1,71%.

Esta deflação do IGP-M, em conjunto com as demissões ocorridas na época — o desemprego chegou a 9% —, ajudou a recuperação financeira das empresas, deixando-as preparadas para mais investimentos e novas contratações.

O gráfico a seguir mostra a variação anual do IGP-M e a variação anual da oferta monetária M1 (papel-moeda em poder do público mais contas-correntes), que representa o dinheiro prontamente disponível para ser utilizado por empresas e indivíduos.  Todas as vezes em que o crescimento anual do M1 (linha vermelha) foi menor do que o crescimento anual do IGP-M (2003, 2008/2009, 2011/2012), houve recessão no setor industrial e aumento das demissões neste setor.

M1xIGP-M.png

Duas observações: quanto maior for a taxa de crescimento do M1 em relação ao IGP-M, maior tende a ser o volume de investimentos e de contratações, pois as receitas das empresas — aumentadas pelo aumento da oferta monetária — aumentam mais rapidamente do que seus custos.  Adicionalmente, ao passo que em 2009 o IGP-M entrou em terreno negativo, na atual estagnação da economia brasileira o IGP-M foi para um mínimo de 3,24%, e já voltou a subir.  Isso exigirá uma expansão bem mais vigorosa do M1 para que a indústria volte a contratar.  Como a inflação de preços segue acima da meta de 4,5%, não há muito espaço para esta manobra.  E como o endividamento dos consumidores (ver abaixo) segue crescente, não há garantias de que uma expansão monetária os estimule a consumir mais.

PIB e M1

O PIB mensura apenas o valor monetário (ou seja, preços) de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano.  Ou seja, o PIB é apenas um cálculo de todas as transações monetárias envolvendo bens e serviços finais.  Ele é utilizado para mensurar o gasto agregado da economia.

Quanto mais se gasta em bens e serviços — isto é, quanto maior o volume de gastos —, maior será o PIB.  Isso significa que o PIB é uma equação que depende primordialmente da inflação monetária — ou seja, do aumento da quantidade de dinheiro na economia.  O valor do PIB aumenta de acordo com essa inflação.  Se o Banco Central aumenta a quantidade de dinheiro na economia, isso elevará a quantidade de transações monetárias (volume de gastos) que ocorrem na economia.  Mais ainda: aumentará os preços.  Logo, o valor monetário dos bens e serviços será maior.  Por conseguinte, o PIB também será maior.  Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

Logo, quanto maior for a injeção de dinheiro na economia, maior será o volume de gastos — e consequentemente maior será o "crescimento econômico" mensurado pelo PIB.  Em suma, mais dinheiro gera mais gastos, o que gera maior "crescimento econômico".

Isso é a teoria.  Abaixo, um gráfico confirmando esta teoria na prática.  O gráfico mostra a taxa de crescimento anual do M1 e a taxa de crescimento anual do PIB mensurado pelo Banco Central, que utiliza sua medida 'Índice de Atividade Econômica do Banco Central' (IBC-BR) como uma "proxy" do PIB do IBGE (o IBGE, infelizmente, não divulga valores mensais do PIB).

IBC-BR graf.png

A redução na taxa de crescimento do M1, iniciada ainda no final de 2010 — quando o Banco Central começou a elevar a SELIC e a estancar o crescimento da base monetária —, gerou a forte redução atual no crescimento do PIB, que saiu de um crescimento anual de 8% em novembro de 2010 e caiu para 1,54% em abril de 2012.

A dinâmica mostra que o PIB continuará caindo pelos próximos meses, dado que o crescimento do M1 está no menor nível dos últimos 8 anos.

Crescimento do crédito e emprego

Algo que vem chamando muita atenção é a resiliência do emprego.  Mesmo com o PIB estagnado, a taxa de desemprego se mantém estável em níveis historicamente baixos.  Mas há explicações.

Analisando-se os últimos dados do IBGE, apenas o setor público está contratando (novidade?).  O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado já estagnou.  E meu palpite é que as demissões só não aumentaram porque o governo as "proibiu" quando, ao reduzir o IPI, exigiu a contrapartida da não-demissão por parte das empresas (industriais e do varejo), exigência esta que foi renovada na sexta-feira passada.  Embora esta seja uma medida extremamente popular, seu real efeito é sangrar o balanço contábil das empresas, que, ao não poderem demitir, não podem reduzir seus custos.  Isso pode afetar severamente sua capacidade de investimentos de longo prazo.  Mas o senhor Mantega, obviamente, não tem a mínima ideia do que seja isso.

Mas o que governa a expansão do emprego?  O gráfico a seguir mostra a evolução do crédito total concedido ao setor privado (linha azul, eixo da direita) e o número de empregados no setor privado (linha vermelha, eixo da esquerda), segundo o IBGE.  O crédito total abrange todo o crédito concedido ao setor industrial, ao setor comercial, ao setor de serviços, ao setor rural, à compra de imóveis, e às pessoas físicas.

cewolf5.png

Analisando os números absolutos, este gráfico não diz muita coisa.  Por isso, o melhor procedimento é fazer um gráfico que mostra a taxa de crescimento anual do crédito total ao setor privado e a taxa de crescimento anual do total de empregados no setor privado (o que deixa de fora os empregos no setor público).

creditoxemprego.png

Desnecessário dizer que a variação do emprego se dá de acordo com a taxa de crescimento do crédito.  Como bem explica a teoria austríaca dos ciclos econômicos, uma expansão do crédito estimula tanto investimentos de longo prazo quanto um aumento do consumo.  Consequentemente, a expansão do crédito faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria e na construção civil, mas ao mesmo tempo os setores de serviço e comércio continuam requerendo mão-de-obra e recursos, pois não houve aumento na poupança (abstenção de consumo).  Assim, começa a haver uma batalha por mão-de-obra e por recursos, o que leva ao encarecimento de ambos.

Logo, para se manter esta taxa de "crescimento econômico", é necessária uma taxa crescente de expansão do crédito.  Somente um aumento contínuo do crédito, ou seja, somente uma aceleração do crédito permite que os empreendedores de todos os setores mantenham ou aumentem sua força de trabalho e mantenham ou aumentem suas aquisições de bens de capital a serem utilizados em novos investimentos.  Somente uma expansão do crédito permite aos empreendedores continuarem adquirindo mão-de-obra e bens de capital, uma vez que esta mesma mão-de-obra e estes mesmos bens de capital estão sendo demandados por todos os setores da economia, justamente em decorrência do aquecimento gerado pela expansão do crédito.

Isso gera uma queda no desemprego e um aumento nos preços e nos salários, o que leva à necessidade de expandir ainda mais rapidamente o crédito para que seja possível manter este ciclo.  Com o tempo, obviamente, toda esta expansão do crédito irá levar a um acentuado aumento nos preços, o que fará com que o Banco Central restrinja a expansão da base monetária e, consequentemente, a expansão do M1.  Caso a expansão do crédito seja reduzida — note que ela não precisa se contrair, basta apenas que ela pare de crescer ou passe a crescer a taxas menores —, todo este arranjo "virtuoso" (na realidade, totalmente artificial) se arrefece.

E é exatamente este mecanismo que pode ser observado no gráfico acima.  Quando o crédito está acelerado, o emprego no setor privado cresce.  Quando ele estagna, o crescimento do emprego arrefece.  E quando o crédito se desacelera, o emprego se contrai (vide 2009).  O crescimento do crédito no Brasil se estagnou no primeiro semestre de 2011 e começou a desacelerar no segundo semestre.  O crescimento do emprego foi junto.  Por exemplo, ao passo que em abril de 2011, o número de pessoas empregadas no setor privado havia crescido 4,7% em relação a abril de 2010, em abril de 2012 o crescimento foi de 1%.  No momento, o crédito segue estagnado, o que tende a fazer com que a criação de empregos continue andando de lado.

Setor imobiliário

Abaixo, o gráfico da evolução do crédito total concedido ao setor habitacional.  O crédito ao setor habitacional se refere ao crédito concedido para a aquisição de unidades residenciais

cewolf1.png

Analisando-se exclusivamente o gráfico acima, nota-se um forte crescimento iniciado a partir de 2005.  Porém, excetuando-se este detalhe, não parece estar havendo nada de diferente neste mercado, correto?

No entanto, analisemos o gráfico da taxa de crescimento anual do crédito concedido ao setor habitacional.

Habitacao.png

Este gráfico mostra uma realidade bem mais interessante.  Ele mostra que, como já havia sido identificado no gráfico anterior, a expansão do crédito para a aquisição de imóveis de fato começou a ser inflada em 2005.  Depois, apresentou uma ligeira arrefecida no final de 2006/início de 2007, voltando a acelerar fortemente em 2008, desacelerando um pouco em 2009 e voltando a acelerar a todo vapor em 2010.  No início de 2011, a aceleração estancou; no segundo semestre, começou a desaceleração.

Portanto, de acordo com a teoria austríaca, o setor imobiliário entrou em estagnação desde o início de 2011.  Afinal, como dito, não é necessário haver nenhuma contração do crédito (algo muito longe de ocorrer, dado que ele segue crescendo mais de 40% ao ano).  Basta apenas que haja uma redução na taxa de crescimento, que é o que está acontecendo.  Ela caiu de 54% para 42%.   Vale observar que, até então, nunca havia ocorrido nenhuma redução desde 2003. 

Quando o crédito direcionado ao setor imobiliário parou de se acelerar, as bases para a subida contínua nos preços foram removidas.  A redução nesta expansão do crédito significou um arrefecimento da demanda por imóveis, pois um dos principais componentes da demanda por imóveis advinha exatamente dos fundos gerados pela expansão do crédito.  Um declínio nesse componente gerou um equivalente declínio na demanda geral por imóveis.  O declínio na demanda por imóveis foi, obviamente, seguido de um declínio nos preços dos imóveis.

Os preços dos imóveis já caíram, mas este é um fato que está sendo muito astutamente ocultado.  Por exemplo, em vez de dizer que não mais estão conseguindo vender por aqueles preços que haviam imaginado ser possível, as construtoras preferem dizer que estão "fazendo ofertas" ou "oferecendo descontos e promoções".  Mas não existe desconto em um mercado genuinamente aquecido.  Existe apenas queda de preço.

Quando o crédito para o setor estava fluindo aceleradamente, começando em 2008 e se consolidando em 2010, várias construtoras se animaram com as perspectivas de lucro fácil, se endividaram e foram lançar projetos.  Agora, no entanto, com a desaceleração do crédito para a aquisição de imóveis, tais perspectivas de lucros não mais estão se concretizando, e várias construtoras estão enfrentando dificuldades em seus balancetes.  As cotações das ações de algumas empresas imobiliárias listadas na Bovespa estão próximas de suas mínimas históricas (Rossi Residencial, PDG Realty, Brookfield e Gafisa.)

Crédito para pessoa física

Enquanto a expansão generalizada do crédito se mantém, ela gera uma aparência de riqueza real, e fornece as bases para um forte aumento no poder de compra e um correspondente aumento nos preços dos bens, dos serviços e de todos os tipos de ativos, principalmente imóveis.  Porém, assim que essa expansão do crédito diminui, as bases para a lucratividade de todas as atividades até então sustentadas pela expansão do crédito são extintas.  Isso ocorre porque a expansão do crédito estava sustentando projetos cuja lucratividade dependia de uma demanda que só poderia ser mantida pela contínua expansão do crédito.

Vejamos a evolução do crédito para a pessoa física (excetuando-se o crédito direcionado à reforma ou aquisição de habitações), que é o que dá o sustento artificial a toda a atividade econômica.  Primeiro, o gráfico da evolução do crédito total; depois, o gráfico da taxa de crescimento anual deste crédito.

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Pessoas fisicas.png

Observe que o crédito à pessoa física, depois da forte desaceleração do final de 2008/início de 2009, vinha crescendo a taxas constantes desde o segundo semestre de 2009.  Porém, no final de 2011, entrou em desaceleração, estando hoje crescendo a uma taxa maior apenas do que aquela de 2003.  O motivo desta desaceleração certamente é o acentuado aumento do endividamento das famílias e do comprometimento do orçamento das famílias com o pagamento do serviço da dívida.

cewolf3.png

Este aumento tem levado a inadimplência a níveis recordes, e enquanto isto não for resolvido — ou seja, enquanto os valores no gráfico acima continuarem ascendentes —, a capacidade de as pessoas seguirem tomando crédito continuará em queda.

E isso está afetando todos os outros setores da economia.  Medidas de incentivo ao consumismo e ao endividamento irão apenas prolongar a estagnação da economia.

Indústria, comércio e serviços

A seguir, os gráficos da evolução do crédito concedido ao setor industrial, comercial e de serviços.  Primeiro, o gráfico da evolução do crédito total para cada setor; depois, o gráfico da taxa de crescimento anual do crédito para cada setor.

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Indxcomxserv.png

Note que o mesmo padrão se repete.  Após a forte expansão de 2006, 2007 e 2008, houve forte contração em 2009.  Após nova e vigorosa expansão em 2010 — ano em que todos três indicadores acima cresceram mais de 100%, com a indústria crescendo mais de 800% —, outra desaceleração em 2011 e estagnação em 2012.  Apenas o setor de serviços apresenta uma reação, e é justamente aí em que estão sendo criados empregos.

No caso específico da indústria, que é hoje o setor que mais preocupa os "especialistas", suas atuais dificuldades são fáceis de entender.  É só observar o crescimento do crédito direcionado para este setor de 2004 a 2008, e sua vigorosa retomada em 2010.  Tamanho volume de crédito estimulou a demanda por mão-de-obra e levou à produção e aquisição maciça de bens de capital, certamente fazendo com que vários investimentos ruins e insustentáveis fossem empreendidos, levando à ampliação de um setor para o qual a demanda não havia crescido correspondentemente.  O atual processo de redimensionamento — e suas concomitantes demissões — por que passa este setor nada mais é do que o processo de correção de um setor que for hipertrofiado em decorrência de todo o crédito — privado e estatal — direcionado a ele.

Tanto a inadimplência de indivíduos e empresas — em preocupante ascensão — quanto todo o processo de reestruturação que está ocorrendo possuem a mesma causa.  Os indivíduos se endividaram para poder consumir, na crença de que o crédito continuaria farto e que sua renda futura continuaria aumentando, o que facilitaria a quitação destas dívidas.  Já as empresas embarcaram em investimentos de longo prazo levadas tanto pela redução artificial dos juros criada pela expansão monetária do Banco Central (o que fez com que os investimentos se tornassem mais financeiramente viáveis) quanto pela expectativa de que o aumento futuro da renda possibilitaria o consumo dos produtos criados pelos seus investimentos. 

No entanto, tão logo o Banco Central reverteu sua política monetária e reduziu a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro na economia brasileira, todos estes projetos se comprovaram irrealizáveis.  No caso dos indivíduos, esta redução na taxa de crescimento da oferta monetária fez com que suas rendas não aumentassem como haviam previsto, o que torna suas dívidas difíceis de serem quitadas.  No caso das empresas, tal redução faz com que suas receitas futuras não fossem as previstas, ao mesmo tempo em que seus custos (com mão-de-obra e bens de capital) seguiram crescendo em decorrência da inflação passada.

Conclusão

A economia brasileira, ao contrário do que dizem os arautos da prosperidade, principalmente aquele cavalheiro que ocupa o Ministério da Fazenda, não possui nenhuma base sólida.  Todo o nosso crescimento é baseado na expansão artificial do crédito comandada, em última instância, pelo Banco Central.  Sempre que esta expansão se arrefece, toda a economia esfria, e vários setores recorrem ao governo em busca de protecionismo e subsídios.  Aquilo que a imprensa chama de voo de galinha nada mais é do que a recorrente manifestação da teoria austríaca dos ciclos econômicos.

Para haver crescimento econômico sólido é necessário uma sociedade que poupe, que acumule capital e que apresente uma ampla divisão do trabalho.  A economia brasileira, por sua vez, possui um estado amplamente interventor, vorazmente tributador e descontroladamente perdulário, o que afeta justamente a divisão do trabalho, a formação de poupança e a acumulação de capital.  Enquanto esta realidade não for alterada, ficaremos em vão torcendo para que a galinha crie asas com turbinas.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

postado por Leandro Roque | 02/07/2012

122 comentários
anônimo 02/07/2012 08:41:33

Muito bom! Mas e a redução dos juros a canetada pelo governo? Não surtiu efeito?

Responder
Leandro 02/07/2012 08:45:19

Anônimo, isto não dá pra saber ao certo. Por exemplo, pode ser que, sem estas reduções, a taxa de expansão do crédito pessoal fosse ainda menor. Ou pode ser que a inadimplência estivesse ainda maior.

O que se sabe ao certo é que os bancos, muito corretamente, não estão emprestando tão facilmente assim para pessoas já endividadas, o que arrefece bastante os planos do governo de crescimento do PIB no curto prazo. Ainda bem.

Responder
Andre Cavalcante 02/07/2012 09:49:01

Leandro,

+1 capítulo do próximo livro da biblioteca do IMB: História econômica recente do Brasil (do Plano Real à atualidade)!

Parece um complemento perfeito das tuas "previsões" no ano passado, com o claro reconhecimento que estavam todas corretas...

Parabéns e abraços.

Responder
Leandro 02/07/2012 09:55:13

Obrigado pelas palavras, Andre, mas não tenho mérito algum em nada. Apenas me apoio em ombros de gigantes, utilizando toda a teoria fornecida por eles e me dando apenas ao trabalho de mostrar como eles estavam corretos.

Grande abraço!

Responder
Jose Roberto Baschiera Junior 02/07/2012 09:59:57

Leandro, muito obrigado pelo trabalho! Novamente!

Responder
Alfeu Rabelo Neto 02/07/2012 10:22:49

Já se fala em vôo da galinha a muito tempo. Nos anos 90 e até antes disso ocorreram ciclos econômicos no Brasil?

Responder
Leandro 02/07/2012 10:38:44

Ciclos econômicos sempre ocorreram; o que variava era a origem da expansão do crédito. Atualmente ela é feita pelo Banco Central em conjunto com o sistema bancário. Antes da década de 1990, o crédito era majoritariamente externo. Mas a mecânica é a mesma. Há mais detalhes sobre o que levou ao atual arranjo neste artigo.

Grande abraço!

Responder
Alfeu Rabelo Neto 02/07/2012 11:22:58

Então a expansão do crédito se dava pelos bancos centrais de outros países, com esse dinheiro fluindo pro Brasil? O Bacen tem sua parcela de culpa nessa história ao manipular os juros (juros mais altos chamam capital externo)?
Antes o governo expandia a oferta monetária através de déficits cobridos por títulos comprados pelo BC?
Como que o governo manipulava os juros sem causar ciclos?

Responder
Leandro 02/07/2012 11:34:46

Prezado Alfeu, antigamente (décadas de 1970, 80 e primeira metade da década de 1990), quando entravam dólares, o BACEN expandia concomitantemente a quantidade de moeda nacional. Isso foi explicado neste artigo.

Hoje, com o câmbio flutuante, não mais é necessário expandir a quantidade de moeda nacional quando há uma entrada de dólares. Isso foi explicado neste artigo.

Sim, o governo também expandia a oferta monetária para cobrir déficits orçamentários, como explicado no artigo indicado acima.

E, finalmente, o governo não evitava os ciclos econômicos ao manipular os juros. Como dito, sempre houve ciclos econômicos; em momento algum eles foram abolidos ou evitados.

Abraços!

Responder
Alfeu Rabelo Neto 02/07/2012 14:11:39

Mas houve algum ciclo econômico nesse período que pode ser considerado grande?

Obrigado pelas respostas e parabéns pelo texto, Leandro.
Abraço!

Responder
Leandro 02/07/2012 14:28:40

Vários.

De 1967 a 1978 tivemos expansão, a qual foi seguida por 14 anos de estagnação, de 1980 a 1993.

De 1994 a 1998, houve novo período de expansão. De 1999 a 2003, estagnação. De 2003 a 2008, expansão. 2009, recessão. 2010, forte expansão. 2011, expansão no primeiro semestre, pasmaceira no segundo. 2012, estagnação. E não há nenhum indicador no horizonte de que isso irá mudar.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Alfeu Rabelo Neto 02/07/2012 15:13:25

Mas entre 94 e 98 o Bacen não podia expandir muito a oferta monetária pra poder manter o M1 menor que as reservas. Como pôde haver ciclo?

Abraço

Responder
Leandro 02/07/2012 15:31:04

Como você bem disse, ele não podia expandir [u]muito[/b] a oferta monetária, mas sempre expandia. Veja o gráfico 10 deste artigo

Tanto é que o câmbio foi de R$0,84/US$ para R$1,21/US$.

Por outro lado, as expansões econômicas deste período eram muito mais tímidas do que as atuais (4,22% em 1995, 2,2% em 2006, 3,4% em 1997) e, justamente por isso, mais saudáveis, pois geravam menos investimentos insustentáveis. Já a recessão de 1999 tinha um forte componente de incerteza gerado pela desvalorização cambial. Em 2000, houve um novo crescimento, seguido de pasmaceira em 2001. 2002 teve risco Lula e 2003 foi de contração no M1.

A partir de 2004, o PIB já passou a crescer em torno dos 6% (chegando a 7,5% em 2010), um salto e tanto em relação aos números anteriores, sendo que não houve absolutamente nenhuma mudança estrutural no país. É tudo artificial.

Abraços!

Responder
Diego Cardoso 02/07/2012 10:51:04

Brilhante! Parabéns pelo texto, Leandro!
Sua leitura da economia brasileira pelo arcabouço teórico austríaco é precisa e muito didática. Obrigado!

Abraços.

Responder
Alexandre Melchior 02/07/2012 10:58:35

Leandro, esse texto é fantástico, cara.... Infelizmente acabou o semestre e eu só vou poder usá-lo no semestre que vem.

De qualquer forma, graças também aos seus textos, na minha faculdade já tem algumas pessoas lendo EA.

Responder
Lúcio 02/07/2012 11:37:51

"A dinâmica mostra que o PIB continuará caindo pelos próximos meses, dado que o crescimento do M1 está no menor nível dos últimos 8 anos."

Leandro,estou com algumas dúvidas:

1 - O que propriamente gera o aumento da base monetária? seria um menor compulsório (mais dinheiro para os bancos emprestarem através das reservas fracionarias) ou o governo simplesmente imprime mais dinheiro, lastreia em títulos de dívida e empresta? seriam ambos?


2 - A SELIC veio de 12,50 para 8,50. Isso não deveria gerar um aumento da base monetária? Como pode o M1 cair com a SELIC caindo?

3 - Cortes na taxa SELIC costumam levar quanto tempo para fazer efeito na base monetária? As medidas de redução da SELIC desde o final do ano passado não deveriam estar aquecendo (artificialmente) a economia por agora?

Desculpe-me se acaso eu tenha feito alguma confusão grosseira.

Obrigado e parabéns pelo artigo.

Responder
Leandro 02/07/2012 11:57:04

Prezado Lúcio,

1) Uma resposta extremamente detalhada pode ser encontrada neste artigo. Ou na metade inicial deste, caso esteja com menos tempo.

2) Não necessariamente. É perfeitamente possível a SELIC cair sem expandir a oferta monetária: basta não estar havendo aumento na demanda por empréstimos. Ou os bancos podem estar receosos de fazer novos empréstimos. Sendo assim, aumenta o volume de dinheiro disponível para os empréstimos interbancários (ver um dos artigos acima). Aí os juros do interbancário (SELIC) caem sem que tenha havido expansão da base monetária.

Adicionalmente, dada a baixa expansão da oferta monetária, o estranho seria realmente se a SELIC subisse. Vários economistas acham que juros é o preço do dinheiro, e que, sendo assim, quanto maior a oferta de dinheiro, menor serão os juros. Mas isto é errado. Embora seja verdade que, no curto prazo, um aumento na quantidade de dinheiro gere uma redução de juros, o fato é que, no longo prazo, quanto maior for a taxa de aumento da quantidade de dinheiro, maiores serão os juros. E vice-versa.

Pense nos juros como a diferença entre a quantidade de dinheiro que você pega emprestado e a quantidade de dinheiro com o qual você paga o empréstimo. Quanto menor estiver sendo a taxa de crescimento da quantidade de dinheiro, menores terão de ser os juros. Afinal, em uma economia com quantidade de dinheiro fixa, seria irrealista você exigir, por exemplo, juros de 50% ao ano. Sem que tenha havido crescimento na quantidade de dinheiro, o devedor simplesmente não terá como pagar essa quantia. Por outro lado, se a quantidade de dinheiro crescer, por exemplo, 200% em um ano, pagar uma taxa de juros de 50% acaba sendo moleza.


E o mesmo é válido para a base monetária e a SELIC. Quanto menor for o crescimento das reservas bancárias (que é um componente da base monetária), menor será, no longo prazo, a taxa de juros para empréstimos interbancários, taxa essa que é justamente a SELIC (de novo, ver um dos artigos indicados no item 1). Um ótimo exemplo prático disso é o Japão, que tem crescimento nulo da base monetária desde 2003, e sua "taxa SELIC" é de zero.

Outro exemplo eram os juros nominais astronômicos da década de 1980 e primeira metade da década 1990 no Brasil, quando a inflação anual frequentemente ultrapassava os 1.000%.

Logo, este é outro cenário em que os juros também podem cair sem que haja necessariamente criação de dinheiro.

3) Acho que a resposta acima responde à sua terceira pergunta.

Abraços!

Responder
Bernardo 02/07/2012 19:04:04

Leandro, a taxa de juros dos titulos de divida de outros países, tipo os da europa e japão, eles seguem a Selic deles tbm? Digo, o juros dos bonds seguem os juros interbancarios?

Responder
Leandro 03/07/2012 07:10:16

Prezado Bernardo, os juros de curto prazo, sim. Vale lembrar que a SELIC nada mais é do que uma taxa de juros de um dia, cujo valor é elevado ao expoente 252 (número de dias úteis por ano) com o intuito de adquirir um valor anualizado.

Mas isso não deve ser confundido com os juros dos títulos de longo prazo. Neste artigo, tentei explicar como funciona esta "curva de juros", que faz a transição dos juros de curto prazo para os de longo prazo.

No caso específico da zona do euro, o que costuma sair no noticiário são os juros que eles estão pagando sobre os títulos de longo prazo, que não são a SELIC deles.

Ademais, para os países da zona do euro, o mecanismo de funcionamento do Banco Central é um pouco mais complexo e foi explicado em grandes detalhes nestes dois artigos:

Como funciona o Banco Central Europeu

Por que o euro é um sistema monetário autodestrutivo

Grande abraço!

Responder
Henrique 02/07/2012 11:42:16

Tava folheando ontem na fila da farmácia uma edição dessa semana da Época (e que revista ruim!). Na última página tinha um artigo do Ricardo Amorim negando que existe qualquer bolha imobiliária no Brasil. Os argumentos dele variavam dos preços relativos dos imóveis ao consumo de cimento per capita; fiquei igual retardado rindo sozinho.

No mais, excelente aula de economia do mundo real, aprendo muito mais aqui, lendo os artigos e livros, que em qualquer classe que já tive.

Grande abraço.

Responder
Mendes 02/07/2012 13:24:17

Notícia bem em sintonia com o texto:

Contratações diminuem, mesmo com incentivo do governo

Setores reduzem ritmo de contratação de funcionários em até 74%

SÃO PAULO - Mesmo após receber incentivos fiscais do governo federal, muitos setores registraram queda de até 74,49% no ritmo de abertura de novos postos de trabalho nos primeiros cinco meses deste ano, na comparação com o mesmo período de 2011. Os quatro setores que, desde o fim do ano passado, já usufruem da desoneração da folha de pagamentos (couro e calçados, call centers, tecnologia da informação e confecções), por exemplo, estão contratando menos. O mesmo acontece com os fabricantes de automóveis, que desde o fim de 2011 ganharam as barreiras tarifárias contra os importados, e ainda tiveram o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, novamente, a partir do mês de maio.

Mesmo a cadeia automotiva, que novamente foi contemplada pela redução do IPI, gerou menos postos de trabalho: 1.197 de janeiro a maio de 2012, contra 4.692 nos mesmos meses do ano passado.

A situação mais grave, porém, é a do setor de autopeças, que, apesar de favorecido indiretamente pelos incentivos dados às montadoras, amargou o fechamento de 5,5 mil postos de trabalho nos cinco primeiros meses do ano. No mesmo período de 2011, as contratações haviam superado as demissões em 12,8 mil.

Segundo Márcio Salvato, coordenador de Economia do Ibmec, o desempenho abaixo do esperado das reduções do IPI indica que há um esgotamento do modelo de incentivo ao consumo.

-- Estamos chegando a um limite da capacidade deste consumo responder aos incentivos. O crédito já se expandiu bastante e a inadimplência também está em alta, o que indica que a capacidade de consumo das famílias está se esgotando -- afirma.

Salvato diz que os incentivos concedidos a setores específicos têm o inconveniente de serem dados por um prazo determinado e adiantarem o consumo. Isso faz com que seus benefícios em termos de geração de empregos sejam limitados.

-- O empresário prefere produzir mais usando horas extras do que contratando novos funcionários. Ele sabe que essa demanda é momentânea. Seria mais interessante dar reduções fiscais que fossem amplas e permanentes -- diz.

O comércio teve queda de 88,97% no ritmo de contratações entre janeiro e maio deste ano. Já o de construção civil, intensivo em mão de obra, teve aumento de 31,06%.

Responder
André Luiz S. C. Ramos 02/07/2012 17:12:43

"Good economics is basic economics".\r
Bravo, Leandro "Schiff" Roque!

Responder
Fabio 03/07/2012 09:40:21

Eu acho que já fizeram besteira suficiente esse ano, vão se contentar com o "PIBinho". Eles tem a crise internacional pra culpar! Estou preocupado é com o ano que vem. Que aula de economia!

Responder
PESCADOR 03/07/2012 10:12:55

Também li o artigo do Ricardo Amorim, na Época e achei bizarro. Assim como o Henrique ai de cima, eu também ri muito. Todo mundo opina sobre isso, pois muitos investiram ou compraram (ou querem comprar) imóveis nos últimos 4 anos. Acho que o tema do setor imobiliário merecia um artigo completo, mas tem que ser um artigo "matador e cirúrgico", como os do Leandro Roque, pois os artigos cômicos e patéticos podemos ler na Época, na Veja ou na Folha.

Responder
Leandro 03/07/2012 10:55:05

Eu até gosto do Ricardo. Ele melhorou bastante ultimamente, e tem feito citações bastante favoráveis à Escola Austríaca. Em seu perfil no Facebook, vive postando frases bem liberais.

Ainda no início do ano, previu que o PIB brasileiro seria de 1%, algo bem em linha com os dados deste artigo.

Quanto à sua opinião sobre o setor imobiliário, confesso não entender. Da última vez que o vi falar, ele dizia que os preços estavam defasados e que a renda brasileira havia "aumentado muito". Eu realmente tenho de descobrir por que este mito do "aumento da renda" segue impávido e vigoroso. Como já alertei várias vezes neste site, sendo a última vez neste artigo, de acordo com os dados do próprio IBGE, o rendimento real dos trabalhadores no Brasil declinou continuamente de 2003 a 2010. Foi só em 2011 que o rendimento médio real dos trabalhadores do setor privado com carteira assinada se tornou apenas ligeiramente superior aos valores registrados em 2002! Em 2002, a média real mensal para o ano todo foi de R$ 1.471, ao passo que, para 2011, foi de R$ 1.509.

Logo, de onde vem este mito do "aumento da renda estimulando o setor imobiliário"? Só se políticos e funças -- pessoas cuja renda realmente aumentou -- saíram comprando imóveis por todo o Brasil...

Responder
Diego Kruger 03/07/2012 11:27:16

Não sei como andam as construções de novos imóveis, mas os investimentos em títulos explodiram nos últimos anos, passaram de 15 bilhões em 2008 para 133 bilhões em 2012:
www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/cresce-estoque-de-titulos-lastreados-em-imoveis-na-cetip_118559.html
brazilianbubble.com/chart-here-is-why-a-potential-real-estate-bust-in-brazil-may-hurt-many-fixed-income-investors/

Responder
Blu 03/07/2012 11:47:01

Meu Deus! Quase 10 vezes de crescimento! Isso é muito preocupante. Certamente não houve um crescimento de quase 10 vezes no mercado imobiliário. O pior é que está todo mundo achando que está tudo bem. Quando eu faço críticas, alguns dizem "ah, cara está tudo indo bem!".

E complementando a informação do Diego, a inflação no período 2002-2011 foi de uns 45%. Na prática, o rendimento do trabalhador caiu pela metade.

Responder
Blu 03/07/2012 12:07:01

Correção: informação do Leandro

Responder
Vinicius Aguilar 23/07/2012 20:48:39

Leandro,

Você falou que a renda dos brasileiros na verdade diminuiu(renda real), tudo bem, mas quanto a produtividade marginal? Diminuiu também?


Abraço

Responder
Leandro 23/07/2012 22:06:09

Vinicius, só uma correção em sua frase: diminuiu de 2003 a 2009. Em 2010, voltou a ficar igual a 2002. Em 2011, finalmente se tornou maior do que em 2002, e por meros R$40.

Se houve aumento da produtividade? Não tenho condições de dizer. Mas, se houve, duvido que tenha sido algo expressivo. Com importações restringidas -- o que impede um uso maciço de bens de capital importados -- e um povo de baixo nível cultural, não dá pra haver aumentos expressivos de produtividade. Talvez alguns churrasqueiros se tornaram melhores ou alguns peões passaram a amassar barro mais rapidamente. Mas isso dificilmente deixa um país majoritariamente mais produtivo.

Aliás, tomando-se por base o setor de serviços, não acho que seja exagero dizer que a coisa só desandou. Pode ser pura ilusão minha, mas sempre tenho a impressão de que antigamente havia mais profissionalismo neste setor. Hoje, parece que o pessoal trabalha no setor de serviços apenas como um intermédio para se chegar ao serviço público. As pessoas estão ali cumprindo tabela: ao mesmo tempo em que fingem trabalhar, ficam lendo apostila para concursos públicos. Já presenciei este fenômeno várias vezes.

Adicionalmente, vale citar a própria distorção causada pelo governo: com uma pesada carga tributária sobre as empresas e sobre a folha de pagamento -- o que impede aumentos salariais -- e com enormes e tentadores salários no serviço público, é natural que os melhores cérebros sejam atraídos para o setor parasitário da economia, o que ajuda a diminuir ainda mais a produtividade do setor privado.

Portanto, se houve algum aumento de produtividade no Brasil, foi realmente um milagre. E ainda há "especialistas" falando que o Brasil pode crescer sustentavelmente assim. O Brasil só "cresce" quando há expansão artificial do crédito. Sem isso, fica tudo parado. Não há poupança, não há produtividade, não há acumulação de capital, não há nível cultural. Há apenas gente de olho no serviço público.

Abraços!

Responder
Pedro Ivo 12/08/2012 11:50:19

Penso a resposta para esta ilusão esteja no autointeresse: as pessoas que fazem estas afirmações são economistas e consultores que vendem conselhos, estratégias financeiras e congêneres. Um consultor que venda más noticias pode no máximo ensinar a reduzir as perdas. Só um consultor com "boas" notícias pode prometer lucro. É o caso, por ex., do Ricardo Amorim, que é consultor. Ou do Larry Summers, ex-reitor de Havard, que como outros vários economistas que foram por anos ligados a grandes conglomerados financeiros, escreviam artigos acadêmicos e de vulgarização recomendando ações ou alardeando que as valorizações refletiam fundamentos econômicos sólidos. Quando em 2008 o castelo de cartas ruiu, houve ameaça de eles sofrerem processos cíveis e criminais pelos reguladores do sistema financeiro estadunidense. Eles se esquivaram desta responsabilização judiciária invocando a 1ª emenda da constituição, no concernente à liberdade de expressão: ninguém poderia processá-los pelas opiniões que emitiam nem pelas consequências das mesmas, pois estavam apenas 'escrivinhando' ideias. Culpado foi quem os levou a sério, pois não devia ter acreditado neles, mas sim visto seus escritos como uma opinião a +, à qual deviam ter ponderado com outras opiniões (simplifiquei a historia, claro, mas não fui infiel a ela).

PS! Um consultor que venda más noticias pode, para longo prazo, aconselhar que durante o próximo expurgo recessivo, quando as bolsas de valores e mercadorias sangrarem novamente - culpa da extinção dos investimentos insustentáveis -, um investidor que manteve seu patrimônio o + seguro e líquido poderá aproveitar este próximo momento de liquidações, obtendo bons ativos a preços apetecentes. Mas durante as euforias das bolhas, quem ouve este tipo de conselho?! Uma característica psicológica da bolha é que as taxas de preferências intertemporais dos agentes ficam distorcidas: as pessoas ficam por d+ focadas no presente, pois ele parece brilhante d+ para não ser aproveitado. Por ex., no ano de 2009 o índice da Bovespa se valorizou 80%, e houve uma corretora que obteve valorização de 145% investindo na Bovespa. As pessoas veem isto e se sentem estúpidas por não estarem aproveitando a onda. Mergulham com tudo sem verificar nada, e batem com a cabeça numa pedra.

Responder
anonimo 03/07/2012 17:29:55

A respeito do inadimplemento: vi alguns economistas do mainstream falando que com a redução da taxa de juros a base da canetada, a indaimplência tende a cair. Pois, os endiviados terao a oportunidade de fazer refinanciamentos com juros mais baixos. Gostaria, se você mestre Leandro, poderia resenahr um pouco a respeito desse assunto.

Responder
Leandro 03/07/2012 18:46:12

Prezado anônimo, a teoria em si está correta, mas seu efeito prático não apenas tende a ser nulo, como pode até ser o oposto.

A redução nos juros das prestações foi ínfima. Um parente meu, que pegou um empréstimo de R$ 50 mil em 2009, a ser quitado em 8 anos, e que estava pagando mais de 950 por mês, conseguiu uma redução de R$50 em suas parcelas. Esse seria um exemplo positivo.

Já o exemplo negativo é o de várias pessoas que podem ter aproveitado esta redução dos juros para se endividar ainda mais. E os dados divulgados pelo BACEN para abril, mês em que houve esta redução, mostram que o endividamento subiu de 42,96% em março para 43,27% em abril.

Vamos esperar os números de maio.

Abraços!

Responder
Blu 04/07/2012 03:42:16

Leandro, outro problema não seria também o aumento da oferta de crédito imobiliário causar um aumento ainda mairo nos preços dos imóveis? Se a coisa já está feia para que não é rico, pode ficar pior ainda...

Responder
Joao 04/07/2012 10:29:26

Caro Leandro, mais um ótimo texto, como de costume. Gostaria de sugerir como proxima "pauta", a bolha imobiliária brasileira (se voce acha que existe ou não e porque). Creio que muitas pessoas que visitam aqui gostariam de ler o que voce tem a dizer sobre esse assunto. Abraço

Responder
Leandro 04/07/2012 10:45:05

Prezado João, tenho já três textos sobre este assunto -- sendo o primeiro de fevereiro de 2010 -- e confesso não saber o que mais de novo eu poderia acrescentar. Tenha a bondade de lê-los, nesta ordem:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=611
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1047
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Lucas Amaro 05/07/2012 10:45:31

Leandro, está existindo uma semelhança entre o período em que ocorre a expansão monetária e o período em que ocorrem eleições federais, não?

Tanto no final de 2005/começo de 2006 quanto em 2009/meados de 2010 houve aumento no M1, e em 2009/2010 isso ficou extremamente explícito, a expansão foi grande o suficiente para gerar um aumento na atividade econômica que durou até a época da eleição, garantindo um bom marketing para ganhar votos. Nesse sentido, as motivações eleitoreiras estão tendo uma influência significativa na política monetária? Existe a mesma semelhança em outros países ou essas expansões em épocas favoráveis para se ganhar votos ocorrem apenas aqui?

Especulando, se esse raciocínio estiver correto, então é possível imaginar uma nova tentativa de expansão por volta de 2013 que resultará em um crescimento artificial por volta de 2014, seguido de problemas por volta de 2015?

Responder
Leandro 05/07/2012 13:21:49

Prezado Lucas, eu concordo com você e particularmente acredito que sim, mas como não evidências concretas para se afirmar isso (um membro do BACEN teria de vir a público confessar esta trama), só nos resta a especulação.

Quanto aos outros países, não sei, mas nos EUA a coisa costuma ser cíclica. Em 1979, Paul Volcker interrompeu abruptamente a expansão monetária, o que gerou uma forte recessão que acabou com a reeleição de Jimmy Carter em 1980. Já em 1984, o país está sob forte expansão monetária, o que garantiu uma tranquila reeleição para Reagan. Tal expansão continuou e garantiu a eleição do sucessor, Bush, em 1988. Aí, em 1989, o Fed, já sob Greenspan, reverteu sua postura expansionista, o que gerou três anos de estagnação (1990, 1991 e 1992) e garantiu a eleição de Clinton. Em 1996, reeleição tranquila em ambiente expansionista. Em 2000, nova postura contracionista, fazendo com que a economia se desacelerasse fortemente no segundo semestre. Clinton, embora muito popular, não conseguiu fazer seu sucessor. Em 2004, reeleição de Bush em ambiente de acentuada expansão e bolha imobiliária a todo vapor. Em 2008, por motivos óbvios, não havia nenhuma chance de Bush fazer seu sucessor.

Atualmente, Bernanke, que foi reeleito para o cargo por Obama, está fazendo o que pode. Mas agora, depois de tanto estrago na economia, as políticas expansionistas lá já se exauriram.

Quanto à sua especulação, ainda é cedo. Como venho insistindo, se a questão do endividamento e da inadimplência não for resolvida, será inócuo fazer expansões monetárias. Endividados tendem a não se endividar ainda mais.

Abraços!

Responder
amauri 06/07/2012 03:56:27

Bom dia Leandro!
Martin Wolf, disse ao El Pais:
* Economistas antenados: Nouriel Roubini (bolhas financeiras), Robert Schiller (bolha imobiliária) e Raghuram Rajam (fragilidade do setor financeiro)

* Desempenho de líderes políticos na crise econômica: Bush reprovado; Obama e Wen Jiabao (primeiro-ministro chinês), aprovados; e Angela Merkel, aprovada como líder alemã e reprovada como líder europeia.

* Ben Bernanke (presidente do Banco Central dos EUA): desempenho excepcional na crise de 2008/2009. Salvou o mundo.

* O mundo dentro de 10 anos: Espanha vai crescer mais do que Itália, Índia mais do que a China e EUA mais do que a Alemanha.

*Provável cenário europeu: nem Europa federal, nem ruptura, mas status quo plus, ou seja, reformas bancárias e ajuste econômico.
abs

Responder
Luiz Otávio Fontana Baldin 06/07/2012 16:10:53

Ontem no jornal da globo, passou uma resportagem referente as greves dos sindicatos das metalurgicas indignados com a GM, pois estão propondo a demissão voluntária de seus empregados. E o presidente do sindicato na entrevista, fala: eles tiverem ipi reduzido e agora querem demitir...

Responder
Luciano A. 06/07/2012 19:50:11

estava lendo este artigo na folha, onde o economista Delfim Netto diz que a situação de endividamento no Brasil não seria tão grave, ele tem alguma razão?

www1.folha.uol.com.br/colunas/antoniodelfim/1114685-o-ze-e-o-bis.shtml

Outra dúvida, o IPCA baixou segundo os últimos dados divulgados, mas a inflação não deveria ter aumentado por causa da queda da Selic?

Responder
Leandro 06/07/2012 20:29:44

Razão nenhuma. O endividamento é grave, assim como a fatia de sua renda que as famílias estão comprometendo com o serviço de sua dívida. Veja mais detalhes neste artigo.

Quanto à contida inflação de preços (exatamente como previsto neste site ainda em julho do ano passado), assim como a explicação para o comportamento da SELIC, tenha a bondade de ver minha resposta ao leitor Lúcio, mais ali em cima.

Abraços!

Responder
Julio 06/07/2012 20:36:40

Caro Leandro,o que tem para me falar sobre o conceito de geração de riqueza atravez de programas assistencialistas,transferencia de renda.Tirar de um rico que não usaria sua renda em consumo mas sim em poupança,ja um pobre usara esse dinhero em consumo fara a roda da economia girar,este e um metodo bom de acumulação de riquezas pra você não sobre o ponto de vista ideologico claro,do ponto de vista de obter a maior acumulação de riquezas.

Responder
Leandro 06/07/2012 20:50:53

Tirar dinheiro de um para dar para outro "faz a roda da economia girar"? Como? Que mágica é essa? Como isso é possível? Como é que isso faz aumentar o número de bens em uma economia?

O que você na verdade está dizendo é que o governo é uma entidade que consegue o milagre de tomar dinheiro de uns, dar para outros e, com isso, fazer com que haja mais bens disponíveis na economia. É como se você retirasse, com um balde, água do lado fundo da piscina, jogasse no lado raso e, com isso, fizesse com que o nível total da água da piscina subisse. Ou seja, por essa lógica, o governo faz mais milagres que Jesus.

Entenda que dinheiro poupado por ricos não é dinheiro dentro da gaveta ou embaixo do colchão. No sistema atual, dinheiro poupado é dinheiro investido. Quanto maior o volume poupado, maior o investimento. Os ricos têm de ser deixados em paz. Quanto mais eles pouparem, maior será o crescimento e a geração de empregos.

Agora, se você realmente acredita neste conto de que é possível "fazer a economia crescer" ao tomar dinheiro de um e dar para outro, então seja coerente: transfira para mim 90% da sua renda (acho que basta) e eu prometo gastar tudo imediatamente em restaurantes e viagens. Não pouparei nem mesmo um centavo. Com meus gastos, a economia vai crescer, a roda vai girar e, no final, você ainda estará mais rico do que antes -- segundo você próprio.

Fechou? Mande-me seu email para eu lhe dar o número da minha conta bancária.

Abraço!


P.S.: se quiser dois artigos extremamente completos sobre este assunto, recomendo [link=www.mises.org.br/Article.aspx?id=208]este[/kink] e este.

Responder
Gustavo 06/07/2012 21:32:37

O Leandro quis dizer mises.org.br/Article.aspx?id=208 e mises.org.br/Article.aspx?id=1139

Responder
Marconi 18/07/2012 19:23:23

Não é mágica, os ricos tem uma menor propensão a consumir. Então, essa grana retirada dos ricos permite que o pobre gaste nos bens básicos e a economia continue produzindo, empregos mantidos, etc. Do contrário, essa grana ficaria sim meio que parada, ainda que não seja "embaixo do colchão". Do jeito que o Leandro explicou, parece que automaticamente esse dinheiro vai para poupança, que é investimento, aumentando a produtividade. Pode acontecer, mas pode não acontecer tb. Pode virar um mal investimento, dinheiro jogado fora.

O pessoal tem que tomar cuidado com os keynesianos, pois muitos são apenas políticos, banqueiros e outros safados que querem viver roubando os outros. Isso todo mundo aqui sabe. Mas tb tem que tomar cuidados com os austríacos. Muitos são só ricaços, donos dos meios de produção e/ou de um monte de terras, que querem só viver de renda, sem fazer meleca nenhuma. O negócio é ser monetarista! Sim ao estado mínimo! Nada de estado grande, como querem os keynesianos, nem de estado nenhum, como querem os austríacos.

Abs!

Responder
Leandro 18/07/2012 19:48:17

"Não é mágica […] essa grana retirada dos ricos permite que o pobre gaste nos bens básicos e a economia continue produzindo, empregos mantidos, etc."

E ainda diz que não é mágica?! Você está dizendo claramente que basta "direcionar dinheiro" para um setor e ele magicamente vai produzir. Mas como? De onde virão os bens de capital para a produção? Quem terá poupado e investido para gerar estes bens de capital? O dinheiro faz com que eles surjam miraculosamente? E baseado em que você definiu que dinheiro na mão de pobre gera "mais a produção" e "mais empregos" do que na mão de rico?

Se você realmente acredita neste conto de fadas, direcione dinheiro para mim, e várias coisas boas surgirão.

"do contrário, essa grana ficaria sim meio que parada, ainda que não seja "embaixo do colchão". Do jeito que o Leandro explicou, parece que automaticamente esse dinheiro vai para poupança, que é investimento, aumentando a produtividade."

Não, no sistema monetário de hoje não existe dinheiro parado. O dinheiro está sempre nas mãos de alguém. Mesmo que o rico deixe o dinheiro em sua conta-corrente, o banco irá emprestá-lo (porque opera com reservas fracionárias). Logo, este seu pavor de "dinheiro meio parado" simplesmente não existe. Se o rico pôs o dinheiro no banco, pode ficar tranquilo que este dinheiro está circulando. Ou foi emprestado para consumo (do jeito que você gosta) ou virou investimento em algum setor.

"Mas tb tem que tomar cuidados com os austríacos. Muitos são só ricaços, donos dos meios de produção e/ou de um monte de terras, que querem só viver de renda, sem fazer meleca nenhuma."

Dado que você afirma conhecer "muitos" austríacos com essas malvadas características, cite três. Ou desmoralize-se por completo como um mentiroso contumaz.

Abraços!

Responder
Samuel 08/07/2012 18:19:42

O último parágrafo foi matador!!!

Responder
Rodrigo 09/07/2012 15:01:00

Leandro,

Parabéns pelo artigo e pela atenção aos comentários. Diante de tudo o que foi apresentado, qual deve ser a postura do pequeno empresário brasileiro? Ser o mais conservador possível? Também recorrer ao crédito subsidiado, usando instrumentos como o cartão BNDES?

Abraço!

Responder
Leandro 09/07/2012 15:18:53

Prezado Rodrigo, o mais recomendado seria seguir a regra básica: não se endivide para investir em algo para o qual não há expectativa de retorno. Não sei a sua área, mas se você estiver sentindo que, no curto prazo, não há grandes perspectivas de melhora, o ideal é começar a cortar custos -- dado que você não pode controlar as receitas -- o quanto antes.

Empréstimos subsidiados, embora tentadores, podem ser fatais: se suas expectativas de receitas não se concretizarem, você estará apenas com mais dívidas. Por outro lado, se você estiver seguro de que haverá uma melhora do cenário futuro para o seu setor, vá em frente e utilize o cartão do BNDES. Mas só se estiver seguro (é aí que entra seu faro empreendedorial, que é o que distingue a sua classe da dos meros mortais).

Grande abraço!

Responder
Virgílio 09/07/2012 17:51:50

Pessoal, não sei se vocês conhecem o artigo do Guido Mantega publicado na Folha de S. Paulo em 12 de julho de 1994, criticando o Plano Real, vejam neste link:\r
veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-pais-quer-saber/as-fantasias-do-real-por-guido-mantega/

Responder
Rodrigo 10/07/2012 05:11:41

Leandro,

Eu estou fazendo uma pesquisa na área de administração de empresas. A escola austríaca tem algum método que pode ser útil na estruturação de uma pesquisa como esta? Em caso positivo, há algum artigo ou post introdutório que seria recomendado?

Abraço!

Responder
Leandro 10/07/2012 07:09:14

Prezado Rodrigo, estruturação de pesquisa na área de administração de empresas? Isso é um tanto vago. Confesso não saber de nada especificamente voltado para esta questão. Talvez outros leitores aqui possam lhe ajudar. Aguardemos.

Abraços e boa sorte!

Responder
Diego Kruger 10/07/2012 07:57:24

Rodrigo,
Pesquise sobre Market Based Management (só existe material em inglês) e veja se é isso que você procura.

Responder
Rodrigo 17/07/2012 06:31:34

Obrigado! Eu já tinha ouvido falar de MBM, de vez em quando até dou uma olhada no blog deles. Mas agora acabei comprando e lendo o livro. Muito interessante, pena que ele não aprofunda um pouco mais em alguns tópicos.

Responder
Catarinense 16/07/2012 11:54:26

Rodrigo, saiu hoje, no "The Circle Bastiat":\r
\r
bastiat.mises.org/2012/07/austrian-economics-and-management-studies/

Responder
Rodrigo 17/07/2012 06:45:22

Bacana, obrigado!

Responder
Diego Kruger 10/07/2012 09:06:16

Hahahahahaha! Genial, conseguiram achar a análise do animador de circo sobre o Plano Real:
veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-pais-quer-saber/as-fantasias-do-real-por-guido-mantega/

Responder
anônimo 11/07/2012 09:25:39

Prezado Leandro

Tem como você me explicar como você fez os calculos da variação anual do M1 passo a passo? Os meus resultados estão estranhos.

Grato

Responder
Leandro 11/07/2012 10:11:06

Anônimo, pegue o valor de um mês e divida pelo valor do mesmo mês do ano passado. Pegue o resultado, subtraia 1 e multiplique por 100. Pronto, você encontrou a variação percentual de um mês em relação ao mesmo mês do ano passado.

Repita o mesmo procedimento para todos os meses. Você terá a sua curva de crescimento.

Abraços!

Responder
Deilton 12/07/2012 12:55:20

Para Dilma, país deve ser medido pelo que faz por crianças e não por PIB.

g1.globo.com/politica/noticia/2012/07/para-dilma-pais-deve-ser-medido-pelo-que-faz-por-criancas-e-nao-por-pib.html

"Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz pelas suas crianças e seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto, é a capacidade de o país, do governo e da sociedade, de proteger o que é o seu presente e o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes"

Ainda há alguma dúvida de que estamos caminhando para o socialismo?

Responder
Marcos 12/07/2012 18:51:08

Ao menos ela admite que PIB é um indicador idiota.
Não consigo entender essa obsessão pelo PIB. Esse indicador não faz nenhum sentido.

Responder
Hay 24/07/2012 04:41:04

Ela não admitiu que o PIB é um indicador idiota, não. Quando o número estava a favor dela, ela estava exaltando as maravilhas do novo Brasil. Assim como o petróleo era coisa do capeta e o Brasil seria o paraíso da energia verde, até que veio o tal do pré-sal e o petróleo passou a ser a solução para tudo.

Responder
Marcos 24/07/2012 14:06:36

Exatamente. Quando o PIB está a favor dos governantes ele é a medida máxima do sucesso de um povo. Quando está mal não significa nada.\r
\r
Não esperem coerência de um político.

Responder
André 13/07/2012 17:41:32

Leandro,\r
\r
qual sería o motivo da diminuição da base monetária e da desaceleração da oferta do crédito?\r

Responder
Leandro 13/07/2012 18:41:20

André, a base monetária -- que está sob total controle do Banco Central -- não diminuiu. Ela simplesmente passou a crescer a uma taxa menor. O BACEN fez isso para reduzir a inflação de preços, cujo acumulado em 12 meses ficou acima de 7% em setembro do ano passado.

Já a expansão do crédito desacelerou justamente porque as reservas bancárias -- que fazem parte da base monetária -- pararam de crescer. Com reservas estagnadas, a capacidade de criação de crédito dos bancos -- que criam crédito a um múltiplo destas reservas -- se torna sensivelmente reduzida.

Abraços!

Responder
Andre 16/07/2012 17:09:50

Obrigado Leandro. Onde encontro no site do BACEN os dados da base monetária?\r
Grato.

Responder
Rhyan 16/07/2012 12:20:16

Leandro, você acha que a China pode quebrar? Como isso afetaria o Brasil?

Obrigado, abraço!

Responder
Leandro 17/07/2012 07:13:24

Rhyan, como assim "quebrar"? Este é um conceito pra lá de vago.

Que a China manipula suas estatísticas econômicas, isso é algo já bem divulgado (houve até uma matéria recente na grande mídia falando sobre isso). Mas daí a dizer que o país vai "quebrar" é um grande salto. O que pode ocorrer é uma redução do consumo e da importação, o que irá sem dúvida afetar todo o resto do mundo. Mas "quebrar" é algo que não vejo acontecendo. Europa e EUA fazem isso antes.

Responder
Diego Kruger 17/07/2012 06:34:05

Leandro,
Quais são os principais motivos que fazem o BACEN alterar a base monetária?

Responder
Leandro 17/07/2012 07:09:52

Diego, o Banco Central mexe na base monetária para (tentar) controlar a inflação de preços. Esta é a justificativa oficial.

Mas o objetivo real de sua manipulações monetárias -- embora nunca dito oficialmente -- é promover um crescimento econômico artificial e curto prazo, o qual sempre resulta em recessão. Daí nossos vôos de galinha.

Para uma descrição completa deste mecanismo, sugiro este artigo, bem como a parte inicial deste.

Abraços!

Responder
Andre 21/07/2012 13:55:01

Leandro,\r
\r
Segue um texto de 20.07.2012. O cidadão menciona a economia austríaca, de forma questionável. Parece um bom debate.\r
\r
www.ordemlivre.org/2012/07/a-bolha-e-os-bancos-dados-e-fatos\r
\r
\r
abraço.

Responder
mcmoraes 22/07/2012 17:02:56

@Carlos Goes: "...A usual análise dos austríacos, apesar de teoricamente coerente, é desmentida pelos dados..."

Essa me fez lembrar de Mises:

"... The most important qualification of a researcher into "facts" is complete mastery of economic theory. He must interpret the available material in the light of theory. If he does not succeed in this, or it leaves him unsatisfied, he must precisely elaborate the critical point, and formulate the problem that needs to be solved theoretically. Others
then may try to solve the task. The failure is his, not that of theory. A theory explains everything. Theories do not fail in individual problems; they fail because of their own shortcomings. He who seeks to replace one theory with another must either fit it into the given system, or create a new system into which it fits. It is wholly unscientific to start
with observed "facts" and then announce the failure of "theory" and system. The genius who advances science with new knowledge can gain valuable information from the observation of a minute process, either overlooked or deemed insignificant by those before him. His mind is excited over every object. But the inventor replaces the old with the new, not through negation, but with a view toward the whole and the system..." (LvM, in A Critique of Interventionism, p. 23)

Responder
Leandro 23/07/2012 07:24:47

Obrigado pela dica, Andre. Entrei em contato com o autor do artigo pelas redes sociais e disse a ele que o texto estava correto no sentido de que realmente é a aceleração do crédito o que determina bolhas, exatamente como escrevi neste artigo.

No entanto, questionei a visão do autor em relação à falta de importância das expansões monetárias, as quais ele disse não serem indicadoras de nada. Em resposta, ele me mandou esta estatística econométrica, a qual, segundo ele, comprova que "a correlação entre as variações no preço dos imóveis e a oferta monetária ajustada pelo PIB movem-se em sentidos contrário".

Como essa frase não fazia sentido, pus-me a analisar seu raciocínio. E foi aí que me espantei ao vê-lo utilizando o M4 como sendo o melhor agregado monetário para a definição de dinheiro. Disse a ele que, dentre todos os agregados, o M4 era disparado o pior, pois incluía variáveis que nem de longe podem ser consideradas dinheiro. E falei que era exatamente por isso que a correlação dele não tinha nenhum sentido lógico. O M4 inclui quotas em fundos de investimento, títulos federais, estaduais e municipais, coisas que de modo algum são dinheiro.

(Dinheiro é tudo aquilo que pode ser obtido imediatamente quando demandado, sem custos e sempre ao valor de face. Por exemplo, além das cédulas e dos depósitos em conta-corrente, poupança e depósitos a prazo também podem ser considerados dinheiro, pois, embora você não possa emitir cheques contra eles, você pode sacá-los em uma caixa eletrônico sem multas e sem demora.)

Ele respondeu dizendo que, para o pessoal de Chicago, quanto maior o agregado monetário, melhor -- mas não deu explicações teórica para o porquê de ser assim. Ato contínuo, fiz a ele um desafio: dado que para o pessoal de Chicago a empiria é tudo, pedi a ele que fizesse um gráfico com a variação (ou evolução) do M4 brasileiro e, analisando exclusivamente o gráfico, identificasse os períodos de expansão e recessão da economia brasileira. Só pelo gráfico do M4.

Ele gentilmente declinou do desafio e não mais prosseguiu com a conversa.

Aí eu dei o assunto por encerrado.

Em suma, ele acertou ao dizer que é a expansão do crédito o que importa. Mas errou ao dizer que a evolução dos agregados monetários é de pouca importância. Pudera. Ele quis fazer econometria, mas utilizou o agregado errado.

Grande abraço!


P.S.: sair falando de bolha imobiliária a esta altura do campeonato, quando a coisaestourou, é fácil. Difícil mesmo era falar quando pouquíssimos ainda se aventuravam na área.

Responder
Pedro Ivo 24/07/2012 04:19:13

noticia do Correio Brasiliense (versão impressa) de domingo 22-07-2012 mostra [1]construtoras com apartamentos encalhados no DF e [2] dando até 20% de desconto em imóveis novos; [3] reduções entre 50% e 75% dos lançamentos previstos p/ 2012 e [4] desejo de desencalhar os estoques de 2012 para só voltar aos lançamentos em 2013; [5] Agência Fitch baixando a classificação de risco das construtoras brasileiras com ações em bolsa, devido aos estoques não desovados, endividamento e exposiçãoo ; [6]lançamentos de imóveis no DF que até 2011 eram negociados em até 90 dias agora levam 180; [7] preços de imóveis no DF ainda apresentam, na média, em 2012, avanço no preço nominal de 4% à 4,5%; [8] quem comprou para investir, contando com valorização, no máximo vai conseguir o investimento de volta (logo, risco de muita gente pondo a venda o imóvel que foi comprado para investir: o que somado a imóveis em estoque das construtoras será o início do estouro da bolha imobiliária no DF); [9] especialistas do IPEA dizendo que o momento é de quem deseja comprar para habitar, não para investir (conclusão: preços não tem + espaço para avançar).

Detalhe: e tudo isto apesar das tentativas do governo para reflacionar a economia, via juros baixos e + crédito.

Admirável mundo (ou será gado) novo!

Responder
Pipe 24/07/2012 08:10:19

Mais uma notícia: Lucro do Itaú Unibanco cai mais de 8% no 2º trimestre, com alta de calotes.
O incrível é que muitas pessoas, inclusive uns especialistas, dizem que não há problema, que o nível de endividamento do brasileiro é menor que o que se vê nos EUA ou na Europa, que a culpa é do lucro dos bancos, etc, etc.

Responder
Deilton 06/08/2012 09:40:06

"A expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,9% para 1,85%. Para 2013, a projeção também caiu de 4,05% para 4%"

"Além de esperar uma atividade econômica em ritmo menor este ano, o mercado financeiro projeta mais inflação. A estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 2012, subiu pela quarta semana seguida, ao passar de 4,98% para 5%. Para o próximo ano, a projeção para o IPCA permanece em 5,5%, há seis semanas consecutivas."

Mesmo sabendo que um PIB não é um bom indicador para se medir a saúde da economia, quando ele começa a cair, mesmo com o governo "estimulando" a economia, significa que as coisas não estão bem. Quero a ver a cara do nosso ilustre ministro se houver recessão. Já sei, a culpa é do BCE que não está imprimindo euros.

Responder
Caio 06/08/2012 10:34:12

Leandro,

E o que você opina da captação de poupança ter crescido nos últimos meses, ainda que o governo tenta manipular os juros para que haja maior consumo? Seria isso porque o CDB está deixando de ser lucrativo (já que há cobrança de IR)? Na mesma tendência, o endividamento subiu.

Responder
Leandro 06/08/2012 11:10:46

Não há absolutamente nada de atípico ou de especial nas últimas movimentações da poupança. A imprensa gosta de fazer algum barulho porque ela olha apenas para os valores nominais. É claro que o valor total dos depósitos em poupança hoje são maiores que os do ano passado, pois a quantidade de dinheiro na economia cresceu. É inevitável, portanto, que tanto a captação quanto os depósitos em poupança sejam maiores a cada ano

Ademais, os gráficos do Banco Central mostram que não houve nenhuma alteração significativa de padrões: quando a SELIC cai, os depósitos em poupança aumentam mais rapidamente. Quando a SELIC sobe, eles aumentam mais vagarosamente. E o inverso ocorre, obviamente, com os depósitos a prazo.

Nada de especial aí.

Abraços!

Responder
Patrick de Lima Lopes 06/08/2012 19:03:45

Leandro, precisamos de sua eterna sabedoria em economia brasileira para iluminar-nos nestes tempos de keynesianismo improvisado.
noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6054895-EI306,00-Pedidos+de+falencia+aumentaram+em+julho.html
Segundo a Terra Brasil, o índice de pedidos de falência cresceu um pouco mais de 26 por cento em julho em relação a junho.

O que podemos esperar para o último trimestre do ano e seria este aumento nas falências(provavelmente decorrentes da queda no consumo devido ao crescimento da inadimplência e da baixa oferta de crédito) um sinal de um futuro ainda mais sombrio?

Uma recomendação minha seria já ir preparando um novo artigo como este para ser lançado no fim deste mês. Admito que estou ansioso.
Abraço.

Responder
Leandro 06/08/2012 21:52:45

Caro Patrick, obrigado pela consideração. Mas acho que você mesmo já explicitou a questão. O aumento do endividamento vem reduzindo a capacidade de consumo, o que por sua vez vem gerando uma redução do volume de receitas das empresas. Esta redução do volume de receitas vem criando grandes dificuldades para as empresas. Falências são só uma das consequências.

Para piorar tudo, o M1 já voltou a crescer, e o IGP-M vem crescendo ainda mais rapidamente do que o M1, o que tende a intensificar aquele cenário descrito no primeiro gráfico. Eu, no momento, não estou muito otimista quanto ao futuro.

Grande abraço!

Responder
nicola filardo 06/08/2012 20:37:49

Prezado Leandro.

Seu artigo despertou em mim velhas lembranças de banco de escola de economia na USP, período 1968 a 1972.
Minha experiência me informa que a análise isolada de uma economia periférica não nos permite conclusões ancoradas em relações de causalidade, restringindo-nos a meras constatações conjunturais, e, portanto, passageiras.
Nem por isso, deixam de ser úteis. Corolariamente, há uma constatação de traço estrutural que assim poderia descrever: o governo pós-fhc logrou instituir uma regra de reajuste do salário mínimo que visa garantir a manutenção do tamanho do mercado, acrescentando aumento real conforme o crescimento pregresso da economia. Ano passado esta regra aritmética foi julgada muito severa em termos de aumento de custo. Respeito esta constatação. Mas NÃO a reação dos empresários que desde meados do ano passado empreenderam verdadeira cruzada remarcatória de preços reduzindo drásticamente o tamanho do mercado, constituindo-se em verdadeiro tiro no pé; com agravante: anunciado em meados de 2011 para vigir no início de 2012, a retração no tamanho do mercado interno inicia-se seis meses antes de entrar em vigência o aumento de R$ 40,00 mais ou menos. O resultado ? Mercado encolhido.
Quais as consequencias deste fato ?
A consequência imediata é uma queda nas vendas. No segundo semestre de 2011, o salário antigo enfrenta novos preços, mais altos. As remarcações continuam de sorte que ao entrar em vigor o novo salário, ele estará valendo menos que o antigo valia no 1º semestre de 2011, antes do anúncio do novo salário.
Mais grave: caem as vendas e os custos fixos unitários sobem vertiginosamente pela contração do denominador. Agora chega o momento de se lamentar pela concorrência chinesa - lá não entra em cena a máquina remarcadora de preços. Pode ?
Digo que o fenômeno infelizmente é estrutural pois remonta ao tempo de instituição do salário mínimo no Brasil. Desde então este ritual anti-econômico cadê o papel?

Responder
Leandro 06/08/2012 21:51:48

Prezado Nicola, pelo que entendi, você está dizendo que a economia está parada porque os malvados empresários elevaram, do nada, os preços de seus produtos a um nível maior que o dos salários. Ato contínuo, esse encarecimento real gerou uma queda nas vendas e consequentemente uma recessão.

Ok, falta apenas explicar o que motivou este aumento de preços. Será que empresários podem sair aumentando preços sempre que querem? Se sim, por que então não fizeram isso em 2010, quando a economia estava bem mais bombante? Por que deixaram para fazer isso só em "meados do ano passado", quando a economia já estava bem mais arrefecida?

Não. Em primeiro lugar, o que gera aumento generalizado de preços é a expansão monetária e creditícia comandada pelo Banco Central. Sem ela, é impossível haver aumento generalizado de preços. Sem ela, qualquer um que tentasse elevar preços ou até mesmo salários, simplesmente teria menos receitas e maiores custos, respectivamente.

E o que causou a recessão atual foram exatamente os eventos narrados neste presente artigo -- eventos estes os quais, modéstia a parte, consegui narrar de maneira cronológica começando ainda em outubro de 2010, auge da bonança. Já ali eu alertava que a coisa inevitavelmente iria degringolar, pois não havia fundamentos para tudo aquilo que a economia vinha apresentando. Caso se interesse, pode conferir a cronologia nesta série de artigos:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=837
www.mises.org.br/Article.aspx?id=913
www.mises.org.br/Article.aspx?id=937
www.mises.org.br/Article.aspx?id=961
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1047
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1051
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1108
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1238
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1347

Abraços!

Responder
Alvaro 08/08/2012 11:56:13

Pessoal do Mises, podem comentar/dar uma ajuda aqui?

Eu tava olhando uns dados aqui e me deparei com uma fato/dado muito estranho sobre a poupança.

Buscando a série Poupança bruto no Ipea Data tem-se os seguintes valores:

PIB pm Poupança bruta
2010 T1 855.568,6850 140.690,1734
2010 T2 927.096,9990 171.764,8385
2010 T3 963.438,4070 188.908,7052
2010 T4 1.023.980,7810 159.849,1358
2011 T1 962.072,6110 163.902,7889
2011 T2 1.043.526,6780 198.473,4902
2011 T3 1.046.706,5010 196.831,7051
2011 T4 1.090.707,5480 154.538,1069
2012 T1 1.033.348,9502 713.746,0911

Até 2011 a poupança era de cerca de 13% - 20% e de repente vai para 70% do PIB.
Não está muito estranho isso?
Isso tudo seria por conta do lance com a remuneração da caderneta e da selic?

Desde já obrigado pela atenção.

Alvaro

Responder
Leandro 08/08/2012 12:48:22

Prezado Álvaro, esta "poupança bruta" nada tem a ver com "depósitos em caderneta de poupança", os quais se comportam exatamente como expliquei ao Caio, mais acima.

A definição de poupança bruta, em termos macroeconômicos, é a parcela da renda bruta disponível que não é gasta em consumo.

Agora, o critério do IPEA para mensurar isso é algo que já está fora da minha alçada. Aliás, desde que o IPEA foi tomado de assalto pelos campinenses, qualquer coisa que o IPEA faça é algo que não me desperta o mínimo interesse. E este último valor para o primeiro trimestre de 2012 de fato é pra lá de discrepante.

Abraços!

Responder
amauri 09/08/2012 06:40:26

Bom dia Leandro!
Li que pessoas adeptas do Objetivismo de Ayn Rand nao podem ser consideradas conservadoras. O que vem a ser este Objetivismo? abs

Responder
Alvaro 10/08/2012 12:36:33

Achei o dado correto no site do IBGE.
Algum estagiário (ou, talvez, um "técnico de planejamento" que ganha 15mil) computou o dado de forma errada.

O Pochmann saiu do IPEA para concorrer à prefeitura de campinas.
Mas ainda deve ter um monte de petista por lá.

Valeu, abs.

Responder
Vinicius Aguilar 17/08/2012 09:48:46

Pronto, agora estamos salvos..

www.valor.com.br/financas/2793658/bancos-privados-precisam-ousar-mais-e-ampliar-credito-diz-mantega

Responder
Pedro Ivo 18/08/2012 17:26:02

Preços de Belo Horizonte habitação caem pelo segundo mês consecutivo

POSTADO EM 13 DE AGOSTO DE 2012 · 21 COMENTÁRIOS

A bolha imobiliária de Belo Horizonte (quinta maior cidade do Brasil) foi oficialmente estourou. Após o boom observado nos últimos anos, o preço médio dos imóveis na cidade caiu pelo segundo mês consecutivo, segundo o índice de FIPE. A queda de preço para o mês de julho foi de 1,2%. Em junho, ele já havia caído 0,4%.

veja aqui

Responder
Deilton 22/08/2012 09:57:20

"não há administração estatal eficiente sem utilizar os mecanismos de mercado, e não há mecanismo de mercado que possa funcionar sem as garantias de um Estado suficientemente forte para controlá-lo."
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.

Quem gostaria de comentar?

Responder
Ricardo Chaves 22/08/2012 10:13:45

Palavras de um faraó que nunca viveu fora do estado. Seria um milagre esse nosso Ramsés II dizer algo favorável ao mercado, uma instituição que ele não tem a menor idéia de como funciona.

Responder
Luciano A. 20/09/2012 11:55:02

Não sei se este texto do IPEA já foi citado aqui no site, ele fala da bolha e menciona a Escola Austríaca.

www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1762.pdf

Responder
Marc... 20/09/2012 15:44:23

O governo baixou oficialmente sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano de 3% para 2%. A informação consta no relatório de avaliação do orçamento do quarto bimestre deste ano, divulgado nesta quinta-feira (20) pelo Ministério do Planejamento.

g1.globo.com/economia/noticia/2012/09/governo-baixa-oficialmente-para-2-da-estimativa-alta-do-pib-neste-ano.html

Com isso, o governo admite que a economia brasileira terá desaceleração neste ano, algo que vinha negando desde o começo de 2012.

Responder
thalita 25/09/2012 16:43:10

Leandro,

Na sua opinião, com as atuais atitudes tomados do nosso BC para ''estimular'' a economia com o consumismo desenfreado, e do FED com estimulo ainda mais inrracional que o nosso injetando mais dolares na economia com o QE3 com essas medidas tomadas de ambos os lados você acha provável que nossa inflcação (não oficial )ultrapasse a casa dos 1X% ao ano até 2014/2015 ?

Responder
Leandro 26/09/2012 04:08:26

A inflação medida pelos IGPs -- aquela que reajusta os preços dos aluguéis -- chega recorrentemente aos dois dígitos. Isso ocorreu, por exemplo, no primeiro semestre de 2011. Portanto, essa aí não assusta mais ninguém. Já nos acostumamos.

Por outro lado, os preços dos alimentos aumentaram, nos últimos 12 meses terminados agora em agosto, nada menos que 17,92%. O governo não está nem aí.

Já o governista IBGE, com sua metodologia suave, aponta que a inflação de preços do setor de serviços fechou o mês de agosto acumulando 7,89% em 12 meses. Para um Banco Central que diz ter 6,5% como teto, a coisa está bem descontrolada.

A própria inflação de bens não-duráveis, para o acumulado de 12 meses, aponta aumento de 7,54%, também segundo o suave IBGE. Tudo segue bem para os burocratas.

Não bastasse tudo isso, aquele ser mentalmente disforme que ocupa o Ministério da Fazenda quer de tudo quanto é jeito que você pegue empréstimo no banco para quitar a fatura atrasada do seu cartão de crédito -- que agora está mais baratinha -- e não pare de consumir absolutamente nada em momento algum. Afinal, o PIB não pode deixar de subir 0,1 ponto percentual por sua causa. Desove todo o seu salário em uma loja de roupas.

Inflação não-oficial de dois dígitos? Se a oficial já está quase lá, imagine a não-oficial? Onde eu almoço diariamente -- gasto que realmente me afeta, em vez dos produtos medidos pelo IBGE -- a inflação está em mais de 18% ao ano.


Responder
André Luiz S. C. Ramos 29/09/2012 07:12:01

Notícia que está na "primeira página" do G1 de hoje:\r
\r
Bancos cortam juros a patamar histórico!\r
g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2012/09/sob-pressao-bancos-reduzem-juros-veja-taxas-medias-cobradas.html

Responder
JOSUELITO BRITTO 16/10/2012 08:17:38

Leandro: Sugiro-lhe elaborar e publicar artigo analisando o orçamento público da União e a dívida pública, o impacto orçamentários dos juros da dívida e dos gastos com assistencialismo etc.Abs. JB

Responder
Lays Alves 27/11/2012 16:49:09

Alguém me ajude com essas questões?

1 - Suponhamos que o nosso Governo zere as dívidas de todos. Isso poderia resolver o problema da crise?! Quais seriam as possíveis consequências?

2 - Se o Governo também resolver acabar com todo tipo de transação que envolva juros. Isso incluiria ninguém poder emprestar dinheiro com juros. Seria um coisa boa?

3 - Além de tudo isso, o Governo optasse em manter a mesma quantidade de dinheiro em circulação, independente de qualquer coisa. Teria um efeito positivo na economia?

Ps: Sou iniciante e peço desculpas se as perguntas são muito idiotas.

Beijos;

Lays

Responder
Rhyan 28/11/2012 03:56:34

Eu não sou a melhor pessoa pra responder aqui nessa página, mas vamos lá:

1 - Quem emprestaria depois disso? Alias, o governo é o maior endividado de todos.

2 - Seria péssimo. Os juros são o preço do dinheiro e preços não devem ser manipulados. Novamente, com juros zero ninguém seria estimulado a emprestar.

3 - Essa medida é boa, manter a quantidade do dinheiro significa não gerar inflação, e inflação gera aumento de preços.

Uma receita melhor que essa seria:

1 - Baixa carga tributária

2 - Baixa inflação monetária (sua ideia também)

3 - Superávits nominais

4 - parar de manipular os juros, deixando o mercado 'regular' isso.

Responder
Lays Alves 29/11/2012 19:53:17

Rhyan;

Obrigada pela resposta.

Realmente você tem razão. As duas primeiras perguntas foram ingênuas, mas estou aprendendo.

Somente mais uma pergunta: É possível haver crescimento econômico com deflação?

Existe, em tese, algum problema na deflação?

Muito agradecida pela ajuda ... e paciência.

Responder
Rhyan 30/11/2012 09:57:22

Lays, preste atenção na resposta do Douglas, o que ele disse é muito importante.

Sobre a deflação depende se você está falando em deflação monetária ou deflação de preços. A primeira não é muito boa, a segunda é.

Crescimento econômico significa que há mais produção, mais produtos, logo é óbvio que haverá deflação de preços, é natural.

Pesquise na busca do site sobre deflação, ha vários artigos ótimos!



Responder
Lays 30/11/2012 11:44:55

Muito obrigada. Estava me referindo aos preços mesmo. Valeu!

Responder
Douglas Ribeiro 28/11/2012 04:30:29

Nao é possivel baixar a carga tributária sem diminuir o gasto publico, que aliás é maior do que a arrecadação, daí o deficit publico e a emissão de divida por parte do Tesouro.\r
O problema é que o gasto publico não vai diminuir tão cedo, pois vivemos num estado assistencialista cujos mandatarios dependem de altos gastos publicos para se (re)eleger e manter seu poder.\r
Num estado em que o governo se infiltra em todas as atividades economicas e quer garantir previdencia, seguro desemprego, bolsa isso e aquilo, educação, saude, segurança, transporte, defesa, justiça, extração de petroleo, produção de energia eletrica, serviços bancarios, e mais mil e uma estatais, autraquias, ministerios, secretarias, escritorios e demais cabides de emprego, o gasto publico nao vai cair NUNCA.

Responder
André Luiz S. C. Ramos 30/11/2012 09:41:21

Leandro,\r
o Ministro "animador de circo" disse hoje que NINGUÉM ACERTOU que íamos ter um PIBinho no trimestre, e ainda disse que "Achar que reduzir a taxa [de juros] para esse patamar é uma medida paliativa, é uma piada. Isto é uma medida estrutural".\r
\r
g1.globo.com/economia/noticia/2012/11/pais-deve-ter-novas-medidas-para-investimentos-diz-mantega.html\r
\r
Você vai deixar ele enganar os incautos mais uma vez???\r
hehehe\r
Forte abraço.

Responder
Leandro 30/11/2012 09:56:16

Pois é, ninguém previu... (suspiros). O que devo fazer para conseguir a atenção e o afeto de Guido Mantega? Eu tento, mas ele se faz de difícil e segue me desprezando.

Logo eu, que só quero ajudá-lo... ajudá-lo a arrumar uma aposentadoria compulsória e irrevogável.

Responder
Eduardo Bellani 21/01/2013 22:04:41

Por enquanto sigamos tentando arranjar uma cova pro zumbi keynesiano de estimação que ele carrega com ele. Quem sabe a gente ainda consiga dançar em cima dessa cova.


:)

Responder
Vinicius Costa 21/01/2013 17:20:30

Uma coisa que ainda não consigo entender é porque o crescimento ou não do PIB é tão valorizado pelos economistas e políticos. Pelo menos na minha lógica, um PIB maior não tem a mínima relação com desenvolvimento ou bons investimentos.

Eu estou errado ou realmente o PIB não deveria ter tanta importância?

Responder
Leandro 21/01/2013 20:53:41

Correto. PIB não mensura nada e pode ser facilmente deturpado.

A equação do PIB mede apenas o valor monetário de todos os bens e serviços finais que foram comprados e vendidos dentro das fronteiras do Brasil em um dado ano. Ou seja, o PIB é apenas um cálculo de todas as transações monetárias envolvendo bens e serviços finais. Ele é utilizado para mensurar o gasto agregado da economia.

Isso significa que o PIB é uma equação que depende primordialmente da inflação monetária -- isto é, do aumento da quantidade de dinheiro na economia. O valor do PIB aumenta de acordo com essa inflação. Se o Banco Central aumenta a quantidade de dinheiro na economia, isso elevará a quantidade de transações monetárias (volume de gastos) que ocorrem na economia. Mais ainda: aumentará os preços. Logo, o valor monetário dos bens e serviços será maior. Por conseguinte, o PIB também será maior.

O que os economistas chamam de "crescimento econômico" mensurado pelo PIB de um ano para o outro nada mais é do que aumento do valor final (preço) das transações monetárias de um ano para o outro. Esse resultado nominal é dividido por um questionável deflator de preços, para se obter o PIB real.

O que nos leva a uma importante conclusão: se, de um ano para o outro, o volume de dinheiro na economia aumentar, e isso levar a um aumento no volume de gastos, mas, por algum motivo, os preços aumentarem pouco (o que significa que o deflator será baixo), então haverá um significativo aumento no PIB real. Ou seja, por algum tempo, é perfeitamente possível fazer a economia "crescer" utilizando simplesmente o artifício da injeção monetária. Caso o aumento dos preços seja pequeno, o deflator será baixo, e consequentemente o crescimento será expressivo. Tal artifício pode funcionar excelentemente em uma democracia, principalmente em ano de eleição. O problema é que o aumento dos preços inevitavelmente chegará um dia -- mas aí o político já estará reeleito.

Artigos recomendados:

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Como o Efeito Ricardo explica o fracasso das medidas de estímulo keynesianas

Ensaio sobre a desindustrialização brasileira

Responder
Vinicius Costa 21/01/2013 22:37:41

Leandro, pode-se concluir então que essa dificuldade de mostrar um aumento no PIB que o Brasil sofre atualmente é resultado da diminuição do número de pessoas interessadas em conseguir crédito, mesmo que barato, já que a maioria já está endividada?

Se estou certo, pra mim fica claro que a bolha econômica brasileira está muito próxima de estourar.

Responder
Leandro 21/01/2013 23:09:31

Há vários fatores. Este em um deles. Com a população endividada e a inflação de preços em contínua alta (6,5% em 2011 e 5,84% em 2012 -- para a população de baixa renda, a inflação ficou em 6,20%), as pessoas tendem a reduzir o consumo.

E isso leva a uma queda nos investimentos. Estima-se que em 2012 eles tenham sofrido uma queda de 4,5% -- exatamente como explica a teoria austríaca dos ciclos econômicos.

Por fim, já que o pessoal gosta de PIB e se pauta exclusivamente por esse indicador, a se confirmar o crescimento de 1% do PIB em 2012, terá havido recessão em termos de PIB per capita (que é um indicador que faz um pouco mais de sentido matemático).

Sim, a bolha já estourou. Resta agora ver se o governo conseguirá reinflá-la (muito difícil) ou se ficaremos na estagflação (PIB de 1% com inflação de preços de 6% é estagflação).

Responder
Deilton 22/01/2013 14:00:09

"Sim, a bolha já estourou. Resta agora ver se o governo conseguirá reinflá-la (muito difícil)"

Pq que vc acha difícil que o governo consiga "estimular" a economia novamente?

E a bolha imobiliária? Na sua opinião esta já estourou? Pq aqui na minha cidade o setor de construção continua aquecido. No caminho entre minha casa e o trabalho vejo umas 20 torres sendo erguidas em meio a tantas outras que foram construídas nos últimos anos.

Tem apartamentos de 180 m² sendo vendido a mais 800 mil reais em prédios com 34 andares.

Não vejo um crescimento da produção na cidade que justifique tantos imóveis de alto padrão sendo construídos.

Responder
Leandro 22/01/2013 16:40:30

"Pq que vc acha difícil que o governo consiga "estimular" a economia novamente?"

Um reestímulo econômico -- também chamado de reflação -- só funciona se o governo conseguir acelerar a expansão do crédito sem que isso gere uma imediata inflação de preços. Com crédito mais farto -- isto é, mais quantidade de dinheiro na economia -- mas com inflação de preços de contida, as pessoas voltam a gastar e a se endividar. É claro que isso será trágico no futuro, porém, no curto prazo, tal medida de fato dá um gás na economia e ajuda bastante na popularidade dos políticos.

Como no Brasil a inflação de preços já está assustando (e a população já está bastante endividada), creio que será difícil o governo ter sucesso em sua empreitada.


"E a bolha imobiliária? Na sua opinião esta já estourou? Pq aqui na minha cidade o setor de construção continua aquecido. No caminho entre minha casa e o trabalho vejo umas 20 torres sendo erguidas em meio a tantas outras que foram construídas nos últimos anos."

20 torres?! Onde você mora? Aqui na minha região há três prédios sendo construídos. Mas em um as obras já estão totalmente paralisadas (o prédio está sendo construído há quase três anos). De vez em quando eu vejo um peão lá varrendo o chão, mas já faz meses que nada da obra avança. Na outra obra, de uma grande construtora, o número de peões foi reduzido à metade (sei disso porque faço questão de acompanhar tudo diariamente).

Sempre tenha em mente que o fato de as construções continuarem é algo que, por si só, gera uma pressão de baixa nos preços dos imóveis. Quanto mais imóveis disponíveis, menores serão as possibilidades de aumento de preços no futuro. E isso irá prejudicar as próprias construtoras. Outra coisa também que deve ser olhada é a demanda. As notícias que tenho acompanhado mostram que há mais oferta de apartamentos do que procura. Em São Paulo, o número de apartamentos vagos se aproxima dos 200 mil.

Por último, repito o que está escrito no artigo: os preços dos imóveis já caíram, mas este é um fato que está sendo muito astutamente ocultado. Por exemplo, em vez de dizer que não mais estão conseguindo vender por aqueles preços que haviam imaginado ser possível, as construtoras preferem dizer que estão "fazendo ofertas" ou "oferecendo descontos e promoções". Mas não existe desconto em um mercado genuinamente aquecido. Existe apenas queda de preço.

"Tem apartamentos de 180 m² sendo vendido a mais 800 mil reais em prédios com 34 andares."

Só falo uma coisa: esse preço está baixo. No meu prédio de 1998, apartamentos de 100 m² estão sendo ofertados a R$850 mil (e vários estão vagos). Ademais, esse tipo de apartamento é ofertado para pessoas de alta classe social, aquelas que dificilmente sentem recessão. É bem provável que tal apartamento seja vendido. Mas tenho certeza de que o proprietário já tentou vender por um preço acima desse. R$800 mil para esse tipo de apartamento está barato.


"Não vejo um crescimento da produção na cidade que justifique tantos imóveis de alto padrão sendo construídos."

Exato.

Responder
anônimo 22/01/2013 21:05:51

Não sou esse anônimo mas moro em fortaleza, aqui tem muitas construções novas pela cidade toda.
E o vestibular de eng civil é o segundo mais concorrido, só perde pra medicina

Responder
Renato Souza 22/01/2013 22:23:53

Construiu-se bastante aqui em São Paulo, com essa bolha imobiliária. Mas já está desacelerando um pouco.

Uma peculiariadade da indústria da construção civil é o seu tempo de maturação. É simplesmente impossível (ou absurdamente caro) abortar um empreendimento já em andamento. Então, o que foi planejado anos atrás, continua em andamento. Além disso, os investimentos da copa dão uma sobrevida ao boom. Creio que por isso, a queda será lenta.

Em outras cidades não sei como as coisas andam. Creio que a queda não será por igual, poque em alguns lugares há mais demanda que em outros.

Talvez dê para ganhar algum nesse final de bolha, sendo bem rápido. Mas em 2014/2015 será boa hora para comprar, e não para vender, imagino.

Torço para que os petralhas, que ganharam um dinheirão nos roubando, e investiram muito em imóveis (geralmente através de laranjas), percam o tempo certo e levem um tombo. Quero ver os novos ricos sindicalistas voltando a serem pobres.

Responder
Steve Ling 17/05/2013 11:34:38

Uma pergunta que não tem relação direta com o texto:
Certa vez ouvi que quando o Brasil se tornou independente era um país mais rico que os Estados Unidos, isso é verdade?

Responder
Andre 21/05/2013 13:30:19

Leandro,

Após a reformulação das séries temporais efetuada neste ano, não está mais disponível a série "2047 - Operações de crédito totais do setor financeiro - Habitacionais" no Sistema Gerenciador de Séries Temporais.

Sabe se esta série foi desativada ou transformada em outra?

Responder
Leandro 21/05/2013 13:50:08

Fizeram as duas coisas, André. Desativaram e transformaram em outra. A atual é a 21272, que começa só a partir de março de 2007.

A antiga foi extinta e subdividida em várias categorias de risco. Há a de "risco normal", a de "risco 1", a de "risco 2", a de "risco A", a de "risco AA", a de "risco B", a "de risco C" etc.

A principal é a de "risco normal" (cujo valor é o mais volumoso) e seu código agora é 4399. Mas, repito, ela foi extinta e seu último valor computado é de janeiro de 2013.

Em suma, o BACEN só faz m....

Responder
Andre 21/05/2013 14:08:00

Por essa sumida da série, pretendo guardar o CSV.

Fiz a junção das séries:

4399 - Saldo das operações de crédito - Risco normal (Níveis de risco AA a C) - Setor habitacional
4408 - Saldo das operações de crédito - Risco 1 (Níveis de risco D a G) - Setor habitacional
4417 - Saldo das operações de crédito - Risco 2 (Nível de risco H) - Setor habitacional

São as únicas desde 1988 e possuem o risco de AA até H.

Obrigado!

abraço

Responder
anônimo 25/05/2013 11:42:04

Bom dia Leandro,

Após a análise de algumas séries, verifiquei que a 2047 é a soma da 2002 e 2038.

grande abraço.

Responder
Andre 27/05/2013 18:46:32

A "postagem" acima é minha. abs.

Responder
anônimo 13/03/2014 22:20:15

Leandro,

Fui buscar as estatísticas do BC sobre o SFH para tentar visualizar os gráficos da expansão do crédito e percebi que o BC não publica os dados desde junho de 2013.

Você sabe dizer o que houve? Será que estão querendo esconder algo?

Responder

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