A crucial diferença entre o mercado de trabalho na Espanha e na Alemanha

Após as vitórias sobre a Alemanha na Eurocopa de 2008 e na Copa do Mundo de 2010, há poucas dúvidas de que os espanhóis são superiores dentro de campos de futebol.  No entanto, embora os espanhóis tenham tido muito o que comemorar no mundo do futebol nos últimos cinco anos, sua situação econômica está em um mundo totalmente oposto.

O desemprego espanhol está hoje na casa dos 23%, sendo que entre os jovens a taxa é de mais de 50%.  Na Alemanha, por outro lado, apenas 6% da população está sem trabalho, nível este que é praticamente o menor desde a reunificação.  Esta distinção solidifica a posição da Espanha entre as piores economias do continente europeu, e a pomposa posição da Alemanha entre as melhores.

Contudo, tal situação, à primeira vista, pode parecer paradoxal.  Por exemplo, se olharmos os salários pagos nos dois países para as mesmas profissões, iremos descobrir que os espanhóis cobram menos por sua mão-de-obra — o que, em teoria, significa que ter um empregado espanhol é bem mais acessível.  Logo, empresas em busca do lucro deveriam estar expandindo seus negócios na Espanha, se aproveitando das oportunidades que a crise espanhola vem fornecendo e, ao mesmo tempo, fugindo do alto custo da mão-de-obra alemã.

Embora concentrar-se nos custos nominais da mão-de-obra possa fornecer um argumento convincente em prol de um futuro espanhol mais otimista, o fato é que se analisarmos mais minuciosamente os detalhes, a realidade se torna mais sombria.

Uma das principais diferenças entre o mercado de trabalho da Alemanha e o da Espanha está no salário mínimo.  Um espanhol trabalhando em troca de um salário mínimo irá receber aproximadamente €633 por mês.  Na Alemanha, por sua vez, não existe política de salário mínimo.  O governo alemão não impõe um salário mínimo uniforme para toda a economia, embora haja salários mínimos em profissões isoladas, estabelecidos por um acordo entre patrões e sindicatos — construção civil, consertos de telhados e eletricistas. 

Os trabalhadores alemães têm liberdade para negociar seus salários com seus empregadores, sem nenhuma intervenção governamental.  O governo alemão não estipula controles salariais, algo que nada mais é do que um controle de preços.  (Isso não significa que o mercado de trabalho alemão seja completamente livre e desimpedido — os empregos são cartelizados por setor, cada um com seus próprios controles salariais.  Embora tal cartelização não ajude em nada a economia alemã, ela ao menos reconhece que uma política de salário mínimo que estipule um valor único e uniforme para todos os setores da economia não seja algo ótimo para todo o país.)

Como um exemplo da postura alemã em relação aos salários, considere a situação de um operário da construção civil.  No leste da Alemanha, este operário ganharia um salário mínimo de aproximadamente €9 por hora.  Seu congênere no oeste da Alemanha ganharia um valor consideravelmente maior — de aproximadamente €11 por hora.  Esta diferença permite que as desigualdades de produtividade entre os dois operários sejam precificadas separadamente, ou que as condições locais de oferta e demanda influenciem os salários.  Trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, irá render a um operário algo entre €360 e €440 por semana, dependendo de onde ele esteja.  Isso dá algo entre €1440 e €1760 por mês.

É óbvio, portanto, o salário semanal da Alemanha é quase o mesmo valor de um salário mensal na Espanha.  O que é menos óbvio é por que os empresários alemães não levam suas indústrias para a Espanha, cujo valor da mão-de-obra é bem menor.

Como diz um velho ditado, "quanto mais dispendiosa for a sua demissão, mais dispendiosa será a sua contratação".  Se uma empresa espanhola decidir demitir um empregado, os custos relacionados à indenização (um finiquito em espanhol) para a maioria dos contratos trabalhistas serão equivalentes a 32 dias para cada ano que o empregado trabalhou na empresa.  Embora um procedimento de demissão também não seja simples na Alemanha, lá não há a exigência legal de indenização para empresas que queiram dispensar empregados desnecessários.  O único requisito é que seja dado um aviso prévio, algumas vezes de até seis meses.  Se uma empresa espanhola contratar um empregado que acabe se revelando não tão qualificado quanto havia sido imaginado, haverá um substancial custo apenas para se dispensar este empregado.  Os empregadores sabem disso, e, sendo assim, agem com extrema cautela e parcimônia ao contratar novos empregados — qualquer erro de julgamento custará bem caro.

Estes fatores tornam o custo percebido ou esperado da mão-de-obra espanhola várias vezes maior do que a alemã, não obstante o custo nominal dos salários em euros ser menor na Espanha.  Este efeito foi acentuado desde a adoção da moeda única há mais de dez anos.  Como podemos ver no gráfico abaixo, o custo médio da mão-de-obra alemã manteve-se praticamente estável desde 2000, ao passo que o custo da mão-de-obra espanhola aumentou aproximadamente 25% durante este mesmo período.

Figure1.png

Ao se contratar um empregado, o salário nominal representa apenas metade da história.  O empregador também tem de saber quão produtivo este empregado será.  Mesmo depois de se considerar os custos extras impostos pelo governo espanhol sobre a folha de pagamento, um trabalhador alemão pode ainda continuar sendo mais custoso.  Ainda assim, uma empresa optaria por contratar este empregado alemão caso sua produtividade fosse maior.

E, como podemos ver nas duas figuras abaixo, ao longo da última década, surgiu uma grande discrepância entre os dois países.  Enquanto a produtividade na Alemanha cresceu em ritmo semelhante ao aumento nos custos da mão-de-obra, a história espanhola foi bem diferente.  A produtividade espanhola tornou-se bastante defasada em relação aos custos trabalhistas, o que significa que, em termos reais, a mão-de-obra espanhola está bem mais cara hoje do que estava há apenas dez anos.

Figure2.png

Em seu livro A Tragédia do Euro, Philipp Bagus menciona um fenômeno similar.  Bagus mostra que as duas principais fontes geradoras de desequilíbrio são o aumento nos custos trabalhistas em decorrência da inflação monetária da zona do euro e as distintas taxas de produtividade entre os países.  Com efeito, a inflação foi uma das causas do crescente (e desestabilizador) aumento dos salários nos países periféricos da Europa, principalmente na Espanha.  Outras causas, como observado aqui, foram o salário mínimo, os fardos regulatórios, e as leis trabalhistas de indenização, que aumentam o custo latente da mão-de-obra.

Em qualquer caso, o efeito é o mesmo: salários não necessariamente refletem a produtividade da mão-de-obra, mas sim as regulamentações que restringem esta produtividade.  Na Espanha, isto se traduz em salários pouco competitivos.  É importante relembrar, no entanto, que isso não significa que a mão-de-obra em si seja necessariamente pouco competitiva — ela é, afinal de contas, dependente do preço.

Qualquer bem tem seu preço, inclusive a mão-de-obra.  Quando os preços são impedidos de flutuar livremente, de maneira a equilibrar o mercado, surgem vários desequilíbrios.  No mercado de trabalho, estes desequilíbrios resultam em pessoas desempregadas.  Políticas como as de um salário mínimo uniforme para toda a economia e leis trabalhistas que impõem pesadas indenizações para empresas que demitem empregados ajudam a fazer com que o preço da mão-de-obra espanhola esteja acima do valor de livre mercado.

Enquanto não for feito algo que atenue estas políticas, a mão-de-obra espanhola irá permanecer precificada em níveis pouco competitivos.  Enquanto os custos trabalhistas espanhóis não puderem ser reajustados para níveis mais competitivos, as massas espanholas terão de resistir a opressivos níveis de desemprego.

 

Colaborou para este artigo Carolina Carmenes Cavia, que estuda comércio exterior na St. Louis University, campus de Madri, Espanha.


0 votos

SOBRE O AUTOR

David Howden
é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.



"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/enhanced/webdr02/2013/4/9/15/enhanced-buzz-25466-1365534595-12.jpg

www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

i.imgur.com/xqOt9mP.png

Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Eduardo  26/05/2012 22:00
    O primeiro gráfico é algo simplesmente fantástico.
    Só ver os países que tiveram o maior crescimento no custo da mão-de-obra, e ver a situação financeira que esses países passam hoje. Nao precisa ser nenhum gênio, ou ter la grandes conhecimentos econômicos pra conseguir tirar conclusões disso.
  • Glauco Montenegro Filho  26/05/2012 22:21
    Certo dia vi na "EXAME" que a Itália sofre mais ou menos o mesmo problema enfrentado pela Espanha, com alto índice de desemprego. Leis trabalhistas pesadas inibindo a contratação de pessoas, como o conceito lá de demissão por "justa causa" não é bem definido, a maioria dos processos iam em favor dos funcionários demitidos. Então para evitar esse longo processo jurídico e seus custos, as empresas estavam evitando contratar novas pessoas.
  • Geraldo Magela S. Freire  27/05/2012 06:08
    Pelo texto, parece-me que a Alemanha tem um salário mínimo somente para as atividades mais simples, como na construção civil, pedreiros, eletricista, pintores de parede etc, quase todos desempenhados por emigrantes? Para as profissões mais nobres fazem acordo setoriais para os salários a serem pagos. É isso mesmo?
  • Leandro  28/05/2012 04:26
    Geraldo, nestas atividades "mais simples", o salário mínimo é determinado por um acordo entre patrões e sindicatos. O governo apenas chancela este acordo e, suponho eu, fiscaliza seu cumprimento. Mas o governo não estipula os valores dos salários. Isso foi explicitado na reportagem cujo link foi fornecido no parágrafo em questão:

    uk.reuters.com/article/2008/06/22/idUKL2267932020080622

    Abraços!
  • vanderlei  27/05/2012 06:32
    O Custo dos encargos trabalhistas em comparação com o custo da comercialização do produto.

    Empreendedores devem focar neste aspecto, melhorar o valor do produto, eliminando o custo da comercialização. (argumento emocional e ideológico)


    CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
    CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

    PV = = 0,6219= 161
    PV = = 0,6219= 137
    Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)
    O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

    As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.
  • Vanderlei Nogueira  27/05/2012 06:37
    CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
    CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

    R$ 100 = Custo total incluindo os encargos trabalhistas
    R$ 85 = Custo total sem os encargos trabalhistas

    PV = 100/ 0,6219= 161
    PV = 85/ 0,6219= 137

    CT = 100 = 30 + 70 = Custo total = Mão de Obra + Outros Custos
    CT = 85 = 15 +70 = Custo Total = Mão de Obra + Outros Custos

    Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)

    O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

    As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.
  • Tiago Moraes  28/05/2012 09:15
    O problema do teu exemplo, é que você ignora o efeito cascata dos ditos impostos mencionados por você. No Brasil, os impostos indiretos incidem várias vezes sobre o mesmo tipo de fato gerador, fazendo com que as etapas de produção inferiores (mais próximas do consumidor final) paguem relativamente mais impostos, isso também inibe o desenvolvimento de cadeias produtivas mais complexas e responde por boa parte do processo de industrialização do Brasil e a substituição por importações como consequência.

    O comerciante, ao comprar um bem ou serviço para revendê-lo ao consumidor final, já terá o ônus do PIS, Confins, Cide, ISS, IPI, ICMS...da empresa que extraiu as matérias-primas, da empresa que transformou essas mesmas matérias-primas em insumos industriais, da empresa de transformação que adquiriu estes insumos industriais e a partir deles criou bens finais, do atacadista que adquiriu estes bens finais para revendê-los ao setor varejista...

    A solução é extinguir todos os impostos indiretos existentes e substituí-los pelo IVA, que é um tipo de imposto que incide apenas sobre o valor que cada setor da cadeia produtiva agregou ao produto.
  • vanderlei  27/05/2012 06:51
    A Ideologia alemã diz que a mão-de-obra é a causa da inflação e da produtividade do produto,verificamos que um produto fabricado no Brasil no tempo do nazismo e fascismo era três vezes mais caro que o mesmo produto fabricado nos Estados Unidos da América do Norte,por sua vez, o trabalhador americano ganha quase três vezes mais que o trabalhador brasileiro.

    Um país com menor custo de vida.

    O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.

    Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro.
  • Julio dos Santos  28/05/2012 07:12
    @vanderlei:\r
    "O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.\r
    Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro."\r
    \r
    Isso é um deboche teu?\r
    Se não é um deboche, então tu tens como solução a implantação de políticas? Ou modificação de políticas? Elaboração de estudos que comprove a falta empreendedorismo?\r
    Cara, enquanto se enche de "geniozinhos" nas universidades federais elaborando artigos "megafundamentados" para se comprovar matematico-estatisca-economicamente que ovelha não é pra mato, o mercado já tá usando lã sintética. Implementar políticas, estudar o sexo dos anjos e blábláblá não traz resultado. O máximo que um estudo pode trazer é explicar algo concreto, mas ele em si não substitui o mercado livre. Deixe somente o mercado funcionar.
  • Eliel  27/05/2012 07:37
    Mais um excelente e oportuno artigo a ampliar o leque de informações das políticas econômicas de outras Nações.
    No Brasil há muita distorção trabalhista talvez até pior que a dos países da zona do euro em termos comparativos. E não é só diferenças salariais entre profissões, mas entre setores e a maneira como cada um conduz sua política salarial acarretando uma demanda em ações judiciárias intermináveis, polêmicas e custosas. Quem presta concurso publico e se defronta com o calhamaço do Direito Trabalhista sabe do que estou a falar.
    Acrescente a isso os sindicatos que temos e o modo como agem. Salário mínimo não pode ser ferramenta de justiça social pois essa erra ao pretender distribuir renda esquecendo ( ou desprezando )o processo de livre mercado de mão-de-obra com sua cataláxia implícita. Prefixar salário num mínimo é também confundir condição social com posição social partindo do coletivo para o indivíduo. É o velho discurso que toma da Constituição e diz que o mínimo deve garantir .... Mas se deixa ao indivíduo decidir seu bem-estar que mais lhe apraz (condição social ) e que garanta a ele os meios disponíveis no mercado e aos quais dedique sua preferência na busca por sua realização profissional (sua posição social) acredito que se chegará a um salário mínimo próprio. Haveria uma relativizaçao salarial.
    Essa parte de direito preciso buscar na fonte: Direito, Legislação e Liberdade do bom velhinho Hayek.
    Abraços.
  • Rene  28/05/2012 04:54
    Existe algum estudo que apresente gráficos semelhantes a estes sobre a situação brasileira, isto é, que relacione o salário mínimo com a produtividade?
  • João  28/05/2012 12:20
    Bacana esse artigo, a meu ver só faltaram alguns itens que explicam
    mais ainda a diferença entre os 2 países.

    - Alemanha:
    1- Atualmente lá uns 25% dos empregos são "minijobs", com carga horária média de 4 horas, salário entre 400-800 euros. Majoritariamente ocupados por donas-de-casa, jovens, desempregados à espera de um emprego melhor, etc. Ou seja, uma flexibilização que forneceu munição para que pouca gente fique parada.
    2- Horas extras - Na Alemanha vc NÃO RECEBE EM DINHEIRO hora extra nem por pedido do Kaiser, fica num banco de horas para faltas/etc ou, nos momentos de aparreio econômico, sua carga horária é reduzida MAS O SALÁRIO NÃO.

    Espanha:
    1- Vc trabalha 3 meses e consegue seguro-desemprego por até 18 meses com 80% do último salário. Imaginem o que acontece com os jovens.....(tanto que mesmo no auge da lambança 1997 - 2007 o desemprego lá entre os jovens SEMPRE foi alto.
    2- Gracinhas tipo 6 horas de trabalho no verão, etc, etc.

    Então, além dos itens citados no artigo (bom, por sinal), um país criou uma cultura que OBRIGA o cabra a trabalhar e o outro praticamente diz "Prá quê vou ter uma carreira se posso enrolar 3 meses num emprego e depois o GOVERNO ME SUSTENTA?".
  • william  05/06/2012 12:44
    Um dos principais bodes expiatórios usados pelos socialistas e nacional-socialistas europeus é a imigração, como se fossem os imigrantes ilegais culpados pela crise e pelo desemprego.

    O que eles não percebem é que muitos dos pequenos empresários e produtores dos seus países sobrevivem somente graças ao trabalho exercido por imigrantes "ilegais", já que seria financeiramente inviável pagar os altos salários, benefícios e impostos estabelecidos para trabalhadores "legais" por fortes sindicatos e políticos assistencialistas.

    Se a Europa não chegou a esse estado de calamidade antes, talvez foi graças aos trabalhadores "ilegais", que permitiram a livre iniciativa continuar sobrevivendo.

    A Alemanha, contrariando aqueles que culpam a imigração, é um dos destinos preferidos de imigrantes estrangeiros, talvez o país europeu com maior número de imigrantes, e mesmo assim não sofre o desemprego e a crise de países como Grécia e Espanha, pois possui uma economia muito mais livre.

    Quando os socialistas, nacional-socialistas e sindicalistas europeus se darão conta disso?
  • anônimo  08/08/2012 13:23
    E no Brasil, como é em comparação com esses países? Mais caro ou mais barato contratar? Mais ou menos burocrático? Podem me explicar melhor? Por que o desemprego na Espanha hoje é maior do que aqui?
  • Leandro  08/08/2012 13:51
    Para começar, os salários médios aqui no Brasil são bem menores do que na Europa. Isso, por si só, já é um estímulo ao emprego. Adicionalmente, a bolha na Europa já estourou e eles já estão em recessão há muito tempo. Aqui no Brasil, a bolha apenas começou a desinflar. (Informações completas sobre o Brasil atual neste artigo)

    No entanto, vale enfatizar que -- como ilustra o terceiro gráfico deste artigo, linha vermelha -- não houve geração líquida de empregos no setor privado brasileiro desde setembro de 2011. E são dados do próprio IBGE. A taxa de desemprego só se mantém baixa hoje porque houve uma saída líquida de pessoas da força de trabalho.

    A conta é simples. A taxa de desemprego é uma divisão. Trata-se da razão entre pessoas desempregadas e o total da força de trabalho. No numerador, temos o número de pessoas desempregadas. No denominador, temos o total da força de trabalho.

    Qual a consequência? Se o sujeito está desempregado e procurando emprego, ele é contabilizado no numerador. Se esse sujeito, no entanto, pára de procurar emprego e "se retira" do mercado de trabalho, o valor do numerador diminui e a taxa de desemprego magicamente cai. Observe que nenhum emprego foi criado; o que aconteceu foi simplesmente que um sujeito desistiu de procurar emprego e se retirou da força de trabalho. Quando estava desempregado, ele tinha um maior peso no numerador do que no denominador. Portanto, quando ele é retirado de ambos os termos da fração, a taxa de desemprego cai. Uma vitória para o governo. O problema é que essa vitória é puramente estatística.

    E este fenômeno de retirada do mercado de trabalho é um fenômeno mundial, sendo ainda mais intenso nos EUA e na Europa.

    Abraço!
  • anônimo  22/08/2012 07:08
    Por que os preços são tão altos no Brasil? Como os impostos aqui influenciam nisso? Porque existem países na Europa de altos impostos, mas com eletrônicos, roupas, etc bem mais baratos.
  • Leandro  22/08/2012 07:16
    Baixa abertura da economia (altas tarifas de importação) e, consequentemente, baixa concorrência de produtos importados.

    Operando sob uma quase reserva de mercado, há muito espaço para empresas subirem seus preços sem serem punidas pelos consumidores. Palmas para o governo.
  • anônimo  09/08/2012 02:44
    Obrigado pelos esclarecimentos, Leandro!
  • Anônimo  14/09/2014 04:43
    Só vim informar que você precisa atualizar o primeiro parágrafo, pois atualmente a Alemanha é superior inclusive no futebol. Abraços!


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.