A crucial diferença entre o mercado de trabalho na Espanha e na Alemanha

Após as vitórias sobre a Alemanha na Eurocopa de 2008 e na Copa do Mundo de 2010, há poucas dúvidas de que os espanhóis são superiores dentro de campos de futebol.  No entanto, embora os espanhóis tenham tido muito o que comemorar no mundo do futebol nos últimos cinco anos, sua situação econômica está em um mundo totalmente oposto.

O desemprego espanhol está hoje na casa dos 23%, sendo que entre os jovens a taxa é de mais de 50%.  Na Alemanha, por outro lado, apenas 6% da população está sem trabalho, nível este que é praticamente o menor desde a reunificação.  Esta distinção solidifica a posição da Espanha entre as piores economias do continente europeu, e a pomposa posição da Alemanha entre as melhores.

Contudo, tal situação, à primeira vista, pode parecer paradoxal.  Por exemplo, se olharmos os salários pagos nos dois países para as mesmas profissões, iremos descobrir que os espanhóis cobram menos por sua mão-de-obra — o que, em teoria, significa que ter um empregado espanhol é bem mais acessível.  Logo, empresas em busca do lucro deveriam estar expandindo seus negócios na Espanha, se aproveitando das oportunidades que a crise espanhola vem fornecendo e, ao mesmo tempo, fugindo do alto custo da mão-de-obra alemã.

Embora concentrar-se nos custos nominais da mão-de-obra possa fornecer um argumento convincente em prol de um futuro espanhol mais otimista, o fato é que se analisarmos mais minuciosamente os detalhes, a realidade se torna mais sombria.

Uma das principais diferenças entre o mercado de trabalho da Alemanha e o da Espanha está no salário mínimo.  Um espanhol trabalhando em troca de um salário mínimo irá receber aproximadamente €633 por mês.  Na Alemanha, por sua vez, não existe política de salário mínimo.  O governo alemão não impõe um salário mínimo uniforme para toda a economia, embora haja salários mínimos em profissões isoladas, estabelecidos por um acordo entre patrões e sindicatos — construção civil, consertos de telhados e eletricistas. 

Os trabalhadores alemães têm liberdade para negociar seus salários com seus empregadores, sem nenhuma intervenção governamental.  O governo alemão não estipula controles salariais, algo que nada mais é do que um controle de preços.  (Isso não significa que o mercado de trabalho alemão seja completamente livre e desimpedido — os empregos são cartelizados por setor, cada um com seus próprios controles salariais.  Embora tal cartelização não ajude em nada a economia alemã, ela ao menos reconhece que uma política de salário mínimo que estipule um valor único e uniforme para todos os setores da economia não seja algo ótimo para todo o país.)

Como um exemplo da postura alemã em relação aos salários, considere a situação de um operário da construção civil.  No leste da Alemanha, este operário ganharia um salário mínimo de aproximadamente €9 por hora.  Seu congênere no oeste da Alemanha ganharia um valor consideravelmente maior — de aproximadamente €11 por hora.  Esta diferença permite que as desigualdades de produtividade entre os dois operários sejam precificadas separadamente, ou que as condições locais de oferta e demanda influenciem os salários.  Trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, irá render a um operário algo entre €360 e €440 por semana, dependendo de onde ele esteja.  Isso dá algo entre €1440 e €1760 por mês.

É óbvio, portanto, o salário semanal da Alemanha é quase o mesmo valor de um salário mensal na Espanha.  O que é menos óbvio é por que os empresários alemães não levam suas indústrias para a Espanha, cujo valor da mão-de-obra é bem menor.

Como diz um velho ditado, "quanto mais dispendiosa for a sua demissão, mais dispendiosa será a sua contratação".  Se uma empresa espanhola decidir demitir um empregado, os custos relacionados à indenização (um finiquito em espanhol) para a maioria dos contratos trabalhistas serão equivalentes a 32 dias para cada ano que o empregado trabalhou na empresa.  Embora um procedimento de demissão também não seja simples na Alemanha, lá não há a exigência legal de indenização para empresas que queiram dispensar empregados desnecessários.  O único requisito é que seja dado um aviso prévio, algumas vezes de até seis meses.  Se uma empresa espanhola contratar um empregado que acabe se revelando não tão qualificado quanto havia sido imaginado, haverá um substancial custo apenas para se dispensar este empregado.  Os empregadores sabem disso, e, sendo assim, agem com extrema cautela e parcimônia ao contratar novos empregados — qualquer erro de julgamento custará bem caro.

Estes fatores tornam o custo percebido ou esperado da mão-de-obra espanhola várias vezes maior do que a alemã, não obstante o custo nominal dos salários em euros ser menor na Espanha.  Este efeito foi acentuado desde a adoção da moeda única há mais de dez anos.  Como podemos ver no gráfico abaixo, o custo médio da mão-de-obra alemã manteve-se praticamente estável desde 2000, ao passo que o custo da mão-de-obra espanhola aumentou aproximadamente 25% durante este mesmo período.

Figure1.png

Ao se contratar um empregado, o salário nominal representa apenas metade da história.  O empregador também tem de saber quão produtivo este empregado será.  Mesmo depois de se considerar os custos extras impostos pelo governo espanhol sobre a folha de pagamento, um trabalhador alemão pode ainda continuar sendo mais custoso.  Ainda assim, uma empresa optaria por contratar este empregado alemão caso sua produtividade fosse maior.

E, como podemos ver nas duas figuras abaixo, ao longo da última década, surgiu uma grande discrepância entre os dois países.  Enquanto a produtividade na Alemanha cresceu em ritmo semelhante ao aumento nos custos da mão-de-obra, a história espanhola foi bem diferente.  A produtividade espanhola tornou-se bastante defasada em relação aos custos trabalhistas, o que significa que, em termos reais, a mão-de-obra espanhola está bem mais cara hoje do que estava há apenas dez anos.

Figure2.png

Em seu livro A Tragédia do Euro, Philipp Bagus menciona um fenômeno similar.  Bagus mostra que as duas principais fontes geradoras de desequilíbrio são o aumento nos custos trabalhistas em decorrência da inflação monetária da zona do euro e as distintas taxas de produtividade entre os países.  Com efeito, a inflação foi uma das causas do crescente (e desestabilizador) aumento dos salários nos países periféricos da Europa, principalmente na Espanha.  Outras causas, como observado aqui, foram o salário mínimo, os fardos regulatórios, e as leis trabalhistas de indenização, que aumentam o custo latente da mão-de-obra.

Em qualquer caso, o efeito é o mesmo: salários não necessariamente refletem a produtividade da mão-de-obra, mas sim as regulamentações que restringem esta produtividade.  Na Espanha, isto se traduz em salários pouco competitivos.  É importante relembrar, no entanto, que isso não significa que a mão-de-obra em si seja necessariamente pouco competitiva — ela é, afinal de contas, dependente do preço.

Qualquer bem tem seu preço, inclusive a mão-de-obra.  Quando os preços são impedidos de flutuar livremente, de maneira a equilibrar o mercado, surgem vários desequilíbrios.  No mercado de trabalho, estes desequilíbrios resultam em pessoas desempregadas.  Políticas como as de um salário mínimo uniforme para toda a economia e leis trabalhistas que impõem pesadas indenizações para empresas que demitem empregados ajudam a fazer com que o preço da mão-de-obra espanhola esteja acima do valor de livre mercado.

Enquanto não for feito algo que atenue estas políticas, a mão-de-obra espanhola irá permanecer precificada em níveis pouco competitivos.  Enquanto os custos trabalhistas espanhóis não puderem ser reajustados para níveis mais competitivos, as massas espanholas terão de resistir a opressivos níveis de desemprego.

 

Colaborou para este artigo Carolina Carmenes Cavia, que estuda comércio exterior na St. Louis University, campus de Madri, Espanha.


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SOBRE O AUTOR

David Howden
é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.



As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
------------------------------------
" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...
"Se um empreendedor construir uma ponte... Ele também consome itens escassos... A única diferença, é a eficiência com que ele gasta esse recurso."

1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Eduardo  26/05/2012 22:00
    O primeiro gráfico é algo simplesmente fantástico.
    Só ver os países que tiveram o maior crescimento no custo da mão-de-obra, e ver a situação financeira que esses países passam hoje. Nao precisa ser nenhum gênio, ou ter la grandes conhecimentos econômicos pra conseguir tirar conclusões disso.
  • Glauco Montenegro Filho  26/05/2012 22:21
    Certo dia vi na "EXAME" que a Itália sofre mais ou menos o mesmo problema enfrentado pela Espanha, com alto índice de desemprego. Leis trabalhistas pesadas inibindo a contratação de pessoas, como o conceito lá de demissão por "justa causa" não é bem definido, a maioria dos processos iam em favor dos funcionários demitidos. Então para evitar esse longo processo jurídico e seus custos, as empresas estavam evitando contratar novas pessoas.
  • Geraldo Magela S. Freire  27/05/2012 06:08
    Pelo texto, parece-me que a Alemanha tem um salário mínimo somente para as atividades mais simples, como na construção civil, pedreiros, eletricista, pintores de parede etc, quase todos desempenhados por emigrantes? Para as profissões mais nobres fazem acordo setoriais para os salários a serem pagos. É isso mesmo?
  • Leandro  28/05/2012 04:26
    Geraldo, nestas atividades "mais simples", o salário mínimo é determinado por um acordo entre patrões e sindicatos. O governo apenas chancela este acordo e, suponho eu, fiscaliza seu cumprimento. Mas o governo não estipula os valores dos salários. Isso foi explicitado na reportagem cujo link foi fornecido no parágrafo em questão:

    uk.reuters.com/article/2008/06/22/idUKL2267932020080622

    Abraços!
  • vanderlei  27/05/2012 06:32
    O Custo dos encargos trabalhistas em comparação com o custo da comercialização do produto.

    Empreendedores devem focar neste aspecto, melhorar o valor do produto, eliminando o custo da comercialização. (argumento emocional e ideológico)


    CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
    CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

    PV = = 0,6219= 161
    PV = = 0,6219= 137
    Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)
    O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

    As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.
  • Vanderlei Nogueira  27/05/2012 06:37
    CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
    CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

    R$ 100 = Custo total incluindo os encargos trabalhistas
    R$ 85 = Custo total sem os encargos trabalhistas

    PV = 100/ 0,6219= 161
    PV = 85/ 0,6219= 137

    CT = 100 = 30 + 70 = Custo total = Mão de Obra + Outros Custos
    CT = 85 = 15 +70 = Custo Total = Mão de Obra + Outros Custos

    Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)

    O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

    As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.
  • Tiago Moraes  28/05/2012 09:15
    O problema do teu exemplo, é que você ignora o efeito cascata dos ditos impostos mencionados por você. No Brasil, os impostos indiretos incidem várias vezes sobre o mesmo tipo de fato gerador, fazendo com que as etapas de produção inferiores (mais próximas do consumidor final) paguem relativamente mais impostos, isso também inibe o desenvolvimento de cadeias produtivas mais complexas e responde por boa parte do processo de industrialização do Brasil e a substituição por importações como consequência.

    O comerciante, ao comprar um bem ou serviço para revendê-lo ao consumidor final, já terá o ônus do PIS, Confins, Cide, ISS, IPI, ICMS...da empresa que extraiu as matérias-primas, da empresa que transformou essas mesmas matérias-primas em insumos industriais, da empresa de transformação que adquiriu estes insumos industriais e a partir deles criou bens finais, do atacadista que adquiriu estes bens finais para revendê-los ao setor varejista...

    A solução é extinguir todos os impostos indiretos existentes e substituí-los pelo IVA, que é um tipo de imposto que incide apenas sobre o valor que cada setor da cadeia produtiva agregou ao produto.
  • vanderlei  27/05/2012 06:51
    A Ideologia alemã diz que a mão-de-obra é a causa da inflação e da produtividade do produto,verificamos que um produto fabricado no Brasil no tempo do nazismo e fascismo era três vezes mais caro que o mesmo produto fabricado nos Estados Unidos da América do Norte,por sua vez, o trabalhador americano ganha quase três vezes mais que o trabalhador brasileiro.

    Um país com menor custo de vida.

    O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.

    Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro.
  • Julio dos Santos  28/05/2012 07:12
    @vanderlei:\r
    "O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.\r
    Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro."\r
    \r
    Isso é um deboche teu?\r
    Se não é um deboche, então tu tens como solução a implantação de políticas? Ou modificação de políticas? Elaboração de estudos que comprove a falta empreendedorismo?\r
    Cara, enquanto se enche de "geniozinhos" nas universidades federais elaborando artigos "megafundamentados" para se comprovar matematico-estatisca-economicamente que ovelha não é pra mato, o mercado já tá usando lã sintética. Implementar políticas, estudar o sexo dos anjos e blábláblá não traz resultado. O máximo que um estudo pode trazer é explicar algo concreto, mas ele em si não substitui o mercado livre. Deixe somente o mercado funcionar.
  • Eliel  27/05/2012 07:37
    Mais um excelente e oportuno artigo a ampliar o leque de informações das políticas econômicas de outras Nações.
    No Brasil há muita distorção trabalhista talvez até pior que a dos países da zona do euro em termos comparativos. E não é só diferenças salariais entre profissões, mas entre setores e a maneira como cada um conduz sua política salarial acarretando uma demanda em ações judiciárias intermináveis, polêmicas e custosas. Quem presta concurso publico e se defronta com o calhamaço do Direito Trabalhista sabe do que estou a falar.
    Acrescente a isso os sindicatos que temos e o modo como agem. Salário mínimo não pode ser ferramenta de justiça social pois essa erra ao pretender distribuir renda esquecendo ( ou desprezando )o processo de livre mercado de mão-de-obra com sua cataláxia implícita. Prefixar salário num mínimo é também confundir condição social com posição social partindo do coletivo para o indivíduo. É o velho discurso que toma da Constituição e diz que o mínimo deve garantir .... Mas se deixa ao indivíduo decidir seu bem-estar que mais lhe apraz (condição social ) e que garanta a ele os meios disponíveis no mercado e aos quais dedique sua preferência na busca por sua realização profissional (sua posição social) acredito que se chegará a um salário mínimo próprio. Haveria uma relativizaçao salarial.
    Essa parte de direito preciso buscar na fonte: Direito, Legislação e Liberdade do bom velhinho Hayek.
    Abraços.
  • Rene  28/05/2012 04:54
    Existe algum estudo que apresente gráficos semelhantes a estes sobre a situação brasileira, isto é, que relacione o salário mínimo com a produtividade?
  • João  28/05/2012 12:20
    Bacana esse artigo, a meu ver só faltaram alguns itens que explicam
    mais ainda a diferença entre os 2 países.

    - Alemanha:
    1- Atualmente lá uns 25% dos empregos são "minijobs", com carga horária média de 4 horas, salário entre 400-800 euros. Majoritariamente ocupados por donas-de-casa, jovens, desempregados à espera de um emprego melhor, etc. Ou seja, uma flexibilização que forneceu munição para que pouca gente fique parada.
    2- Horas extras - Na Alemanha vc NÃO RECEBE EM DINHEIRO hora extra nem por pedido do Kaiser, fica num banco de horas para faltas/etc ou, nos momentos de aparreio econômico, sua carga horária é reduzida MAS O SALÁRIO NÃO.

    Espanha:
    1- Vc trabalha 3 meses e consegue seguro-desemprego por até 18 meses com 80% do último salário. Imaginem o que acontece com os jovens.....(tanto que mesmo no auge da lambança 1997 - 2007 o desemprego lá entre os jovens SEMPRE foi alto.
    2- Gracinhas tipo 6 horas de trabalho no verão, etc, etc.

    Então, além dos itens citados no artigo (bom, por sinal), um país criou uma cultura que OBRIGA o cabra a trabalhar e o outro praticamente diz "Prá quê vou ter uma carreira se posso enrolar 3 meses num emprego e depois o GOVERNO ME SUSTENTA?".
  • william  05/06/2012 12:44
    Um dos principais bodes expiatórios usados pelos socialistas e nacional-socialistas europeus é a imigração, como se fossem os imigrantes ilegais culpados pela crise e pelo desemprego.

    O que eles não percebem é que muitos dos pequenos empresários e produtores dos seus países sobrevivem somente graças ao trabalho exercido por imigrantes "ilegais", já que seria financeiramente inviável pagar os altos salários, benefícios e impostos estabelecidos para trabalhadores "legais" por fortes sindicatos e políticos assistencialistas.

    Se a Europa não chegou a esse estado de calamidade antes, talvez foi graças aos trabalhadores "ilegais", que permitiram a livre iniciativa continuar sobrevivendo.

    A Alemanha, contrariando aqueles que culpam a imigração, é um dos destinos preferidos de imigrantes estrangeiros, talvez o país europeu com maior número de imigrantes, e mesmo assim não sofre o desemprego e a crise de países como Grécia e Espanha, pois possui uma economia muito mais livre.

    Quando os socialistas, nacional-socialistas e sindicalistas europeus se darão conta disso?
  • anônimo  08/08/2012 13:23
    E no Brasil, como é em comparação com esses países? Mais caro ou mais barato contratar? Mais ou menos burocrático? Podem me explicar melhor? Por que o desemprego na Espanha hoje é maior do que aqui?
  • Leandro  08/08/2012 13:51
    Para começar, os salários médios aqui no Brasil são bem menores do que na Europa. Isso, por si só, já é um estímulo ao emprego. Adicionalmente, a bolha na Europa já estourou e eles já estão em recessão há muito tempo. Aqui no Brasil, a bolha apenas começou a desinflar. (Informações completas sobre o Brasil atual neste artigo)

    No entanto, vale enfatizar que -- como ilustra o terceiro gráfico deste artigo, linha vermelha -- não houve geração líquida de empregos no setor privado brasileiro desde setembro de 2011. E são dados do próprio IBGE. A taxa de desemprego só se mantém baixa hoje porque houve uma saída líquida de pessoas da força de trabalho.

    A conta é simples. A taxa de desemprego é uma divisão. Trata-se da razão entre pessoas desempregadas e o total da força de trabalho. No numerador, temos o número de pessoas desempregadas. No denominador, temos o total da força de trabalho.

    Qual a consequência? Se o sujeito está desempregado e procurando emprego, ele é contabilizado no numerador. Se esse sujeito, no entanto, pára de procurar emprego e "se retira" do mercado de trabalho, o valor do numerador diminui e a taxa de desemprego magicamente cai. Observe que nenhum emprego foi criado; o que aconteceu foi simplesmente que um sujeito desistiu de procurar emprego e se retirou da força de trabalho. Quando estava desempregado, ele tinha um maior peso no numerador do que no denominador. Portanto, quando ele é retirado de ambos os termos da fração, a taxa de desemprego cai. Uma vitória para o governo. O problema é que essa vitória é puramente estatística.

    E este fenômeno de retirada do mercado de trabalho é um fenômeno mundial, sendo ainda mais intenso nos EUA e na Europa.

    Abraço!
  • anônimo  22/08/2012 07:08
    Por que os preços são tão altos no Brasil? Como os impostos aqui influenciam nisso? Porque existem países na Europa de altos impostos, mas com eletrônicos, roupas, etc bem mais baratos.
  • Leandro  22/08/2012 07:16
    Baixa abertura da economia (altas tarifas de importação) e, consequentemente, baixa concorrência de produtos importados.

    Operando sob uma quase reserva de mercado, há muito espaço para empresas subirem seus preços sem serem punidas pelos consumidores. Palmas para o governo.
  • anônimo  09/08/2012 02:44
    Obrigado pelos esclarecimentos, Leandro!
  • Anônimo  14/09/2014 04:43
    Só vim informar que você precisa atualizar o primeiro parágrafo, pois atualmente a Alemanha é superior inclusive no futebol. Abraços!


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