A crucial diferença entre o mercado de trabalho na Espanha e na Alemanha
por , sábado, 26 de maio de 2012

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story-aptopix-south-africa-brig-38145.jpgApós as vitórias sobre a Alemanha na Eurocopa de 2008 e na Copa do Mundo de 2010, há poucas dúvidas de que os espanhóis são superiores dentro de campos de futebol.  No entanto, embora os espanhóis tenham tido muito o que comemorar no mundo do futebol nos últimos cinco anos, sua situação econômica está em um mundo totalmente oposto.

O desemprego espanhol está hoje na casa dos 23%, sendo que entre os jovens a taxa é de mais de 50%.  Na Alemanha, por outro lado, apenas 6% da população está sem trabalho, nível este que é praticamente o menor desde a reunificação.  Esta distinção solidifica a posição da Espanha entre as piores economias do continente europeu, e a pomposa posição da Alemanha entre as melhores.

Contudo, tal situação, à primeira vista, pode parecer paradoxal.  Por exemplo, se olharmos os salários pagos nos dois países para as mesmas profissões, iremos descobrir que os espanhóis cobram menos por sua mão-de-obra — o que, em teoria, significa que ter um empregado espanhol é bem mais acessível.  Logo, empresas em busca do lucro deveriam estar expandindo seus negócios na Espanha, se aproveitando das oportunidades que a crise espanhola vem fornecendo e, ao mesmo tempo, fugindo do alto custo da mão-de-obra alemã.

Embora concentrar-se nos custos nominais da mão-de-obra possa fornecer um argumento convincente em prol de um futuro espanhol mais otimista, o fato é que se analisarmos mais minuciosamente os detalhes, a realidade se torna mais sombria.

Uma das principais diferenças entre o mercado de trabalho da Alemanha e o da Espanha está no salário mínimo.  Um espanhol trabalhando em troca de um salário mínimo irá receber aproximadamente €633 por mês.  Na Alemanha, por sua vez, não existe política de salário mínimo.  O governo alemão não impõe um salário mínimo uniforme para toda a economia, embora haja salários mínimos em profissões isoladas, estabelecidos por um acordo entre patrões e sindicatos — construção civil, consertos de telhados e eletricistas. 

Os trabalhadores alemães têm liberdade para negociar seus salários com seus empregadores, sem nenhuma intervenção governamental.  O governo alemão não estipula controles salariais, algo que nada mais é do que um controle de preços.  (Isso não significa que o mercado de trabalho alemão seja completamente livre e desimpedido — os empregos são cartelizados por setor, cada um com seus próprios controles salariais.  Embora tal cartelização não ajude em nada a economia alemã, ela ao menos reconhece que uma política de salário mínimo que estipule um valor único e uniforme para todos os setores da economia não seja algo ótimo para todo o país.)

Como um exemplo da postura alemã em relação aos salários, considere a situação de um operário da construção civil.  No leste da Alemanha, este operário ganharia um salário mínimo de aproximadamente €9 por hora.  Seu congênere no oeste da Alemanha ganharia um valor consideravelmente maior — de aproximadamente €11 por hora.  Esta diferença permite que as desigualdades de produtividade entre os dois operários sejam precificadas separadamente, ou que as condições locais de oferta e demanda influenciem os salários.  Trabalhar oito horas por dia, cinco dias por semana, irá render a um operário algo entre €360 e €440 por semana, dependendo de onde ele esteja.  Isso dá algo entre €1440 e €1760 por mês.

É óbvio, portanto, o salário semanal da Alemanha é quase o mesmo valor de um salário mensal na Espanha.  O que é menos óbvio é por que os empresários alemães não levam suas indústrias para a Espanha, cujo valor da mão-de-obra é bem menor.

Como diz um velho ditado, "quanto mais dispendiosa for a sua demissão, mais dispendiosa será a sua contratação".  Se uma empresa espanhola decidir demitir um empregado, os custos relacionados à indenização (um finiquito em espanhol) para a maioria dos contratos trabalhistas serão equivalentes a 32 dias para cada ano que o empregado trabalhou na empresa.  Embora um procedimento de demissão também não seja simples na Alemanha, lá não há a exigência legal de indenização para empresas que queiram dispensar empregados desnecessários.  O único requisito é que seja dado um aviso prévio, algumas vezes de até seis meses.  Se uma empresa espanhola contratar um empregado que acabe se revelando não tão qualificado quanto havia sido imaginado, haverá um substancial custo apenas para se dispensar este empregado.  Os empregadores sabem disso, e, sendo assim, agem com extrema cautela e parcimônia ao contratar novos empregados — qualquer erro de julgamento custará bem caro.

Estes fatores tornam o custo percebido ou esperado da mão-de-obra espanhola várias vezes maior do que a alemã, não obstante o custo nominal dos salários em euros ser menor na Espanha.  Este efeito foi acentuado desde a adoção da moeda única há mais de dez anos.  Como podemos ver no gráfico abaixo, o custo médio da mão-de-obra alemã manteve-se praticamente estável desde 2000, ao passo que o custo da mão-de-obra espanhola aumentou aproximadamente 25% durante este mesmo período.

Figure1.png

Ao se contratar um empregado, o salário nominal representa apenas metade da história.  O empregador também tem de saber quão produtivo este empregado será.  Mesmo depois de se considerar os custos extras impostos pelo governo espanhol sobre a folha de pagamento, um trabalhador alemão pode ainda continuar sendo mais custoso.  Ainda assim, uma empresa optaria por contratar este empregado alemão caso sua produtividade fosse maior.

E, como podemos ver nas duas figuras abaixo, ao longo da última década, surgiu uma grande discrepância entre os dois países.  Enquanto a produtividade na Alemanha cresceu em ritmo semelhante ao aumento nos custos da mão-de-obra, a história espanhola foi bem diferente.  A produtividade espanhola tornou-se bastante defasada em relação aos custos trabalhistas, o que significa que, em termos reais, a mão-de-obra espanhola está bem mais cara hoje do que estava há apenas dez anos.

Figure2.png

Em seu livro A Tragédia do Euro, Philipp Bagus menciona um fenômeno similar.  Bagus mostra que as duas principais fontes geradoras de desequilíbrio são o aumento nos custos trabalhistas em decorrência da inflação monetária da zona do euro e as distintas taxas de produtividade entre os países.  Com efeito, a inflação foi uma das causas do crescente (e desestabilizador) aumento dos salários nos países periféricos da Europa, principalmente na Espanha.  Outras causas, como observado aqui, foram o salário mínimo, os fardos regulatórios, e as leis trabalhistas de indenização, que aumentam o custo latente da mão-de-obra.

Em qualquer caso, o efeito é o mesmo: salários não necessariamente refletem a produtividade da mão-de-obra, mas sim as regulamentações que restringem esta produtividade.  Na Espanha, isto se traduz em salários pouco competitivos.  É importante relembrar, no entanto, que isso não significa que a mão-de-obra em si seja necessariamente pouco competitiva — ela é, afinal de contas, dependente do preço.

Qualquer bem tem seu preço, inclusive a mão-de-obra.  Quando os preços são impedidos de flutuar livremente, de maneira a equilibrar o mercado, surgem vários desequilíbrios.  No mercado de trabalho, estes desequilíbrios resultam em pessoas desempregadas.  Políticas como as de um salário mínimo uniforme para toda a economia e leis trabalhistas que impõem pesadas indenizações para empresas que demitem empregados ajudam a fazer com que o preço da mão-de-obra espanhola esteja acima do valor de livre mercado.

Enquanto não for feito algo que atenue estas políticas, a mão-de-obra espanhola irá permanecer precificada em níveis pouco competitivos.  Enquanto os custos trabalhistas espanhóis não puderem ser reajustados para níveis mais competitivos, as massas espanholas terão de resistir a opressivos níveis de desemprego.

 

Colaborou para este artigo Carolina Carmenes Cavia, que estuda comércio exterior na St. Louis University, campus de Madri, Espanha.


David Howden é professor assistente de economia na Universidade de St. Louis, no campus de Madri, e vencedor do prêmio do Mises Institute de melhor aluno da Mises University.



18 comentários
Eduardo 26/05/2012 22:00:00

O primeiro gráfico é algo simplesmente fantástico.
Só ver os países que tiveram o maior crescimento no custo da mão-de-obra, e ver a situação financeira que esses países passam hoje. Nao precisa ser nenhum gênio, ou ter la grandes conhecimentos econômicos pra conseguir tirar conclusões disso.

Responder
Glauco Montenegro Filho 26/05/2012 22:21:06

Certo dia vi na "EXAME" que a Itália sofre mais ou menos o mesmo problema enfrentado pela Espanha, com alto índice de desemprego. Leis trabalhistas pesadas inibindo a contratação de pessoas, como o conceito lá de demissão por "justa causa" não é bem definido, a maioria dos processos iam em favor dos funcionários demitidos. Então para evitar esse longo processo jurídico e seus custos, as empresas estavam evitando contratar novas pessoas.

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Geraldo Magela S. Freire 27/05/2012 06:08:46

Pelo texto, parece-me que a Alemanha tem um salário mínimo somente para as atividades mais simples, como na construção civil, pedreiros, eletricista, pintores de parede etc, quase todos desempenhados por emigrantes? Para as profissões mais nobres fazem acordo setoriais para os salários a serem pagos. É isso mesmo?

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Leandro 28/05/2012 04:26:34

Geraldo, nestas atividades "mais simples", o salário mínimo é determinado por um acordo entre patrões e sindicatos. O governo apenas chancela este acordo e, suponho eu, fiscaliza seu cumprimento. Mas o governo não estipula os valores dos salários. Isso foi explicitado na reportagem cujo link foi fornecido no parágrafo em questão:

uk.reuters.com/article/2008/06/22/idUKL2267932020080622

Abraços!

Responder
vanderlei 27/05/2012 06:32:41

O Custo dos encargos trabalhistas em comparação com o custo da comercialização do produto.

Empreendedores devem focar neste aspecto, melhorar o valor do produto, eliminando o custo da comercialização. (argumento emocional e ideológico)


CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

PV = = 0,6219= 161
PV = = 0,6219= 137
Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)
O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.

Responder
Vanderlei Nogueira 27/05/2012 06:37:30

CVV = (18 + 0,65 +2,00 +0,96 +5,00 +1,20 + 10) = 37,81
CVV (Icms, Pis, Cofins, Contribuição, Comissão, Previsão IR, Lucro)

R$ 100 = Custo total incluindo os encargos trabalhistas
R$ 85 = Custo total sem os encargos trabalhistas

PV = 100/ 0,6219= 161
PV = 85/ 0,6219= 137

CT = 100 = 30 + 70 = Custo total = Mão de Obra + Outros Custos
CT = 85 = 15 +70 = Custo Total = Mão de Obra + Outros Custos

Redução de 18% (tirando todos encargos trabalhistas)

O comércio encarece o valor do produto em até 100%, dobra o valor do produto, paga mal e se analisarmos o estudo de mercado com o preço do produto sem o custo do comércio que é bem maior que o custo brasil.

As tarifas cobradas são quase todas abatidas no incentivo fiscal (IR) o próprio PLR é abatido, vale-transporte, auxilio alimentação, entre outros.

Responder
Tiago Moraes 28/05/2012 09:15:01

O problema do teu exemplo, é que você ignora o efeito cascata dos ditos impostos mencionados por você. No Brasil, os impostos indiretos incidem várias vezes sobre o mesmo tipo de fato gerador, fazendo com que as etapas de produção inferiores (mais próximas do consumidor final) paguem relativamente mais impostos, isso também inibe o desenvolvimento de cadeias produtivas mais complexas e responde por boa parte do processo de industrialização do Brasil e a substituição por importações como consequência.

O comerciante, ao comprar um bem ou serviço para revendê-lo ao consumidor final, já terá o ônus do PIS, Confins, Cide, ISS, IPI, ICMS...da empresa que extraiu as matérias-primas, da empresa que transformou essas mesmas matérias-primas em insumos industriais, da empresa de transformação que adquiriu estes insumos industriais e a partir deles criou bens finais, do atacadista que adquiriu estes bens finais para revendê-los ao setor varejista...

A solução é extinguir todos os impostos indiretos existentes e substituí-los pelo IVA, que é um tipo de imposto que incide apenas sobre o valor que cada setor da cadeia produtiva agregou ao produto.

Responder
vanderlei 27/05/2012 06:51:17

A Ideologia alemã diz que a mão-de-obra é a causa da inflação e da produtividade do produto,verificamos que um produto fabricado no Brasil no tempo do nazismo e fascismo era três vezes mais caro que o mesmo produto fabricado nos Estados Unidos da América do Norte,por sua vez, o trabalhador americano ganha quase três vezes mais que o trabalhador brasileiro.

Um país com menor custo de vida.

O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.

Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro.

Responder
Julio dos Santos 28/05/2012 07:12:39

@vanderlei:\r
"O caminho para o Brasil é: Política Cambial, Redução dos custos de produção (tecnologia do processo produtivo), custo do comércio, créditos para a produção (pré-sal) e aumento do mercado interno.\r
Poderemos analisar o custo da tributação, modificando a política tributária, também e principalmente um estudo que comprove a falta de empreendedorismo do comércio brasileiro."\r
\r
Isso é um deboche teu?\r
Se não é um deboche, então tu tens como solução a implantação de políticas? Ou modificação de políticas? Elaboração de estudos que comprove a falta empreendedorismo?\r
Cara, enquanto se enche de "geniozinhos" nas universidades federais elaborando artigos "megafundamentados" para se comprovar matematico-estatisca-economicamente que ovelha não é pra mato, o mercado já tá usando lã sintética. Implementar políticas, estudar o sexo dos anjos e blábláblá não traz resultado. O máximo que um estudo pode trazer é explicar algo concreto, mas ele em si não substitui o mercado livre. Deixe somente o mercado funcionar.

Responder
Eliel 27/05/2012 07:37:59

Mais um excelente e oportuno artigo a ampliar o leque de informações das políticas econômicas de outras Nações.
No Brasil há muita distorção trabalhista talvez até pior que a dos países da zona do euro em termos comparativos. E não é só diferenças salariais entre profissões, mas entre setores e a maneira como cada um conduz sua política salarial acarretando uma demanda em ações judiciárias intermináveis, polêmicas e custosas. Quem presta concurso publico e se defronta com o calhamaço do Direito Trabalhista sabe do que estou a falar.
Acrescente a isso os sindicatos que temos e o modo como agem. Salário mínimo não pode ser ferramenta de justiça social pois essa erra ao pretender distribuir renda esquecendo ( ou desprezando )o processo de livre mercado de mão-de-obra com sua cataláxia implícita. Prefixar salário num mínimo é também confundir condição social com posição social partindo do coletivo para o indivíduo. É o velho discurso que toma da Constituição e diz que o mínimo deve garantir .... Mas se deixa ao indivíduo decidir seu bem-estar que mais lhe apraz (condição social ) e que garanta a ele os meios disponíveis no mercado e aos quais dedique sua preferência na busca por sua realização profissional (sua posição social) acredito que se chegará a um salário mínimo próprio. Haveria uma relativizaçao salarial.
Essa parte de direito preciso buscar na fonte: Direito, Legislação e Liberdade do bom velhinho Hayek.
Abraços.

Responder
Rene 28/05/2012 04:54:09

Existe algum estudo que apresente gráficos semelhantes a estes sobre a situação brasileira, isto é, que relacione o salário mínimo com a produtividade?

Responder
João 28/05/2012 12:20:58

Bacana esse artigo, a meu ver só faltaram alguns itens que explicam
mais ainda a diferença entre os 2 países.

- Alemanha:
1- Atualmente lá uns 25% dos empregos são "minijobs", com carga horária média de 4 horas, salário entre 400-800 euros. Majoritariamente ocupados por donas-de-casa, jovens, desempregados à espera de um emprego melhor, etc. Ou seja, uma flexibilização que forneceu munição para que pouca gente fique parada.
2- Horas extras - Na Alemanha vc NÃO RECEBE EM DINHEIRO hora extra nem por pedido do Kaiser, fica num banco de horas para faltas/etc ou, nos momentos de aparreio econômico, sua carga horária é reduzida MAS O SALÁRIO NÃO.

Espanha:
1- Vc trabalha 3 meses e consegue seguro-desemprego por até 18 meses com 80% do último salário. Imaginem o que acontece com os jovens.....(tanto que mesmo no auge da lambança 1997 - 2007 o desemprego lá entre os jovens SEMPRE foi alto.
2- Gracinhas tipo 6 horas de trabalho no verão, etc, etc.

Então, além dos itens citados no artigo (bom, por sinal), um país criou uma cultura que OBRIGA o cabra a trabalhar e o outro praticamente diz "Prá quê vou ter uma carreira se posso enrolar 3 meses num emprego e depois o GOVERNO ME SUSTENTA?".

Responder
william 05/06/2012 12:44:27

Um dos principais bodes expiatórios usados pelos socialistas e nacional-socialistas europeus é a imigração, como se fossem os imigrantes ilegais culpados pela crise e pelo desemprego.

O que eles não percebem é que muitos dos pequenos empresários e produtores dos seus países sobrevivem somente graças ao trabalho exercido por imigrantes "ilegais", já que seria financeiramente inviável pagar os altos salários, benefícios e impostos estabelecidos para trabalhadores "legais" por fortes sindicatos e políticos assistencialistas.

Se a Europa não chegou a esse estado de calamidade antes, talvez foi graças aos trabalhadores "ilegais", que permitiram a livre iniciativa continuar sobrevivendo.

A Alemanha, contrariando aqueles que culpam a imigração, é um dos destinos preferidos de imigrantes estrangeiros, talvez o país europeu com maior número de imigrantes, e mesmo assim não sofre o desemprego e a crise de países como Grécia e Espanha, pois possui uma economia muito mais livre.

Quando os socialistas, nacional-socialistas e sindicalistas europeus se darão conta disso?

Responder
anônimo 08/08/2012 13:23:10

E no Brasil, como é em comparação com esses países? Mais caro ou mais barato contratar? Mais ou menos burocrático? Podem me explicar melhor? Por que o desemprego na Espanha hoje é maior do que aqui?

Responder
Leandro 08/08/2012 13:51:11

Para começar, os salários médios aqui no Brasil são bem menores do que na Europa. Isso, por si só, já é um estímulo ao emprego. Adicionalmente, a bolha na Europa já estourou e eles já estão em recessão há muito tempo. Aqui no Brasil, a bolha apenas começou a desinflar. (Informações completas sobre o Brasil atual neste artigo)

No entanto, vale enfatizar que -- como ilustra o terceiro gráfico deste artigo, linha vermelha -- não houve geração líquida de empregos no setor privado brasileiro desde setembro de 2011. E são dados do próprio IBGE. A taxa de desemprego só se mantém baixa hoje porque houve uma saída líquida de pessoas da força de trabalho.

A conta é simples. A taxa de desemprego é uma divisão. Trata-se da razão entre pessoas desempregadas e o total da força de trabalho. No numerador, temos o número de pessoas desempregadas. No denominador, temos o total da força de trabalho.

Qual a consequência? Se o sujeito está desempregado e procurando emprego, ele é contabilizado no numerador. Se esse sujeito, no entanto, pára de procurar emprego e "se retira" do mercado de trabalho, o valor do numerador diminui e a taxa de desemprego magicamente cai. Observe que nenhum emprego foi criado; o que aconteceu foi simplesmente que um sujeito desistiu de procurar emprego e se retirou da força de trabalho. Quando estava desempregado, ele tinha um maior peso no numerador do que no denominador. Portanto, quando ele é retirado de ambos os termos da fração, a taxa de desemprego cai. Uma vitória para o governo. O problema é que essa vitória é puramente estatística.

E este fenômeno de retirada do mercado de trabalho é um fenômeno mundial, sendo ainda mais intenso nos EUA e na Europa.

Abraço!

Responder
anônimo 22/08/2012 07:08:05

Por que os preços são tão altos no Brasil? Como os impostos aqui influenciam nisso? Porque existem países na Europa de altos impostos, mas com eletrônicos, roupas, etc bem mais baratos.

Responder
Leandro 22/08/2012 07:16:08

Baixa abertura da economia (altas tarifas de importação) e, consequentemente, baixa concorrência de produtos importados.

Operando sob uma quase reserva de mercado, há muito espaço para empresas subirem seus preços sem serem punidas pelos consumidores. Palmas para o governo.

Responder
anônimo 09/08/2012 02:44:28

Obrigado pelos esclarecimentos, Leandro!

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