É possível sair do euro?

Como discuti em profundidade em meu livro, os custos e riscos de se tentar salvar e manter a zona do euro são imensos, e seguem crescendo.  Logo, será que existe alguma saída possível? 

Intuitivamente, sair do euro deveria ser tão fácil quanto entrar.  Tornar-se membro e depois se desfiliar do clube deveriam ser coisas igualmente simples.  Desassociar-se é apenas desfazer o que foi feito anteriormente.  Com efeito, já há vários artigos discutindo os prospectos de uma saída de países como a Grécia e a Alemanha.[1]  No entanto, há outras vozes que muito corretamente vêm afirmando que existem muitos e inegáveis problemas neste processo de saída.  Alguns autores até mesmo afirmam que estes problemas fariam com que sair do euro fosse praticamente impossível.  Assim, Eichengreen (2010) declara que "A decisão de se juntar à zona do euro é efetivamente irreversível".  Similarmente, Porter (2010) argumentar que os altos custos de uma retirada tornam o processo altamente improvável.  A seguir, vamos abordar os supostos problemas desta desassociação.

Problemas legais

O Tratado de Maastricht não fornece um mecanismo de saída da União Monetária Europeia (UME).  Assim, vários autores afirmam que uma saída do euro constituiria uma infração dos tratados (Cotterill 2011, Procter and Thieffry 1998, Thieffry 2011, Anthanassiou 2009).  Em uma monografia de 2009 publicada pelo Banco Central Europeu (BCE), Anthanassiou alega que um país que saísse da UME teria também de sair da União Europeia.  Dado que o Tratado de Lisboa permite esta secessão em relação à UE, então se retirar da UE seria a única maneira de um país se livrar do euro.

A solução para este problema legal, portanto, poderia ser se retirar tanto da UME quanto da UE e, logo em seguida, juntar-se novamente à UE — obviamente, sem adotar o euro.  Este procedimento poderia ser negociado antecipadamente.  Para o caso de um país que é contribuinte líquido para o orçamento da UE, como a Alemanha, ele provavelmente não enfrentaria nenhum problema em ser imediatamente readmitido à UE.

Em todo caso, referir-se ao Tratado de Maastricht quando se discute a possibilidade legal de se abandonar o euro é algo intrigante, pois o Tratado de Maastricht, principalmente a cláusula que explicitamente proíbe pacotes de socorro, já foi amplamente violado por meio dos socorros à Grécia, à Irlanda e a Portugal.  O Fundo Europeu de Estabilização Financeira serve, na prática, para garantir as dívidas das outras nações.

Adicionalmente, o Banco Central Europeu tem constantemente violado o espírito do Tratado de Maastricht ao sair comprando as dívidas das nações problemáticas.  Parece-me justificável, para não dizer obrigatório, um país abandonar o euro uma vez que todas as condições acordadas para sua existência foram violadas.  Com efeito, o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha declarou, em 1993, que a Alemanha poderia sair do euro caso as metas de estabilidade monetária não fossem atingidas.  Após os últimos anos, está claro que a zona do euro e o euro estão longe de poder ser considerados estáveis.  Mas, além destas considerações, vale observar que uma nação soberana pode repudiar o tratado (Deo, Donovan, and Hatheway 2011).

Outro problema legal advém da possível redenominação de contratos em decorrência de uma saída do euro.  Um governo terá de redenominar contratos firmados em euro em sua nova moeda (aplicando a lex monetae — o estado determinada sua própria moeda).  Ele poderá fazer isso sem problemas caso os contratos tenham sido firmados em seu território ou sob sua legislação.  Mas, e quanto aos títulos públicos e privados que foram emitidos em países estrangeiros?  Como os tribunais iriam agir?

Imagine uma empresa alemã que tenha vendido um título em Paris.  Este título será quitado em euros ou na nova moeda alemã caso a Alemanha saia do euro?  Os tribunais franceses provavelmente iriam estipular que o título seja quitado em euros.[2]  Possivelmente, também o Tribunal de Justiça da União Europeia iria legislar da mesma maneira.  Assim, em caso de uma retirada, haveria alguma incerteza causa pelas determinações judiciais.  Podem ocorrer prejuízos ou lucros ocasionais para os lados envolvidos na contenda.  No entanto, é difícil imaginar que tais determinações jurídicas representem distúrbios importantes ou obstáculos insuperáveis para uma retirada do euro.

Custos de introdução

Sair do euro pode implicar a emissão de uma nova moeda nacional.  Isto envolve os custos de se imprimir novas cédulas, de cunhar novas moedas metálicas, de trocas todos os caixas eletrônicos etc.  Há também os custos logísticos de se trocar a moeda antiga pela nova.  Mas estes custos não são maiores do que os custos da introdução do euro.  Na Áustria, os custos da introdução do euro foram estimados em €1,45 bilhão, algo em torno de 0,5% do PIB.[3]

Inflação dos salários e taxas de juros maiores

Frequentemente argumenta-se que os países da periferia, que possuem salários sobrevalorizados e pouco competitivos, poderiam simplesmente sair do euro e, com isso, magicamente, resolver todos os seus problemas.  A Grécia, por exemplo, sofre com seus salários excessivamente altos principalmente porque não há liberdade no mercado de trabalho.  Sindicatos poderosos elevaram os salários a um nível irrealista e incompatível com a produtividade dos gregos.  O consequente desemprego foi atenuado, durante anos, pelo aumento dos gastos do governo, do déficit público e do endividamento, tudo possibilitado pela maneira como funciona o eurossistema.  O governo grego contratou inúmeros funcionários públicos a altos salários, pagou generosos auxílios-desemprego e concedeu aposentadorias precoces com pensões nada frugais.

Dado que os poderosos sindicatos impedem que os salários caiam a um nível capaz de recuperara a competitividade do país, algumas pessoas passaram a recomendar que a Grécia saia do euro, desvalorize sua moeda e, com isso, aumente sua competitividade.  Mas este argumento contém um problema.  Se os sindicatos permanecerem poderosos, eles simplesmente irão exigir aumentos salariais para compensar o aumento nos preços das importações.  Tal aumento compensatório nos salários iria eliminar todas as supostas vantagens de uma desvalorização.  Ademais, dado que a desvalorização torna as importações mais caras, se um país tiver de importar bens que serão transformados e mais tarde exportados, a depreciação não fará absolutamente nada para aumentar a competitividade.

Portanto, se o objetivo é realmente aumentar a competitividade, uma saída do euro teria de ser acompanhada por uma reforma do mercado de trabalho.  Em todo caso, após sair da UME, o governo grego não mais poderia utilizar a máquina de redistribuição monetária da UME para financiar seus déficits e elevar artificialmente os salários.

Similarmente, sair do euro sem se fazer reformas adicionais pode obrigar o governo a dar um calote em sua dívida (pelo menos parcialmente).  Isso implicaria juros maiores para a dívida do governo no futuro.  Logo, uma concomitante reforma das instituições fiscais, como a imposição de um limite constitucional para os déficits orçamentários do governo, poderia aliviar o problema.

O fim da redistribuição monetária entre os países

Alguns países são muito beneficiados pelo arranjo monetário da UME.  Eles pagam sobre suas dívidas juros menores do que pagariam em outras circunstâncias.  Se um país como a Grécia sair do euro e pagar suas dívidas com uma moeda desvalorizada, certamente serão cobrados juros maiores sobre suas futuras dívidas.

Adicionalmente, países como a Grécia não mais poderiam se beneficiar da redistribuição monetária que ocorre na zona do euro.  O governo grego e, indiretamente, parte da população grega se beneficiam dos altos déficits do orçamento do governo e do consequente fluxo de dinheiro recém-criado pelo BCE que estes déficits direcionam para o país.  Este processo permitiu à Grécia financiar importações fartas e padrões de vida incompatíveis com a real riqueza da população, algo que não seria possível sob outros arranjos.  Logo, pelo menos no curto prazo, sair do euro significaria, ceteris paribus, uma deterioração deste padrão de vida artificialmente elevado.  Em outras palavras, após sair da UME, tanto o tamanho de seu setor público quanto o padrão de vida da população provavelmente iriam declinar, uma vez que os subsídios da UME acabarão.  Estes custos se aplicam apenas àqueles países que eram os beneficiários do esquema redistributivo da UME.  Para aqueles países mais fiscalmente sólidos, vale o raciocínio inverso.

Perdas comerciais

Alguns autores argumentam que o comércio entre os países da Europa iria entrar em colapso caso alguns países se retirassem do euro.  Barreiras comerciais seriam re-erigidas.  Mas também poderia ocorrer uma apreciação de uma nova moeda, como por exemplo um novo marco alemão.  Em um relatório do UBS, Flury and Wacker (2010, p. 3) estimam que o novo marco alemão se apreciaria aproximadamente 25%.

Contrariamente a outra monografia do UBS (Deo, Donovan and Hatheway 2011) que sugere custos horripilantes em decorrência de um colapso do euro,[4] não considero tais barreiras comerciais como sendo algo muito provável, e por vários motivos.  Primeiro, tais barreiras seriam um desastre econômico para todos os países envolvidos, levariam a uma severa e longa depressão, e a uma substantiva redução no padrão de vida dos europeus.  Segundo, países contribuintes líquidos para a UE, como a Alemanha, ainda poderiam utilizar essas suas contribuições para a UE como arma de negociação para impedir o surgimento de tais barreiras.  Terceiro, barreiras comerciais representam uma flagrante violação dos tratados da UE.  Quarto, tarifas poderiam provocar severas tensões entre as nações, possivelmente levando a guerras.

Custos políticos

Também é comum ouvir afirmações de que uma saída do euro implicaria altos custos políticos.  Ótimo.  Uma saída poderia de fato desencadear a dissolução do euro.  A desintegração da UME iria colocar em risco o projeto de criação de um super-estado federal europeu.  E isso significaria um importante golpe no "projeto europeu".  Poderia significar o fim da UE como a conhecemos hoje.  A UE poderia se "degenerar" em uma zona de livre comércio.

Os políticos dos países que saíssem do euro perderiam influência sobre as decisões políticas dos outros países da UME.  Eles também perderiam a estima dos outros políticos da UME e da grande mídia que apoiou resolutamente a criação do euro.  Portanto, para os defensores de uma zona de livre comércio na Europa, estes custos políticos significam imensos benefícios.  O perigo de um super-estado federal europeu desapareceria por ora.

Custos procedimentais e fluxos de capital

Uma nação que saía do euro terá de imprimir novas cédulas, cunhar novas moedas, reprogramar caixas eletrônicos e reescrever códigos de computadores.  Isso leva tempo.  A questão das máquinas que operam moedas de euro não é necessariamente dramática, pois, durante o período de transição, máquinas mais antigas podem ser utilizadas sem caos.  Estacionamentos públicos utilizando parquímetros em euro não irão desarranjar nenhuma economia.

O problema das cédulas e moedas é de rápida solução, pois, em ambas, a origem do país está estampada visivelmente.  As moedas possuem uma imagem específica de cada país e as cédulas possuem uma letra específica de cada país.  Caso a Alemanha saia do euro, todas as cédulas e moedas alemãs seriam renomeadas (possivelmente com um carimbo) com o nome da nova moeda e, mais tarde, gradualmente trocadas por estas novas cédulas e moedas.  Obviamente, o período de transição envolveria alguns custos, uma vez que as pessoas teriam de olhar os símbolos e as imagens quando fossem transacionar em dinheiro vivo.

O mais severo problema de se sair do euro — um que, de acordo com Eichengreen (2010), geraria barreiras "intransponíveis" — é o fluxo de capitais que ocorrerá quando a opção da saída estiver sendo discutida.[5]  Tal tipo de discussão demora nas democracias.  Durante este período, pode haver importantes e caóticas entradas e saídas de capitais.

Consideremos primeiro a questão da saída de capitais, algo que certamente ocorreria caso a Grécia decidisse sair do euro sem fazer nenhuma concomitante reforma.  Se os políticos gregos discutirem seriamente a saída do país da zona do euro, os cidadãos gregos irão imaginar, muito corretamente, que a nova moeda, o novo dracma, será mais desvalorizada que o euro.  Consequentemente, os cidadãos gregos, querendo proteger sua riqueza acumulada, irão transferir seus euros atualmente depositados em bancos gregos para contas bancárias em outros países da UME.  Eles muito provavelmente não entregarão suas cédulas de euro em troca de novos dracmas voluntariamente.

Os cidadãos gregos também podem adquirir outras moedas, como o franco suíço, o dólar americano ou o ouro para se proteger da desvalorização.  Desta forma, a Grécia poderia praticamente ser imunizada contra o novo dracma antes mesmo de sua introdução.  Como consequência, o sistema bancário grego pode vir a sofrer com problemas de liquidez e solvência.  No entanto, os cidadãos gregos continuariam transacionando normalmente com seus euros enviados para fora da jurisdição grega.

Este é o suposto "problema" ds fuga de capital.  No entanto, esta fuga não seria nenhum problema para os cidadãos gregos.  Para eles, estas saídas de capital seriam, na realidade, uma solução para o problema de uma moeda nacional inflacionista.  Ademais, saídas de capital já estão ocorrendo neste momento.  O parlamento grego discutir sobre uma retirada da Grécia da zona do euro iria apenas acelerar aquilo que já está em andamento.

O raciocínio oposto se aplica quando um país mais solvente, como a Alemanha, discute sua retirada da zona do euro.  Se as pessoas estiverem imaginando que haverá uma apreciação da nova moeda alemã, haverá uma forte entrada de capital na Alemanha.  A quantidade de euros dentro da Alemanha, euros estes que mais tarde serão convertidos na nova moeda alemã, aumentaria.  Os preços dos ativos alemães (por exemplo, imóveis e ações) iriam subir em antecipação à eventual saída da Alemanha, beneficiando os atuais proprietários destes ativos.

Uma crise bancária sistêmica

Finalmente, é possível que haja efeitos negativos sobre o sistema bancário, dado que muito provavelmente haverá perdas para os bancos tanto domésticos quanto estrangeiros.[6]  Eichengreen (2010) teme a "mãe de todas as crises financeiras".  Por causa da conectividade entre as economias, não importa se será a Alemanha ou a Grécia a deixar o euro.  Se a Grécia sair do euro e pagar suas dívidas em uma nova e depreciada moeda, ou simplesmente der o calote, haverá grandes perdas para os bancos europeus, o que poderá gerar problemas de solvência.  Similarmente, se a Alemanha sair do euro, a garantia e o apoio implícito que o país dá ao eurossistema irão desaparecer.  O resultado poderá ser uma crise bancária na Grécia e em outros países.  Esta crise bancária poderá afetar negativamente os bancos alemães.  A crise bancária também iria afetar negativamente as dívidas soberanas por causa das possíveis recapitalizações bancárias.  Outros países podem passar a ser considerados eventuais caloteiros ou candidatos a também sair do euro, levando a juros mais altos sobre as dívidas públicas.  Uma crise financeira sistêmica infectando os governos mais fracos seria uma forte possibilidade.

Recentemente, o FMI sugeriu que os bancos europeus estão prestes a enfrentar potenciais prejuízos de €300 bilhões, e exortou os bancos a elevarem seu capital.  É preciso enfatizar que o problema da baixa capitalização dos bancos, bem como de ativos ruins (principalmente títulos dos governos da periferia do euro), já existe na UME e irá se deteriorar mesmo que nenhum país saia do arranjo monetário.

É praticamente impossível sair do euro sem que as já instáveis estruturas desabem.  Entretanto, este colapso teria o benéfico efeito de rapidamente expurgar estas estruturas inerentemente insustentáveis.  Mesmo se nenhum país se retirar do euro, o fato é que o problema bancário existe e terá de ser resolvido mais cedo ou mais tarde.  Uma potencial insolvência bancária, portanto, não pode ser utilizada como argumento contra uma retirada do euro.[7] 

Na UME, os pagadores de impostos (majoritariamente alemães) e as medidas inflacionistas do Banco Central Europeu estão momentaneamente contendo a situação.  Uma retirada iria apenas acelerar a reestruturação do sistema bancário europeu.

Neste ponto, gostaria de oferecer a seguinte recomendação para uma solução da crise bancária.  Existem importantes soluções de livre mercado para problemas de solvência bancária.

  1. Bancos que mantêm modelos de negócios inviáveis devem quebrar.  Isso liberaria capital e recursos para outros projetos empreendedoriais.
  2. Dívidas bancárias devem ser convertidas em capital, permitindo que os credores assumam o controle dos bancos.  Isso deixaria vários bancos em situação mais saudável.[8]
  3. Bancos podem aumentar seu capital emitindo ações, como já estão fazendo.

Uma reforma livre-mercadista possui importantes vantagens:

  1. Os pagadores de impostos não são prejudicados.
  2. Projetos bancários insustentáveis são liquidados.  Dado que o setor bancário está sobredimensionado, ele encolheria para níveis mais saudáveis e sustentáveis.
  3. Nenhuma política inflacionista será utilizada para sustentar o sistema bancário.
  4. O risco moral é evitado.  Como os bancos não serão socorridos, os sobreviventes adotarão políticas mais prudentes, pois sabem que não mais haverá ajudas futuras.

O problema de se desemaranhar do Banco Central Europeu

O eurossistema é formado pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais.  Para um determinado país, a tarefa de se livrar do BCE é facilitada pelo fato de seu banco central nacional ainda possuir suas próprias reservas e ter seu próprio balancete.  Scott (1998) argumenta que este arranjo pode ter sido intencional.  Os países queriam conservar a possibilidade de sair do euro caso fosse necessário.

No dia 1º de janeiro de 1999, o BCE foi inaugurado com um capital de €5 bilhões.  Em dezembro de 2010, o capital foi elevado de €5,76 bilhões para €10,76 bilhões.  Apenas uma parte de todas as reservas bancárias da UME foi agrupada no BCE, o que torna uma retirada mais fácil.  Em 1º de janeiro de 1999, os bancos centrais nacionais contribuíram com €50 bilhões em reservas, proporcionalmente (Procter and Thieffrey 1998, p. 6).  Os bancos centrais nacionais retiveram a "propriedade" destas reservas, apenas transferindo seu gerenciamento para o BCE (Scott 1998, p. 217).  Caso haja uma retirada, tanto a devolução desta contribuição para o BCE quanto os ativos transferidos para o eurossistema terão de ser negociados (Anthanassiou 2009).

Similarmente, há o problema do TARGET2, um sistema de pagamento interbancário que faz processamento em tempo real de transferências transnacionais por toda a UE.  Se a Alemanha tivesse saído da UME em março de 2012, o Bundesbank teria encontrado créditos em euros de mais de €616 bilhões em seu balancete.  Se o euro se depreciasse em relação ao novo marco alemão, haveria substanciais perdas contábeis para o Bundesbank.  Como consequência, o governo alemão pode ter de recapitalizar o Bundesbank.  No entanto, é preciso levar em consideração que estas perdas apenas confirmariam o risco que o Bundesbank e o Tesouro alemão estão enfrentando atualmente na UME.  O risco aumenta a cada dia que o Bundesbank se mantém na UME.

Se, por outro lado, a Grécia sair da UME, ela enfrentaria menos problemas.  A Grécia simplesmente iria pagar suas obrigações para com o BCE com seus novos dracmas, o que traria perdas para o BCE.  Correntistas retirariam seu dinheiro dos bancos gregos e o transfeririam para bancos alemães, gerando reivindicações do TARGET2 sobre o Bundesbank.  À medida que o risco creditício do Bundesbank fosse aumentando em decorrência destas reivindicações originadas pela transferência de dinheiro para os bancos alemães, o Bundesbank poderia simplesmente decidir parar com tudo e sair do euro.[9]

Honestidade intelectual requer a admissão de que há custos importantes gerados pela saída de um país do euro, tais como problemas legais ou o corte de relações com o BCE.  No entanto, estes custos podem ser mitigados por reformas ou até mesmo por um gerenciamento sábio da transição.  Alguns dos alegados custos são na realidade benefícios do ponto de vista da liberdade, tais como os custos políticos ou a liberação de fluxos de capital.  Com efeito, outros custos podem ser vistos como uma oportunidade, tais como uma crise bancária que seja utilizada para reformar o sistema financeiro e finalmente colocá-lo sobre fundações sólidas. 

Em todo caso, estes custos têm de ser comparados aos enormes benefícios de se abandonar do sistema, dentre eles a possível implosão do eurossistema.  Sair do euro significa se retirar de um sistema monetário inflacionista e autodestrutivo, com estados assistencialistas crescentes, competitividade em decadência, pacotes de socorro, subsídios, transferências, risco moral, conflitos entre nações, centralização e, principalmente, liberdade crescentemente tolhida.

 

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Zerohedge. 2011. "The fatal flaw in Europe's second "bazooka" bailout: 82 million soon to be very angry Germans. Or how Euro bailout #2 could cost up to 56 percent of German GDP." Zerohedge.com Tyler Durden. 21th July. Available at: http://www.zerohedge.com/article/fatal-flaw-europes-second-bazooka-bailout-82-million-soon-be-very-angry-germans



[1] Reiermann (2011) discute os rumores de uma possível saída da Grécia.  Desmond Lachman (2011) afirma que a saída da Grécia da zona do euro é inevitável. Feldstein (2010) Recomenda que a Grécia "tire umas férias" do euro.  Johnson (2011) and Roubini (2011) recomendam que a Grécia abandone o euro e dê o calote.   Alexandre (2011) and Knowles (2011) inquirem como poderia se dar uma saída grega.  Edmund Conway (2011), contrariamante, crê que é a Alemanha quem deveria sair da zona do euro.  David Champion (2011) também considera a possibilidade de uma saída alemã.

[2] Mann (1960) afirma que, se não está claro qual moeda deve ser utilizada, os tribunais devem recorrer à lei especificada no contrato.  Portanto, se o título da empresa alemã foi vendido em Paris sob a jurisdição francesa, o contrato seria pago em euros.  Porter (2010, p. 4) chega à mesma conclusão.

[3] Ver Newsat (2001).

[4] Os autores estima que os custos para os países "fracos" que queiram sair estejam entre €9,500 e €11,500 por pessoa, e para os países "fortes, de €6,000 a €8,000 por pessoa.  Mas estas estimativas, além de exagerarem os custos, ignoram alguns importantes benefícios de uma retirada.  Por exemplo, elas não levam em conta os custos de longo prazo de uma união fiscal, tampouco a inflação mais alta.  Ademais, os autores assumem que o país "forte" que abandonar o euro irá prejudicar as suas indústrias e gerar desordens civis nos países fracos, sendo que a possibilidade de tais desordens é na verdade maior caso o país se mantenha na zona do euro.

[5] Smith (2005, p. 465) alerta para a instabilidade gerada por especulações a respeito de uma retirada: "até mesmo a ameaça de uma retirada irá afetar a estabilidade do euro, podendo levar a especulações contra a moeda".  Scott (1998, p. 211) argumenta que a especulação sobre qual país irá sair pode levar a uma colapso da zona do euro.

[6] Como afirma Porter (2010, p. 5), uma retirada resultaria em um descompasso monetário entre empresas e bancos.  Repentinamente, ativos e dívidas passariam a ser denominados em uma moeda estrangeira com valor inconstante, resultando em lucros ou prejuízos acentuados.  Como a Alemanha possui uma posição líquida em ativos estrangeiros, e sua saída provavelmente resultaria em uma valorização da nova moeda alemã em relação ao euro, haveria prejuízos que poderiam afetar dramaticamente os balancetes.

[7] Por essa lógica, é de se perguntar se algum país deveria ter rejeitado a possibilidade de se separar da União Soviética por temor de problemas bancários.

[8] Idealmente, esta conversão seria voluntária.  Se os credores dos bancos não estiverem dispostos a converter seus investimentos em capital, o banco teria de ser liquidado, o que geraria grandes perdas em decorrência do preço de liquidação.  Logo, haverá um forte incentivo para que os credores aceitem converter as dívidas dos bancos em capital, caso o empreendimento se mostre viável.  Ao fazerem isso, eles podem evitar prejuízos maiores decorrentes de uma liquidação. 

[9] Note que as reivindicações ou passivos no sistema TARGET2 não são contra outros bancos centrais nacionais, mas sim apenas em relação ao BCE.


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SOBRE O AUTOR

Philipp Bagus

é professor adjunto da Universidad Rey Juan Carlos, em Madri.  É o autor do livro A Tragédia do Euro.  Veja seu website.


Tradução de Leandro Roque


"Não podemos ignorar o fato de que muitos governos protegem e subsidiam o produto nacional para torná-lo artificialmente competitivo."

Correto. "Artificialmente competitivo". Isso significa que algo só consegue ter um mínimo de competência caso chupe dinheiro de impostos de toda a população, a qual não ganha nada com isso, mas é obrigada a encher os bolsos de empresários mercantilistas, incompetentes e avessos à concorrência.

"Vejam o caso da Bombardier no Canada, que disputa mercado com a Embraer, que fez queixas formais à OMC."

E, ainda assim, a Embraer tem mais aviões que a Bombardier no mercado americano.

"A China subsidiou setores que ganharam mercado através da derrocada em outros países."

Quais mercados que foram dominados pelos chineses e que fizeram muita falta para outros países? Colocando de outra forma: esses mercados que os chineses dominaram por acaso são mercados tecnológicos, complexos e que geram riqueza e prosperidade, ou são mercado primitivos, tecnologicamente defasados e que não exigem nenhuma grande especialidade?

Até onde sei, chineses produzem pano, sapato e bugigangas de baixíssimo valor agregado. Isso leva alguém à pujança? Um país que deixou de fazer isso por causa dos chineses agora está irremediavelmente condenado ao atraso?

Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

"Basta lembrar o que aconteceu com o setor textil e calçadista no Brasil."

Exatamente o que acabei de dizer acima. Em vez de nos preocuparmos com nanotecnologia, microprocessadores e outras atividades que realmente produzem riqueza, ainda estamos preocupados com pano e sapato, coisas completamente primitivas, que podem perfeitamente ser produzidas nos rincões mais atrasados do mundo.

Estude um pouco sobre divisão global do trabalho.

Comece por aqui:

Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

"Livre mercado é uma utopia irrealizável."

O que é realmente irrealizável é a inteligência econômica do brasileiro médio.
O artigo do André Lara já foi comentado pelo Leandro em duas ocasiões:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578#ac189563

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585#ac189561

Beira o inacreditável como é que um economista tão conceituado falou tamanha bobagem a respeito da política monetária americana. O André Lara simplesmente ignora como realmente se deu a política monetária americana. Foi impressionante.
Economistas do Banco Central do Brasil estão batendo palmas para este artigo publicado no Valor:
www.valor.com.br/cultura/4872458/andre-cochrane-e-teoria-fiscal-dos-precos

Gostaria de uma análise por parte do pessoal do Mises.

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VALOR ECONÔMICO -SP | EU E FIM DE SEMANA

BANCO CENTRAL | ECONOMIA, FINANÇAS E CONTAB.

André, Cochrane e a teoria fiscal dos preços (Artigo)

André Lara Resende publicou no Valor alguns artigos instigantes que estão gerando muita perplexidade e controvérsia. Para o grande público foi surpreendente e perturbador ler que "a hipótese neofisheriana, que vê no juro alto a causa da alta inflação no longo prazo (...) tem sólidas credenciais analíticas". Isto até encorajou o colunista Ancelmo Gois a brincar que o Banco Central vai ter que devolver os juros elevados que foram praticados no Brasil por tanto tempo.

Claro que não se trata disso! Apesar de o artigo se apresentar como uma crítica ao "conservadorismo intelectual", sua conclusão final é absolutamente conservadora: o trabalho de controle da inflação depende, em última instância, da confiança na sustentabilidade fiscal de longo prazo; sem isto, a política monetária estará sempre lutando uma batalha perdida.

A crítica de André ao conservadorismo parece resultar mais de um flerte com a doutrina neofisheriana, que se caracteriza por conclusões heterodoxas sobre a relação entre taxa de juros e inflação e por uma controversa teoria fiscal dos preços. Eduardo Loyo lembra que essas ideias têm apenas sobrevivido de forma marginal no corpo da ciência econômica, com seus resultados em total contraversão à opinião da maioria e ao senso comum.

Os neofisherianos dão muita importância à conclusão óbvia de que um regime monetário baseado em uma taxa de juros nominal fixa não produz uma âncora para a inflação. É possível ancorar a inflação quando se mantém o estoque total de moeda fixo, ou evoluindo a uma velocidade constante, como proposto por Milton Friedman. É possível também ancorar a inflação com uma taxa de câmbio fixa, como ocorria tradicionalmente nos regimes de padrão ouro. Não é possível, porém, ancorar a inflação apenas mantendo fixa a taxa nominal de juros.

Para demonstrar isso, considere a velha equação de Fisher, que na realidade é uma identidade que define a taxa real de juros:

Taxa nominal de juros = (taxa real de juros) mais (taxa de inflação)

Sabemos que a inflação aumenta quando a taxa real de juros cai. Imagine então que a taxa nominal de juros é fixa e ocorre um choque exógeno que aumenta a taxa de inflação. Pela identidade de Fisher, isso reduz a taxa real de juros, já que a taxa nominal permanece fixa. Como consequência, a taxa de inflação aumenta ainda mais, o que por sua vez produz uma redução adicional da taxa real de juros, e assim por diante. Ou seja, um regime monetário baseado numa taxa nominal de juros fixa não consegue ancorar a inflação. Qualquer choque exógeno produz uma trajetória explosiva, que tanto pode ser inflacionária como deflacionária.

É claro, porém, que nenhum banco central vai operar com uma taxa nominal de juros fixa, ainda que esta seja sua variável preferencial de controle. No mundo real, a ancoragem monetária é feita através de uma meta de inflação, com a autoridade monetária aumentando a taxa de juros quando a inflação fica acima da meta e reduzindo quando a inflação fica abaixo da meta, até que ocorra a convergência da inflação para a meta. Como consequência a ancora monetária não é uma taxa de juros nominal fixa, mas sim a própria meta de inflação. Nesse regime monetário, a taxa de inflação tende a ser igual à meta de inflação, que é a ancora efetiva. Quando isso ocorrer, a taxa nominal de juros terá seu valor determinado pela identidade de Fisher. Ou seja, no longo prazo a taxa nominal de juros não determina a taxa de inflação; ela é determinada pela meta de inflação!

O longo recente artigo de John Cochrane, citado por André, parece ser uma tentativa de relançar o neofisherianismo em bases técnicas mais respeitáveis. Cochrane sonha em ser uma espécie de Einstein da ciência econômica, afirmando que a experiência recente das economias avançadas com taxas de juros próximas de zero e taxas de inflação persistentemente abaixo das metas constitui-se numa espécie de experimento natural semelhante ao famoso resultado de Michelson-Morley, que foi o ponto de partida para a teoria da relatividade. Acontece que a teoria keynesiana moderna, que é utilizada por todos os bancos centrais, não encontra maior dificuldade para explicar os fatos.

Cochrane utiliza uma versão simplificada da teoria para demonstrar que, quando a taxa de juros de curto prazo é reduzida até zero, só existem duas possibilidades: ou a taxa de inflação volta a subir em direção à meta ou ocorre um processo ilimitado de deflação. Como nada disso teria ocorrido na experiência americana depois que a taxa de juros foi reduzida a praticamente zero ao fim de 2008, a conclusão é de que precisamos uma reformulação fundamental da teoria, e Cochrane sugere a alternativa da teoria fiscal dos preços.

Acontece que os números de inflação para os EUA estão longe de justificar o radicalismo de Cochrane. Em 2016 a taxa de inflação já convergiu, sim, para a meta do Fed de 2% ano. A taxa de núcleo do índice da Personal Consumption Expenditure, o PCE-core que costuma ser priorizado pelo Fed em suas decisões, também está subindo e chegou a 1,7% em 2016, ou seja, bem próximo da meta. Não é correto, portanto, dizer que a política monetária americana com taxa de juros próxima de zero não atingiu seu objetivo de colocar a inflação na meta.

Pode-se argumentar que parece ter demorado muito para conseguir isso? Na realidade não houve tanta demora. Entre 2011 e 2013, a inflação média do IPC americano ficou em 2,1%, com oscilação entre 1,5 e 3%, já perfeitamente compatível com a meta de 2%. No mesmo período, a média para o PCE-core ficou em 1,5%, com oscilação entre 0,9 e 1,7%, um pouco abaixo do IPC, mas nada muito dramático. Deve-se notar que nesses anos havia uma taxa de desemprego na faixa de 7 a 9%, o mercado imobiliário continuava em crise e as famílias provavelmente ainda estavam reduzindo suas despesas pessoais para ajustar seus endividamentos. Logo existiam forças importantes operando no sentido de impedir a elevação da taxa de inflação.

O quadro realmente mudou em 2014 e 2015, quando a inflação caiu abaixo de 1%. Essa desaceleração ocorreu junto a gradual eliminação do relaxamento quantitativo (QE), portanto em princípio com um aperto na política monetária, mas esta não nos parece ser a melhor explicação. O fator determinante foi uma brusca queda nos preços internacionais de commodities, com a cotação do petróleo Brent, por exemplo, caindo cerca de 70% entre meados de 2014 e fim de 2015. Os economistas da tradição de Chicago acreditam tanto em flexibilidade de preços que costumam não levar em consideração choques exógenos desse tipo. Se olharmos, porém, para as variações fortemente negativas do IPC Energia em 2014 e 2015 (menos 10,6% e menos 12,6%), fica claro que este foi um determinante importante da desaceleração inflacionária no período. Em 2016 alguns preços internacionais de commodities voltaram a subir (como 40% para o petróleo e 20% para os metais), o que certamente contribuiu para a elevação da taxa de inflação.

Ou seja, desde 2009 a política monetária americana foi efetivamente expansionista, ainda que diversos fatores tenham contribuído para um retorno relativamente gradual em direção à meta. Fica claro que estamos longe de um resultado paradoxal, tipo Michelson-Morley, que justifique alguma revolução teórica. Talvez o único conhecimento novo relevante que resultou da experiência americana com relaxamento quantitativo (QE) é que uma redução significativa das taxas longas de juros, que foi sua principal consequência, tem pouco impacto sobre o nível de atividade. Isto sugere que Keynes estava errado quando discordava de Hawtrey sobre a maior relevância das taxas curtas de juros para a política monetária.

Faltou comentar a tese de Cochrane sobre a possibilidade de deflação ilimitada quando a política monetária atinge a restrição do piso zero, o que talvez seja relevante para a economia japonesa. Pode acontecer que um banco central operando uma meta de inflação seja levado a reduzir a taxa nominal de juros até zero sem que consiga levar o nível de atividade a uma posição suficiente para reverter uma tendência generalizada à deflação dos preços. Isto ocorreria devido a uma configuração muito desfavorável da relação entre investimento e poupança. Uma economia com muita poupança e pouco investimento, que talvez seja o caso do Japão atual, pode produzir uma situação de desequilíbrio de longa duração com inflação cadente ou negativa.

Devido ao piso zero, a economia não consegue sair da posição deflacionária apenas através da política monetária e vai depender para isso de um estímulo fiscal. O fato de que uma situação desse tipo, como parece acontecer de forma crônica no Japão (particularmente quando olhamos o índice de preços empresarial), produz apenas uma deflação de intensidade limitada e indica apenas que a relação entre inflação e nível de atividade (representada pela curva de Phillips) não é linear e pode ter inclinação muito próxima de zero na região de taxas de inflação negativas. Isso é compatível com a velha noção keynesiana de que é difícil produzir deflações na prática.

Resta ainda entender o que pretende a teoria fiscal dos preços. A melhor explicação foi apresentada por Harald Uhlig no seminário sobre o assunto realizado em abril no Becker Friedman Institute da Universidade de Chicago. Uhlig, curiosamente, comenta que, entre outras possibilidades, a teoria fiscal dos preços talvez possa ser vista como "um conjunto de previsões que ocasionalmente funcionam em circunstâncias exóticas", e adiciona entre parênteses (Brazil?).

Sua explicação é muito simples. Se usarmos B para indicar o valor nominal da dívida pública e P para indicar o índice de preços de bens e serviços, então B/P indica o valor real da dívida. Os agentes privados que detêm esses títulos públicos esperam que eles possam ser pagos através da geração de superávits primários no futuro. Então para que se sintam confortáveis é necessário que o valor presente desses superávits futuros, que podemos indicar por VPS, seja igual ao valor real da dívida, ou seja, B/P = VPS. Isto pode ser visto como uma espécie de condição de arbitragem e podemos perguntar o que acontece se o governo aumenta sua dívida sem aumentar também o valor presente dos superávits futuros. Neste caso, B/P fica maior que VPS e, num mundo de preços plenamente flexíveis e expectativas racionais, o desequilíbrio será corrigido por um aumento no nível de preços. Ou seja, P aumenta de modo a que novamente B/P = VPS. Podemos concluir então que a taxa de inflação, que é a taxa de variação percentual de P, vai ser determinada pela diferença entre as taxas de variação percentual da dívida B e do valor presente dos superávits futuros VPS. Essa é a teoria fiscal dos preços, que se pretende uma explicação radicalmente nova para a inflação, sem qualquer menção a conceitos tradicionais como curva de Phillips, taxa de desemprego, investimento e poupança ou taxa de juros.

A teoria tem um defeito óbvio: não fica claro qual é o mecanismo de mercado que produz o movimento do índice de preços quando B/P difere de VPS. Não há dúvida de que se todos os carregadores da dívida pública chegarem à conclusão de que o valor presente dos superávits futuros não representa lastro adequado para esses títulos, isto é, B/P maior que VPS, então cada um deles vai tentar reduzir sua posição. Mas como isso afeta o índice de preços de bens e serviços?

Parece mais razoável supor que o impacto será no mercado secundário de títulos da dívida pública, o que sugere que está faltando algo na equação básica da teoria. O que está faltando é a relação entre o valor nominal ao qual a dívida foi emitida pelo governo, que estamos indicando por B, e seu valor no mercado secundário, que podemos indicar por zB, sendo z um fator de desconto. Se escrevemos a teoria fiscal dos preços como zB/P = VPS, então parece mais razoável supor que um desequilíbrio entre zB/P e VPS vai ser ajustado não por movimentos no índice de preços, mas por movimentos no fator de desconto para a dívida pública, indicado por z. Como esse fator está inversamente relacionado à taxa de juros de longo prazo, a conclusão é de que a teoria fiscal de preços não é uma nova teoria para a inflação, mas apenas uma teoria fiscal da taxa longa de juros.

Veja, porém, que realmente existe um caso exótico em que a teoria fiscal dos preços pode funcionar! É o caso em que a totalidade da dívida pública consiste de papéis ligados à taxa de juros overnight, como acontece com as LFTs no Brasil (que, aliás, foram inventadas pelo próprio André!). Neste caso, o fator de desconto para a dívida pública será sempre igual a um, por definição, e voltamos à formulação B/P = VPS, que viabiliza a teoria. Naturalmente, isso não significa que esteja garantida sua relevância prática no mundo real, fora dos modelos de preços totalmente flexíveis e expectativas racionais. Significa apenas que Uhlig tinha razão ao especular que a teoria fiscal dos preços poderia em tese funcionar em circunstâncias exóticas, como no Brasil das LFTs.

Francisco Lafaiete Lopes é PhD por Harvard, sócio da consultoria Macrométrica e ex-presidente do Banco Central (BC)

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Juliano  25/04/2012 07:52
    Do alto da minha ignorância em economia, vejo a questão do Euro (e a crise) de forma um pouco ambivalente, mesmo entre os textos liberais que tenho lido.\r
    \r
    Parte da atual crise é justamente a necessidade de um ajuste fiscal, já que os governos perdem a possibilidade de controlar a política monetária. Do meu ponto de vista, seria um problema similar à adoção de um padrão ouro ou qualquer coisa que tirasse poder do governo imprimir moeda. Ajustes fiscais são sempre dolorosos e nada populares. Também aconteceu no Brasil na adoção do Plano Real.\r
    \r
    O que piorou o problema foi uma injeção monetária que ocorreu na entrada dos países menores no Euro. Isso aumentou os problemas fiscais, gerando as bolhas que a gente está vendo.
  • mauricio barbosa  25/04/2012 08:22
    O que prova mais uma vez Juliano que os governantes só pensam em seus projetos mesquinhos em nome do povo,povo esse alienado e que fica sonhando em ter uma boquinha na teta do governo,perpetuando esse sistema opressivo que é o estado, mesmo na Europa educada...E olha que falam que a educação é que faz um país evoluir,só se for tecnologicamente,porque politicamente não tem evoluído nada(olha os manifestantes gregos querendo a manutenção dos privilégios e benesses estatais em nome de que...Interesses mesquinhos dos sindicatos trabalhistas gregos).
  • Rodrigo  25/04/2012 10:01
    Juliano,

    Teoricamente seria necessário o ajuste fiscal porque o Euro não deveria ser usado para socorros, estimulos ou financiamento estatal. E isso é bom porque colocam os governantes contra a parede: mais impostos ou menos gastos - qual menor custo político ?

    Porém, como sempre, os interesses capturaram o novo detentor do poder. E infelizmente só houve uma transferência de policy maker dos bancos centrais nacionais para o banco central europeu.
  • william  25/04/2012 09:59
    pessoal, parece que o futuro da Europa poderá ser mais negro ainda:

    "...uma nova corrente de políticos que são contra as medidas de austeridade está ganhando força na França e na Holanda. Este grupo acredita que neste momento os governos deveriam tomar mais dinheiro emprestado e aumentar os seus gastos públicos como forma de estimular o crescimento e acabar com a recessão.
    A austeridade fiscal ficaria para um segundo momento, quando a economia da Europa estivesse crescendo novamente.
    Eleitores em outros países do bloco europeu - como Grécia e República Tcheca - também dão sinais de que podem estar se voltando contra as austeridade."

    g1.globo.com/economia/noticia/2012/04/mudancas-politicas-podem-colocar-em-xeque-austeridade-na-europa.html
  • Mohamed Attcka Todomundo  26/04/2012 16:24
    o futuro da europa ñ eh negro, mas afro-descendente. é so abrir p/ a imigração africana p/ dar + cor àquele lugar. kkk
  • Juliano  25/04/2012 10:12
    Nem diria que são projetos em nome do "povo", mas em nome próprio mesmo. Governos gastadores têm popularidade e aplausos.\r
    \r
    E o pior é que a situação fica muito dramática. O Estado fica dando benefícios e, com isso, faz com que muitas pessoas fiquem dependentes. Os serviços estatais acabam com as iniciativa privadas naquela área (ninguém quer, ou pode, concorrer com o Estado). Com a falta de iniciativa privada, a dependência no governo aumenta ainda mais.\r
    \r
    Quando o esquema todo desaba, as pessoas ficam sem ter pra onde ir. Não tem atendimento médico, alimentação, crédito, investimento, aposentadoria. Fica a impressão que a iniciativa privada não consegue dar conta do recado e que o governo é a única saída. Não é à toa que pessoas estão se matando nos países mais afetados em sinal de completo desespero.\r
    \r
    O modelo todo é, acima de tudo, muito cruél.
  • Guilherme Shibata  25/04/2012 13:24
    Mal posso esperar pelo lançamento desse livro pelo Instituto Mises Brasil!
  • Carlos  25/04/2012 15:09
    O neoliberalismo, iniciado por Reagan e Thatcher, meteu a Europa numa fria, assim como fez com os EUA. Para lidar com a crise a Europa segue a política de em momentos de turbulência socorrer o sistema bancário com gordos pacotes e baixou os juros. Mas ela precisa baixa-los para próximo de zero como fez o Fed. A alternativa a tudo isso é estatizar o sistema bancário.

  • mauricio barbosa  25/04/2012 17:21
    Carlos que piada é essa de estatizar o sistema bancário onde já se viu isso ser solução para alguma coisa,privatização é a solução não porque o setor privado é perfeito,magnifico,infalível,nada disso,a diferença básica é que no setor privado o lucro é privado e o prejuízo também é privado, ao passo que na mão do estado o lucro é privado(corrupção) já o prejuízo é socializado(o tesouro cobrindo o déficit,aliás nós cobrindo o déficit).E aí como você contestaria isso quando a nossa mídia só vive denunciando casos e mais casos de corrupção o Gilberto dimensteim em 2001 chamou a atenção para um fato interessante enquanto a mídia denunciava um caso de corrupção no Bndes o ministro Pedro Malan baixou uma medida cortando verbas bilionárias da educação ou seja a mídia não falou nada sobre isso e aí como acreditar numa instituição podre igual é o estado cheio de contradições e corrupção,abra a cabeça e pare de sonhar em papai noel estatal onisciente.
  • Leandro  25/04/2012 19:29
    Alvíssaras! Finalmente o Carlos escreveu um comentário que não está 100% errado. Só metade.

    Sim, o neoliberalismo -- essa mistura de social-democracia, estado regulador e monopolista (inclusive na moeda), e liberdade sem responsabilidade própria para os agentes do mercado financeiro -- já se esgotou.

    O neoliberalismo, ao mesmo tempo em que faz algumas desregulamentações pontuais no mercado financeiro, cria um arcabouço que deixa explícito que o estado -- a agência que fornece monopolisticamente a moeda com a qual os agentes do mercado financeiro se deliciam -- irá socorrer todos aqueles que se derem mal.

    Se, por um lado, é verdade que a desregulamentação financeira ajudou a criar os problemas financeiros (em específico no setor de derivativos), o fato é que toda a lambança só ocorreu de fato porque havia no arranjo bancos centrais expandindo a quantidade de dinheiro na economia (sem cuja expansão as alavancagens e toda a especulação seriam impossíveis) e deixando implícito que entrariam em cena e socorreriam aquelas instituições financeiras consideradas grandes demais para quebrar.

    Apenas considere a equação:

    Desregulamentação financeira + bancos centrais aumentando a quantidade de dinheiro nas economias + bancos centrais e governos implicitamente prometendo ajuda a grandes instituições + seguro federal para os depósitos de seus correntistas = risco moral e especulações sem preocupação.

    Como isso poderia não gerar lambança? Se você desregulamenta, você permite que as pessoas façam o que quiserem. Até aí, tudo certo. Porém, se você dá essa liberdade, tem também de dar a responsabilidade. Caso contrário, tem-se um cenário de libertinagem: liberdade sem responsabilidades. O que combinou para gerar a crise financeira foi que, ao mesmo tempo em que os bancos tiveram liberdade para fazer o que queriam, eles também sabiam que o governo estava logo ali com o babador e a mamadeira na mão, e que não iria deixar que nenhuma travessura fosse penalizada pelo mercado.

    O gênio de Mises, além de ter previsto ainda em 1920 que uma economia socialista é insustentável, já no final da década de 1940 também previu o fracasso deste monstrengo intervencionista e estatista chamado neoliberalismo.

    Mises contra os neoliberais - as origens desse termo e seus defensores

    E, de quebra, ainda falou sobre a estatização do crédito.
  • Carlos  26/04/2012 05:22
    privatização é a solução não porque o setor privado é perfeito,magnifico,infalível,nada disso,a diferença básica é que no setor privado o lucro é privado e o prejuízo também é privado

    Sim, os pacotes de socorro da atual crise e o PROER que o digam. kkk
  • Paulo Sergio  25/04/2012 16:10
    Certo, não da pra sair do euro, e agora como vai ser? Empurra tudo com a barriga até a crise estourar de vez?
  • Paulo Sergio  25/04/2012 16:15
    Tatcher n era liberal, quem ferrou a Europa e os EUA foram os governos, banco irresponsável tem mais é que falir, e o mais importante de tudo, tu e teus companheiros NUNCA vão conseguir enganar todo mundo o tempo todo.
  • Zeca  25/04/2012 17:17
    Prezado Leandro,

    Mas uma brilhante tradução de um texto objetivo e oportuno. Contudo, assusta-me o fato da dramática situação de insolvência dos bancos europeus e americanos. Eles carecem de capital, mas - te pergunto - existe outra alternativa para se elevar o capital desses bancos que não seja a de novas emissões de ações? Pois parece-me que o público anda meio desacreditado de investir em papéis desse superdimensionado setor.

    Um grande abraço.
  • Leandro  25/04/2012 19:58
    Prezado Zeca, há sim outra solução. É mais radical, mas também é muito mais ética, é baseada em uma teoria econômica sólida e, principalmente, cria um arranjo econômico fundamentado em bases sólidas.

    Mas não é politicamente viável. Culpa da democracia.

    O que fazer em caso de quebras bancárias generalizadas?

    Abraços!
  • Daniel V.  26/04/2012 23:20
    Bagus como sempre excelente, um dos maiores economistas vivos (e muito jovem). Parece estar pavimentando uma carreira de muito sucesso.
    A questão do TARGET 2 é essencial. Muita aguá ainda vai rolar...
  • vanderlei  29/04/2012 05:06
    O Euro foi um acordo de empresários e governos para controlar a produtividade, inflação e gastos públicos.

    O Euro está baseado no Banco Central Alemão, política de controle de gastos e de inflação.

    O Euro não controla o salário ou a política social entre os participantes, trabalhadores do leste europeu ganham dez vezes menos que trabalhadores da Europa.

    Não existe acordo salarial ou social
  • Rhyan  08/03/2014 05:41
    E então que fim teve a crise no euro? Esse tema saiu da pauta dos jornais. Aqui mesmo não se vê mais artigos sobre essa crise (nem a americana). Alguém pode me atualizar rapidamente?
  • Leandro  08/03/2014 14:43
    Continua na mesma: em estado de torpor. Os bancos estão descapitalizados, o que afeta totalmente a expansão do crédito, que inclusive vem caindo.

    Por outro lado, sair do euro é impossível.

    Logo, enquanto não se resolver o problema dos bancos, bem como o endividamento das empresas e da população, a coisa não sairá disso.
  • Rafael Monteiro  08/03/2014 15:38
    Resumindo: o euro é bom para a população de uma forma geral porque é uma moeda valorizada e mantém uma taxa de câmbio fixa entre vários países, mas não é bom para os governos com orçamentos desequilibrados porque esses são obrigados pelos governos austeros a manterem uma política fiscal sólida. É isso?
  • Leandro  08/03/2014 16:02
    Correto.
  • Rhyan  09/03/2014 07:57
    Valeu, abraço!


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