O livre mercado e a segurança no trabalho

Não é incomum ver a imprensa relatando, sempre com bastante furor, algum caso de acidente de trabalho em que alguns trabalhadores ficaram gravemente feridos ou até mesmo acabaram morrendo.  Sempre que isso ocorre, descreve-se com minúcias o ambiente da tragédia como sendo de completa irresponsabilidade e insensível desconsideração para com a vida humana, sempre com o objetivo de forçar alguma credulidade.

Embora seja impossível não sentir a máxima empatia por todos aqueles que perderam suas vidas ou se feriram gravemente, bem como não levar em consideração o completo horror que devem ter sofrido os sobreviventes, é necessário também identificar o real objetivo destes relatos: fazer um ataque gratuito e totalmente equivocado à busca do lucro [exemplo extremamente recente aqui], e clamar por novas intervenções governamentais que sobrepujem os supostos malefícios trazidos pela busca do lucro.

Quase sempre, as soluções apresentadas são um aumento do orçamento do Ministério do Trabalho, bem como poderes adicionais a esta entidade e a todas as outras agências governamentais relacionadas à questão do trabalho, não obstante o fato relatado comprove a total inutilidade e incompetência destas burocracias, bem como das regulamentações governamentais, para impedir justamente estes tipos de acidentes.  O corolário é sempre o mesmo: não importa quão abismalmente falhas tenham sido as intervenções governamentais até o momento, a solução é sempre dar mais poderes ao governo e aos burocratas.

Em primeiro lugar, é preciso acima de tudo compreender que a segurança no trabalho nunca é uma questão de preto no branco.  É impossível aplicar fórmulas simplificadas para esta área.  É impossível determinar a partir de qual momento há uma divisão clara entre, de um lado, a total segurança de um trabalhador e, de outro, sua completa insegurança.  Afinal, por mais perfeita que seja a situação, sempre haverá algo a mais que, em teoria, pode ser feito para aprimorar a segurança no trabalho.  Sempre será possível, ao menos em teoria, efetuar qualquer atividade com mais segurança em relação à maneira com que tal atividade é atualmente realizada.  E isso raramente, para não dizer nunca, é mencionado. 

A esperança é que, à medida que o tempo passe, a acumulação de capital se intensifique e o progresso econômico se acentue, todas as atividades serão realizadas com mais segurança do que são hoje, assim como praticamente tudo hoje é realizado de maneira muito mais segura — desde construções civis a viagens aéreas — do que era no passado, quando prevalecia uma menor intensidade de desenvolvimento econômico.  Porém, dada a própria natureza incontornável da mortalidade humana, será sempre impossível fazer com que os perigos sejam completamente abolidos, e a segurança total seja absolutamente garantida.

Por exemplo, hoje, há um crescente uso de melhores e mais eficientes sistemas de frenagens nos automóveis e em outros veículos motorizados.  No futuro, esperemos, caso o mercado seja mantido livre e os governos não imponham novas regulamentações e tributações, será possível haver, a custo reduzido, sistemas de frenagens automáticos controlados por radares geridos por computadores.  Porém, vale ressaltar que, mesmo com tais sistemas de freios, ainda assim haverá riscos de colisões, pelo simples motivos de que ainda será possível ocorrer uma falha nos computadores.

Segurança e perigo existem e se manifestam em vários formatos distintos.  E, em todo e qualquer lugar, um aumento na segurança e uma redução nos riscos irá ocorrer somente a custos crescentes.  Melhorias na segurança que não tragam custos adicionais ou que tragam apenas aumentos insignificantes nos custos serão implementadas imediatamente — não há motivos para imaginar por que isso não ocorreria —, tão logo se esteja ciente de sua existência.  Afinal, não implementar tais melhorias é o que realmente seria custoso — em termos dos inúmeros danos que uma empresa poderá sofrer caso não o faça.

Além do problema dos custos, uma questão ainda mais complicada é o fato de que segurança e perigo são conceitos avaliados distintamente pelas pessoas.  Há motoristas que, ao verem o semáforo amarelo, entendem aquilo como um sinal de que devem acelerar para poder avançar antes que ele fique vermelho, ao passo que há outros motoristas que respondem à luz amarela reduzindo a velocidade com o intuito de parar o carro.  Há trabalhadores preparados para ganhar a vida fixando rebites de alta temperatura em vigas de aço localizadas a mais de 100 metros do solo, e há trabalhadores que consideram o simples deslocamento de suas casas até seu local de trabalho uma experiência geradora de grande angústia.

Talvez ainda mais importante seja o fato de que a variedade de condições com que segurança e perigo se manifestam não possui absolutamente nenhum limite prático.  Em termos de empregos, sempre haverá algum tipo de perigo na produção de absolutamente todos os tipos de bens ou serviços, sejam bens e serviços produzidos atualmente ou bens e serviços que virão a ser produzidos no futuro.  Da mesma forma, sempre haverá algum tipo de perigo em absolutamente todo e qualquer método ou combinação de métodos por meio do qual bens e serviços sejam ou venham a ser produzidos.

Por causa destes fatos, não apenas é impossível conceber e implementar todos os tipos de regulamentações que seriam necessárias para que o governo de fato decretasse o que é seguro e o que não é, como também qualquer tentativa de fazê-lo será algo comprovadamente arbitrário, e que facilmente poderá ter o efeito de paralisar por completo todo e qualquer tipo de julgamento racional da parte dos indivíduos — pois estes estarão agora condicionados a obedecer a todas as regulamentações burocráticas, e terão de obedecê-las sob condições variadas, condições estas que os próprios autores das regulamentações não previram e nem poderiam prever, ou sequer compreendiam corretamente.  Empreendedores se transformariam em meros autômatos desprovidos do uso da razão, limitando-se a fazer apenas as coisas que se encaixassem nos moldes prescritos por burocratas.

O que é essencial para a segurança não é uma variedade de regulamentações burocráticas, mas sim a livre e motivada inteligência humana, bem como o uso da razão, o que inclui a consideração dos custos de obter maiores graus de segurança.  Ironicamente, a imposição de custos excessivos para se alcançar um maior grau de segurança em uma determinada área pode fazer com que haja uma redução acentuada no grau de segurança em outras áreas, pois agora haverá uma menor disponibilidade de meios para estas outras áreas.  E isso é um fenômeno óbvio, pois vivemos na escassez.  Se recursos estão sendo maciçamente deslocados para uma área específica, em decorrência de decretos governamentais, então inevitavelmente haverá uma escassez destes recursos em outras áreas.  Para utilizar um exemplo extremo, o custo de sistemas de frenagens automáticos, controlados por radares geridos por computadores, provavelmente ainda é tão alto que, qualquer pessoa que não fosse extremamente abastada e que tivesse de instalar hoje tal sistema em seu automóvel, estaria se privando dos meios essenciais para preservar sua própria vida em todas as outras áreas, como a aquisição de alimentos, de vestuário e de abrigo.  A aquisição de tal sistema de frenagem tecnologicamente avançado, sob estas circunstâncias, acabaria paradoxalmente gerando consequências indiretamente fatais sobre este indivíduo.

Sempre que a segurança adicional vier a um custo alto, ela estará restringindo a capacidade de se fazer provisões para outras necessidades e desejos — inclusive a segurança — em outras áreas da vida.  E isso permanece válido até mesmo quando os maiores custos de segurança são inicialmente impostos às empresas em vez de diretamente aos consumidores.  Isso porque os maiores custos não irão ser eternamente financiados exclusivamente pela redução dos lucros; a partir de um dado momento, estes custos terão de ser repassados ou ao consumidor na forma de preços mais altos ou aos trabalhadores na forma de salários mais baixos.  De novo, trata-se de um fenômeno inerente ao fato de vivermos na escassez.

Os crescentes custos empreendedoriais observados nas últimas décadas, em decorrência tanto de legislações trabalhistas e ambientais como também do aumento da carga tributária e de todos os tipos de regulamentações, possuem um peso enorme na piora das condições econômicas de grande parte dos assalariados e do cidadão médio em geral.  Aqueles que buscam uma explicação para fenômenos como a crescente necessidade de duas fontes de renda por família não precisam procurar por outros motivos mais exóticos ou profundos.

Diferentemente das contraproducentes intervenções governamentais e das bagunças burocráticas, um mercado livre e desimpedido é capaz de produzir um maior grau de segurança em uma determinada área da economia de maneira consistente com a satisfação dos desejos e necessidades em todas as outras áreas da economia, de modo a aumentar a segurança geral de todos.  Isso porque um livre mercado opera sempre levando em conta uma adequada avaliação dos custos.  Ao agir assim, o livre mercado leva em devida consideração as diferentes maneiras como os indivíduos avaliam segurança e perigo.

Todo e qualquer aprimoramento na segurança do ambiente de trabalho serve, de uma maneira ou de outra, para reduzir os custos, simplesmente porque gera uma redução nos prejuízos e nos danos causados por acidentes.  Sempre que esta redução nos custos for mais importante ou tiver mais valor do que o custo adicional a ser incorrido na adoção e na manutenção daquilo que é necessário para obter um aprimoramento na segurança, tal aprimoramento será implementado e mantido pelas empresas da mesma maneira e com o mesmo entusiasmo que qualquer outro aprimoramento na eficiência.

Ainda mais importante, um livre mercado gera aprimoramentos na segurança mesmo para aqueles caso em que tal medida não é compensada por aumentos na eficiência, isto é, mesmo nos casos em que resultam na geração de custos adicionais permanentes.  Tal é o caso quando os aprimoramentos na segurança são desejados tão intensamente pelos assalariados, que eles aceitam salários mais baixos do que seriam caso tal aprimoramento em sua segurança não tivesse sido adotado.  Quando isso ocorre, o aprimoramento na segurança novamente acaba por reduzir os custos, revelando-se a medida mais lucrativa a ser adotada.

Todo esse arranjo voluntário, guiado pelo sistema de preços, pela busca do lucro e pela aversão aos prejuízos, traz melhorias muito mais significativas e mais eficazes na segurança do que qualquer intervenção governamental possível de ser concebida.


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SOBRE O AUTOR

George Reisman
é Ph.D e autor de Capitalism: A Treatise on Economics. (Uma réplica em PDF do livro completo pode ser baixada para o disco rígido do leitor se ele simplesmente clicar no título do livro e salvar o arquivo). Ele é professor emérito da economia da Pepperdine University. Seu website: www.capitalism.net. Seu blog georgereismansblog.blogspot.com.


Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anônimo  14/11/2011 13:49
    Haha, boa escolha de imagem.
  • Fernando Chiocca  14/11/2011 14:58
    Realmente, esta imagem por si só já é capaz de refutar praticamente toda argumentação dos proponentes das obstruções violentas das negociações voluntárias entre empregado e empregador.

    "Ohhh, mas o governo deve intervir pois o empregador (malévolo que só pensa em lucro) pode oferecer salários muito baixos e condições de trabalho precárias que colocam a saúde do trabalhador em risco, e este é "obrigado" (sim, eles tem a pachorra de usar este termo) a aceitar pois a alternativa é o desemprego e até morrer de fome!"

    Esta e tantas outras bobagens, que simplesmente citar o ofício de um mulher alvo de atirador de facas, já basta para deixar a outra parte sem resposta. Ou eles assumem que o governo deveria proibir esta profissão, ou colocar facas sem ponta, ou de borracha, ou a mulher seria obrigada a usar um colete protetor, ou o atirador de facas ser regulamentado e receber uma carteirinha do governo etc., etc., etc....
  • Juliano Torres  14/11/2011 19:35
    Fernando, fica dando ideia não. Vai que eles resolvem fazer isso e...
  • Bernardo Santoro  16/11/2011 10:28
    Eu não duvido que daqui a pouco proíbam a atividade de atirar facas. Fizeram isso no final da década de 90, na França, com a proibição do lançamento de anões.

    O lançamento de anões era uma jogo australiano-americano-francês que consistia em pegar um anão (que usava proteção e alças) e arremessá-lo o mais longe possível do bar. Muitos anões faziam disso uma profissão, e era um bom emprego para os anões que não fossem inteligentes, pois ninguém quer contratar um trabalhador braçal anão.

    Em 2002, um anão apelou para o órgão de defesa dos direitos humanos da ONU, argumentando que tem o direito de ser lançado de bares e que os governos estavam proibindo a legítima profissão dele, que era baseado num acordo voluntário que não fazia mal a ninguém.

    A ONU negou a apelação do anão com base na dignidade da pessoa humana.

    Esse caso foi base de um trabalho meu na faculdade de direito, e dos 75 alunos da minha turma na UERJ, apenas eu e minha ex-namorada defendemos o direito do anão de ser arremessado (e ela defendeu basicamente por influência minha).

    Para o estatista de plantão que estiver lendo isso aqui e acha que eu estou mentindo, pode ver a notícia em noticias.uol.com.br/inter/reuters/2002/09/27/ult27u26540.jhtm

    Por fim, recentemente o Deputado Estadual da Flórida Ritch Workman (R), de tendências libertárias, e conhecido pelo fato de 95% dos projetos de lei que propõe serem projetos que revogam outras leis e não que criam novas leis, está lutando pela revogação da lei que proíbe o lançamento de anões no estado.

    Quem tiver interesse, segue o link: www.meionorte.com/noticias/internacional/o-lancamento-de-anoes-ja-foi-uma-atividade-bastante-popular-em-bares-noturnos-de-miami-146818.html
  • Willian  14/11/2011 16:54
    Ao ler este artigo tive a impressão de que a segurança do trabalho não passa de um passivo (custos com acidentes de trabalho).

    Nesta situação o governo não precisaria estipular requisitos mínimos, pois todo capitalista seria inteligente o suficiente para prever que adotar alguns equipamentos ou metodologias trariam "mais valor".

    Nesta teoria, é mais vantajoso (entenda-se mais barato) oferecer a segurança ao trabalhador do que arcar com acidentes de trabalho. E assim deveria ser, ninguém duvida.

    Mas não é isso que acontece. Me parece que o judiciário não tem muito apreço pelo "valor da vida" - diversas vezes 50 mil paga. Se ficou incapacitado, INSS banca.

    Tudo não passa de uma aritmética básica.

    Porém entendo ser ingenuidade acreditar que todo empresário prefere investir na segurança do que arcar com indenizações. Alguns preferem correr o risco, afinal a vida que está em jogo não é a deles, nem da família deles, mas "apenas" 50 mil, na velocidade do judiciário, quando o empregado for reclamar.

    Não vejo problema algum no Estado regular condições mínimas. Ex: para determinada profissão, exige-se luva e máscara. Infelizmente, se não for obrigado, sob pena de multa, alguns vão trabalhar sem isso.

    Afinal, porque alguém que vá cumprimir tais exigências seria prejudicado com a imposição destas? Só posso imaginar que esta pessoa não deseja cumprimir tais exigências na íntegra.
  • Leandro  14/11/2011 17:06
    Willian, só que você está ignorando alguns pontos básicos.

    Por exemplo, se um empresário não fornecer equipamentos mínimos de segurança para seus empregados, e estes tiverem complicações, sofrerem acidentes ou coisa que o valha, o empresário estará agora sem mão-de-obra capacitada, e terá de sair à procura de substitutos (o que implica custos adicionais e perda de tempo).

    Observe que nem é preciso entrar em argumentos morais, não. O empresário pode ser o maior crápula imaginável; porém, se ele estiver preocupado com custos, lucros e produtividade (e ele tem de estar, senão não estaria empreendendo), será do total interesse dele fornecer equipamentos de segurança para seus empregados.

    No mais, como o texto explica, sempre será possível encontrar pontos onde a segurança poderia ser mais elevada, por mais trivial que seja. Por exemplo, se você vai a um restaurante a quilo ou a uma casa de carne, lá está um churrasqueiro lidando diretamente com fogo, com a cara na brasa e sem nenhuma proteção para os olhos e para os braços. Ora, isso é perigoso. Deveriam os donos destes estabelecimentos comprar óculos de solda e uniformes de bombeiro para os churrasqueiros? Se o fizessem, aumentariam enormemente a segurança destes profissionais.
  • Andre Cavalcante  14/11/2011 19:11
    Leandro,

    Este artigo me fez relembrar alguns conceitos básicos:

    Acidente de trabalho, assim como qualquer outro "acidente" é sempre resultado de atos e/ou situações de risco. Atos significa que um agente age com risco. Isso é quantificável. Situação é relativa ao ambiente e significa que o agente não faz ações de risco mas o ambiente onde a ação ocorre lhe é de risco. Isso também é quantificável.

    A produção de qualquer produto ou bem é necessariamente acompanhada de um processo (ato) em algum lugar (ambiente) e, portanto, está associado a um risco (não somente econômico, por exemplo, produzir mais que a demanda), mas também um risco físico (por exemplo, a fábrica de fogos de artifício explodir).
    Para cada classe de risco há uma série de medidas, algumas simples, outras nem tanto, para mitigar tais riscos. A mais simples delas será o seguro.

    O trabalhador que executa algum trabalho está sob um certo risco. Digamos que ele tenha que usar um protetor auricular, porque está em um ambiente com ruído acima de 80dB. Se não o fizer, estará se expondo a uma situação de risco e, provavelmente, terá problemas auriculares com o passar do tempo. Isso também é relevante na discussão: o fator tempo.

    Uma situação extremamente comum é o trabalhador não querer usar a proteção. Já vi muitos casos de o trabalhador não usar as proteções adequadas. Caberia ao empregador, neste caso, forçá-lo? Lembremos que se o custo do afastamento do empregado (eventualmente com a manutenção do seguro saúde pago pelo empregador) por um tempo recairá sobre o empregador.

    Por outro lado (já tive experiências também neste sentido) de o empregador não dar a mínima para segurança do empregado. No caso se tratava de estivadores; ora, por se tratar de uma mão de obra barata e abundante, o empregador simplesmente despedia o empregado, mesmo pagando qualquer coisa de multa e no dia seguinte já tinha outro no lugar. Neste caso o custo para o empregador pura e simplesmente era menor que oferecer quaisquer proteções aos empregados. Mas vejo que aqui há também a questão do respeito a propriedade alheia (isto é, sobre o corpo do empregado que está claramente em risco), o respeito ao direito a vida, único direito subjacente que os libertários parecem aceitar para se discutir qualquer coisa. Neste caso, como fazer com que o empregador realmente respeite esse direito e proveja as proteções mínimas? (Aqui teríamos que definir o que seriam essas proteções mínimas; engenheiros do trabalho adoram fazer essas contas e estabelecer o mínimo de segurança dentro de custos razoáveis (geralmente estipulados pelas empresas e conforme a legislação em vigor, mas deixa pra lá a questão da legislação e nos ater somente no cerne da questão), mas não sei até que ponto contratar um profissional desses seja interessante para o dito armador).

    Pensei em que o contrato de trabalho pudesse prever cláusulas de garantias ao trabalhador. Mas, mais uma vez, se trata de trabalhadores com pouca escolaridade, pouca informação até do que pode por em risco a sua vida. Neste caso, o que fazer? Deixar que realmente aconteçam mortes para que alguma providência seja tomada? E, se mesmo com as mortes os custos relativos ao empregador não forem tão altos que ele se sinta forçado a tomar providências? Gostaria de uma visão mais ampla do quadro de como o livre mercado possa ajustar tais situações.

    O texto do artigo em questão está muito bom, mas algumas dessas especificidades não foram faladas (talvez porque a realidade nos EUA seja diferente da nossa, ou talvez o articulista não quis aprofundar o assunto, sei lá).

    Abraços
  • Leandro  14/11/2011 19:58
    Prezado André, implícito em seu raciocínio está a ideia de que trabalhadores -- sejam eles estivadores, porteiros, engenheiros, garçons -- são obrigados a aceitar todos os tipos de trabalho sob quaisquer condições. Ora, isso não existe. Ninguém é obrigado a aceitar trabalho nenhum. Se o indivíduo considera que o trabalho que lhe foi oferecido é arriscado ou que o salário não compensa, então ele simplesmente não aceita o trabalho. Até onde eu sei, empresários não apontam armas para a cabeça dos indivíduos e obriga-os a trabalhar para eles. A única "arma" que empresários têm é a oferta de um salário. Se o salário for considerado baixo ou se as condições de trabalho forem insatisfatórias, então ninguém é obrigado a aceitar tal proposta de emprego.

    No caso específico de estivadores, estamos falando de um trabalho que exige exclusivamente massa muscular (e não massa encefálica). Como você bem disse, trata-se de um trabalho que pode ser feito por pessoas sem nenhum intelecto, bastando apenas que elas tenham bom preparo físico. Ora, é justamente o fato de os pré-requisitos necessários serem tão baixos que faz com que a oferta de mão-de-obra seja grande e, por conseguinte, os salários sejam baixos. Trata-se de uma lei de mercado que não pode ser abolida por meio de simples apelos emocionais.

    Logo, não faz sentido esse seu apelo de "respeito à propriedade alheia (isto é, sobre o corpo do empregado que está claramente em risco), o respeito ao direito a vida etc.", simplesmente porque o empresário não obriga o estivador a trabalhar pra ele. Se obrigasse, aí seria escravidão -- e, neste caso, seu argumento estaria totalmente correto. No entanto, o que foi descrito representa um arranjo mutuamente acordado. Se o estivador aceitou as condições oferecidas, então não está havendo desrespeito à propriedade alheia, tampouco ao seu corpo. De novo, efusões de sentimentos piedosos não podem alterar este fato.

    Veja só: eu também possuo um trabalho de risco. Eu fico boa parte do dia sentado, traduzindo, escrevendo e lendo. Não tenho tempo para me exercitar ou praticar atividades esportivas. Dizem que isso é péssimo para a saúde, para o coração, para os ossos etc. Dizem também que o simples fato de se ficar sentado por muito tempo pode me causar trombose. Logo, minha saúde está tão em risco quanto a de um estivador. Aliás, os membros politicamente corretos da geração saúde diriam que minhas condições são ainda mais insalubres que as dos estivadores: os estivadores ao menos estão se movimentando e fazendo esforço físico; eu não. Logo, poderia eu pedir um adicional de periculosidade por ter um trabalho que me obriga a ser sedentário? Poderia eu dizer que minha propriedade sobre meu corpo está sendo violada? Poderia eu exigir que meu empregador respeitasse "meus direitos" e me provesse, sei lá, um massageador de pernas? O que ao menos ele pagasse pelo café que eu consumo (e que estimula meus neurônios)?

    Por fim, gostaria de ver estatísticas sobre os números atuais de mortes de estivadores. Pelo próprio cenário tétrico que você estabeleceu, os números deveriam estar nos milhares, de modo que provavelmente não mais existiriam estivadores. O que finalmente nos leva à resposta para sua pergunta ("como o livre mercado possa ajustar tais situações"): se os empresários fossem negligentes com a segurança dos estivadores, de modo a causar seguidas mortes, ninguém mais iria querer ser estivador. Consequentemente, essa redução na oferta de mão-de-obra faria com que os salários tivessem de ser elevados sobremaneira -- algo que, aí sim, traria enormes custos para os empresários. Logo, é preferível fornecer equipamentos de segurança de modo a manter uma alta oferta de mão-de-obra a poupar na segurança e, futuramente, ter de pagar altos salários para um estivador.

    Acho que deu pra entender o ponto.

    Grande abraço!
  • Andre Cavalcante  20/11/2011 00:44
    Oi Leandro,

    De fato, havia me passado essa. Desculpe.

    Entendi o ponto e você chegou onde eu queria com a minha argumentação original. Em alguns casos simplesmente os custos de substituição de mão-de-obra e/ou seguros serão maiores que a proteção e, nestes casos, haverá, provavelmente como obrigação contratual, o uso de determinados elementos de segurança.

    Entretanto, há outros casos que simplesmente não vale a pena. Nestes casos, alguém que se empregar nestes tipos de emprego, sabedor ou não, estará de fato se arriscando.

    Quanto a questão do quadro que pintei, não é tétrico é pura verdade e também não quis ser emocional, antes queria jogar dentro da visão libertária e assumir o direito a vida. Estivadores morrem tanto quanto outros profissionais, talvez um pouco mais que a média, mas nem por isso. Já tive experiência de um lugar que o empregado já vinha pedir o emprego alcoolizado (pode?) e o sindicato vinha encher o saco que o cara estava trabalhando sem o uniforme correto (que possui uma presilha para atar corda de segurança). Por outro lado, o empregador realmente não estava nem aí se o estivador ia cair do barco no meio do rio (provavelmente não morreria, mas é "acidente" de trabalho) ou não, pois lhe era muito fácil substituir aquela mão-de-obra. Ou seja, em uma sociedade libertária, não mudaria muito esse quadro, exceto que não teria a chatice do estado aplicando multas se alguém não amarrasse o "pobre coitado" do estivador.

    Abraços
  • Fernando Z  14/11/2011 19:39
    Na Universidade existe muita propaganda a favor de regulamentações e falam do empresário como um babaca que não sabe fazer nada direito.
  • José R.C.Monteiro  14/11/2011 19:59
    Saudações, trabalhei 25 anos em uma empresa estatal, segurança era fator primordial, e quase sempre havia medidas absurdamente desnecessárias, pobre empreiteiras e prestadores de serviços porque tinham que se manter na área, executando uma obra/trabalho, sob à egide de uma legislação elaborada por um "burrocrata" que nem conhecia do trabalho,e muitas vezes elaborava uma nova exigência. Empreiteiras faliram, trabalhadores ficaram desempregados, famílias sem amparo do chefe-do-lar. Desgraçados legisladores, fazedores de mendigos e alimentadores da crimininalidade, pois um desempregado tendo que alimentar a prole, faz de tudo, eu faria? Vocês fariam?
    Fico a pensar se a democracia é o modelo ideal para nossa nação.
    Aristóteles dizia que a democracia nada mais era que uma forma de governo, e que serveria em casos excepcionais, caso não existisse algumas condições [indivíduos iguais/auto-suficientes/aptidão para se defender/governo que jamais se intrometesse na vida privada/contratos solenes sem modificações/etc.] seria um regime "IMPRATICÁVEL", ou melhor, seria uma doença degenerativa.
    Será que estarei errado em pensar que estamos caminhando a passos largos em direção da oclocracia?
    Mais uma vez mandaram bem, mataram à moda pau.
  • Carlos Araujo  14/11/2011 21:28
    É nestas horas que eu me lembro da minha época de milico.

    Foi lá que -apesar de contraditório- eu aprendi coisas que me deram base para chegar até o libertarianismo.

    Quando cheguei lá, vi aqueles figurões de farda, arrotando regras.

    O tempo pasa, e depois do acampamento você ve que aquilo ali é uma zorra!

    O pessoal tira serviço bebado, faz festa dentro do quartel, dirige os veículos militares bebados, toca zorra no alojamento...

    Simplesmente tudo porra louca.

    E se prescisar usar o fuzil, tá em prontidão.
    Se prescisar atravessar a cidade correndo debaixo de chuva pra fazer alguma coisa, tá em prontidão.

    E a coisa flui, e o serviço é feito. Sem estress.

    Competência não tem simplesmente NADA, mas NADA mesmo a ver com andar de terninho, arrumandinho, cheio de regras, com pastinha na mão e posando de máximo.

    Competência tem a ver com o resultado do serviço porra.

    Se ta bem feito, pronto acabou, e não me enche o saco.

    E lá você aprende a saber a hora que as coisas tem de ser feitas.

    Todo mundo pensa que a ordem vem de cima, mas simplesmente não é. A ordem brota espontâneamente de nós mesmos.

    De toda aquela baderna, a ordem surge naturalmente e a "missão" é cumprida, por um bando de doidão.

    E com uma eficiência que nenhum burocrata em seu armani jamais conseguiria.

    Essa coisa de "segurança no trabalho", "dirigir sem 1ml de alcool no sangue", entre outras é coisa de gente fresca que não sabe fazer o serviço direito.

    Receio que as gerações futuras sofram de uma pantofobia sem cura.
  • Paulo Gross  16/11/2011 15:15
    Não me convenceu, pois basta estudarmos o que ocorreu no início da revolução industrial e da tendência do homem de explorar o outro ao máximo, pagando o mínimo (ganância)... Qualquer bom livro de direito do trabalho traz esta história da Inglaterra e outros países industriais no século XVIII e XIX e elucidam muito bem esta questão da exploração da mão de obra... ademais, para eles é vantajoso que a pessoa trabalhe o máximo possível, por isso uma jornada de 14 ou 16 horas é o ideal... e, tem pessoas que aceitam certos trabalhos por puro desespero de sobreviver e alimentar a família!!! \r
    \r
    E eu, que cursei direito, te digo que me submeteria à condições de trabalho crues para sustentar minha família se preciso fosse, o que muitos fazem...\r
    \r
    É uma ilusão achar que o mercado irá regular a segurança do trabalho, porquanto a segurança do trabalho é um custo para as empresas e estas querem se ver livres dos custos, quanto menos custo melhor!! Eu trabalho em uma empresa que deveria pagar periculosidade para alguns funcionários e não paga, pois espera que estes entrem no judiciário, procurando seus direitos... a grande maioria não entra com medo de perder o emprego... e, quando entra, a vida no trabalho vira um inferno... assim, só uma fiscalização séria mesmo... de qualquer forma, a fiscalização do governo é péssima e, os sindicatos no Brasil são todos pelegos, por causa do monopólio ou unicidade sindical (De acordo com este sistema de organização, somente é possível uma entidade sindical por categoria para uma mesma base territorial.)\r
    \r
    Em alguns rincões do Brasil, onde as instituições não funcionam, existe MUITO trabalho escravo sim senhor, uma quantidade imensa... eis um dentre muitos estudos www.scielo.br/pdf/ea/v14n38/v14n38a02.pdf\r
    \r
    De qualquer forma, ainda assim, com ou sem regulação do Estado ou privada neste ou naquele setor, continuará a máxima de que "Creio que, para serem felizes, os povos necessitam mais de homens íntegros do que de homens geniais." E, posso te garantir que a maioria dos homens são geniais e não íntegros...\r
    \r
    Sds
  • Leandro  16/11/2011 15:47
    Prezado Paulo, veja que interessante: imediatamente após o senhor diz que o texto não lhe convenceu, o senhor passa a fazer exatamente as mesmas considerações já comentadas no texto...

    No mais, vale repetir aqui o que sou obrigado a repetir em praticamente todos os comentários deste gênero: uma coisa é querer, desejar, sonhar; outra coisa é poder. Todo mundo deseja segurança no trabalho e altos salários, mas ninguém quer saber como isto será possível. O pessoal acredita que vivemos no mundo da abundância, um mundo em que basta o governo decretar algo e, voilà!, tudo fica resolvido.

    Essa questão da segurança no trabalho e do nível dos salários é interessante porque ela expõe o real conhecimento econômico de um debatedor, separando quem discute economia de quem se limita a fazes meros apelos emocionais.

    Em primeiro lugar, é uma impossível uma empresa pagar altos salários quando 70% de todo seu rendimento é tributado. No Brasil, por exemplo, sobre a receita bruta incidem PIS e COFINS. E depois, sobre o lucro restante incidem a CSLL e o IRPJ. Além destes impostos, há também os encargos sociais e trabalhistas sobre a folha de pagamento. E estamos apenas na esfera federal. A essa sopa de letras acrescente também o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).

    Dados Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário indicam que uma empresa paga tributos equivalentes a 70% do lucro obtido nos negócios -- isso é recorde mundial.

    É impossível haver uma grande acumulação de capital desta forma. Lucro que poderia ser reinvestido na compra de melhores equipamentos de segurança e de bens de capital modernos, que aumentariam a produtividade dos trabalhadores -- e, consequentemente, seus salários -- é confiscado pelo governo e desperdiçado no sustento da burocracia e no salário de seus parasitas. A atividade governamental é destruidora de capital. Ela impede o enriquecimento de empresas e trabalhadores.

    O Brasil não pode virar uma Alemanha por meio de um simples decreto governamental que estipule salários e segurança no trabalho, como muita gente acha. Para que o Brasil pague salários de primeiro mundo e para que as empresas forneçam máxima segurança no trabalho (um conceito, aliás, que como o próprio texto explicou, é totalmente elástico), antes é preciso acumular capital. E para acumular capital, é preciso investir. E para investir, é preciso poupar. E para poupar, é preciso trabalhar. E para que a economia faça tudo isso, o governo não pode atrapalhar, não pode obstruir a livre iniciativa e não pode confiscar capital acumulado.

    Um trabalhador alemão, por exemplo, ganha mais que um brasileiro, trabalha menos e com mais segurança porque a Alemanha possui mais capital acumulado que o Brasil. Consequentemente, um trabalhador alemão é mais produtivo que um brasileiro, sua segurança é maior, seu salário também é muito maior e ele pode até se dar ao luxo de se sindicalizar e exigir assistencialismos estatais. O Brasil ainda tem de enriquecer muito para chegar a esse nível de conforto alemão.

    Portanto, qualquer discussão sobre salários e segurança no trabalho que não se atenha a estas realidades econômicas é mera espuma.


    E sobre a Revolução Industrial, sugiro a leitura deste texto, para o senhor limpar sua cabeça de todo o lixo marxista que as escolas lhe infundiram:

    Fatos e mitos sobre a "Revolução Industrial"

    Grande abraço!
  • Willian  16/11/2011 17:41
    Concordo com o Paulo.
  • Hay  17/11/2011 08:21
    Sempre me pareceu muito estranha a história de que os cidadãos estavam livres e contentes, até que um grupo de capitalistas do mal decidiu acabar com a felicidade do povo ao instalar horrendas indústrias. Quem iria obrigá-los a isso? Como os empresários iriam obrigar as pessoas a aceitar condições ruins de trabalho? Aqueles que tinham algum poder para isso, os nobres e ocupantes de cargos importantes na burocracia, não teriam nenhum motivo para se aliar aos capitalistas filhotes de Lúcifer. É como dizer que os funcionários públicos que ganham 12.000 reais por mês para serem office-boys de luxo no Judiciário vão se transformar em revolucionários ou coisa que o valha.
    Como eu cresci acreditando que professores de História sabiam o que estavam falando, imaginava que eu era burro demais para entender isso.

    Recomendo que você leia o artigo cujo link está no link do comentário do Leandro. É bem interessante.
  • M E N A U  17/11/2011 09:24
    Estamos no século XXI, e o trabalho escravo e o trabalho infantil, ainda prosperam, inclusive no Brasil.\r
    O que fazer com esses mal capitalistas, já que o próprio mercado consumidor não os reconhece e o rigor da lei não os intimida?\r
    Será que estes empresários pagam mais tributos e por isso se acham no direito de cometer práticas do início da revolução industrial?\r
    Do outro lado, o que faz esses marginalizados zumbis aceitarem tal condição sub-humana, alguém lhes aponta uma arma à cabeça? \r
    O que lhes ''obriga'' a isso?\r
    Ou a ''revolução'' é ignorar a situação?\r
    \r
    Para não ter que ir muito longe num passado distante ou nação remota, sugiro ler os vários artigos publicados a respeito de escravdão e trbalho infantil no blog: blogdosakamoto.uol.com.br/
  • Leandro  17/11/2011 10:47
    Prezado MENAU, que haja infantil em alguns rincões do país é de fato algo inegável. Já trabalho escravo não existe. O que há é gente trabalhando por menos que o salário mínimo. Dizer que ambos estão prosperando, no entanto, é algo bastante discutível. Pode ser. Se for verdade, é sinal de que a pobreza nestes cantos está recrudescendo. E desconfio que, se você estudar o histórico destas localidades, verá um histórico repleto de corrupção estatal, coronelismo e populismo. De fato, em locais assim, devastados pelo governo, é difícil haver penetração capitalista, a única solução definitiva para a miséria.

    Outra coisa que ninguém comenta: se a função do governo, por meio do Ministério do Trabalho e dos outros 117 ministérios já criados pelo PT, é justamente fiscalizar e impedir essas coisas, por que então o trabalho escravo segue aumentando? Mais ainda: por que mesmo após essa clara demonstração de incompetência governamental as pessoas seguem acreditando que a solução é dar ainda mais poder e dinheiro ao governo?
  • M E N A U  17/11/2011 11:15
    Nobre Leandro.\r
    Tomemos a acepção da palavra escravo em sentido mais amplo, ou seja, quando a remuneração pelo trabalho sequer chega ao salário mínimo, pois disfarçada e criminosamente, o patrão obriga seu servo a comprar alimento no mercado de sua propriedade, pagar pela sua moradia e quaisquer outras necessidades básicas, de modo que nada resta como ''sobra'' ao ''colaborador''.\r
    Pior, além de não sobrar, falta, tanto que esses zumbis não conseguem nem abandonar o local de trabalho, pois alega o patrão que há dívidas pendentes, as quais o ''salário'' não cobriu.\r
    Há relatos de perseguição e morte daquele ques ousaram fugir. \r
    Na verdade mais que relatos, há provas contundentes, inclusive com filmes documentários.\r
    Questionado o patrão, certamente dirá que seu cavalo merece melhores condições de trabalho, com ração de peimeira, cuidados veterinários e equipe de adestramento.\r
    Isso é escravidão, sem eufemismos.\r
    O Estado é apenas cúmplice, por lhe faltar a competência e determinação.\r
    A mais recente reportagem do blog que linkei trata de escravidão e trabalho infantil na região mais rica do pais, longe de rincões com resquícios coronelistas. \r
    Quando digo que tal situação prospera, baseio-me nas recentes ações de libertação de trabalhadores dessa condiação, por ações do Estado. Ou seja, a cada dia mais comuns e recorrentes, o que implica dizer que tais criminosos não são poucos e nem estão dispostos a abandonar a prática.\r
    Ignorá-los não é atitude libertária.\r
    O que fazer com eles, infelizmente implica em coerção na iniciativa privada.\r
    Não vejo como a autorregulação dar conta destes bandidos travestidos de empreendedores.\r
    \r
    \r
  • Leandro  17/11/2011 11:32
    Desculpe-me, MENAU, mas de acordo com o próprio link que você indicou, esses plantadores de tomate recebiam R$ 600 por mês. Isso está em franca contradição com a sua afirmação de que a "remuneração pelo trabalho sequer chega ao salário mínimo". Também não há nada sobre o patrão obrigar seu servo a "pagar pela sua moradia e quaisquer outras necessidades básicas".

    O que realmente injuriou foi o fato de haver crianças trabalhando também (muito embora um menino de 15 anos plantando tomate esteja um pouco longe da definição de "criança em trabalho escravo". Até a década de 1970 era um tanto comum crianças de 15 anos trabalhando. Elas pararam de trabalhar justamente por causa da prosperidade).

    No mais eu preciso entender como exatamente um sujeito que ganha R$600 por mês plantando tomate e com filho pra criar estará melhor desempregado e sem ganhar nada.

  • M E N A U  17/11/2011 11:53
    Sem necessidades de desculpas, Leandro, o caso é que o matuto paga o mínimo para ''inglês ver'' mas os descontos esses são legais e normalmente inglês nenhum perceberia.\r
    A prática de descontos é comum, o texto fala em comida, mas o mesmo acontece em outros exemplos em relação à moradia, vestimenta, creia em mim, ou podemos fazer pesquisas nesse universo macabro.\r
    \r
    Também é comum crianças muito abaixo de 15 anos, a qual sem escola, livre ou não, será uma eterna excluída, num ciclo de miserabilidade sem fim.\r
    \r
    O mesmo vale para o pai e seu filho de 16 anos, longe da escola.\r
    Talvez more aí o perigo da autorregulação, a justificativa que o miserável é menos miserável quando algum ''empreendedor'' o salva da inanição.\r
    Daí a simpatizar com qualquer abuso da condição humana é menos que um passo.\r
    Lembremos que esse mesmo ''patrão'' dedica mais cuidados ao próprio cavalo.\r
  • Victoria  05/10/2014 19:02
    MENAU, mas isso (trabalho escravo) ocorre justamente POR CAUSA do excesso de regulação do governo. Afinal de contas, pense o seguinte: se o trabalhador for livre para escolher em que condições quer trabalhar, e o contrato de trabalho tiver que ser claro e cumprido, quem aceitaria, em sã consciência, trabalhar como um louco e ainda perder dinheiro com isso (como os descontos que você falou)? É simplesmente irracional! Isso sem falar que, ao levar boa parte do mercado de trabalho para a informalidade(aqui no Brasil os trabalhadores informais chegam a 32% da população economicamente ativa!) por causa das suas exigências, o governo impede que esses trabalhadores se sindicalizem e exijam melhores condições de trabalho, além de impossibilitar que haja fiscalização da parte da polícia que impeça crimes no local de trabalho (como os assassinatos que você falou). Quanto ao trabalho infantil, é bom lembrar que nem todo tipo de trabalho é igual; sou totalmente contra crianças assumirem trabalhos de risco ou largarem a escola para trabalhar, mas se o trabalho for feito em conjunto com a escola e em um ambiente de trabalho saudável - tipo o programa Jovem Aprendiz, só que com mais flexibilidade de salários - acho ok, especialmente porque as ajuda a entrar no mercado de trabalho para o futuro e, mais importante ainda, evita que vão para a criminalidade e se exponham a maior perigo ainda. Assim, acho que nossa lei trabalhista precisa ser urgentemente diminuída para permitir livre negociação entre trabalhadores adultos e seus patrões. Já para crianças, que ainda não são capazes de avaliar os riscos e benefícios de um trabalho por si próprias, deve haver uma legislação que seja aplicada por um Judiciário rigoroso, que imponha multas multimilionárias aos que desobedecerem as regras de trabalho infantil. E aliás, você sabe por que as multas do Judiciário hoje são tão baixas como disse? Porque a economia informal é tão, tão grande que se alguém fosse multar de verdade todos os que descumprem as regras trabalhistas, boa parte da população brasileira ia perder o emprego. Flexibilizando o trabalho e tomando outras medidas para aumentar a competitividade da nossa economia, poderemos nos dar ao luxo de multar pra valer quem realmente descumprir contratos com trabalhadores adultos e explorar crianças.
  • Willian  17/11/2011 11:23
    Espanha investiga empresa sobre chip para controlar funcionários
    Chip no celular emite um sinal que dispara um alarme em uma central quando detecta falta de movimento do trabalhador por um período de dez minutos.
    not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201111171044_BBB_80496327

    Nem 8 (falta de lei), nem 80 (legislar tudo).
  • Leandro  17/11/2011 11:42
    Prezado Willian, entre o 8 e o 80, escolha o 44 (o caminho do meio): simplesmente não trabalhe nesta empresa. Se quiser, faça propaganda contra ela. Apenas não arrume desculpas para mais gastos e mais contratação de burocratas. (O pessoal tem essa mania de achar que fiscalização e regulamentação são coisas feitas a custo zero e para o bem de todos).
  • Willian  17/11/2011 12:06
    E quando há um cartel? E se diversas empresas adotarem a mesma prática?

    Vou usar o seu argumento: aqui no Brasil, gostamos de leis, de regulamentar.
    Se não está satisfeito, mude. Deve ter algum território onde a liberdade impera.
  • Leandro  17/11/2011 12:15
    É engraçado que sempre apelam a estes dois refúgios de última instância, o qual você magistralmente compilou em uma só frase:

    1) E se houver cartel? (Nunca há por motivos obviamente econômicos, já explicitados em vários artigos deste site)

    2) Não gosta? Mude-se.

    O gozado é que já existe no Brasil uma instituição com plenos poderes de monitorar cada movimentação do cidadão. Chama-se Receita Federal. E dela você não tem liberdade de fugir. Curiosamente, dela ninguém nada fala. Devem achá-la linda e maravilhosa.
  • Raphael Auto  17/11/2011 12:54
    "E quando há um cartel? E se diversas empresas adotarem a mesma prática?"

    Uma formação de cartel douradora possui requisitos ainda mais complicados do que a de um monopólio. Dava pra dar uma explicação bem longa sobre isso, mas resumindo, toda empresa cartelizada vai possuir ótimos motivos para furar o cartel, se fizer isso, além dela ter certeza que a priori os consumidores preferirão procurar comprar produtos nela, ela também pode aumentar sua oferta (produção) e abaixar os preços para ter acesso a um grupo de consumidores que ou foi ignorado pela oferta abaixo da demanda ou que tinha deixado de querer comprar o produto por causa dos caros preços do cartel. Historicamente sempre foi isso que aconteceu, carteis que tentaram se estabelecer naturalmente sempre se deram mal. Se você quiser insistir nessa questão, depois eu posso postar aqui exemplos históricos.

    "Vou usar o seu argumento: aqui no Brasil, gostamos de leis, de regulamentar.
    Se não está satisfeito, mude. Deve ter algum território onde a liberdade impera."

    Você tem que atentar ao princípio. Por essa proposição, você deixa implícito um princípio de que se a maioria gosta de algo ela pode forçar isso no resto do grupo, se esse resto não gostar, que se mude. Por isso que sua posição ficou extremamente igual com o slogan da ditadura: "Brasil, ame-o ou deixe-o!". Pessoalmente eu acho que você mesmo não concorda com esse princípio que deixou implícito.
  • Willian  17/11/2011 13:52
    Usei o mesmo argumento mencionado pelo Leandro: "simplesmente não trabalhe nesta empresa"

    Se não gosta das leis daqui, criadas por deputados e senadores escolhidos pela maioria, 'simplesmente não viva nesse território'.
  • Helio Souza  17/11/2011 15:59
    Ah claro William, você deve considerar que o governo é dono de todo o território e que estamos aqui por livre e espontânea vontade.

    Afinal, as leis criadas pelos representantes da maioria sempre estão certas, que o digam os judeus da época da segunda guerra, onde o terceiro Reich tinha o apoio da maioria que acabou levando Hitler ao poder. Eram os judeus os errados na história, eles que mudassem de país, caso contrário iriam para os campos de trabalhos forçados, camêras de gás ou os fornos. De acordo com o seu argumento, a minoria que se dane, não é?
  • Joao  17/11/2011 12:25
    E quando há um cartel? E se diversas empresas adotarem a mesma prática?

    Sim, é comum as pessoas imaginarem um grupo de capitalistas maus fazendo reuniões secretas e decidindo massacrar o povo, criando carteis muito ruins e obrigando a população a sofrer, pagar muito caro pelos serviços. Para evitar esse sofrimento imaginário cartunesco, precisamos de muitas regulamentações. Isso cria carteis e as empresas amigas do governo adotam as mesmas práticas, mas ao menos o estado está aí para garantir que tudo está indo muito bem!
    (É curioso verificar que, no mundo inteiro, os maiores carteis e as maiores práticas desleais são realizadas por empresas que possuem ligações com os governos. Ainda assim, essa crença bizarra em carteis cartunescos resultantes do livre mercado persiste).

    Se não está satisfeito, mude. Deve ter algum território onde a liberdade impera.

    Hã? Chega a ser difícil ter um debate racional com uma resposta de um nível tão primário.
    É como se o Zequinha entrasse na sua casa, impondo várias regras, cobrando taxas adicionais, decidindo que as pendências "contratuais" (de um contrato que você não assinou) fossem resolvidas por uma equipe montada pelo próprio Zequinha, e, se você fizesse alguma reclamação, o Zequinha respondesse: "ora, você é livre para ir morar em outra casa!".
  • Felipe Barbosa  17/11/2011 14:02
    A questão do cartel é ridicula... acho que alguém esqueceu de chamar os chineses pro cartel, eles insistem em oferecer preços menores!
  • Willian  17/11/2011 15:37
    E se diversas empresas da sua região adotarem a mesma prática (trabalho por 14 horas diárias, sem férias, almoço de 15 minutos)? Imaginei um "cartel" nesse sentido, salários do chão de fábrica iguais, "benefícios" iguais, carga horária igual.

    Cadê a sua liberdade? Onde você vai trabalhar? Existe escolha?
    Que tal ir para a Áustria!? Talvez não deixem muita gente entrar lá...

    O que estão trocando é a "liberdade cedida pelo Estado" pela "liberdade cedida por outro particular", que ao meu ver, poderá ser uma liberdade muito mais reprimida do que a liberdade atual.

    Para sair de casa você terá de passar por estradas privadas, as quais podem inventar, tal como o Estado já inventou, taxas absurdas e regras de direção. Não me diga que poderá escolher outra estrada, porque não existirão tantas opções assim. Ou será A, ou será B. Sua casa não vai ter saída para 10 estradas de diferentes donos.
    Se ambas concordarem em verificar se você bebeu antes de dirigir, você não será livre para "se beber, dirija".

    Sua "liberdade" estará condicionada a vontade de outro particular, que poderá ser muito mais camarada do que o Estado, ou não. Em não sendo, você estará cercado.

    Em outro artigo citou-se como exemplo a questão de condomínios privados, onde cada um tem suas regras. No caso da maioria dos habitantes ser fumante, eles mudam a convenção e permitem o fumo. A minoria que não fuma será obrigada a se mudar. Se a maioria gostar de farra a noite, permitida será a farra até as 6h. Direito de vizinhança? A imobiliária é logo ali.

    De qualquer forma, vejo que sua liberdade depende ou do Estado ou da vontade de outros particulares. Para impor sua liberdade, terá de encontrar um grupo de pessoas que tenha pensamento similar, com mesmos gostos, ideais, modo de viver.

    A liberdade, mesmo que amplamente restrita pelo Estado, parece ser mais estável, democrática e previsível do que a liberdade concedida pelo outro.

    Confesso que teria muita vontade de viver em uma cidade com o grau de liberdade imaginado pelos artigos aqui publicados. Talvez não fosse tão caótico como imagino, mas prefiro que isso começe por uma cidade, não por um país inteiro.
  • Leandro  17/11/2011 16:04
    "Imaginei um "cartel" nesse sentido, salários do chão de fábrica iguais"

    Exatamente, você "imaginou". E teve de imaginar muito, pois não só isso nunca aconteceu -- mesmo durante a "maldita" Revolução Industrial os salários subiram e as horas caíram --, como também jamais poderia acontecer, pois é imbecilidade econômica. Qualquer empregador esperto tomaria toda a mão-de-obra do concorrente, bastando para isso oferecer salários mais altos, bem como outras benesses. Ato contínuo, o sujeito sem mão-de-obra iria à falência.

    Ademais, você desconsidera por completo algo chamado "mobilidade dos fatores de produção". Qualquer pessoa que não queira trabalhar num lugar ou numa região, é livre para se mudar para outra (se não for livre, aí sim é escravidão).

    Willian, por que você não dá essa ideia que você imaginou para os empresários da sua região? Diga a eles que, caso façam isso, todos ficarão riquíssimos. Eles ficarão tão contentes que certamente vão lhe repassar boa parte dos portentosos lucros que eles certamente auferirão.
  • Willian  17/11/2011 16:39
    Diga isso aos 16 chineses que se suicidaram.
    blogs.estadao.com.br/link/foxconn-registra-outro-suicidio-na-china/

    As condições de trabalho lá devem ser ótimas.
    Se não forem, "Qualquer empregador esperto tomaria toda a mão-de-obra do concorrente, bastando para isso oferecer salários mais altos, bem como outras benesses. Ato contínuo, o sujeito sem mão-de-obra iria à falência."
  • Leandro  17/11/2011 16:51
    Não entendi. O que tem a ver essa notícia com "diversas empresas de uma região adotando a mesma prática (trabalho por 14 horas diárias, sem férias, almoço de 15 minutos)?" Onde está o "cartel com salários do chão de fábrica iguais, "benefícios" iguais, carga horária igual."?

    Aliás, a própria descrição da notícia, que fala de salários e benefícios, vai totalmente contra esse cenário por você descrito. Também não há menção sobre proibição de mudar de emprego. Pelo contrário, até. De acordo com a notícia, a mulher recebeu um email pedindo para ela pedir demissão.

    Logo, qual o ponto? Onde isso contradiz o que eu disse? Foi só desespero seu pra jogar aqui alguma notícia na esperança de que colasse?
  • Willian  17/11/2011 17:04
    Mas é claro que eu colei um link aleatório para ver se colava.

    Vou fazer novamente:

    veja.abril.com.br/noticia/economia/desemprego-na-china-atinge-32-milhoes-de-pessoas

    Onde há desemprego tem gente que se submete a qualquer coisa, até condições precárias de trabalho e segurança do trabalho (como o título do artigo remete).

    Ou você acha que os suicídios foram de trabalhadores com padrão austríaco?

    Vai me dizer que lá, com 32 milhões de desempregados, se o chefe falar para trabalhar mais 2 horas pelo mesmo salário, alguém vai recusar?

    Chega.
  • Leandro  17/11/2011 17:19
    E por que há todo esse desemprego justamente em um país que possui uma população extremamente necessitada de serviços? Lá, coisas a serem feitas é certamente o que não falta. Desemprego só deveria existir em locais que aboliram a escassez e, consequentemente, passaram a viver na abundância, sem ter de produzir nada.

    Se, de um lado, há uma imensa demanda por bens, serviços e maiores padrões de conforto, e, de outro, há um excesso de oferta de mão-de-obra (algo que por definição é escasso, pois sempre haverá mais serviços a serem feitos do que mão-de-obra para fazê-los), então é óbvio que tal descompasso se dá por alguma interferência no mercado de trabalho.

    Logo, procure os culpados corretos pelo desemprego antes de sair pedindo ainda mais daquilo que está justamente causando desemprego.

    Sugiro a leitura desse artigo para que você entenda por que não faz sentido pensar em desemprego em economias livres.

    Chega.
  • Raphael Auto  17/11/2011 17:20
    "Onde há desemprego tem gente que se submete a qualquer coisa, até condições precárias de trabalho e segurança do trabalho (como o título do artigo remete)."

    Essas pessoas em condições piores ainda se não pudessem ser empregados. Vai lá na China, chega na fábrica, e fala que vai desempregar todo mundo para o bem deles.
  • Raphael Auto  17/11/2011 17:17
    Claro que você não usou o mesmo princípio do Leandro para formular o exemplo. O princípio do Leandro seria equivalente a algo como: "se não gosta das regras da minha casa, não me visite". O Helio explicou o motivo do seu exemplo ser diferente e idiota: "Ah claro William, você deve considerar que o governo é dono de todo o território e que estamos aqui por livre e espontânea vontade."

    Você continua existindo na ideia louca de cartel, mas é claro que apenas na sua imaginação, por que você não consegue dizer como esse cartel louco nasceria. Você está fazendo uso de um argumento absurdo que é impossível de acontecer.
  • Klauber Cristofen Pires  17/11/2011 15:32
    Tenho um leque de casos nesta área. Um deles:

    A B&W desenvolveu um sistema de segurança baseado na elasticidade dos parafusos que seguram o cabeçote de um motor, de modo que, havendo dentro do cilindro uma explosão (maior do que a necessária para fazer o motor funcionar), todo o cabeçote se ergue, expelindo os gases.

    Todavia, regulamentações estatais não aceitaram a nova tecnologia, de modo que uma válvula de segurança teve de ser improvisada no alto do cabeçote de cada cilindro. Uma válvula pequenina, apenas para servir "pró-forma"...

    Outro caso é conhecido do público - os para-choques foram há muito superados pelo sistema de deformação progressiva nos automóveis, mas as regulamentações obrigam as montadoras a continuar instalando-os...novamente, pró-forma - haja vista que na maioria são de plástico...
  • Willian  17/11/2011 16:01
    Não duvido e também não acho correto isso Klauber, mas me parece que só porque "a coisa tá errada", em vez de corrigí-la, pensamos em exterminá-la.

    Uso errado / excessivo / desatualizado da regulamentação.
  • Hay  17/11/2011 16:12
    Uso errado / excessivo / desatualizado da regulamentação.

    Um dos problemas dessa argumentação é que ela não dá margem para uma refutação razoável. É como se eu dissesse que espancar meus filhos diariamente é a melhor maneira de educá-los. Se o resultado não fosse bom, eu poderia simplesmente dizer que eu preciso espancá-los mais ainda. Aliás, é a mesma linha de argumentação utilizada por economistas que defendem mais "incentivo ao consumo" e "mais regulamentação". Quando os resultados são ruins, eles simplesmente afirmam que o problema reside na... falta de incentivo ao consumo e na falta de regulamentações (ou regulamentações incorretas).
  • Klauber Cristofen Pires  17/11/2011 16:24
    Prezado Willian,

    Uma fabricante de motores marítimos como a B&W ou os fabricantes de automóveis tem um caríssimo patrimônio a zelar: a reputação.

    Sem reputação, sem vendas. Reputação é algo dificílimo de conquistar mas muito fácil de se perder. Bastam algumas notícias que mostrem que os carros são inseguros e lá estarão eles empacados nos pátios.

    Os processos que acabei de descrever são mais modernos e mais eficientes, mas a regulamentação estatal sempre - sempre - estará defasada em relação à inovação tecnológica.



  • Willian  17/11/2011 16:45
    A regulamentação poderia prever estas situações.
    O objetivo é ter carros minimamente seguros.
    Segurança a mais não deveria ser obstruída.


  • Raphael Auto  17/11/2011 17:23
    "A regulamentação poderia prever estas situações.
    O objetivo é ter carros minimamente seguros.
    Segurança a mais não deveria ser obstruída."

    Você quer forçar as pessoas a pagarem por uma segurança que elas não querem pagar. Tens um nome: autoritário.
  • Vinci  18/11/2011 22:24
    Comparar profissões 'normais ' com trabalhos em que é impressindivel a existência de risco para que as pessoas tenham interesse é completa falta de noção. Além disso esses trabalhos requerem técnicas não industriais, ou seja, não são facilmente reprodutiveis. Ou vocês veem em cada esquina um atirador de facas?

    Alguns trabalhos de entretenimento, como o atirador de facas, o domador de leões ou qualquer coisa parecida, não pode ser utilizado como análise comparativa com outros trabalhos, como de um pedreiro ou de um soldador da industrial. Primeiro por que a intenção nunca é estar diante do risco. Nesse caso o risco é algo evidente mas sempre deve ser minimizado. No caso do atirador de facas, a busca pela diminuição do risco fadaria a profissão a inexistência. Ninguem quer ver um atirador de facas com uma mulher vestida de armadura.

    Enfim, poderia me alongar nas comparações aqui mas espero ter contribuido para o debate.
  • anônimo  18/11/2011 23:42
    Hahahaha, esse foi um dos comentários mais imbecis que eu já vi neste site (e olha que isso é uma proeza)

    Realmente, requer-se uma habilidade fora do comum para ser ALVO DE UM ATIRADOR DE FACAS!
    Não sei qual o retardo mental que este Vinci sofre, mas achar que o risco se referia ao ATIRADOR DE FACAS, e não a pessoa que serve de ALVO, foi uma façanha!

    De fato, não se ve em cada esquina uma pessoa com as habilidades para ficar parado. Isto é uma técnica muito difícil de se reproduzir.

    Parabéns cara. No seu afã de atacar a liberdade e as trocas voluntárias, você revelou todo o retardamento mental dos tiranos socialistas defensores do estado de plantão. Com certeza, você contribui enormemente com o debate. Obrigado
  • Vinci  18/11/2011 23:54
    Caro anônimo,


    Se você se chateou com o atirador de facas, utilize o domador de Leões como um melhor exemplo para o que falei anteriormente. Talvez assim você possa compreender. De qualquer forma, como sua intenção não é o debate, ainda aguardo que alguem lúcido comente o que eu disse de forma honesta.
  • Luis Almeida  19/11/2011 00:18
    Vinci, eu estou lúcido e o anônimo mais ainda. Se você não quer admitir a monstruosa besteira que falou (eu senti vergonha alheia ao ler), não precisa chamar o anônimo de desonesto, pois não admitir o que você disse é exatamente uma desonestidade sua. Não é cometendo um "Shooting the messenger" que você vai conseguir se safar dessa.

    Não, não quero mudar o exemplo para o domador de leões. Vamos ficar com o exemplo do alvo de atirador de facas. Se quer debater, reconheça a besteira que falou e debata o exemplo avasalador da imagem. Argumentos?(tenho até medo de pedir)
  • Vinci  19/11/2011 00:41
    Pois bem,

    O atirador de facas, que tem o conhecimento técnico para tal, escolhe aleatóriamente alguem para servir de alvo? Acreditar que somente o atirador, e não a parceria entre as partes que faz o show acontecer não existe, é uma critério muito interessante. Mas talvez você não tenha compreendido realmente o que eu disse. No caso do Domador de Leões, que se arrisca na profissão, obviamente não seria interessante acabar com o risco e colocar um leão sem dentes. Isso não faria o menor sentido para a plateia, que paga pela possibilidade de ver o domador sem um braço.

    O Risco que existe nesse tipo de trabalho, ao meu ver - para ser honesto - não tem nada a ver com o risco que se tem em não utilizar o capacete num canteiro de obras.

    Portanto, a critica que o texto faz a regulação da segurança de trabalho e a sátira fotográfica feita está completamente descabida.


    Ainda aguardo outros. Luis foi insuficiente.
  • Luis Almeida  19/11/2011 00:57
    Meu medo se revelou correto...

    Dizer "não tem nada a ver" é seu argumento?

    Tem tudo a ver. Ambos são riscos que a pessoa assume voluntariamente, em troca de um pagamento.

    E, se você não percebeu ainda, essa é a questão relevante.

    Você querer impedir usando a violência física que uma pessoa trabalhe numa obra sem capacete alegando que ela estará correndo um "risco desnecessário" (mesmo ela estando disposto a correr este risco em troca de um salário) ou sei lá qual sua alegação para defender esta violência, é a exata mesma coisa que impedir uma pessoa de ser alvo de atirador de facas, ou exigir o uso de facas de borracha... De fato, um terceiro pode exigir qualquer coisa que lhe dê na telha, como no caso da proibição de atirar anões citado acima.


    Você não tem nada a ver com a relação voluntária entre dois adultos. Nada. Você não é a mamãe do pedreiro e nem do alvo. Cuide de sua vida(que parece ser patética).
  • Catarinense  19/11/2011 01:17
    "Ainda aguardo outros" hahahaha esta foi demais . O cara acha que os outros têm a obrigação de, sei lá, pegar ele pela mãozinha e levar para algum lugar. É cada um viu...
  • Vinci  19/11/2011 01:22
    "Cuide de sua vida(que parece ser patética)."

    Meu caro Luis, isso é ódio ou raiva a quem discorda de suas ideias? Tentemos manter o debate num nível mais interessante.

    O risco que um pedreiro corre ao não utilizar um capacete e o risco que um domador de leões ou um alvo do atirador de facas corre vão em direção opostas. Para o primeiro, da minimização do risco é o objetivo, pois o trabalhador, mesmo sabendo do risco, busca ao máximo minimizá-lo. Trabalhadores dessa categoria escolhem seus trabalhos normalmente a despeito do risco. Para os dois últimos, o risco é evidente e necessário, não devendo ser diminuido, pois negaria o objetivo do trabalho, que é executá-lo diante do risco iminente. É essa a mercadoria em jogo. O risco iminente. É isso que entretem a plateia. No caso dos pedreiro, o risco opera no exato oposto.

    Em seu comentário houve interpretações equivocadas. Em que parte dos meus comentários afirmei a necessidade do Estado? Em que parte do meu comentário afirmei que a "correção" para os riscos deveria acontecer? Apenas apontei como interpreto o risco diante do exemplo da foto e do que contem no texto. Enxergo-os de maneira completamente oposta, como expliquei acima. Releia o que você escreveu e veja apenas refleti sobre: 'a lógica do risco de um trabalho "normal" é a mesma que a de um atirador de facas e seu alvo, ou de um domador de leões?' Enfim, você foi completamente equivocado nas acusações.


    Bem, caso não queira discutir ideias, mas sim ofensas e pontuações fora de lugar, me avise. Se assim for, terminarei por aqui.
  • Luis Almeida  19/11/2011 01:33
    Em que parte dos meus comentários afirmei a necessidade do Estado?

    Se não defende isso, está contestando o que?? Pois a ideia toda é essa. Qual seu objetivo, fazer todos perder tempo lendo suas elucubrações sem sentido?

    A comparação serve justamente para mostrar para o infeliz com uma vida patética que aparecer aqui defendendo que 2 pessoas sejam agredidas e impedidas de firmar um contrato de trabalho por motivos de "segurança de trabalho", que ele teria que agredir o atirador de facas e seu alvo humano também.

    Se você não é esse infeliz, como está dizendo agora não ser, o argumento permanece aqui a espera dele.. e eles existem aos milhões.



  • Andre Cavalcante  19/11/2011 06:03
    Sinceramente,

    Alguém que vem a este site e coloca uma mensagem como anônimo, e xingando alguém que tenta realizar um debate, não merece nem ao menos uma réplica.

    Vamos ao que, de fato, foi escrito:

    Vinci:
    "Comparar profissões 'normais ' com trabalhos em que é impressindivel a existência de risco para que as pessoas tenham interesse é completa falta de noção. Além disso esses trabalhos requerem técnicas não industriais, ou seja, não são facilmente reprodutiveis. Ou vocês veem em cada esquina um atirador de facas?

    Alguns trabalhos de entretenimento, como o atirador de facas, o domador de leões ou qualquer coisa parecida, não pode ser utilizado como análise comparativa com outros trabalhos, como de um pedreiro ou de um soldador da industrial. Primeiro por que a intenção nunca é estar diante do risco. Nesse caso o risco é algo evidente mas sempre deve ser minimizado. No caso do atirador de facas, a busca pela diminuição do risco fadaria a profissão a inexistência. Ninguem quer ver um atirador de facas com uma mulher vestida de armadura."

    Eu:
    Antes de nos perdermos em interpretações quaisquer é bom bebermos melhor as palavras. Texto escrito não tem tom de voz ou quaisquer outras nuances da expressão corporal que bem caracteriza a comunicação humana, nem tampouco podemos partir de nossas premissas para assumir as premissas alheias (num texto escrito onde não conheço o oponente).

    Entendi a lógica do Vici e é racional. Para um site que sempre chama a atenção sobre racionalidade, ainda espero um réplica que contribua para o debate, e não somente acusações. O Luiz até tentou:

    Luiz:
    "Dizer "não tem nada a ver" é seu argumento?

    Tem tudo a ver. Ambos são riscos que a pessoa assume voluntariamente, em troca de um pagamento."

    Eu:
    Mas depois descambou em acusações novamente. Evitemos isso e vamos ficar somente nos argumentos.

    Eu:
    A lógica do texto está em que, em um sistema completamente livre, leia-se sem Estado regulamentador, o próprio mercado se incumbiria de fomentar a segurança no trabalho concomitante com os custos relacionados em obter tal segurança. Dito isso, um pedreiro seria, forçosamente, levado pelo patrão a usar capacete, cabos anti-queda e outros equipamentos de segurança porque o custo relativo a um acidente e/ou a substituição da mão-de-obra (qualificada no caso), seria maior que o custo em se evitar o acidente (imagine um seguro de vida na casa dos milhares de reais a ser pago pelo empregador a família do empregado em caso de morte no trabalho). Em última análise, não é preciso regulamentação para o caso da segurança. De fato o texto faz uma paródia com o caso do atirador de facas, indicando que o risco é inerente a toda atividade profissional.

    É aqui que a lógica do Vici entra: para um pedreiro (e provavelmente para o empregador, consoante a lógica do texto), o interesse é a diminuição do risco; para o atirador de facas (leia-se a moça que lhe serve de alvo), o interesse é o aumento do risco. De fato, isso sugere que as comparações não podem ser feitas, ao menos não diretamente.

    Nesta, estou com o Vici, ainda aguardo mais réplicas, mas por favor, sem ataques, a não ser às ideias e nunca às pessoas.

    O que ainda não está claro na minha mente é como aconteceria a relação entre empregador/empregados para a diminuição do risco em certas áreas, notadamente em profissões com poucas exigências e especialização, e quais as "armas" que os empregadores teriam para negociar contratos que, de fato, lhe fossem "seguro (por exemplo, contrato com um seguro de vida na casa dos milhares de reais do meu exemplo acima). Não tenho dificuldade nenhuma em perceber que um engenheiro faria um tal seguro (seja pessoal, seja coletivo, para um obra por exemplo) seja porque tem mais conhecimento, seja porque tem mais capacidade de negociação.

    Obrigado pela atenção e abraços

  • Catarinense  19/11/2011 11:14
    Vocês ( vinci e André ) partem do princípio que os trabalhadores são seres coitadinhos e precisam da proteção de alguém superior ( estado ) para protegê-los dos malvados capitalistas inescrupulosos buscadores de lucros, e que eles são incapazes de realocar sua mão de obra para outras áreas que não aquelas que estão no momento. Um pedreiro deve ser sempre pedreiro, não poderia nunca ser um marceneiro trabalhando para si ao invés de trabalhar para um malvado empregador. Essa é a visão socialista - que pessoalmente acho repugnante - que não aceita que as pessoas são seres capazes de se adaptar ao meio e que são soberanas de si mesmas.

    Quanto ao fato de se comentar anônimamente, seu comentário, André, não faz sentido, pois este site não exige cadastro para que sejam feitos os comentários. Quem garante que eu sou o mesmo catarinense que comentou acima, e não outro? O que me impediria de me identificar, de repente como vinci, e dizer que estava errado?
  • Andre Cavalcante  19/11/2011 22:07
    Olá

    Onde, em meu texto você encontrou que estou a defender que é necessário um Estado? Onde em meu texto, acho que os empregados são uns coitadinhos?

    Acho que os princípios libertários estão cada vez mais necessário aqui.

    E volto a repetir a questão que você novamente não respondeu: o que tem a ver a profissão atirador de facas com um pedreiro em uma obra, do ponto de vista libertário, a respeito da segurança no trabalho? Volto a repetir o que falei: o atirador de facas tem um profissão em que há busca ao risco, o pedreiro (e provavelmente seu empregador) há busca em evitar o risco. O comentário foi simplesmente para dizer que o texto foi menos feliz nesta alegoria.

    Volto a repetir minha dúvida: como ficam as relações empregador/empregado em caso que este último não tem poder de barganha? Dei o exemplo do engenheiro que parece óbvio que conseguiria acordo de proteção etc., justamente para exemplificar caso a caso.

    PS.: sei que o site permite anonimato, só reportei o fato de alguém que não se identifica (e ainda para atacar a terceiros) se esconde de uma verdadeira relação de troca (neste caso de ideias).

    Abraços
  • Leandro  19/11/2011 23:09
    Prezado André, não quero ser chato, nem soar desdenhoso, mas estou vendo que você está fazendo exatamente a mesma pergunta -- sobre o que fazer na relação empregado/empregador -- que já foi por mim respondida (e de maneira bem completa até, se me permite a falta de modéstia) no meu comentário de 14/11/2011 19:58:03.

    Talvez você não o tenha visto. Vale a pena.

    Grande abraço!
  • Ademir  19/11/2011 12:40
    Essa discussão é muito parecida com a da obrigatoriedade de contribuir para previdência, os defensores acreditam que uma legislação nesse sentido faria com que os trabalhadores sem qualquer prejuízo teriam melhores condições de trabalho ou então um fundo para aposentadoria(que na verdade não é fundo nenhum e sim um sistema de pirâmide), mas desconsideram que existem custos para esses benefícios e que diminui o número de empregos e joga os salários para baixo, por mais cruel que isso possa parecer é melhor que o trabalhador tenha a opção de ganhar mais pra correr certos riscos.


    ao meu contarreneo catarinense, aqui parece ter essa mentalidade(apesar de cada vez menor, principalmente por causa das escolas) de que se existe um acordo entre duas pessoas, não cabe a ninguém intervir, não tem tanto clamor por leis pra proteger disso ou daquilo é uma coisa que eu sempre tive orgulho mas que infelizmente estamos perdendo.
  • anônimo  19/11/2011 16:56
    Ademir, essa é uma característica da colonização européia, penso eu. No meu trabalho, lido diariamente com pessoas dos mais diferentes lugares do Brasil, de norte à nordeste, esticando até o Rio Grande do Sul. É incrível como as pessoas acham que tudo, absolutamente tudo, tem que estar no papel e assinado. A cultura da confiança, mesmo em coisas triviais, parece que não faz parte da cultura do brasileiro. A própria mídia tem pregado desde os primórdios da mídia massificada que o brasileiro tem que ser "esperto", sempre tem que se dar bem em tudo. Pois bem, hoje está aí, estampado nos números da criminalidade e insegurança, bem como na política, os frutos desta linha de pensamento.

    Abraços!
  • Catarinense  19/11/2011 17:10
    Ooops, o comentário acima foi meu.
  • Andre Cavalcante  19/11/2011 22:25
    Aaaahhhh!

    Agora sim, parabéns! colocou seu pensamento direto ao ponto, sem rodeios, com lógica e racionalidade.

    "É incrível como as pessoas acham que tudo, absolutamente tudo, tem que estar no papel e assinado."

    Esse não seria o princípio do contrato?

    Segundo li em um dos e-books no site, a relação que se estabelece para o libertário é justamente baseada na desconfiança e não na confiança. Daí muito menos margem para conflitos e, quando existem, sua resolução é por acordo entre as partes.

    "A cultura da confiança, mesmo em coisas triviais, parece que não faz parte da cultura do brasileiro"

    Concordo. Apesar do que li ainda acredito que uma pessoa precisa confiar em outra (um outro alguém). Não consigo perceber um mundo onde não haja confiança. Mas reconheço que confiança demais atrapalha.

    "A própria mídia tem pregado desde os primórdios da mídia massificada que o brasileiro tem que ser "esperto", sempre tem que se dar bem em tudo."

    Verdade, a cultura do "esperto" já foi maior no passado e perdeu um pouco de força nesta geração, mas ainda é muito grande e vejo como um lado ruim na cultura nacional (rica em outras coisas boas, mas péssima neste sentido).

    "Pois bem, hoje está aí, estampado nos números da criminalidade e insegurança, bem como na política, os frutos desta linha de pensamento."

    <ironia on> Política no Brasil? Onde? Quero conhecer! O Brasil tem dois grandes pensamentos políticos: sociais democratas e democratas sociais, escolha o seu lado e chame o adversário de liberal e mancomunado com os banqueiros quando ele está no poder, e retrógrado e comunista quando ele está na oposição!<ironia off>

    Abraços
  • Catarinense  19/11/2011 23:59
    Certo André, creio que boa vontade, honestidade, boa fé e responsabilidade são algumas das qualidades mais fundamentais que uma pessoa deve ter, e que infelizmente, a atual geração, da qual faço parte mas não compartilho os mesmos ideais, deixou de lado, em prol da incessante busca pelo prazer próprio e o desejo de aparecer para os outros, além da absoluta repulsa em arcar com qualquer tipo de responsabilidade.

    Quanto à parte do contrato, meu comentário foi mais uma crítica para a burocracia, e não os contratos em si. Peço desculpas se não me fiz claro o bastante. Os contratos são válidos sim, sem dúvida nenhuma, não foi meu objetivo afirmar diferentemente.

    Abraços!
  • Arion  20/11/2011 23:47
    Caracas.

    Quanta ignorância! Desde quando um contrato precisa ser escrito para ser válido ou para ser chamado de contrato? Onde diabos se defende um tamanho absurdo aqui neste site?


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