A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro
por , terça-feira, 18 de outubro de 2011

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a_presidente_dilma_rousseff__pt___a_fren_4e3881e3075b1-500908-4e3881e30cba8.jpgDentre todas as inúmeras concepções erradas e falsas doutrinas que assombram o pensamento econômico, há uma que se destaca e que pode ser considerada, sem rivais próximos, a mais destruidora e nociva de todas elas: a ideia de que vivemos em um mundo de abundância, um mundo em que não há escassez.

Tal ideia se resume a crer que o principal problema de uma economia não é a criação de riqueza — isto é, a produção de bens e serviços.  O problema seria simplesmente estimular o consumo de maneira igualitária.  Por exemplo, peguemos o inevitável exemplo da "saúde gratuita e de qualidade para todos".  Seus defensores apenas exigem que todas as pessoas possam consumir esse bem gratuitamente.  Nenhum deles jamais se preocupa em explicar como tal bem será produzido e distribuído de maneira racional e gratuita entre todos os seus consumidores.  A produção e a criação não fazem parte da súmula de preocupações destas pessoas.  É como se serviços de saúde, remédios e todos os tipos de tratamento médico, desde cirurgias até engessamento de braço, fossem bens amplamente disponíveis na economia, bastando apenas que haja uma "distribuição correta" de dinheiro para que eles possam ser consumidos igualmente por todos.

Essa visão de mundo parte do princípio de que bens e serviços surgem do nada e estão ali, inertes na natureza, apenas esperando serem descobertos e consumidos — e para que isso ocorra, basta o governo tributar, imprimir dinheiro e gastar. 

Porém, como perfeitamente pode compreender qualquer ser que se disponha a fazer uso de sua razão, nenhum bem ou serviço surge pronto do nada.  Todos eles precisam ser criados e trabalhados.  Um carro não surge do nada.  É preciso trabalhar o aço, o alumínio, a borracha e o plástico que irão formá-lo.  E esses quatro componentes também não surgem do nada.  Eles precisam ser extraídos da natureza ou fabricados.  O mesmo é válido para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a aviões, passando por parafusos, palitos de dente e fio dental.  Todos precisam ser trabalhados.  De nada adianta o Banco Central imprimir dinheiro ou o governo aumentar seus gastos — aumento da quantidade de dinheiro ou aumento dos gastos do governo não podem abolir a realidade da escassez; não podem driblar e contornar o problema da produção, fazendo com que os bens finais surjam como em um passe de mágica.

Vejamos um exemplo simples que, em sua essência, revela como é extremamente complexa a estrutura de produção de uma economia.  Imagine uma simples empresa que venda presuntos.  Tudo o que você precisa fazer para adquirir seus produtos é ir até a gôndola de um supermercado, pegar a iguaria com a marca dessa empresa, ir até o caixa e pagar.  Um cidadão comum dificilmente faz uma pausa para pensar em todo o processo produtivo por trás daquele simples presunto.  Muitos creem que fazer um presunto é algo simples.  Muito pelo contrário. 

Em primeiro lugar, a empresa que fabrica presuntos precisa ter instalações adequadas para mantê-los bem conservados enquanto estiverem estocados.  Isso significa ter um armazém com um bom sistema de refrigeração.  O sistema de refrigeração necessita de manutenção e reparos constantes.  Isso significa custos com mão-de-obra.  Esse sistema precisa também de peças de reposição, e tais peças são geralmente feitas de aço.  E como se obtém o aço?  Compra-se de uma siderurgia.  E como a siderurgia fabrica o aço?  Como o aço é uma liga de ferro e carbono, é preciso antes escavar minas para achar ferro.  Portanto, a siderurgia tem de comprar ferro das mineradoras, e as mineradoras têm todo o seu processo de produção.  Vamos parar por aqui, pois, caso contrário, poderíamos nos estender infinitamente.

Após ter sido produzido pela siderurgia, o aço precisa ser transportado para a empresa de refrigeração que irá montar todos os insumos para fazer o equipamento de refrigeração.  O transporte normalmente é feito por uma empresa terceirizada.

Observe que ainda estamos falando apenas do sistema de refrigeração que vai conservar o presunto.  Só aí já vimos várias etapas da cadeia produtiva; vários processos de produção, sendo que cada um desses processos tem várias etapas.  Agora vamos falar mais especificamente do presunto.  O presunto, obviamente, não surge do nada.  Quem o traz?  Uma empresa de transportes.  Ela o traz de onde?  De um frigorífico.  E onde o frigorífico arrumou a matéria-prima (porcos) que se transforma em presunto?  Em um abatedouro.  Quem fornece pro abatedouro?  Um suinocultor.  Qual a função do suinocultor?  Criar os porcos.  Como se cria porcos?  Com milho e soja.  Onde ele arruma milho e soja?  Com agricultores.  E estes precisam de fertilizantes, que precisam ser manufaturados por vários outros processos de produção, e assim por diante.

Ou seja, aquele simples presunto que você compra no supermercado só chegou àquela prateleira após passar por várias etapas de uma intrincada cadeia produtiva.  E todo esse longo processo não pode ser contornado, driblado, evitado ou abolido por meras políticas governamentais.  Tampouco políticas sociais ou redistributivas podem fazer com que haja presunto farto para todas as pessoas de uma economia.  Tudo precisa ser trabalhado e produzido para que venha a existir.

Quando se entende essa realidade de que vivemos na escassez e de que tudo precisa ser trabalhado e produzido para que possa existir, é fácil concluir que, sempre e em todo lugar, haverá trabalho a ser feito.  Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço.

E é justamente a ignorância tanto desta realidade — a de que vivemos na escassez — quanto de sua consequência direta — que tal escassez significa que há uma infinita necessidade de trabalho e produção — o que está por trás de absolutamente todas as políticas danosas que frequentemente são implementadas com o objetivo de "estimular a economia" ou "proteger os empregos". 

É essa ideia de que não há escassez — e que, logo, há um número fixo de empregos na economia — que está por trás de políticas inflacionistas, assistencialistas, regulatórias e de aumento gastos governamentais. 

E é também essa ideia que está por trás de todas as políticas protecionistas.

"As importações destroem empregos!"

Como todos que se dão ao trabalho — e ao desgosto — de acompanhar o noticiário econômico bem sabem, o governo brasileiro vem adotando políticas protecionistas de vários tipos, que vão desde o aumento de tarifas de importação até a surrada prática da substituição de importações (com a participação do BNDES, por favor).  A ideia que sustenta tais políticas é uma só: impedir que os chineses e os coreanos — que se atrevem a nos vender a preços baixos produtos que queremos comprar — destruam empregos aqui no Brasil, ou, o que dá no mesmo, impedir que "nossos empregos" sejam exportados.

É importante fazermos uma análise mais detalhada desta recente e vigorosa ascensão protecionista e nacionalista, pois a própria existência do livre comércio — e de toda a prosperidade por ele trazida — depende disso.

Considere esta notícia:

Em meio a uma invasão de importados, a indústria nacional de calçados enfrenta dificuldades para manter empregos e até transfere sua produção para outros países. Dois grandes grupos empresariais do Rio Grande do Sul, principal pólo do setor no país, fecharam fábricas e levaram a produção para a Nicarágua e para a República Dominicana. O objetivo é aproveitar acordos comerciais desses governos com os EUA e criar unidades voltadas ao mercado americano.

A Abicalçados (associação da indústria do setor) diz que outras dez empresas podem tomar o mesmo rumo. A Argentina também recebe empresas brasileiras, que planejaram a mudança devido às barreiras para vender ao país vizinho. O grupo Schmidt Irmãos, que tinha uma série de fábricas no interior gaúcho, transferiu a produção para a Nicarágua no ano passado. O governo nicaraguense divulgou que o investimento da empresa brasileira será de US$ 25 milhões. A unidade em uma zona franca da Nicarágua precisa receber até máquinas e insumos vindos do Brasil, devido à escassa estrutura industrial do país. Procurado, o grupo preferiu não se pronunciar.

Dona de marcas como a Ortopé, a empresa Paquetá, de 12.500 funcionários, fechou em agosto uma fábrica em Sapiranga (RS) e a transferiu para a República Dominicana. Centenas de vagas de trabalho foram perdidas. A empresa disse que tomou a medida para "manter a competitividade industrial e continuar crescendo". A valorização do real também influencia na decisão. A federação dos trabalhadores do setor no Estado fala em risco de desindustrialização e diz que há  debandada para locais que oferecem salários mais baixos. A produção no acumulado do ano no país caiu. Até agosto, a exportação de calçados brasileiros recuou 25% ante o mesmo período de 2010. Enquanto isso, o volume de mercadorias importadas subiu 18%. A Indonésia quase dobrou suas vendas ao Brasil.

Ou seja, além dos chineses e dos coreanos, agora pelo visto também temos de nos "proteger" dos nicaraguenses e dos dominicanos.  E não precisamos ficar apenas nos exemplos diretos de perda de empregos e transferências de indústrias para o exterior.  Podemos pegar também o exemplo da transferência virtual de empregos.  Por exemplo, quem é da área de Tecnologia da Informação sabe perfeitamente que sua maior concorrência não está aqui no Brasil, mas sim na Índia, onde há técnicos plenamente capazes dispostos a trabalhar por salários menores do que seus congêneres brasileiros (e principalmente americanos).  Este é um dos motivos de os salários desta área, como recentemente nos disse um leitor que atua neste setor, estarem relativamente estagnados, por mais crescente que seja a demanda por tais serviços.

E isso é fácil de entender.  Ao passo que um engenheiro de software americano exige um salário de pelo menos US$ 100.000 por ano, e um brasileiro se contenta com uns US$ 30.000 (R$ 52.000), um competente indiano fica plenamente satisfeito com um salário de US$ 20.000.  Fazendo uso de modernos equipamentos de telecomunicação, este indiano poderá trabalhar desde a Índia tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos EUA.  Nos EUA, inclusive, há um fenômeno que vem assombrando o establishment médico daquele país (e que rapidamente pode aportar aqui no Brasil): o número de radiologistas, segundo a imprensa, vem declinando significativamente.  Isso ocorre simplesmente porque as imagens por ressonância magnética podem perfeitamente ser enviadas pela internet para radiologistas da Ásia plenamente capazes de diagnosticar o problema, e que cobram por isso apenas uma fração do que cobra o altamente cartelizado setor médico americano.  Tem-se aí um ótimo exemplo de como o livre mercado trabalha para manter os custos sempre baixos.

O que nos interessa aqui é observar que não há diferença entre substituir um trabalhador no Brasil por outro na Ásia, ou transferir uma fábrica para a Nicarágua e para a República Dominicana, ou desempregar trabalhadores de indústrias cujos produtos não conseguem concorrer com produtos importados mais baratos — no final, o desemprego nestes setores aumentará. 

E é aí que surgem os protecionistas com suas lamúrias sobre o livre comércio gerar desindustrialização, perda de renda, miséria e estagnação econômica.

Donde vem a pergunta: quais são realmente os fenômenos gerados pelo livre comércio?  Eles devem ser temidos?  Seriam eles um ataque ao nosso padrão de vida e, consequentemente, justificariam intervenções governamentais concebidas para controlá-los?

Para responder a esta pergunta, temos acima de tudo de entender a lei das vantagens comparativas e a distinção entre 'valor' e 'riqueza', algo que David Ricardo já havia feito em seu "Princípios de economia política e tributação".  'Valor' deve ser entendido como a renda monetária, e 'riqueza' deve ser entendida como os bens e serviços que a renda monetária pode adquirir.  Ou, colocando de outra forma, 'valor' é o dinheiro utilizado em uma troca, e riqueza é aquilo que é recebido nessa troca.

Assim, comecemos abordando o exemplo mais fácil: engenheiros de software brasileiros sendo substituídos por asiáticos que recebem salários menores.  O motivo desta substituição estar ocorrendo é óbvio: os brasileiros não estão dispostos — ou os custos trabalhistas são maiores aqui, o que dá na mesma — a aceitar salários tão baixos quanto os de seus concorrentes asiáticos.  Logo, o custo de tal serviço é maior aqui do que na Índia. 

E o fato de os brasileiros não estarem dispostos a aceitar esta redução salarial implica que eles preferem ir para outras linhas de produção (isto é, outros empregos) que, embora ofereçam salários menores do que aqueles que receberiam nos empregos que acabaram de perder, não requerem reduções tão severas quanto as que seriam necessárias para que eles se tornassem competitivos nos empregos agora preenchidos por indianos.

Por exemplo, supondo que os engenheiros de software ganhavam R$ 6.000 por mês e não aceitaram reduções salariais, de modo que indianos e chineses foram contratados em seu lugar, eles agora terão de se mudar para empregos que irão pagar, digamos, R$ 5.000 ou R$ 4.000.  Estes engenheiros, ao se mudarem para outros ramos da economia, irão levar todo o seu conhecimento e aptidão para estes setores, aumentando a oferta e melhorando a qualidade dos serviços.  E, principalmente, a maior oferta de mão-de-obra nestes setores irá reduzir os custos.  Caso o fenômeno que está ocorrendo com radiologistas nos EUA ocorra aqui no Brasil, o efeito será o mesmo: uma maior oferta de médicos em outras áreas da saúde, o que levará a uma redução real (isto é, descontada a inflação gerada pelo aumento da oferta monetária) dos preços — algo sempre bem-vindo.

E, como explicado no início do texto, o fato de vivermos em um mundo de escassez implica que sempre haverá, em todo e qualquer lugar, serviços (empregos) a serem feitos.  Em teoria, não há por que haver desemprego.  Logo, o fato de haver desemprego no mundo real se deve às regulamentações governamentais, as quais geram esse descasamento entre a demanda por trabalho, sempre infinita, e oferta de mão-de-obra, naturalmente escassa (tal fenômeno foi explicado mais detalhadamente aqui).  Consequentemente, se são as regulamentações governamentais que atrapalham o remanejamento da mão-de-obra deslocada pelas forças de mercado, então são elas que deveriam ser abolidas, e não o livre comércio.

Expandindo o raciocínio

Toda a explicação acima pode ser expandida para a economia como um todo.  Basta generalizarmos a situação.  Assim, imagine que vários setores da economia brasileira — automotivo, calçados, siderúrgicos, têxteis etc. — sejam confrontados por concorrentes estrangeiros ofertando produtos baratos que os consumidores brasileiros voluntariamente optam por comprar.  Tal concorrência desemprega vários trabalhadores brasileiros, os quais terão agora de ir para outros setores.  Isso irá gerar uma redução na renda monetária destes indivíduos.  Porém, e isso é o mais importante, a redução na sua renda monetária sempre será menor do que a redução nos custos implantada por seus concorrentes.  Ou, colocando de outra forma, a redução nos custos será maior do que a redução na renda monetária.

E isso é fácil de entender.  Quando uma empresa busca reduções de custo (a genuína concorrência no mundo atual se dá por meio da redução de custos e não da redução de preços nominais) e consegue continuar produzindo o mesmo tanto de antes com uma mão-de-obra menos dispendiosa — ou com insumos mais baratos —, isso gera um aumento líquido na produção total de toda a economia.  Reduzir custos de produção significa, geralmente, encontrar uma maneira de produzir a mesma quantidade de bens com menos mão-de-obra.  Isso faz com que haja um aumento na produção total da economia, pois a mão-de-obra que foi dispensada deste setor está agora livre para ir produzir mais bens em outras áreas do sistema econômico. 

Vale a pena enfatizar esse fenômeno:  o que ocorre nestes casos é que a mão-de-obra e os insumos mais dispendiosos são liberados de um setor (calçadista, automotivo etc.) e, com isso, podem ser utilizados para expandir a produção de outros setores comparativamente mais importantes.  Ao mesmo tempo, mão-de-obra e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção comparativamente menos importantes e direcionados para este setor em que houve as demissões — e cujo tamanho agora foi reduzido.

Este contínuo processo de substituição de mão-de-obra e materiais mais caros por mão-de-obra e materiais menos caros gera um ganho econômico líquido, equivalente a um aumento na produção, pois a produção de algo considerado mais importante pelos consumidores está sendo aumentada em detrimento da produção de algo considerado menos importante.

As fronteiras geográficas que delimitam estes processos são irrelevantes.  O efeito de trabalhadores da indústria de calçados gaúcha sendo desalojados por sapatos chineses é o mesmo de uma padaria de bairro dispensar seus empregados porque uma grande rede varejista se instalou na vizinhança e está roubando clientes.  Em ambos os casos, desde que haja plena liberdade de comércio e desimpedida mobilidade da mão-de-obra, haverá uma maior produção em outros setores e uma consequente maior oferta de bens na economia como um todo.  É desta forma que as reduções de custo trazidas pelo livre comércio beneficiam os próprios brasileiros. 

Logo, vale repetir: se são as regulamentações estatais que atrapalham o remanejamento da mão-de-obra deslocada pelas forças de mercado, então são elas que deveriam ser abolidas, e não o livre comércio.

Apenas quando se entende todo esse processo é que se torna possível entender como as reduções de custos geradas pelo livre comércio aparecem como reduções reais de preços nos bens e serviços que os brasileiros compram.  Tais reduções de preços ocorrem porque as reduções nos custos são maiores do que o declínio nos salários.  Em outras palavras, os salários reais dos brasileiros — e não os salários nominais — aumentam.  E isso é algo totalmente visível.  O número de horas trabalhadas necessárias para se adquirir bens e serviços vem caindo ao longo dos anos, não obstante toda a inflação monetária e consequente aumento nominal dos preços gerados pelo governo.  Esse fenômeno representa bem o princípio ricardiano das vantagens comparativas e da distinção entre valor e riqueza.

Não obstante tudo o que foi dito, é claro que, se analisarmos exclusivamente a situação de um grupo isolado da economia, principalmente o daqueles assalariados que tendem a ganhar salários mais altos — como os engenheiros de software, os radiologistas ou mesmo os operários sindicalizados da indústria automotiva —, o declínio de sua renda é muito mais acentuado do que qualquer eventual declínio nos preços de bens e serviços que os membros destes grupos tendem a consumir.  Porém, da mesma maneira, para cada um destes exemplos pode-se citar inúmeros contra-exemplos de brasileiros que são beneficiados por reduções nos custos de serviços de informática e serviços médicos e nos preços de automóveis e sapatos.  E sem terem sofrido nenhuma redução salarial.

Conclusão

A divisão do trabalho é algo infinito, e o fato de vivermos em um mundo de escassez significa que sempre haverá serviços a serem feitos.  Consequentemente, sempre haverá empregos para todos.  O fato de isso não ocorrer hoje se deve às várias intervenções do governo no mercado de trabalho — são os encargos sociais (INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S) e trabalhistas (13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios), além do salário mínimo, que provocam esse descasamento entre demanda por trabalho e oferta de mão-de-obra.

O livre comércio por si só não gera desemprego.  Muito pelo contrário: ele possibilita a expansão do emprego e o consequente desenvolvimento de outros setores até então pouco ou nada explorados, além de gerar redução de custos e aumento dos salários reais na economia.  As pessoas que são demitidas das indústrias menos eficientes (que não conseguem concorrer com os produtos importados) e não conseguem outros empregos devem debitar ao estado e às suas regulamentações esse seu atual suplício.  O que elas não podem fazer é utilizar justamente o governo para impedir que outras pessoas voluntariamente adquiram os produtos de seus concorrentes.

Há também efeitos indiretos gerados pelo livre comércio.  Países que abrem suas economias expõem seus empreendedores ao mercado global, algo que os obriga a ser eficientes, inovadores e ousados.  De quebra, todo o país é obrigado a melhorar suas referências em educação e a aperfeiçoar seu ambiente burocrático, diminuindo impostos e regulamentações, e aprimorando sua infraestrutura — um setor em que, caso o estado se retirasse de cena, haveria grandes oportunidades para a livre concorrência fazer seu trabalho.

Por trás do protecionismo está justamente a ideia de que os empregos são limitados e de que não há a possibilidade de exploração de novas áreas da economia.  Fosse o governo habitado por seres minimamente racionais em termos econômicos, todas as leis anti-emprego e anti-empreendedorismo já teriam sido repelidas juntamente com todas as tarifas de importação e todas as regulamentações anti-comércio.  E isso traria um benefício enorme para toda a população, principalmente em termos de renda real.

Por fim, nunca é demais ressaltar que o desenvolvimento econômico da China, da Índia, dos países do leste asiático e de todos os países considerados como de terceiro mundo, em conjunto com sua total integração a um sistema de divisão global do trabalho, é algo que deve ser fervorosamente desejado por qualquer pessoa que genuinamente entenda os benefícios do livre comércio e reconheça toda a prosperidade por ele gerada.  Tal desenvolvimento econômico, se deixado livre, geraria, além de todos os benefícios das vantagens comparativas, a máxima economia de escala possível em cada setor da produção.  Mais ainda: cada ramo da ciência, da tecnologia, da invenção e da inovação empreendedorial passaria a ser buscado por um número cada vez maior de indivíduos inteligentes e altamente motivados.  O resultado inevitável seria um progresso econômico mais acelerado ao redor de todo o globo, o que elevaria o padrão de vida de todos para um nível muito acima do atual padrão vigente nos países mais ricos da atualidade — algo desesperadoramente necessário nesses tempos de crise econômica aguda.

O protecionismo nada mais é do que o medo dos incapazes perante a inteligência e as habilidades alheias.  Tal postura, além de moralmente condenável, por ser covarde, é também extremamente perigosa.  Como já alertava Bastiat, se, ao invés de nos permitirmos os benefícios da livre concorrência e do livre comércio, começarmos a atuar incisivamente para impedir o progresso de outras nações, não deveríamos nos surpreender caso boa parte daquela inteligência e habilidade que combatemos por meio de tarifas e restrições de importações acabe se voltando contra nós no futuro, produzindo armas para guerras ao invés de mais e melhores bens de consumo que eles querem e podem produzir, e os quais nós queremos voluntariamente consumir.

Como disse Bastiat, quando bens param de cruzar fronteiras, os exércitos o fazem.  O mundo seria incalculavelmente mais rico e desenvolvido caso as pessoas lessem mais Mises e Bastiat, e menos Marx e Keynes.


Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


118 comentários
Alexandre M. R. Filho 18/10/2011 03:25:24

Leandro, tá ficando chato já mandar seus textos pros amigos socialistas. Chato pra eles, obviamente.\r
\r
Parabéns mais uma vez!

Responder
Leandro 18/10/2011 03:32:31

Gentileza em excesso, caro Alexandre. Grande abraço!

Responder
Paula 18/10/2011 07:12:41

Brilhante Leandro!
O mundo também seria mais rico se os que estão no poder tivessem a mente que você tem!

Responder
Tiago RC 18/10/2011 07:33:39

Ótimo texto, Leandro.

O que é mais irritante é ver que as mesmas pessoas que defendem "distribuição de renda", defendem protecionismos. É incoerente ao extremo. Quer melhor distribuição de renda do que essa que está ocorrendo com todas essas empresas brasileiras levando bens de produção aos cantos da Nicarágua ou República Dominicana com "escassa estrutura industrial"?

O livre mercado tenta naturalmente distribuir capital, são os governos que não permitem.

Responder
Alan Denadary 18/10/2011 08:50:48

Leandro, por gentileza, me explique esse treho:\r
\r
"O fato de vivermos em um mundo de escassez significa que sempre haverá serviços a serem feitos"\r
\r
Não entendo essa relação escassez de produtos / abundãncia de empregos citada acima.

Responder
Joao 18/10/2011 10:39:26

Do artigo Trabalho, emprego, poupança e capital:

Pare pra pensar: vivemos em um mundo de escassez. Nenhum bem ou serviço surge pronto do nada. Todos eles precisam ser criados e trabalhados. Um carro não surge do nada. É preciso trabalhar o aço, o alumínio, a borracha e o plástico que vão formá-lo. E esses quatro componentes também não surgem do nada. Eles precisam ser extraídos da natureza e/ou fabricados. O mesmo é válido para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a aviões, passando por parafusos, palitos de dente e fio dental. Todos precisam ser trabalhados.

Da mesma forma, o fato de você estar com fome não vai fazer com que uma pizza surja pronta na sua frente. Alguém precisa trabalhar para fazê-la. E os ingredientes utilizados na fabricação dessa pizza, por sua vez, também não surgiram do nada. Todos eles precisaram ser fabricados e/ou plantados e colhidos.

Ou seja: não vivemos na abundância. As coisas não existem fartamente à nossa disposição. Todas elas precisam ser trabalhadas. Sendo assim, sempre haverá, em todo e qualquer lugar, algum trabalho a ser feito. Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço - nem que seja a limpeza de uma janela, a troca de uma lâmpada ou a limpeza de algum banheiro.

Responder
Alan Denadary 18/10/2011 11:41:10

Obrigado João. Quando li esse trecho, não o compreendi muito bem à primeira vista.

Responder
Fabio 18/10/2011 11:47:27

Existe abundancia de trabalho a ser realizado. Mas necessidade de trabalho não se converte em emprego, pois o emprego depende das regulamentações estatais. Quanto mais regulamentação, menos eficiente é o processo de geração de riqueza pelo trabalho, até o ponto em que existe necessidade de trabalho mas o emprego não é viável (o salário mínimo é o melhor exemplo que posso dar).
.
Há vários vídeos do Friedman explicando, ponto por ponto, como o salário mínimo diminui a quantidade de empregos.

Responder
anônimo 18/10/2011 14:02:50

Fábio, não entendi essa passagem: "Mas necessidade de trabalho não se converte em emprego, pois o emprego depende das regulamentações estatais". Poderia explicar?

Responder
Arion 18/10/2011 15:07:34

Uma relação de trabalho é definida entre duas pessoas. Logo se eu te contrato para realização de um determinado serviço, temos um trabalho (capinar um pátio ou trabalho doméstico, por exemplo). Seja ele temporário ou não.
Uma relação de emprego é regulada por leis. Então eu te contrato para realização de determinado serviço (capinar um pátio ou trabalho doméstico, por exemplo)mas nós dois devemos observar as regulamentações que existem nas leis trabalhistas.

E, segundo entendi do texto, são justamente essas regulamentações que acabam por diminuir a demanda por empregados mas não por trabalhadores. Logo, temos demanda por trabalhadores e uma quantidade infinita de trabalhos a serem realizados. Mas não temos empregos suficiente.

E o português não é uma língua incrível?

Responder
anônimo 05/02/2012 18:20:00

A explicação dessa afirmação não me convence completamente.

Se esta explicação estiver baseada em dados reais ou alguma experiência prática que a lastreasse, eu poderia seguir com ela tranquilamente.

Mas a lógica apresentada por si só não legitima a afirmação.

Não é somente pelo fato de produtos passarem por diversas fases e processos, por dependerem de inúmeras matérias primas que haverá sempre trabalho a ser feito.

Um dado para questionar essa afirmação, por exemplo, seria a crescente automação e uso da robótica na produção, que torna o ser humano menos necessário na cadeia produtiva.

De qualquer forma concordo com grande parte do artigo. Acredito que este deva ser um dos temas mais complexos e mais desafiadores para a Escola Austríaca, pelo pouco contato que tenho tido.

Se possível, gostaria que comentasse como esses elementos são compreendidos dentro da lógica apresentada neste artigo.

Obrigado

Responder
Leandro 06/02/2012 01:56:26



Anônimo, lamentar que nem sempre haverá trabalho a ser feito porque a automação elimina a necessidade deles é o equivalente a reclamar que limpar a casa tornou-se uma tarefa fácil e pouco cansativa em decorrência de todos os instrumentos eletrodomésticos inventados para auxiliar esta tarefa.

Quanto menor a necessidade de trabalho humano para se alcançar um determinado objetivo, maior será o padrão de vida do homem. A perfeição será atingida somenteno dia em que vivermos no Éden, em que não há a necessidade de absolutamente nenhum tipo de trabalho para se conseguir o que se quer.

Já de acordo com essa sua visão de mundo, depreende-se que, quanto mais árduo e intenso o trabalho das pessoas, e menos auxiliado ele for por equipamentos eletromecânicos, melhor será o mundo e a qualidade de vida -- visão esta típica de escravagistas.

Por fim, resta ainda você explicar por que, na sua concepção, a quantidade de trabalho exigida pelo mundo seria algo finito, isto é, algo limitado e sem possibilidade de expansão -- de modo que o número de empregos seja sempre limitado.

Abraços!

Responder
Andre Cavalcante 06/02/2012 07:09:08

Olá,

"Não é somente pelo fato de produtos passarem por diversas fases e processos, por dependerem de inúmeras matérias primas que haverá sempre trabalho a ser feito."

Olha só: Num processo pequeno, uma única pessoa faz um produto. Num processo grande, com grande divisão, muito mais gente é necessária. Entretanto, por causa da especialização (e automação), a divisão também aumenta a capacidade produtiva individual. No mesmo tempo que aquele 1 fazia 1 produto, com a divisão do trabalho, muitos fazem milhares, com a consequente queda no preço.

O outro fator é que a Natureza é crua e escassa, e o ser humano tem desejos que são complexos e ilimitados. Ou seja: sempre haverá "o que fazer".

"Um dado para questionar essa afirmação, por exemplo, seria a crescente automação e uso da robótica na produção, que torna o ser humano menos necessário na cadeia produtiva."

Na verdade é o contrário. Quanto mais automação, maior produtividade e a possibilidade de maior a divisão no trabalho. Sem a maquinaria para especializar a produção, ela fica cada vez mais dependente da habilidade de um único indivíduo; com a automação, é possível dividir-se o processo em partes pequenas em que cada qual trabalha especificamente. Isto permite maiores cadeias produtivas. Entretanto, tente perceber que a "qualidade" do trabalho muda: de mecânico (braçal) para intelectual, na maioria das vezes: em vez de apertar parafusos, o funcionário vai clicar em alguns botões e a máquina vai fazer o trabalho mecânico (mas tem que saber quais botões apertar...). Note que a cadeia produtiva não se encerra na venda do produto; o pós-venda e os serviços associados a um produto hoje são tão ou mais empregadores (e até mais importantes do ponto de vista financeiro) que a manufatura em si. Além do mais, o grande lance agora é personalização da produção (que requer uma maior automação e pessoas mais capacitadas).

Até +

Responder
18/10/2011 09:06:28

Leandro, cada vez melhor.

Curto, porém objetivo.

Teremos outra análise da economia brasileira em breve?

Responder
Leandro 18/10/2011 21:47:49

Prezado Zé, em relação à análise da economia brasileira, confesso que nada mudaria neste último artigo a respeito. Mantenho cada vírgula do que está ali. Inclusive, pelo gráfico, espere uma nova redução da SELIC amanhã, muito provavelmente de 0,5 pp.

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Rodrigo Constantino 18/10/2011 09:51:41

Excelente artigo, Leandro!\r
\r
Estamos conseguindo ressuscitar Colbert com força no Brasil, quiçá no mundo! Tempos preocupantes. O ranço mercantilista ainda sobrevive, com uma insistência assustadora. É um zumbi terrível...

Responder
leonardo 18/10/2011 11:50:09

Fosse o Brasil um país normal, Leandro Roque seria o colunista mais lido em economia.\r
\r
É de longe o melhor texto na área atualmente.

Responder
Jean 18/10/2011 11:51:27

Parabéns!! Ótimo texto, vai direto ao ponto e dá um tapa na cara do intervencionismo!

Responder
Eduardo 18/10/2011 11:59:07

Leandro,

James Buchanan chama a atenção para esses pequenos grupos capazes de garantir renda extraordinária através de protecionismo, regulamentação, etc. Como chegar em uma organização política resistente a esse tipo de "ataque"? É difícil convencer mesmo as pessoas não atingidas pela concorrência internacional de que riqueza se ganha com produtividade. Quer dizer, os incentivos políticos são muito fortes para uma erosão da liberdade.



Abração e parabéns pelo ótimo texto.


p.s. Enquanto lia o texto me lembrava continuamente de Bastiat, ao final o citaste oportunamente. Bem, não deixaste a desejar, és o nosso Frederico!

Responder
Domingos 18/10/2011 13:17:25

Parabéns, Leandro. Excelente artigo.\r
Ainda mais com Bastiat no final pra terminar com chave de ouro.\r
Abraço

Responder
Marco 18/10/2011 13:48:36

Leandro, parabéns por mais esse ótimo texto!

Esse tipo de leitura é o que precisamos disseminar para que o povo brasileiro compreenda que vive e trabalha (quase) única e exclusivamente para sustentar os ratos socialistas instalados em Brasília.

Aguardamos mais textos sobre a realidade do estado brasileiro no Mises Brasil!


Abraço!

Responder
Guterres 18/10/2011 13:58:39

Excelente artigo.\r
\r
Leandro para burocrata do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior!

Responder
João 18/10/2011 14:04:15

Caro Leandro

Como sempre teu texto está ótimo. Muito bem escrito e com argumentos muito bons.

Só gostaria de fazer um comentário a respeito das importações. Voce defende, e com toda a razão, que o protecionismo é ruim e tudo mais. Concordo plenamente, mas na pratica temos alguns problemas. A carga tributaria no Brasil é tão alta que se a competição fosse totalmente livre com o exterior em dois anos não existiria mais industrias no Brasil, salvo às abençoadas pela natureza como de minerio de ferro e processamento de alimentos.

Muito se poe a culpa no industrial brasileiro, dizem que ele é incompetente e que não gosta de concorrencia. Não é verdade. Eu estive na China diversas vezes e as fabricas e metodos deles são menos eficientes que os nossos.A diferença chama-se CARGA TRIBUTARIA E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA.

Então nesse sistema que temos hoje um mercado aberto iria com certeza desindustrializar o país.Iríamos virar uma "economia de serviços" (que obviamente não existe).Claro que o correto seria atacar o problema em si, mas eu ao menos não vejo nenhuma chance de isso acontecer.

Abraço
João S

Responder
Jeferson 18/10/2011 15:25:14

Muito bem observado. Muito da ineficiência do Brasil se deve exclusivamente ao tamanho do estado. Se esse for reduzido, seríamos mais eficientes. Se ele fosse eliminado, provavelmente nenhum país do mundo que possua estado seria capaz de "competir" com a gente.

Responder
Alexandre M. R. Filho 18/10/2011 17:11:48

Quem criou o problema foi o estado.\r
\r
A culupe é dele se a tributação atrapalha.\r
\r
É muito perigosto dizer que não podemos abrir a economia pq nossas indústria precisam ser proetegidas por causa da tributação.\r
\r
Seria o mesmo que o estado positivar uma lei determinando que os albinos livres deveriam ser exterminados e, com base nisso, defendermos a escravidão dos albinos justamente para evitar que eles seja aniquilados pq estariam livres.\r
\r
De qualquer forma, cadê meu iPad, Ministro Mercadante????\r
\r

Responder
Joao 18/10/2011 17:19:17

Não estou dizendo que a industria deve ser protegida. Estou dizendo que a industria precisa ter o mesmo nivel de taxação que o resto do mundo tem. Mas se não tivermos isso e abrirmos o mercado aí fica inviavel.

Responder
Alexandre M. R. Filho 18/10/2011 18:18:18

Inviável pra quem? Pro consumidor é que não é.\r

Responder
João 18/10/2011 21:55:13

Alexandre

Fica inviável para a industria. Quero lembrar que não estou falando de multinacionais que montam carros no Brasil, estou falando de pequenas/medias industrias instaladas no Brasil.

Não sei se voce esta a par, mas a industria textil brasileira graças a exportações subsidiadas da China praticamente nao existe mais. E tem varias outras no mesmo caminho.

Não defendo o protecionismo, defendo que aqui tenhamos as mesmas condiçoes que os paises da asia tem. Como acho que aqui nao vamos ter essas condições tao cedo, essa é a unica maneira. Caso contrario vamos virar mais um EUA, que so tem lojas, shoppings e bancos. Isso nao esta dando muito certo por la, não é mesmo?

Responder
Leandro 18/10/2011 22:08:18

João, o governo que tributa pesadamente a indústria é o mesmo que impõe as tarifas de importação para então protegê-las. Não faz sentido nenhum dizer que, já a carga tributária pesada, então que também se aumente as tarifas de importação.

Ao invés de defender mais tarifas, que se defenda menos impostos, regulamentações e burocracias. Se isso vai causar desindustrialização, que cause. Quem sabe assim o governo entende o real problema. O que realmente não é aceitável é dar mais pretextos para o governo tolher ainda mais a liberdade, que é o que você está fazendo.

Dizer que, do jeito que tá, é melhor dificultar ao máximo o livre comércio, é uma postura extremamente destrutiva, como tentei expor no texto.

Abraço!

Responder
mcmoraes 18/10/2011 22:26:32

Joao, sua frase está incompleta. A forma completa é: "fica inviável para a indústria, do jeito em que ela se encontra hoje". Porém, não acho que isso seja necessariamente algo negativo. O que acontecerá com a industria nacional atual se ela se tornar inviável? Os recursos vão ser realocados para que ela se torne viável, redirecionando sua produção para outros produtos e serviços, competitivamente. Quase todos sairão ganhando: tanto os novos produtores quanto os consumidores, que terão acesso a produtos e serviços mais baratos e melhores, nacionais e importados. Somente os antigos produtores, que não conseguiam competir sem auxílio das barreiras perderão. Me parece bastante viável!

Responder
Alexandre M. R. Filho 18/10/2011 23:06:23

João, o governo deve, então, proteger a indústria? E, para proteger a indústria, devemos punir o consumidor?\r
\r
Veja que isso vira um círculo. Mas eu entendi seu argumento.\r

Responder
Joao 18/10/2011 23:28:31

Pessoal

Eu concordo com o que voces estão dizendo. A unica coisa é que se você for ver o que realmente é competitivo no Brasil são pouquissimas coisas. Agricultura e olhe la. Acho que as pessoas que ficam somente lendo e nos escritorios nao tem muita noção do estado desastroso que o setor industrial se encontra no Brasil. Vamos todos viver do que? Vamos todos plantar soja? Escrever livros? Como os americanos estao vendo agora, nao da pra viver so disso. Alguem realmente acredita que os impostos no Brasil vao baixar um dia? Nem a velhinha de Taubate.

O pessoal que trabalha com serviços nao tem muita noçao disso, pois nao da pra importar dentistas da china, nem medicos da coreia. Ai eu queria ver o que iriam dizer. Pimenta no dos outros é refresco.

Abraço

Responder
mcmoraes 19/10/2011 09:12:19

@João: "...Acho que as pessoas que ficam somente lendo e nos escritorios nao tem muita noção do estado desastroso que o setor industrial se encontra no Brasil..."

Desculpe, mas acho que nesse ponto você fugiu da discussão, se escondendo atrás do manto respeitável do "homem de ação, trabalhador experiente, que sabe o que está falando".

Eu posso relatar um "causo" a respeito da competitividade da indústria de software brasileira. Há poucos anos atrás eu escutei de um funcionário que toma decisões estratégicas em uma grande multinacional aqui no Brasil: "para o consumidor norte-americano e europeu, o engenheiro de software brasileiro é sim competitivo em relação ao indiano, pelas seguintes razões: (1) a cultura brasileira é muito mais próxima do que a indiana; (2) o fuso é fator importantíssimo para projetos que demandam reuniões frequentes por um período significativo e, o mais importante, (3) nos projetos em que não está muito bem definida a solução a ser desenvolvida, o brasileiro é muito mais produtivo que o indiano. O indiano é mais produtivo que o brasileiro apenas no desenvolvimento de software do tipo "receita" (i.e. minhas ordens são essas aqui, apenas execute-as, não questione muito, não fuja muito do que eu estou definindo).

Responder
Tiago Moraes 19/10/2011 11:27:19

João, o custo de oportunidade para uma industria estrangeira se instalar em um país com maior liberdade econômica aumenta em relação a apenas exportar produtos para este país. O aumento da liberdade econômica e do livre-comércio no Brasil realmente quebraria boa parte da Industria nacional, no entanto, o volume de empresas estrangeiras interessadas em substituir as exportações por unidades produtivas in loco aumentaria de forma tal que seria possível cobrir o vazio deixado pelas industrias nacionais. Enfim, o efeito final disso seria uma desnacionalização do nosso setor produtivo e não o colapso deste, teríamos bem mais empregos, mas nossa economia seria parecida com a de Cingapura, uma economia multinacional.

Responder
mcmoraes 18/10/2011 19:03:30

@João

O texto acima menciona alguns resultados benéficos da ausência de barreiras comerciais, indpendentemente de nível de taxação. O seguinte trecho é bastante claro:

"...Há também efeitos indiretos gerados pelo livre comércio. Países que abrem suas economias expõem seus empreendedores ao mercado global, algo que os obriga a ser eficientes, inovadores e ousados. De quebra, todo o país é obrigado a melhorar suas referências em educação e a aperfeiçoar seu ambiente burocrático, diminuindo impostos e regulamentações, e aprimorando sua infraestrutura - um setor em que, caso o estado se retirasse de cena, haveria grandes oportunidades para a livre concorrência fazer seu trabalho..."

Por que você diz que fica inviável? E repetindo a do Alexandre, inviável pra quem?

Responder
evandro 25/01/2013 23:40:48

Leandro, lendo os comentários, quero que voce me faça a seguinte análise: HIPOTETICAMENTE, VAMOS ADMITIR QUE O GOVERNO NÃO MEXERÁ DE JEITO NENHUM NA CARGA TRIBUTÁRIA E NA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA DO PAÍS, E VAMOS CONSIDERAR QUE OS PAÍSES MANTENHAM SUAS TAXAÇÕES PARA PRODUTOS IMPORTADOS (OS PAÍSES QUE TIVEREM TAXAÇÕES), OU SEJA, AS CONDIÇÕES SERIAM EXATAMENTE AS ATUAIS, SEM NENHUMA PERSPECTIVA DE MUDANÇA... NESSE ARRANJO, COMO PODERIA SER BENÉFICA A NÃO TAXAÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS? REITERO QUE NESSE MEU CASO HIPOTÉTICO, O GOVERNO LIBERARIA OS PRODUTOS IMPORTADOS DE TAXAÇÃO, MAS MANTERIA AS ATUAIS LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA E TRABALHISTA... NESSE ARRANJO, QUE PROVAVELMENTE LEVARIA A UMA GRANDE DESINDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL, VOCE ACREDITA MESMO QUE OS BRASILEIROS TERIAM UM BEM-ESTAR MAIOR? SE ACREDITAR QUE SIM, GOSTARIA QUE ME DISSESSE COMO O PAÍS PODERIA ESTAR MELHOR SENDO DEPENDENTE PRATICAMENTE SÓ DO SETOR DE SERVIÇOS? ABRAÇO

Responder
Leandro 26/01/2013 06:44:20

Prezado Evandro, o CAPS LOCK é desnecessário (além de ser extremamente desconfortável, é coisa de pessoa insegura, que acha que pode substituir argumentação por intimidação e ganhar no grito). Escreva em tamanho normal da próxima, por gentileza.

"Nesse arranjo, como poderia ser benéfica a não taxação de produtos importados?"

Inverto a pergunta: como ela poderia ser prejudicial? Liberar importações significa permitir que os mais pobres tenham acesso a bens de qualidade, bens estes que não são fornecidos pela indústria nacional. Liberar importações significa aumentar imediatamente o padrão de vida das pessoas de mais baixa renda (os ricos continuam comprando diretamente em Miami, de modo que para eles não faz muita diferença), permitindo que elas tenham acesso barato a bens de todos os cantos do mundo, os quais elas irão adquirir voluntariamente, para desespero dos arrogantes que querem determinar o que as pessoas podem e devem consumir.

Não há absolutamente nada mais elitista do que proibir os pobres de ter acesso ao mercado mundial, e não há nada mais arrogante do que determinar que eles só podem consumir porcaria nacional.


"Reitero que nesse meu caso hipotético, o governo liberaria os produtos importados de taxação, mas manteria as atuais legislação tributaria e trabalhista... Nesse arranjo, que provavelmente levaria a uma grande desindustrialização do brasil, voce acredita mesmo que os brasileiros teriam um bem-estar maior?"

Sem dúvida. Você está novamente ignorando a questão do livre arbítrio. Se as pessoas voluntariamente optaram por adquirir bens estrangeiros em detrimento de porcarias nacionais -- que são caras e ruins --, é porque elas julgam que o produto nacional não lhes serve. Se elas voluntariamente optaram por produtos estrangeiros, então é porque julgam que estes lhe trazem maior benefício. Portanto, por definição, se as pessoas voluntariamente optaram por consumir produtos estrangeiros por acharem que eles possuem um melhor custo benefício, então o bem-estar delas aumentou. Isso é tão óbvio que chega a ser quase que uma tautologia.

Como você se sentiria se você quisesse almoçar todos os dias em um restaurante a quilo, mas eu lhe obrigasse a comer diariamente em um fast-food porque isso, por algum motivo obscuro e ilógico, "seria bom para o país"?

"Se acreditar que sim, gostaria que me dissesse como o país poderia estar melhor sendo dependente praticamente só do setor de serviços?"

Se o país não sabe produzir nada com eficiência, com qualidade e com baixo custo, então (de novo), por definição, este país está desperdiçando recursos em coisas em que ele é ruim. Deveria se concentrar apenas naquilo em que ele é bom, e delegar a manufatura daquilo em que ele é ruim para as pessoas que sabem fazê-lo. David Ricardo já havia entendido isso há mais de 200 anos. Bastiat, algumas poucas décadas depois, reforçou a ideia. Tal conhecimento, pelo visto, ainda não chegou por aqui.

Aliás, recentemente saiu uma notícia mostrando que, em termos do PIB, o Brasil é o país mais fechado do mundo (entre 179 países). Não é à toa que nosso padrão de vida é baixo. Até quando e até que ponto elitistas como você querem manter os portos fechados? Em qual momento vocês dirão, "Ok, já está bom, agora podemos abrir um pouquinho"? Vocês não se cansam de controlar a vida e o livre arbítrio dos outros? Isso é tão prazeroso assim?

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Responder
anônimo 26/01/2013 08:49:37

'Se o país não sabe produzir nada com eficiência'

Eu acho que o medo desse pessoal protecionista é justamente esse.

Responder
TL 26/01/2013 14:40:34

Olá Evandro.

Acredito que um exemplo possa ajudá-lo. Os outros leitores são convidados a corrigir/refutar meu exemplo, no caso de um raciocínio errado, incompleto ou ingênuo.

Pressupostos: Existem 2 países e 1 fabricante de mesa em cada um deles.

País A: 1 fabricante de mesas {FA}
País B: 1 fabricante de mesas {FB}

Cenário 1: Protecionismo

Suponha que o FA somente consiga competir com FB através do protecionismo, e que o preço de venda de sua mesa é 2 u.m. O FB oferece a mesma mesa por 1 u.m.

Nesse cenário, um cidadão do pais A precisa utilizar 2 u.m para comprar uma mesa (é proibido comprar de FB).

Cenário 2: Livre Mercado

Sem o protecionismo, FA não tem como competir com FB (seja por causa da tributação, ineficiência e/ou leis trabalhistas do país A).

Nesse cenário, os bens de capitais de FA seriam liquidados e alocados para outra atividade produtiva. Essa liquidação é dolorosa, como toda recessão.

Depois da liquidação dos bens de capitas de FA, supomos que ele comece a fabricar cadeiras ao custo de 1 u.m.

Nesse cenário, com as mesmas 2 u.m., um cidadão do país A poderia ter uma mesa e uma cadeira, ao invés do Cenário 1, onde ele tem apenas uma mesa.

----------------------------

É por isso que o protecionismo necessariamente empobrece a sociedade. A estrutura de bens de capitais em ambos os casos são iguais, entretanto no segundo cenário nós temos uma maior oferta de bens aos consumidores.

Numa hipóteses mais otimista, a tributação e leis trabalhista do país A poderiam ser diminuídas até o ponto de FA ser tão competitivo quanto FB, ou mesmo mais competitivo. Nesse caso, FA nem precisaria liquidar seu negócio e riqueza da população aumentaria.

Responder
Junior 18/10/2011 14:50:10

Nunca li tanto absurdo junto!

Responder
Carlos Araujo 18/10/2011 23:12:37

Poderia me ajudar a achar onde.

Responder
Eu 19/10/2011 09:50:22

Infelizmente, o simples fato de "existir trabalho a ser feito" não significa que ele será feito. Ao menos não em uma sociedade onde os meios de produção são privados.

Se nesta sociedade existem 10 milhões de pessoas miseráveis e famintas, eles adorariam cultivar a terra pra plantar o que comer. Mas não podem porque não são proprietários de terra.

Logo vem o argumento: Então um empreendedor (o herói do laissez-fair) irá perceber este nicho de mercado, comprará terras e contratará esta mão de obra ociosa para trabalhar. Acontece que com as modernas técnicas de produção uma pequena fração da população miserável (digamos 1000 pessoas) são capazes de produzir o alimento para os 10 milhões. A conta não fecha. O empreendedor não vai entrar nessa, porque os 10 milhões de famintos não são consumidores. Mesmo querendo o alimento, não tem como pagar por ele.

Não me entenda mal. Não sou comunista nem Marxista. Tenho plena consciência que qualquer tentativa de estabelecer uma economia tipo "central planning" está fadada ao fracasso, como na antiga URSS e em Cuba. Mas esse conto de fadas da mão invisível também não funciona. O estado precisa intervir para manter os níveis de emprego e impedir que se formem cartéis e monopólios no mercado.

Além disso, por questões práticas e éticas, acredito que é função do estado prover gratuitamente os serviços de justiça, segurança pública, educação e saúde.

Responder
Luis Almeida 19/10/2011 09:59:52

Nao entendi absolutamente nada da sua lógica, caro Eu. Os famintos não estão primordialmente interessados em trabalhar, mas sim em saciar sua fome. Se há 1.000 pessoas dispostas a plantar para os todos eles, tanto melhor. Aliás, quanto menor esse número de pessoas dispostas a plantar, melhor, pois mais sobre mao-de-obra para outros setores.

Você está partindo do princípio de que 1) a principal preocupação dos famintos é arrumar emprego e 2) só existe emprego em plantações de alimentos. (Isso é que é chute longe da realidade.)

Essa técnica de inventar situações irrealistas para tentar rebater argumentos lógicos é tão cansativa e antiquada...

Responder
Eu 19/10/2011 10:13:02

É claro que não existem pessoas dispostas a plantar por todos os outros. O que também não existe é garantia de que haverá um equilíbrio, e todas as pessoas conseguirão se realocar no mercado de trabalho, independente de regulamentações protecionistas do governo existirem ou não. Outro dia tento desenvolver melhor o raciocínio.

Responder
Ze 19/10/2011 10:31:15

Eu:

Só existe desemprego por culpa do estado, esperar que ele solucione o desemprego, isso sim é conto de fadas.
Sempre haverá trabalho à ser feito, sempre haverá pessoas dispostas a pagar por esses trabalhos. Sempre haverá muito mais trabalho(virtualmente infinito) disponível do que gente para executá-los(extremamente limitado pelo numeros de pessoas dispostas a trabalhar).
Não é que a conta que você fez não fecha... É que essa conta não pode ser feita. Você está confundindo "emprego" e "trabalho".

Responder
anônimo 19/10/2011 20:55:01

"Se nesta sociedade existem 10 milhões de pessoas miseráveis e famintas, eles adorariam cultivar a terra pra plantar o que comer. Mas não podem porque não são proprietários de terra."

Curioso, essa é a história da Revolução Industrial e de toda a criatividade e produtividade que surgiu a partir dela.


"Logo vem o argumento: Então um empreendedor (o herói do laissez-fair) irá perceber este nicho de mercado, comprará terras e contratará esta mão de obra ociosa para trabalhar."

Sim, foi o que sempre houve.

"Acontece que com as modernas técnicas de produção uma pequena fração da população miserável (digamos 1000 pessoas) são capazes de produzir o alimento para os 10 milhões. A conta não fecha. O empreendedor não vai entrar nessa, porque os 10 milhões de famintos não são consumidores. Mesmo querendo o alimento, não tem como pagar por ele."

Essa sua "conta" não fecha porque ela não faz o menor sentido. Você é burro. Tente de novo.

"Não me entenda mal. Não sou comunista nem Marxista."

Mas é muito mais estúpido.

"Tenho plena consciência que qualquer tentativa de estabelecer uma economia tipo "central planning" está fadada ao fracasso como na antiga URSS e em Cuba. "

Obrigado por contradizer tudo o que disse até aqui.

"Mas esse conto de fadas da mão invisível também não funciona. O estado precisa intervir para manter os níveis de emprego e impedir que se formem cartéis e monopólios no mercado."

Acho que você nem tentou ler o artigo.

"Além disso, por questões práticas e éticas, acredito que é função do estado prover gratuitamente os serviços de justiça, segurança pública, educação e saúde."

Você já deixou claro que não tem ética, é um mau caráter que acha que Jorge deve ajudar

Responder
Thales 19/10/2011 00:30:35

Junior, achei a mesma coisa quando cheguei, por feliz acaso, a este site há alguns meses.\r
Navegue um pouco, leia alguns artigos, pesquise em outros lugares em caso de dúvida.\r
Se você estiver disposto a se desapegar de conceitos arraigados aos quais somos doutrinados desde que nascemos, não se arrependerá. Ou melhor, irá se arrepender do comentário que fez.

Responder
Carlos Araujo 19/10/2011 20:27:42

Bom, o conselho que dou é o mesmo do Thales.
Leia o máximo que puder dos artigos aqui do site. É uma faculdade on-line e gratuita.

Responder
Absolut 22/10/2011 23:55:48

Essa turma paraquedista no IMB é tão preguiçosa que não suporta ler o próprio artigo no qual comenta, imagina então a lista dos artigos sugeridos pelos leitores de longa data!

Responder
luis fernando 18/10/2011 19:13:08

Muito Bom,\r
abç

Responder
anônimo 18/10/2011 21:20:35

"E isso é fácil de entender. Ao passo que um engenheiro de software americano exige um salário de pelo menos US$ 100.000 por ano, e um brasileiro se contenta com uns US$ 30.000 (R$ 52.000), um competente indiano fica plenamente satisfeito com um salário de US$ 20.000. Fazendo uso de modernos equipamentos de telecomunicação, este indiano poderá trabalhar desde a Índia tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos EUA."
- O que quer dizer com isso? Que um engenheiro de software americano se contente em trabalhar com um salario de US$ 20.000,00 por ano, como um indiano? Sendo assim, então a solução para a problema dos EUA e do Brasil seria reduzir o seu nível salarial a níveis chineses e indianos?

Responder
Leandro 18/10/2011 21:42:44

Ninguém precisa se contentar com salário nenhum. Se não estiver satisfeito com o salário oferecido em um setor, que mude de emprego e vá se dedicar a outras atividades que pagam mais.

No fundo, o que você está querendo dizer é que há algo como um "direito natural" a um valor salarial fixo, um valor inalterável para baixo. Fabricantes de carroças, de velas e de máquinas de escrever eram muito ricos no passado, bem como seus empregados. A julgar pela sua lógica, a invenção do automóvel, da luz e do computador deveria ser proibida, pois isso derrubou os salários das pessoas que trabalhavam nestes setores.

Por fim, gostaria de saber se você aplica este mesmo conceito na hora de consumir. Será que você exige que os preços dos bens que você consome estejam sempre subindo, jamais podendo cair?

Abraço!

Responder
Leninmarquisson da Silva 20/10/2011 09:54:44

A Procter & Gamble que o diga. Era uma das melhores companhias na fabricação de velas...até que Thomas Edison trouxe "trevas" aos seus negócios, através da "luz"*.
Bom, havia várias outras companhias produtoras de velas, afinal era um produto essencial e um negócio lucrativo. Mas poucas sobreviveram.
O processo de produção de velas de antigamente tinha uma certa adaptabilidade com a produção de sabonetes e afins...Com a eletricidade, as pessoas passaram a tomar mais banhos, inicialmente pela iluminação, e posteriormente por causa dos chuveiros elétricos. A P&G enxergou aí uma oportunidade, ao invés de sentar e chorar ao Estado.

PS: Do jeito que falei até parece que trabalho na P&G, mas a única coisa que tenho certeza é que eles sairam do negócio de velas e foram fazer sabão por causa das lâmpadas do Edison. Não sei de nenhuma ajuda estatal, senão provavelmente estaríamos acessando esse site à luz de velas usando máquinas tipográficas movidas à carvão (ecochaticamente sustentável), com internet discada e com modem à cordas.

*até parece façanha marxista, como gelar com fogo, secar com água ou multiplicar dividindo...

Responder
Sérgio 10/09/2012 13:06:02

Mas até o que eu sei, o mercado de trabalho americano é mais livre. Não há muitas leis do governo determinando o salário. E se as empresas americanas págam US$ 100.000 por ano a um engenheiro americano, é pq tem de ser assim para contratar um engenheiro americano. Se as empresas decidirem reduzir para US$ 50.000 por ano, nenhum americano aceitará estudar e se qualificar para receber US$ 50.000 por ano. Acabaria o incentivo para um americano ser engenheiro de software. Não queira comparar: para os padrões da Índia, US$ 20.000,00 é uma fortuna, para os padrões americanos, US$ 50.000,00 não é quase nada.

Responder
Eduardo M 20/10/2011 00:33:33

Caro Anônimo

"E isso é fácil de entender. Ao passo que um engenheiro de software americano exige um salário de pelo menos US$ 100.000 por ano, e um brasileiro se contenta com uns US$ 30.000 (R$ 52.000), um competente indiano fica plenamente satisfeito com um salário de US$ 20.000. Fazendo uso de modernos equipamentos de telecomunicação, este indiano poderá trabalhar desde a Índia tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos EUA."
- O que quer dizer com isso? Que um engenheiro de software americano se contente em trabalhar com um salario de US$ 20.000,00 por ano, como um indiano? Sendo assim, então a solução para a problema dos EUA e do Brasil seria reduzir o seu nível salarial a níveis chineses e indianos?

Entendi perfeitamente sua questão. Talvez uma boa explicação para essa sua pergunta seria o seguinte...

O mercado de empregos funciona da mesma forma que o mercado de compra e venda de produtos e serviços.

Por exemplo, se existe muita oferta de mão de obra na área de engenharia de software (devido a enorme quantidade de indianos especializados nisso) obviamente haverá uma possível redução de salários. Porém, essa redução provavelmente chegará a um certo limite, pois o indiano que resolver trabalhar nos EUA terá os mesmos custos de vida de um americano. Um indiano provavelmente não irá querer trabalhar nessa área se seu salário for de $5000 anuais, pois afinal ele precisará mais que isso para viver nos EUA.

Qual a alternativa que os americanos terão para poder ter o mesmo emprego do indiano e ao mesmo tempo com o salário maior?

Muito simples. O americano terá que superar o indiano na qualidade de seu trabalho através do investimento em sua qualificação técnica e capacidade criativa. Dessa forma, provavelmente, as empresas abrirão seus olhos de volta para a mão de obra americana.

Esse é meu ponto de vista...

Responder
Daniel 18/10/2011 23:40:53

Caro Leandro Roque e prezados debatedores,\r
\r
Achei o artigo muito bom. Tenho acompanhado os artigos do IMB e são de uma qualidade inquestionável. Muito provavelmente aqui se diz o que se fará no futuro deste país. Mas, por amor ao debate de idéias, me surgiram umas questões, que, devido ao meu desconhecimento econômico, não pude resolver por minha própria conta. Por isso faços as seguintes postagens, e se alguém puder responder, de acordo com as argumentações da escola austríaca, fico imensamente agradecido:\r
\r
1. Caso o crescimento econômico da China também esteja sustentado por uma taxa de câmbio artificialmente baixa (já que na verdade a China tem bastante meios de produção para ter uma moeda tão barata) e talvez por dados econômicos fajutos (a China é uma ditadura ferrenha, pode facilmente maquear os dados, sem que ninguém no mundo consiga comprová-los) seria ainda assim interessante querer competir com os chineses em regime de livre comércio? (Obs.: o que percebo é que "potências" ocidentais estão se desindustrializando em prol da China, vide os EUA, e afundando numa crise jamais antes vista - claro que a China não é a única culpada do desastre ameriano, eles próprios o são com as dívidas gigantescas, mas a China ajudou)\r
\r
2. Eu sei que o correto, internamente em cada país, é tentar ser o máximo liberal possível. Quanto mais liberal, mais a economia crescerá. Sem dúvida. Mas, no aspecto internacional, essa perspectiva me parece um tanto forçada. Um país estrangeiro, eventualmente, pode querer baratear os preços além de um certo "limite mínimo", para tentar quebrar uma certa indústria de outro, através da manipulação de dados econômicos ou taxas de câmbio irreais, fazendo na prática um dumping subsidiado por um forte governo. Deve-se simplesmente desconsiderar isso?\r
\r
3. Sendo a economia chinesa sustentada num regime de redução de custos que beira ao trabalho escravo de sua população (são apenas dois dias de folga por ano, salvo engano), mesmo assim seria legítimo o Brasil, que, quer queira ou não, já atingiu um nível de desenvolvimento onde seria repelido pela população um trabalho tão ardente desta forma, querer competir de igual para igual com os chineses? (Não tenho dúvida que inteligência e habilidade de um povo geram desenvolvimento, contudo, redução de custos com trabalho "escravo" também gera)\r
\r
Desculpem-me meu desprezível nível de conhecimento econômico. Mas, foram dúvidas que me surgiram.\r
\r
Saudações!

Responder
Leandro 19/10/2011 01:15:44

Prezado Daniel,

1) Em relação a este primeiro item, digo apenas que você foi enganado pela imprensa e pelos economistas que nela escrevem. Dizer que a China é a responsável pela desindustrialização americana é algo além do burlesco. E isso não é nem opinião minha, não. São estatísticas do próprio governo americano. Sabe qual a fatia do consumo dos americanos vai para produtos chineses? Apenas 2,7%. Isso mesmo. De tudo que os americanos gastam em consumo pessoal, apenas 2,7% disso vai para produtos chineses. Aqui no Brasil o valor certamente é muito menor. E os chineses estão destruindo empregos americanos?

Caso ainda não esteja convencido, mando-lhe outra estatística, esta agora mostrando que, embora o emprego na indústria americana tenha se reduzido, a produção industrial do país (que é o que realmente importa para a economia) seguiu crescendo. Isso chama-se aumento de produtividade. (Veja aqui).

O que realmente vem destruindo os EUA é um outro fator, o monetário. Vale lembrar que os EUA sofrem o "problema" de deterem a moeda internacional de troca. Se a sua moeda é utilizada globalmente como meio de troca internacional, você está na posição de poder apenas imprimir dinheiro e mandá-lo para o exterior em troca de bens e serviços. Pra que ter base industrial se você pode apenas imprimir dinheiro e sair comprando tudo? O banco central americano imprimia dólares e os mandava para o exterior, e em troca esses países devolviam aos EUA produtos de todos os tipos. A coisa aparentemente funcionava. Os dólares enviados ao exterior voltavam na forma de investimento em títulos do governo americano, e o ciclo se reiniciava -- algo que mais parecia um moto-perpétuo. É claro que isso teria de erodir a base industrial americana. Afinal, não fazia sentido o país produzir coisas se ele podia adquiri-las do exterior muito mais facilmente.

Ademais, outros fatores também tiveram grande peso nessa erosão: sindicatos agressivos que exigiam privilégios crescentes, aumento das regulamentações governamentais, carga tributária crescente, plantas e equipamentos envelhecidos, a cultura do bigger is better -- que gerava desperdício e não estimulava a conservação e a disciplina --, e um descaso para com a qualidade e o design de seus produtos -- que foi onde os japoneses fizeram a festa.

Sempre lembrando que o objetivo de uma economia não é gerar empregos. Empregos são apenas a consequência de uma economia forte. Empregos são o sinal da saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável. O objetivo de uma economia saudável é a produtividade. Os empregos são a conseqüência positiva da produtividade.

2) No seu item 2 você não apenas ignora a questão da escassez. Em um mundo de escassez, não existe esse negócio de industrialização total; a lei das vantagens comparativas fará com que cada país se especialize naquilo em que ele é melhor. Se os chineses são insuperáveis em fábricas de sapatos, então eles vão dominar este setor. Se os brasileiros são insuperáveis em extração de minério, plantação de laranja e fabricação de aviões de pequeno e médio porte, então nós vamos dominar estes setores.

Não existe este negócio de manipulação cambial destruir todas as indústrias do mundo de moda a restar apenas um vencedor. De novo, isso é desconhecimento da realidade econômica mais básica -- a realidade de que vivemos na escassez, a demanda por bens e serviços é infinita e sempre haverá trabalho a ser feito.

Nunca se esqueça de duas coisas:

1) A demanda sempre e em todo lugar será algo infinito.
2) A oferta de bens e serviços sempre e em todo lugar será por definição escassa.

Logo, não é por falta de demanda (interna) e excesso de oferta (externa) que as indústrias sumirão e a economia nacional entrará em colapso. Sempre haverá serviços a serem feitos; sempre haverá demandas a serem cumpridas.

A oferta de bens estrangeiros apenas ajudará a satisfazer parte dessa demanda, algo sempre bem-vindo. A mão-de-obra dessa fatia da indústria nacional que deixou de ser párea para a concorrência estrangeira sempre poderá ser realocada para outros setores. E de novo: é totalmente irreal imaginar que toda a demanda interna poderá ser perfeitamente substituída por todos os bens produzidos externamente. Isso não ocorre nem mesmo nas economias mais abertas do mundo (Hong Kong, Cingapura, Suíça, Dinamarca, Nova Zelândia), as quais apresentam baixo desemprego.

3) Ora, seria irracional tentar competir com os chineses. Mas, de novo, pra que competir em um nicho em que há gente melhor? Faz sentido eu sair daqui e dedicar o resto da minha vida a tentar superar o, sei lá, Cristiano Ronaldo ou Messi (detalhe: não sei nem fazer embaixadinhas)?

Enfatizo pela enésima vez: vivemos na escassez. Se há alguém melhor que nós em um setor, ótimo. Que então nos aprumemos e passemos a nos dedicar a outros setores, e recebamos de braços abertos as mercadorias produzidas por aqueles que se mostraram melhores que a gente. É assim que o mundo progride. Essa ideia de que os chineses serem melhores que a gente na fabricação de sapatos significará o fim da nossa economia é de um ridículo atroz.

Espero ter esclarecido um pouco suas dúvidas.

Grande abraço!

Responder
Carlos Araujo 19/10/2011 20:51:01

"1) A demanda sempre e em todo lugar será algo infinito.
2) A oferta de bens e serviços sempre e em todo lugar será por definição escassa."


E o "amortecedor" entre elas é o sistema de preços. E o preço justo só é descoberto em uma economia livre.
Retire a liberdade da economia, e não se cosiguirá os preços. Retire os preços, e será impossível casar oferta e demanda. Não casando oferta e demanda, haverá distúrbios em inumeros setores da economia, até o colapso.

Algo tão simples, e milhões de pessoas não sabem. Triste.

Responder
Andre 26/10/2011 08:46:06

Leandro, ou qualquer outro..

Essa história da Lei de Say, é um tanto complicada de entender a primeira vista, entendo que de forma geral, se o emprego é escasso e o trabalho(coisas para fazer) infinito, logo sempre haverá empregos, em uma economia laissez faire.

Mas quando sou confrontado com: "Poxa, mas se eu ofertar uma pirâmide sólida(ou qualquer outra coisa que ninguem queira comprar), ninguém irá demandar".

Como fica nesta situação? Tem várias coisas que mesmo se colocarmos preço 0.0, ninguém irá querer.

Responder
Leandro 26/10/2011 13:48:53

Mas esta não é a definição da Lei de Say. Esta, aliás, é a deturpação feita por Keynes e pelos keynesianos da Lei de Say. Não é a toa que, exposta desta maneira, ela não faz sentido. (Keynes não concordava com a Lei de Say porque ela ia contra sua ideologia, mas ele não sabia refutá-la. Aí teve de recorrer ao artifício favorito dos charlatães: reinventou a Lei de Say dando a ela outra definição e passou a atacá-la, jurando que estava atacando a formulação original).

A Lei de Say verdadeira diz que

"você não pode aprimorar as condições econômicas simplesmente aumentando a quantidade de dinheiro na economia; quando os negócios não estão indo bem, não é porque não há dinheiro suficiente. O que Say tinha em mente, o que ele disse quando criticou a doutrina de que deveria haver mais dinheiro na economia, era que tudo o que alguém produz representa, ao mesmo tempo, uma demanda por outras coisas. Se há mais sapatos produzidos, esses sapatos serão oferecidos no mercado em troca de outros bens. A expressão "a oferta cria demanda" significa que o fator produção é essencial. Expressada mais acuradamente, ele estava dizendo que "a produção cria consumo", ou, ainda melhor, que "a oferta de cada produtor cria sua demanda pelas ofertas de outros produtores". Dessa forma, um equilíbrio entre oferta e demanda sempre existirá em termos agregados (embora Say reconheça que pode haver escassez e fartura em relação a produtos específicos)."

Ou seja, para que uma pessoa possa demandar algo, ela antes precisa ter produzido algo. E é exatamente por ter produzido algo, que esse produtor terá agora uma demanda por outros bens e serviços -- e isso elevaria a oferta de bens e serviços para toda a economia, reduzindo os preços.

Não tem nada desse negócio de "Ah, vou criar uma pirâmide e ela vai ser vendida, pois a oferta cria sua própria demanda." Isso é vigarice keynesiana.

Grande abraço!

Responder
Rhyan 19/10/2011 00:30:03

Leandro, não tem nenhum erro nesse parágrafo?:

"Vale a pena enfatizar esse fenômeno: o que ocorre nestes casos é que a mão-de-obra e os insumos mais dispendiosos são liberados de um setor (calçadista, automotivo etc.) e, com isso, podem ser utilizados para expandir a produção de outros setores comparativamente mais importantes. Ao mesmo tempo, mão-de-obra e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção comparativamente menos importantes e direcionados para este setor em que houve as demissões - e cujo tamanho agora foi reduzido."

Estou com dificuldades de entendê-lo.

Responder
Leandro 19/10/2011 00:56:19

Erro nenhum, Rhyan. Mas talvez fique mais fácil caso você pense em termos de uma empresa que reduz seus custos de produção adotando uma maneira de produzir a mesma quantidade de bens com menos mão-de-obra. Tal ato aumentará a quantidade de bens produzidos na economia, pois a mão-de-obra (qualificada) que foi dispensada desta empresa poderá ir para outros setores (que estão demandando mão-de-obra qualificada; logo, são comparativamente importantes) e aumentar a produção de bens e serviços nestes outros setores.

Ou, o que dá no mesmo, você também pode pensar em termos de uma empresa que resolve produzir a mesma quantidade de bens utilizando mão-de-obra mais barata. Neste caso, a mão-de-obra mais cara será liberada para outros setores, os quais, justamente por estarem em busca de mão-de-obra mais qualificada, são setores comparativamente mais importantes do que o setor em que atua esta empresa que está trocando mão-de-obra cara por mão-de-obra barata. Tal fenômeno também gera um aumento total na produção.

Responder
Rhyan 19/10/2011 03:12:09

"Ao mesmo tempo, mão-de-obra e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção comparativamente menos importantes e direcionados para este setor em que houve as demissões"

Não deveria ser:

"Ao mesmo tempo, mão-de-obra e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção comparativamente mais importantes e direcionados para este setor em que houve as demissões"

Responder
Leandro 19/10/2011 03:56:28

Mas isso não faria sentido. Por exemplo, se uma indústria de calçados está demitindo e se reestruturando, ela terá de reduzir seus custos contratando mão-de-obra mais barata. E tal mão-de-obra mais barata só poderá ser conseguida nos setores da economia cujos salários são ainda menores (setores menos importantes). Só assim a indústria de calçados conseguirá atrair tal mão-de-obra -- afinal, setores mais importantes utilizam mão-de-obra mais cara, algo fora do escopo da indústria de calçados.

O que você disse é que a indústria de calçados deveria contratar mão-de-obra mais cara, retirando-a de setores mais importantes. Isso é economicamente ilógico.

Grande abraço!

Responder
Rhyan 19/10/2011 04:23:32

Tava achando que os setores menos importantes eram esses "(calçadista, automotivo etc.)".

Confundi isso.

Valeu, abraço!

Responder
Evelyn 26/10/2011 04:35:30

Eu também não tinha entendido muito bem isto no texto. Obrigada pela explicação! No mais, excelente, como sempre, Leandro.

Responder
José R.C.Monteiro 19/10/2011 08:22:32

Saudações, prezado Leandro, quando trabalhava em um empresa estatal e monopolista, houve uma votação feita pelo sindicato no intuito de saber qual era opinião dos "companheiros" sobre os referidos assuntos (estatização e monopólio), e para minha surpresa constatei que inúmeros colegas não sabiam a definição de ambas palavras, isso tudo até em nivel de diretoria sindical, é mole!
Nem precisei continuar minha investigação com menos esclarecidos, dei-me por satisfeito com esse grupo, passando para o grupo dos mais-esclarecidos ratifiquei minhas suspeitas, nem imaginavam que com o fim do monopólio, e mesmo com a canga do "estado", poderíamos vender a nossa mão-de-obra especializada para os novos investidores/capitalistas/empresas, fui chamado de traidor.
Traidor? Eu,cara-pálida?
Abraços,

Responder
Alan Denadary 19/10/2011 08:27:09

A ignorância econômica assola o mundo"

Responder
Cesar Ramos 19/10/2011 11:04:03

Excelente abordagem. Para mim, ademais, o protecionismo nada tem a ver com ideologia, nem com técnica de gestão, muito menos com preocupação social, ao contrário: é apenas reserva do quintal para que os "investidores de campanha" depenem as galinhas sem misericórdia.

Responder
anônimo 19/10/2011 20:58:54

Concordo.

E digo que, dos que defendem o protecionismo, parte deles, os passivos, defendem a estapafúrdia idéia por mera ignorância. A outra parte, aqueles que tem muito a ganhar, os ativos, defendem por pura safadeza.

Responder
Carlos Araujo 19/10/2011 21:00:16

Bem, não achei outro lugar então vou colocar "no primeiro que vejo".

Alguém com mais tempo de site sabe me informar se existe um chat, no msn ou outro local, em que há rodas de conversa sobre economia e política sob visão austro-libertária?

Responder
Andre Poffo 20/10/2011 17:52:15

Comunidade liberalismo no facebook.

Responder
Daniel 20/10/2011 00:18:25

Caro Leandro Roque e demais debatedores,\r
\r
agradeço enormemente a didática resposta dada a um leigo acima escrita. Inclusive pela desconcertante rapidez com que foi conferida. Confesso que os argumentos são imensamente sólidos, com toda a questão de readaptação da economia, deixando-a mais competitiva e dinâmica, seguindo o princípio de que vivemos em estado de escassez. Ainda tenho muito a ler e estudar sobre tal assunto, mas tenho a convicção de que este é o caminho certo. As análises econômicas da escola austríaca sempre me parecem mais racionais do que outras, com começo, meio e fim. Até por isso tornei-me um fã deste site.\r
\r
Contudo, ouso mais uma vez intervir num único ponto: ainda tomando por base a "agressividade" asiática no comércio internacional, não seria mais cauteloso ao Brasil primeiro abrir o mercado interno (realizando um livre comércio interno), para, somente depois de mais fortalecido este, abrir totalmente o seu mercado para a compra e venda internacional, sem barreiras fiscais? (Obs.: digo isto imaginando um ponto de vista estratégico, dado que não se pode abstrair completamente o componente político, visto que o mundo atual não é liberal, e sim excessivamente intervencionista, inclusive os potenciais parceiros comerciais)\r
\r
Penso que talvez esse cuidado pudesse evitar que grupos internacionalmente cartelizados dominassem o mercado impedindo assim a posterior execução do próprio livre mercado. Isto é, impedindo sua própria queda. Eu sei que de todo modo há sempre novas áreas econômicas a serem exploradas pelo comércio, mas algumas áreas são, devido ao atual desenvolvimento tecnológico, estratégicas. Estratégicas inclusive em caso de uma eventual guerra, como é a energética (não podemos simplesmente desconsiderar essa possibilidade).\r
\r
Imaginei isso, pois, estudando a história dos Estados Unidos da América, fiquei com a impressão de que, no século XIX, quando eles fizeram a diferença e ultrapassaram a produção industrial da Grã-Bretanha (talvez esse tenha sido o local e a época de ouro para o experimento do livre comércio no mundo), não se nota a presença de grandes grupos internacionais vindo a querer açambarcar o mercado americano. Eles tiveram uma ampla liberdade interna para desenvolver novos empreendimentos e passaram, após, a serem mais competitivos que os britânicos. Inclusive, pessoas que começaram como pequenos empreendedores se tornaram grandes magnatas. Depois disso, tivemos uma grande era de domínio econômico americano no âmbito internacional, dessa vez com grandes grupos cartelizados.\r
\r
Resumindo: não seria mais estratégico ao Brasil primeiro transformar seu próprio mercado interno num livre mercado, para, somente depois de solidificado este, eliminar as barreiras fiscais ao mercado internacional?\r
\r
Agradeço a paciência! Perdão pelo excessivo "quê" desenvolvimentista-liberal- não-idealista.\r

Responder
Nilton Miranda 23/10/2011 19:13:49


O certo é uma coisa; a Sabedoria com que fazemos as coisas traz bons resultados e riqueza na econômia. Da mesma maneira a Ignorância e Burrice só traz desastres e pobreza,perdas e infelicidade.

O nosso Governo (Dilma e PT,etc) insistem em serem ignorantes e burros. A maior prova de burrice e insistir numa enorme carga de impostos, no Estado gigantestico que precisa sugar as riquezas do país para se manter. O pior é que de jeito nenhum, eles aceitão reduzir a carga tributária. Lula disse "_com 10% de impostos no PIB nada dá para fazer quase nada." Então tá, precisa de mais de 30% para poder fazer as coisas.

E desta maneira a coisa vai. Os carros no Brasil pagão de impostos perto de uns 50% de seu valor. Então ! Os carros importados saem mais baratos e os brasileiros passão a compra-los. Aí ! Lascão uma taxação enorme encima dos carros importados. Paises como Japão,Coreia protestão e entram em disputa comercial com o Brasil.

Outros procurão burlar as barreiras. Carro importado da Argentina,México,Uruguai não pagam IPI.

No caso dos sapatos~,tecidos mesma coisa, taxão importação. Procurão burlar as barreiras.
Mas ! Mesmo quando tudo dá errado e mais problemas aparecem do que soluções. Mesmo assim não deixam a Ignorância e Burrice de lado.

Querem mais impostos,mais leis trabalhistas,mais protecionismo,mais gastança do Governo,mais intervenção,mais controle.

Sendo que tudo que precisão é de Sabedoria.

Mas ! São tão apegados a sua falsa Ideiologia,filosofia,ideías bestas para fazer isto.

Responder
Carlos Araujo 23/10/2011 20:00:02

O Instituto pensa em dar umas aulas de português na UMB?

Responder
Rafael Felipe 24/10/2011 04:03:58

Concordo com as idéias, embora exista deselegância e pedância no texto em diversas partes.

Responder
Indivíduo Durão 24/10/2011 07:49:01

E o Brasil lamentavelmente continua sendo formado por homens de geléia, delicados e sem fibra. Agora até os textos econômicos têm de ser delicados para não ofender os mais frágeis. Valha-me.

Responder
anônimo 24/10/2011 08:02:03

Olá, Rafael.

Poderia citar quais partes?

Responder
Nilton Miranda 24/10/2011 11:21:09


Aqui tem uma reportagem que diz quanto se paga de imposto por um carro novo no Brasil. g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL398494-9658,00-IMPOSTOS+CHEGAM+A+DO+VALOR+DO+CARRO.html
Hoje quem compra um carro novo no Brasil está sendo no minímo um burro. Explico porque. De cara já deixa uma baita grana de impostos na mão do governo,depois paga ainda IPVA, parece que é de 2% a 4% ao ano, taxa de emplacamento,seguro caro,pois tem muito roubo no país. A gasolina ou alcool é muito caro. Estacionamento nas grandes cidades, o preço anda pela hora da morte. Muito congestionamento e falta de local para estacionar nas grandes cidades e até cidades menores. E por aí a coisa vai. Um matemático fez umas contas e concluio é muito mais barato andar de taxí ou alugar um carro eventualmente.

Aqui tem uma reportagem sobre quanto se paga de imposto sobre cada produto. opiniaoenoticia.com.br/brasil/voce-sabe-quanto-paga-de-imposto-em-cada-produto/

Todos nos sabemos dos sacoleiros do Paraguai que vão buscar muamba lá em "CIUDAD DEl LESTE". Agora tem os "Sacoleiros de Miami" e até acreditem, os "Sacoleiros de Luxo". Isto mesmo vão muito longe para comprar coisas de luxo. www.estadao.com.br/noticias/impresso,sacoleiros-de-luxo-em-nova-york,655533,0.htm


O Consumidor não é bobo não. Ele vai atrás do lugar que as mercadorias são mais baratas. E esse protecionismo do governo tachando vergonhosamente os carros importados só serviu para uma coisa. "ABRIR OS OLHOS DO CONSUMIDOR SOBRE O QUANTO PAGA CARO PELOS CARROS NACIONAIS". A mesma coisa vale para sapatos,roupas e outros produtos nacionais.

No país onde um ex-presidente é admirado por sua ignorância. Veja reportagem : www.robsonpiresxerife.com/blog/notas/a-burrice-de-lula-nao-causa-me-inveja-nenhuma/
Só que isto é muito bonito para o povão. O feio é quanto o mesmo povão começa a se "lascar" por causa desta burrice. O país não cresce,o povo empobrece e vem o atraso da nação.

Responder
Carlos Araujo 24/10/2011 20:40:00

Olá Nilton, o site mises.org.br também publicou um artigo sobre o preço dos carros no Brasil: www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027

Realmente, para comprar carro no Brasil só se for por impulso, porque se pensar, não compra.

O melhor eu acho é fazer como eu. Ao invés de gastar 30mil em um "queixo duro", estou juntando dinheiro para ir para o Canadá. Desisti de tentar construir algo no Brasil.

Responder
Nilton Miranda 25/10/2011 20:22:08

Carlos Araujo. Espero que não tenha muitas pessoas como você querendo ir para o Canadá ou qualquer outro país. Aprende uma lição com os "Sacoleiros de Miami e os de luxo de Nova Iorque. È muitssímo melhor ver o brasileiro como um "Sacoleiro" lá forá comprando de tudo, do que como imigrante. Explico porque. Quando o brasileiro no estrangeiro compra feito doido, ele passa uma imagem positiva,de um povo rico,próspero,bem-sucedido,importante.

Agora ! A imagem que o imigrante passa não é nada boa. Fico pensando o que passa na cabeça de um estrangeiro, no país desenvolvido ao ver um grande número de brasileiros imigranto para seus países. Suponho que o estrangeiro deve pensar: "como essa gente de um país,tão grande,tão rico em recursos naturais tenha que tentar a sorte outro país". No fundo é vergonhoso ver o brasileiro imigranto para países ricos, vendo todas potencialidades de sua terra. Pessoas de paises pequenos e sem importancia, seriam vistos até com compaixão, mas os brasileiros passa é uma imagem de desprezo sobre si.

Isto é verdade que os "sacoleiros brasileiros ou turistas compradores" são paparicados nos EUA ou Argentina.
Mas ! A imigração maciça de brasileiros só traria desprezo e preconceitos aos brasileiros na Europa,EUA, Japão outros países.

Essa é minha experiência. O que tenho entendido.

Responder
Carlos Araujo 25/10/2011 23:24:56

Nos EUA pode até ser que os imigrantes sejam mal vistos, mas no Canadá eu vejo muitas boas referencias.
Lá é um país com pequena densidade demográfica, e muito aberto à imigrantes. O próprio governo tem programas de imigração.

Não acho que seja vergonhoso procurar um lugar melhor pra se viver, onde você possa ter melhores condições do que no seu país de origem. Pelo contrário, acho que é dever de um homem procurar sempre o melhor para si e sua família.

Já o apelo nacionalista, de morar em um país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza, eu já enterrei à algum tempo, junto com minha farda de aspirante.

Abraço.

Responder
Erick SKrabe 26/10/2011 00:04:34

Carlos,

Vc tb pode pedir o visto por Quebec (que tem seu próprio programa de vistos, mas q vale para o resto do Canadá - porque eles sempre quiseram se separar).

Outros lugares onde vc facilmente consegue visto sao Chile (e por experiencia própria te digo que uma vez América Latina, sempre América Latina) ou Australia (tb conhecido como Chile 2.0). Alguns paises tem programas para pessoas altamente qualificadas como Inglaterra e Dinamarca.

Faz muito bem, vai atrás dos seus sonhos. Mes que dê errado vc pelo menos vai poder dizer que tentou.

Responder
Carlos Araujo 26/10/2011 00:34:48

Exatamente Erick. Quando me referi ao programa de imigração do governo, estava me referindo ao Quebec.
O ruim é que no Quebec você prescisa falar francês, e eu odeio francês!
Mas o processo para imigração para outras províncias também não é tão burocrático.
Minhas opções quando eu comecei a olhar esta história de morar fora eram, Eustados Unidos, Japão, Canadá e talvez Alemanha.
Como está difícil entrar nos EUA, e também não está sendo economicamente interessante, acho que a melhor solução é mesmo o Canadá. Acho a cultura deles é muito próxima à americana.

Abraço.

Responder
Mario 26/10/2011 10:13:47

Experiência própria.
No Canadá o pessoal é muito legal contigo, até o momento que você fala que é brasileiro.

Responder
Marco Antonio da Costa 26/10/2011 11:23:16

Olá Leandro Roque!

Me chamo Marco, eu moro em Graz, na Áustria e viajo constantemente para tocar pelo país, sou músico. E hoje me perguntei por que vocês defendem que a doutrina econômica da escola Austríaca é a solução dos males sociais, porque estimulam o conceito de "liberdade" pela propriedade privada, livre mercado, nenhuma participação dos governos no mercado, etc. Em nenhum momento (ou raros momentos) se fala aqui nesse site de ecologia e da possibilidade da abundância, principalmente de recursos energéticos (energia elétrica). A lei do mercado prevalece à lei da natureza e à lei da ciência. Os argumentos nesse site são poderosos e extremamente racionais. Fica até difícil encontrar uma brecha para contra argumentar.

É engraçado essa história da escola Austríaca de economia. Moro na Áustria e me pergunto várias vezes PORQUE os austríacos sustentam padrões de vida TÃO ELEVADOS, especialmente em comparação a os países vizinhos (República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovênica, Croácia, Itália) se aqueles outros países tem uma natureza e um clima similar, são muito próximos... Os padrões da Áustria se comparam com os -também vizinhos - Alemanha, Suíça - e Linchtenstein. Será o resultado da doutrina econômica austríaca posta em prática?

O que eu vejo na prática por aqui é uma abundância de poder aquisitivo de uma forma GERAL na população e uma distorções nos valores do consumismo, uma falta de respeito com os recursos naturais mundiais e uma desprezo para as condições de trabalho dos "outsourced workers". São porões lotados de produtos NOVOS em perfeito estado de conservação, televisores, computadores, camas, armários, sofás, diversos aparelhos eletrônicos. São as pessoas jogando isso tudo no LIXO da rua para os catadores de lixo da hungria irem coletar pra depois vender. Existem muitas pessoas com uma educação capenga, incompleta mas que exercem qualquer atividade e ganham muito bem por isso. Há também as pessoas com educação privilegiada que exercem atividades de relevancia mundial. Mas há essa lei do poder, essa ostentação estimulada pelas propaganda.

Um conceito amplamente divulgado na educação e na mídia por aqui é o conceito da PÁTRIA, do nacionalismo, que, a meu ver só ajuda a aumentar o ódio entre os povos vizinhos. Racismo, Xenofobia, relações não amigáveis com os forasteiros são valores -implicitamente - imbutidos na cultura austríaca. Claro esses valores não podem ser EXPLICITAMENTE citados na sociedade Áustríaca porcausa do estigma pós-segunda guerra, mais de vez em quando eles aparecem públicamente. E os recursos naturais são - literalmente - destruídos, por exemplo, quando eles destroem as ruas, avenidas, autovias, calçadas, para CONSTRUIR denovo. A razão é a de que eles gastem todos os recursos da União Européia destinados a infra estrutura, por que se eles não gastarem e "aquecerem" a economia local, o dinheiro terá que ser gasto em outros países na EU. É melhor DESTRUIR as ruas e construir denovo. E a natureza agradece. Sim mas o país é um dos maiores defensores da natureza, com reservas de suas florestas e estritas leis ambientais... mas compra madeira brasileira sem querer saber se vem da amazônia ou de florestas tropicais em perigo de extinção. E as condições de trabalho aqui são muito boas... mas compram EM ABUNDANCIA produtos feitos na China onde não se sabe sob que condições os trabalhadores estão, se tem mulheres grávidas trabalhando, crianças, ou adolescentes trabalhando em tempo integral e ganhando o infimo para sobreviver. Não se sabe quantas pessoas DESPERDIÇAM VIDAS para que se perpetue a bonança daqui.

Uma política do partido Verde da Áustria me disse que a "boa vida" dos países Europeus se dá principalmente devido a exploração dos povos nos países de terceiro mundo. Enfim, acredito que a teoria econômica austríaca foi um grande avanço no pensamento econômico-científico iniciado lá por meados dos anos 50, 60, mas, me pergunto se é que agora ela não tem que ser intrinsecamente REVISTA visto que, EXISTE a possibilidade de ABUNDÂNCIA. Como isso seria visto pelos teóricos da Escola Austríaca? Se não precisássemos pagar pela energia elétrica, por exemplo?

Abraço,

Marco

Responder
Robson Cota 07/11/2011 03:00:43

Acho que você confundiu um pouco os conceitos de "abundância" e "escassez", que a teoria econômica (não só austríaca) estuda. Abundância não é antônimo de escassez, nesse caso. Um bem abundante é simplesmente um bem "pouco escasso". Não deixou de ser escasso. Todos os bens econômicos são escassos. Todos os bens que precisam ser trabalhados, produzidos, coletados, são escassos. Qualquer coisa que pra se ter é necessário fazer algo mais do que levantar um braço, é escasso. Não importa seu grau de abundância.

Escassez é apenas uma constatação que as coisas não caem do céu sem se fazer nada. O ar, nesse caso, não é escasso, pois você não precisa fazer nada para tê-lo. A energia elétrica, não. Essa tem que ser produzida, portanto ela nunca será de graça. Ela pode custar bem barato, mas sempre terá um custo. Se ela sair de graça pra você, pode ter certeza que alguém está subsidiando.

Responder
Glelson Fontes 26/10/2011 14:23:49

acho que estou ficando biruta, pela primeira vez em um ano e meio que vi uma mulher comentando por aqui.

Responder
Marco Antonio da Costa 29/10/2011 08:46:33

???????????????????????????????????

Responder
André Cavalcante 07/11/2011 00:25:31

Olá Leandro Roque.

Parabéns pelo seu artigo. É bem instrutivo.
Há duas coisas porém que gostaria que você me explicasse:

A primeira é referente o deslocamento da mão-de-obra. Do jeito que colocas parece que se faz uma mudança assim, facilmente como num passe de mágica, mas para qualquer mudança deste porte devemos lembrar que é necessário treinamento, instrução e adaptação as novas condições de trabalho, o que requer tempo. Entremeios, as pessoas tem que sobreviver e aí entra o apoio social do governo ou outra entidade qualquer. O que gostaria de entender é como fica essa questão da temporalidade em relação as pessoas e com quem fica o custo deste deslocamento. Quais as estruturas sociais e econômicas necessárias para suportar isso?

A outra questão é relacionada a primeira. Vou pegar o seu exemplo: desenvolvedor de software. Se ele não consegue competir com desenvolvedores da Índia, por exemplo, ele deverá se deslocar para outro setor, o qual necessitará então de reajustamento (note que ele não vai mais trabalhar como desenvolvedor de software, correto?). Aqui entra o ponto: este é um típico trabalhador altamente qualificado e que vai ter que se requalificar, o que requer tempo, mas as mudanças econômicas e, principalmente tecnológicas, são mais rápidas. Você citou que há escassez na oferta, mas justamente nessa área não há: software é algo que, uma vez criado, a sua reprodução é infinita. Como conciliar então estes avanços tecnológicos, com essas necessidades de requalificação e, na mesma balada, ainda ter se ajustar a áreas (restritas é verdade, mas cada vez mais em expansão) que de fato não são mais restritas pela escassez?

Como ainda sou muito cru nestes assuntos, posso estar falando um monte de bobagem, mas espero sua resposta ansiosamente.

Outra coisa seria como o Brasil poderia criar um plano para sair de onde está para esse futuro por ti delineado (mas isso fica para outra ocasião).

Abraços.

Responder
Leandro 07/11/2011 05:29:09

Prezado André,

Não. De fato, a transição de uma área para outra não é imediata; leva-se tempo e exige-se um novo nível de preparação, de adaptação, de treinamento e de instrução.

Pessoas que trabalhavam na manufatura de velas, de carroças e de máquinas de escrever não foram prontamente absorvidas na indústria de lâmpadas, de carros e de computadores. Elas tiveram de fazer treinamento.

Aliás, não precisamos ficar restritos a estes exemplos antigos. Podemos pegar exemplos mais novos. Engenheiros acostumados a projetar motores com carburador tiveram de se adaptar a motores com injeção eletrônica. Observe que um carburador não exige tecnologia embarcada, ao contrário de um sistema de injeção eletrônica. Ou seja, ao passo que o carburador era algo puramente mecânico, a injeção eletrônica já passou a exigir conhecimentos de engenharia elétrica ou de eletrotécnica.

Portanto, de fato, a transição da mão-de-obra de uma área pra outra não é imediata e nem automática. Ela exige adaptação e novo conhecimento. Daí a importância de se deixar o mercado o mais desobstruído possível, com plena liberdade de preços e salários. Só isso poderá fazer com que a mão-de-obra seja realocada da maneira mais rápida possível.

Você pergunta como a mão-de-obra desempregada sobreviverá neste ínterim. Ela pode fazer isso de duas maneiras:

1) Ela se sustenta com a própria poupança acumulada (daí a importância de não se ser consumista e nem imediatista, mas sim previdente e com um horizonte temporal longo), enquanto se qualifica para outros serviços; ou

2) Ela passa a trabalhar temporariamente em outras áreas, ao mesmo tempo em que vai se qualificando para voltar ao seu mercado de trabalho original.

Sim, é algo trabalhoso, cansativo e exigente. Mas quem disse que a vida é fácil?

Implícita nesse seu questionamento está a ideia de que as pessoas têm uma espécie de direito natural a um emprego eterno, bem remunerado e sem concorrência, bem como o direito de impedir o progresso tecnológico de determinado setor, uma vez que tal progresso significaria corte de empregos naquela área. Isso, obviamente, não existe e nem poderia existir -- caso contrário, ainda estaríamos morando dentro de grutas.

Por fim, quanto à questão dos softwares, confesso não ter entendido bem sua pergunta. Engenheiros de software são plenamente qualificados para executar inúmeros serviços no setor de informática, principalmente como free lancers. Trabalho é o que não falta para essa turma -- se a remuneração é satisfatória ou não, aí já é outra conversa.

De novo, implícita no seu raciocínio está a ideia de que existe um direito natural à estabilidade, à boa remuneração e à existência eterna de um mercado de trabalho específico.

No livre mercado não é assim.

Grande abraço e obrigado pelo elogio!

Responder
Andre Cavalcante 07/11/2011 08:55:40


Olha eu novamente,

Estou gostando muito do site. Talvez me descobrindo aqui mais liberal do que costumava a admitir.

"Implícita nesse seu questionamento está a ideia de que as pessoas têm uma espécie de direito natural a um emprego eterno, bem remunerado e sem concorrência, bem como o direito de impedir o progresso tecnológico de determinado setor, uma vez que tal progresso significaria corte de empregos naquela área. Isso, obviamente, não existe e nem poderia existir -- caso contrário, ainda estaríamos morando dentro de grutas."

Não, não. O questionamento é de como uma sociedade realmente livre vai assimilar essas assimetrias e reposicionamentos. Na atual organização, em geral é o Estado que faz esse papel de apoio social (note que não estou nem levando em conta a qualidade do serviço social prestado, assumindo que o Estado em questão o faça bem). Em uma sociedade sem Estado tenho certa dificuldade de compreender as relações de ajuda social entre os cidadãos e/ou a não necessidade disso.

"Por fim, quanto à questão dos softwares, confesso não ter entendido bem sua pergunta. Engenheiros de software são plenamente qualificados para executar inúmeros serviços no setor de informática, principalmente como free lancers. Trabalho é o que não falta para essa turma -- se a remuneração é satisfatória ou não, aí já é outra conversa."

De fato acho que não me expressei bem. Relendo agora a questão, em verdade há duas questões em uma só. Então vamos desnovelar:

1) Sobre a questão do software me referia ao mercado de software propriamente falando. Muito da precificação vem da noção de escassez. Entretanto, justamente o software não tem essa limitação. Por exemplo, veja o caso do Windows: a demanda é infinita, mas uma vez lançada a versão (Win7, p.ex.), basta um único CD/DVD para alimentar todo o mercado (ou seja, a oferta também é infinita). Para evitar esse tipo de relação bola-se mil e uma maneiras de "bloquear" o software (mas como bem você pode notar como campeia a pirataria no Brasil, isso não funciona como deveria). Como seria essa relação numa sociedade libertária, sem estado?

2) A questão do engenheiro de software é que ele é especialista e não um generalista. Ele não poderá trabalhar (a não ser que se requalifique) a não ser nessa área. Se perder o emprego para um trabalhador Indiano, que é o caso do seu exemplo, ele terá que fazer o deslocamento para outra área (o que é delineado nas considerações acima). De certa forma não é perder eventual potencial em uma área que poderia ser considerada estratégica para um país? (em outras palavras, existe área estratégica em uma sociedade libertária?)

Abraços

Responder
Leandro 07/11/2011 12:24:46

Prezado André, você diz que

O questionamento é de como uma sociedade realmente livre vai assimilar essas assimetrias e reposicionamentos. Na atual organização, em geral é o Estado que faz esse papel de apoio social (...). Em uma sociedade sem Estado tenho certa dificuldade de compreender as relações de ajuda social entre os cidadãos e/ou a não necessidade disso.

O que o estado faz é prover seguro-desemprego. E o que o seguro-desemprego na prática faz é pagar as pessoas para não trabalharem. Isso não é exatamente um método eficiente para estimulá-las a se empenhar em adquirir novos conhecimentos e outros empregos. Quanto menos gente trabalhando, menos se produz e menor o padrão de vida.

Não fosse o estado para prover tais assistências, as igrejas certamente o fariam, como aliás sempre fizeram ao longo de a história da humanidade -- e só deixaram de fazer depois que o estado se arvorou a si próprio o monopólio do fornecimento do bem-estar social. Nunca é demais lembrar que o excesso de tributos desestimula por completo a caridade. "Já pago muitos impostos. Agora é função do estado, e não minha, ajudar os outros."

Quanto ao seu segundo questionamento, ele envolve a ideia de propriedade intelectual, o que dá muita discussão e nem de longe é o assunto do artigo (e tampouco afeta o que foi dito).

Já o terceiro questionamento diz que a área de software é estratégica para o país. Não entendi. O setor de alimentação seria muito mais estratégico, não? Sem comida todo mundo morre. E aí? Deveríamos deixar o estado no controle desta área tão importante (exatamente como ocorre na Coréia do Norte)? Ao deixar o setor alimentício sob o controle do livre mercado, quem garante que os gringos não virão aqui e confiscarão todos os nossos alimentos, nos deixando no mais absoluto estado de inanição? Pois é, o raciocínio é absolutamente o mesmo.

(Hong Kong, Israel e Japão, por exemplo, quase não possuem áreas cultiváveis. E eles não parecem estar morrendo de fome).

Grande abraço!

Responder
André Cavalcante 07/11/2011 13:56:10

"Quanto ao seu segundo questionamento, ele envolve a ideia de propriedade intelectual, o que dá muita discussão e nem de longe é o assunto do artigo (e tampouco afeta o que foi dito)."

Ok. Há algum artigo ou outro texto sobre o assunto?

"Já o terceiro questionamento diz que a área de software é estratégica para o país. Não entendi. O setor de alimentação seria muito mais estratégico, não? Sem comida todo mundo morre. E aí? Deveríamos deixar o estado no controle desta área tão importante (exatamente como ocorre na Coréia do Norte)? Ao deixar o setor alimentício sob o controle do livre mercado, quem garante que os gringos não virão aqui e confiscarão todos os nossos alimentos, nos deixando no mais absoluto estado de inanição? Pois é, o raciocínio é absolutamente o mesmo."

Pois, não estou na defesa do Estado, mas justamente quero entender esse mundo novo de ideias a que fui apresentado. As áreas de software/tics são consideradas estratégicas porque são as que alavancam o progresso tecnológico da atualidade. Pensando em alternativas ao Brasil, sempre vi esta área como importante: temos pessoal criativo, não exige grandes investimentos (exceto a parte de redes de comunicação) e requer trabalhadores com qualidade (o que geralmente significa salários melhores). O meu receio é justamente nos centrarmos em algo que realmente já somos potência (alimentos, bens primários, commodities em geral) e relegar para segundo plano onde estaria o verdadeiro filão. Acho que agora me fiz entender.

Responder
Rafael 08/02/2012 15:43:38

www.mises.org.br/Subject.aspx?id=23

Responder
Marc 08/02/2012 11:54:47

Texto perfeito!

Só gostaria de fazer um adendo, essa situação do emprego infinito pode ser vista "in loco" em Cingapura atualmente. Como lá não existem restrições ao emprego e nem sequer salário-mínimo, o desemprego dificilmente supera 2% ao ano. E a maior parte desses 2% é composto de gente que NÃO QUER trabalhar.

Agora, uma dúvida que sempre tive: seria interessante para o Brasil perder todas as fábricas de carros em nosso território? Porque com as regulamentações e impostos existentes nenhuma montadora sobreviveria o duelo com a concorrência estrangeira, principalmente a oriunda de países altamente liberais economicamente como a Coréia do Sul ou China. Ou seja, mesmo sem reformas estruturais você defenderia o livre comércio de veículos? O Brasil sentiria falta do ABC?

Abraços,

Responder
anônimo 08/02/2012 12:10:09

Eu não sentiria.

Responder
Leandro 08/02/2012 12:23:05

Eu considero importante um país ter um parque industrial, mas é preciso haver uma configuração de livre mercado para ele ser genuinamente importante e eficiente.

Veja o caso das montadoras aqui no Brasil. De um lado, o governo as tributa e regula. De outro, para compensar isto, ele as protege contra as importações. Consequência: temos carros ruins e caros. Automóveis que nos EUA e na Europa são populares, aqui são de classe alta, como o Civic, o Astra, o Golf etc.

Essa configuração nos é interessante? Eu não acho. Ademais, não creio nessa ideia de que a concorrência dos importados acabaria com o parque industrial. O que acaba com o parque industrial são impostos, regulamentações, burocracias, ambientalismo etc. Não concorrência estrangeira. Reduza o fardo estatal e as montadoras estarão aptas a concorrer com os importados; acabe com o protecionismo e as montadoras terão de se aprumar imediatamente para se tornarem competitivas.

Veja o exemplo dos EUA. As Três Grandes de Detroit (GM, Ford e Chrysler) apanham dos importados porque se tornaram obsoletas e reféns dos sindicatos; porém, outras montadoras estabelecidas nos EUA e fora das garras dos sindicatos, como a BMW na Carolina do Sul, não passam aperto nenhum.

Concorrência não destrói empregos; concorrência cria empregos. O que destrói é governo, impostos e regulamentações.

Abraços!

Responder
Marc 08/02/2012 13:21:49

Leandro, você disse:
"Reduza o fardo estatal e as montadoras estarão aptas a concorrer com os importados."

Certo, mas levando-se em conta que o PT JAMAIS reduzirá o fardo estatal, é fácil notar que as montadoras perderiam (têm perdido) mercado rapidamente na disputa com a concorrência estrangeira. Tenho achado até graça do fato de que até com o acréscimo de 30% de imposto sobre os carros importados, os carros chineses CONTINUAM mais baratos que os feitos no Brasil... Agora, imagine uma concorrência direta, sem imposto algum sobre importados ou bem baixo, essas fábricas fechariam completamente, e em pouco tempo.

Concordo com você quando diz que "Concorrência não destrói empregos; concorrência cria empregos. O que destrói é governo, impostos e regulamentações." Mas em um cenário em que não ocorrerão reformas estruturais, cabe a nós decidir se vale a pena ser o quinto maior produtor de carros (ineficientes e caros) no mundo, ou importar carros modernos e baratos, como faz o Chile.

A minha esperança é um partido de direita se eleger no Brasil e tornar as montadoras mundialmente competitivas, via reformas, mas isso é algo praticamente impossível de ocorrer nos próximos 50 anos.

O Brasil está em uma situação difícil: manter um parque industrial bastante grande e que, queiramos ou não, é o quinto maior produtor de carros do mundo ou importar carros modernos, bons e muito mais baratos para a população?

Abs,

Responder
Andre Cavalcante 08/02/2012 14:18:15


Olá

Não sou o Leandro, mas acho que isso eu te respondo:

"O Brasil está em uma situação difícil: manter um parque industrial bastante grande e que, queiramos ou não, é o quinto maior produtor de carros do mundo ou importar carros modernos, bons e muito mais baratos para a população?"

Caberia a questão: o que você, consumidor prefere: carros melhores e mais baratos ou carros caros e ineficientes? Respondendo por mim: carros melhores e mais baratos. Ponto. Se o governo quiser realmente fazer algo de bom para a indústria nacional, simplesmente saia de cena. Deixe que os industriais cuidem do que são mais eficientes. Se não é a nossa fazer carro, vamos fazer outra coisa. Alguma coisa os brasileiros devem fazer melhor que os chineses. Se não há, vamos inventar algo. É simples assim.

Abraços

Responder
Alexandre M. R. Filho 08/02/2012 21:38:09

Acho que os austríacos não relativizam as coisas assim.

Provavelmente, ninguém aqui imagina elaborar uma política considerando que "o PT jamais fazer isso".

Se o PT jamais vai fazer isso, critiquemos o PT, oras...

Responder
Marc 09/02/2012 08:43:57

Alexandre, o PT não mudará sua ideologia política, e também não pretende sair do poder nas próximas décadas. A população não terá como removê-los nem que queira. Então, é bem razoável "elaborar políticas considerando que o PT jamais vai fazer isso."

Temos que trabalhar com o que temos, e o processo de "mexicanização" do Brasil é inveitável: só existe o PT agora. Gostemos disso ou não.

Responder
Miguel 16/03/2012 13:46:36

www1.folha.uol.com.br/mercado/1062333-governo-estuda-dificultar-a-importacao-de-vinhos.shtml\r
\r
Pois é, pessoal. Vinho francês, português ou chileno? Vão preparando o bolso.

Responder
Fabio 28/07/2012 23:03:25

Em primeiro lugar,eu quero elogiar o site,vocês pretam um grande serviço a comunidade mostrando como uma verdadeira economia liberal deve ser.
Lendo esse artigo,fiquei com uma duvida e pensando numa coisa.
Se a abertura de mercado estimula o desenvolvimento de um pais e td mais,eu gostaria de uma explicação do autor do topico sobre o paraguai,la não tem fiscalização nenhuma sobre importações,tem de tudo la de toda parte do mundo e com preços bem melhores que aqui e mesmo assim é um pais extremamente miseravel,até bem mais pobre que o Brasil. Por que isso????

Responder
Leandro 28/07/2012 23:33:23

Fábio, não sei muito bem o que você leu, mas, de minha parte, jamais disse que apenas uma abertura comercial seria suficiente para gerar riqueza estonteante. Abertura comercial ajuda, mas, por si só, não pode transformar nenhum país em potência. Coisas como respeito à propriedade privada, segurança institucional, desregulamentação econômica, empreendedorismo da população, acumulação de capital, poupança, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente, governo respeitador da liberdade etc. -- tudo isso é tão ou mais importante que uma simples abertura comercial.

O Paraguai tem todos estes itens? Pois é.

Abraços!

Responder
Pedro Grossi 28/09/2012 13:11:21

A teoria do livre mercado é tão fundamentalista quanto a do comunismo. O texto expõe brilhantemente os "benefícios" do livre-mercado, assim Marx desconstruiu o modelo capitalista. Mas as duas teorias excluem o componente humano, que desequilibra qualquer "sistema perfeito". Primeiro as pessoas se organizam socialmente, para depois começarem as interações econômicas. Não se pode propor uma comportamento econômico universal que ignore necessidades reais e o comportamento local. Uma aplicação do livre mercado em todo o mundo, como parecia ser o sonho de Milton Friedman, teria de desconsiderar diferenças culturais, preferências nacionais e direitos democráticos conquistados. Não se pode minimizar o custo social e humano de uma nação viver décadas com taxas explosivas de desemprego e com falta de assistência social para que a "teoria neoliberal" possa ser aplicada. Não há benefício futuro teórico que justifique essas medidas. É o mesmo erro que foi cometido pela esquerda de que os fins justificam os meios. Não se pode pensar o mundo unificado numa ideia de padrão de consumo e de comportamento que não se aplica a todas as sociedades. Nem tampouco pode se tentar isso à força – como foi feito no Chile. Uma nação, com líder democraticamente eleito, deve ter o direito de decidir a forma como seus recursos naturais serão utilizados e devem ter a opção de não integrarem um suposto mercado global, sem que isso implique em restrições diplomáticas. Além disso, o livre-mercado não funciona simplesmente porque ele nunca poderá ser livre. Na prática, ele só provoca uma concentração excessiva de renda e a criação de oligopólios e monopólios, que acabam jogando por terra a teoria de redução de preços seguida pela redução de custos. Outro fator é o excessivo capital especulativo e ascenção do capitalismo financeiro - que, nas melhor das hipóteses, beneficia meia dúzia de investidores. Em vez de governos, sujeitos ao escrutínio público, são as corporações que concentram poder – com os mesmos vícios corruptivos, mas com menor possibilidade de algum controle social. O desafio ainda é o de encontrar o modelo que, além de promover a livre iniciativa, seja capaz de levar o bem estar ao maior número possível de pessoas. Até o momento, só a tal intervenção estatal foi capaz de chegar próximo disso.

Responder
Leandro 28/09/2012 13:53:49

Prezado Pedro, aqui neste site você vai precisar de mais do que meros chavões para argumentar. Muitos como você já tentaram; todos fracassaram.

Pra começar, quem disse que somos "neoliberais"? Leia aqui para ver o que pensamos desta ideologia.

Vou dar um rápido exemplo da vapidez de sua retórica. Você diz que "Uma nação, com líder democraticamente eleito, deve ter o direito de decidir a forma como seus recursos naturais serão utilizados e devem ter a opção de não integrarem um suposto mercado global, sem que isso implique em restrições diplomáticas."

Pergunto: quem "deve ter o direito de decidir"? Você ou eu? Dado que a economia é formada por indivíduos, e não por coletivos, cabe a você dizer quem tem a palavra final sobre mim e por quê.

E quem é que vai decidir, senão o indivíduo, esse negócio de "integrar um suposto mercado global? Se eu quiser comprar produtos chineses -- um contrato voluntário que envolve apenas o chinês e eu, e mais ninguém --, você é contra? Você defende que apontem uma arma para minha cabeça e me proíbam de incorrer nesta transação pacífica e voluntária? É você quem vai decidir com quem eu posso transacionar? Se eu quiser comprar um pano ou um sapato de um chinês, você defende a restrição desta minha liberdade? Por quê?

Já a sua "teoria" da formação de oligopólios e monopólios, repleta de chavões, mostra perfeitamente sua confusão intelectual. Ao mesmo tempo em que você diz que não existe livre mercado, você diz que é ele quem provoca a formação de oligopólios e duopólios. Como que algo que não existe faz esse estrago todo?

Não. Quem gera oligopólios e duopólios é e sempre foi o estado, com suas agências reguladoras que cartelizam o mercado -- são elas que decidem quem pode e quem não pode entrar em determinados mercados, aniquilando qualquer chance de livre concorrência -- e com sua carga tributária que serve para blindar quem já está no mercado contra novos entrantes. Uma alta carga tributária, acompanhada de um emaranhado indecifrável de códigos tributários, serve como barreira de entrada no mercado, o que apenas ajuda as empresas já estabelecidas. Para estas, uma carga tributária, por mais que seja alta, é um preço válido a ser pago, pois garante que novas empresas fiquem afastadas e que a concorrência seja mínima.

Quanto ao "excessivo capital especulativo e ascenção [sic] do capitalismo financeiro", quem possibilita isso é o estado, seu monopólio sobre a moeda e sua impressão desregrada de dinheiro, dinheiro este que vai diretamente para o mercado financeiro fazendo a alegria dos especuladores (exatamente como explicado neste artigo).

Foi o fenômeno da inflação monetária que gerou este agigantamento do setor financeiro, pois as pessoas, afinal, têm de adotar alguma medida para proteger o poder de compra da sua poupança. Esta "financeirização" da economia -- arranjo em que os mercados financeiros adquirem importância central, deixando o setor produtivo, que é quem genuinamente gera riqueza, em segundo plano -- foi gerado justamente por aquele ente a quem você acorre clamando por mais intervenções: o governo.

Quer acabar com a ciranda financeira? Retire o controle da moeda das mãos do estado e defenda um padrão monetário metálico, como por exemplo o padrão-ouro.

Bem-vindo ao site. Temos farto material para acabar com todos os seus chavões de oitava série. Pode nos usar sem moderação.

Grande abraço!

Responder
Pedro Grossi 29/09/2012 08:41:02

Oi, Leandro,

Trazendo a teoria para a prática. Vamos pegar o seu exemplo. Imagino que sua renda mensal venha de uma instituição privada. Logo, esta instituição está sujeita às oscilações normais de ajustamento do mercado. Na eventualidade dessa instituição privada dispensar seus serviços, você tem qualificação para trabalhar no setor produtivo, como operário de alguma indústria? Você tem aplicações no setor financeiro especulativo? Como sobreviveria como desempregado até que o mercado se reajustasse por conta própria? Por coerência intelectual, você abre mão das suas férias, do seu décimo terceiro ou do seu fundo de garantia, já que essas contribuições e tributos contaminam a livre concorrência?

Os governos precisam intervir na economia porque as pessoas têm necessidades diárias e inadiáveis. Como a teoria do livre mercado irrestrito trata os idosos ou os incapazes de trabalhar? Quando uma fábrica de sapatos sai do Rio Grande do Sul e vai para o Panamá, como os que ficaram desempregados supostamente devem sobreviver? Se alimentando da ideia de que em algum lugar do mundo a economia se equilibrou?

E a educação, deve ser um sistema privado? A concorrência se daria por preços? Existiriam escolas apenas onde houvesse demanda consumidora?


Evidente que existem governos irresponsáveis que criam indiscriminadamente mais moeda e alimentam a inflação. Mas não são igualmente irresponsáveis agências de risco que manipulam qualificações para remunerar alguns executivos ou donos de empresas que fraudam balanços? O governo ao menos está sujeito a uma série de mecanismos de controle, como os Tribunais de Contas, a Polícia Federal, o Ministério Público e, em última instância, o voto.

Acho sinceramente a teoria do livre mercado, sobretudo na forma clara e competente como você a descreveu (e não vai nenhuma ironia aqui), de uma beleza matemática incrível. Minha restrição é de ordem prática. O estrago já foi feito: os oligopólios e monopólios já existem e o setor financeiro já remunera mais do que o setor produtivo. Já não há mais possibilidades para um puro livre mercado (foi o que eu quis dizer com "não existe livre mercado"). Além disso, insisto que ele esbarra em barreiras não apenas geográficas, mas culturais. Não acho que seja papel de nenhuma instituição, como o FMI, por exemplo, impor certas condições de comércio que obrigam os países a custos sociais incalculáveis. Não há nada de livre em obrigar um Estado a abrir mão de seus ativos. Não existe sociedade que suporte dois anos de taxas de desemprego superiores a 20% e salários achatados sob o argumento de que é um remédio amargo, mas necessário e, que num futuro hipotético, a situação tenderá ao equilíbrio.

Quando a China vende panos e sapatos a preços irreais, não acho que ela esteja dando uma contribuição à livre iniciativa e obrigando os produtores de outros países a se adequarem a essas condições. A China faz isso com câmbio maquiado e sob condições políticas pouco transparentes. Aliás, você pode comprar panos e sapatos da China, como, aliás, já estamos fazendo. Praticamente todos os países usam os artifícios permitidos pela OMC para proteger seus mercados e todos os governos, de direita ou de esquerda, não medem esforços para salvar seus empregos e proteger a própria indústria.

Se uma teoria não é capaz de responder aos chavões de oitava série e aos questionamentos que qualquer pré-adolescente é capaz de fazer é porque ela deve mesmo se restringir ao espaço acadêmico.

Grande abraço e parabéns pelo site!

*ascensão

Responder
Leandro 29/09/2012 12:09:46

"Na eventualidade dessa instituição privada dispensar seus serviços, você tem qualificação para trabalhar no setor produtivo, como operário de alguma indústria?"

Não sei se estou. Mas qual o seu ponto? Trabalhar como operário em indústria é minha única opção? Não existe mais nada que eu possa fazer? Por que você já começa o debate restringindo a amplitude da discussão?

"Você tem aplicações no setor financeiro especulativo?"

Não.

"Como sobreviveria como desempregado até que o mercado se reajustasse por conta própria?"

Com minha poupança. A obrigação precípua de todo trabalhador é não incorrer na gastança e ter o discernimento de poupar para se proteger de prováveis tempos ruins no futuro. Os chineses fazem isso.

"Por coerência intelectual, você abre mão das suas férias, do seu décimo terceiro ou do seu fundo de garantia, já que essas contribuições e tributos contaminam a livre concorrência?"

Não que seja da sua conta, mas, ao contrário de você, eu tenho essa mania de responder às perguntas que me fazem. Anote aí: eu não tenho férias remuneradas (quando tiro férias, deixo de ganhar), não tenho 13º, não tenho FGTS, não tenho nenhuma proteção trabalhista. Sim, é espantoso, mas eu realmente vivo de acordo com aquilo que prego -- coisa rara no mundo atual.

"Os governos precisam intervir na economia porque as pessoas têm necessidades diárias e inadiáveis. Como a teoria do livre mercado irrestrito trata os idosos ou os incapazes de trabalhar? Quando uma fábrica de sapatos sai do Rio Grande do Sul e vai para o Panamá, como os que ficaram desempregados supostamente devem sobreviver? Se alimentando da ideia de que em algum lugar do mundo a economia se equilibrou?"

É curioso como você realmente parece crer que o fato de uma fábrica de sapatos sair do RS não tem absolutamente nada a ver com o fato de governos intervirem na economia (com a desculpa de que "pessoas têm necessidades diárias e inadiáveis".) Você realmente acha que intervenções são gratuitas, que não geram ônus para ninguém? Você realmente acha que intervenções possuem apenas bônus e nenhum ônus?

Antes de tudo, você tem a obrigação de explicar o seguinte: por que uma fábrica se deu a este trabalho de sair do RS e ir para o PR? Não se trata de uma operação barata. Certamente, é muito custosa. O que a levou a isso? Será que o empresário acordou e disse: "Meu deu a louca. Vou mudar minha fábrica de localização. Por quê? Porque me deu vontade, ora essa!" Não seria o motivo a tal da intervenção estatal, exatamente aquela que você jura ser a salvação do mundo?

Quem vai ajudar os desempregados? Ora, você vai. Já que seu coração não cabe no seu peito, e já que as suas intervenções são a causa de seu desemprego, o que você está esperando para recrutar voluntários e criar instituições de caridade ou cooperativas com o objetivo de ajudar desempregados? Não deve ser difícil. Mas você obviamente não quer se dar a este trabalho. Você quer é que outros façam isso por você. Você quer é que outros tenham sua renda confiscada pelo estado para que você possa, muito generosamente, determinar como tal renda deve ser redistribuída. Aqueles que querem distribuir o bolo querem sobretudo o controle da faca.

"E a educação, deve ser um sistema privado? A concorrência se daria por preços? Existiriam escolas apenas onde houvesse demanda consumidora?"

Temos inúmeros artigos específicos sobre este tema. A obrigação primordial de um debatedor é, antes de se pronunciar, entender o que o antagonista de fato pensa. Você sequer se deu a este trabalho básico, ansioso que estava em encontrar alguma incoerência no pensamento alheio. Tenha a bondade.

"Mas não são igualmente irresponsáveis agências de risco que manipulam qualificações para remunerar alguns executivos ou donos de empresas que fraudam balanços?"

Atitudes estas também já condenadas e explicitadas por este site. As agências de classificação de risco -- Moody's, Fitch e Standard & Poor's -- eram empresas reguladas pela estatal SEC (que é a CVM americana). É a SEC quem permite a existência dessas 3 agências de classificação de risco, e é ela quem regulamenta e decide quem pode e quem não pode entrar neste mercado. Na prática, isso significa que não pode surgir concorrência externa, pois o governo não deixa. Quem vai ter cacife para bancar uma agência de classificação de risco que seja genuinamente independente neste cenário altamente regulamentado? (Há um longo e extenuante processo burocrático-regulatório, de modo que é impossível surgir uma agência para confrontar as classificações dessas 3 grandes). A SEC foi punida? Não, pelo contrário. Sua verba foi aumentada.

E você defende isso.

"O governo ao menos está sujeito a uma série de mecanismos de controle, como os Tribunais de Contas, a Polícia Federal, o Ministério Público e, em última instância, o voto."

O governo está sujeito a uma série de controles?! Controles feitos por quem? Por agências do próprio governo? Ah, tá. Viver neste seu planeta encantado deve ser uma delícia...

Como dito acima, qual a punição quando o governo erra? Aumenta-se suas verbas. Recomendo este artigo.

"O estrago já foi feito: os oligopólios e monopólios já existem e o setor financeiro já remunera mais do que o setor produtivo."

E você, como comprovado, diz que a única solução para corrigir este estrago é fazer mais do mesmo, só que com ainda mais intensidade. Genial.

"Quando a China vende panos e sapatos a preços irreais, não acho que ela esteja dando uma contribuição à livre iniciativa e obrigando os produtores de outros países a se adequarem a essas condições."

Isso não responde à minha pergunta, que foi extremamente simples e direta. Quero comprar produtos chineses. Se a qualidade for ruim ou o preço for "irreal" (seja lá o que isso signifique), o problema é todo meu. Dispenso a sua preocupação. E aí, você me deixa comprar ou continua querendo me proibir?

"Se uma teoria não é capaz de responder aos chavões de oitava série e aos questionamentos que qualquer pré-adolescente é capaz de fazer é porque ela deve mesmo se restringir ao espaço acadêmico."

Agora eu concordo plenamente com você. Um ótimo exemplo de teoria fracassada é exatamente esta que você defende, o intervencionismo. Como mostrei acima, você defende coisas que geram consequências que você próprio abomina. A sua solução para corrigir estas consequências que você abomina? Fazer exatamente mais daquilo que as causou.

Nem mesmo um pré-adolescente teria dificuldades para enxergar seu problema com a lógica. E exatamente por isso essa teoria que você defende prospera na academia. Você próprio matou a charada. E você certamente faria enorme sucesso nas nossas universidades.

"Grande abraço e parabéns pelo site!"

Obrigado e volte sempre.

Responder
Julio 25/10/2012 07:04:50

Dias atrás assisti uma entrevista com Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos, com a Heloísa Menezes, secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio, e com o presidente da Anfavea.
Eles estavam debatendo o novo regime automotivo.

E essa senhora respondeu à Míriam Leitão que o setor automotivo recebe todos aqueles favores porque ele consome muito aço, plástico e etc. gera renda e toodos os argumentos que estamos acostumados. E ela diz isso como se esse setor não é o único, pelo menos é o principal capaz de fazer isso.
Uma das dúvidas que eu tenho é: A quantidade consumida de todas essas matérias é tão significativa assim? Essa indústria gera toda essa renda, para ser tão importante para o governo brasileiro?
Em comparação com outros produtos(como alimentos citado no texto) os automóveis geram mais empregos? Mais renda? Existe mais trabalho a ser feito para esse setor do que para os outros?

Se alguém me responder eu agradeço.
É só para compreender se o que o governo está fazendo tem algum sentido.

Responder
Leandro 25/10/2012 07:12:00

Não, o que importa é a força e a influência política dos sindicatos. E os sindicatos do setor automotivo, um dos berços do PT, é poderosíssimo. O governo não tem motivo algum para querer se indispor com eles.

Responder
Lucas 25/01/2013 12:24:53

Leandro,

Primeiramente gostaria de parabenizar pelo site de altíssimo nível. Sou novo por aqui mas tenho lido os artigos quase que diariamente.

Como você disse em uma resposta anterior:

"Empregos são apenas a consequência de uma economia forte. Empregos são o sinal da saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável. O objetivo de uma economia saudável é a produtividade. Os empregos são a conseqüência positiva da produtividade."

Então como podemos explicar a situação atual brasileira de baixo desemprego mesmo com um estado intervencionista ao extremo e que dificulta muito a iniciativa privada?


Obrigado,

Lucas

Responder
Leandro 25/01/2013 18:08:21

Embora deva dizer que não mudaria nesta frase, relendo-a hoje vejo que ela pode passar uma ideia um tanto errada simplesmente porque a parte principal da frase não realçada como deveria. Farei isso aqui: O objetivo de uma economia saudável é a produtividade. Os empregos são a consequência positiva da produtividade

Ou seja: uma economia forte e robusta é aquela que possui alta produtividade. Se isso vai gerar empregos ou não, é algo secundário. Gerar empregos, por si só, é algo facílimo. Baixas taxas de desemprego é algo que pode ser atingido da noite para o dia: basta colocar os desempregados para cavar buracos. Ou aumentar as contratações do setor público. O que interessa é se estes empregos são produtivos e estão realmente produzindo o que a população quer.

Tendo entendido isso, convido você a dar uma olhada neste artigo:

A real taxa de desemprego no Brasil

E depois na parte final deste:

A economia brasileira - um resumo de final de ano

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Leandro 28/01/2013 22:01:56

Chile, Peru, Colômbia e México decidem cortar tarifas comerciais

SANTIAGO, 28 Jan (Reuters) - Chile, Peru, Colômbia e México decidiram no domingo (27) eliminar as tarifas sobre o comércio de 90% dos produtos até 31 de março, como forma de abrirem ainda mais seus crescentes mercados.

Os quatro países, que compõem a chamada Aliança do Pacífico, um grupo voltado para o livre-mercado, já têm pactos comerciais com algumas das maiores economias mundiais, com tarifas preferenciais para estimular suas exportações.

O presidente do Chile, Sebastian Piñera, disse que seu objetivo é eliminar totalmente as tarifas para produtos feitos nos quatro países, posição que contrasta com a dos países do Mercosul, que têm mercados mais fechados.

"Isso significa que pelo menos 90% dos produtos serão liberados de qualquer tipo de tarifa no comércio entre nossos países", disse Piñera a jornalistas durante uma cúpula de governantes latino-americanos e europeus no Chile, dominada por questões comerciais.

"Haverá um cronograma para trabalhar nos restantes 10%, até chegarmos a 100%", acrescentou.

Grosso modo, a América Latina está dividida entre os países do Pacífico, que são defensores do livre-comércio, e as nações do Mercosul, no lado atlântico, mais relutantes em eliminarem barreiras comerciais.

Tanto o Brasil quanto a Argentina, que dominam o Mercosul, vêm tomando medidas de estímulo à indústria local que são consideradas protecionistas pelos críticos.

Mas, durante os dois dias de reunião de cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos ), os dois países concordaram em retomar as negociações de livre-comércio com a União Europeia, o que seria um grande prêmio para a Europa no momento em que o continente emerge de uma grave crise.

Responder
anônimo 30/01/2013 07:43:53

Olavo de Carvalho comentou uma vez que não adianta abrir as pernas para a economia de mercado ,se isto favorecer a NOM ,tem que se ter um meio termo. É por isso que precisa se ter cuidado antes de raciocinar em cima de doutrinas estáticas. Se você libera a economia das restrições nacionais, abre espaço para as internacionais. Os globalistas são meta-capitalistas, eles podem agir no sistema porque não estão sujeitos à este, mas nós estamos. E se você mantiver algum resquício de soberania nacional (não sei quanto), aquele ponto a NOM não mete o bedelho.

Responder
Andre Cavalcante 30/01/2013 11:08:21

Se é assim, me responde então porque os países emergentes mais ricos atualmente são justamente aqueles em que houve liberação econômica?

Sob esta ótica, Coreia, Singapura e Hong Kong deveriam estar a beira da falência, sujeitas as "restrições internacionais".

Interessante, não?!

Responder
David Seraos 05/02/2013 12:47:48

Que artigo fenomenal, o tamanho me assustou um bocado, mas depois de o acabar de ler, fiquei muito mais rico intelectualmente. Parabéns Leandro.

Já à uns tempos pensava porque tanta gente é contra o verdadeiro capitalismo, ok os que vivem do estado é fácil, agora o resto é algo que tinha dificuldade em perceber.

E com este artigo compreendi realmente porque tanta gente não quer o verdadeiro capitalismo e defendem medidas proteccionistas. Pois só quem faz cada dia para ser melhor e se reinventar é que "gostam" e querem o verdadeiro capitalismo. E mesmo assim não é fácil, que a parte do reinventar é algo bastante complexo, ou será só a falta de habito actual, também pode ser isso.

Responder
Leandro 05/02/2013 12:55:38

Obrigado pelas palavras, David. Esse é um dos meus artigos favoritos.

Abraços!

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